segunda-feira, 29 de março de 2010

O Ricardo Sá Fernandes tem que pagar 13 mil euros ? Tadinho....

Gostava de relembrar os telespectadores mais distraídos que o Ricardo Sá Fernandes, na sua breve passagem por Secretário dos Assuntos Fiscais, passou o tempo todo a publicitar o caso da morte do Sá Carneiro. Por mero acaso, era na altura advogado da família de uma das vítimas (penso que do Adelino Costa) e o caso estava para ser encerrado.

Gostava de relembrar os telespectadores mais desatentos que o outro mano ganhou fama e publicidade à custa de estupidamente embargar uma obra que custou largos milhões à Câmara de Lisboa. Que foi vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, e apesar de não ter qualquer pelouro tinha pagos pela câmara, uma mão cheia de assessores e um motorista. E claro, nas últimas eleições, o mano do Ricardo prontamente mandou o Bloco às favas e amancebou-se com o António Costa. Parece que é vereador dos espaços verdes, mas só tenho memória do dinheiro que torrou a ornar  paragens da Carris com ventoinhas.

E para os restantes telespectadores, convinha não esquecer que a primeira advogada do Domingos Névoa fazia parte do escritório do Sá Fernandes. Só mudou algumas semanas depois no Blasfémias terem chamado a atenção para este pormenor.

Esta história cada vez mais parece o clássico conto do vigário. O Domingos Névoa, o inexperiente corrupto da aldeia, vem à capital e prontamente é vigarizados pelos primos da cidade. Antigamente vendia-se a ponte Salazar, autocarros da Carris, o mosteiro dos Jerónimos. Agora os pobres aldeões são enganados para a auto-promoção da pureza e honestidade pessoal dos vigaristas.

O Ricardo Sá Fernandes não recorreu da decisão porquê ? A notícia é convenientemente ambígua, mas penso que é sempre possível recorrer da decisão de um tribunal que não o Supremo.

quinta-feira, 25 de março de 2010

As possibilidades semióticas são ilimitadas

(eu a atender o telemóvel ) - Estou sim.
(senhora do outro lado) - É uma empresa ?
(eu) - Não, sou uma pessoa.
(senhora) - Desculpe, foi engano.

terça-feira, 23 de março de 2010

Já vi muita coisa parva na internet, mas este bate tudo aos pontos

A melhor cena de acção de sempre:

Este texto não está relacionado com o facto de estar em Tomar e esperar voltar a Lisboa de combio

Os maquinistas da CP estão em greve. Lá terão os seus motivos. Mas pretendem exactamente o quê com a greve ? Para além de lixar a vida a quem utiliza o comboio, quais são os exactamente os objectivos da greve ? A CP e Refer são empresas públicas habituadas a dar prejuízo, mais milhão menos milhão não vai fazer diferença. Porque motivo deveriam os admnistradores destas empresas ceder aos trabalhadores, se o pai estado paga os prejuízos ? Aliás, só lhes ficava bem neste clima de crise económica mostrar dureza com os malandros dos maquinistas, em perfeita ressonância com o governo que quer reduzir o subsídio de desemprego dos malandros dos desempregados.

Não haveria outra forma de resolver os diferendos sem chatear a vida de quem, como eu, utiliza o comboio e ainda por cima paga os prejuízos ? Faz cá falta uma câmara cooporativa.....

O que eu gosto disto



Há dias em que a humanidade consegue erguer-se acima da mediocridade.

sábado, 20 de março de 2010

Barba e cabelo se faz favor

Uma das coisas mais extraordinárias que existem como toda a gente sabe são os barbeiros. No local onde habitualmente me rapam o capelo, e onde me conhecem pelo nome, já ouvi de tudo um pouco. Hoje começou pelo futebol, tema tão recorrente nestes lugares onde as tesouras dão à lingua. A teoria residia no facto do Rui Costa ter importado as técnicas da máfia italiana e que aprendeu durante a sua estadia por lá e aplica-las no caso do túnel, para tramar os jogadores do Porto. Não contive a gargalhada, apesar de ter achado que com aquele cabelo cheio de gel e os fatos às riscas, talvez exista um pouco de verdade nesta teoria.
Seguiu-se os temas sociais. Ao meu lado cortavam o cabelo ao senhor que corta a agua a quem não paga. E ele confidenciou-nos que só neste mês de Março já ia em mais de 480 cortes em não pagamentos e ligações ilegais. Enquanto isso tentava arranjar coragem para segunda feira quando deve entrar num bairro social de Oeiras com vários devedores há mais de 10 anos. "O meu trabalho é muito ingrato". E houve ali um grande momento de melancolia.
E olhe o cabelo ficou bem assim. Saúde e até qualquer dia.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O pianista do chat

O novo fenómeno da net chama-se chatroulette. O site "coloca o utilizador a conversar com desconhecidos de uma forma aleatória, através da webcam"

Pois bem, era uma questão de tempo até alguem ter uma ideia genial para a utilização do chat. Este senhor faz improvisos musicais com as pessoas que lhe aparecem. É cada vez mais fascinante o poder que a internet dá ao individuo humano.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Não deixa de ser estranho

que com a democratização dos meios de comunicação e com a facilidade de saber o que se passa em qualquer canto do mundo, a imprensa tem vindo a demonstrar uma sede insaciável de hot-topics igualável apenas pela capacidade que cada meio de comunicação tem em vociferar ad nauseam o que os restantes palreiam.

