domingo, 28 de fevereiro de 2010

Uma das coisas de que desconfio é da capacidade do Estado vigiar a minha sistemática violação dos direitos individuais do Francisco José Viegas

O [Francisco José Viegas] é um escritor remediado, simpático, algo provinciano, que tem engordado muito (mas isso também eu), um pouco ridículo em matéria desportiva, sem dúvida patético em termos de recorte político-ideológico, cujo contributo literário está para a literatura como o volumezito de Mega Ferreira sobre D. Quixote está para a exegese Cervantina. Isto não quer dizer que Viegas escreve mal. Quer dizer que Viegas se perdeu do rumo da sua própria voz por uma incontrolável e perdulária necessidade de meter charutos e cerveja, entabular comentários diante de doutorandas de literatura com óculos de massa, apertar a mão a autores sabujos, cego pela auto-contemplação da sua incandescente personalidade extravagente, sempre impante a vincar o seu gosto pelas coisas, a sua concepção da vida como dádiva, e outras coisas que agora me privo de dizer para dar o exemplo a Francisco José Viegas. Nisto, esqueceu-se que por vezes nos é permitido (deus seja louvado) não ter ideias particularmente materializáveis em apontamentos cripto-jornalísticos. Eu, por exemplo, não penso nada de nada sobre a prodigiosa existência do Insurgente, mas preparo-me para assistir ao Familías brazonadas Clube de Portugal contra o Futebol Clube Rúben Micael com dua cervejas, sem roupão, por companhia, e vários trabalhadores de uma empresa chamada Linde Refrigeração que desconhecem em absoluto o Eduardo Pitta, nunca foram a Bruxelas ver quadros de Magritte, não se importam com a releitura de Oliveira Martins, os humores de Camilo (outro provinciano cuja escrita reflecte uma verborreia inaceitável apenas justificável por ser um inútil sem outra profissão senão publicar livros), homens que sabem mexer em brocas, chaves inglesas, roscas, rebitar placas de zinco, apertar cabeças de motor, e que, além do mais, não peroram sobre a inteligência dos generais liberais, antes produzem frases talhadas por um rigoroso impulso de destruição, como é do domínio comum, e não me canso de, generosamente, vos revelar, grande colmeia onde se tece o mel da literatura.

Falta explicar ao Nuno Pombo que o top de uma livraria está para o estado geral do país como a merda do pombo está para o ventilador

O Nuno Pombo escreve bastante-extremamente-extraordinariamente mal mas não gosta do facto de o Pedro Passos Coelho estar em primeiro lugar no top de vendas da Bulhosa no centro comercial das Amoreiras, uma obra de Arte cujo autor tem sido manifestamente injustiçado.

Gajos que se importam com merdas que realmente valem a pena, pessoas e tudo, principalmente de cor escura (quanto é que ganhas mesmo?)

Estou farto de gajos como o Carlos Vidal, gajos que têm uma consciência do mundo, opiniões sobre golpes militares nas Honduras, a roupa que veste o Daniel Oliveira, o aspecto respeitável de Cuba no grande desfile alta-costura do recorte estético com que fuzilam os seus espíritos inadaptados. Mas que caralho terá feito o Carlos Vidal pelo quarteirão do bairro? Li uma vez em Lorenz que a probabilidade de um macho sair vencedor de uma contenda se pode calcular pela distância a que se encontra do centro do seu território, isto numa proporção de quanto mais afastamento, menor possibilidade de vitória. O Carlos Vidal não saberia gerir um problema de águas no Vale do Cávado mas quer ter opiniões sobre os campesinos hondurenhos, país merdoso que nem sequer contribuiu ainda com um lateral esquerdo, ao menos de categoria médio-mediana para a tão carecida faixa esquerda do ataque Benfiquista. Por sinal, Carlos Vidal, autor de um livro que se apresenta ao leitor com todo um programa artístico de altíssima frequência de citações de indivíduos de naturalidade romena, checa ou búlgara, e do qual saí, após dez minutos em pé perante a putativa prateleira da crítica literária, totalmente incólume do ponto de vista psico-intelectual mas com uma poderosa e totalitária dor na zona lombar, e cuja responsabilidade não pode, ou deve, por forma alguma, ser imputada ao Arrastão, facto que me remete para a ideia de que a produção artística implica uma certa consciência intestinal por acção de incorrectas posições fisiológicas, no que ao acto da leitura diz respeito. Eu compro sempre tudo na Zara, sobretudo as ceroulas com motivos elefantinos.

Ilustração de uma situação geral da vida com referência à condição agressiva das circunstâncias que em geral nos esperam


Coisas que não importam

Muito se tem falado a propósito de múltiplas e variadas coisas (coisas de ouro, coisas rebrilhando à chuva de Março, Tom Jobim e suas coisas, pau, pedra, o fim do caminho espelhado em garrafas de Whisky importado, Miguel Esteces Cardoso, já não sei a que propósito, tornando presentes à mesa do café as azedas a caminho das Azenhas do Mar): coisas como a tragédia da Madeira, o caso das escutas, escutei, escutarei, escuteiros - nos seus infinitos detalhes de incidência jurídico-jornalística -, os que escutam e os que propõem o problema do serviço da dívida ( e o serviço das empregadas que recolhem tabuleiros nos refeitórios, aviários?, do centro comercial?), a militância de Paulo Rangel no CDS- varão da República, o Estado, o estado do Estado, (e os cheques do Estado nas mesas envernizadas dos escritórios sob o olhar ovino de bustos de Sá Carneiro?), o buraco negro de Pacheco Pereira (salvo seja), o buraco negro das torna-viagens que a vida organiza entre ideias, o nosso corpo é um mapa de ideias a caminho da destruição, as curvas perigosas que o primeiro-ministro terá feito na sua inevitável rota a caminho da verdade (e todos nós, numa rota, a caminho dessa curvas perigosas), tudo coisas que ninguém sabe como colocar na devida perspectiva (a minha, claro), a fim de achar um ponto de observação passível de conduzir a um consenso (alto!). Será que existe aqui alguém com vontade de atingir consensos (os beijos maternos? os beijos fraternos? os beijos profícuos? as mãos no calor metalizado dos talheres em jantares de fim de verão?), o consenso de uma gargalhada de recém-nascido, a manipular rocas multicolores na mesa ao lado? As sardinhas decapitadas no azeite não deveriam querer dizer alguma coisa (esta é a ditosa pátria minha amada, decapitada como uma sardinha (Goa, Diu e Damão)? Não vos grita ao ouvido da consciência os urros dos milhafres (Macau?), o grasnar dos corvos (Luanda?), o piar da coruja, e o rugido do leão (o Rio de Janeiro continua feio, muito feito), meu deus, e que dizer sobre o rugido do leão? Daniel Oliveira é filho do poetastro Herberto Hélder (minha cabeça a estremecer de esquecimento, o esquecimento dos números, o horror das datas, os cruzamentos dos caminhos onde às vezes um acidente fortuito, um lençol branco tingido de líquidos humanos). Já a minha pessoa foi engendrada por um funcionário da Brigada de Máquinas do Hospital de Santa Maria (haverá lugar para uma referência ao Benfica-Marselha, último minuto?): haverá ponto de contacto possível entre os nosso mundos? Já a minha pessoa foi engendrada por um último minuto. Virá um dedo esverdeado com coloração cardíaca na ponta unir aquilo que os astros separaram? Haverá nave capaz de nos conduzir ao planeta de onde fugimos exilados por catastrofe cósmica? O diálogo, no qual devia compadecer-se o nosso espírito, não é que me canse, é simplesmente que me faltam parceiros capazes de brincar. Já na quarta classe se repetiam os mesmos problemas (as equações resolvem-se com prática e método do estudo), passes demasiado puxados, a perderem-se pela linha lateral (mas onde o método das Plátanos na inclinação do vento?), cruzamento atrasados, tabelas mal calculadas contra um horizonte de calor, os barros de uma terra esventrada por ferro, trigo de vento, oscilação de caules de ouro, fogo de ondas a bater cimento, o promontório da terra, ondulação de Agosto, horizonte de construção suburbana, e é isso que fere ainda, não ter ideias, ter apenas pedaços de coisas no lavatório do mundo, circulando numa espiral com o sentido físico da gravidade, (Ó as coisas graves), a caminho da biodegradação, actividade que hoje tanto respeitamos e a que, incompreensivelmente, procuramos furtar os nossos corpos. Haverá assim tanta diferença entre nós e um saco de destroços, no tumulto de um ribeiro de súbito engrossado com as chuvas próprias e devidas nesta fase particular do Inverno?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Foi você que pediu um post mais curto?


Agora posso morrer em paz porque os meus olhos viram uma vigília pela verdade desportiva

Os sentimentos de revolta resultam sempre em raríssimos momentos de belo efeito, sobretudo quando são animados por Presidentes de Associações Comerciais que falam alemão - sobrepondo o domínio babélico sobre uma larguíssima cultura - e abrilhantados por empresários que actuam nos ramos de aluguer de Pavilhões de Desportivos e controlo de murros em casas de diversão nocturna. Não me lembro de uma coisa tão bonita desde que no funeral de Amália Rodrigues algumas senhoras, com mais de 90 quilos e cerca de 1,35 de diâmetro, resolveram improvisar versões atabacadas de «São os caracóis, são caracolitos», inaugurando uma alusão ético-crítica sobre o real, valorosamente resgatada por Dias Ferreira (quer vossa senhoria que traga o cavalo ou as pistolas de prata?) para caracterizar um conhecido comentador televisivo que, alegadamente, teria feito alusões a um suposto processo de tratamento psicológico a que o próprio Doutor Dias Ferreira, num momento de infortúnio, teria sido, alegadamente, submetido (e quem entre nós não bateu já com os costados no psiquiatra que atire a primeira caixa de Xanax). Isto retira-me esclarecimento para comentar um post relativamente bem conseguido de António Figueira, mas esgalhado a partir de um conhecimento pseudo-profundo do antigo liberalismo no reino da Dinamarca, e ressuscitando a questão bizantina acerca do verdadeiro (se fazem o obséquio, aqui, todos devem limpar a boca) espírito do liberalismo mais radical, dormitando o problema, na opinião de Figueira, em saber se o dito liberalismo radical é um esforço de conservação ou uma aposta na reforma do entendimento e condição humanos. Tenho a dizer que, apesar da honestidade do post, um dos problemas recorrentes em indivíduos que leram as obras completas de Poulantzas e Althusser, é a incapacidade de entenderem que os discursos assentam em base fisiológica semelhante à que o falcão utiliza para se precipitar sobre a presa ou o peixe de coral para morder até à morte o peixinho cinzento que lhe invade o território. É sempre impressionante assistir às frases elaboradíssimas do canto do rouxinol (com múltiplas alusões a Stuart Mill, à claríssima, como água do luso, definição do que é clássico, ao conformismo, ao transformismo, torys, whigs, a baixa do Dafundo, tudo coisas que fazem barulho de certa maneira). O que irrita em maradona, e faz a sua fama, é, neste capítulo particular, o carregar do estilo, fingindo que pensa, e pensar fingindo que trabalha o estilo. Raciocínio em forma de sentimento, para usar uma definição conhecida, sendo o seu barulho de tal forma ensurdecedor que não deixa espaço para outros galináceos. A eficácia da imutabilidade dos conceitos é uma coisa que padece de demonstração e a alusão ao conceito de arqueologia foucaultiana, não deixa de inspirar o vómito e demonstrar que António Figueira também usa as palavras a partir do seu valor de uso, ou não teria a coragem de colar, a propósito de qualquer tipo de liberalismo, palavra e coisa. De facto, com bom jogo de cabeça ou notabilidade nos pés, o que importa é se a bola entra.

