terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Praemium

«É inútil tentar compreender o mundo», eis o que devia ser tatuado na testa de cada bebé, ainda antes de ser aplicada a terapêutica nalgada que, segundo alegam, se deve a efeitos de lubrificação cardio-pulmunar. Isto no sentido de evitar tragédias particulares que, à semelhança da minha, se desenrolam de acordo com o velho príncipio de unidade de tempo, de acção e de lugar. Por outras palavras, seja qual for o local para onde direccione o meu fulgurante espírito analítico começo logo a sofrer com problema epistemológicos, ou seja, sinto logo que me estão a foder os cornos com problemas morais de profundidade considerável devido, por exemplo, aos contínuos protestos que as pessoas «da cultura» sistematicamente emolduram em considerações de tipo, «somos uma nação de criadores maltratados pela vida, uma vez que o governo não nos unta o pirilau com um belo broche». Devo lembrar a todas as crianças que ainda não foram expostas a estas imagens chocantes que a marca da criação, e do génio, reside, precisamente, na mais violenta repugnância por todas as formas de paternalismo estético, sentimento que vem quase sempre oleado por uma implacável vontade de rebentar com todas as Sociedades de Autores de Todo o Mundo. Ontem, a titulo de exemplo, estive várias horas a tentar desfazer-me, durante a observação de uma imponente gala, patrocinada pela Sociedade Portuguesa de Autores, e transmitida em directo pela rádio televisão portuguesa, das dúvidas suscitadas pelo olhar amendoado de Emanuel rindo, discretamente, nas costas de uma figura agraciada com um prémio a propósito de uma gravação de Chopin. Este pianista erudito, que não achou repugnante apertar a mão a Emanuel, terá sido educado segundo os mais elevados padrões estéticos da interpretação pianística, e trazia uma camisola decotada negra, um casaco incrivelmente trabalhado por circunvoluções brilhantes, também de cor escura, e pendurado sobre o pescoço desnudo, um crucifixo baloiçante. Quem explicará um momento de televisão como este sem recorrer ao decepcionante conceito de acaso ou ao deprimente conceito de relativismo moral? Entretanto, o Alexandre Borges, avisa todo o auditório da blogosfera, constituido por barões assinalados que da ocidental praia lusitana, que ele, um dia, ganhará o nobel da literatura, entre perigos e guerras esforçados, mais do que permitia a força humana, isto enquanto viaja num espectacular cruzeiro pelo Pacífico e teme nada encontrar para fazer em Lisboa, depois da recepção de boas-vindas com o comandante do navio, um concerto pela orquestra do navio, o jantar e “Hairspray” presumo que algures no navio, e a observação do musical da broadway, no imenso Opal Theatre do navio. Note-se que uma pessoa de cultura como o Alexandre Borges tem ainda tempo para publicar vários livros de poesia, guiões, romances, variações históricas, crítica de cinema. Parafraseando Maradona, que já me têm acusado de imitar, não ando mesmo aqui a fazer nada. Bem pode dizer-se que, apesar de tudo, os antropólogos têm estudado a importância da substituição de preferências nos mecanismos de comunicação entre os humanos e por muito que as pessoas continuem a padecer de um desvio incorrígivel sobre o conceito de cultura, convém lembrar que não existe qualquer défice de investimento financeiro na indústria cultural. Continuo a ter que esclarecer que o dinheiro está muito bem distribuído em matéria de cultura: oxalá a distribuição fosse tão eficiente em matéria de alocação salarial na função pública, e a julgar pelo que vi ontem na gala da Sociedade Portuguesa de Malfeitores, cada cêntimo desviado para os bolsos desta pessoa, representada aqui em baixo, decorre de princípios culturais amplamente mais enraizados, praticados, difundidos - e eu acrescentaria, dotados de maior qualidade estética e ética - do que a dita realização autoral dos portugueses, na grande maioria dos casos, uma espécie de garatujo pré-escolar sem dignididade, beleza ou profundidade. Uma Sociedade que distingue o programa de televisão «O último a sair» como melhor programa de ficção (sim, é verdade) deve, com efeito, ser a primeira a desistir de nos catequizar os cornos e ir, rapidamente, e em força, para a puta que a pariu.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

E não seremos todos, de uma forma ou outra, filhos da puta?