Já descontando todo o absurdo da Maddie, o ano passado tivemos a crise económica que nos iria fazer retroceder para a idade da pedra e a gripe dos porcos que iria dizimar nunca menos de metade do país. Este ano começou com as palhaçadas das escutas (ah, benditos os jornalistas que conseguem fazer notícias que não se podem confirmar), tivemos brevemente crianças que se entretêm a ler o Marquês de Sade para desembocar nesse cancro social que são os padres pedófilos.

quarta-feira, 17 de março de 2010

No fundo, era só isto que eu queria dizer

Há mais conceitos de harmonia em trinta segundos de Keith Jarret do que em toda a obra dos Flor Caveira

A falta que fazem neste país as bandas filarmónicas

«e para mim, que leio muito, a proeza destes gajos é conseguirem fazer dessas vozes improváveis o elemento estrutural onde a harmonia da canção repousa»

Passando rapidamente por todas áreas do saber comportadas pelo espírito humano, e dando de barato que o novo programa de Manuel Luís Goucha, «Mulheres da minha vida», não implica nenhum tipo de conhecimento morfológico daqueles que o João César Monteiro não se cansou de promover em filmes ingratamente recebidos como ordinários - distinção conceptual que é o epítome, como todos sabemos, do génio humano, mas aplicado aos grandes por mentes cuja pressão de raciocínio não igualam a rotação da bicicleta de Cinha Jardim, e isto num Domingo particularmente vigoroso - tenho a assinalar que gostando, também eu, de ler e muito, devo, no entanto, confessar que também eu, e muito, sou um aficionado pela leitura, dentro das minhas possibilidades cognitivas - que são muitas - de partituras musicais, dentro das minhas capacidades de leitura à primeira vista - que são poucas - estando por isso habilitado a dizer com toda a propriedade que a análise de maradona - pessoa que, como todos sabem, muito prezo -assenta num equívoco, aliás, bastante comum segundo o espírito do tempo. Um dos problemas da democracia, como todos sabem, além de produzir indivíduos como o Miguel Morgado, é a generalização dos produtos culturais como se fossem alpista de aviário, processo gerador de dinâmicas muito mais complexas do que a morfologia anatómica de Di Maria quando enrosca os membros inferiores em torno do esférico - conceito que roubo aqui a Gabriel Alves - e essa problemática, muito estudada por Guy Debord, Michel Foucault, Jean Braudillard, entre outros homossexuais distintos, está sempre presente no espírito de pessoas modernas como maradona. Por outras palavras, as massas geram dinâmicas de gosto, onde participam de forma sinistra os meios de comunicação, conspurcando o génio pelo contacto das multidões sempre boçais na sua ânsia de salvação, sendo aqui gerados processos de construção de identidade a partir de rupturas, só aparentemente informadas, com o gosto das massas, ou, se quisermos, informadas não tanto por conhecimentos de técnica artística mas por uma necessidade de distinção social. Há muito que a divergência entre preocupação com a alfabetização e preocupação com a educação musical me interessa como problema. O gosto musical ainda não é coutada da produção industrial escolar, precisamente porque a economia liberal precisa do indivíduo «sem gosto artístico educado» a fim de excitar os seus planos de desenvolvimento infinito a caminho de uma coisificação da cultura individual. Maradona é, neste particular, um caso exemplar: uma pessoa que lê a «First things» com o mesmo à-vontade com que passa os olhos pelo jornal A Bola, que navega nas águas da geologia crítica com a mesma facilidade com que recupera um internacional argentino do plantel do sporting na década de 80, acordando na minha consciência a recordação do cheiro a verniz de um móvel da sala de estar onde vi - ou julgo que vi - o benfica levar sete de alguns desses gajos, mas maradona, convenhamos, é também uma pessoa - e aqui aposto um pelo da minha barba - que não sabe distinguir um compasso de 2/4 de uma tercina. Neste particular da ignorância musical basta dizer uma palavra: Deolinda, e tudo é possível. Exemplo: tanto Úria como o outro gajo estranho - cujo nome foi repescado na onomástica de cariz bizarro - são músicos absolutamente medíocres, quer no sentido ptolomaico da estupidez, quer no sentido primário da teoria musical, tanto no plano da composição, como no domínio dos instrumentos que ambos fingem que tocam. Maradona, indivíduo que notoriamente lê muito, mas que não sabe um chavo de música - como facilmente se depreende dos seu gosto artístico até agora cuidadosamente revelado - utiliza aqui o conceito de harmonia quando visivelmente se quer referir à melodia, pois dificilmente uma harmonia - que é já um conjunto de pelo menos três sons - pode repousar num coro - em geral, exercício clássico de harmonia, a não ser que estejamos a falar do clássico de Clemente, «Vais partir». Maradona quer referir-se à melodia ou tema, e faz referência à harmonia porque é esse o conceito popular de qualquer coisa que soa bem, dizemos que é «harmoniosa», e falha a diferença entre harmonia e desenho melódico uníssono, acabando por pisar a casca da banana, entretanto comida pelos analfabetos musicais que continuam a fazer miséria neste campo particular da educação, trocando a escolarização das crianças pela rampa da originalidade de estilo versus dinâmica de massas. Levaria muito tempo a explicar porque razão toda a fundamentação que maradona encontra para elogiar este tema de giulilulil - ou lá o que é - (e se encontra muito abaixo das capacidades de um Carlos Paião, pessoa que enoja todos os modernos com estilo) se poderia aplicar com igual cabimento ao trabalho artístico de um Zé Cabra ou mesmo de um Paulo Gonzo. Resta-me recomendar a maradona que, gostando muito de ler, há que passar, todavia - palavra de grande alcance no trabalho de conversão espiritual - aos conceitos básicos de solfejo.