Sabemos que o jornalismo em portugal está definitivamente perdido

Quando no rádio do carro, ouço em directo do Funchal uma jornalista a entrevistar um menino de 10 anos sobre o que aconteceu no sábado. E entre outras coisas lhe perguntou: "e já falaste com os teus amiguinhos?". Senhores não há pachorra. Para tristezas já me chega o Sporting.

Sabemos que o jornalismo em portugal está perdido

Quando em directo do Funchal hoje de manhã, o jornalista nos tentava explicar a diferença numérica entre os mortos na Madeira e as razões para tal

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Já escrevias textos mais curtos ó Alf

O Miguel Sousa Tavares (MST) teve hoje a lata de perguntar ao Sócrates (que representa o pior que existe em Portugal, que não fiquem dúvidas) se depois de se ameaçar demitir por causa de uns milhões do Alberto João iria agora ajudar a Madeira "sem olhar a meios ou contenção orçamental". É esta a liberdade de expressão que querem a todo o custo conservar ? O MST não é suposto ser um tipo com curso superior, inteligente, educado e coiso e tal ?

Entre outras pérolas que diz, o R.A.P em entrevista

"Todos lêem a bula dos medicamentos mas nenhum farmacêutico é o Tolstoi. Com excepção, talvez, do que escreveu a posologia do Ben-U-Ron."

Liberdade de expressão, coiso e tal

O Sócras (não o urso, o outro) já se demitiu ? O Mário Crespo já está a apanhar sabonetes em Vale Judeus ? Ou continua tudo como dantes ?

O rosto da derrota

Serviço Público

Aqui

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Portugal, I love you for sentimental reasons

A primeira virtude do homem político é a destreza clarividente na escolha do momento para falar. O palavrão é a medula do rigor semântico, mas cortaram-nos essa possibilidade. Fizeram da opinião política uma casa na pradaria onde Michael Landon evolui nos seus jeitos de reverendo vendedor de automóveis, rodeado de crinças loiras que desconhecem o vernáculo, tão importante na estruturação da mente quando ela ameaça desmoronar-se aí pelos treze anos. Querem fazer da política, poesia, esquecendo que Platão e Aristóteles talvez expulsassem os poetas da república. Não discuto se Vilaret era um declamador ou um indivíduo que dizia poesia, uma vez que estas duas técnicas tão distintas - na expressão de Paula Moura Pinheiro, a Cleópatra que impera nos salões culturais da pátria -, ambas se constituem em possibilidades de grande beleza desde que cumpram a eficácia a que se destinam (eu não traduziria melhor a dúvida sobre se o Benfica deve jogar com Di Maria ou Coentrão na ala esquerda). Pátria? Pátria, uma palavra cara a Natália Correia, Manuel Alegre e ao membro associativo dos combatentes da guerra colonial que tropeça nos paralelipípedos salientes da calçada à portuguesa, depois de entornar dois litros do néctar de Kierkeggard (agora não me apetece ir à wikipédia ver como se escreve) e gritar juras de morte a Almeida Santos e Mário Soares. «Então e eu?» - diz o homem político aflorado (mas sem mariquices) logo na abertura deste post. Não estou esquecido. Sem dúvida, é ao homem político que a minha indignação presta crédito. Faltam-nos palavrões. Que seria da língua, da comunicação, dos índices demográficos, se os palavrões fossem defenestrados da república. Num filme de Bruce Willis, enquanto assaltam o arranha-céus, desfila perante nós toda a família de alusões sexuais, intestinais e crítico-profissionais que é possível imaginar, e isto em apenas 1h15 minutos de filme. Em Ponte da Barca ou em Monção, numa festa regional, do chefe dos escuteiros ao presidente da misericórdia, indo ao pastor, passando pelo Presidente da Freguesia e chegando ao cura de almas, todos fazem por bem olear a eficácia da expressão oral com a aceleração de sentido que há em cada palavrão. Entre nós, paneleiros de Lisboa, temos de escrever com casaca e punhos dourados. Lamentável. Depois, a incompreensão graça, como a urtiga nos prados de Beja. Tanto Henrique Raposo, texto de hoje no Expresso, como Patrícia Reis, todos os textos que quiserem, são dois dos mais originais sistemas nervosos centrais da República Portuguesa, tendo em comum uma estrondosa ignorância e um engraçado posicionamento de crítica etno-antropo-feirológica (que é a ciência fundada pelos tendeiros de Ponte de Lima) perante os comportamentos dos portugueses. Tanto um como outro se referem a falantes da língua portuguesa que nestes últimos dias lhes têm causado urticárias espirituais. Patrícia Reis por um comentário que tive a gentileza de permitir colocar no seu blogue, Raposo porque a nação o desilude no ódio a Alberto João Jardim. «Ao ler e ouvir estes comentários, tenho vergonha de ser português. O ódio politiqueiro a Alberto João Jardim é superior à compaixão patriota pelas pessoas que faleceram. De onde é que vem este veneno que transforma Portugal numa espécie de pátria do ódio ? Enquanto não tenho a resposta, tenho a dizer que um palavrão impublicável devia ser o título deste texto.» São tantas as pérolas que se desprendem deste colar rebentado pelo entusiasmo cívico que me é difícil ter dedos suficientes para as agarrar a todas. «Ódio politiqueiro» já sabemos que é a expressão que caracteriza científico-rigorosamente toda aquela opinião de indivíduos que não pensam como Henrique Raposo. Se Jardim é responsabilizado pela amplitude da catástrofe isso é politiquice, mas se Louçã é insultado a título de vestir camisa lilás, então isso é impulse, a mera tradução da clarividência democrática, o espírito liberal do povo, as forças vivas da sociedade civil recusando a canga do Estado, os cidadãos livres livremente manifestando a media res do espectacularmente bem distribuído bom senso dos portugueses, sempre lestos a recusar a radicalidade boçal dos politiqueiros radicais. Alberto João? Um homem com punhos de renda, um esteio da liberdade republicana, um liberal cujos ossos cantam hinos medulares e declaram amor apaixonado aos braços desnudos da alegórica mulher que às portas de Nova Iorque recebe, em liberdade (amen) as massas cansadas, os filhos sedentos de amor, e, claro está, as palavras aladas do grande homem político (o doutor Alberto João Jardim, homem a quem nada nem ninguém deve ousar fazer ligações com o ordenamento territorial da Madeira e a sua influência na dimensão do desastre). Como dizia o coronel Jaime Neves, comando e instrutor de Comandos, «Não há guerra sem mortandade. O mal é da guerra e de mais ninguém.» O mal é da chuva e de mais ninguém. Os mortos madeirenses não merecem discussão, nem rigor de análise, não merecem o questionamento das razões da sua própria morte, não merecem aspirar a sobreviver à próxima catástrofe. Merecem um arranjo de flores, uma elegia Presidencial, o silêncio do Henrique Raposo, a boçalidade de Alberto João, e o dedo acusador ao destempero das fúrias divinas que, como o ladrão na noite, aparece sem dizer o dia nem a hora. De acordo com Raposo, a liberdade é poder cuspir diariamente nos valores opostos aos nossos e publicar palavrões sempre que falha o zelo patriótico pelas pessoas que falecem em momentos que, sabe-se lá porque graça do criador do céu e da terra, deviam ser de suspensão política e de luto silencioso perante a catástrofe de que ninguém (a não ser Cristiano Ronaldo) será realmente culpado. Pois sabei portugueses e portuguesas: a culpa é toda minha, pela costante alusão a temporais, chuvas e humidades que aqui, neste blogue horroroso, emergiu variadas vezes de forma soez e mesquinha. Quanto à pátria do ódio, da inveja, da frustração, da sardinha assada, do queijo curado em azeite, dos peixinhos da horta jantados à sombra do casino da Figueira (um beijinho à Patrícia Reis e à Inês Pedrosa), dos cigarros SG, das aparições de Maria aos pastorinhos, dos pastéis de Belém, da pasta medicinal Couto e da louça das Caldas, com Zés Povinho de vergalho ao vento, tenho a dizer que a não compreensão da universalidade de tão belos sentimentos como o ódio, a inveja e a frustração, três das colunas salomónicas da literatura, representa apenas o imenso, o oceânico, o elefantino, o continental provincianismo de Henrique Raposo, um filo-americano que está para a América como o latagão de Caldelas está para a Avenida da Liberdade, como o peregrino de Rabat está para Meca, como o cavalo de D. Quixote está para os moinhos de vento imaginados pelo fidalgo louco. Já aqui disse: menos papéis federalistas e mais Fernando Pessoa se querem morrer somente depois de entender a fundo o provincianismo de todos os pseudo-cosmopolitas de aeroporto nascituros em solo pátrio. Seria benéfico para o arejamento da República se as pessoas, sempre que lhes desagrada qualquer coisa, identificassem no turbilhão sanitário da sua consciência qual a coisa que verdadeiramente lhes desagrada, em vez de serem coniventes com a pequena criatura, antropóloga-zarolha, que dorme em cada coração político, mãe de todas as generalizações de bolso descosido em calças compradas na feira de Carcavelos, a partir de supostas características dos portugueses. Pátria do ódio? Mas não era o liberalismo o sistema que faz do amor próprio e da competição a vaselina da cópula comercial, o polén do florescimento da nação e o fermento da prosperidade da República? Como amo profundamente Alberto João Jardim e não há palavrões impublicáveis: ó Henrique Raposo e se fosses pró caralho?