A certa altura, no Cinema Paraíso, o velho ressentido responsável pela projecção cinematográfica naquelas imortais paredes sépia de uma fortaleza siciliana, chama à sua pátria amada paese di merda, utilizando, em toda a sua extensão, a imortal língua de fogo com que Dante talhou as três estações fundamentais da vida, e com tais lágrimas de raiva como só são produzidas nos momentos em que alguma coisa de muito querido nos traiu profundamente sem justificação aparente. Sei bem como deixou de estar na moda cuspir no prato em que se comeu, uma das poucas coisas onde realmente nos distinguiamos da maioria das nações do planeta, para nos adestrarmos agora em manobras de auto-motivação, o que nos deixa confrontados com um futuro medíocre. Hoje, alguém dizia que talvez aqui ou ali, um ressentimento excessivo, uma incompletude serôdia, um excesso de fúria, uma gratuita vontade de infligir insultos, atravessasse alguns dos textos que aqui se têm produzido para aviltamento de ilustres varões da comunidade. Não sei que diga. Encontro-me entre aqueles que sempre pensaram que vinham para o confronto, e se acharam num pântano fumegante onde nem os espectros são coerentes com o espírito da maldade e tudo é escorregadio, confuso, como vozes na noite. Chamem-me Ismael, ou melhor, ingénuo, ou melhor ainda, filho de uma grandíssima puta.


Enquanto se discute a probabilidade de este ser o melhor post do ano, o que julgo ser indiscutível, justificando pela enésima vez a rara importância literária do autor, o que não me canso de sublinhar, é fundamental destacar, junto de todas as mentes que eventualmente constituam o auditório deste blogue, a que se referem as pessoas que acreditam ainda ser possível não só criar com inteligência, mas impedir o arrastamento, pela lama da incompreensão, de toda a sensibilidade profunda e de toda a qualidade estética inigualável: é só carregar levemente neste local

eu só falo de futebol

porque do resto não sei nada. apenas que a tvi tem um programa onde as mamas da alexandra lencastre ameaçam explodir e matar toda a gente. pronto era so isto. e logo ganhamos só por causa das coisas.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Jorge Jesus

As armas e os barões assinalados que do 31 da armada vieram aqui manifestar o seu desagrado pela minha espectacular personalidade têm agora uma nova oportunidade, que eu muito magnanimamente lhes proporciono, para voltarem entre perigos e guerras esforçados a indagarem sobre a minha extraordinária identidade. É que o filho da puta do Rodrigo de Moita Deus achou por bem referir que a atribuição de estatuetas de ouro aos maricas que realizaram dois manhosos filmes sobre o pós-colonialismo, um a cores e o outro a preto e branco, vão, alegadamente, custar uns milhões valentes aos contribuintes. A questão não é se o cinema português tem ou não qualidade, assunto em que não me assiste a competência necessária para proferir qualquer comentário, ao contrário do filho da puta do Rodrigo de Moita Deus, e muito menos vou entrar na casa de horrores que constitui o debate sobre o apoio do Estado à cultura, questão onde se cruzam horríveis arranjos para trompete de direita e um insuportável baixo contínuo de esquerda formado pela «importância folclórica das artes», e sublinho aqui um certo asco que me assiste quando refiro a palavra «artes». A questão essencial, querido Pacheco Pereira, é se o filho da puta do Rodrigo de Moita Deus fez as contas sobre os alegados milhões e confirmou a percentagem de meios de pagamento públicos recebida pelos agraciados, assim como importará saber se o filho da puta do Rodrigo de Moita Deus é ou não movido pela mais parca competência em matéria de finanças públicas ou desenvolvimento constitucional do sentido da pátria que o habilite a medir se os milhões gastos pelo estado no apoio à indústria do cinema são ou não mais lesivos do ponto de vista do custo de oportunidade do que o altíssimo preço pago, pelo mesmo Estado, no apoio negativo, por défice de tributação, às inócuas indústrias por onde labora o filho da puta do Rodrigo de Moita Deus, uma pessoa que.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Gogol, meu cabrão, não foste do Benfica!

