quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Contra o método


"Um devastador ataque às pretensões que a filosofia tem de legislar as práticas científicas."

Vejam lá se adivinham quem está a ler.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Olha a pólvora depois da guerra

Segundo parece nas campanhas não se discutem assuntos essenciais para o país e tenta-se desviar a atenção dos eleitores com assuntos tangenciais...

Quem diria?!

A ideia não é original mas ainda assim é lindo

Lembro-me de há algum tempo ter recebido um mail com um senhor que fazia figuras na areia e ter gostado muito daquilo.

Agora circula por aí o vídeo de uma senhora ucraniana que fez o mesmo num concurso de televisão e conseguiu por a audiência a chorar.

Não sendo eu ucraniano e sabendo muito pouco da cultura ucraniana decidi investigar um pouco mais para saber o que afinal tinha provocado tanta comoção às pessoas.

O que a senhora faz é relatar o lado ucraniano da segunda guerra mundial. Como aquilo destroçou famílias inteiras e como ainda hoje as feridas daquele tempo reverberam pelo seu país. Segundo parece as músicas que ela escolheu também ajudaram porque para além de serem praticamente hinos nacionais também sobre a mesma altura.

Não sendo eu um especialista nesta nova forma de arte não posso deixar de maravilhar com alguns momentos. A facilidade com que as figuras mudam, a facilidade com que ela cria um multidão no que parece ser menos de um segundo e outros pormenores deixam-me de boca aberta.

Em suma, gostei e deixo cá para que possam ver também.

Um pouco de física

Afinal porque é que as bolas de basket saltam tanto?



As expressões faciais a partir dos vinte segundos são priceless!

Dantes dava no canal 2



Assim em jeito de elogio da derrota e a preparar para o discurso de mais logo









Mais fotos absurdamente extraordinárias aqui



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Serviço público III

  1. Amanhã a montanha vai parir um rato.
  2. O Papa teve uma aranha a subir-lhe pelas vestes acima
  3. A RTP estreou dois ecrãs nunca antes vistos em Portugal
  4. E o Prof. Marcelo teve que sprintar para chegar à tempo para um directo.
Pois é, meus caros, para quem perdeu o Jornal da RTP1 cá estou eu pronto a transmitir as notícias que a todos nós interessam.

Não é preciso agradecerem-me.

Nada para Portugal. Ouçam só um bocadinho



muito bem apanhado pela JR

domingo, 27 de setembro de 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Eu cá consumo estes vídeos



Se isto é stand up porque é que eu não me estou a rir?

Para dizer a verdade por acaso até ri algumas vezes



O que é democracia

Eu cá acho que é passarmos quatro anos a ver os barcos a passar e depois sermos convocados a pôr uma cruzita num papelito.

Mas vejam quão democrático isto é que se por acaso colocarmos outro qualquer garatujo no lugar da cruzita ninguém se chateia connosco.

Realmente é cá de uma democracia que até me assusta lidar com tanta liberdade e poder de escolha.

Continuo a achar que existe aqui uma sub-valorização do conceito «pinga-amor»

E agora uma resposta

"Liberdade apenas para aqueles que apoiam um governo ou que são membros de um partido – por mais numerosos que eles possam ser – não é liberdade. Liberdade é sempre e exclusivamente liberdade para quem pensa diferente."

Estive quase a colocar aqui 42, mas no último instante um lampejo de sanidade apossou-se de mim e decidi colocar mais um pensamento não original.

Fica outra questão

O que tem a esquerda possível de esquerda?

Qual tragédia grega já ouço um coro de vozes: "A esquerda radical não tem monopólio sobre o significado político do conceito de esquerda!"
Claro que eu mando bugiar esse coro de vozes (sendo o exímio snob que sou) e digo que não responderam à minha questão...

Fica a questão

Se calhar não foi ler. Se calhar bastou-lhe pensar nas coisas...

Este andou a ler Naomi Klein

Claro que quem diz Naomi Klein diz sei lá mais quantos...

A angústia do comentador no momento das eleições

A análise pós-moderna diria que existe aqui um problema em torno da insistência nos conceitos «regra», «respeito» e «realidade». Além do mais, confirma também que Maquiavel circula atarantado pelos lábios dos especialistas em relações internacionais, ora invocado a propósito do pragmatismo amoral - a «real politik» de um alemão pseudo-romãntico de casaca e veia inchada no pescoço -, ora obnubilado a propósito da análise científica do real - em que perigosamente, Raposo desliza a todo o momento para o socialismo científico, espectro repugnante que, manifestamente, nunca conheceu o belo palácio neuronal de Raposo. Quando até um indíviduo com aparentes problemas de focagem ocular, como Peres Metello, termina um programa de debate citando o ensinamento bíblico colocado na boca de Pilatos, é triste ter de recordar pela enésima vez a Henrique Raposo que a verdade em política, e esse é o seu encanto, é uma questão tão concreta como a performance de Quim na baliza daquele clube popular de um bairro periférico de Lisboa: depende do resultado final.

A comida vista pela publicidade. Mas a realidade ultrapassa sempre a ficção



Mais aqui e aqui

A complexidade do Simplex

Um outro erro muito comum nos dias que correm é a busca da solução óptima para um determinado problema. O governo português, por exemplo, para resolver o problema da burocracia lançou o Simplex.

O simplex, fora da proganda do governo, é um método tipicamente utilizado para obter a solução óptima de problemas tais como: qual a quantidade de materiais a utilizar na fabricação de um producto, tal que maximiza o lucro. (Existem muitas condicionantes técnicas, mas esse não é um ponto relevante para a discussão). Dado o custo de cada material, a quantidade mínima necessária e a sua contribuição para a qualidade final, o método simplex faz umas continhas e dá cá para fora a solução óptima.

O problema está, tal como na teoria de jogos, na dificuldade em reduzir a números toda a complexidade da vida. Um exemplo. Quando Correia de Campos foi ministro da Saúde, tentou optimizar o funcionamento do SNS. Admitindo para simplificar que utilizou o método simplex, isto significa atribuir um valor a cada morte, a cada tipo de doença, o custo de um procedimento médico, etc. É perfeitamente razoável fazer este tipo exercício, mas novamente um ministro que utilizasse valores diferentes iria obter resultados distinctos. E ambos os resultados estariam correctos !

Note-se que é irrevelante o procedimento de optimização utilizado, porque o primeiro passo é comum a todos: reduzir a valores/custos a complexidade da vida. E é este passo que torna possível a obtenção de soluções diferentes para o mesmo problema. Ou por outras palavras, o problema da tomada de decisão não desapareceu, apenas foi varrida para debaixo do tapete.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

«De ferro e aço são as locomotivas que nos conduzem velozmente através da terra»