Oh rui vamos para os Super Dragões?

terça-feira, 16 de março de 2010

Afinal os portugueses sabem matemática

A julgar por esta notícia, a maior parte dos desempregados sabe fazer contas. Ora vejamos. De acordo com o relatado, o valor médio do subsídio de desemprego é de 521euros. (era mais interessante saber o valor mediano, mas isso exigia jornalistas com pelo menos a capacidade intelectual  de uma amiba). É o mais normal que os desempregados que recebam isto ou mais, recusem empregos para receber o salário mínimo (475 moedas de 1 euro). Empregos do quais vão ser despedidos daqui a seis meses/um ano para evitar contractos a termo incerto e irreversivelmente substituídos por outro desempregado. Até ao dia em que a fábrica for deslocada para a China. Aí começam com "cursos" de formação e "Novas Oportunidades".

Se o subsídio de desemprego é uma ajuda temporária a quem precisa, então que usufruam dela enquanto for necessário.  Com, obviamente, total liberdade para recusar empregos e até pagar o bilhete para ver o Benfica, bifana e jola pós-jogo incluídas. É a mais perfeita perversão pretender mandar na vida das pessoas só porque as está a ajudar. Querem evitar que o pessoal fique em casa no bem bom (com 521 euros só aí é que podem ficar)  a mandriar ? Termine-se com o subsídio de desemprego.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Se o défice estivesse corrigido, talvez «a gente» fosse a Alemanha e existisse por cá qualquer coisa deste género

Marcel Proust Gesellschaft

Coisas que o destino prepara para unir os grandes


Como um bibelô, sempre aguardamos, de pé, a noite

Muitas noites sem dormir me tem valido a colocação de hipóteses em torno da validade da minha escrita: o que escrever? para quem escrever? Muitas noites me tem riscado a consciência o problema do valor: «Valor»? Qual o valor de uma carta de Joyce, enviada de Paris, quando este pede à mãe, sentada diante da lareira na distante Dublin, algumas moedas, uma vez que não come há 48 horas? Valor de escrever, seja num caderno adquirido contra a garantia afiançada por intermédio do cartão bancário, 1,65 euros - numa das variadas platarformas de distribuição de géneros deste grande Portugal -, ou digitando impressões num teclado negro, cujo alinhamento das letras foi cuidadosamente estudado, ergonomica e morfologicamente, de forma a facilitar altos padrões de conforto ao humano, aquele que pretende (pretenderá?) comunicar coisas. Comunicar pedaços de língua, farrapos de infância, a-e-i-o-u, o balde e a pá fundidos no plástico colorido, Carcavelos, Parede, a areia da praia, os vultos recortados pelo canto crepuscular da luz, pés escaldados no solo amado, a pátria de Camões, primeiro dia de escola, o sistema de erros ortográficos (cozer e coser), o sistema de palavras proibidas (foda-se), o alinhamento das prioridades (Lisboa, Portugal, Europa), o sistema de castigos implícito na língua (falar, dizer, gostar, amar), a poesia não se faz com verbos mas sim com substantivos, a substância, o tutanto das coisas, a espessura dos conceitos, (obrigado pela correcção), o sol e o Sol, separamos palavras e coisas (amor e Amor), acreditamos que as ideias se autonomizam dos signos - ah, as doçuras da significação - adolescentes que pedem a chave de casa pela primeira vez e sentem entre as mãos a doce curva de um seio (os espinhos na carne), palavras que são apenas ferramentas (tão eficazes quanto insuficientes), palavras que são as colunas em ruína de uma civilização devastada pelas legiões do tempo; palavras que são a chave do tesouro, o mapa do regresso, a bússola de nuvens, a bandeira da nação mais íntima, o motor do coração, o ímpeto do cavalo que sulca a terra, o cavalo de tiro, o boi manso conduzindo os cereais para sustento do longo inverno, linho de cobrir os mortos, água de benzer as promessas do futuro; agora que finalmente se suspendeu a chuva é que lhe sinto verdadeiramente a falta (falta - palavra tão polissémica quanto um catavento num dia de temporal), um bibelô, muito pouco para o que nos está prometido, diria o filósofo, mas tantos dias, tantos minutos, tantas horas (quantas horas num só minuto?) em que pouco mais somos do que um bibelô, o cão triste e malhado de branco e negro, orelhas caídas - sinal da decadência biológico - cão que já não sente o perigo, um anjo que toca a sua lira, a donzela que se curva, imóvel, de cerâmica branca, largando a lágrima no seu vestido vitoriano, o menino de louça caminhando a guardar ovelhas, soprando a sua flauta de cana (tão do gosto da minha mãe), colocado sobre o pano de renda, na cómoda do quarto, na madrugada dos dias, quando a casa banhada de morte, aguarda as primeiras lanças do sol, despedaçando a noite.

Começar a segunda feira a chatear o Alf



O Teledisco de "São Sete Voltas P´rá Muralha Cair" do Tiago Guillul

ps. adorei o subutteo e os copos do ikea com suminho.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Retrato do artista enquanto adepto do Benfica

Ocorreu-me hoje uma horrenda epifania - um dardejar das asas do espírito de Luís Delgado em cruzamento ontologicamente desorganizado com o soprar da alma de Miguel Guedes, logo após a derrota do Futebol Clube Rúben Micael por 5-0, num estádio inglês com nome de califado do século V d.c. - e essa epifania consiste no seguinte: e se o actual florescimento do registo psico-afectivo com laivos de ignorância grosseira no capítulo da literatura se dever: não só a um normal movimento de expansão da democracia escolar, e da consequente subalternização das referências culturais clássicas à referência intelecutal e moral tipo «nova gente», com respectivo alargamento do campo «autores» a um autêntico aviário espanhol, mas sobretudo a um triunfo, tão inesperado como dramático, do chamado «belo sexo» como consumidor de um produto cada vez mais anódino, subtraído da força, fúria racional e intensidade dramática que é a estaca de madeira no coração do vampiro chamado literatura? Isto serve, naturalmente, para responder à frequência do blogue de Laurinda Alves, caso mental mais específico deste novo fenómeno que me proponho abordar nos próximos dias, se Jorge Jesus não tiver a desfaçatez de perder na Choupana, obrigando-me a um esforço psico-emocional de grande envergadura para prosseguir a semana sem me precipitar para as águas frias e gélidas de algum rio.