Tudo indica que Pista de Gelo pode ser mesmo a obra prima com que Roberto Bolaño anda a ameaçar postumamente o público desde o quase, quase, quase genial 2666, um livro que lamentavelmente soçobra no sensacionalismo mexicano a partir da página 400.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Hoje, Gogol é do Benfica

Quem conseguiu terminar a escola antes dos trinta anos sabe, de ciência certa, que a principal condição para obter uma obra digna de admiração secular é, precisamente, não ter terminado a escola satisfatoriamente antes dos trinta anos, ou, pelo menos, nutrir pela escola um profundo desprezo, não obstante um certo reconhecimento pelo contacto com os livros e os olhos das raparigas. Vem isto a propósito do mais recente projecto de cultura, artes, ideias, enfim, numa palavra, lixo, mas embelezado pelo sempre pronto a prostituir-se design de comunicação. A SALAZAR e os respeitáveis Colaboradores não deixam margem para dúvidas: estão mesmo apostados em fazer miséria, arriscando, no ProjectoSALAZAR, um projecto cultural que contempla uma publicação digital, uma revista bimensal, workshops literários e artísticos, uma produtora de eventos culturais e uma editora de ficção. Ficamos desde logo avisados que é melhor começar a mijar fininho, pois a cada dois meses, toma, levas com uma publicação digital ou um workshop literário e artístico pelos cornos abaixo, e ainda corres o risco de te enfiarem um evento cultural pelo cu acima. Mas não se julgue que isto é uma obra de parasitas, manuseando estreitos contactos na imprensa portuguesa, filhos de famílias da classe alta que, parasitando a ignorância, aproveitam as suas incapacidades gritantes para fingir que têm ideias, ou produzem cultura, ou desempenham actividades artísticas. Sendo assim, nada de julgamentos precipitados, pois como afirmam os autores, a Salazar é uma ideia de pessoas jovens, qualificadas e com interesse fundamentado pelas artes e pelo país. Não pretende revolucionar ou provocar mas assume um carácter irónico e subversivo de análise e reflexão. Folheando a publicação, rapidamente percebemos que o carácter subversivo do projecto é constituído por variações cómico-insultuosas em torno da poderosa Àgata e do seu letrista, piadinhas sobre António Oliveira e o seu bigode, as costumeiras lambidelas de Pedro Mexia a actrizes, modelos, mulheres, consideradas, e bem, inatingíveis devido ao aspecto repugante e pouco higiénico do autor, assim como um merchandising que inclui venda de t-shirts e outros produtos essenciais. Isto é tão, mas tão subversivo, que já sinto comixão nos tomates. Claro que a Salazar tem duas ou três coisas de interesse, mas labora no mesmo decadentismo irónico que contamina a geração nascida antes de 1974: ameaçam tudo e todos com o seu penetrante (ai) humor, tratam Àgata, Geoge Steiner e António Oliveira com a mesma despreocupada intenção de provocar o riso no leitor, e mostrar qualidades intelectuais, mas é com grande tristeza que devo anunciar que não se vislumbra nas entrelinhas daquela publicação nada do que, por exemplo, neste blogue é perfeitamente claro, a saber: (1) a subversão apenas pode ser atingida pelo combate cerrado contra pessoas que se consideram qualificadas e têm interesse fundamentado - e eu acrescentaria, aclamado - pelo país e pela cultura; (2) a inteligência não é o valor determinante da nossa luta, mas a força, porque sendo a sabedoria uma mulher, ela ama um guerreiro, para não fugir ao velho louco de Turim. Um exemplo: em face de uma situação trágica, do estilo Efigénia na Táuride, se necessário fosse decidir entre matar os gregos e ficar com a irmã de Orestes, ou deixá-la partir e arriscar a solidão ou vergonha, de que lado estariamos nós? Nenhum dos meus leitores tem dúvidas sobre o o lado em que me encontro, pois não? Espero que os qualificados promotores da Salazar possam dizer o mesmo da vasta legião de fãs que, muito em breve, se acumulará às portas dos quiosques para demonstração cabal da sua inteligência por interposta pessoa.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Haverá sempre o Sá Pinto

Serviço publico aqui

Os melhores 11 estão aqui

Terão as pessoas que utilizam o conceito de capital lido Marx: uma demonstração negativa.