Motivos que não pretendo explicar levaram-me ao Barreiro. Um local onde a estranheza da paisagem se transforma na clareza de um estuário inundado por pequenos bancos de areia, moinhos em ruínas, renques de árvores distorcidas pelo vento, casas desordenadas onde assomam velhas de preto a experimentar com as mãos enrugadas a temperatura da atmosfera, restos de chaminés erguendo-se no espaço cinza, furando a espessura do céu com uma energia que, não sendo móvel, sugere movimento, levitação, a ressurreição das coisas subitamente imobilizadas, ou chaminés que são um altar para as cegonhas contemplarem a terra dos homens, e ao fundo paredes de betão como panos de cena de um teatro há muito abandonado. Devia lembrar agora qualquer coisa pertinente a propósito da mudança e da ruína. O problema é que o esquecimento sempre foi conveniente ao homem no sentido em que trava a assunção de uma ideia causadora de mal-estar. Mal-estar. Parece que no decorrer de 2666, Bolaño refere um sonho que inclui Yeltsin, a lei da oferta e da procura, e muitas reflexões sobre a natureza humana. A mim somente me ocorre uma aula repleta de alunos perante a fraseologia onírica de um filme alemão com referência a Lenine, acontecimento ordenando algures, entre os dias do ano que agora se precipita no seu fim. Parte dos meus antigos alunos levantou-se, então, e abandonou o filme, antes do final. Alguns, muitos, muitos mais do que esperava, aguardaram o final, que é como quem diz que entenderam o sentido das imagens sobre o funeral burlesco de uma mulher deslocada da realidade na sua relação de fidelidade com os outros, que é como quem diz que entenderam o sentido da morte. A morte é como a indústria, não falha e oferece instrumentos de clarividência que hierarquizam as sociedades. Haveria que estudar que relações de velovidade ligam a morte e a indústria. Hoje sabemos que a indústria do Barreiro se estabeleceu naquele local também por intermédio das facilidades de comunicação oferecida pela navegação do Tejo, pelos caminhos de ferro que, vindos da planície, aqui aportavam, despejando malas, ferramentas humanas. A indústria floresceu, animada pelo governo particularmente esclarecido, e providencial, de Salazar: «no âmbito dessa politica foi inaugurada em 1957 a Barragem do Maranhão, situada em Aviz (Portalegre)», local este, diga-se de passagem, onde me foi dado conhecer, pela primeira vez, as múltiplas sensações do vómito múltiplo por motivos que também não pretendo aqui explicar. Em todo o caso, a terra está marcada com os vestígios da indústria pesada: neste mesmo local produzia-se «Ácido Sulfúrico (vulgarmente conhecida por Contacto 6) com uma capacidade diária de 625 toneladas/dia.» Como pode ler-se aqui «a Administração da CUF sempre foi buscar ao estrangeiro o que de melhor e mais moderno havia, de forma a reduzir a sua poluição fabril, alias nos anos 60 a CUF dispunha de um sistema de controlo do ar na vila do Barreiro.» Aos senhores administradores o nosso muito obrigado. O caminho pedestre favorece a reflexão, isto se não nos ocorre suspender o pensamento por uns cavalos negros que correm por vezes na cabeça e dificultam a rapidez do raciocínio: parece que pára, o pensamento. Não parei de pensar, nem o caminho se tornou mais curto, pelo que é necessário referir também a violenta greve de 1943, o Barreiro invadido pela guarda, sendo decretado o recolher obrigatório; os portões da CUF fecharam por mais de um mês e foram despedidas dezenas de trabalhadores, perseguidos e presos os supostos cabecilhas que não conseguiram fugir». Por motivos que não pretendo agora explicar, é particularmente difícil habitar lugares onde o tempo não corre num sentido linear e o corpo se sente muito mais cansado do que seria de esperar.




2666 oportunidades de vir a morder a língua mas não será margaritas e acepipes a mais para um livro que tem dentro a natureza humana?

A teoria de jogos até nem é má pessoa

Aqui pedi para que escolhesse entre uma das duas alternativas. De acordo com a teoria de jogos, qualquer resposta é válida se e só se você escolher com a alternativa que mais prefere.

Ou por outras palavras, a teoria de jogos assume que os jogadores sabem a preferência relativa de cada uma das opções (basicamente, de qual é que gostam mais, de qual é que gostam menos, etc). A teoria assume também que os jogadores escolhem sempre a hipótese que mais preferem sobre todas as outras. Assim, se o Zé Manel preferir o aeroporto em detrimento do hospital, a teoria de jogos diz que o Zé Manel vai escolher construir o aeroporto e não o hospital.

Aqui chegados, é preciso fazer uma pausa e analisar as duas hipóteses que foram feitas. Começando pela segunda, é perfeitamente razoável assumir que os jogadores escolhem as opções de que gostam mais. No fundo é que isto a que a teoria de jogos chama de "jogador racional".

O problema está na primeira hipótese. Toda a complexidade do mundo foi reduzida ás preferências do jogador sobre as escolhas possíveis. Existem algumas restricções técnicas na definição formal de preferências (utilidade em teoria de jogos), mas no essencial é isto.

É claro de ver, que como ferramenta para explicar comportamentos humanos, a teoria de jogos é uma ferramenta útil nem que seja numa primeira abordagem. Efectivamente, é natural considerar que as pessoas têm preferências e que se decidem pelas escolhas que mais preferem.

Mas, e aqui é que a porca torce o rabo, como ferramenta de apoio á decisão a teoria de jogos deixa de ser tão interessante. Primeiro porque é extremamente limitativa no que respeita á forma como se definem preferências. Condensa toda complexidade da vida e do mundo num número (real, ainda por cima). E segundo, porque o caminho óbvio para a utilização da teoria de jogos consiste em manipular as preferências individuais para atingir determinados objectivos. Os típicos subsídios, incentivos, benefícios fiscais, etc que por aí pululam.

No entanto o problema principal corre mais fundo. Como é que uma teoria em que qualquer escolha é válida, dadas as preferências adequadas, pode servir para alguma coisa que não masturbações académicas ?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vamos jogar um joguinho

Aproveitando o entusiasmo pela teoria de jogos que tomou de assalto esta casa, proponho o seguinte jogo ao prezado leitor:

Suponha que o Presidente da Républica puxava dos galões e o convidava para ser o próximo primeiro-ministro do país. Mas como não há bela sem senão, o convite vinha com a seguinte condição: você tem que mandar fazer apenas uma e uma só das seguintes obras públicas,

a. Construir um hospital para o tratamento de crianças queimadas

b. Construir o novo aeroporto de Lisboa

Qual é a opção que você escolheria ?

Manuel Carvalho, aquele senhor que comenta coisas na RTPn: post com referência ao estilo de Manuel Machado

Decidi hoje mesmo iniciar um boicote formal ad eternum à compra do Jornal Público. É certo que o mesmo jornal se encontra, em regime de distribuição gratuita, naquela zona metalizada onde deslizam as compras nas caixas do Continente. Contudo, mesmo gratuitamente, nem a limpeza do rabo se oferece como gesto maximizador de recursos se efectuado a partir das possibilidades materiais disponibilizadas por um folha do Jornal Público. A última página, e isto a mero título de exemplo, costuma trazer uns indicadores de performance das mais variadas incidências, desde o Rato Mickey até ao PIB da Indonésia. Jorge Jesus recebe hoje um titubeante nem mais nem menos, que é como quem diz, assim assim. A avaliação é feita por um dos três (como a santíssima trindade) directores-adjuntos do Público, Manuel Carvalho, e justifica-se, segundo o alegado analista, pelas «enormes fragilidades» demonstradas no jogo benfiquista, apenas superadas devido a um «erro grave do árbitro». O mesmo Manuel Carvalho refere em editorial que «Louçã, sabe que, mais dia, menos dia, a ala pragmática e menos Lux do Bloco lhe imporá a sua vonta de governar». Ia eu a sair do Lux, depois de congeminar com Louçâ a forma como vamos depenar até ao último centavo, Belmiro de Azevedo, quando me ocorreu que talvez Jesus seja o Pedroto do Benfica, sendo que Jesus, o treinador do Benfica, não o salvador da Humanidade, parece ter muito mais cultura táctica, e muito menos vontade de partir os dentes a um seu irmão por motivos futebolísticos, do que Pedroto. Ninguém duvida, e eu menos que ninguém, que o jornalismo é um sub-produto da revolução burguesa, pelo que não existe neste post o mais pequeno ressentimento em relação a Manuel Carvalho. A questão da qualidade do jornal Público prende-se apenas com motivos de preferência racional na escolha de um player, moi, um indivíduo que julga ter chegado o tempo de trocar a leitura do Público pelo jornal A Bola, periódico que passou a ser a minha referência em matéria política. É que eu nunca gostei do Kostadinov, mesmo quando as vozes búlgaras – que é o outro nome daquele movimento de guinchos colectivos vindos do leste - passaram a ser música de referência e a dominar o mercado, tão difícil como saturado, da world music, sobretudo em épocas futebolísticas em que o Benfica apresentava uma probabilidade, digamos, gigantesca, de ganhar com perturbante facilidade, o campeonato português da mais popular das modalidades.

Tenho tanta pena de escritores (e leitores) que ainda acham que a literatura pretende explicar a vida humana e metê-la, espalmada, dentro de uma caixa


Diz lá Rui Santos como é que era aquela coisa da inadaptação a uma realidade competitiva muito mais exigente?


