sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Até para o ano num futuro distante

Season 3 Episode 12

O porque de gostar tanto de ver o Hugh Laurie:

Dr. House: We are selfish, base animals crawling across the earth, but 'cause we've got brains, if we try really hard, we can usually aspire to something that is less than pure evil.
Dr. House: They're out there, doctors, lawyers, postal workers, some of them doing great, some of them doing lousy. Are you going to base your whole life on who you're stuck in a room with?
Eve: I'm gonna base this moment on who I am stuck in a room with! It's what life is, it's a series of rooms, and who we get stuck in those rooms with, adds up to what our lives are.

Ler isto com uma musiquinha de fundo:

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Mais uma vez falamos de hoje

Em alturas de balanços, os bloggers nacionais famosos vão fazendo as suas listas do melhor do ano. Não quero ir por ai porque me falta a lembrança para um ano que passou a correr. Ficam algumas memórias. Espaçadas no tempo. Algumas descobertas. Desafios e derrotas. A vida no fundo é tempo que se gasta a tentar perceber qual a vida que se quer ter. O que posso eu dizer? deixo-vos com a minha música de final de ano: The National - About today . Mais uma vez falamos do dia de hoje:

Todas as pessoas mentem


O que este senhor está sempre a dizer ao que parece é mesmo uma propensão do ser humano. A mentira faz parte de nós. Ler aqui




segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Um presentinho...

Aqui o grande sapo_cocas além de desejar umas boas festas ao caro leitor, que durante o ano vai espreitando para este belo blogue, deixo-lhe aqui uma canção como prenda. Esta canção é uma homenagem ao Binnary Solo, que gosta tanto desta interpretação e ao leitor que gosta dos Onda Choc.

Um grande Abraço
Sapo_cocas


Buenos dias

"O mercado auto-regula-se. Evidentemente. É como os intestinos: até certo ponto, auto-regulam-se" Esta e outras pérolas no sitio do costume. No Natal antes do bacalhau lê-se sempre o besugo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Quiero llorar

Homenagem aos melhores para variar aqui no elogio. Notável em tudo este video. Em especial o relato do primeiro golo. Ao ganhar o ronaldo o tal prémio, também eu vou llorar.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Reproduzo aqui um texto genial do Scott Adams

In my capacity as cartoonist, I feel an obligation to simplify complicated discussions until two things happen simultaneously:

1. Absurdity is achieved.
2. The reader feels as if it all makes sense.

My comic from Saturday illustrates that principle.

According to Google Alerts that comic has been posted to more blogs than any comic I have ever created. It inspires me to more fully explain the theory of finance in this blog. Think of financial theory as a stool. The stool is supported by three legs, or truisms.

- History always repeats.
- Past performance is no indication of future returns.
- Asshats are trying to steal your money.

These three truisms can explain any financial phenomenon. For example, if your financial advisor suggests that you invest in a market bubble that is about to burst, he will explain that the past is no indication of future results. Just because a Price/Earnings ratio of 45 has never been sustainable in the past doesn't mean it won't be perfectly safe in the future. And when the bubble bursts and you lose half of your money, your advisor will explain it's because history always repeats. In other words, he's an asshat trying to steal your money. This stool also explains the housing situation. Financial experts knew that making loans to hobos had never been a good idea in the past. On the other hand, past performance is no indication of future returns. Maybe this time would be different. Then history repeated and asshats stole your money. As a bonus, they even stole each other's money this time. You have to admire their thoroughness.One last thing you need to know: People who say it is a good time to invest are called bulls. The bulls are at the center of all financial problems. In summary, if you want to understand financial markets find a bull and look at his stool.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Agora numa versão mais aceitável

Não é excepcional. Deve no entanto reconhecer-se que, desde o David Fonseca até aqui, fizemos um extraordinário progresso. Falta alguma coisa, é certo. Porém, nestes tempos de crise, não é um mau incentivo.

Explicação do capitalismo

A rapariga é, de facto, muito gira. Contudo, dificilmente consigo imaginar um exercício de parolada ao nível desta monumentalidade. Imaginem um americano, de Nova Iorque, com um projecto musical onde surgisse em palco, de concertina e ferrinhos, cantando em português, entre prados e casa brancas - com saloias de saia rodada e cercas de porcos, em fundo -, vestido de campino, a trautear uma moda do Bomabrral? Bonito não é? Pois é.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Cesário e uma noite de inverno

Com atraso de vários dias, que posso dizer a quem pergunta pelo lugar de Marx?
Alguém escreveu que ele deve permanecer encerrado na gaveta, para sempre. Na verdade, talvez seja melhor fechar a gaveta, com chave e cadeado, não vá o livro dar em saltitar a meio da noite, levantando velhas questões, amarguras, coisas desagradáveis que a passado pertencem e que aí, na penumbra da nossa lenta e custosa ascensão, devem permanecer. Entretanto, na Grécia, começou o festim. Provavelmente, a culpa será de Marx. Minha também, claro. É tarde para especular sobre análise económica. Não quero sequer abrir um livro. Há ausências que são como invernos, escrevia aquele poeta inglês isabelino que Marx lia de cor às suas filhas nas noites geladas, batidas a vento, da velha city. Um outro indivíduo que se encontra encerrado na gaveta (e aí deve permanecer) é aquele jovem empregado do comércio, o senhor Verde. Quem melhor do que um especialista na exportação de frutas, (criadas com esmero na quinta de Linda a Pastora) e com escrita em dia, para tecer as últimas considerações deste dia.

«Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão-de acabar os bárbaros reais;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhais.»


Quanto mim, enquanto a turba passa e os cínicos levantam as suas muralhas, procuro, devagar e cuidadosamente, encerrar-me, na gaveta, para sempre.

"Quando as instituições não respondem, a política passa para a rua”

A Grécia está a ferro e fogo. Como diz Daniel Oliveira:

"Perante a falta de perspectivas políticas e económicas, a crise e a privatização crescente de todos os domínios da vida social o Estado perde a sua autoridade. E basta uma pequena faísca para se acender o rastilho. O que começou por ser um protesto de jovens anarquistas alargou-se a toda a sociedade. Nas ruas da Grécia já estão pessoas de todas as idades, os partidos da oposição e os sindicatos. Quando as instituições não respondem, a política passa para a rua. Não é matéria de opinião. É um facto de sempre".

"Perto de cinco mil trabalhadores estão já concentrados no centro da cidade. Por entre a multidão, sobressaem faixas e cartazes com palavras de ordem contra o Governo. “Os ricos devem pagar pela sua crise”, lia-se num dos cartazes."

É disto que falo há algum tempo. Do que é que estás à espera Portugal?

É em tudo uma imagem do pais

Deputados picaram o cartão e abandonaram o Parlamento

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Chocolates suiços para o Bento

Queria ter algo interessante para aqui escrever, mas não tenho. Principalmente falta de tempo. E de interesse também. Não sei como os outros (bloggers?) conseguem. Por isso vou-me embora. até amanha

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Clint Eastwood

Leio esta noticia e fico contente. Vamos poder lembrar este e outros grandes momentos. Um senhor.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Proposta para o problema da avaliação dos professores

Um duelo a três, numa das melhores cenas alguma vez feitas em cinema:



Escolham o titulo que se melhor adequa ao caro leitor:

O professor bom, o sindicalista mau e a ministra feia
ou
A ministra boa, o professor mau e o sindicalista feio
ou
O sindicalista bom, a ministra má e o professor feio

Já agora, vejam até ao fim. No final o bom diz ao feio, uma das melhores frases alguma vez ditas em cinema:

- Há dois tipos de homens. Os que tem armas carregadas e os que cavam.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Piada de muito mau gosto

Diz o Paulo Bento ao Quique Flores: give me five!

enfim eu avisei. Está de chuva. E dá-me para isto.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Tell me a story XI

Era uma vez um tipo que quando olhou para o relógio já perdia por 2-0. E cruzou os braços. Seria tudo mais fácil se não houvesse gente a jogar a bola, pensou. Depois em voz alta disse: isto já mete nojo. E ninguém lhe ligou. No final faltou tudo, menos a derrota.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Ah bom! se ele o garantiu então assim está bem

BPN: Dias Loureiro garantiu ao Presidente da República que não cometeu irregularidades
O Presidente da República avançou hoje que no encontro da noite passada com Dias Loureiro este lhe garantiu não ter cometido irregularidades nas funções empresariais que desempenhou em empresas ligadas ao grupo Banco Português de Negócios (BPN), considerando Cavaco Silva não ter qualquer razão para duvidar do conselheiro de Estado.

sábado, 22 de novembro de 2008

Serviço público by Maradona

O melhor post do ano. Aqui

Quanto ao conteudo do mesmo: Não tenham duvidas que o rapaz que diz "eu regressei para servir o meu País" vai chegar a ministro e mais tarde conselheiro de estado. Como o maradona diz, isto vai ser muito bom.