Nada me move contra a interpretação marxista da história e devo dizer, a bem da verdade, que sou até muito devedor, pelo menos em cerca de 35% do meu poder testicular - que não tem sido prodigioso nos seus efeitos, até ver, mas se não se lavaram ainda os cestos, é vindima - do corpus marxiano onde se encavalitam os conceitos mercadoria, fetichização - o meu preferido - valor/trabalho, trabalho/valor, reprodução do capital - o meu segudo preferido - ou mesmo, alienação. E com isto somos chegados ao post da Raquel Varela, uma pessoa que, estudando o processo revolucionário português, devia estar na posse de conhecimentos que desmentem eloquentemente a aplicação da análise económica marxista à democracia constitucional do século XX, pela simples e eloquente razão de que, sendo a análise económica marxista uma ciência - a decomposição da reprodução das relações de produção - comprometida com uma técnica - a revolução comunista - estará, sempre e inapelavelmente tão batida como Rui Patrício no lance do primeiro golo do Marítimo. É triste que os organizadores de seminários universitários não consigam sequer manter uma bibliografia actualizada, pois Anselm Jape, um tipo que tentou a maravilhosa acrobacia de actualizar Marx na sociedade de consumo generalizado, acaba um livro deprimentemente esforçado e francamente honesto, a retornar a Aristóteles e ao seu conceito de boa vida. O que a Raquel Varela não descobriu ainda é que para se poder parasitar uma boa vida é preciso que o capital se reproduza, com ou sem a vontade dela, e que no dia em que os trabalhadores tomarem o poder, ou a Raquel Varela mantém as suas funções absolutamente desprovidas de valor trabalho ou vai ter de fazer uma mamada a cada um dos trabalhadores, ou vai, na melhor das hipóteses, ter de fazer qualquer coisa que possa ser trocada por um valor que os trabalhadores reconheçam como equivalente à quantidade de esforço dispendida pelos seus braços na produção de coisas como o caralho dos computadores onde escrevem os gajos que ainda pensam que o problema do capital é um problema sistémico, monstruosamente super-estrutural, e não a extremamente sedutora conjunção das putas das nossas mentes a trabalhar o desejo. Experimentem secar o capital reduzindo a procura de distinção que pode começar, por exemplo, por uma extinção automática dos cursos, e respectivas despesas, universitários em torno da revolução de 1974. Ou a Raquel Varela saberá mais sobre este assunto que qualquer velho desdentado nascido antes de 1945? Se é uma questão de estudo, então teremos que confiar nos banqueiros que estudam a distribuição dos meios de pagamento. Se é uma questão de legitimidade, temo que a tomada das universidades pelos trabalhadores vá terminar num prodigioso monumento à ignorância. Como diria a desdentada Paula Rego, as coisas, infelizmente, não são assim tão fáceis.

A maravilha democrática

Nunca acreditei nas virtudes da dialéctica e mesmo a alternância argumentativa dos diálogos socráticos nada seria sem as doses astronómicas de génio literário injectadas pelo cérebro cansado de Platão, um dos mais fulgurantes exemplos de como o ressentimento é o maior combustível da pefeição, e se dúvidas existissem, em matéria de aplicação prática da maiêutica, Fátima Campos Ferreira, portentosa matrona e exemplo gritante da gritaria interpeladora absolutamente desprovida de qualquer conteúdo crítico, tudo tem feito para desacreditar mundialmente as virtudes de um debate. Contudo, note-se como a inteligência colectiva movida por espíritos prodigiosos em interaçcão discursiva pode, ainda, ter uma palavra a dizer na salvação de Portugal.


Tese


Melhor onze titular de todos os tempos numa conversa cercada por todo o tipo de argumentação terrorista e ataques ad hominem entre outros recursos perversos:

Caralho (sic) da Silva - descontando um frango aqui outro ali
Octávio Teixeira
Melo Antunes - central de pé esquerdo
Bernardino - ninguém liga ao segundo central
Rita Rato - trinca
Álvaro Cunhal - distribuidor
Odete Santos - talvez a melhor médio-criativa de sempre
Lenine - ponta direita
Carlos do Carmo - não sei exactamente onde
Umberto Eco - este gajo sempre me pareceu comuna
Daniel Oliveira - na mama

Comentários:
De Çindicalista a 14 de Fevereiro de 2012 às 12:59
julio pereira no lugar do carlos do carmo, só porque sim;

miguel tiago no lugar do umberto eco e a fazer dupla de ataque com daniel oliveira, porque temos de valorizar os jovens

ana drago no lugar do cunhal, a fazer dupla de trincas com rita rato, sobretudo por motivos estéticos;

o lenine descia para a defesa, a jogar a lateral direito;

o bernardino e o melo antunes como dupla de centrais tá bem;

substituia o octavio teixeira pelo fábio coentrão, porque precisamos de um defesa esquerdo.

ficava mais ou menos assim:

caralho da silva

lenine bernardino melo antunes fábio coentrao

rita rato ana drago

julio pereira odete santos

miguel tiago daniel oliveira


De JJd a 14 de Fevereiro de 2012 às 15:04
Ganda merda de equipe. Com gajas?