Novos heróis precisam-se

Depois de ter visto o Watchmen este fim de semana e de ler este grande texto do João Lopes (é só mais um na lista infindável que vem escrevendo ao longo dos tempos):

"Na agitação da campanha, não terá adquirido grande evidência uma notícia chocante do mundo do desporto: Nuno Ribeiro, vencedor da Volta a Portugal em Bicicleta, poderá vir a perder o seu título, já que uma análise indica que terá tomado substâncias interditas. Seja qual for a evolução do caso (o atleta solicitou uma contra-análise), a notícia vem reforçar um sentimento difuso de descrença colectiva: a fragilização dos laços sociais e simbólicos tem como espelho cruel uma paisagem mediática que, todos os dias, nos instala numa atitude de suspeita ou irrecuperável desilusão face ao comportamento de indivíduos e instituições.
Escusado será lembrar que a questão da transparência da vida colectiva emerge em muitas frentes dos actuais combates políticos. O que está em jogo é tão fundo e tão complexo que excede o problema (não secundário, como é óbvio) da percepção que temos da honestidade ou desonestidade deste ou daquele político, de um ou outro jornalista. É algo que coloca em jogo todos os factores, desde os legais até aos especificamente afectivos, que contribuem para o funcionamento da comunidade que somos.
Daí o sentimento paradoxal com que, pela minha parte, observo a proliferação de entrevistas aos principais líderes políticos nas televisões, rádios e jornais. Não que essas entrevistas sejam todas iguais. Nem pretendo sugerir que são dispensáveis. Acontece apenas que o espaço simbólico da informação mudou, a ponto de nos fazer ver a cena política como uma variação “séria” sobre o mundo frívolo dos “famosos”. E insisto: isso acontece independentemente das inegáveis qualidades de algumas das entrevistas citadas. Dir-se-ia que precisamos de novos protagonistas para além de políticos e “heróis” de telenovelas. Se possível, agradecemos também ciclistas em que possamos confiar."


estamos de facto à espera de novos heróis

África e as ajudas

Concordo com a maior parte do que aqui está dito.



A hipótese de agentes racionais encontra algumas dificuldades prácticas

Egipt spots flaw in wiping out pigs

Resumo: o governo egípcio tentou combater a gripe dos porcos, matando todos os porcos no país. O problema é que o lixo que os porcos comiam, agora não tem para onde ir.

domingo, 20 de setembro de 2009

Caro leitor tenha a certeza absoluta que este post nada tem a ver com teoria dos jogos. A sério que não tem! Sério

Toda a gente já sabe da gloriosa campanha do glorioso até então. Ainda assim parece-me bem fazer um pequeno resumo e daí extrair uma pequena conclusão.

No primeiro jogo marcaram 8 golos, no segundo jogo marcaram 4 golos, no terceiro jogo marcaram 2 golos. Qualquer pessoa minimamente racional faria neste ponto a previsão de que no próximo jogo marcaria apenas e só um golo. E tome qualquer pessoa minimamente racional como equivalente à dweebydoofus.

Pois bem e não é que hoje os desgraçados do Benfica decidiram marcar novamente dois golos e estragar o belo do padrão que até agora tinham estabelecido. Vê-se mesmo que foi só para lixar a minha grande metodologia científica.

Ps: Porque é que se diz teoria dos jogos e não teoria de jogos?

Que tal uma frase Kantiana mal qualificada de pós-moderna?

É tão comevedor ver Jornalistas de 40 anos a descobrirem que o jornalismo é política disfarçada de neutralidade medíocre

Provedor do 'Público' admite "agenda política oculta"

Alguém falou em deixar de falar em teoria dos jogos?

Acho que já chega de falar de teoria dos jogos!

O que é que vocês acham?

sábado, 19 de setembro de 2009

Alguém falou em teoria dos jogos? VIII

Alguém falou em teoria da teoria dos jogos? VII

Alguém falou em teoria dos jogos? VI


A fazer fé nas informações neuronais de Henrique Raposo até Liliana Queiróz perderia, num concurso de striptease, com Manuela Ferreira Leite

A tal avó retrógrada, Ferreira Leite, foi muito mais engraçada do que o modernaço, José Sócrates, no embate com Ricardo Araújo Pereira.A velhinha soube rir, e fez rir. Faltou acrescentar que a velhinha equilibrou três pratos com a testa, enquanto apresentava os números reais do verdadeiro facto económico mais relevante da história da humanidade que é o endividamento de Portugal, tendo tempo ainda para: 1) elaborar sobre credibilidade e constância no exercício de cargos políticos; 2) passar aos telespectadores duas receitas de bolo de noz com doce de abóbora; 3) exceder as aparições de Fátima no que toca ao profetismo catastrofista da esquerda radical e ainda piscar o olho aos indecisos enquanto contabilizava pelos dedos o número de asneiras governativas perpetradas pelo PS nos últimos 15 anos de governo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

E amanhã sempre é dia de limpar o pó.

Queria vir aqui falar-vos do debate que vi na quarta-feira entre os candidatos à Câmara Municipal de Oeiras. Entre um Isaltino aos gritos e insolente, a tia descolorada "não sou politica" e trago ideias "frescas", um oportunista com toques de primeiro-ministro, um velhinho da CDU e um miúdo nervoso com cara de miúdo nervoso, posso afirmar que venha o diabo e escolha. Eu bem tento prestar atenção e envolver-me mais, mas está difícil com gente assim. E o mais certo é o Isaltino ganhar de novo, o que é só mais um passo rumo ao abismo da incredibilidade em que a politica autarquica se tem afundado. Quanto a mim, o silêncio chama por mim. Com sons de sinos e serrotes. Bom fim de semana

Dumb fucks all over the world!

The babies born in Falluja look like frightening monsters because of Napalm and am stirring hatred. The treasury of Iraq has been looted with billions of dollars and am stirring hatred. The worship places have been desecrated and am stirring hatred. The schools, universities, libraries, museums emptied and destroyed and am stirring hatred. Millions of orphans with no one to look after them and am stirring hatred. Widows begging and am stirring hatred. Girls prostituting themselves and am stirring hatred....My home and my country gone and am stirring hatred...

Only psychopaths think like you do. And you are a nation of psychopaths. Emotional, mental, sexual psychopaths...you are even beyond numb. You are nothing, nada, rien, you are the absurd, you are beyond the absurd, you are beyond...beyond words...beyond qualifications, beyond adjectives, beyond...beyond...


Não meu caro, não são só os psicopatas que pensam assim. São aqueles que nada sabem e como tal estão cheios de certezas.

Alguém falou em teoria dos jogos? V


Alguém falou em teoria dos jogos? III

Ora, os problemas para os economistas começam neste ponto. Em muitos dos casos, dotados de alguma impreparação histórica (pelo menos que toca a períodos anteriores ao século XIX), tomam como racionalidade de escolha, uma racionalidade que não tem em conta a ponderação do meio-ambiente e a racionalidade intrínseca de factores que o iluminismo tomou - e se nos é permitido, muito bem - como irracionais, mas no contexto de uma luta espícifica: a revolução científica dos séculos XVII-XVIII levou a que, estrategicamente, se produzisse um saber agressivamente racional - o que quer dizer formalizado - para derrotar a espiritualização da organização social. Fora desse contexto, algo que Newton ou Voltaire entendiam, a racionalidade é um fenómeno auto-referencial. Isto implica que se abandone a ideia de que a produção de razão se faz de uma forma unívoca, como um oceano que nos envolve a todos beatificamente. Podemos então dizer que afirmar a maximização das vantagens como fruto da escolha racional é uma tautologia sem qualquer valor explicativa se não estivermos a par dos contextos específicos. Só à luz da situação concreta é possível identificar as vantagens, o que não deixa margem para elaborações essencialistas sobre a escolha em situações abstractas. Daí que já Aristóteles intuía a dimensão contingente de toda a ética. Da mesma forma, a leitura dessas vantagens depende não só do processamento da informação - conteúdos externos - mas também das estruturas internas da consciência. North esclareceu de forma cabal, neste caso, a importância das instituições na produção de “racionalidades”. Apontou para o valor positivo - no que toca à produção de um chão para a valoração dos elementos a escolher. Faltou porém clarificar que esta produção de racionalidade, que Foucault desenvolveu no âmbito da produção de sujeitos, i.e., da individualidade, é chave para a leitura das relações de poder que condicionam as escolhas que desde o século XVIII nos acostumámos a apelidar de económicas. Daí que seja necessário, para uma leitura das racionalidades económicas, encontrar as regularidades discursivas onde se produzem os sujeitos da acção.