Já estamos derrotados caro Marx

Ainda este texto do senhor que escreve sobre Marx. Irrita-me esta forma de análise. Marx deu origem a regimes totalaristas e sanguinários diz ele. Posso assim pensar: em nome de Cristo e da evangelização dos povos brutos e mal intencionados matou-se milhares. A culpa é de Jesus. Deus supostamente também criou o homem. A culpa é dele. Que nos fez assim. Que mania esta de uns iluminados virem com ideias erradas e parvas. Penso no Greespan que admitiu que esta forma de capitalismo falhou. A culpa não é das teorias. Ao principio todas são boas. Basta definir umas constantes.
A culpa é algo humano. É a dos homens que as poem em practica. É isso que falha: o homem.
Há sempre alguém que pensa mais em si e acaba por levar outra fatia do bolo. Talvez a culpa disto tudo seja de Deus. Deixou-nos à margem. De errar e de engordar. Talvez.
Mas eu próprio não sei nada. Disto e de muitas mais coisas. Apenas sei que não culpo o Marx.

O boneco que realmente nao e tão fraquinho como o Zé Carlos

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Figuras de estilo

A Manuela Ferreira Leite devia ver este video (recordado de novo aqui no elogio):



e aprender novas figuras de estilo. Contudo concordo com o Ferreira Fernandes aqui. Exageros e motins apenas por frases mal colocadas/interpretadas. Valham-nos as derrotas. E mais uma vergonha que fica no esquecimento.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Mistérios da natureza II

«E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia». Manuela Ferreira Leite

Na casa do Toy: o orgulho de portugal

Well can I ask you about today

Por falar em concertos. O da semana passada. Os sigur ros foram grandes. Festivos com toque de bombos. Um final emotivo. Electrico. Fez-me lembrar o concerto de Maio. Aula Magna. The National. Iurd dos deprimidos. Caro Alf os coldplay ao pé destes são uns meninos. E que tal esta letra:

I won't fuck us over, I'm Mr. November
I'm Mr. November, I won't fuck us over
[repeat]




Ainda a derrota do Sporting

Comia feijão com orelha, e saboreava uma jeropiga quando soube da derrota frente ao Leixões. Do mal o menos.

O Sporting perdeu com o Leixões

E o JMT chama aqui a atenção a uma noticia escandalosa (não é a derrota do sporting) que ouvi a semana passada, e que aparentemente ninguém deu muita atenção. Mais uma vez a impunidade destes senhores chega ao vómito:

Há quatro anos, o administrador do Banco de Portugal Manuel Sebastião foi procurador do administrador do Banco Espírito Santo Manuel Pinho na compra de um prédio em Lisboa. Esse prédio era propriedade do Banco Espírito Santo, tendo Manuel Sebastião servido de intermediário numa compra entre o BES e um administrador do BES. Manda a boa prática que um administrador de um banco não se envolva em negócios pessoais com o próprio banco que administra. E manda a lei que o Banco de Portugal supervisione o funcionamento do Banco Espírito Santo. ... e os horrores continuam. Ide ler o resto.

Mistérios da natureza I

O porque de tanta importância dada nos media ao caso de uns jovens arruaceiros/bandidos de uma determinada claque que nem nome tem.

Vão lá ler o homem.

Limito-me a aceitá-lo e a dizer-me adeus, a despedir-me de mim já de mais longe, mais de tão longe do que pensei que viesse a ser possível, com bastante medo, o medo do costume mas que nunca pensei que fosse tanto, mas agora sólido, um medo tão sólido que quem quisesse, se quisesse mesmo, o tocaria.

Regressos

Estive lá. E foi muito bom. Agora o regresso à (a)normalidade. Até já.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Planos para o fim de semana

Vou só ali ao lado e tentar ir onde estes senhores vão. O tempo está bom. Não chove e faz frio. Promete. Bom fim de semana.

domingo, 9 de novembro de 2008

Caminhada Filosófica #3

Dia 29 de Novembro, no Parque de Monsanto (Lisboa). O Ser em Relação por Fátima Terra. Inscrições já abertas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Elogio da derrota


Seguindo o nosso guru blogosférico não podia deixar de me associar à homenagem e colocar aqui aquela que, sem dúvida, seria a melhor Presidente do Estados Unidos da América.

Obama

Naturalmente, esta era a melhor opção. Em todo o caso, e como o texto do Público ilustra, há no ar um tom de laudes que não deixa de ser assustador. É verdade que foi eleito um negro na Casa Branca. Mas, ouso dizer, será isso verdadeiramente importante? Não seria muito mais imoportante que fossem "eleitos" 6 ou 7 milhões de negros nas Universidades americanas. Caro leitor, não se agite. Não estou a ignorar a enorme importância, a médio prazo, no que diz respeito à construção de uma identidade mais plurar. O sistema de referência muda necessariamente, abrindo talvez o caminho da universidade aos tais 6 ou 7 milhões. O que quero dizer é que espero que esta hipnose não seja a preparação do caminho para uma ressurreição do império. Não esqueçamos que, com mais estupidez ou mais inteligência, ninguém nos representa. Era já tempo de saber isso.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A nacionalização do elogio da derrota

A crise mundial chegou aqui ao elogio da derrota. As visitas tem vindo a cair. Como estamos em maré de recuperação e nacionalizações, defini um projecto de larga escala de forma a aumentar as nossas visitas. Uma espécie de investimento público tipo TGV ou aeroporto. Consiste em palavras chave. Muitas. E de preferências que envolvam suecas. Assim lá vai: suecas TGV seios boazonas Zé Carlos massagens obama google socrates magalhaes gato fedorento chatos Coldplay e por ai fora (Alf quando escreveres novo texto refere no minimo 20 vezes as vantagens das suecas face aos problemas do mundo) A analise dos resultados segue dentro de dias.

Já não tenho palavras para tanto descaramento

«O objectivo não é confiscar tudo a quem errou e que deve ser punido por isso. Há que ser justo e proporcional», afirmou o vice-presidente da bancada socialista Afonso Candal, em relação aos banqueiros e às nacionalizações.

Abrir parentesis no tema do dia

Já agora, o Sporting está nos oitavos da Champions. E os comentadores da RTP não souberam ver que Izmailov foi o melhor em campo. De longe.

Este é o nosso tempo

"Esta eleição contou com muitas histórias que se irão contar durante várias gerações. Mas aquela que eu hoje trago comigo é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões que aguardaram vez para que a sua voz fosse ouvida nesta eleição, à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos", contou Obama."Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura; numa altura em que não havia carros nas estradas, nem aviões no céu; em que alguém como ela não podia votar por duas razões - porque ela era mulher e por causa da cor da sua pele"."E hoje, penso em tudo aquilo que ela viu ao longo do seu século de idade na América - as dores de cabeça e a esperança; a luta e o progresso; os tempos em que nos foi dito que não podíamos, e as pessoas que empurraram o credo adiante: 'yes we can'", reforçou Obama, lançando o repto para uma espécie de salmo, repetido pela audiência: "yes we can"."Quando havia desespero [...] e depressão em todo o país, ela viu uma nação conquistada pelo medo, com um New Deal, novos trabalhos, uma nova sensação de objectivo comum. 'Yes we can'"."Quando as bombas caíam no porto [Pearl Harbour] e a tirania ameaçou o mundo, ela era testemunha de uma geração que emergia à grandeza e de uma democracia era salva. 'Yes we can'"."Ela esteve lá para os autocarros em Montgomery, para as mangueiras em Birmingham, a ponte em Selma, e para um pregador de Atlanta que disse às pessoas que elas conseguiriam triunfar. 'Yes we can'"."Um homem tocou na lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação, 'Yes we can'"."E este ano, nesta eleição, ela tocou com o dedo no ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos de América, ao longo das melhores horas e das horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar. 'Yes we can'"."América, fizémos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há tanta coisa a fazer. Por isso, esta noite, vamos perguntar a nós próprios - se as nossas crianças viveram para ver o próximo século; se as minhas filhas tiverem a sorte de viverem tanto como a Ann Nixon Cooper, que mudança é que vão ver? Que progresso teremos nós feito?". "Esta é a nossa oportunidade de responder a essa pergunta. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo"

Hoje é o dia deste senhor

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Viva la vida

Mas esse agrupamento de que o Alf tanto aprecia também faz umas coisas giras:



Viva a vida, que um novo amanhã já se levanta e teremos (possivelmente) um futuro melhor.