Atão e o Otelo e o Vasco Gonçalves? ou o ROsa Coutinho?

Carvalho da Silva

Defesa:
Rosa Coutinho Bernardino (1º ano nos snr) Melo Antunes e Fabio Coentrão (para dar profundidade)

Trinco:
Cunhal

Médios Criativos:
Candido Mota e Vasco Gonçalves

Extremos
Otelo e Manuel Tiago (desdobra-se)

Ponta de Lança fixo na área tipo pinheiro:
Carlos Carvalhas

Nivelamentos

Não vou perder tempo com aquela tentativa de problematização político-filosófica denominada Arménio Carlos, um nome que parece deduzido das páginas mais encaralhadas de Fado Alexandrino, o único livro de António Lobo Antunes que vale o papel em que foi impresso. No entanto, julgo pertinente avisar tudo e todos que estando a situação literário-laboral a agudizar-se, e embora a deprimente procissão sindical me mereça um profundo e infinito desprezo, também não vamos lá com a prática do desporto que mais aprecio - o contínuo buling dos tolos e ignorantes (como é bom de ver não gosto da proteção dos humilhados, nem dos romanos, com a honrosa excepção de Ovídio) - e o mais que conseguiremos alcançar, ao desprezar a luta, é adiar o problema por mais alguns meses. Claro que a luta implica, antes de mais, a luta diária para tomar banho, para não fugir a Alváro de Campos, e nisto reside o principal e magno erro de todos os membros do Partico Comunista, mas é preciso não rejeitar a amplitude da tarefa: continuar a recomendar aos comunistas que se lavem, mas, simultaneamente, não permitir que o gordo de charuto manobre a sua fulgurante ignorância para cavar um quintal cujos efeitos acabam, mais tarde ou mais cedo, por nos foder a todos e ao mesmo tempo, para não fugir a Maradona. As duas guerras mundiais aí estão, em filme, cd, dvd e, até, revista à portuguesa, para explicar eloquentemente como o pouco cuidade, como diria Manuel Cajuda, se transforma num complexe probleme.

Sá Pinto

um dia destes ainda vou descobrir quem é Lana Rey. Só por causa das merdas e assim.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Da derrota

Quando ouvi o presidente dizer que tem a minha confiança, pensei logo que o Domingos iria para o Porto em breve. Ora bem, já vai bem encaminhado, tendo em contas as ultimas noticias. Caro Alf, conforme falamos hás dias nos proximos 10 anos, talvez 1 seja para nós. Se é que não fechamos portas.