Pelo contrário, nós, que circulamos por Alhandra, Vila Franca, Amadora, Queluz, somos pessoas cujo interesse estético-espiritual é muito residual

Gostava de recomendar coisas muito particulares, recolhidas por uma pessoa que parece não ter sido bafejada com um posto de trabalho digno, neste momento particularmente difícil do défice orçamental, embora também não aparente ser benecificária do subsídio complementar à situação de desemprego, pelo que se oferta um presunto de Chaves ao primeiro leitor que apresentar uma solução satisfatória para o inquérito: o que faz Laurinda Alves em Londres, para além de circular num carro de onde se pode contemplar o céu «cinematográfico» da city e comunicar com espécimes humanos tão raros, mas tão raros, que nós não somos nada, nem ninguém, para nos atrevermos a tecer qualquer qualificação sobre a «poesia» com que levam a vida e o seu inegualável sucesso, num local onde todas as coisas acontecem com realidade e verdade, ao contrário deste sombrio pântano de província onde, gemendo sob uma dor periférica e muito pouco «cinematográfica», contemplamos pessoas que são espectaculares.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Pedro Passos Coelho o quê?

Eu sou daqueles que arrastam a frequência do Jornal de Letras (gratuitamente disponível em Bibliotecas Públicas, pelo menos em locais onde também se celebra a festa do colete encarnado) como se arrasta a matrícula numa cadeira difícil de um curso universitário que se escolheu num momento de infortúnido, não tendo ainda passado à sua versão actualizada, a Revista LER, onde escrevem valores como Pedro Mexia, Eduardo Pitta, duas esfregonas Vileda de cor amarela e uma ovelha malhada que fugiu de um curral em Mogadouro. Em qualquer caso, o efeito (psicadélico) é o mesmo: purga mental, ascese física e trabalho meticulosamente ordenado (Domingo a Domingo) no sentido de uma mais funda e específica consciência do meu próprio valor. Sabendo que só assim será possível almejar o reconhecimento dos meus pares, tanto a minha machadinha à qual puseram a mão, como o devido sublinhado crítico dos senhores jornalistas e demais público em geral, muito obrigado. Na mais recente edição do periódico literário, onde pode apreciar-se uma crítica de Miguel Real - uma aparição em cantor romântico do padre António Vieira - ao último livro de Patrícia Reis - uma aparição da Rainha D. Amélia mas em edição pós-moderna -, considerado um obra consistente e profunda, com sublinhado a um capítulo denominado «o amor verdadeiro». Valter hugo mãe conta-nos que é um predador e que numa oral de Direito, saída alhures do seu passado torturado, lhe terá entrado um mosquito pela boca, parece que, alegadamente, em busca do coração do escritor, num momento que o próprio (o escritor) qualifica como muito romântico. Em busca da boa prática crítica, e consultado o nosso Livro de Estilo, quisemos ouvir os familiares do mosquito: estes, muito abalados pelo acidente, apesar dos anos passados, confessaram ter sido um mero acto de suicídio e repudiam qualquer ligação do malogrado insecto ao promissor autor da «Máquina de Fazer Espanhóis». Já José Luís Peixoto, um indivíduo que confessa na mesma edição ter gosto em não ser uma pessoa com barba e óculos que leu os clássicos, preferindo ser uma pessoa com piercing e casacos de napa que não leu os clássicos, digo eu, termina a sua crónica chamando pela hospedeira do avião, «ela não volta, ela não volta, ela não volta». E parece que ela não voltou, tendo o vento, como sempre, mudado na direcção da Índia, por onde sarilhanda agora o jovem escritor, segundo confissão do mesmo, em busca do tempo perdido, talvez à procura de ler os clássicos, mas agora em tradução hindu com acompanhamento em flauta de cana por Rão Kiao. Tenho insistido num ponto que deve clarificar-se de uma vez por todas: será o ressabiamento uma condição essencialmente indispensável à arte de escrever? Eu julgo que sim, e a realidade (coisa que muito prezo) tem dado razão a este aforismo milenar, a saber: o sol quando nasce é para todos, pena que nem todos o possam descrever de forma aturada, e devidamente ressabiada por acção da máquina de passar vidro colorido, sendo isto não uma declaração da homossexualidade latente do autor mas uma declaração inequívoca da fusão, tão necessária à literatura, entre o lixo particular dos sentimentos e a caixa de ferramentas ultrapassadas, mas devidamente oleadas e bem estimadas, constítuida pelos circuitos neuronais de um ser-vivo que se quer comunicar (como os orangotangos aos gritos), mesmo que esta comunicação - vómito bíblico ou declamação isabelina - queira veicular-se através de coisas, só aparentemente, confundíveis com pedaços de auto-biografia.

De volta

O lourenço fez o favor de nos chamar à atenção ao facto:

terça-feira, 9 de março de 2010

Foge cão que te fazem barão ! Para onde se me fazem conde !

Tenho acompanhado com a higiénica distância que o assunto recomenda, o debate sobre o PEC. Se fosse o PSD com a Ferreira Leite no governo, estas medidas tinham sido tomadas logo no primeiro dia. Com o Sócras, a coisa acabou por ser feita meses depois acompanhada das mentiras do costume. 

Será que

depois de termos tido um Sócrates vs Santana Lopes (um duelo de campeões da incompetência e mediocridade), um Sócrates vs Ferreira Leite (qual é a diferença nas decisões políticas ?),  vamos agora ter um Sócrates vs Passos Coelho (um Sócras de plástico made in China) ? A política neste país já me parece um mau jogo de sueca. Só me calham duques e senas tristes.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Este tipo tem um dom de me por bem disposto as 23h11

Quando a confusão mental atinge os cornos da lua, quem paga, e sempre, é a correcção e a beleza da língua - essa criança por todos abandonada

«Não há sentimentos à mistura: é só técnica, teoria e ciência. Agora experimentem educar e gostar ao mesmo tempo. Ah, pois é.»