Hoje

Parece que o Alf gosta de Coldplay. Faz bem. E lançou-me um desafio. Parece-me fácil. Mas este tema é como os discursos. Não os há conclusivos.



"Fitter, happier, more productive,
comfortable,
not drinking too much,
regular exercise at the gym
(3 days a week),
getting on better with your associate employee contemporaries
...
calm,
fitter,
healthier and more productive
a pig
in a cage
on antibiotics."

Outra opção e do mesmo album:



"A heart that's full up like a landfill,
a job that slowly kills you,
bruises that won't heal.
You look so tired-unhappy,
bring down the government,
they don't, they don't speak for us.
I'll take a quiet life,
a handshake of carbon monoxide,

with no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises"

Amanhã

Já tive mais certezas em relação do melhor candidato, mas espero acordar amanha com este senhor na casa branca:


Da semana passada

Varias coisas se passaram. Vi um documentario sobre o McCain. Passou mal o homem enquanto esteve preso. Mas não lhe dá mais hipoteses para merecer o lugar. Parece competente. Fui a um funeral. Chuvoso.
Vi um documentario sobre o Obama.A mãe dele só não conseguiu casar com um individuo branco. Devido a isto Obama cresceu num ambiente multi-cultural. Talvez esteja preparado para o que lhe espera. A certeza de que são os melhores candidatos dos ultimos anos de eleições americanas.

O nosso primeiro ministro andou a vender computadores. Fraquinho.

O Porto perdeu. O Sporting não.

Os militares fizeram uma ameaça directa à democracia e aparentemente niguém levou muito a sério. Parece que afinal os militares apenas poderão usar linguagem menos própria e adequada ao seu estatuto. Pena. Sempre queria ver de novo as chaimites de 74 na rua. Clássicos.

Manuela Ferreira disse umas anormalidades sobre o desemprego e o investimento publico. O silêncio é de ouro, dizem.

Já a iniciar a semana o BPN estourou. 700 milhões de euros de buraco. Mais uma vez gostaria/queria ver se alguem é preso ou julgado por isto. Eu pago.

Don't Panic

Claro que os caminhos da fama são insondáveis. E como negar os efeitos da ideologia, as famosas estruturas - a ideia de que os discursos nos dominam, nunca nós dominaremos os dicursos. Enquanto a discurssão prossegue aqui fica uma hipotética explicação. Canções que por vezes - a poder de ironia - tocam a intemporalidade que o humano inventa para ludibriar a sua própria historicidade.

Aqui fica o desafio lírico, neste momento iniciado: Binary Solo arranja lá uma letra Radiohead deste nível na equação clássica (densidade/simplicidade).

«Oh, we're sinking like stones,

All that we fought for,

All those places we've gone,

All of us are done for.

We live in a beautiful world»

Isto, de facto, e apesar de tudo, não é AnaFree.

Mission Impossible

O professor Miguel Cadilhe publicou em 2005 um pequeno volume intitulado O sobrepeso do estado em Portugal. O livro, apresentado pelo pai da explosão económico-cultural do (virtual) emagrecimento estatal, pode ser sintetizado nas seguintes declarações: «Era possível governar e avançar em todas as frentes? (Responde Miguel Cadilhe) A minha proposta é radical. É uma questão de escolha, de vontade política e de calendário. Não acredito em pequenos programas de reformas segmentadas. Isto só vai lá com uma redução de todo o funcionamento corrente do Estado/Administração Pública.
Isso quer dizer o quê? Que tem de olhar para todos os serviços da Administração Pública, desde a local à central, para todos: desde a Educação à Justiça, desde a Segurança Social à Segurança Pública, desde a Defesa à Saúde, desde a Administração Fiscal aos gabinetes ministeriais»

Isto quer dizer que o Estado em 2005 era não só pesado como sobrepesava. Mas sobre quem? É dificil responder. Uns dirão: pesava sobre a economia porque sendo a mais vigia de menos. Outros, por sua vez, replicarão: pesava sobre os empresários porque tributando a mais recebe de menos. De qualquer modo, o Professor Miguel Cadilhe tem toda a razão. Ainda ontem voltou a alertar os menos avisados: se o BPN prevaricou de quem é a culpa? Dos conselhos de Administração? Não. Dos accionistas? Não. Dos gestores comerciais? Não. Dos gestores de conta? Não. Da senhora da limpeza que vem de Cacilheiro a partir de Alhos Vedros limpar o chão às 7h00 da manhã com sonasol e ainda não investiu devidamente no team building domiciliando o seu ordenado em conta apropriada do BPN na módica quantia de quatrocentos e vinte e quatro euros? Sim. Perdão, não. A culpa, como não se cansa de lembrar o professor Miguel Cadilhe desde 2005 é do Estado que não zelou por uma regulação devida. A este propóstio ocorre-me uma outra história. O Zé da Taberna resolveu fazer um negócio com o Quim do Milharal. Nisto o Quim emprestou 30 euros ao Zé. O Zé pirou-se para o Tramagal e os 30 euros nunca mais ninguém os viu. O Quim deu em pensar de quem é a culpa. Depois de consultar os anciãos chegou a uma conclusão: a culpa é da polícia que não vigiou diligentemente a actividade diária do Quim, instalando na sua orelha um sonar. Convenhamos! Como é que o Estado - onde se inclui a diluição da responsabilidade individual - tão cara, carente, caríssima ao pensamento liberal -, Estado que nos últimos dez anos tem sido incentivado a expandir a sua área de actividade, e a quem foram dados todos os instrumentos de legitimidade económica para actuar de forma transparente no condicionamento das operações bancárias, pode deixar de ser culpado de todas estas urdiduras? O Estado não só é o único, o grande, o ignominioso culpado como é a própria culpa feita monstruosidade pecaminosa. Matemos o Estado defenestrando-o da ciência política. Longa vida aos Conselhos de Administração da economia privada (feitos com ministros do Estado) mas sem Estado. Portanto, com Estado, mas sem Estado. Não sei se me fiz entender...

sábado, 1 de novembro de 2008

Nem tudo o que pode ser contado conta, e nem tudo o que conta pode ser contado disse uma vez Einstein

Ao clicar no google notícias dou de caras com a seguinte expressão: «Público é facilitista». Isto a propósito do mais recente ranking das escolas secundárias. Claro que a frase, infelizmente, não passa de uma gralha. Na verdade, Couto dos Santos, antigo ministro da Educação, teria afirmado que a ecola pública é facilitista, não o Público, esse pobro jornal dirigido por José Manuel Fernandes. Eu, contudo, acho que seria mais apropriado manter a primeira versão: Público é facilitista. E é facilitista porquê? Porque baseia a análise de um dos mais complexos fenómenos do mundo moderno - a escola - num ranking rídiculo e feito à medida dos estabelecimentos privados. Não porque o cálculo das médias seja feito por mecanismos esotéricos mas porque a simples avaliação baseado numa média aritmética é a chave de ouro na estupifificação positivista do jornalismo português.
Eu, porém, tenho uma solução. Extinguir desde já a escola pública e nomear José Manuel Fernandes como líder de uma nova organização libertária: a escola de excelência desmultiplicada por alguns dos pontos fundamentais de liderança no ensino: S. Jão de Brito, Salesianos, Sagrado Coração de Maria, Mira-Rio, Mira-Sintra, Trio-Odemira, Escravas do Sagrado Coração de Maria, Excelsíssimo e Sacratíssimo Espírito Santo, os meninos do senhor, os meninos do senhor que manda, os meninos do senhor que ganha, os meninos do senhor que pode, etc. Ora estes centros - de excelência - lançariam os seus projectos educativos, de rigor e sucesso, por todo o país, deixando aos cidadãos - especialmente os do bairro do Cerco - a liberdade de se organizarem em novas celebrações da inovação, do conhecimento exigente, exigentíssimo - que digo eu - novas celebrações desse amanhã que canta - Greenspan, o mercado ainda há-de ser nosso.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Está frio e chove

É o outono que chega. Aqui por cima já se acende a lareira e o cobertor de noite aquece os pés. Mas não há melhor lugar. A serra ao longe espera. E sinto falta de um livro do Torga. Até breve.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

"O problema é, pois, político, e não económico."

Ler este artigo "A mentira dos mercados desregulados" por Nuno Garoupa.