Vamos falar de nações

Para além do enorme desprezo pela actualidade - não faço a mínima ideia de quem seja Witney Houston (isto escreve-se assim?) - todos conhecem a minha enorme estima por Manuel Cajuda, um extraordinário e vigoroso vulto da cultura portuguesa a quem seria pedida a organização de qualquer exposição sobre Fernando Pessoa de bem, se Portugal fosse um país onde se reconhece o brilhantismo de frases como «perdemos, mas amanhã há missa na mesma», e não vivessemos numa agremiação de pedintes em fuga sedentos de dignificar as suas origens intelectuamente abaixo de plebeias. Ainda ontem um brasileiro qualquer deambulava sobre a mesa de Paula Abades de Cristelos Moura Pinheiro, manuseando livros sobre Fernando António, e referindo-se a esse famigerado viciado em ginja, e apenas por acaso, autor de versos, como o mais brasileiro das Pessoas inúteis, isto é, poetas. Daria agora muito trabalho - e estou a meio de uma obra-prima - explicar porque razão Pessoa nada tem de Brasileiro e que aquilo que um americano zarolho, como Richard Zenith, e um brasileiro manhoso, como aquele tipo de ontem, identificam como o elemento brasílico em Pessoa de bem, é apenas a dimensão superiormente artística de um homem que, acima de tudo, quis que o deixassem em paz. Naturalmente, não conseguiu, e a dança de facas - expressão de que muito gosto, é a minha costela cigana - que se apressam a efectuar sobre o seu cadáver já enregelado, é não só muito deprimente como profundamente criminosa. Um contrabandista da Albânia rapidamente acharia Fernando António o mais albanês dos poetas e um argelino certamente destacaria a evidente presença da Argélia em versos como «Eu sou dos que verdadeiramente têm levado porrada». Posso demonstrar a tese subliminar a este importante post com o seguinte exercício: experimentem pedir a um dos vencedores da Taça das Confederações Africanas, que por merco acaso, e desde ontem, é natural da Zâmbia, para traduzir o Soneto 129 de Shakespeare, aquele em que se explica como a luxúria é um espécie de céu que nos empurra para o Inferno. Rapidamente, o atleta em causa, com mais ou menos esforço, acabaria por dizer, após considerar a estrutura significativa do soneto, que estamos incontestavelmente na presença do poeta mais literariamente comprometido com a Zâmbia e isso nada diria sobre nada. Eu realmente, não deixo de ser uma pessoa que acredita que as pessoas quando falam querem realmente dizer alguma coisa. Nem todos, nem todos. Apenas alguns, apenas alguns. E depois, passados muitos anos de vil desprezo e ignóbil porrada, organizam-se exposições sobre esses indivíduos esquisitos, os que quiseram dizer alguma coisa. Realidade filha da puta: deus me proteja das tuas perversas garras, de americanos zarolhos e brasileiros manhosos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Carnaval em perspectiva

No intervalo da minha calma ascensão a caminho da eterna galeria dos imortais homens de letras gosto de ler o Herique Raposo, da mesma forma que Robert de Niro, em Touro enraivecido, pede ao seu doce irmão que lhe esmurre os cornos apenas com o intuito de experimentar a superioridade do seu sistema nervoso periférico na resistência à dor, bem como a robustez dos seus maxilares perante os punhos entoalhados de um agressor pouco perigoso. Do mesmo modo, Raposo esmurra violentamente a minha sensibilidade estética e literária e posso revigorar a minha grandeza intelectual perante o auge das atitudes verbais de uma pessoa que tem tanto desrespeito pela elegância escrita como ausência de rigor lógico nos textos que afanosamente são acolhidos por esse Renova classe da imprensa portuguesa, o Expresso, dirigido por uma pessoa licenciada em História, uma disciplina que desde os gregos nunca mais interessou a ninguém, a não ser os proprietários do Expresso. Muitos me têm confrontado com a inutilidade de referenciar - é o que eles querem, dziem - os mesmos temas, e os mesmo lambe-cus da imprensa escrita, sobretudo quando já abdicámos de serviços mínimos nesta greve-geral em que está mergulhada a opinião pública portuguesa desde a revolução burguesa de 1383-1385. Mas insisto que é um dever moral facultar aos meus amigos e leitores motivos de cólera, bem como fornecer gigantones de serviço para as festividades cívicas, ou acabamos todos transformados num Eduardo Sá - o maior especialista do mundo em broches a si próprio - ou mesmo, muito pior, num D. Manuel Clemente - um dos três maiores especialistas eclesiásticos em broches ao mundo laico (para os interessados em rankigs, os outros dois são o cónego Rego [2º] e o reverendíssimo padre Tolentino Mendonça [3º]). Se é para ser eunuco, ao menos forneçam as rainhas orientais e os manjares, pois castração e deserto mental é muita austeridade para tão pouco proveito. A minha posição sobre a tolerância de ponto no Carnaval fica deste modo demonstrada: prometo lamber a estrada nacional nº 1, de Sacavém até Fátima se o Henrique Raposo conseguir redigir um texto que nos convença de qualquer coisa para além da sua incontestável falta de domínio do português, escrito, falado, ou vomitado.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O drama Bojinov

Hoje passa o "Cool Hand Luke" no cabo, um filme que ando à um ror de anos para ver. Mas tenho que trabalhar esta noite, que a vida está para aí virada. Tenho vizinhos novos no prédio ao lado que gostam de ouvir música alta. É o Tom Waits,  afinal nem tudo vai mal no mundo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Este será directamente (caralho para o acordo ortográfico) debitado na conta do Professor Doutor Pedro Lains




O donativo dos funcionários públicos e beneficiários do rendimento de inserção será destinado à aquisição do muito menos dispendioso volume