Tocar na ferida

Escreve o rapaz lá do 31 que nunca pensou em concordar com Garcia Pereira. Ao contrário dele, desde que li há uns anos valentes uma entrevista no extinto DNA, que o senhor me ficou. Por falar bem e tão certo, talvez esteja colocado ao lado. É assim como nós, um ressabiado que a vida leva rumo à derrota certa.

A analogia entre o cão e a criança: problemas de interpretação de um dilema civilizacional

«As crianças são crianças. Não são cães de luta. E quanto mais protegidas, defendidas e seguras se sentirem mais felizes serão.»

Rangel rangia rumo aos rotundos ruídos de uma radiosa e radiante ruptura

Paul Rangel não tem culpa de ter sido aqui atrelado, mas era necessário dar título confuso a uma envergonhada tentativa de clarificação de propósitos. Aqui foi, em forma de rato que roeu a rolha da garrafa. Enquanto a situação se não descontrola de todo, aqui fica o pedido de desculpas, em pública forma, à Sofia Bragança Buchholz, pessoa que não merecia ser o bode da expiação de todas as minhas frustradas intenções de guindar a República a uma situação decente no plano das realizações literárias e manuseio da gramática. Há muito que venho procurando explicitar a importância da fama cívica (um valor caro aos pintores, baqueiros e malandros das cidades italianas desde o século XVI) no capítulo da hiegiene republicana de Portugal, uma actividade que se caracteriza por ser defendida por um caçador de Águeda e um inútil da linha de Cascais. Nisto, a Lídia Jorge, pessoa cuja voz remete para o cruzamento entre uma colcha de bilros e as obras completas de Hélia Correia, apareceu no programa Autores a elogiar a Filipa Melo, uma pessoa que se caracteriza por ser espectacular, e a vitalidade da literatura portuguesa que não vai em inspirações cósmicas e que está repleta de grandes autores, todos eles caracterizados pelo facto de raramente lerem livros e gostarem imenso de viajar em camionetas ao Correntes da Escrita, um lugar perto de Vila do Conde, mas que apenas acontece quando lá está o Francisco José Viegas e o José Luís Peixoto. Facto saliente: todo o ressabiado tem sede. Ainda ontem comprei uma garrafa de vinho tinto, cujo rótulo traz inscrita a expressão «rico homem», e já em casa, no momento em que Fábio Coentrão procurava convencer o extremo esquerdo do Paços da veracidade da cor do seu cabelo, acabei por notar que o vinho era na verdade uma bojarda, sendo eu o único culpado da referida compra. Três segundos após o término do primeiro tempo regulamentar, a publicidade Pingo Doce recomendava o «Rico Homem», facto que me assombrou durante toda a noite - alternando a espaços com a visão de Paulo Rangel expondo a sua ideia de revolução conservadora na escola - e ainda hoje, durante todo o dia, procurei calcular qual o índice da probabilidade de ter sido induzido inconscientemente por sedução mediática a comprar um vinho que não sendo mau, não foi suficiente bom para me convencer de que venha algum dia a realizar alguma coisa semelhante a isto.

Feliz dia da mulher (vou arranjar sarilhos)


Quando há revistas direccionadas ao publico feminino que publicam capas destas, ainda se exaltam quando há publicidade deste genéro? A haver petição era para acabar com o futebol ao domingo à noite, pá.

Epah, tão ressabiado que sou...

Leitor caríssimo:
Hoje, a certa altura, e como apaixonado por aviões (talvez isto seja já um sinal do ressabiamento) vou à página on-line da força aérea. Entretanto, e depois de uma visita pelas fotos dos Lockheed Martim F-16 A e AM, surgiu-me a curiosidade, e esta levou-me a querer saber mais sobre isto da cena militar, já que é um assunto ao qual dou muita importância, tendo uma certa paixão pelo bélico (algo que já partilhei com o nosso amigo Alf). Vou então ao site do Ministério da Defesa Nacional. Por acaso, até sabia que o Secretário de Estado da Defesa Nacional era o gajo, o Perestrello, um gajo tipo Sócrates mas mais novo. Vejo o currículum invejável do homem:

Marcos Perestrello - Biografia

Entretanto, e olhando para todos estes meus amigos do Elogio da Derrota, acharia por bem que o Alf - que é um indivíduo que às vezes pensa -, o Ateixeira - também perto disso -, o Binary -quase graduado em pós-graduado -, deveriam ser agraciados já com um cargo ministerial. A mim deixem-me só pilotar um F-16 que já fico contente.

Há dias assim

Tudo vai bem por Portugal. O benfica ganhou. O sporting goleou. E o festival da canção foi ganho com uma música escrita por um jornalista da sic. Li no jornal que foi assobiada no final. Parece que o público preferia que ganhasse esta jovem roliça. Uma espécie de "lenda da severa das pistas de dança", nas palavras da cantora.

Parece que a competição deste ano foi muito boa. Tão boa que era dificil escolher uma música que se pudesse chamar de música. Deixo aqui as minhas favoritas. Parece que nenhuma ganhou vá se lá perceber. Nas palavras de um comentário no you tube: "mas o que é isto??" e não há mais nada a dizer, há dias assim.





e a favorita que não chegou à final:

Bom dia

Sabe bem ler o besugo de manhã

sábado, 6 de março de 2010

É claro que importa, e muito, quem fala.