Alguém falou em teoria dos jogos? IV

Sabemos (depois de Kuhn e da luta de afirmação dos paradigmas) que mesmo a história da razão é uma história de garras e de sangue, para utilizar a bela expressão de Tennyson, citado por Dawkins. O mesmo Dawkins aponta que a política de comportamento, mesmo que seja de algum aforma pré-condicionada, evoluí no seu sucesso individual em estreita relação com o que a maioria da população a que pertence fizer. Mesmo na economia, o evolucionismo institucionalista (HODGSON) tem apontado para a auto-organização e auto-referencialidade e a irreversibilidade dos sistema humanos». Deste forma, toda a racionalidade se processa de acordo com a posição relativa dos indíviduos no conflito social: a informação mais do que incompleta é, em muitos dos caso, incompleta porque serve sempre objectivos incompletos, ou, se quisermos, propósitos parciais. A subjectividade das percepções não decorre só da complexidade da motivação humana e dos problemas resultantes do processamento da informação. A história ficará sempre incompleta enquanto procurarmos uma teoria da instituição sancionada pela sociedade no sentido do equilíbrio ou da reducção dos custos de transação, teoria que continua a pressupor, apesar da assunção da informação incompleta, uma negociação pacífica, liberdade de acção entre actores, e equidade política e social, na sua acção, tudo embebido num contexto de produção de mercados quase perfeitos. Como vemos, a dominação, a guerra, a exploração e a mentira foram higienicamente defenestradas da teoria económica.

Alguém falou em teoria dos jogos? II

No que diz respeito aos fundamentos antropológicos da escolha racional, a investigação em biologia, e mesmo em genética, confirma a importância da replicação genética Darwinista, apontando, mesmo com o perigo de chocar os mais idealistas, para a ideia de humano como uma máquina de sobrevivência para os genes. O funcionamento do cérebro, a produção linguística, i.e., todo a maquinaria da escolha racional, são orientadas por este projecto de conservação. A argumentação é sólida e baseada em evidências empíricas. Acontece que o elemento fenotípico - aquilo que na biologia se associa à influência do meio na selecção genética - implica uma variante absolutamente decisiva: aquilo que a filosofia ocidental e as ciências humanas designaram como racionalidade é, precisamente, uma resposta relativa dessa máquina de sobreviência aos problemas colocados pelo meio e pela própria selecção adptativa dos humanos. Logo, a racionalidade implica aquilo a que podemos chamar um “critério de vantagens relativas” no que diz respeito à relação com o mundo exterior, com agravante deste critério ter uma relação circular com os processos internos da percepção, como amplamente tem demonstrado a neurociência.

Alguém falou em teoria dos jogos?

Como é evidente, a questão da racionalidade económica traz associada a galeria de problemas relacionadas com os condicionamentos da escolha. Não será possível lançar alguma claridade sobre o lamaçal teórico associado à teoria dos jogos, enquanto aplicação a situações concretas da vida real - isto é, a vida que implica análise teórica dos jogos do Benfica -, sem perceber como o problema da escolha tem sido erradamente colocado pela teoria económica - e, consequentemente pela historiografia económica - numa perspectiva de plena “racionalidade” individual. Aquilo que normalmente se opõe à racionalidade da escolha (a orientação da acção de acordo com a maximização das vantagens a obter de uma dada situação) assenta numa confusão entre maximização de vantagens e conhecimento racional. Supostamente, a ideia de racionalidade basea-se na teoria dos jogos e em complexos estudos comportamentais a partir de modelos matemáticos. Porém, ao contrário de biológos como Richard Dawkins ou Maynard Smith, que procuraram formalizar matematicamente a copiosa informação empírica recolhida em anos e anos de observação de animais, a teoria dos jogos desenvolveu modelos sem a devida correspondência em situações efectivas do mundo real. Como não há nada menos real do que o cerébro de um académico, nasceu a teoria dos jogos.

Quem está por Gaza?


Eu estou.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Claques

Os tipos do vai tudo abaixo tentaram fazer uma visita à campanha socialista em Setúbal.

Terminou tudo numa grande confusão, mas gostava de realçar o papel da Juventude Socialista que, de acordo com a notícia"recebeu instruções para cercar os dois actores com bandeiras e gritos de ordem". Mais á frente diz a notícia que:
"Neto e Falâncio estavam preparados. “Olhem as fábricas a fechar. Isto é bom para a luta. O desemprego a aumentar. A luta continua. Obrigada Sócrates pela precariedade”, gritava Neto no megafone, rompendo a barreira de som da JS, que à sua volta gritava “PS!PS!”"

Resumo da história: a JS está para o PS como os Super-Dragões estão para o FCP. Está linda a política em Portugal.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A robótica um embuste ? Mas qué tonteria señor Nelson

BBC, finais dos anos 60:



Willow Garage, 2009:



A diferença entre os dois ? O do Willow Garage custou uma pipada de massa e dois anos de desenvolvimento por uma equipa de +/- 50 doutorados e professores universitários de craveira mundial.

Para ser honesto, qualquer pessoa que tenha tentado pôr um robot a mexer sabe que é difícil. O robot no programa da BBC é aproveita a ignorância da época e o pessoal da Willow Garage tem muito mérito no que conseguiu. Só que isto é fraquinho comparado com o que se esperava de um robot já na década de 60.

ADENDA:

A ignorância científica dos nossos dias já não está limitada à população em geral, está bem enraizada na universidade: Robot Learns to Smile and Frown. Conhecimento das quatro relações de causa de Aristóteles evitava muitas afirmações disparatadas.

Não chega

Provavelmente a maioria concorda que as capacidades do intelecto humano são limitado. O poder dos computadores também, e bem mais que o humano como bem argumentou Jozeph Weizenbaum.

Ora se as capacidades do intelecto humano são limitados, a abordagem newtoniana para a política está condenada a falhar. Mas não chega, é necessário seguir o raciocínio até a sua inteira conclusão.

A inocência, há muito que a perdi

A pergunta que aqui faço não tem nada de inocente. Porque se a resposta for afirmativa, então as medidinhas de que falo aqui e aqui não fazem qualquer sentido. Isto porque, em teoria, se pode sempre conhecer o efeito de medidas arbitrariamente complexas. Ou dito de forma equivalente, está ao alcance do intelecto humano mexer nas "forças inter-pessoais" para produzir o efeito desejado.

É quase como ir de Lisboa ao Porto num ferrari sempre engatado em primeira. Não se faz uso das potencialidades da máquina.

Stand-up comedy Cavaco Silva style



"sinto uma atrapalhação". sem comentários

Por acaso até existe

Os gajos do 31 decidiram fazer um videozito com a premissa de pôr o Sócrates a debater as suas ideias.



Acho que já toda a gente sabe que os políticos (leia-se políticos do PS e do PSD, uma vez que para os restantes partidos políticos não tenho dados experimentais suficientes para tirar uma conclusão válida) dizem uma coisa na oposição e fazem outra coisa no governo.

O que é engraçado (pelo menos para mim) é que nesse vídeo Sócrates diz uma coisa que está errada: diz que não existe gelo quente (começa no 1:05 e acaba no 1:14). Meu caro engenheiro gelo quente existe sim senhora e nem é muito difícil de obter. Recomendo até que refaça a experiência descrita no seguinte vídeo com os seus filhos e assim até aproveita para lhes mostrar que há coisas muito mais engraçadas que o gato fedorento.

Newton is dead

Isaac Newton será a personagem dos últimos 500 anos que mais influência tem sobre a vida moderna. Não é exagero.