Valium me Deus

Ontem à noite fomos justa e merecidamente brindados com um momento espectacular onde o mais garretiano dos artistas nacionais, Luís de Matos, fez alguns movimentos com os braços desnudos, para gáudio de Pedro Passos Coelho, o mais filho da puta dos políticos da Damaia, e Francisco José Viegas, o mais Bulhão Pato dos políticos nacionais. Não vou aqui desenhar sobre material já mastigado, e qualificar o evento como propaganda de classe Z, mas devo dizer que tudo aquilo cheirava a musical americano mas interpretado por pessoas oriundas do Burundi, sobretudo no momento em que Luísa Sobral, um dos mais injustificados sucessos musicais portugueses depois de Lena d'Água, invadiu o palco com toneladas de poeira, adereços dignos do pior La Feria e um som tão guturalmente inverdadeiro que tudo aquilo me fez correr para a cozinha a queimar os pulsos no fogão, para garantir que não tinha sido raptado pelos americanos e levado para um cave no Kentucky, onde me obrigavam a televisionar espectáculos de liceus de província no Texas dos anos 50. A dado momento, Herman José, provavelmente embriagado, interpretou uma mariscada mascarada de jazz, arrastando o evento para uma dimensão insuportável, o que me traz onde queria chegar desde o início. No canal 2, Paula Moura Pinheiro, cuja descendência dos abades de Cristelo e dos Alcaides de Barcelos parece incontestável, chegou herculeamente ao fim de mais um Câmara Clara sem saltar para cima da mesa e se satisfazer a si própria com o poderoso volume de Charles Dickens que tão galhardamente manuseou em longa conversa com duas cabeleireiras professoras na Universidade Católica que, alegadamente, sabem muito sobre literatura e estão, ao que parece, a organizar uma exposição inolvidável sobre o supracitado escritor, uma pessoa que além de várias amantes tinha o supremo condão de não ter agenda política. Continuo a não vislumbrar qualquer retoma dos indicadores intelectuais portugueses o que significa que está tudo bem.

Fazei isto em memória de mim





Venho por este meio solicitar a todos os leitores deste blogue a deposição de algum numerário electrónico na minha desprotegida conta bancária, a fim de que me seja permitido melhorar a vossa personalidade e entendimento do mundo, por meio do meu extraordinário intelecto, o qual após a compra deste magnífico exemplar, preçado num singelo valor de $90.00 + portes de envio, permitirá ao público conhecer todos os segredos da análise e desvendar os mais obscuros recantos do desconhecido.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cientistas sociais: entre a indigência argumentativa e a grandiosa humildade dos tolos

Não tenho o mais pequeno interesse pela política energética preconizada pelos decisores políticos para aqueles locais inóspitos onde o F.C. Porto teve, pelo menos uma vez nas duas últimas décadas, um útero fértil para produzir arruaceiros alcoolizados travestidos de centro-campistas de alto rendimento, e julgo que empreenderiamos os nossos esforços com mais propriedade e ciência se passássemos ao machado todos os esforços que temos feito para civilizar a consciência através do debate democrático (e com isso resolveriamos, automaticamente falando, o problema da energia, a incerteza dos nossos objectivos mentais e da sub-sub-sequente merdosa confusão gerada pela especialização do trabalho). Não viria mal ao mundo se utilizássemos as faculdades linguísticas para obter um salário, como o cantoneiro coloca pedras num padrão enigmático, a fim de ganhar o dele, mas insistimos em querer resolver problemas, sem resolver o problema filho-da-puta de todos os problemas, a saber, o que é que estamos a tentar dizer quando queremos dizer alguma coisa. Tenho a vaga sensação de que apenas temos obtido, aqui e ali, (parlamento e universidades incluídos) conclusões realmente importantes como, por exemplo, esta: seria desejável contruir um país com o José Manuel Fernandes e o João Pereira Coutinho condenados a fazerem um 69 por dia um ao outro.