Ajudai-nos Senhor, uma vez que os distúrbios psiquiátricos chegaram à FNAC do Chiado mascarados de literatura de excepção

TERRA SONORA de Nuno Viana, um livro editado e tudo, na prateleira dos destaques da FNAC. Aquele que fala é que dá testemunho do que viu e nunca pensou ser possível acontecer. O leitor não pode perder o vídeo promocional deste livro, correndo o risco de falhar um recorte vivo da decadência mediática, confusão mental e sebosa mediocridade a que chegámos no capítulo da fusão entre interesses comerciais e juízo estético. Juro pela alma de S. Gonçalo de Amarante que se agora aterrasse teletransportado um homúnculo de olhos negros, com cerca de 1,15 de altura, pele da cor da pomada de esfregar no peito VIC, e com a voz da Maria Callas me lançasse uma proposta de contacto, eu não ficaria tão surpreendido quanto fiquei depois de folhear o livro na já referida loja do Chiado. Nesse sentido, estamos diante de uma obra avassaladora. Tão avassaladora que o leitor pode, eventualmente, sofrer um acidente vascular cerebral durante a tentativa desesperada para compreender o que vai na cabeça das pessoas que encaram com seriedade um livro destes. José Rodrigues do Santos: cuidado, está um homem no terreno.
P.S. Agradeço que não confundam mais um post de alusão a jovens autores com qualquer sub-espécie de ressabiamento ou, nas palavras da grande Patrícia Reis, «frustração tuga», uma vez que sou movido pelos mais nobres e perfumados sentimentos, ou não fosse o meu carácter oriundo dos gelos higiénicos da Serra da Estrela, lugar onde passei os Verões da minha infância e onde qualquer recusa perante um prato de couves com feijões terminava invariavelmente numa ameaça de castigos físicos, seguindo-se um estágio prolongado entre a urze e o tojo, a russa e a malhada, enquanto ao longe se eriçavam aos céus os mamilos da grande montanha, nevados, puros, glaciais, recortados de força e imponência. Relembro que ainda agora lavei os dentes com pasta medicinal Couto e lavei devidamente as mãos após utilização correcta do papel higiénico, pelo que não considerarei ataques de índole psico-afectiva. Obrigado e uma boa tarde a todos.

Coutinho: é necessário mais trabalho, mais paciência, mais erudição, mais «humanidade».

Numa crónica curta, denominada Adolescentes e pitbulls, Pereira Coutinho, um indivíduo adestrado na ciência política que sabe tocar piano, revela que é capaz de bem melhor do que isto. Após algumas ideias confusas, onde ladram cães e gritam crianças de 14 anos, dá por terminada a coluna num derradeiro esforço, procurando aliterar o valor «r» da trilogia rebento, rebentam, rebenta, tentativa pirotécnica absolutamente gorada pela falta de tempo que manifestamente deve ter presidido à elaboração do texto e que revela, perante o abismo do final, a consciência de que o autor estava na posse da mais lancinante informação: o que acabava de escrever não valia um presunto de Chaves e era necessário, antes de se extinguir o fio do pensamento, e escoar-se o prazo de entrega do texto, inventar um jardim florido com jogos de água, em estilo Luís XVI, para divertir o leitor bovino do Correio da Manhã, leitor que falhando a conteúdo, pode entretanto entreter-se a brincar com os repuxos. Falhou. Não devemos, contudo, ser arrogantes perante o falhanço alheio, sobretudo quando a temática é labirinticamente insidiosa. É absolutamente normal que Coutinho, colocando-se entre as pernas de pitbulls e adolescentes, acabasse por ser abocanhado e tivesse que abandonar a crónica a correr, de calças na mão. Posso dizer-vos que o espectáculo não é bonito. Sobre o conteúdo esfrangalhado, é todo um manancial de conhecimentos mastigados que deixo ao leitor, seguro de que a parvoíce e o humor encalhado por demasiada estima materna (a ironia é também uma forma de carência afectiva, Cf. Eça de Queiróz) serão sempre capazes de levar Pereira Coutinho (eles são mais que os ratos) a conferir novos aromas jornalísticos ao já larguíssimo repertório das massas com chouriço confeccionadas nas redacções dos nossos periódicos.

E que tal um concurso público para a direcção do «Público»?

A Bárbara Reis, directora do Público (ainda aguardamos esclarecimento sobre critérios de selecção), defendeu ontem junto de Mário Crespo a vitalidade do Público, um jornal que «só é o que é» porque se mantém livre. Livre. E explicou depois que isso custa dinheiro e que só é possível graças ao mecenato de Belmiro de Azevedo. Repetiu «Belmiro de Azevedo» duas vezes, repetiu três vezes que «Belmiro de Azevedo acreditou na importância de um jornal livre» (aqui, é favor não rir ainda), e repetiu duas vezes e meia que só graças à família Azevedo é que era possível ter uma redacção trabalhando livremente. Não é preciso explicar que isto reflecte não só a posição incomensuravelmente livre de Bárbara Reis mas também o seu grotesto analfabetismo, características que, aliás, já tinhamos entrevisto pela leitura daqueles pedaços de Nestum por si preparados e confeccionados sob a máscara de editoriais. O Estado, enquadrado legalmente, vigiado por uma Assembleia de deputados eleitos por pessoas do Minho aos Açores, do trabalhador rural de Felgueiras ao crítico de arte do Chiado, que depende dos votos, das pressões e das críticas de milhões de pessoas, como fica bem demonstrado por meio da farsa político-jornalística dos últimos meses, é um papão que devora a liberdade de expressão e engole ugolinamente os seus filhos. Já a família Azevedo acredita no Público e é garante de liberdade. Pergunta para Bárbara Reis: quem é que manda mesmo no Jornal? Seria deveras interessante estudar com rigor o processo organizativo de um jornal como o Público. Após o enraizmento do produto, levado a cabo por um director forjado na bigorna dos direitos, do mercado e da liberdade, temos agora o grau mais sofisticado da economia de mercado: a direcção sem cabeça. Um boneco que comanda e fala, mas sem qualquer lastro de pensamento particular, tudo é vago e generalista, tudo é reflexão do quotidiano, tudo é «Público», no sentido Tony Carreira de «Público». As ideias de José Manuel Fernandes, dementes mas violentas, depois de cumprirem o seu papel de ataque à democracia popular, dão agora lugar ao prado com malmequeres onde sopram os ventos do dia a dia.