Newton mostrou que existe uma relação conceptualmente simples entre o estado de um sistema fechado (a posição e velocidade de cada planeta no sistema solar, por exemplo) e a dinâmica do sistema (a força gravítica que cada planeta exerce sobre os outros). A abordagem de Newton para explicar o movimento dos astros é absolutamente sedutora. É simples e mortalmente precisa. Não admira por isso que tenha sido seguida pelas restantes ciências, naturais e sociais. É quase impossível encontrar uma ciência ou área de estudo em que o procedimento de análise um sistema não seja (i) identificar o estado do sistema, (ii) identificar as forças externas e (iii) modelar a relação entre os dois primeiros.

Alguns exemplos. Em economia é frequente falar de agentes económicos (os "planetas" de Netwon) e incentivos (as forças). E em teoria de jogos, um dos grandes embustes da segunda metade do séc. XX, não se dá um passo sem primeiro definir a utilidade dos agentes (o estado do sistema) e as regras do jogo (as forças). Finalmente, na área da robótica móvel, o outro grande embuste, em que a noção de agente e sistema de decisão é quase castradora.

Apesar de todo o brilhantismo e elegância da abordagem proposta por Newton, podemos perguntar se é de aplicação universal. Será que, por exemplo, se pode aplicar a um país para decidir se os impostos podem aumentar/baixar ? Por outras palavras, é razoável analisar o país como um conglomerado de pessoas (partículas do sistema), as interacções entre as pessoas ("forças inter-pessoais") e a influência dos impostos nas "forças inter-pessoais" do sistema ?

Saem duas medidinhas para a mesa do canto

1. Fim de todas as isenções, subsídios, tenças e subvenções.

2. Apenas quatro impostos: IVA, IRS, IRC e IMI. O último é exclusivo das autarquias e parte dos outros três reverte a também a seu favor. Todos os impostos com uma taxa única e igual para todos. As empresas pagam apenas IRC sobre os lucros, os restantes são pagos pelos contribuintes individuais. Para efeitos de IRS, contam todos os rendimentos obtidos pelo contribuinte sendo que não são aceites pagamentos em géneros. Por exemplo as empresas não podem oferecer carro de serviço e/ou telemóvel pago, apenas acrescentar o valor correspondente ao salário total do trabalhador.

É simples, reduz a burocracia ao mínimo e todos sabemos quanto andamos a pagar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Não digam a ninguém...

...mas ando a ler umas coisas de filosofia...

A cada 5 minutos lá me torço todo , mas ainda assim resisto...

E para além disso estou a ler "História do Pensamento Económico"...

Acho que já passei do ponto de não retorno...

A liberdade de escolha

A grande vantagem da ADSE é que que permite ao paciente escolher aonde ser tratado. Esta vantagem não é de menosprezar. Imagine que apenas podia candidatar-se às universidades do distrito onde nasceu. Ou que apenas podia comprar nas lojas da sua rua. Ou que apenas podia casar com as raparigas do concelho. (Este exemplo não é assim tão absurdo e explica, em parte, porque é que numa aldeia portuguesa todos são primos e primas).

No SNS a coisa já não funciona assim tão simplesmente. É possível receber cuidados médicos fora da área de residência, mas é desincentivado. Consultas ? Fale com o seu o médico de família. Curativos e injecções ? Vá ao centro de saúde da área onde reside. Para além da parafernália de burocratas necessários para gerir todo sistema, tentando garantir uma cobertura "justa" de toda a população.

É assim que se perde a infância

Graças a este blog aqui nos chega um discurso impressionante de uma "criança" de nove anos.



"Venham todos ver como vivemos. Venham ver como perdemos tudo. Vivemos do nada, não temos camas nem cobertores, não temos água nem comida nem electricidade. Simplesmente não temos nada. É isto viver? É isto aceitável? Este é o cerco mais humilhante de sempre, o pior bloqueio da história."

Radiohead. Em homenagem ao ultimo soldado ingles da I guerra mundial



i am the only one that got through
the others died where ever they fell
it was an ambush
they came up from all sides
give your leaders each a gun and then let them fight it out themselves
i've seen devils coming up from the ground
i've seen hell upon this earth
the next will be chemical but they will never learn

Mais aqui

Asfixia estética: Henrique Raposo como contador de histórias.

As tardes de um cidade mediterrânica, como Lisboa, banhadas por uma luz, meio helénica, meio berbere, prestam-se às mais nefandas realizações do espírito, espirais desmaiadas de orientalismo, diatribes coléricas atravessadas por um latinismo tardo-decadentista. Em Lisboa cheira sempre a fim de império. Eça de Queiróz sabia disto, tanto mais que se pirou para Bristol para melhor poder amar a pátria. A neve que aqui falta, o frio que aqui não faz, não convidam o lisboeta ao estudo, muito menos ao génio. Para escrever é necessário ir em busca dos nevoeiros do norte. O calor adormece o espírito. O mesmo é dizer que convida à cerveja, ao tremoço e à crónica do Expresso. «Avô conta um história.» O avô - personagem de súbito introduzido neste texto por uma cambalhota fascista, cofiou o bigode numa velha cadeira de baloiço, pele de leão e pau-preto, trazida de Moçambique em 1976, após a independência - insultou os comunistas, jurou morte a Cunhal, Soares e Almeida Santos, era assim que iniciava todas as suas frases, e decidiu então elaborar, para o seu neto, uma parábola exemplar em que um protagonista - um jovem liberal, eivado de brilho intelectual e erudição, redobrando-se em textos eloquentes - vê as suas expectativas de liberdade desabarem no momento em que, pronto para comandar uma legião de descontentes com a asfixia democrática da pátria, um tirano, nascido na Serra da Estrela, usurpa o poder democrático semeando o desespero. O problema é que algo perturbava o espírito deste avô português de velha cepa. A história carecia de uma coerência interna, uma vez que naqueles dias de 2009, muitos anos antes desta tarde quente, em que avô e neto conversavam, um clube popular de Benfica iniciara uma imprevisível retoma exibicional, relegando para quinto plano, atrás da sardinha, do Tony Carreira, da Liliana Queiroz e do Gato Fedorento, as eleições legislativas que tinham como protagonista o tirano Sócrates. O neto estava interessado numa história. E esta era bela. Mas como articular o Futebol com a história da carochinha? Pensava o avô em possibilidades narrativas para despistar o elemento futebolístico: o herói, Henrique Raposo, um varão de honradas famílias, comandaria os liberais e derrotaria o chavista Sócrates ou, enamorado de uma romena que servia à mesa num bar da Madragoa, veria recusada a sua paixão (a romena fugira para a Suécia com um social-democrata, autarca de Mirandela, enriquecido por uma moscambilha de rotundas e malas com dinheiro), pelo que, Raposo, convertido ao islão marxista, emigraria para um mosteiro no deserto de Damasco. Nisto, o neto desinteressou-se totalmente da história, já que Fábio Coentrão acabava de fintar sete jogadores adversários, o fiscal de linha e dois apanha-bolas rematando depois, com estrondo, ao painel electónico do estádio. Ao que o avô, perturbado por aquela reviravolta nos interesses da criança, erguendo-se da cadeira, bradou com voz forte: «Vês Henrique? Este rapaz é de Vila do Conde, aquela terra onde os comunistas não ganham uma junta de fregueisa há cem anos!». «Agora não, avô. Afinal vou ler as obras completas de José Manuel Fernandes» respondeu o menino, retomando o seu interesse político, enquanto recolocava na boca a chupeta. O leitor interroga-se, neste momento, sobre esta estranha continuidade entre o Benfica de 2009 e o Benfica de 2049. É que o mundo tinha desaparecido num holocausto nuclear. A poeira radioactiva tinha exterminado tudo e todos, com excepção de Portugal e dos seus filhos queridos, bebés que, desde o nascimento, ostentavam um estranho interesse pela política da liberdade, preferindo ler Stuart Mill em vez da hora da mamada. Apenas as jogadas de Fábio Coentrão - conservado em gelo pelas novas tecnologias do tirano Sócrates - libertavam os petizes daquele estranho feitiço. O avô vivia numa profunda mágoa perante esta oscilação consciência inconsciência dos futuros varões da pátria. Quanto a Henrique Raposo, desapareceu nos confins do deserto Sírio, usando apenas um lenço palestiniano, segurando uma fotografia da sua amada emigrante e repetindo encolerizado: «Louçã é um Trotskista, Louçã é um Trotskista, Louçã é um Trotskista».