"O problema é, pois, político, e não económico. A classe política, durante os últimos dez anos, conviveu, promoveu, defendeu (e em muito beneficiou) a captura da regulação pública por interesses privados. Que credibilidade pode ter agora? Como podemos acreditar que o "novo" Estado regulador não é mais do mesmo, se os personagens são exactamente e literalmente os mesmos? Muito provavelmente, os mesmos interesses políticos de sempre vão "re-regular" o que já está regulado, para favorecer os mesmos interesses económicos de sempre."

Do melhor que tenho lido. Via este senhor

Entretanto este outro senhor faz uma pergunta daquelas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

As coisas são assim. Os processos não tem fim

Apesar da pouca actividade aqui no blog, ainda estamos por aqui. Muito trabalho. Vidas por viver, internet à parte. Vou de férias uns dias, a ver se recupero o fôlego. Entretanto deixo-vos uma pérola. Contemporânea diria:



ps e não falei em futebol, já viram? estou a tentar fazer a cura do sporting de ontem. Afinal o homem que me fez os móveis era de Paço de Ferreira e eu achei-o uma boa pessoa. Enfim. Coisas. Até breve.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Agora sei porque é que ninguém anda dentro dos "limites" de velocidade

Hoje de manhã, antes de entrar na aula recebo um mail dum amigo que me contava um insólito (típico de um português) e que gostaria de partilhar com o caro leitor. Percebo, com o texto que se segue, o porquê da razão de eu e os amantes da velocidade, não respeitarem os "limites" de velocidade, nas estradas portuguesas. Afinal, quem anda a 180 Km por hora (nas auto-estradas) não está mais a andar à velocidade mínima, legalmente exigida a um condutor. Obviamente, percebo ( e o caro leitor também irá perceber) o porquê das marcas fazerem carros potentes ( até 1001 cv com 8000 cm3 como o buggatti veyron, que atinge os 407 km por hora). Ora essas marcas de automóveis não fazem mais do que "a sua obrigação", que é a de zelar pelo cumprimento das normas do código da estrada.
Aqui se segue o texto, de um episódio dum professor da minha "escola", o Instituto Superior Técnico. Parece ter sido verídico este acontecimento, e na minha opinião, este professor merecia uma estátua.

"Argumentação de um português que foi apanhado a 250 Km/h numa estrada onde o limite era de 70 Km/h.

Ex.mo Sr. Dr. Juiz,
Meretíssimo:
Confirmo que vi na estrada a marca de 70 em números negros inscritos num círculo vermelho, sem qualquer informação de unidades.
Ora, como sabe, a Lei de 4 de Julho de 1837 torna obrigatório em Portugal o sistema métrico, e o Decreto 65-501 de 3 de Maio de 1961, modificado de acordo com as directivas europeias, define, como unidade DE BASE LEGAL, as unidades do Sistema Internacional, SI. Poderá confirmar tudo no site do Governo.
Ora, no sistema SI, a unidade de comprimento é o "Metro", e a unidades de Tempo é o "Segundo". Torna-se portanto evidente que a unidade de Velocidade é o "Metro por Segundo". Não me passaria pela cabeça que o Ministério aplicasse uma unidade diferente.
Assim sendo, os 70 Metros por Segundo correspondem, exactamente a 252 Km/h. Ora a Polícia afirma que me cronometrou a 250 Km/h o que eu não contesto. Circulava portanto 2 Km/h abaixo do limite permitido.
Esperando a aceitação dos meus argumentos, de V. Exa.

António Nogueira"

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Na segunda de manhã

Foi giro de ver o zé carlos ontem com a sua dedicatória ao magalhães. Mais giro de ver foram os benfiquistas a rasca com um Penafiel valente da II divisão. Ainda mais giro foi a cara de alivio de Quique Flores quando aquilo acabou a bem para ele. Extraordinário mesmo é o besugo. Não me canso de dizer isto. Vão lá ler o homem.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Um verdadeiro elogia à nossa derrota

Estava aqui eu no meu computador, sem nada para fazer, a vaguear pelas páginas da net e deu-me a vontade de espreitar o Orçamento de Estado para 2009. Fiz o download, passei o indice e comecei a lê-lo vagamente (já que o mesmo tem 375 paginas e tenho mas é de estudar química- fica aqui o meu desabafo) e cheguei a um quadro-resumo na página 17 com as receitas e despesas do estado para o ano 2009. Fiquei impressionado até com a redução do défice, ou a sua possível redução dado a conjuntura económica que vivemos actualmente, com a crise financeira. Reparei que o nosso défice em 2009 será de 2.2%, o que corresponde a 3850.5 Milhões de Euros.
Não prestando muita atenção ao que vinha a seguir no quadro, já que não domino, ainda, os altos conceitos da "suprema ciência da gestão", vejo uma bela frase do texto que dizia e passo a citar: "O facto de termos colocado as contas públicas em ordem exige um elevado sentido de responsabilidade". Pelo menos até estou de acordo com a entidade que escreveu esta frase tão digna. Mas como sou um pouco céptico em relação a estas coisas e não tinha mais nada para fazer, voltei a reler e a tentar analisar mais detalhadamente o quadro e vejo uma coisa espantosa: Podemos ter um défice baixo, relativamente a anos anteriores, e não estou a desculpa ninguém, fazendo elogios ao trabalho orçamental do governo ao tentar reduzir o nosso défice, mas quando se vê que nós, o Estado, temos uma dívida pública de 111 176.9 Milhões de Euros que representa 64.0% do PIB e que queremos investir em certos projectos que, na minha opinião, não são necessários, no imediato e mais vale agora continuar sem comboios que andam a trezentos à hora e aviões a aterrar no "deserto". O importante seria pagar a nossa dívida que temos no estrangeiro para podermos, mais tarde, viver folgadamente, fazendo com que o Estado (nós todos) pague as suas dívidas e cumprindo com todas as suas obrigações, exigindo ao governo que não desculpe crimes fiscais, como vem uma notícia hoje no Jornal Metro (quando não há tempo para ir comprar o publico aqui ao quiosque perto da minha casa lá tenho de ler o gratuito no comboio pa Lisboa).
Enfim um verdadeiro elogio à nossa derrota, enquanto povo que não liga à discussão política.

Para o leitor interessado em ler o OE para 2009 deixo aqui o link
http://www.governo.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Ministerios/MF/Comunicacao/Programas_e_Dossiers/20081014_MEF_Doss_OE_2009.htm

Aos trinta já vemos os quarenta

Em jeito de repetição seguem palavras em jeito de parabéns:

Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio
Restauro-a
Dou-lhe um som para que ela fale por dentro
ilumino-a
Ela é um candeeiro sobre a minha mesa
Reunida numa forma comparada à lâmpada
A um zumbido calado momentaneamente em enxame
Ela não se come como as palavras inteiras
Mas devora-se a si mesma e restauro-a
A partir do vómito
Volto devagar a colocá-la na fome
Perco-a e recupero-a como o tempo da tristeza
Como um homem nadando para trás
E sou uma energia para ela
E ilumino-a

Daniel Faria
homens que são como lugares mal situados

Retratos de uma realidade

Desculpai a insistência em colocar videos e imagens. Não sei escrever basicamente. Falta-me a paciência dos Atlânticos e dos 5dias para escrever/discutir tudo o que se mexe. Tenho mais coisas para fazer diria. Lobo Xavier dizia a Pacheco Pereira que trabalhava e não era como ele que passava o dia a pensar. Talvez. Adiante. Seguem mais duas do Scott Adams. Mais um retrato de uma realidade bem perto de mim. De todos nós.



Dedicado a todos os criativos

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O debate de ontem entre Obama e McCain. Completo

Aqui

O post do dia

Daqui

Limito-me a dizer que isso não explica tudo, e que há o problema da demissão regulatória e da anarquia (fabricada, produzida, incentivada) dos mercados e dos operadores financeiros que ele omite completamente. Mas adiante.
O André, porém, não toca no que está nos bastidores da discussão – que são também as suas fundações.
Não há, da sua parte, sinal do reconhecimento que o “modelo americano” tantas vezes elogiado pelos Atlânticos contra os “velhos e esclerosados europeus”, aparentemente, não existe – era, parece, uma espécie de bolha, de mentira, ou de artifício.
Não há reconhecimento que, afinal de contas, o processo iniciado por Reagan de destruição da “América industrial” – ou seja, destruição dos sindicatos e consequente aumento das desigualdades - deixou o país sem capacidade exportadora, a consumir aquilo que não produz, e refém de um sector financeiro onde, até McCain admite, reina o mais puro greed e onde vale quase tudo.
Não há o reconhecimento que taxas de juro baixas e crédito fácil constituem a “galinha de ovos de ouro” do sector financeiro a quem tudo passou a ser permitido. Acabe-se com as primeiras e eu queria ver o que aconteceria ao segundo (daí o tal oportunismo “neo-liberal” deste tipo de críticas).
Não há o reconhecimento do facto de que a classe média e a classe trabalhadora americana, apesar do brutal aumento de produtividade que a economia americana registou nas ultimas décadas, têm ficado com uma ínfima parte desses ganhos, e que, por isso, para continuar a consumir o que a sociedade de consumo impõe, gastam o que não têm.
Sobre isto, nem uma palavra. Mas isto, afinal de contas, é o fundamental.

