quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A fenomenologia da cartolina: autorreferencialidade e confusão em Maria Gabriela Llansol e Bruno de Carvalho


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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Senhoras e Senhores, convosco, o Pai Natal

Proclamação: «Mesmo os livros de Llansol, na sua atemporalidade, e ainda que remetam para a história humana, não deixam de tocar a história portuguesa.»

Comentário: Os livros da Maria Gabriela Lençol parecem saídos da imaginação torturada de uma adolescente problemática com dislexia (peço desculpa a toda a gente) sendo que, remetendo para a humanidade da história humana, e apesar de uma primeira abordagem da história dos pinguins, Maria Gabriela Lençol limitou-se a deixar paletes de folhas manuscritas lá no sótão da casa em Fontanelas, ou na Praia das Maçãs ou em Colares, agora não tenho presente, terão de consultar a obra crítica do Pai Natal.


Proclamação: «O mesmo aconteceu com a poesia em grupos como o do Cartucho (Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Helder Moura Pereira,António Franco Alexandre) que obrigaram a poesia a um regresso ao real. Mas um real que espelhava o novo Portugal, urbano, fortemente desencantado,profundamente melancólico, mesmo se irónico. É aqui que encontramos também poetas como Vasco Graça Moura, Fernando Pinto do Amaral, Luís Miguel Nava, Al Berto…»

Comentário: A poesia - contrariada - lá se dispôs a regressar ao real.


Proclamação: «A importância das escritoras para a renovação da literatura portuguesa é algo que já vem dos anos 60 mas que se vai solidificar nos anos 80e 90. Quer no romance, com Agustina, Lídia Jorge, Maria Velho da Costa,Teolinda Gersão, quer no conto com Maria Judite Carvalho, Teresa Veiga, Luísa Costa Gomes, quer em obra sem género definido como são os livros de Llansol ou Hélia Correia, foram as mulheres que mais arrojaram em termos temáticos, estilísticos. Elas introduzem uma desordem, com a polifonia, a meta-narrativa, a intertextualidade, uma nova ordem do simbólico que se manifesta na forma como usam os tempos, a auto referencialidade, a subjetividade. Nas escritoras a busca de uma voz é a busca de um sentido e, nesse caminho, elas fizeram uma rebeliãocontra o discurso masculino que dominava a ficção portuguesa.»

Comentário: Aprende, aprende humildemente, o velho é que a leva direita. Gostava entretanto - se me é permitido - de dizer (com todo o respeito) duas ou três palavras: Carlos de Oliveira. Tem pilinha, mas alegadamente, de um ponto de vista da «desordem, polifonia, meta-narrativa, intertextualidade, uma nova ordem do simbólico que se manifesta na forma como se usa o tempo, a autoreferencialidade e a subjetividade» parece-me indiscutivelmente que. Quanto ao referido grupo, tenho dificuldade em, digamos, expressar o meu sentido crítico por motivos, digamos, autoreferenciais, mas note-se: a Hélia Correia não gosta de sol e tem como principal atributo o coleccionismo de memorabilia em torno de uma ou duas notas de rodapé da história da literatura decadentista. Alegadamente, também leu os clássicos, mas lamentavelmente, nunca a vi no estádio da Luz, pelo que, não pode ser. A Teolinda Gersão também sabe alemão, de resto, é uma pessoa espetacular que tenho o prazer em desconhecer absolutamente. A Lídia Jorge diz que a literatura é o prolongamento da infância, uma coisa a todos os títulos de uma originalidade infinita. A Maria Judite de Carvalho não sei quem é. A Teresa Veiga confundo com uma pessoa que vive na Madeira, mas se calhar é a mesma. A Luísa Costa Gomes, calma camaradas. A Agustina é chato, é rural, é exótico, é psicótico, é Camilo com peso a mais.


Proclamação: «A literatura e a poesia são sobretudo um trabalho deestruturação de um olhar sobre o mundo e depois a colocação desse olhar sob aforma de linguagem. Uma linguagem que não se limite a contar factos (isso, láestá, é o que fazem os media) mas que dê a ver o invisível através do visível.»

Comentário: Ôéó-ó! Ôéó-ó, Ôéó-ó-ó-ó-ó, Ôéó-ó-ó-ó-ó!


Proclamação: «A imposição do romance quase como sinónimo de literatura apagando a poesia e o conto, o realismo de cariz conservador e banal, a pobreza da linguagem, são sintomas de um mundo sem memória, onde a cultura, a arte e aliteratura se regem por paradigmas economicistas. O único lugar onde ainda existem valores é na Bolsa. A vida das pessoas gira em torno do consumo e das vivências do corpo mas apenas na sua perspetiva hedonista. Logo, o simbólico, aletra, a palavra saem a perder. A tecnologia apaga a palavra. A literatura foi totalmente contaminada pela acumulação de a tualidade, de informação, abdicandodo espaço da História, da memória. Obriga-nos a um eterno presente onde imperam as imagens.»