Delicioso!

Uma maneira democrática e divertida de olhar para a Matemática. Adorei!

Reparei que se passaram semanas sem falarmos mal do homem

Naquela que é provavelmente a pior coluna de opinião de portugal e arredores, HR "tenta" contar-nos uma história. Confesso que não a percebi. Ao contrário do autor, não sou literado e por isso não percebo escrita teológica-partidária. Salve-nos um comentário que diz tudo: "A parcialidade de Henrique Raposo é linearmente proporcional à sua falta de talento para contar estórias."

O sonho não devia comandar a vida

A julgar pela exigência de pureza a que são submetidos os políticos com ambições de poder, estou convencido que nem todos os santos passariam pelo crivo de pureza. E é preciso lembrar, nem Jesus Cristo concorreu para cargos públicos não fossem os adversários encontrar alguma nódoa.

A minha desilusão com a política não é devida à diferença entre as biografias de cada candidato, a oficial e as outras. A desilusão vem da forma como é feita a política em Portugal, que se resume a distribuir tachos pelos compadres. Preocupa-me bem mais o António Preto nas listas de deputado que os trocados que a sra. Leite foi buscar à banca.

Mas o problema essencial não está resolvido. Apesar de todo o meu liberalismo, não encontro forma de eliminar a necessidade de um governo. Assim fica o problema por resolver: não se pode viver com políticos, não se pode viver sem eles.

Uma potencial solução, mas bastante difícil de implementar, é a ideia de pequenas medidas. Por exemplo, no Portugal Contemporâneo foi proposto o alargamento da ADSE a toda a população. É um seguro de saúde bem gerido pelo Estado, funciona bem para os beneficiários e custa menos por pessoa que o SNS. E não custa nadinha a um governo fazê-lo, a estrutura e o conhecimento estão lá.

O chato das pequenas medidas é que não dão lugar a aberturas de jornais nem a sandes de leitão quando se inauguram auto-estradas. E obviamente, os benefícios poderão não ser colhidos a tempo das próximas eleições.

Post para lá de demagógico

O passado racista de Salvador Allende.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Post anti-demagógico

Alguém falou em 83 000 euros em salários?

Alguém pode elucidar o que faz uma Vogal do Conselho de Administração (não executivo) do Banco Santander de Negócios Portugal, S.A?


Só por causa das merdas aqui vai um post demagógico

A equipa do Ministério das Finanças liderada por Manuela Ferreira Leite, durante o Governo de Durão Barroso, concedeu o regime de neutralidade fiscal à reestruturação do Grupo Totta, que integrava os bancos Totta & Açores, Santander Portugal, Crédito Predial Português (CPP) e Foggia. A operação traduziu-se, segundo fonte conhecedora do processo, num benefício fiscal de "cerca de um milhão de euros."
A decisão consta de um despacho do então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Vasco Valdez, de 18 de Junho de 2004, um mês antes de Santana Lopes tomar posse como primeiro-ministro. Em Março de 2006, menos de dois anos após ter saído do Governo e antes dos três anos previstos na lei, Ferreira Leite era administradora não-executiva no Banco Santander de Negócios. Em 2007, ganhou quase 83 mil euros em salários. in
Correio da Manhã

Atrevo-me a dizer que este será o melhor post sobre as eleições. E do futebol português

Aqui

domingo, 13 de setembro de 2009

My two favourite canadians

Da confusão entre futebol e política

Os partidos políticos em Portugal são em tudo iguais às claques de futebol, excepto
no que talvez ainda não trafiquem droga e penso que também não andam com very-lights no
bolso. A política portuguesa, desde que começou a campanha, lá para os idos de Julho,
tem sido uma sequência imparável de cânticos mais ou menos abjectos louvando o chefe
do gang enquanto se calunia os restantes. Para quando a contractação da JuveLeo para
fazer marketing político ?

Eu estava bem como deputado na Assembleia da República

Ainda só vou na segunda posta e já cometi uma inverdade. Votei uma vez, e foi
para as legislativas em que o Guterres quase alcançou a maioria absoluta. Votei
no PCP, na altura liderado pelo saudoso Carlos Carvalhas e que actualmente deve
estar a congelar o rabiosque num qualquer gulag siberiano.

Who is John Galt ?

Nestas eleições não vou votar, como já vem sendo meu hábito desde que a
menina da Junta de Freguesia de Pombal me passou o cartão eleitoral. A razão é
obvia: não confio em nenhum dos putativos candidatos. E sem confiança entre
os cidadãos e os seus representantes, a democracia não pode funcionar.

Sinto-me como o cordeiro que está sentado à mesa com vários lobos, decidindo
o que comer. Escolha o que escolher, o cordeiro está perdido. E assim sendo,
recuso-me a brincar à democracia.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O debate Sócrates - MFL é já amanhã. Bom fim de semana

Vão mas é ler os Lusíadas

Uma das actividades mais emocionantes da actualidade, e todos sabem como eu gosto de fazer variações comportamentais aos padrões estéticos da actualidade, passa pela leitura exaustiva de críticas empíro-despretenciosas, mas repletas do sebo dos predestinados, em torno de calhamaços da autoria de cidadãos norte-americanos, há muito identificados pelos instrumentos da psiquiatria como tolinhos, excepção ao sumo-sacerdote Harold Bloom, e cuja exegese implica comentários a todas as formas de erudição semiológica, sem tirar o adestramento nos rankings da originalidade com frases do estilo «eu sou o único ser-vivo capaz de prescrutar os profundos significados ocultos na obra de Thomas Pynchon». Veja-se um exemplo, e desenvolvimentos anexos, neste texto exemplar. O problema é que isto implica que indíviduos como o Casanova, em vez de consagrarem o seu precioso tempo ao comentário dos impactos das tatuagens de Raul Meireles no índice de probabilidades do apuramento da selecção, se percam em exercícios pequeno-burgueses sobre os seus interesses pessoais, assunto que me interessa tanto como a probabilidade da marca de baton utilizada ontem por Manuela Ferreira Leite ter sido também utilizada por um electricista da Brandoa na marcação dos roços das caixas de derivação numa obra clandestina.

Já fiquei mas emocionado ao ver tinta a secar

Fora o ostracismo da MFL ao discurso ostracizante de PP a conversa de ontem foi a chatice que eu esperava.

Efeméride pequeno-burguesa (ando obcecado com esta palavra)

Há alguns anos, um desastre de automóvel veio interromper o esforço criativo de um estudante de medicina autor das seguintes ideias: «Eu defendo que o difícil é trabalhar o simples sem dar cabo dele. Complicar e baralhar é bastante mais fácil». Nessa época o Sistema Nacional de Saúde era ainda, e quase exclusivamente, responsável pelos cuidados médicos, o que possibilitava aos jovens terapeutas desenvolver actividade paralelas, fossem as teclas ou o golfe, embora isto não esteja de forma alguma relacionado com os problemas estéticos que procuro aqui abordar. Na verdade, todo o problema (que não tarderei muito a revelar) foi-me suscitado pelo título do mais recente «Projecto» no panorama musical português: «Amália, Hoje». Ficamos sem saber porque razão Amália, Hoje, é necessariamente diferente de Amália, Ontem. Isto deve significar que a utilização do vocábulo «Hoje» implica uma suposta actualização, entenda-se aqui actualização como a introdução de variações pseudo-modernizadoras por via de cornucópias electrónicas que sintetizam a versão analfabeta de um arranjo erudito para orquestra sinfónica, o que, diga-se de passagem, significaria, se talento houvesse para tanto, uma incursão nos anos 40, 50, resultando toda esta cambalhota num Amália, antes de Ontem. O problema é que Amália não compôs a música que interpretava, o que me leva a considerar que a suposta actualização incide sobre a interpretação vocal da fadista levada a cabo por Sónia Tavares. Como esta hipótese tem tanta verosimilhança como a utilização de Pepe a trinco, só pode conceber-se que Amália, Hoje, significa a necessidade de se ouvir Amália pela enésima vez, isto se descontarmos as seiscentas e cinquenta e sete Marizas que entretanto medraram no território nacional, com ou sem apoio estatal, o que inevitavelmente nos devolve à conclusão de que difícil é não baralhar e construir uma carreira «artística» sem baixar as calças à rentabilidade do mercado, isto se não formos interrompidos, meu caro Sebald, por um elegante acidente de automóvel .