Não seremos mais, José Luís?

«...uma pessoa que duvido muito que goste de ler, porque se soubesse saberia brincar melhor.» Maradona in A Causa foi Modificada
Mesmo não sabendo quem é, ou o que é, o Sérgio Lavos, foi com este mote aparentemente evidente ou, se quiserem, enigmático, que me ocorreu estabelecer uma ligação entre a manifestação pró-família e a manifestação pró-todos os cremes em geral para usar uma imagem do autor-mais-decisivo-da língua-portuguesa do momento. É claro que a construção de convicções políticas não difere materialmente da construção de suportes para lavatórios de casa de banho. São necessários pregos, madeira, cola química, experiência acumulada, impressões empíricas sobre as consequências de uma martelada no dedo, um claro repositório de posicionamentos técnicos a fim de aplicar, numa posição de escasso conforto ergonómico, a maior pancada possível, seca e repentina, a fim de não entortar a cabeça ao prego. O que é um homem? perguntava um filósofo amigo. No reconhecimento da homossexualidade, onde fica o sentido da ponte de Vila Franca e dos magníficos touros de cobrição a pastar com paciência na lezíria verdejante, enquanto o Tejo corre a despejar suas mágoas no grande oceano da indiferença? Mas não será a prática do coito entre elementos do sexo masculino um problema de representação? Claro. Trará problema demográficos? Não. Trará problemas educativos? Claro, mas isso também a conversão de Faisal. Como explicar a uma crinça de sete anos que aquele indivíduo de cabelo branco, emergindo capciosamente nas cassetes históricas com os momentos gloriosos da selecção portuguesa, colocando o braço direito na bola como quem mete a mão na coxa da vizinha reformada, decidiu abraçar a religião de Alá? Porém, a meio desta ligação neuronal, talvez pela influência do profeta, ausentaram-se-me as palavras ao televisionar José Luís Peixoto e um companheiro careca muito sensível que dorme com cartas de Mário Cesariny, enquanto organiza encontros em torno da poesia, uma actividade alegadamente com grandes ligações à verdade. Parece impossível como ainda há indivíduos no actual momento do calendário cristão capazes de sujarem o palato ou a dentadura postiça, que tanto trabalho dá escovar, com o conceito de verdade. Que tragam a poesia para este bacanal de triste sentifo fisiológico parece ainda mais repugnante ao observador que acaba de ver o FC Rubén Micael (o assento é no é) ganhar cinco-um a uma equipa cuja presença enigmática no campeonato se assemelha à do Sérigo Lavos na discussão pública do casamento homossexual: está ali para atrapalhar. Peixoto leu uma coisa em forma de câmara de ar furada, da sua autoria, em que éramos cinco na hora de pôr a mesa, depois a minha irmã casou e o meu pai morreu e continuámos a ser cinco, e a minha irmã mais nova foi para casa dela, e seremos cinco enquanto um de nós for vivo, seremos sempre cinco. E eu estupefacto, fiquei a tentar conciliar a cada vez maior concordância entre tentativa literária e auto-ajuda, perguntando se isto não será um problema de pouca frequência das próprias cuecas por lavar como se diz na região de Condeixa.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Uma paneleirice singular nunca vem só

Durante as cerca de 2 horas e meia que levei ontem a tentar aconchegar a posição relativa das rótulas de forma a evitar formações de frentes frias derivadas da humidade que se faz sentir nestes últimos dias no território nacional (calculo eu que decorrentes do facto de neste blogue se terem feito alusões político-climáticas à causalidade entre calor e escassez de liberdade de expressão), dizia eu que durante esse lapso de tempo (expressão tão ao gosto de Carl Sagan), em que procurava combater a formação de frentes frias e alinhar as rótulas numa posição favorável a melhor circulação sanguínea, imaginei um post em que fazia alusões ao adestramento na língua de Camões (essa serpente de sangue) e os índices de publicação de livros cujo estilo dominante implique menções da cidade mítica da Figueira da Foz (que não sendo Chaves também não é Portimão e, por isso, não justifica tamanho foguetório), insinuações insinuantes sobre métodos de auto-ajuda e todo um conjunto de coisas de que já não me recorda o sentido. Entretanto, a observação do filme «A single man» pautou-se por uma destemperada ode à panasquice sem uma pinga de realidade, sem uma pitada de invenção, sem um grama de inteligência, sem um grão de força artística, em que tudo se desmorona numa pífia deambulação pelo imaginário de um estilista amaricado. Façam o favor de não incorrer no erro grosseiro de confundir esta última frase com qualquer preconceito. Proust é o pincel mais afinado da literatura do século XX e não deixou de ser um homossexual congénito e fulgurante mas de índole tauromáquica, isto é, um artista capaz de bandarilhar qualquer besta, um forcado capaz de pegar qualquer vida desgovernada, um bandarilheiro capaz de tourear em qualquer arena da sensibilidade. Não confundamos as coisas: a homossexualidade não implica qualquer espécie de fraqueza e a arte nunca sobrevive a mariquices, nem depois de filtrada pelo design estílistico em forma de pseudo-problema existencial. Em suma, continuam a doer-me as rótulas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Bom fim de semana

Isto está mais para isto do que para outra coisa

Será esta a questão essencial?

Completo os estudos em questão ou mergulho completamente numa actividade votada ao riso das criadas de hotel?

Ontem ao ouvir o Sócrates lembrei-me deste senhor que falava



mas este aqui também me passou pela cabeça.

Depois estas coisas foram-se embora dos meus pensamentos, porque era hora do banho da pequena. E isso sim é literatura aos meus olhos.

Saudades de quem saiba o que é a literatura: um ódio mortal, feroz, brutal, contra nós mesmos

«Limita-te, besugo, para já, a acompanhar as rampas inclinadas dos outros. Aprende: tu só acompanhas.
Até sentires que começas a descer a tua - olha, pode ser de repente, besugo, pode ser como foi com o Rui, o teu colega que foi hoje a enterrar, podes até nem dar muita fé da rampa, da ladeira, besugo lorpa.
E, quando isso te chegar a ti, que tenhas alguém que te chore em cima uma loção qualquer de adeus.
Um unguento quase líquido que comova, ao menos, quem estiver ali de bata branca - fardamento nobre da pobreza -, se calhar ser o caso, a acompanhar, calado, quem estiver, se vieres a ter essa sorte por destino, a ungir-te.»
o malogrado Besugo a 10 de Janeiro de 2009

Fenomenal

Hoje a quadratura do círculo esteve muito bem.

Entre várias coisas descobri que não é através de meios capitais que se condiciona a acção dos jornalistas.

Também aprendi que todas as proposições, excepto as do António Costa, têm de ter demonstrada a sua veracidade.
Para ele basta encolher os ombros e dizer que é claro. Ou então soltar uma onomatopeia/interjeição muito parecida com o relinchar de um cavalo (porque, caro leitor, podia ser o relinchar de uma égua)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O rissol estragado é seguramente o melhor título de um post por mim assinado

São 23.38. O dia correu manifestamente bem, comi um rissol, uma merenda, escaldei a língua duas vezes com meias-de-leite fervidas até ao ponto inquisitorial, tropecei uma vez e meia em cócó de cão, dei catequese variando em torno do conceito de mérito e infância precoce (era o tema da apresentação de Jesus no Templo), li sobre as Irmandades em Minas Gerais, anotei duas frases sobre a posição do busto de Jorge Luís Borges na sala da sua antiga mulher-a-dias, hoje a viver no bairro populoso de La Boca, entre fotografias das glórias desportivas do Boca Juniors, e fui ainda brindado com um problema de codificação no elevador eléctrico do vidro direito do automóvel (viatura, na expressão indeferida da garantia), rapidamente solucionado por um assistente de oficina cujas frases têm o balanço constante de uma sonata de chopin (pico vertiginoso, seguido de um longo arpejo com variação melancólica), tudo coisas que não constituem novidade no meu universo político-familiar. O que constitui novidade é o facto de ter acabado de televisionar uma declaração de António Costa com o seguinte conteúdo:«Acho indigno fazer o combate político (aqui com um ligeiro semi-cerrar de olhos) com base em escutas telefónicas (recostando-se na cadeira e afagando a gravata rosa-elefante de peluche)».
Ao que Lobo Xavier respondeu: «O problema (inclinando-se para a frente e ajeitando os papéis rabiscados com variações sobre os balancetes da Sonae) é que esta não é a questão essencial».

Vou frequentar um curso de civilidade

António Costa acaba de dizer que esta não é a questão essencial.

Agora sim, peço desculpa duplamente, arrependo-me profundamente, e escrevo já em queda a caminho do rio Tejo

E não é que o atelier 004.pt de Patrícia Reis, que me recomendaram a título de frequência do workshop de sound design, tem como clientes instituições tão distintas como as magínificas, as espectaculares, as inigualáveis, as invictas, as salvadoras, as iluminadas: Sonae imobiliária (aplausos), Parque Expo (gritos), Grupo Estoril Sol (puxões de cabelos), Pt prime (desmaios), Rave (aplausos), Presidência da República (puxões de cabelos).
É claro que isto nada tem que ver com a engorda da dívida pública: a culpa é dos escandalosos salários pagos a duas senhoras de Alhos Vedros que lavam os urinóis do Ministério das Finanças.

Isto não é um aviso

Todos sabem que a minha maior qualidade, logo a seguir ao virtuosismo com que efectuo violentos lançamentos de fazerem entristecer melancolicamente o camaronês Bynia, é a capacidade de suscitar indignação em pessoas que publicam livros julgando passar incólumes às possibilidades de um lucro esbulhado ao analfabetismo da pátria e que vêm depois reclamar sobre as alegadas facilidades da crítica. Não há nada mais nobre do que a crítica. A crítica é o antibiótico da elegância, é a vassoura das letras, é a borracha da sensibilidade, é o corrector da retina, é a máquina do tempo da edição precipitada. Patrícia Reis (e leitoras) requerem uma crítica clara e assinada. Pois em verdade vos digo que é melhor não desejardes muito ou ainda me passa pela cabeça rugir uma tal demolição assinada sobre a obra em questão capaz de fazer desejar à pessoas em questão o regresso das pragas de gafanhotos e dos inofensivos comentários anónimos em questão.
E com isto, utrapassemos este desagradável dever de prevenir os caros leitores do elogio contra a eventual armadilha de considerar que um texto publicado é um livro.
P.s. Pacheco Pereira acaba de dizer que esta não é a questão essencial.