O voto é relativo. Já os jornais são absoluta garantia de fundamentação democrática, isto numa perspectiva filosófica, claro está

Quem é o José Gomes André ? É um indivíduo que se interessa pela «fundamenação filosófica dos conceitos». Exemplo? «O valor do voto popular – invocado com frequência como definitivo – não constitui um salvo-conduto para os vencedores dos actos eleitorais relativamente aos seus actos futuros.» Pergunta: não constituindo o voto popular - e atenção ao valor relativo no peso da frase da expressão popular, sabendo que Demo [cracia] indica o governo do povo -, um salvo-conduto para actos futuros, como se defende o político eleito, que por acaso dos astros não comunga dos anseios jornalístico-mediáticos do tempo, das constantes alusões crítico-jurídicas que enxameiam as redacções. O caso Berlusconi é sintomáticamente citado por apreciadores da «fundamentação filosósfica dos conceitos», porque algo (ou alguém) me diz que se o indivíduo escutado ou apanhado em cruzamentos Freeport na zona do Montijo fosse detentor do discurso de Berlusconi (por exemplo, com uma revolução conservadora na escola, como defende o nosso sacerdote político) já o voto popular se transformaria imediatamente, na perspectiva dos apreciadores da «fundamentação filosófica dos conceitos», num salvo-conduto couraçado, não só para actos futuros como para sustentação de currículos post-mortem. José Gomes André, não seria mais indicado dizer logo ao que se vem? Não seria mais indicado não nos escondermos atrás da teoria política da democracia constitucional e outros detergentes para a louça? Não seria mais filosófico arriscar uma posição de força no contexto da luta? Nesse aspecto, tiro o meu chapéu de coco a Henrique Raposo (é ele o sacerdote político) reconhecendo que ali encontramos a ferocidade partidária em toda a sua vitalidade. Se perdemos em elegância e língua portuguesa ganhamos com certeza em higiene política e claridade filosófica.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Bom fim de semana

Há lugar para mais um Alf ?

 O pequeno texto termina com"Não acreditaram que os ‘indivíduos’ eram capazes de aterrorizar de tal maneira um seu semelhante ao ponto de o levarem ao suicídio."

A mim nunca me passaria pela cabeça que um puto de 12 anos se suicidasse por causa dos maus tratos dos colegas. E sinceramente, acho que ao Francisco Viegas também não.

Alegra-te alf. Os japoneses são ainda mais malucos que nós

Veja-se este notável jogo no japão. 11 contra 100.

Também eu, desde agora, me conto entre aqueles que foram forçados a dizer: o autor desta frase é um filho da puta

Anúncio com referência ao Francisco José Viegas, um indivíduo igualmente necessitado que dialoga on-line com o pai da pátria

Se alguém quiser contribuir para colmatar a solidão do Henrique Raposo num problema de escassez sexual pode contactar o Elogio da Derrota que nós faremos sempre o impossível por satisfazer mais um cristão em necessidade.

Moscatel


Depois do prodigioso confronto entre a selecção da China e a selecção da Bulgária, tenho tido dificuldades em adormecer. No dia seguinte, o jornal A BOLA avançava novidades que devem ter desviado o eixo da terra de forma tão incisiva quanto o sismo do Chile - uma catástrofe natural a que fiz o favor de não referir nenhuma das minhas preciosas palavras. Parece que Bolatelli, o primeiro africano com nome de pintor renascentista, reconhece que Mourinho se preocupa com ele. Isto a propósito de carros de luxo e da devida reserva de um jovem na condução de veículos. O problema, assegura Bolatelli, é que nem sempre José Mourinho faz por expressar essa preocupação da melhor maneira. Mas o caso é que entre as várias novidades impressas no jornal desportivo contava-se a notícia de uma Tese de Mestrado (não chegámos a apurar em quê), defendida na Universidade Católica de Milão, sobre o discurso de comunicação de José Mourinho. Parece que Morinho prepara cuidadosamene os discursos mas no momento apenas diz o que sente, o que constitui um método de grande alcance: preparação, desperdício da preparação, preponderância de sentimentos. Eu diria que isto parece o programa discursivo de uma rapariga de Palmela, com treze anos de idade, apaixonada pelo Miguel Veloso, no momento de lhe dirigir um pedido para fotografia conjunta em forma de recuerdo, mas a verdade é que eu não percebo nada de comunicação, diga-se em passagem. De qualquer modo, ora aí está uma afrontosa coincidência entre «pensamento» e «realidade» para quem ainda duvidava da relação estreita que os dois conceitos insistem em fazer respirar apesar dos vários divórcios anunciados nas revistas da especialidade. É que George Steiner define o jornalismo como o espírito da época, um espírito que é capaz de uma temporalidade instantânea e niveladora: «Todas as coisas têm mais ou menos a mesma importância; todas são apenas dia a dia.» Isto não significa qualquer menosprezo pela importância de José Mourinho como emissor de discursos. Nem uma censura à veneranda política de coordenação académica de cursos de pós-graduação da Universidade Católica de Milão. O problema é que tenho tido dificuldades em adormecer e agradecia apenas que a «realidade» não viesse para aqui prolongar este meu estado de manifesto incómodo. Se puderem fazer qualquer coisa por este assunto, desde já fico eternamente (até onde me for possível sustentar esta eternidade, o que dependerá do número de edições e do acolhimento do público) agradecido.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Auto-ajuda