Onze de Setembro

Onze de Setembro será para sempre uma data fatídica para todos aqueles que amam a Liberdade. Nesse dia o mundo viu o que são capazes os brutos quando querem tomar para si o poder. Nesse dia o mundo viu que vidas inocentes pouco contam.

A onze de Setembro de 1973 caiu o governo de Salvador Allende.


Um marxista que havia sido eleito democraticamente. Um marxista que lutou pela equidade, pela justiça, pela liberdade. Um marxista que cometeu dois erros: ser marxista, e de facto ser pelo povo.

Claro que maus exemplos desses não podiam ser tolerados pelos EUA. Democracia?! Direitos?! Verdade?! Nada disso não senhor. Um país pequeno começava a levantar-se. E horror dos horrores, fazia-o seguindo políticas de uma ideologia que não se podia ter quanto mais pôr em prática. E ainda por cima parecia estar a resultar nos primeiros tempos. A pobreza diminuía. As diferenças culturais e económicas esbatiam-se. A educação aumentava...

"Nada disso!" disse o Tio Sam. "Temos que tomar medidas. Este bom exemplo deve ser parado"

A CIa meteu mãos à obra. Quem não acredita só tem que ler isto. Deixo aqui alguns excertos no entanto:
"From 1970 to 1973, the United States government was involved in overt and covert actions against the elected government of Chile led by Marxist Salvador Allende. Unfolding events during these politically tumultuous years included the death of Chilean Minister of Defense René Schneider in October 1970 This study focuses on CIA covert action during the six weeks following Allende’s victory at the polls in mid-September 1970. Undeterred by the voters’ preference, President Richard Nixon delivered a clear and forceful Directive calling for expanded CIA operations in Chile. In the weeks between Allende’s election and his inauguration planned for 3 November, the CIA actively sought to foment a coup in Chile. Washington was unequivocal about its desire to keep Allende from power. “Nixon was furious” and was convinced that an Allende presidency would ensure the spread of Cuban President Fidel Castro’s communist revolution to Chile and the rest of Latin America. [4] He wanted to prevent Allende from being inaugurated. The message he delivered at the meeting reflected his anger. The handwritten minutes taken by DCI Helms are revealing: One in 10 chance, perhaps, but save Chile: Worth Spending Not concerned risks involved No involvement of Embassy $10,000,000 available, more if necessary full-time job—best men we have game plan make the economy scream 48 hours plan of action. As time went on, Track I expanded to encompass a wide range of political, diplomatic, psychological, and economic policies, as well as covert operations designed to bring about the conditions that would encourage Chileans to stage a coup. The parallel secret approach of Track II involved more direct efforts to prompt Chileans to stage an immediate coup. Both paths aimed at the same policy objective—the removal of Allende—but they differed in their approach, means, and timing. With marching orders from the White House, the CIA sent four “false-flag” officers to Chile, starting on 27 September. [11] They were to get in touch with Chilean military personnel, a task considered too hot for locally based CIA personnel. [12] With the assistance of these false-flag officers, the CIA made 21 contacts with officers in both the military and the Carabineros (the Chilean national police) from 5 to 20 October 1970. When contacted, “Those Chileans who were inclined to stage a coup were given assurances of strong support at the highest levels of the US government . . . .” By 14 October, the CIA had learned that the Viaux group had decided that the best way for them to trigger a coup was to kidnap Gen. Schneider and remove him from Chile. [56] This would convince the Chilean military that chaos was just around the corner and, therefore, they should prevent Allende from taking power. By assuming power themselves to quell the “chaos,” they could open the way—under Chilean constitutional law—for new elections, which, it was assumed, Eduardo Frei would win. The kidnapping, the CIA learned, was set for 17 October “between 0200–0700.” Schneider was shot by the attackers, who were part of Viaux’s gang. He died on the operating table on 25 October. The shooting occurred just 48 hours before Allende was to be confirmed in a congressional vote. After the shooting, there was confusion among the CIA officers in Santiago, as well as a degree of hope. They were not entirely sure who had launched the attack, and whether it was a kidnapping attempt or an assassination attempt. They hoped that the action was the beginning of a move against Allende, but there was no evidence that this was going to occur."

Ou seja desde o princípio que um governo socialista era altamente indesejado nas altas esferas de Washington, assim como a associação com raptores e assassinos não faziam a menor confusão. Para além deste meios convém ainda notar a directiva "make the economy scream". Sim não queriam só amedrontar as pessoas também queria que o sistema socialista falhasse para que as pessoas se revoltassem.

Quem sabe dos acontecimentos que se seguiram, sabe que de facto a economia gritou e que as pessoas se revoltaram. O plano finalmente começava a fruir.

Allende era atacado dos dois lados. De um lado porque era demasiado socialista do outro porque não era socialista o suficiente.

As agruras vão aumentando, o descontentamento vai aumentando e a onze de Setembro o caldo de facto é entornado. O regime socialista é derrubado, Allende morre (até hoje não se sabe bem de que maneira) e um regime favorável aos interesses do Tio Sam é finalmente instaurado.

Que importa as torturas? Que importa os desaparecimentos? Que importa as execuções sumárias? Que importa se deixou de haver liberdade? Nada disso importa uma vez que o Tio Sam teve o seu quinhão.





E mais isto e isto.

Os anos foram passando e a foreign policy dos EUA não mostrava sinal de abrandar. Se eram socialistas ou estavam em vias de o ser havia duas soluções: ou se financiava um golpe de estado, ou se invadia o país. E isto acontecia quer com presidentes democratas, quer com presidentes republicanos.

A revolta pelo dito terceiro mundo ia crescendo. Fundamentalismos iam crescendo. E no entanto a matança continuava. O treino, financiamento e apoio de entidades claramente não democráticas continuava desde que pudesse ser do interesse dos EUA.

Ouçamos por exemplo o que Ronald Reagan tem a dizer:



Pois é meus caros. Os mujahideen eram vistos como "Men's highest aspirations for freedom". Sim os mujahideen, cujo fundamentalismo islâmico era grandemente exacerbado (fora o armamento, treino e dinheiro) porque servia os interesses da altura (e é por estas alturas que se deve dizer olá ao Osama bin Laden). E deve dizer-se também, uma vez que é verdade, que a invasão da União Soviética ao Afeganistão foi provocada pelos EUA. Mas isso não interessa. Seja como for, em 1988/1989 fartos do seu Vietnam (e só isto daria não sei quantos livros) os Soviéticos decidiram retirar-se.





O pais mergulhou na miséria. Total, absoluta e desumana. Um governo fantoche foi colocado pelos EUA e vejam lá se adivinham quem ficou a ganhar. De certeza que não foi o povo afegão: senhores da guerra batalhavam por controlo, a economia estava em ruínas, a sociedade estava em ruínas, a guerra civil não tinha fim. Em suma, não havia nem lei, nem ordem nem humanidade.

Mas houve efeitos colaterais. Os mujahideen começaram a pensar: "Acabamos de expulsar um povo invasor, infiel e inferior; mas o que são os EUA? Não serão também eles invasores e exploradores de países como a Arábia Saudita e o Egipto? Não são tambem eles infiéis e inimigos jurados ao Corão?"