Pelo contrário, a literatura é uma coisa super bem disposta criada por pessoas completamente realizadas coordenando equipas estupidamente polivalentes

De Patrícia Reis a 18 de Fevereiro de 2010 às 11:13
Maria, sem dúvida que tem razão, o problema é que as pessoas estão frustradas e é tão fácil e prático dizer mal e refilar que já se tornou uma característica tuga. O problema deste comentário? o tempo que me roubou de vida, o que levei a ler. Mais nada. Bj
Maria e Patrícia (e todos vocês que procuram livros de auto-ajuda mascarados de romances) continuo muito ocupado, sobretudo porque me encontro a televisionar declarações de Carlos Monjardino sobre como salvar o país numa só perna e ainda equilibrar um volume de Tocqueville apenas com a proeminência do nariz, o que me impossibilita de vos explicar que sou uma pessoa terrivelmente frustrada com gosto para frequentar blogues que estão para o português como Júlio Isidro está para a teoria quântica das partículas, com a agravante de que essa pessoa, isto é, eu, se encontra apenas a 2 pontos (de Liga Portuguesa de Futebol) de se lançar da ponte sobre o Tejo, com o agravante sentimento que resulta da infeliz descoberta, efectuada por essa mesma melancólica pessoa, de que afinal escreve coisas obscuras para os frequentadores de blogues de auto-ajuda, pelo que devo dizer que já nada me surpreende em termos de caracterização lusitana. Logo eu, que tanto me tenho esforçado por ser jamaicano. Como dizia um colega de Famalicão: que foda-se. Bj a todas.
P.s. Mais respeito! Não sou anónimo, o meu nome é alf e já escrevi pelo menos três livros, um a convite do Casino de Kripton, outro na sequência de uma solicitação da Associação dos Amigos de Marte e um último que acabei de escrever em dois minutos após contacto telepático com a Liga para a protecção dos unicórnios de Plutão quando estes começaram a revelar altíssimos índices de frustração.
Segundo P.s. Patrícia, está tudo bem. Não entre em depressão. O comentário não vale nada. Eu bem avisei que era um verme completamente irrelevante, a rastejar no lodo da minha frustração lusitana.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Do baú


Após anos guardadas nas gavetas, eis que se libertam algumas fotos do Chile. Mais aqui

Pergunta sem resposta




Isto representa:



a) o novo ponta de lança do desportivo de lousada?

b) um espectacular crítico literário?

c) o novo estafeta dos CTT de Póvoa de Lanhoso?

d) um conhecido galã do cinema francês de autor aí pelo mês de Março de 1972?

e) um amigo meu nas férias de Verão na Costa da Caparica no ano em que morreu Carlos Paião?

Soluções: não clicar no caso de possuir qualquer tipo de preconceito contra a homossexualidade ou não possuir as obras completas de Mário de Cesariny na primeira estante da cristaleira da sala

Pergunta oracular

Rubén Micael nasceu em Câmara de Lobos ou Câmara de Lobos nasceu em Rubén Micael?

Peço desculpa por tudo, agora estou devidamente elucidado. Não tinha lido isto. Sou um verme horrível e faço penitência quaresmal na cinza e no pó.

«Enquanto autora, preparas-te para editar um novo romance, «Antes de Ser Feliz». Podes dizer, a traços largos, de que trata?
Trata-se de uma história passada na cidade mítica da FIgueira da Foz, na cidade dos “Sinais de Fogo” de Jorge de Sena. Foi um desafio lançado pelo Casino da Figueira a propósito dos seus 125 anos. É uma novela, uma história de amor e, se quiserem, um regresso modernizado à ideia de Pedro e a Inês.»

José Manuel Fernandes o quê?

O problema não é, evidentemente, a liberdade de expressão. O problema é a forma de organizar a expressão das individualidades de maneira a não lesar o público, isto é, a comunidade, ou seja, a noção que a malta tem do colectivo, tal como numa equipa de futebol a performance no relvado é directamente influenciada pela auto-imagem que o balneário possui sobre si próprio, como afirmou um dia João Vieira Pinto - o futebolista português que mais cedo experimentou as delícias eternas da paternidade. E não se julgue que estamos a falar da reflexão auto-inflingida por espelhos de corpo inteiro, chuveiros de tecto, azulejos revigrés, ou suportes de toalhas turcas. Estamos sim a falar da forma como os indivíduos se representam a si próprios no teatro da mente e gostam de influenciar a mente do colectivo com o teatro das suas patéticas personalidades. Entre a censura e a liberdade de expressão tenho feito várias piscinas de forma a procurar uma solução para o problema do analfabetismo político-cultural da sociedade portuguesa. Distribuir obras de referência nos jornais de referência? Não resulta. Expôr as lições do advogado-educador Medina Carreira em horário nobre? Não resulta. Eleger um Professor Catedrático de Economia para a Presidência da República? Não resulta. Transformar a Laurinda Alves numa colaboradora regular de revistas femininas? Não resulta. Contratar o Luís de Freitas Lobo, o mais erudito adepto do futebol clube Ruben Micael, jamais idealizado pelas mentes mais perturbadas, para comentador desportivo-televisivo da RTP? Não resulta. Entretanto, interrompi a leitura de Born under Saturn, o que invariavelmente me provoca pausas de raciocínio, como se subitamente sofresse uma transmigração de massa neuronal e a Patrícia Reis viesse ocupar o coração do meu sistema nervoso central com o mesmo despeito invasor e totalitário das botas do exército inimigo calcando os prados floridos de uma terra recém conquistada. Stop. Até amanhã e não se aleijem durante a noite.

Lamento muito, mas vai começar o FCRuben Micael vs Arsenal


Basicamente a gente tem duas escolhas

censura ou justiça (leis, juízes, deputados, cidadãos) decente. Está neste momento o Mário Crespo no parlamento a acusar o Primeiro-Ministro de o ter mandado censurar. Estas acusações não foram até ao momento desmentidas.

Para que fique claro. Um jornalista está no parlamento a acusar o Primeiro-Ministro de o censurar. Não fosse isto uma república das bananas, e a conclusão seria o jornalista preso por mentir ou o Sócrates a demitir-se.

Todos sabemos que nada vai acontecer, o que só contribui para descredibiizar ainda mais o regime da terceira república. Razão tem o Pedro Arroja quando diz que Portugal não pode viver sem censura. Pudera, não temos justiça decente.

Anónimo mas com carinho

Continua a ser uma questão essencialmente enlameada pela minha completamente destituída de peso e quase tísica auto-estima, o facto de ainda não ter percebido os critérios psico-somáticos da publicação de livros em Portugal. Quando Patrícia Reis lança nas Livrarias, dessarrumando a franja da minha fulgurante e inigualável capacidade de entendimento, mais um livro (que desta vez aparece sob a designação Novela) em que o enredo é enredado por um protagonista que se ensarilha com uma mulher visivilmente padecente de problemas psíquicos e um belo par de pernas, sofrendo bidons de angústia psico-afecto-amorosa, e questionando o sentido do amor, tudo isto contra os rugidos do mar da Figueira da Foz, quando o Abano ou o Meco seriam muito mais indicados para um intriga pequeno-decadente da burguesia Lisboeta, não resta outra solução ao aspirante a escritor se não envolver-se fisicamente com Nelson Ned. Ao menos o anão brasileiro consegue organizar duas metáforas sem romper o cordão umbilical da inteligência. É verdade que a autora de «Antes de Ser Feliz», organizará, durante o ano de 2010, vários Workshops, nas áreas da produção, do design, da escrita criativa e do sound design, o que demonstra uma polivalência capaz de fazer corar o Fábio Coentrão. Estou especialmente interessado na área do sound design embora me interesse também pelas defesas de Rui Patrício. A verdade é que Patrícia Reis esteve na capa do Sol e isso devia explicar tudo. Na verdade, eu desconhecia totalmente esta faceta mediático-atlética da autora, pois estive no estádio da Luz, no Sábado, a tentar explicar porque razão Xistra impediu o Benfica de golear os Belenenses (o número do artigo faz toda a diferença) além de que não costumo comprar jornais semanais dirigidos por filhos de ensaístas de esquerda e apenas tolero referências ao mundo sexual a partir das caves de Setúbal onde uma vez me confidenciaram que se produzia a revista Gina, entre pipas de JP tinto e o cheiro desprendido pelas radiosas redes de pesca das traineiras que navegam nas labirínticas enseadas calcárias da Arrábida a espiar holandesas da cor do lagostim que saltitam na espuma oceânica recortadas contra o verde mediterrânico da serra. Como estas notas apenas interessam o amante da antropologia lusitana, uma cadeira que espero vir a lecionar no átrio do metro do Senhor Roubado no ano 2010/2011, regresso a Patrícia Reis (com sua licença, se faz favor). Sabemos, depois da sua entrevista de Sábado, que «O escritor é um personagem. Caso contrário, é apenas alguém que escreve e que não concretiza a sua condição. O escritor é um produto. Uma espécie de tetra pack. Ou então é um fenómeno televisivo. Perdi o pudor, a vergonha, 40% da minha personalidade e lá estou, na capa da revista do Sol. Para o mal e para o bem. E porquê? Por causa dos dez anos da Egoísta e ainda do lançamento do novo livro, "Antes de Ser Feliz".» Se não tivesse que ler o último terço de A Tale of two cities, engomar dois alguidares de roupa, esboçar um artigo para publicação numa revista castelhana rançosa de História económica, escrever um capítulo da minha prometida obra em forma de destruição, transcrever uma lista de salários de funcionários do rei de Portugal em Minas Gerais em 1735, com as devidas conversões monetárias, abrir a embalagem que chegou agora pela Amazon, transportada por um senhor careca numa carrinha comercial branca que me disparou entre sorrisos, após eu ter perguntado - 15 euros - e ele ter reforçado - 15 horas - «eu nunca levo dinheiro» - e assistir ao tragicómico FCRuben Micael versus Arsenal, ainda explicaria a Patrícia Reis o que é um escritor.