A capa do dia


De facto a culpa é de Scolari. Habituamo-nos a ver Portugal nos ultimos 5 anos a ganhar e a chegar a Europeus e Mundial com (relativa) facilidade, com resultados acima da média. Depois do jogo de ontem voltamos ao passado. Sofrivel para não dizer mais.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Shiny Happy People

Hoje ao ver as noticias da bolsa a subir, os rostos felizes dos investidores, da Euribor a descer, dos bancos confiantes, o novo orçamento do estado espectacular, os combustiveis a descer, recordei REM. Uma semana depois parece que o mundo não vai acabar e estamos todos de novo felizes e contentes.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Novamente os ciclos da história

Absolutamente delicioso. Bandeira ao vento regressou:

Há dois mil e seiscentos anos (tanto assim? Como o tempo passa), também em Atenas havia problemas de endividamento, e graves. Flagelados por um sem-número de contrariedades – más colheitas, pragas, aumento de taxas de juro, etc. –, os cidadãos não conseguiam pagar os seus ecrãs plasma gigantes e a taxa da Sport TV (ok, era mais os cereais e coisas assim) e viam-se reduzidos pelos seus credores à condição de escravos.

Temendo os episódios sanguinolentos e as competições de lira que sempre acompanhavam os períodos de ruptura na Grécia antiga, os atenienses, pobres como ricos, concordaram em pedir ao seu compatriota Sólon, um dos “sete sábios” da Antiguidade, que reformasse as leis da cidade e restaurasse por meios pacíficos a paz social. Sólon aceitou, mas impôs uma condição: por um período de dez anos, nenhuma das suas leis poderia ser alterada sem que antes lhe fosse pedido um parecer. Os atenienses acolheram com prazer a aparentemente inócua cláusula, e pelas costas riram-se muito e chamaram ao sábio “Sólon Freitas do Amaral”.

O legislador pôs mãos à obra e substituiu a maior parte das leis de Draco, que condenavam um grego à morte por cortar uma unha (ou a duas mortes por unha e meia), por outras mais humanas. Criou novas classes de censo baseadas na capacidade de produção agrícola e já não no nascimento. Proibiu a escravidão por dívidas. E, last but not least, simplesmente anulou todas as dívidas existentes à data – quem devia alguma coisa ficou a dever nada.

Os cidadãos escravizados foram libertados e ficaram contentes. As grandes famílias nobres perderam privilégios e ficaram possessas. Os pobres queriam mais direitos políticos e ficaram chateados. Os ricos ficaram um pouco menos ricos – e furiosos.

Então Sólon viajou para parte incerta por um período de dez anos.

No fundo temos todos a mesma ideia

Depois de ler os jornais de manha, com as noticias dos descalabros das bolsas mundiais, o crash financeiro, o empate do benfica, apenas me restam os REM:

It's the End Of The World As We Know It (And I feel Fine)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Anda um expectro pela Europa

Quem for dado como morto vive mais. Na qualidade de teórico activo e crítico, Karl Marx já foi dado como morto mais do que uma vez, mas sempre conseguiu escapar à morte histórica e teórica. Tal feito deve-se a um motivo: a teoria marxista só pode morrer em paz juntamente com o seu objecto, ou seja, com o modo de produção capitalista. Esse sistema social, que é "objectivamente" cínico, vomita exigências de comportamentos tão descaradas impostas aos seres humanos, produz ao lado de uma riqueza obscena e insípida uma pobreza em massa de tal dimensão, é marcado na sua dinâmica de cólera cega pelo potenciamento de catástrofes tão incríveis que a simples sobrexistência desse sistema necessita, inevitavelmente, de sempre fazer ressurgir temas e pensamentos de crítica radical. Por sua vez, o ponto essencial dessa crítica consiste na teoria crítica daquele Karl Marx que, há quase 150 anos, já analisara, sem ser superado, a lógica destrutiva do processo de acumulação capitalista em seus fundamentos.

Robert KURZ, Ler Marx (Marx Lesen), Frakfurt am Main, Eichborn, 2001

Carta aberta de um singelo porco a José Pacheco Pereira

Assistimos recentemente a um sobressalto das ideias sobre a blogosfera: António Costa (que nada de errado avista no caso das casas) e José Pacheco Pereira (mundialmente consagrada como o mais insultado bloguer), lançaram algumas críticas ao insulto anómino que grassa pelos blogues, seguido-se a requisitada reportagem no Público, onde se alertava para a irresponsabilidade dos Comentários insultuosos que nada trazem de «valor acrescentado» para a discussão pública. Pacheco Pereira lançou mesmo um número analítico: a blogosfera apenas se salva pelo 1% de conteúdos realmente interessantes (e com valor acrescentado) onde, certamente, teremos de incluir o Abrupto e alguns amigos mais. Entre outras valiosas contribuições, Pacheco Pereira resolveu rematar com uma frase de Sir Bernard Shaw, incluindo um porco, sujidade e pouca vontade de lutar. Parece que a blogosfera está cheia de pequenos e médios intelectuais (entre os quais tenho o prazer de me incluir) comparados nestas declarações ao porco que gosta de lutar, animal eternamente desprezado pelo cavaleiro de sua majestade a Rainha de Inglaterra. Pelo que um grande intelectual jamais deve lutar com o porco sob pena de: sujar as suas mãos nas imundícies que banham as viscosas peladuras do porco; dar um enorme prazer ao porco já que este encontra um delicioso prazer neste vil acto da luta. O homem superior, de qualidade racional, ponderada e vasta cultura, jamais deve perder tempo com micro-intelectuais (esses porcos do pensamento).

Como porco que sou, devo retornar agora ao meu curral a fim de prosseguir o meu micro-trabalho de produção de estrume, insulto e luta. No caminho deixo-vos uma outra frase de Bernard Shaw que não frequenta Abruptos, não mete porcos e não anda pelos lábios de grandes intelectuais.

«A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho livremente assalariado», Bernard Shaw

A técnica da táctica. Da derrota. Em forma de elogio

Uma reunião dos melhores posts sobre o que se passou ontem em alvalade por volta da hora do jantar. Uma azia. E a sensação de perda de tempo que fica.

Aqui, aqui e aqui.

domingo, 5 de outubro de 2008

Em directo

Cavaco discursa neste momento na comemoração de 5 de Outubro. Mário Lino dorme em directo na SIC Noticias. As mesmas banalidades deste dia. "Sejamos realistas" diz ele.

Em dia de festa, deixo-vos o psicadelismo dos Jefferson Airplane. Sempre ajuda a ouvir este discurso.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Humilde Contributo Para Um Rápido e Swingado Controlo dos Mercados Financeiros - Parte IV

O JPP no 5dias colocou este crash course para compreender os subprimes. Ajudava se os media explicassem assim:

O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifideu !

Viu… é muito simples…!!

Humilde Contributo Para Um Rápido e Swingado Controlo dos Mercados Financeiros - parte III

seguido de uma indicação populista e libertária para que o leitor experimente cantar trocando a expressão amor pela expressão dinheiro

Foi você que pediu a uma empresa de marketing para forjar em lume brando este putativo candidato a primeiro-ministro