Comentário: A confusão é de tal ordem que temos dificuldade em desatar este novelo de disparatada oração ao Santíssimo Sacramento da Literatura. Se o romance é uma forma comercial e metiaticamente apetecível (tal como o era o teatro grego na antiguidade ou o drama isabelino no final do século XVI ou o folhetim, depois romance em fascículos no século XIX) que tem isso a ver com a qualidade (risos) e a originalidade do conteúdo (olé) veiculados por essa forma? E se a mesma é apreciada por um público disposto a pagar a liberdade do artista, onde está a relação linear entre as preferências do público e a suposta falta de qualidade do produto consumido para fins de edificação mental? Paradigma economicista? Mas agora somos forçados ao paradigma economicista das Universidades centralizadamente financiadas com impostos onde todo o respeitável e reputado escritor deve inexoravelmente ir ajoelhar? O simbólico clube de Portugal está em crise? Mas não estão os estádios cheios? Mas estaremos aqui a ignorar a revitalização do salto-agulha? Professor, doutor, camarada, Barrento, o excelentíssimo professor possui apenas 76 anos, não os transforme, com todo o respeito, em 1776 anos.

Vejamos a seguinte ilustração simbólica do paradigma economicista-consumista numa dimensão, digamos, hedonista de satisfação do corpo enquanto vivência ou quisermos, enquanto delinquência moral, embora, como diria Anselmo Ralph, nem lhes tocamos, apesar de serem duas, a dançar ao som de um torturado e bem-aventurado mancebo, prestes a ser introduzido no maravilhoso mundo da tragédia masculina. Em que gaveta do seu esclerosado instrumentário de apreciação do mundo coloca o senhor professor doutor este conjunto poético-comercial de estímulos mentalmente simbólicos no que à produção da linguagem diz respeito?

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Proclamação: «Há agora também a moda da violência espetacular de um autor de quem já gostei mas que hoje não acho nada interessante que é o Paulo José Miranda. Na mesma linha li um livro do Valério Romão e achei que apesar de tudo ele tem mais recursos. De entre estes novos e mediáticos escritores o único cuja obra eu considero original é o Gonçalo M. Tavares. É um escritor douto,capaz de abarcar um largo espectro de temas, de formas de linguagem, é imensamente culto e consegue trazer essa cultura para dentro dos seus livros.»

Comentário: Calma, não se zanguem. Está tudo bem.


Proclamação: «Penso que, recentemente, há a redescoberta de uma certa fé na poesia aliada a um olhar crítico e irreverente que muito me agrada e que está a acontecer com os poetas muito novos, na casa dos 20/30 anos. Entre eles destaco dois grupos: os criaturistas, Diogo Vaz Pinto, David Teles Pereira e Golgona Anghel ligados à revista Criatura que depois se transformou na editoraLíngua Morta. E os Apócrifos, um conjunto de poetas muito jovens ligados àrevista Apócrifa, cuja primeira antologia vai sair em breve com prefácio meu.Também prefaciei, a pedido da editora [Maripoza Azul], o livro Groto Sato de Raquel Nobre Guerra. Era um bom livro. Infelizmente este novo dela, Senhor Roubado, já achei fraco. Mas o que importa é fazer.»

Comentário:
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Não sei se já referi isto neste espaço de cultura, mas a Inês Fonseca Santos desorganiza todos os nossos esforços de construção de uma personalidade, digamos, reponsável

Parafraseando Herberto Helder, «o extremo poder dos símbolos reside em que eles, além de concentrarem maior energia que o espectáculo difuso do acontecimento real, possuem a força expansiva suficiente para captar tão vasto espaço da realidade que a significação a extrair deles ganha a riqueza múltipla e multiplicadora da ambiguidade», ou se quisermos recorrer a um tema popularizado por Marco Paulo, «quando você vem com essa cara de menina levada para a brincadeira, dá-me um arrepio na pele (...)». Não era esta a teoria de Kafka sobre a leitura dos livros fundamentais?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Para quem se pergunta o que é a crise dos media convencionais, aqui vai um exemplo

Através do blog Ouriquense tivemos conhecimento, arriscamos dizer, do mais consistente projecto crítico em literatura portuguesa, neste momento disponível aos leitores. O autor da referida obra crítica é o escritor Alberto Velho Nogueira, cuja existência desconhecíamos em absoluto (é inútil congeminar teorias) tal como não conhecemos pessoalmente o excelente autor do Ouriquense, responsável por fornecer de forma gratuita ao público, um índice de parte da referida obra crítica de Alberto Velho Nogueira,  remetendo ordeira e organizadamente os leitores, segundo títulos de livros e escritores, para a estimulante prosa crítica.

Um exemplo comprovativo, sobre o aclamado livro de Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia:



Agora, pergunta este cansado autor que vos fala, o que andam a fazer os nossos jornalistas literários, com acesso a jornais e canais de televisão de médio e largo alcance, para só agora termos conhecimento deste blog e através do tenebroso mundo das redes sociais?