Em todo o caso, deixo um incentivo: o melhor post do seu blogue, Patrícia, é o seguinte: «Lamento, mas fica o aviso: comentários de anónimos a insultar-me serão apagados. Por serem cobardes, nada mais. Se quiserem chamar-me nomes ou dizer que escrevo mal, façam-no com a honestidade de assinar e, por favor, não me chamem "querida". Haja um pouco respeito, sim? Obrigada.» Eu, Américo Anónimo, respeito imenso todos os escritores tetra pack e não quero chamar-lhe nomes (acho que Patrícia Reis está muito bem), nem penso que escreva mal. Acho, com toda a sinceridade, que cada um deve ganhar a vida como pode e como Deus lhe permite. Desejo-lhe as maiores felicidades, Patrícia. Mas não se esqueça que eu sou só um ressabiado anónimo, perdido entre as fezes que o esgoto despeja furiosamente nas areias da Cruz Quebrada, o inebriante cheiro da lixeira de Trajouce e o magínfico torreão do forte de S. Julião da Barra onde, segundo parece, Felipe II acreditou suster as investidas da marinha britânica sobre as apetecíveis praias lusitanas, Gomes Freire foi enforcado como mártir da liberdade e Paulo Portas terá comido carapaus de escabeche enquanto conversava com o seu homónimo da Bélgica (a Bélgica tem forças armadas?). O que quer dizer, para voltar a Nelson Ned, que tudo passa, tudo passará. Não se zangue. Não se descomponha com a incompreensão dos seus livros. Até Shakespeare e Miguel Ângelo passarão, pelo que não se irrite se alguém lhe chamar nomes ou disser que escreve mal. A Patrícia escreve muito bem, muito bem mesmo. Nós é que somos uns tolos, uns idiotas, uns caramelos fora da validade, uns pacotes de iogurte vazios esborrachados entre duas palmas da mão iradas, sem nada que fazer senão destilar ódio e inveja em blogues anónimos. Não desista. Publique, publique muito, publique as suas obras completas com prefácio de José Luís Peixoto ou Inês Pedrosa. E ria muito de todos nós, nós, os que nos afundamos no anonimato, ressequidos de maus sentimentos, chupados pela desgastante boca da inveja, derrubados por essa sanguessuga feroz que é a cobardia. Nós não passamos de vermes rastejando no cadáver da irrelevância.

A título de fado alexandrino, gostava apenas de pedir aos caríssimos leitores que assegurassem no momento do meu funeral a generosidade de alguém, alguma coisa - pode ser um rato, um escaravelho, uma barata, todos menos o valter hugo mãe -, capaz de me fazer o beneplácito técnico (apenas ao alcance de uma caridosa inteligência) de me esboçar um retrato fidedigno, ou seja, eu, no momento da minha morte, mas de acordo com aquilo a que Shakespeare chamava a condição do derrotado, a raiva de sermos só isto, flutuando entre o hediondo desgoverno do mundo, isto é, um centro-remate mortífero completamente desperdiçado por um ponta de lança perdulário.

O desemprego já chegou aos 10%. Está tudo bem, não se preocupem

Damaia

Tem chovido muito, o que em nada contribui para a atenuação do pântano em que alegadamente, mas não só, teimosamente nos dizem que continuamos a viver. Seguem os contornos cómico-depressivos em torno das questões de carácter do primeiro ministro, de onde sobram reflexões sobre as alturas de responsabillidade em que flutua o mais alto condutor da nação, o que me leva a pensar sobre os níveis de intensidade democrática detidos por sociedades expostas a níveis absurdamente intoleráveis de luminosidade solar. Mesmo sabendo que as explicações ao nível da climatologia política não satisfazem todas as mentes em causa, eu lembraria que mais tarde ou mais cedo o Verão chegará, inevitavelmente depois do Inverno, invertendo o aforismo saído do carácter semi-bife do poeta empregado de escritório e arrastando toda a pátria portuguesa para as terras meridionais, escaldando o peito e arrefecendo a coxa nas águas tépidas de um atlântico travestido de mediterrâneo. Há também a aventura enrolada em panejamentos turcos ou tingida por alaranjado tibetano, a saciar os espíritos que como Gonçalo Cadilhe padecem do espírito das viagens. E o que são as agências de rating ao pé das agências de rafting? Por outro lado, há sempre a possibilidade de em Portugal comer bacalhau à braz por 4,50 euros, bacalhau confecionado por uma cabo-verdiana de cinquenta anos, desaguada nas praias de Portugal por casual acaso horrendo do destino (the horror) que por mexer (o que faz aqui um central do Sporting?) o bacalhau com inusitada competência africana recebe de massa salarial 660 euros pretugueses com chancela europeia (como está senhor comissário?), isto no mesmo restaurante onde o bacalhau poderá eventualmente custar 5,75 euros, apesar do preço relativo em função da tensa oposição aritmética oferta-procura indicar os já referidos 4,50 euros, o que não sendo um escândalo, não deixa de constituir um bom cartão de visitas a quem queira especular durante uma hora e meia de bacalhau bem regado com vinho branco as razões de não me ter ainda dedicado a coisas que realmenre importem (como ler o Prefácio de Medina Carreira à Última Crónica de Mário Crespo) em lugar de procurar verbalizar sentimentos manifestamente obscuros, que por incluirem caçadeiras de canos serrados, as obras completas de Patrícia Reis e a sifonia nº 5 de Beethoven, nunca poderiam fazer parte das expressões psicológicas respeitadas num Estado de Direito.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Como ninguém fala disto e eu gosto de ser do contra

A ajuda de Cuba ao Haiti.

Media silence

However, in reporting on the international aid effort, Western media have generally not ranked Cuba high on the list of donor nations.

One major international news agency's list of donor nations credited Cuba with sending over 30 doctors to Haiti, whereas the real figure stands at more than 350, including 280 young Haitian doctors who graduated from Cuba. The final figure accounts for a combined total of 930 health professionals in all Cuban medical teams making it the largest medical contingent on the ground.

Another batch if 200 Cuban-trained doctors from 24 countries in Africa and Latin American, and a dozen American doctors who graduated from Havana are currently en route to Haiti and will provide reinforcement to existing Cuban medical teams.

By comparison the internationally-renowned Médecins Sans Frontières (MSF or Doctors without Borders) has approximately 269 health professionals working in Haiti. MSF is much better funded and has far more extensive medical supplies than the Cuban team.

Antes

da malta se juntar para queimar o Sócrates (contribuo de bom grado com 20 litros de gasolina, umas acendalhas e fósforos à descrição) convinha não esquecer que a seguir é necessário pôr alguém em São Bento.

No Mar Salgado diz-se que as eleições passadas foram viciadas com a conivência do PGR e do presidente do Supremo. Talvez, não me espantaria que assim fosse. Mas também é verdade que a oposição (leia-se PSD e Manuela Ferreira Leite) foram incapazes de passar a sua mensagem e de convencer os eleitores em Setembro passado.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Bom fim de semana

Para bom entendedor, meia palavra basta

Anda meio mundo escandalizado com o que se vem revelando nas escutas telefónicas do polvo socialista.

Não querendo interromper o rebabofe que por aí anda, até agora não se revela nada que não se soubesse. Como se por alguma misteriosa razão, os donos dos media investissem o seu tempo e o dinheiro do estado em trazer á plebe jornalismo isento e de qualidade.

Ainda me lembro do serviço de internet da (na época) TVCabo ser considerado o melhor dois anos consecutivos por uma revista de informática nacional, na exacta e mesma época em que era mais fácil encontrar na net queixas do mau serviço da TVCabo do que fotos de gajas nuas. Apenas por mero acaso, a revista pertencia ao grupo da PT.

O que me surpreenderia nas escutas era serem discutidas tácticas de gestão com vista a baixar os preços, melhorar a qualidade, aumentar a cobertura. Enfim, o que é suposto o SERVIÇO PÚBLICO fazer. Se agora temos o polvo socialista a abifar-se dos jornais, antes tivémos a Ferreira Leite a vender a utilização da rede à PT para tapar o déficit. As empresas públicas, ontem, hoje e amanhã, servem os interesses particulares de quem está sentado na mesa do orçamento. Tangencialmente, podem cair migalhas no chão que a plebe disputará com o cão do senhor.

Por isso mesmo me espanta que o Paulo Rangel seja visto como o novo salvador da pátria. O homem que vem romper com o pântano. A única coisa que homem fez até agora foi repetir a cartilha do atentado ao estado de direito, coiso e tal.  Se quer realmente acabar com estes atentados ao estado de direito, coiso e tal então acabe com as empresas públicas e demais prebendas que o estado oferece às empresas "privadas". A JP Sá Couto e o Godinho das sucatas são bons exemplos recentes do pântano, existem outros.

Mas Paulo Rangel, o lidador da Invicta, não diz nada disto. Não quer romper com velhos hábitos. É apenas uma qualidade diferente das espécies pantanosas , embora fique melhor frito com um dente alho que as restantes. 

Entretanto o Sporting lá conseguiu um dos dois resultados possíveis.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Já agora

Já que falei em direito no post anterior, e por estes dias anda muito no ar a expressão estado de direito (que juntamente com as expressões liberdade de expressão e liberdade de impressa são as coqueluches/armas de arremesso de tudo quanto é intelectual), será que alguém me podia explicar o que quer dizer a expressão estado de direito?

Obrigado

Eh pá porra!

Isto deve ter sido mesmo emocionante!...


E só agora é que eu soube...

Não há direito!

Porque é que só agora é que soube que elementos deste blog já estiveram no Chile?!

Não se faz! A sério que não se faz... Mas a vingança será cruel... Ai será, será. Da próxima vez que vir o binary vou fazer-lhe tantas perguntas. Tantas, tantas, tantas que ele até vai andar de lado.

E de todas as outras vezes que o vir vou fazer todas as outras perguntas que me esqueci de feazer das vezes anteriores. E depois até vou perguntar algumas perguntas (gostaram do pleonasmo?) que já havia feito, mas cuja resposta me esqueci.

Ai vou, vou!

Mas até lá vou lendo isto.

Obrigado binary!