«Para António Borges, o Governo deveria estar a tomar medidas que estimulassem os portugueses à poupança e a "construir uma situação financeira sólida"». Estas declarações do Vice-Presidente do PSD seguem uma linha raciocínio clara: «advertindo que os países mais vulneráveis pagam um spread mais alto, o dirigente social-democrata assegurou que o Estado português está a pagar "muito mais (do que outros) pela dívida externa"». Na verdade, estava mesmo convencido, tristemente vergado pelo peso da realidade, sobre o papel de instituições como a Goldman Sachs neste tipo de desiquilíbrios entre bancos de investimento, ricos e pobres, spreads e dinheiro fácil ou difícil, para utilizar a terminologia cara ao senhor engenheiro Miguel Botelho Moniz. Contudo, estive mergulhado numa grande ilusão que logo se desvaneceu perante a lição do Professor Catedrático da Universidade Católica.
Devo dizer que este regresso à realidade lança sobre a minha sombra uma profunda dívida perante o ilustre Catedrático. Como serviço de gratidão, pelo seu sacríficio ao serviço da coisa pública, deixo à consideração do leitor um excerto da entrevista conferida pelo próprio à Câmara de Comércio Luso-Britânica. Com efeito, as relações comerciais luso-britânicas, desde a guerra da restauração e dos acordos comerciais em troca do financiamento das tropas da coroa de Portugal, têm sido verdadeiramente uma fonte de enriquecimento para a nação. António Borges deve, sem dúvida, vampirizar (verbo muito útil, normalmente utilizado por Rita Ferro Rodrigues, esse colosso da entrevista) o governo socialista pelo desiquilíbrio das contas portuguesas. Neste tempo de angústias financeiras, e dúvidas legítimas, uma coisa é certa: se houvesse mais comércio com a Inglaterra estariamos todos, mas mesmo todos, mesmo a velhinha que vai agora plantar a couve no chão da aldeia de Pedregosa em Fornos de Algoudres, estariamos todos, dizia eu, muito mais ricos.
Há, portanto, que escutar quem sabe e sobe. Por uma proveitosa e jovial leitura aprendemos, entre outras lições essenciais para a condução da vida, o seu amor ao Alentejo. Habituado aos verões na região de Alter do Chão, o catedrático Borges confessa que só está à espera do dia em que se instalará, definitivamente, na sua herdade de 600 hectares, herdade que deve ser, sem margem para dúvida, um alfobre de postos de trabalho bem remunerados na produção de vinhos e outras iguarias alentejanas. Espera o professor e esperam todos os que amam esta terra portuguesa, impacientes para vê-lo na condução do tractor entre vinha americana e pero rabagão. Como diz o velho ditado: antes do tractor a condução do que perante o governo de calças na mão. Confessa, emocionado, o catedrático: «Não há nada de mais maravilhoso como um dia ao ar livre no Alentejo, com aquela paisagem, aquele cheiro, aquele ­ambiente». Ora aí estão as declarações de um homem que conhece o sabor/valor do trabalho duro, rigoroso e exigente, principalmente sob o sol de Julho.

Post inevitável II seguido de uma invocação patriótica da nação portista



Contra os canhões marchar, marchar

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Humilde Contributo Para Um Rápido e Swingado Controlo Dos Mercados Financeiros - Parte II

Este senhor é a nossa salvação. Atentem no CV. Há Nobels e tudo.

Adams' Rule of Obvious Calamities

"...And allow me to leave you with a pinch of optimism, just because I can. I call it Adams' Rule of Obvious Calamities. It states that any calamity that is foreseeable by the public at large won't turn out so bad after all. The best recent example was the Y2K problem, where computers worldwide were expected to fail. It seemed impossible that those issues could be resolved in time, but they were.

The problems that hit hardest are the ones that sneak up on you. Our current financial problem is big, but I expect a recession to be mild and even useful, precisely because so much human energy and attention is being focused on the fix."

As saudades, meu deus, que eu tenho desta mulher


«Acho que as próximas eleições americanas deveriam ser monitorizadas por entidades internacionais, como aconteceu no Haiti e no Iraque». Susan Sarandon em entrevista à Folha de São Paulo, 31 de Março de 2006

«O dinheiro de quem não dá é o trabalho de quem não tem» já dizia o velho Vinicius

Entre as várias descrições analíticas, dos últimos acontecimentos nos mercados financeiros, o prémio vai inteirinho para os têm vislumbrado uma estreita relação entre as turbulências financeiras e todos «aqueles que vivem acima das suas possibilidades». Vários têm sido os observadores a optar por esta leitura que pode ser resumida como uma disbunda da canalha e do pé-rapado à solta no Continente e nos stands de automóveis (logicamente, como mandam as regras do equilíbrio racionalista do homo economicus). Considere o caro leitor o post de Miguel Botelho Moniz no Insurgente (como estes nomes curiosos corroboram a grande flexibilidade da riqueza introduzida pelo mercado no tecido social português e a consquente liberdade de pensamento):

«“Fim do mundo da prosperidade” - O que acontece quando a realidade cai em cima de pessoas habituadas a dinheiro fácil criado pela expansão de crédito e que, por isso, vivem acima das suas capacidades». (O Insurgente, 1 de Outubro de 2008)


Finalmente uma síntese do problema. Lúcida, rigorosa, justiceira e clean. Na verdade, a conjunção entre as palavras «dinheiro» e «fácil» remete para uma densa cadeia (desculpem a alusão), não de capitalistas, uma vez que os não há nas cadeias portuguesas, mas de factores. O mercado é, com efeito, um sucedâneo do Deus de Israel. Quando os cidadãos prevaricam (agarrando-se a dinheiro fácil) a realidade cai-lhes em cima. É uma possibilidade para quem passa a viver acima das possibilidades. O dinheiro só deve ser fácil para quem já o tem e, portanto, dele não precisa. Para quem o não tem, nunca é demais lembrar que todos temos a ganhar em mantê-lo como sempre foi: difícil. É bonito, é justo, é eficaz. Note-se que segundo os varões do binómio mercado/liberdade existe uma estreita ligação entre a liberdade económica e a liberdade política. Logo, expansão do crédito, liberdade política para todos. Perdão, enganei-me no raciocínio. Expansão do crédito, liberdade política para o banqueiro que, por sua vez, empresta o dinheiro que lhe foi emprestado por outro banqueiro ainda mais libertado, sendo que a liberdade política se encontra neste momento em progressão aritmética mas já um pouco confusa quanto à natureza do último indivíduo, o tal gajo que vive acima das possiblidades, a quem vai estender a cama. A liberdade é, com efeito, fácil para quem tem dinheiro e difícil para quem precisa do crédito. Já não falo das Possibilidades porque devem ser umas tias provincianas que só cumprimentam os senhores da aldeia.
Clarificando. Sabemos que há dinheiro de dois tipos: há o fácil e o difícil. Só não estou a conseguir relacionar estas variáveis com a conjugação da palavra liberdade. Peço ao caro leitor que retome comigo o problema.

A questão do dinheiro fácil é que nem todos devemos ter dinheiro fácil. Se eu tiver dinheiro fácil o capitalismo é a libertação do indivíduo e a realização do seu ser moral, verbos que só um engenheiro como Botelho Moniz sabe conjugar na plenitude das sua possibilidades. Se houver uma generalização do dinheiro fácil, torna-se tudo mais difícil e a realidade cai-nos em cima ou, pelo menos, sobre aqueles que vivem acima das possibilidades. O que é justo e corrige assimetrias. Crédito fácil, vida difícil. Crédito difícil, vida ainda mais difícil. Perdão, desconcentrei-me outra vez. Talvez seja melhor concluir dizendo que Botelho Moniz acertou de facto no coração do problema.
Nisto, o meu gato salta para a secretáia e arremete: mas ó Moniz, o crédito não é uma coisa em que a gente paga cem vezes mais o que nos é emprestado? Não, respondo com paciência e bonomia, o crédito é uma instituição credível, regulada pelo mercado, que deve estar sujeita às leis da realidade: quem tem paga (ou o crédito ou o produto) quem não tem, não tem possibilidades de ter, nem de vir a ter, nem de vir a ter possibilidades de ter. Mas Alf - replica o meu gato - isso não colocaria em causa os fundamentos do capitalismo transformando-o num socialismo planificado e mascarado, conforme já escrevia o Galbraith nos anos sessenta? Este meu gato, que nem sequer tem rendimentos, agora deu nisto. Imprimi o post do Botelho Moniz e mandei-o ir estudar o caso.

Adiante. Viver acima das possibilidades decorre de um desacerto orçamental. Por exemplo: eu ganho uns milhares de euros para dirigir o departamento de uma empresa que desenvolve soluções integradas para criar, gerir e automatizar o acesso a informação crítica em todo o tipo de eventos. Tu ganhas 500 euros para limpar tabuleiros no centro comercial. Eu sou um indíviduo livre. Tu és um gajo que vive acima das possibilidades. Mas esta ralé de 1000 euros pra baixo queria televisões, casa própria e dvd. Olha, olha. Certinho e direitinho de casa pró trabalho e do trabalho pra casa ( e em transportes públicos a apertar a sardinha) que a produção de bens é só para quem tem possibilidades. Malandros.