Eis que surgem os taliban. Os "estudantes" por assim dizer. Fruto directíssimo do financiamento dos EUA, Reino Unido e sabe-se lá quem mais. Tal e qual como a maior parte dos soldados do Khmer Vermelho eram jovens, orfãos e frutos da guerra. Jovens treinados em ideologias extremistas em ambientes extremos. E tal como no Camboja o povo adorou-os. Eles vinha trazer tudo de bom que aquele país ansiava há tanto tempo. Iam trazer um fim à guerra civil, à miséria, às mortes, às perseguições, aos orfãos, às mães sem filhos, às mulheres sem maridos. Em 1996 o seu poder é consolidado e começam logo a por em prática, novamente tal e qual como Khmer Vermelho, a sua versão altamente refinada de uma ideologia que já de si era extrema. Não há danças, não há educação para as mulheres, não há mais tentações ocidentais, fora outros abusos.

E o que fez o mundo: calou-se. O que fez o maior amante da liberdade e democracia que por aí anda: calou-se? Não, meus caros. Financiou-os. Sim, dinheiro fluiu para os taliban e saiu do povo americano. E sabem porquê? Planos futuros de exploração de petróleo (tal e qual como já os havia no regime ditatorial da Árabia Saudita)

A história foi evoluindo e deu nisto:



Inocentes morreram, tal e qual como no outro onze de Setembro, tal e qual como no Afeganistão, e o mundo ficou um local pior.
Por todo o lado regimes que já não eram nada simpáticos ficaram piores. Duas guerras de grandíssimas proporções seguiram-se. Violações de direitos humanos com a desculpa que se está a combater o terrorismo foram efectuadas um pouco por toda a parte.

Convém saber que o onze de Setembro de 2001 começou logo após o final da Segunda Guerra Mundial.

Convém honrar os heróis do onze de Setembro de 2001.

Convém também chorar as vítimas do onze de Setembro de 2001, mas convém ainda mais saber que a maior parte delas não estava nem em Nova Iorque, nem no Pentágono, nem na Pennsylvania.

Já nem me lembrava. O tempo apaga marcas.

É de manhã que se começa a rir. Esta e outras mais no mesmo texto.

"Mas, a melhor parte foi quando o Zézito, que não falou da família, vá-se lá saber porquê, começou a tentar recitar o "Isto" do Fernando Pessoa e ficou ali encravado em dois versos. Parecia o windows vista a trabalhar nos computadores da Junta de Freguesia de S. Mamede"

Aquilo que já ando à espera há muito tempo

"Mas seria excelente que os blogues conseguissem acrescentar qualquer coisa à política"

Entretanto dou as boas vindas ao nosso novo derrotado. “Morituri te salutant”

Homenagem ao Poeta que regressa à sua Terra

Hoje fico-se a saber da transladação dos restos mortais de Jorge de Sena para a sua Pátria. Aqui deixo, ao caro leito, um poema deste grande escritor que por fim regressa a casa.

O REGRESSO

Como este fósforo que acendo para subir as escadas
da casa onde nasci, cujos degraus não conheço
hoje, nem conhecerei nunca, embora às vezes,
o luar, um automóvel, que passa os adivinhem,
é quanta assim verdade, quanta fantasia -
pode o sol desdobrar os campos, as crianças rirem,
as mães esperarem, e as catedrais, os templos -
que nada consegue esconder a escuridão que vi.
Nada mais existe, nada mais tem importância,
para quem viu as trevas nos intervalos das coisas.

A tua mão passará como quiseres por mim,
deixando um rasto de presença, de realidade,
serei feliz ou não, terei a certeza de que o poderia ser,
mas nunca mais, nunca mais a treva acabará.

De repente, acordei, estava dormindo,
vim de longe, subi as escadas, não trazia bagagem
senão esta visão. Vinha de muito longe.
Toda a gente era em sonhos, fora em sonhos, vi
uma treva espreitando, e um silêncio, nada
que sentisse, nada que soubesse, a tarde prolongada,
o mar tão calmo, o vento de ontem, tudo
começou a esburacar-se num desmaio das coisas.

Acabou-se. Acabou-se. Voltei a mim. Falei.

Quebéc, ou a derrota também se elogia num francês esquisito

Cantam em francês, têm qualidade, vêm do Quebéc. Ergo estão condenados à obscuridade. O meu elogio à derrota.



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Em repeat. Em repeat. Em repeat



De um comentário do youtube: "yes, reminds me of the soundtrack to the movie "Koyaanisqatsi"". Eu não diria melhor.

Eu vou marchar

O mais provável é que vá marchar em Portugal, mas ainda assim vou marchar.

Marcha por Gaza

E existe também a página Facebook (Miguel Sousa Tavares perdoa a heresia) para quem quer mais informações relacionadas com a delegação portuguesa.

Os americanos chamam a isto «path dependency»

Afinal o que é a ciência?

Tudo existe
O que se inventa é a descrição.


Será que vejo laivos de platonismo/realismo?

Realmente

Realmente o método científico tem um défice. Pena é que não seja sentimental. É existencial mesmo. O método científico não existe.

«Dizias qualquer coisa esta manhã. Perfeitamente.»

Que é o mesmo que dizer: depois do longo entusiasmo, o desconsolo.

Foi por estas e por outras como estas que acabei com uma média miserável

E desde já se assume a história também como inelutável imperfeição, como uma dicção do tempo que torna os "olhos" do historiador "altamente perigosos" para parafrasear o espanto de Alexandre O'Neil perante a impossibilidade da apreensão da beleza – expressa nesse caso concreto pela impossibilidade do amor entre o poeta e a jovem francesa pertencente a uma outra classe social. Também nós perseguimos o concreto da história, avessos à inconformidade entre o "nosso modo funcionário" de saber e "a cidade onde o amor encontra as suas ruas", perseguimo-la obstinada e constantemente, tropeçando de ternura por ela como pobres adolescentes.

Eram merdas deste género que eu escrevia nos bancos da faculdade, no tempo em que o Bruno Caires era considerado um jogador com margem de progressão

Durante a década de 1930, Martin Heidegger repetiu variadas vezes, numa conferência sobre a essência da verdade, que o verdadeiro significava a concordância entre uma coisa e o que dela previamente se presume, ou seja, a verdade seria a adequação da coisa com o conhecimento[1]. A enunciação deste principio coloca-nos desde já perante o mais decisivo dilema da historiografia sobre a Revolução Francesa: a concordância entre o que previamente se delimita conceptualmente e a análise do conceito in situ, a partir da análise histórica. Quando Albert Soboul, referia a inadequação entre a estrutura tradicional da sociedade e as forças económicas e sociais nos finais do século XVIII, respondia na sua análise a uma enunciação ideológica das alterações políticas, previamente estabelecida no seu quadro instrumental de análise[2]. O ano de 1789, estabelecido como ano um da liberdade, obedecia a um esquema formal da liberdade enquanto possibilidade de acção ao serviço das forças inelutáveis dos ciclos económicos. Heidegger tinha já há muito referido que a reflexão acerca do laço essencial entre a verdade e a liberdade, conduzia ao problema da essência do homem[3]. Furet fustigará de forma inapelável a obra de Soubol, a partir desta pre-conceptualização e mesmo reconhecendo a impossibilidade de uma total des-conceptualização instrumental do historiador, pois ele pensa com toda a sua estrutura pré-fabricada de conceitos originários no tempo histórico, Furet, elogiará, o carácter historicamente a-conceptual à sua contemporaneidade, da análise de Tocqueville[4].
Ora toda a estruturação do pensamento histórico assenta sobre uma mundividência conceptual, facto que hoje parece indesmentível, mas essa conceptualização pode ser circunscrita por uma apresentação dos processos analíticos, sendo que o historiador que clarifica o seu aparato conceptual, desvela no ciclo da interpretação a chave para uma descodificação dos signos históricos que deduziu[5].
[1] HEIDEGGER, Martin , "Sobre a Essência da Verdade", in Conferências e Escritos Filosóficos, Nova Cultural, São Paulo, 1991, p. 123.
[2] SOBOUL, Albert, 1789, L'An Un de la Liberté, Caminho, Lisboa, 1978, p. 17.
[3] HEIDEGGER, Martin, Op. Cit., p. 127.
[4] Cfr. FURET, François, Pensar a Revolução Francesa, A Regra do Jogo, Lisboa, 1978.
[5] Cfr. RICOEUR, Paul, A Teoria da Interpretação, Porto Editora, Porto, 1995, pp. 125-132.