Basicamente, isto é tautologicamente tão repetitivo como a perna direita de Saviola

Não há nada a fazer. Pelo menos 89,3% dos textos de um blogue que se prese devem curvar-se, inclinando respeitosamente a cabeça, na direcção daquilo que julgo ser o maior autor de língua portuguesa anonimamente respirando. Não brinco (eu nunca brinco) com as palavras, e se um dia o livro de Maradona sair (aí, versando assuntos sérios e todos os cremes em geral), todos terão aquele sacudir da espinha que precede o momento das grandes revelações (era assim com os golos de Vata). Pode até verificar-se que ele tenha a coragem de morrer inédito e aí meus amigos é que a porca torcerá o rabo. Também podia comentar o ângulo da cabeça de Paulo Rangel relativamente à posição relativa dos ombros relativamente descaídos, mas após observação de meio minuto resultou para mim que fiquei enjoado. E eu que estive para me deslocar à Fnac Chiado ontem à noite e não o fiz por mera ponderação de variadas coisas. Tenho hoje uma reunião que padece daquela repetição vocabular que consiste em pronuciar em tom lúgubre (eu sei, tu tens razão, eu realmente...), o que me irá vergar sob o peso de uma tautológica melancolia. Resta que Javi Garcia é de facto um jogador munido com tal classe que uma sua fotografia desnuda mas de corpo inteiro levaria o Pacheco Pereira a abraçar novamente o socialismo.
Não perder Quando a literatura acontece, talvez o melhor post do ano, e seguramente o melhor comentário ao enrolado processo que por conveniência de expressão me escuso de mencionar.
«Fui à manifestação, mas, como devem imaginar, ao que eu não podia mesmo faltar era à apresentação do livro do eduardo pitta, um evento moldurado pelo francisco josé viegas e, fundamentalmente, pelo pedro mexia. Para além daquela outra questão, une-me a eduardo pitta um amor extremo pela leitura, a literatura, as letras e os cremes em geral. Daí que tenha feito sentir a minha presença no local entre as 18 e 10 e as 18 e 25, encetando a fuga direito ao arsenal-liverpool logo a seguir, não sem antes ter trocado um sorriso cumplice com o francisco josé viegas junto à caixa multibanco.»

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Objectivos para Fevereiro de 2010

1. Estar no pensamento de colegas do blog

2. Estar no pensamento da Scarlet Johansson

O Sporting, paz mundial e mudar a tomada ao pé do fogão ficam adiados para Março que vem.

ateixeira pá, não tenho sonhado contigo ultimamente

mas espero que isso não te impeça de tu o fazeres comigo. Quanto á Pátria Boba, bem quando tive no Chile perguntei aos tipos porque é que uma região que desde o México á Patagónia fala a mesma língua, tem a mesma religião e tem uns 400 anos de história em comum passaram o tempo todo à porrada entre eles depois de terem mandado nuestros hermanos embora ? Mais, o Brasil que é já ao lado e só difere (pouco) na língua manteve-se juntinho pese embora o Zé Lampião e outras personagens igualmente intrigantes. O gene tuga é intrinsicamente melhor que o castelhano ?

ngonçalves, desculpa lá estar a chatear-te mas...

juro por tudo quanto é sagrado (vê lá tu que nem acredito no sagrado...) que o meu post anterior não foi um lapso freudiano!

Juro!

ngonçalves, desculpa lá estar a chatear-te mas...

que revoluções surgiram na América Latina por muito menos?...

Depois de 27 anos, saiu com um sorriso nos lábios

Um senhor


In conclusion I wish to quote my own words during my trial in 1964. They are true today as they were then:

'I have fought against white domination and I have fought against black domination. I have cherished the ideal of a democratic and free society in which all persons live together in harmony and with equal opportunities. It is an ideal which I hope to live for and to achieve. But if needs be, it is an ideal for which I am prepared to die.'

James Nachtwey

Como já aqui tinha posto, gosto deste senhor James Nachtwey. Desta vez é o olhar dele sobre o Haiti, numa profunda prova de que a fotografia é um poderoso instrumento de nos acordar para aquilo que não queremos saber.

O "problema" de Helena Matos

Helena Matos, cronista do público, no dia 4 de Fevereiro publica um texto do qual apenas me dignei a ler o primeiro parágrafo. Quero dizer, caro leitor, que li mais, mas nesse caso, o "problema" de Helena Matos deixaria de ser exclusivamente dela e passaria também a ser meu. E, agora, não posso (não dá jeito) ter problemas, já que estou com uma dor intestinal que nem se resolve com UL 250 ( Ultra levur- o medicamento para as diarreias), depois de ter visto, ontem, o publicitar da candidatura dum gajo que provavelmente tem as patilhas maiores que as minhas ( eu que sou um gajo que não se dá lá muito bem com as minhas patilhas - deve ser algum tipo de dislexia).

O primeiro parágrafo desta senhora - talvez em tom de ironia, não sei, mas até acho que com ironia ou não, esta senhora merecia um diploma qualquer por dizer verdades -, diz o seguinte:

"O Mário Crespo é psicótico. A Manuela Moura Guedes, além de desequilibrada, é ainda várias outras coisas que invariavelmente são as mulheres quando não se comportam com o recato e a simpatia discreta que a irmandade misógina do discurso igualitário lhes exige. José António Saraiva tem um parafuso a menos. José Manuel Fernandes delira e Eduardo Cintra Torres padece de obecessões. A lista não se restringe a jornalistas. Por isso Marcelo Rebelo de Sousa também não está nada bem. Para Medina Carreira, sugere-se o internamento e Campos e Cunha em poucas horas passou de ministro a pessoa extenuada e esgotada, obviamente incapaz de acompanhar o ritmo dinâmico que o executivo propunha imprimir ao país através da construção do TGV do que Campos e Cunha ousara discordar."

Diga caro leitor, se não é verdade tudo isto que a sra. Matos diz aqui? É quase o Evangelho de S. João.

O resto segue-se aqui (apesar de ser mais do mesmo, caro leitor).

Abraço a todos

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Rubem Micael

Creio que já falei no tópico do comentador televisivo que procura disciplinar a sua língua, entre a serradura do palato e a dentição amarelecido do fumo ventil, a fim de conceder-lhe uma configuração que possa ajustar-se à sua incontrolável necessidade para condicionar a trajectória físico-mecânica (palavra de que muit gosto) da bola no sentido mais favorável ao alinhamento homeostático (obrigado Manuel Machado) do corpo do referido comentador. Isto quer dizer que se o FCP depende de um madeirense labrego, largado esta madrugada de Bergen-Belsen (é favor a comunidade judaica fazer acompanhar as cartas insultuosas com as obras completas de Kafka) a necessitar com urgência de corrigir uma gestualidade técnico-táctica algures entre Paulinho Santos e Semedo, isso só poder querer dizer que nunca como este ano se perspectivou um alinhamento astral capaz de fazer o mais céptico adepto benfiquista (leia-se Bento XVI) aspirar a uma vitória com um mínimo de dois tentos de diferença, ou pelo menos um vitória em que dois dos tentos o sejam com o mínimo de vitoriosa intenção. Pelo contrário, se Paulo Rangel ganhar, nada disto se perspectiva. Antes de outro modo. Como é bom de ver, estou manifestamente alcoolizado.

Fica já aqui o aviso

...se Paulo Rangel for eleito primeiro-ministro de Portugal, além de eu ser totalmente merecedor do facto (um grande abraço a todos), ainda nessa mesma madrugada estarei na ponte sobre o Tejo para um magnífico salto encarpado à rectaguarda.

Salema Garção é uma pessoa com enorme margem de progressão

O mais aconselhável seria continuamente elogiar mais um post de Maradona, pelo menos até que o debate da liberdade de expressão fosse deslocado para o questionar das razões que explicam o facto de termos um espécime como Pedro Mexia a escrever quase-crónicas de entretenimento num jornal de referência e Maradona a escrever num blogue obscuro que possui mais textos classificáveis como literatura numa só semana que as obras completas de José Luís Peixoto a publicar daqui a 50 anos, quando, deus queira, eu já seja apenas uma indistinção daquela lama verde-gosma que alaga os corredores alcatroados dos cemitérios quando chove e naõ tenha de sofrer um prefácio do neto de Margarida Rebelo Pinto a introduzir-me a originalidade e espectacular qualidade narrativo-socializante dos textos de Peixoto pelo recto acima. Contudo, estou cansado de identificar nesgas de beleza, até porque quem sabe, sempre soube, e quem não sabe, provavelmente nunca virá a saber, pelo que seria perder tempo dizer que isto é mais uma manifestação de virtuosismo lógico-semântico ao alcance de poucos, que é o mínimo que se pode dizer de um texto que sendo de muito difícil elaboração vem coroar uma ideia que estava prestes a rebentar as águas do nosso espírito e milagrosamente aparece depois esvoaçando com a naturalidade de uma libelinha verde zinco a sobrevoar as águas paradas de um riacho represado na cova da Beira. Por outro lado, não pode hoje ser esquecido o melhor momento de Carlos Carvalhal (e não Carvalhas), isto de um ponto de vista da produção de símiles lógico simbólicos na análise da vida, desde que passou pela abençoada floresta de cabelos cinza de um antigo administrador do banco Santander (estes gajos dos Bancos sabem fazer finance profile como ninguém), trazer um indíviduo, com um grau académico de estudos superiores, para treinar a comitiva de papa-pitas de Alvalade, mais conhecida por SCP. Carvalhal pensou que o lance de João Pereira é «mais aparatoso do que real», o que me fez saltar imediatamente no sofá e sujar umas calças vestidas de lavado, ontem mesmo, com dois sebosos pingos de cerveja sagres (na verdade era vinho tinto Terras d'el rei que é uma tão grande merda como a cerveja Sagres). O caso não é para menos. Ficámos de ontem em diante munidos com uma ferramenta simbólica de altíssimo gabarito. A derrocada das Torres Gémeas? Mais aparatoso do que real. O desembarque na Normandia? Mais real que aparatoso. A pernas de Heidi Klum? Tanto real como aparatoso. As declarações de Paulo Rangel? Nem real, nem aparatoso.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Eu diria que com menos 9 é um bom começo

«Com menos um jogador é complicado»

Hesitei antes de me sentar no sofá. Ver o jogo ou estudar para o exame de análise de riscos? tendo em conta o jogo que era e o estado da equipa nos ultimos, fiz uma aplicação pratica daquilo que me propunha estudar. O risco da derrota era elevado. Apesar disso o impacto em mim foi pequeno. Voltam aqueles tempos entre os anos 80 e 90 em que era o ano do tudo e depois afinal não era nada. Ser adepto do sporting é isso mesmo. Viver sim, sabendo que no fim perdemos. Bela derrota esta.

Eu realmente deveria de estar a trabalha mas

isto é fenomenal:



Mais aqui: The fun theory (via

Que se dane as petições pela liberdade

até esta merda continuar assim:

"A Brisa, concessionária da CREL, não dispõe ainda de uma data para a reabertura do troço cortado"

Isto, meus senhores é mais do que motivo para uma revolução. Na América latina já se fizeram por muito menos. Chiça

Estando por vontade própria exilado da actualidade noticiosa do país

alguém tem a bondade de me dizer se as acusações que o Mário Crespo fez ao Sócras (o PM, não o urso) foram confirmadas por terceiros ? Se as fontes que o jornalista cita vieram a terreiro confirmar o que o Sócras (não o urso, o PM) disse ?