P.S. Devo dizer que há outra pequena lei do funcionamento económico, mas um pouco mais desagradável, associdada ao fim do mundo da prosperidade, não ensinada em MBAs e cursos de gestão: é que, normalmente, quando a realidade cai em cima de pessoas habituadas a dinheiro fácil pela expansão do crédito e que, por isso, vivem acima das possibilidades, segue-se que umas quantas mocas saiem da dispensa e caiem na cabeça de alguém na mesma proporção de destruição conforme o número daqueles a quem a realidade caiu sobre a sua cabeça, mesmo que vivendo acima das possibilidades, pelo que, sem possibilidades ou com possibilidades, a realidade passa ser um pouco mais pesada e a liberdade política um pouco mais difícil.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

A seguir atentamente nos próximos dias

A Dieta Rochemback

Uma boa noite e até amanhã

Mudanças

Entretanto o Pedro Sales acabou com o ZdC e mudou-se para o Arrastão. E foi que soube desta escandaleira das casas municipais. Ouço as claques a cantar. Uma vergonha. Voçês são uma vergonha.

E o baile de bola que estes senhores levaram?

Diz o homem com grande sentido de humor: Jesualdo Ferreira: «Só perdemos três pontos»

O meu portista favorito já comentou. É para rir mesmo.

Que farás América quando tudo arder?

Obrigatório ler. O mestre António.

"...contou do hospital de crianças cancerosas onde trabalhou depois de voltar da guerra de Angola e de como nesse hospital se zangou com Deus, apesar de não ser um homem religioso. Estava lá um miúdo de cinco anos com leucemia, muito bonito, de olhos grandes e, na sua opinião, Deus não tem o direito de pôr uma criança a gritar por morfina. O rapaz morreu e vieram dois homens com uma maca, mas como o morto era muito pequeno, bastou um homem enrolá-lo num lençol e levá-lo ao colo pelo corredor, mas um pé da criança saiu do lençol e ele viu o pé afastar-se, balançando no ar.
- Nesse dia decidi: vou escrever para aquele pé.
Talvez já tenham visto uma plateia de nova-iorquinos, professores, académicos, leitores, intelectuais, as pessoas mais cosmopolitas do mundo, a engasgarem-se nas próprias salivas silenciosas."

Da semana passada

Estive ausente para balanço. Entre serras e caminhos. Onde me sinto bem. Entretanto o mundo continuou. Na américa mais um banco faliu. Cavaco tocou o sino, numa altura em que todo o mundo financeiro colapsa. A montanha pariu um rato. Dificil de engolir. Paul Newman morreu. Um senhor. Na memória "Cool hand luke" que vi por acaso na TV. São sempre surpresas. Especialmente a morte. A subida à Meadinha na Senhora da Peneda é penosa. Especialmente se a fizermos a descer. O Sporting perdeu, e caro Alf vai custar-me dizer isto: perdeu bem. É um elogio à derrota, pode-se assim dizer. Outras coisas se passaram. Umas mais importantes. Outras nem por isso. Passaram e mais nada. Ruy Belo morreu há 30 anos. "A morte é a verdade". Fica aqui um elogio meu, para os que continuam e esperam:



ps para os que foram ao nosso espectaculo, nao encontrei a musica original usada. mas esta acaba-se por adaptar. novos caminhos.

As saudades, meu deus, que eu tenho deste homem



Ora porra!
Então a imprensa portuguesa é
que é a imprensa portuguesa?
Então é esta merda que temos
que beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.
Álvaro de Campos

Humilde Contributo Para Um Rápido e Swingado Controlo Dos Mercados Financeiros

sábado, 27 de setembro de 2008

Post inevitável

Eu te saúdo outono punitivo
sinal desse silêncio que me não permite
desistir de cantar enquanto vivo
Que o vento a névoa a folha e sobretudo o chão
caibam dentro do espaço da minha canção
Ruy Belo


Tem havido comemorações. Ou, pelo menos, a intenção de comemorar os trinta anos da morte de Ruy Belo. Bombardas e charamelas pelas ruas de Lisboa. Só tem faltado a cruz do infante, ou a ordem de São Felisberto de Espada a Tiracolo. Santarém organizou uma exposição na Biblioteca Municipal. Sem dúvida que se aproximou do efeito. O céu, dizia Borges, deve ser uma espécie de livraria. Onde cada um de nós possuirá cartão desconto total e ilimitado, acrescentaria eu, uma vez que o tempo não está para confianças em fundos de investimento. Celebrar a morte de Ruy Belo? Se querem saber o que penso, não conheço ideia mais infeliz. Aliás, devo dizer que este assunto é bem a chave da compreensão de toda a poesia. O poema resulta numa terrível vingança de quem, meus caros, se fartou de levar porrada. Portanto, haveria agora que comemorar a morte desses malogrados espíritos, dessas condoídas personalidades, por meio de uma caridosa reparação da sua voz. Nada mais errado. É que os senhores leitores, mais os presidentes das comissões de festas, mais os ministros da República, mais os gestores das Sociedades comerciais (que às vezes lêem meio livro) cuidam que ainda estamos vivos! Haverá situação mais hilariantemente ridícula? Que ainda estamos vivos… E a comemorar os trinta anos da morte de Ruy Belo. Lamento ser eu o portador da mensagem mas alguém tem que sair de madrugada para recolher a lenha do inverno… nós é que estamos todos mortos, mais ano menos ano. Quanto ao poeta, continuará por aqui, ainda alguns séculos, a comemorar a nossa inútil vida.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Elogio do mercado (do Bulhão)

Muito haveria a discutir sobre a mais recente crise económica da história ocidental. Contudo, parafraseando o apresentador da Roda da Sorte, não temos tempo. Entre os historiadores é costume discutir-se o grau de cientificidade da sua disciplina profissional. Entre polémicas considerações há, no entanto, um largo consenso sobre uma matéria que aproveitaria tanto à blogosfera como ao mundo impresso da colunata opinius (acabei de inventar a expressão latina para conferir solenidade a este breve texto): o homem está condenado a não entender o seu próprio discurso - disse uma vez o velho Lourenço a propósito de um livro mal-amado de Foucault que, apesar do banzé, estou certo, ninguém leu. Aliás sobre livros não lidos julgo que As Palavras e as Coisas só é suplantado, se bem que com uma vantagem de envergonhar Lance Armstrong, pelo Capital de Marx. Não nos dispersemos. O homem está condenado a não entender os seus próprios discursos. Vem isto a propósito da sensação de vómito (belo efeito estilístico) que já não consigo disfarçar cada vez que se utilizam as expressões “mercado”, “Estado”, “público”, “privado”, “regulação”. Não deveria ser evidente - pelo menos para a população que não frequenta concertos do André Sardet, parafraseando Maradona, ou, se quisermos, concertos da Ana Free - que estes vocábulos possuem o mesmo rigor analítico de uma moca de Rio Maior com que se pretende atingir o interlucutor?

Consideremos a expressão “Estado”. Alguém, verdadeiramente, acredita que isto corresponda a qualquer coisa de efectivo e identificável como actor social? Porque não falar de gestores de empresas, fornecedores industriais, líderes de partidos, direcções gerais, ministros, direcções de informação das televisões, presidentes de associações sindicais, presidentes de associações comerciais? Talvez com estas expressões se explique alguma coisa.

Meu caro leitor: entre muitas perplexidades há uma que me angustia particularmente. Como casar ideias liberais e apologias do indivíduo com estas colectividades nebulosas (como o mercado) que dizem ser a base da nossa liberdade política?

E se os individualistas liberais começassem, finalmente, a falar do indivíduo e dos seus interesses particulares como coisa normal que, não sendo diabólica, deve ser clara e transparente. Talvez nesse dia se compreendessem muitas das contraditórias ideias sobre o mercado.

Devo dizer, de resto, que mercados só conheço o do Bulhão e o da Ribeira uma vez que, hoje em dia, compro tudo no Continente. Fui claro?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O liberalismo afectivo de Ana Free através da teoria do significado em Tony Carreira: um estudo comparativo

O funcionamento do mercado tem sido apontado por diversos comentadores como um factor facilitador de progresso. Com efeito, o progresso é assinalável em vários sectores da vida pública. Consideremos por exemplo a escrita de canções. A avalanche inspiradora dos artistas/publicitários, que todos os dias entra na sala de jantar via televisão pela mão da banca de retalho e dos operadores de telecomunicações, é sinal desta vanguarda libertadora da arte. Depois de quase ter sido aprisionada nas garras do marxismo (essa mentira elegante chamada neo-realismo) a arte surje finalmente, e apenas só, pela mão da própria arte. Claro que traz trela e coleira onde se pode ler Millenium, Zon, Optimus, Continente, Nike, SuperBock, além de um cheque de 5 000 euros no bolso. Mas isso que importa a espíritos verdadeiramente livres?
Ana Free e Tony Carreira merecem, a título de exemplo, não ser negligenciados pela crítica literária, enquanto casos deste novo-mundo onde o mercado democratizou o gosto (e também o paracetamol para acalmar a dor e o vómito, com a graça de Deus). O Elogio da Derrota não alinha em reacções e assume as suas responsabilidades, deixando à consideração dos leitores um estudo comparativo sobre a fulgurante novidade (qualitativa) dos artistas consagrados pelo mercado.