A circulação por canais informativos levou-me ontem à noite a um labirinto de interrogações de onde acometeu de súbito o touro da mediatização. Eu explico! Carlos Abreu Amorim procurava justificar que a liberdade de expressão se constitui numa «questão essencial» propondo até a importação de figuras jurídico-constitucionais dos «Americanos». Noutro lugar, Rui Ramos descascava a caspa discursiva de Paulo Rangel e raspava a patine novi-popular de Passos Coelho. Nesse momento, havia que rir muito no sofá perante a argumentação serôdia de George Steiner em torno do Logos, e do fim da palavra habitada por presenças reais e o poder da comunicação ao outro, e outras mariquices que tenho aqui denunciado com denodo e coragem indómita. Mas não ri. Não ri, (eu nunca me rio). A explicação para tal é que me assaltou a pergunta assassina. E se Carlos Abreu Amorim comentou aqui no Elogio, com a realidade dos seus dedos anafados, e se aquele convite para escrever no Albergue Espanhol, não só não era uma ironia elefantina mas significava, quem sabe, um reconhecimento do génio? É verdade que o Besugo tem o Albergue Espanhol na sua lista de referências. Mas também é verdade que o lançamento da minha voz galgará todos os homens pequeninos. E não é disto que estou a falar.

Só para saberem como é

Se o George Steiner - um indivíduo que leu todos os livros agraciados com o título de obras de arte que influenciaram o Ocidente - fala nas possibilidades destruturadoras da humanidade com suas gramáticas da criação a caminharem no sentido do esgoto, citando para tal os efeitos nefastos do «Código binário», é porque, aqui no elogio, estamos no caminho certo.

Já me ri bastante esta manhã

terça-feira, 2 de março de 2010

Chuviscos (de Besugo e Maradona)

Se há coisa que pode irritar um indivíduo é receber uma cotovelada nas costas no momento em que, posicionado a uma distância consideravelmente segura das restantes mesas de um café de recorte italiano, procura concentradamente descodificar um pensamento, contra o o inigualavelmente torturante som da música ambiente, contra o ataque bicudo dos bocejos macaqueantes de um enamorado gótico que tilinta uns penduricalhos de metal na ponta da língua, para deleite da sua jovem parceira. Como compreender, nestas frágeis circunstâncias, uma frase difícil que, além do mais, me recomenda, a mim especialmente, a prática da consciência de que o ensino universitário é uma máquina de fazer funcionários (seria pior se fosse uma máquina de fazer paneleiros como grande parte da literatura portuguesa actual) e que as profissões não interessam ao espírito superior, espécime que aos trintas anos ainda não «acabou» nada, sendo mesmo a dificuldade em acabar as cervejas uma sua característica salutar, uma vez que aos trintas anos «se é, no sentido de uma cultura elevada, um menino»? É evidente que o meu propóstio inicial seria falar da entrevista de Manuel José - um homem que sobreviveu a 26 Companhias aéreas africanas - saudar o Besugo - um homem que sobreviveu à contratação de João Pereira -, e citar mais um post de Maradona que remete grande parte da prosa publicada em papel para a Liga Vitalis. Contudo, e nomeadamente, fui atingido por uma necessidade de declarar que toda a arte tem um propósito, mesmo a escrita de um post, não sendo aqui necessário justificar porque é que o Pedro Mexia é apenas um gordo que faz viagens a Bruxelas e emite gracejos em forma de opinião jornalística. Ainda hoje me aconteceu ser possuído por um tal sentido de independência mental que me senti tentado a roubar ao país, e ao mundo, a minha voz volátil e vazia de projectos, para erigir para meu deleite a prova de alguns de nós conseguem remeter a necessidade de reconhecimento para o lugar onde são remetidas outras respeitáveis necessidades como tirar macacos do nariz. Perderia o mundo alguma coisa? Seria eu privado de reconhecimento se decidisse calar-me? Haveria Jorge Jesus sem a associação de Aimar com Saviola? E será que isso importa a Jorge Jesus? Nisto, uma rapariga travou-me em plena chuviscadela no chiado com um estudo de mercado (apetrechado por microfone e câmara) acerca da informação fornecida aos consumidores por seguradoras. Naturalmente, respondi-lhe que as profissões dão nisto, sejam velhas ou novas, as profissões, ainda prefiro as que não fingim dignidade e se vão sentar, as profissões, na estrada de Coina com o seu banquinho de rede, as profissões, à espera que pare um transportador de longa distância. Não há informação, nem câmara, nem microfone, nem estudo de mercado. Apenas pessoas que é um conceito forjado por S. Tomás, um indivíduo a quem, manifestamente, faltou uma «profissão».

O Professor podia fazer o obséquio de dizer-nos quem ou que porra é a Ana?

«O pretexto vai ser Francisco de Lemos Ramalho, conde de Condeixa e Marquês de Pereira, o trisavô da Ana (...)»

O meu universo blogoesférico retomou o seu rumo normal

Com postas destas do besugo:

"A rampa é funda, ou dizem que será, mas manter as mãos demasiado fincadas nos corrimões nunca facilitou, que eu saiba, as deslizantes descidas que se impõem. E mais: em se podendo, que se desça calado o escadório. Sem ranger os dentes."

e o maradona em grande estilo, tudo está bem. não é preciso mais nada.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Chile

A viagem que fiz ao Chile deixou-me marcas fortes na memória. Por isso é com tristeza que fico quando vejo imagens destas.

Relato de fim de semana

Uma das coisas boas deste fim de semana foi voltar a ler o besugo. E outra foi jogar a bola de novo. Ah e o Sporting ganhou. E jogou à bola de novo.