É que eu não exactamente um apoiante do Sócras (nem o urso nem o PM), mas antes de rasgar as vestes gostava de ter algo mais que a palavra do Mário Crespo. Só isso.

Se fosses preso por motivos futebolísticos era um grande momento para a história da literatura

«... e depois tinham de contratar o Martin Sheen para te eliminar, subindo o rio Trancão até ao coração das trevas na Póvoa Galega, freguesia do Milharado...»

Tolan, num comentário magistral a Casanova

Não será o mundo todo uma tragédia grega, sendo isto uma tragédia amanhada em Xabregas em que uma das protagonistas «tem de nome Raquel Vaz Pinto»?

O Nuno Pombo é um institucionalista e por isso vou já colocar duas sagres no congelador a fim de ver o derby na paz do Senhor, uma vez que, finalmente, e de uma vez por todas, Portugal está salvo, uma vez que Vasco Campilho descobriu com alguma atraso relativamente ao PREC que parece que ele «há momentos em que todos falamos da mesma liberdade.», uma vez que tutti quanti no 31 da Armada correm a desempoeirar as bandeiras de inquietações juvenis escondidas debaixo das camadas de fatos comprados para funções executivas. Neste sentido, segue também esta petição, afirmando, a título de pórtico, a defesa da "petição pública" como um dos mais antigos métodos da democracia, pelo que manifestamente até o leitor já reparou que se esqueceram de anexar um dos outros singularmente vetustos métodos da prática democrática: a degola de famílias aristocráticas seguida do saque das casas mais recheadas a favor do nivelamento social. Perguntem a Sólon como se faz, se o Paulo Rangel - esse outro gande especialista do arejamento do Estado - estiver ocupado a enfardar alheiras de Mirandela ou a ouvir os Iron Maiden. Como este post é apenas verter ódio ressabiado, com fel destilado por inúteis que como eu - e sob a capa do anonimato (um grande abraço ao José Pacheco Pereira, por finalmente ter conseguido rodar a casa enquanto segura a lampa) -, arrastam pela lama a liberdade de expressão, ninguém deve preocupar-se com eventuais insultos que possam vir a terreiro de botas calçadas para malhar forte e feio na eira do morgado (vossas excelências do 31 da Armada querem que vá já lavar as cavalariças?). A verdade é que hoje não temos Estado de Direito. Porquê? Porque Sócrates, a PT e tal. E que dizer das bastonadas constitucionalmente autorizadas por sua excelência, o guardião das Instituições, nos trabalhadores da Marinha Grande, a propósito de salários principescos para aí de 80 contos e tudo? Absolutamente normal. O bastão está regularíssimamente previsto no regular funcionamente das Insituições. Grande Nuno Pombo que deves ganhar para aí 5000 euros. Sócrates é parvo? Ninguém o nega. Desde a primeira hora que isso é claro para mim. É caro o quê? Que ninguém o nega. Nega o quê? Que Sócrates coiso. Coiso o quê? Aquilo. Mas porquê? Porque tem um timbre vocal esganiçadamente entalado entre uma casa forrada de azulejos e uma almoçarada no Gambrinus. Mas também Cavaco tem um timbre vocal calcáriamente arranhado entre uma bomba de gasolina e uma vivenda cor-de-rosa na falésia argarvia. E daí?
Em torno deste post no Arrastão impunha-se uma explicação ajustada, devendo eu recorrer para tal a um belíssimo texto de Konrad Lorenz sobre as cores berrantes dos peixes de coral e as experiências efectuadas em aquário que resultaram em terríveis combates, referindo a sobrevivência do peixe-anjo negro e do peixe-borboleta ocelado, mas seria necessário aqui demasiado espaço, tal como na experiência foi necessário um recipiente com duas toneladas de água.
Suspender Manuel Moura Guedes foi um dos mais relevantes serviços públicos prestados ao país nos últimos anos. Sobre isto estamos conversados. Quanto a Mário Crespo, há um inquieta similitude com uma manifesta inversão de factores. Estas duas semanas figurarão, aliás, nos anais do anedotário político-palermas durante muitos séculos, por se assistir a toda a uma geração que minimiza, teórica e empiricamente todas as formas de censura no contexto do Estado Novo, mas que descobre agora um gravíssimo atentado de expressão em gestos de pura elegância como a limpeza do WC do quarto canal televisivo em sinal aberto, apenas superado em elegância pura pelo momento em que do mesmo canal foi defenestrada aquela associação de irrepreensíveis mentirosos, a Igreja Católica (com todo o respeito, claro).
É necessário reconhecer, a título de auto-recriminação, que este post revela um manifesto nervosismo em torno do desfecho de um irrelevante evento desportivo mas que ultrapassa em importância, se atendermos à complexa genealogia dos valores de confiança dos mercados financeiros em Portugal e aos índices das agências de rating sobre o pulsar económica da República, qualquer declaração produzida por Teixeira dos Santos, como todos sabem, adepto do FCP.
Ontem tive grande dificuldade em adormecer depois de assistir às imagens da construção do porto artificial que as tropas aliadas construiram nas praias da Normandia, hoje Omaha beach, para fazer desembarcar milhares de corvetas de guerra (agradeço que não me escrevam a corrigir tecnologia bélica), centenas de camiões e mais de 30 000 soldados, enquanto das casamata alemãs se derramavam no lodo verde da praia e nos corpos dos rapazes do Arkansas, Texas e outras terras celebrizadas por John Wayne, milhões de balas disparadas por metralhadoras.
Termino com uma citação blogosférica de grande valor intelectual, atribuída a essa mulher portuguesa que nunca devia ter saído da zona do lava-loiças, mas que veio a especializar-se em assuntos constitucionais americanos, Raquel Vaz Pinto, um claríssimo emblema aristocráticamente bordado em prova da excelência institucional, intelectual e universal da veneranda e adorada Universidade Católica.
«Portugal é uma tragédia grega
O protagonista tem de nome Sócrates.»

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Låt den rätte komma in

Possivelmente o melhor filme que vi nos últimos três anos e segundo parece disponível nos torrents (nego ter conhecimento de tal coisa). O "Lenço Branco" é bom, muito bom mesmo. Mas sim, falta-lhe algo, uma pitada de sal, talvez uns cominhos.

Ok, o Clint também tem estado em grande. Mas nele isso é o normal.

Shameless

não, não é o Sócras. Ou a agremiação de futebol do Visconde de Alvalade. Mas isto:



Desde a Royle Family que não precisava de legendas para ver uma série britânica.

Em vez de ser o brilhantismo do DN ou público, eis a Bola, desportivo de referência (mais para os lados da Luz) a dar esta notícia.

http://www.abola.pt/mundos/destaque.aspx?id=192585

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A pesca milagrosa

A todos os cidadãos um forte abraço em forma de calduço. Este Domingo foi dia de alegoria piscatória nas homilias deste Portugal Sacro-profano. Contudo devo confessar que apenas retive o conceito de pesca milagrosa, enquanto bocejava violentamente perante algumas piruetas, carregadas de reumático, perpetradas por um sacerdote a caminho mental de Jerusalém, procurando pendurar-se numas argolas que pendiam do tecto creio que a propósito das aventuras do profeta Isaias (grande remate de meia distância). Ainda invoquei o espírito da Flor Caveira (eles percebem mais exegese do que de música) mas apenas compareceu no filme da minha mente um garrafa de tinto, herdade do esporão, 1987, (julgo que isto se deveu a uma longínqua mas estreita relação com o calvário profético atravessado por outro grande apreciador de vinhos alentejanos, Mats Magnunsson). O dia continua chuvoso sem que se vislumbrem hipóteses, ainda que remotas, de sermos salvos de uma semana de intensa discussão em torno do conceito de liberdade de imprensa e pelo menos dois comunicados à imprensa interpretados pelo tenor-predestigitador-social-democrata, José Pedro Aguiar Branco, o líder político mais adequado a uma publicidade da Gant, meia idade, com veleiros em fundo. Lobo Xavier, como é sabido, seria, na verdade, o mais indicado mas está lesionado. Ainda não tive oportunidade de ser regado com o balsâmico perfume das 1034 metáforas que neste momento devem flutuar na prosa inundada por preciosas tiradas plenas de ironia, alinhadas com esmero e rigor, o leitor já adivinhou, ora aí está, por Henrique Raposo, isto se o estudioso das relações internacionais ainda não foi asfixiado no banho por um qualquer enviado obscuro calçado com as luvas pretas do socialismo, a soldo do engenheiro José Sócrates, esse homem que todos perseguem com a fúria de uma aldeia puritana do oeste americano no momento em que uma das suas jovens e virginais filhas acaba de se descobrir engravidada pelo jovem filho do mecânico, dono da bomba na auto-estrada mais próxima, e indivíduo que nunca compareceu ao serviço dominical e, pior que tudo, não lava as mãos depois de usar o urinol colectivo. A propósito de Portugal, como a questão não tem solução e acabará inevitavelmente numa revolução ou num assassinato (um grande abraço ao Vasco Pulido Valente), temo que a coisa, por outro lado, acabe na eleição de um indivíduo - como é sabido, um orangotango seria muito mais indicado, mas não há nenhum símio social-democrata disponível no jardim zoológico -, ou à semelhança de Sócrates, em tudo honesto e pouco claro, ou à semelhança de Ferreira Leite, em tudo clara e pouco honesta (um grande abraço ao Pacheco Pereira, sem demasiado contacto, claro está), de maneira que estou melancólico, como já devem ter notado pela sistematicidade do travessão seguido de vírgula, até porque a baliza onde Cardozo marcou ontem uma grande penalidade falhou a postura mais acertada do ponto de vista fisico-mecânico, coisa que me é muito familiar há cerca de 31 anos e alguns meses, mas não vamos aqui entrar em questões de pormenor uma vez que todos sabemos o que é ser acordado violentamente a meio da madrugada por uma "questão-essencial" desgrenhada e de cabeça perdida, pelo que é necessário reconhecer aqui a impossibilidade de falar sobre o que quer que seja, (um grande aperto ao Mário Crespo, sem magoar, como é evidente) e até breve.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Tem razão

o Joaquim quando defende que não se devem baixar os salários dos funcionários públicos. O PIB per capita da Grécia é mais ou menos 30 mil euros/ano, o de Espanha 35 mil e o da Irlanda 60 mil. Po outro lado o português anda na casa dos 22 mil euros/ano.(Fonte). Baixar 10% os salários em Portugal não é o mesmo que baixar 10% nos outros países. Para além que já devemos ter os salários mais baixos, enquanto que tudo o que consuminos é pago ao mesmo preço que na Europa.

