quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O que raio se passa com a academia portuguesa ?

1. O Mário Centeno foi apresentado ao público, e pelo Público, como sendo o campeão intelectual da esquerda. A pessoa que suportava intelectualmente o exercício da "Agenda para a Década".  Afinal o homem é doutorado em Harvard.

Não faço puto ideia o que é que se ensina em Harvard, que eu só andei por chafaricas nacionais.  Mas estou curioso em saber se em Harvard é normal argumentar que não se devem “transpor conclusões de artigos científicos para a legislação nacional, porque se tentar fazer isso é um passo para o desastre”.

Primeiro porque é falso. Prova, bastaria um exemplo, mas eu sou um tipo generoso: o plano nacional de vacinação, a saudosa RITA dos anos 90, as siglas NP e CE. A não ser que sejam catástofres nacionais o aumento da qualidade de vida da população, a existência corriqueira de um telefone fixo cá em casa ou o meu micro-ondas não ter rebentado quando aqueci a sopa da garota.

É perfeitamente normal que as conclusões de um doutorado, por exemplo em Harvard, não sejam aplicáveis ao Portugal de 2016. Porque os pressupostos que sustentam o estudo não são válidos, porque o estudo afinal tem erros, porque um paper não se resume ao abstract e às conclusões, etc....

Que o Mário Centeno, em vez de falar claro e sem preconceitos, se tenha refugiado numa desculpa esfarrapada é triste. 

2.O Paulo Pereira Trigo por seu lado é doutorado em Leicester. E consegue nos dois artigos que publicou no Observador, (no primeiro) confundir a média com a mediana e (no segundo) demonstrar uma perfeita ignorância do mundo fora da academia. O primeiro erro é lamentável vindo de quem vem, o segundo é patético. E como não é um doutorado em Harvard, termina por aqui a crítica.

3. O Porfírio Silva tem um doutoramento em filosofia, ignoro a alma mater. E lançou hoje a hipótese de que "é bem possível que a Comissão Europeia esteja a tentar tramar o governo português".

Sim é bem possível. Como também é bem possível que a Comissão Europeia se esteja nas tintas para o Costa. Outra possibilidade é a de que o mundo seja um disco, suportado por quatro tartarugas que por sua vez estão suportadas cada uma por uma baleia com um foguete a cagar lume do cú. Possibilidades, tal como os chapéus, há muitas. A estupidez essa, é infinita.


Aguenta: não chora.



Qualquer dúvida urgente da jornalista, comediante, nóbel da paz, representante do Magrebe e enviada especial ao reino dos sete-dias-por-semana-são-para-escrever-um-livro, a doutora Alexandra Lucas Guerreiro Coelho ou mesmo do meretíssimo magistrado, o senhor professor e almirante António Alexandra Lucas Guerreiro, sobre o que possa vir a pedir-se a todo o artista que é artista, e sabe ser artista, é consultar este Verbete da enciclopédia Luso-brasileira. Se ainda assim, permanecerem dúvidas sobre o destino do escritor numa sociedade sem apoios, sem classes, sem auxílio na montagem de móveis do Ikea, sem solução estirpada, estripada, estilhaçada de ambiguidades no que ao uso do vídeo-árbitro diz respeito, e sobretudo, mas não esquecendo, sem tremoços no acompanhamento da imperial, amanhã mesmo, viremos a este mesmo local de paraíso, esclarecer todas as dúvidas restantes, incluindo as dos leitores crentes na literatura especulativa em torno das aparições de Fátima, pois como todos sabemos, em teu ventre, Maria, Sara, Ana, Lúcia, ou seja, Lucília Baptista, perdão, em terra de cegos, quem tem um olho é cronista do Público: eis o que se pretende demonstrar.

Sem pinga de ressentimento ou ideias desagradáveis a uma pessoa que só poderia um dia ousar um fraterno abraço a uma tangente (muito hesitante) a qualquer actividade socio-paneleira, no caso de esse dia, ser o dia em que Rousseau descesse novamente à terra, prometo por minha culpa, por minha tão grande culpa, fazer todo o possível por explicar o dilema económico de um mercado para o trabalho intelectual, sem ultrapassar o intervalo psicadélico de uma geração, ou seja, pretendo não violar os limites tecnológicos de um belíssimo texto intitulado «O que é uma cotovelada», texto esse, digamos, elaborado com o escasso tempo roubado ao bem remuneradíssimo labor da minha tão convidativa vida de visibilidade permanente, em prol das mais diversas actividades ciganó-culturais, nomeadamente, a intoxicação alimentar com chamuças estragadas num café-bar-restaurante, propriedade de imigrantes minhotos, a saber, O areal. E isto, caros concidadãos e irmãos em Cristo, sem passar pela casa da partida, sem seguro de saúde, sem receber dois contos, sem nunca ter ido ao Brasil (deus nos livre de morrer sem lá ir) sem rebentar o sistema nervoso central, e ainda antes de o galo cantar e o sol voltar a ser decapitado pelo rolar irreversível da grande noite que a todos nos deu vida.