O texto de Tony Carreira, «Eu sem ti», lança-nos no verdadeiro universo da autocrítica althusseriana, não através do corte epistemológico da ciência marxista mas, desta feita, por meio da reconversão burguesa do afecto amoroso. A própria sintetização simbólica do título «Eu», onde se junta a ausência do sujeito amado (da sujeita, entenda-se, nada de más interpretações) «sem ti», revela-nos a precária existência do homem dominado pelo amor. A sensação de desorientação é, aliás, uma das marcas mais significativas da ausência de valores. Carreira recorre à ideia de luz numa sugestão imagética invulgar: a contraposição trevas/ luz, desorientação/ encontro. Quanto o poeta afirma «se não fosse a tua luz/ esse olhar que me conduz/ simplesmente eu era mais um caso perdido» fica patente uma associação entre o encontro com a amada, o passar do tempo e a mudança radical do valor conferido pelo poeta à sua própria pessoa. A celebração do reencontro com um projecto de vida transforma-se no verdadeiro mote de todo o texto. Sinal desta nova realidade é a repetição final do refrão. «Eu era», com acentuação longa na última sílaba onde o poeta sugere: «Eu era» mas já não sou. Como quem diz: eu era «um eterno vagabundo à tua espera» mas deixei de ser, talvez devido às maravilhas do subprime e da generosidade do crédito hipotecário. Portanto, ao sugerir a afirmação reflexiva «Eu era» é como se perguntasse retoricamente: quem era eu antes desse encontro com a luz? Seria um homem sem casa (um pequeno T2)? Ao que responde «um Inverno sem sinais de Primavera». A casa, por onde o sujeito poético deixou a vagabundagem, é a própria amada e ele uma nova Primavera talvez já com sinais do Verão. Com efeito, o leitor pergunta-se sub-repticiamente: Não eras o quê? Não era um caso perdido. Porém, todo o poeta, e Tony Carreira não deixa de o afirmar constantemente, vive sempre na iminência de se transformar num caso perdido. Eu, da minha parte, confesso que o sou há já muito tempo.

Por sua vez, Ana Free traz consigo toda uma galeria de sugestões poético-económicas. Na canção que confere profunda originalidade ao seu nome artístico, «Free», somos transportados para um carrocel de sensações só equiparável à turbulência dos mercados financeiros. «Spinning round /I never thought that I'd find you (no)/ Running round/ In circles, I try not to, not to (oh)». Repare o caro leitor na subtileza das interjeições (no) e (oh) como se o sujeito poético recusasse a dor de entalar o dedo na porta ou mesmo o toque desprevenido da sopa quente na língua. Através desta rica sugestão, ficamos a saber que rodopiar é uma das mais eficazes formas de encontrar alguma coisa, mesmo que seja apenas um poste ou um muro onde possamos bater com a cabeça («oh», «no»). Depois, temos uma aproximação à ideia Carreiriana do encontro-salvação, uma alegada influência cristológica onde o amado é comparado a uma «life-line» que permite reconfigurar o sentido da existência. Ana Free não nos recorda apenas que o encontro, depois de um bom rodopio, se pode associar ao alívio do maluco quando interrompe as cabeçadas na parede. «Now I see you show me what it means, to be free». Na verdade, o leitor pode constatar que o amado revela ao sujeito poético o que realmente significa ser livre: rodopiar, andar por aí, até encontrar um referente de sentido. A profundidade da sugestão remete para o linguistic turn dos anos oitenta, onde, finalmente, impulsionada pela «morte de Deus», nietzscheanamente informada pela superação da moral universal, a poeta reconhece o coração humano como único lugar passível de ser a forja das tábuas da lei. Ela demonstra, aliás, por meio desta invocação contraditória (liberdade/prisão) que o amado vem descodificar os sentidos ocultos das coisas (uma forma cristológica do logos grego salpicado pelos textos marxistas e revolucionários que pariu já coisas tão fabulosas como a teologia da libertação). Assim, ao invocar a necessidade de permanecer junto do amado, Ana Free mostra-nos, originalmente, diga-se, que o amor é um contraditório lugar de paradoxos. Repare o leitor na forma como, no refrão final, Ana Free associa a necessidade («I just need you beside me») com a sensação de liberdade («that's free») numa recontrução gramatical que pode também ser lida com uma dádiva (é de graça). Mais uma vez, a influência dos estudos económicos conferem novas cores ao universo metafórico:
«To be free, I need you close to me
Please don't leave when you complete me
Cuz I don't need to worry, it's so crazy how you change me
I just need you beside me, and that's free
I just need you beside me, and that's free yeah
I just need you beside me, and that's free
I just need you beside me, and that's free»

O amor apresenta-se como território de liberdade, conferindo sentido a todo o mundo real, sendo, de resto, de graça. Esta influência do liberalismo na produção dos significados vai revolucionar a literatura mundial. Para quê pagar aquilo que pode ser de graça?

Numa palavra: de envergonhar Camões.

Digo muitas vezes que isto só se resolve com metralhadora e confesso que tenho uma certa admiração pelo meu colega de profissão Che Guevara

O título que acaba de surpreender o caríssimo leitor resulta de declarações que o Elogio da Derrota deixa à consideração do Ministério da Administração Interna. Terão sido proferidas na Quinta da Fonte? Terão sido o resultado de ilegais mal adaptados à Península de Setúbal? Terão sido o desabafo de um radical bloquista animado por erva de fazer rir em pleno festival da Zambujeira? Terão sido o que ficou de um baile organizado pelo PCP no Grupo Recreactivo de Baleizão depois de três pipas de vinho tinto?
Não. Quem assim fala é Fernando Nobre, o Presidente da Assistência Médica Internacional. Como diria Pacheco Pereira, mais um populista preso na garras da demagogia. Portugal está perdido. Salvam-se os varões responsáveis e a credibilidade que voltou ao horizonte público pela mão da família Ferreira Leite. Um século depois aí está mais um "Dias Ferreira" cavalgando o governo e prometendo operar maravilhas.
E ainda há quem duvide das "estruturas".

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

o video parvo que faltava

A história do mendigo do Chiado

Sobre a calçada preta,
tu gritavas,
e gemias no erotismo do beijo;
E que quando escapavas,
pelo exotismo das ruelas,
da poesia do toque
todas as verdades piedosas dançavam,
e bailavam por entre a valsa do alívio,
porque se afastavam de mim
as tormentas do ser amado
Não por aquilo que esperava-mos eu ser
Mas sim, por apesar do que era
E assim
Todo este conto que me fazia mendigar
era o mais sincero dos diários
que fazia exultar o teu, todo, instante

domingo, 14 de setembro de 2008

Binary solo

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ps: ajuda na tradução aqui

I'm back

Depois de três semanas fora do país. Estou de volta. Com novo nome. A silly season está no seu fim e há que agitar as águas paradas por estas bandas. Até já.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O profeta de Nietzsche

Pastor que procureis no trigo
que geravas do caos?
Ceifar o que há do saber e do
conspurcar pelo que é digno?

Mas que saber existe
para a natureza do homem?
É preciso ser...
Ser o animal

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

It's not unusual

concordar com o maradona. O Tom Jones é um senhor.



Veja-se este também.

Os dias correm devagar

Lá fora o tempo está assim:

No fim de semana houve oportunidade de ver o sol e passear mais um pouco. Dar um salto à Estónia e conhecer Tallinn. A zona antiga da cidade de tempos medievais, mantêm-se quase intacta, e acabou por ser uma lufada de ar fresco neste cinzento frio de Helsínquia.

A análise ao país continua. A TV aqui também não presta. Há big brother e novela mexicana. Juro. E o canal de desporto passa a vida a mostrar corridas de cavalos (mais apostas presumo). Muitas mais semelhanças haverá. Sendo assim e se esta malta está rodeada do mesmo que nós, onde é que nós falhamos? A resposta poderá estar numa coisa simples: a honestidade das pessoas.
Falar de honestidade é falar de corrupção. Segundo esta organização que mede a corrupção nos países do mundo, a Finlândia está em número 1 (de O a 10 tem 9,4). Portugal surge na posição 28 (6,5). Vejam o estudo e tirem-se conclusões.

Entretanto apresento-vos o novo modelo da Nokia. 100% reciclável. :)