O que se deve fazer, é como o Joaquim bem defende, cortar fechar os serviços desnecessários. Portugal tem um governo com 15 ministérios, uns 30 secretários de estado, 18 governos civis, ect... Defina-se o que é que é essencial e corte-se o resto.

Há-de chegar o dia em que o dr Eduardo Barroso perceberá que um número é uma coisa tão relativa como uma batata cozida

Indíviduos constitucionais, leia-se Pedro Lomba, desconhecem que a realidade é feita de nuances em torno do conceito de indiferença. Indiferença, que é como quem diz diferença de in-clinações. Enquanto esbracejam esbaforidos contra a escassez de indignação do público perante aquilo que julgam ser uma patológia indiferença corporizando-se a pátria numa anémica incapacidade de indignação, falham o alvo ao não perceberem que os cornos da "questão-essencial" investem precisamente do lado contrário: a saber, a indiferença com que eles próprios são recebidos na sua boçalidade. Se em Portugal não ocorressem níveis siderais de indiferença talvez o "público" começasse a inquietar-se sobre o processo que levou Pedro Lomba ou Henrique Raposo a escrever em jornais de indiferente referência. Bendita a indiferença que, em «democracias decentes» poupa Lomba e Raposo a um processo inquisitorial que me faria, de bom grado, aceitar ordens perpétuas para poder manipular instrumentos de tortura. O problema é que não existem países mais indiferentes do que outros no que diz respeito à liberdade de imprensa, mas países mais ilustrados do que outros em matéria de cultura escrita, e só a menção técnico-semântica do conceito de liberdade (palavra que remete para o sabão azul-e-branco) serve como instrumento agitador para joeirar (o que eu esperei para utilizar este verbo) o intelectual que frequenta a cinemateca do indivíduo realmente conhecedor do mundo e detentor dos níveis de ansiedade que normalmente acompanham todo o pensamento erguido à custa de muito sangue e estruturas metálicas pifer-tubos, alusão que serve aqui como metáfora à realidade ferrugenta e enlameadamente humana de toda a reflexão que recusa conceitos teológicos como "liberdade" e "decente" e, por outro lado, pretende reflectir alguma coisa que não as trombas do próprio reflector. Na verdade, até Pacheco Pereira, do alto das barbas cinza-branco-sujo, talhadas por navalha de filiação constitucional, é capaz de entender que o problema da prática da imprensa se prende com níveis de incidência local, ou seja, com a desmultiplicação territorial da capacidade de ler um texto, comprar livros, agitar opiniões, esgrimir argumentos. De outra forma, se a indiferença fosse realmente um problema, o que faria Carlos Carvalhal aquela agremiação de criaturas saídas de um filme de Carpenter que foi encaixar cinco batatadas na cidade invicta e cujos associados, impolutamente brazonados e patrioticamente frequentadores dos mais respeitavéis forum cívicos, apenas estão verdadeiramente escandalizados não com a merda de equipa que possuem mas com as alegadas movimentações obscuras de um clube de Benfica cujos associados apresentam a maior taxa de consumo de vinho tinto de toda a zona euro.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A derrota não se explica dizia um baiano português no final do jogo

























e agora sou do Pinhalnovense desde pequenino

o Sporting encaixou 5, no que só temos que agradecer aos andrades

A notícia foi publicada num jornal português. É portanto de verdade duvidosa. Mas suponhamos que realmente vão estar na net os rendimentos brutos de todos os contribuintes. A notícia refere também que o BE pretende (ou pretendia) que o fisco vá duas vezes por ano ver o movimentos das contas bancárias de todos os portugueses. Estas medidas vão diminuir a fraude fiscal ?

É óbvio que não. Quem tiver dinheiro para fugir aos impostos, obviamente não o declara. E não o deposita na agência local da CGD. Quem se lixa no meio disto tudo é a arraia miúda, que não tem dinheiro para pagar o private banking que os ajudará a fugir ao fisco. Até aqui tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. Ai, o que eu esperei para escrever esta frase.

Para além de muitas situações que podem ocorrer em que não existe fuga aos impostos e/ou não se exige que os rendimentos sejam declarados. Como é que vamos fazer nestes casos ?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Depois espantam-se quando digo que os melhores autores de língua portuguesa são Maradona e Casanova

É evidente que não tenho tempo para fazer acompanhar este post de um ensaio crítico em que ponderaria tanto os méritos relativos do jovem intelectual proto-literato de influência cultural anglo-saxónica e colaborador da Ler, como a iluminadora vitalidade vernáculo-científica do adulto-jovem da margem sul, também de influência cultural anglo-saxónica mas cujo recorte literário atinje já, neste momento, alguns dos momentos mais conseguidos da prosa alinhavada na língua de Júlio Isidro. Onde Casanova ainda desenha rabiolas como quem quer provar amplas leituras e capacidades técnico-esquemáticas em alusões multi-variadas de vários nexos, cruzando escritores ingleses apanhados em processos de pedofilia com crónicas recém-publicadas em revistas da moda, Maradona, por seu turno, é já todo ele uma nova forma de linguagem, conseguindo tecer no mesmo post - como quem junta molho coktail com Sunday de caramelo, e sem nunca abandonar níveis mínimos de coerência interna -, relações de causalidade modificada entre botas de 250 euros que rodopiam num baraço de metro e meio e referências à complexa tipologia de espingardas metrelhadoras usadas nas praias de Balbec pelas tropas americanas. Um simples confronto dos títulos dos blogues em causa serviria para ilustrar as diferenças entre os dois estilos em presença. Em todo o caso, ninguém duvide e atenção que não estou a brincar (e se preciso de avisar é porque o assunto é sério): qualquer dos dois (Maradona e Casanova) é incomensuravelmente mais autor, com maior sulco de carácter referencial na produção de textos escritos, com maior originalidade, mais profunda cultura literária e científica e, o que talvez importe mais que tudo o resto, maior nível de sofrimento interno por estar mediático-crucificado num país maravilhoso mas repleto de cócós em decomposição, do que qualquer gualter ricardo pai ou José Miguel Perdigoto. Brilhante, brilhante, seria ver Maradona e Casanova a exercitarem a capacidade de entrever (verbo mais dificil de conjugar do mundo) nas praias da Normandia os efeitos reverberadores da luz em pinturas de Elstir - como todos sabem, o pintor atormentado de Em Busca do Tempo Perdido - e a sua inevítável relação com a melancolia dos jovens novaiorquinos que por fudidas cornucópias do destino vieram deixar os colhões nas praias impressionistas do noroeste da frança para nos livrarem de uma sórdida moscambilha de cariz político-xenofobo-social inspirada, ou se quiserem permitida, pela decadência pequeno-burguesa (ou estético-grandiosa) de um indivíduo como Proust, a quem faltaram duas palmadas no rabo, a frequência do colégio militar da Luz ou, em última análise, e na pior das hipóteses, uma pega de touros na festa do colete encarnado em Vila Franca de Xira, local onde me encontrarei amanhã para escrever em português a obra mais importante do século XXI.

E de forma espectacular um dos países mais analfabetos da Europa afinal teve um excesso de iluminismo

O inefável Rui Ramos (vossa senhoria deseja que eu reserve os bilhetes para o S. Carlos) sempre à frente nos corredores labirínticos da nóvel interpretação histórica.

Às tantas andam todos a brincar connosco

Mário Crespo anuncia o livro sobre o acontecimento (que marcou a noite e o dia de hoje) para ainda esta semana. Esta merda cheira mesmo muito mal. "Que perigosa palhaçada".

Javi Garcia e a elegância de pontapear o adversário: em movimento, de costas, seguindo a trajectória da bola e tornando tudo isto invisível ao arbitro

O ngonçalves disse quase tudo o que é possível dizer em relação a Mário Crespo. Acrescento apenas, em testemunho singelo, um momento por mim televisionado em que Mário Crespo agrediu visualmente um alegado representante do movimento anti-transgénicos, Gualter Lemos, quando era suposto entrevistar o activista mesmo que dentro do veterano jornalista nascesse, nessa hora fatal, a hidra mnemónica dos aviltantes momentos do PREC. Se é verdade que a trança que pendia da cabeça de Gualter Lemos lançava algumas suspeitas na qualificação morfo-fisiológica do espécime, não é menos verdade que Crespo era e é detentor de uma doença muito comum em profissionais de Televisão, decorrente do constante reflexo da sua imagem: a auto-sobrevalorização. Narciso podia dizer qualquer coisa sobre isto mas está a almoçar com Jorge Lacão. Em todo o caso, Mário Crespo é uma personalidade, e com a particularidade de ser uma personalidade que detém a patente de um telejornal em horário nobre, para não falar do espaço cronístico de vários periódicos, e é sabido que as personalidades deste cariz possuem uma característica que não é dispicienda no debate que inflamou os orgãos genitais da blogosfera: Jornalistas como Crespo têm mais poder que José Sócrates, Silva Pereira e Lacão, todos juntos. Mesmo que juntemos a este último e distinto grupo de membros do governo duas agências de comunicação, Mário Crespo continuará a ter mais amigos participantes em almoçaradas de hóteis. Quem ainda não percebeu isto não percebeu a sociedade contemporânea. Esta última frase, como o leitor reparou, foi inspirada por Pulido Valente. Sobre Pedro Lomba não falo, uma vez que já falei.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

É uma grande merda é o que é

Não sei se esta notícia será verdadeira ou não. E infelizmente, isso não é relevante.

O problema está em que nunca vamos saber se é ou não verdade. O Mário Crespo já tinha no passado exagerado na crítica (na forma e no conteúdo) ao governo. Disse-o há uns tempos atrás. Agora vem afirmar que foi considerado um problema a eliminar pelo primeiro-ministro. Como este não pode ser levado a tribunal, e tampouco se vai demitir para esclarecer o caso, a história vai ficar para sempre no limbo. É uma merda, é o que é.

Cada vez mais estou convencido (pelo menos até onde a ignorância me permite) que o país está agora numa situação política, económica e social bastante semelhante aos finais da monarquia. Todos sabemos como é que terminou. Com dois assassínios e uma ditadura de quase 50 anos. O meu passaporte já foi emitido. O vosso ?

Obrigatório aparecer!

Acabou o jogo, não é?

Ao ver e ouvir os comentários do Rui Santos a este video, fez-me lembrar o David Attenborough naqueles documentários sobre a vida selvagem. Neste video aqui pode-se ver que a coisa não anda mesmo muito longe da realidade.