Quem me conhece, sabe como oriento a minha vida apenas de acordo com duas grandes convicções: (1) José Mourinho é a maior farsa mundial desde o Capitão Roby e (2) seria necessário organizar um comité central (que tivesse apenas pessoas, e com um nível de leituras superior ao meu) responsável por censurar violentamente o espaço de opinião. Enquanto não for implementada esta eloquente política de comunicação, eu quero é que a razoabilidade se foda, com todo o respeito pelas normas democráticas, que tudo, tudo, tudo fizeram para que hoje fossemos o que somos.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Morder a cauda

Vêm isto? Bem sei que não é recomendável que o cão volte ao seu próprio vómito, mas há muito tempo que tento levantar a cintura industrial de Setúbal e a Damaia, pelo menos as pessoas de cor que ali residem, contra pessoas como a Judite Nolita de Sousa e já agora outras pessoas que acreditam que o Hospital Central de Atenas tem como problema financeiro estrutural o contrato de trabalho com 15 jardineiros. Não só quem já foi intervencionado cirúrgicamente falando, sabe muito bem o conforto espiritual que é ver um canteiro de roseiras bem tratado, e não um estacionamento pelado pejado de enfermeiras gordas, como, ainda assim, se poupa muito em analgésicos com este descanso paisagístico da alma. A economia é também cosa mentale, já dizia Del Piero. Não se pode passar a vida a lamber o cu ao Arquitecto Ribeiro Teles e depois rasgar as vestes porque há 15 jardineiros na Grécia, território berço da democracia vegetativa e, como é do conhecimento geral, uma potência mundial em floricultura. Por razões que me dispenso de enumerar (mas são 5) não vou comentar a contribuição do Instituto de Ciências Sociais para a qualidade da investigação científica nas «humanidóides», referindo apenas, e novamente, que não convém que o cão volte ao seu próprio vómito.

Sem título mas se tivesse seria triste

Hoje, uma aldeia ficou mais vazia. E a morte volta a visitar-me.

A minha carreira apresenta-se, neste momento, e com efeito, tão fulgurante como uma sardinha e tão grandiosa como uma ventoinha de Secretaria

A certo momento, o narrador de Moby-Dick explica como o pretinho do baleeiro, após cair nas ondas, puxado pela corda de um arpão, foi tecnicamente abandonado, ainda que por breve momentos, no mar alto, e Ismael, impressionado com aquela pequenina cabeça, oscilando para cima e para baixo no meio das gigantescas muralhas prateadas, explica como o oeano imenso aspirou a razão do pobre náufrago, transformando-o num louco, que desde esse momento, mesmo depois de resgatado, passou a errar ao longo do convés, cantarolando como um tolo. Aqueles que têm seguido o meu calvário espiritual, aqui, neste local, sabem como me assemelho a esse pretinho, cada vez mais perdido entre as vagas imensas da blogosfera e crescentemente esvaziado da minha razão. Não vou fazer uma defesa sacerdotal do sacríficio, descansem, nem um elogio das infinitas misérias espirituais da humanidade (para isso temos Manuel Luís Goucha) mas não posso deixar de incitar ao orgulho todos os que, tendo consciência da magnitude do problema que nos foi tatuado na testa no momento do parto, se mantêm firmes, entre as ondas, em vez de seguir um qualquer navio carregado de óleo de baleia, para vender num entreposto manhoso de uma qualquer cidadezinha medíocre do nosso confuso planeta. Entendam isto como um comentário tecnicamente profundo, e elaboradamente objectivo, de todas as variáveis económicas que, durante o próximo trimestre, agitarão a sua cauda de baleia entre as confusas vagas da comunicação social. Uma nota de estima e consideração para os comentários de Marques Mendes porque às vezes, as pessoas não estão boas da cabeça, e é preciso uma cabeça, boa ou má, para que ouçamos uma outra cabeça dizer que podemos não estar bons da cabeça, e mesmo que para isso fosse necessário clarificar o que é uma boa cabeça, não faz mal, porque é uma tarefa tão primária que Marques Mendes (com efeito, meu deus, com que poderoso efeito), evita, com propriedade (com muita propriedade, diga-se) empreendê-la, não só porque trabalha em empresas, e isso, mas certamente porque já se apresenta maravilhosamente dotado de uma cabeça, mesmo que oscilante, tremendamente oscilante, entre muitas coisas que agora me escuso de identificar.




P.S: Alguém sabe quando sai o Shakespeare do Lampedusa? Ameaçam estas merdas nos jornais e um gajo anda duas semanas a lamber o balcão das livrarias, tirando sempre do bolso a mesma pergunta, até as empregada colocarem a sua face de costureira fascista convencidas de que estão a participar numa sórdida inabilidade de tarado.