domingo, 3 de janeiro de 2010

Deus

O João Pereira Coutinho é um jovem. Lembro-me, neste preciso micro-segundo que já passou, de um centrocampista que espalhou perfume e traulitada pelos relvados nacionais - antes de ter ido pontapear os cus germânicos para climas mais frios (opção nunca devidamente valorizada) - e que um dia disparou o seguinte comentário: «O Cristiano é um jovem». Cristiano Ronaldo era, com efeito, um jovem. Nessa fatídida noite num estádio de Lisboa, passou noventa minutos a ser pontapeado por Beto e Petit e acabou o jogo a sinalizar orgão genitais na direcção da plateia para gáudio da educadíssima multidão. Acontece que João Pereira Coutinho é um jovem que foi a Londres antes de tirar o bilhete de identidade, toca piano e estudou na Católica qualquer coisa que termina em "política", o que faz dele uma grande personalidade da cultura nacional. Ontem brindou-nos com um livro onde se prova que Deus existe quase de certeza, num título intraduzível (os títulos em inglês são sempre intraduzíveis, ao contrário do português que se traduz para qualquer dialecto sabujo). Deus existe quase de certeza? É verdade. Existe. Ainda ontem, eu e Deus comentávamos que não passa deste ano a assunpção, leve e silenciosa, de uma minha decisão final de me lançar na carreira da publicação de obras literárias. Mas Deus lembrou-me nesse preciso momento que na história do mundo ocidental, a inovação e a originalidade, tão apreciadas no meio literário, se encontram ligadas umbilicalmente à indústria e às suas necessidades. Fiquei triste. E nem me valeu o facto de Deus me ter dito com convicção, enquanto me dava palmadinhas no ombro, «Não desanimes. És um jovem».

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Balanços

Agora que o ano acaba. Pode-se fazer um resumo. Ou balanço como lhe chamam. Balançando-me o ano correu bem. Começou com o Obama. Continuou com um dedo partido. Uma ida a África. Os sítios do costume no Verão. Os amigos de sempre. A novidade da paternidade. Que veio mais cedo. O ano acabou em grande. Agora a 3. Venha 2010.

O elogio esteve também melhor do que nunca. Mais posts, mais comentários, mais participação. Longe vão os tempos das 5 visitas (em que 3 eram minhas). Hoje temos uns espectaculares 35 visitas (em média e eu continuo a ter as 3). Continuo sem perceber muito bem para que escrevo aqui. Mas talvez daqui a anos ao ler isto me sirva como memória (por falar em memórias os meus filmes do ano: Valsa com Bashir e Gran Torino) e me permita sorrir.

Para fechar o ano, aqui por casa escolheram-se as seguintes músicas como as que mais marcaram:

a minha:



Não é deste ano, mas chego tarde as coisas, já vos disse. Se bem que o The Rat dos Walkmen esteve sempre lá.

a da S.



para a I.:



e mais esta:

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A short album about love

No meu flickr aqui

Uma das maravilhas da paternidade

é a de termos que lidar de perto com a Segurança Social. Vejamos: existe um site da segurança social directa, que permite efectuar uma série de pedidos e requerimentos online. Em teoria. Porque depois na practica quando nos lidamos com dificuldades (e acreditem são muitas) ao ligarmos para a linha de assistência (muito prestativos ponto a favor) dizem-nos que o melhor é esquecer o online e fazer via papel. Ontem quando me dirigi à segurança social na minha area de residência e expliquei que tinha feito o que precisava online, alem de ter sido visto como um herói pude de novo constatar que "sabe isso do online não funciona lá muito bem". Mais uma vez o problema não são as pessoas (todas as com quem falei foram altamente profissionais e atenciosas), mas os processos de merda que precisam de ser revistos e oleados. Não se percebe como se concebe a plataforma sem esta funcionar completamente com os outros serviços. Enfim, valha-nos o papel e a caneta.

ps outra coisa que gostaria de saber é quanto custou a plataforma online e quem o recebeu.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A justiça não tem sexo

Não me escandaliza que existam homossexuais a viver em união de facto. Também não me choca que eduquem crianças. Eu não me quero intrometer na busca da felicidade de outros. Mas seria sempre contra a legalização do casamento homossexual e da adopção. As leis existem para resolver conflictos, não para tornar o mundo melhor e/ou mais justo.

"O Sócras é um urso"

Frase escutada na gala pós-natal do programa "5 para a meia-noite"(*), RTP2. O mesmo canal onde há um mês se passou isto. Há já algum tempo que tenho a ideia que a política em Portugal se confinou ao cantinho do humor (vide Gato Fedorento). Um gajo ri-se e tal, mas isto é um sucedâneo de discussão política, not the real thing.

(*) Programa que tendo uma qualidade razoável, conseguiu ser do agrado da senhora minha mãe. O que não é fácil, eu que o diga.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Obrigada Susana Maiolo mas acabo de me arrepender agora mesmo e, devidamente absolvido pelo sacramento da reconciliação, não aceito críticas

Há duas coisas que desejo ardentemente realizadas nos próximos meses: 1) um referendo ao casamento homossexual, acontecimento que por si só, embora caro, fornecerá a milhares de portugueses em geral, e a mim em particular, várias gargalhadas de fino recorte perante o desfilar de argumentos do tipo Ribeiro e Castro, um tipo que dava um bom presidente do Benfica daqui a dez anos, após quatro ou cinco vitórias no campeonato; 2) o justo reconhecimento do magnífico, mas repudivável, gesto técnico de Susana Maiolo, um acto repugnante, mas de belo efeito, embora censurável, mas interessante, cobarde, mas eficaz, politicamente perigoso e pecaminoso, todavia revestivo de vitalidade, absurdo e incendiário, justo mas desnecessário, ignominioso mas espectacular, isto de um ponto de vista político-mediático, pese embora todo o repúdio que, imediatamente e sem reservas, deve ser votado a qualquer acto de violência contra a pessoa do Santo padre.

Post que agora não me permite ser mais objectivo o problema dos cronistas oriundos de famílias brazonadas

Não há neste blogue, e com este autor que escreve, qualquer bloqueio mental, embora se deva reconhecer um padrão de citações bastante regular, quase tão regular como a inoperância de Fernando, médio centrocampista quase revelação mundial na época passado, que agora parece só jogar para trás, jogo efectivamente tão lento na sua regularidade que pode ser comparado com o referido padrão de citações do blogue a Causa foi Modificada. E qual é o problema? Se frases como a que se apresenta em apêndice 1 emergem nesse sítio em toda a sua fulgurância político-ideológica e rapidamente se colocam na dianteira de um pelotão, ainda por cima dopado, de frases feitas-embora-originais-por-via-da-ascendência-nobilitada da imprensa de referência, que pode um simples leitor fazer senão voltar ao lugar onde se respira, para citar um liberal sedado por visões transcendentais, uma transparente liberdade de espírito? Ao leitor baralhado basta conhecer que o problema aqui vagamente abordado implica várias opiniões retumbantes do Professoral arquitecto desse grande palácio inacabado que é a alma crítica portuguesa, Vasco Pulido Valente, e uma alusão a livros publicado em língua inglesa de que parece todos os portugueses deviam ser conhecedores antes ainda do leite materno mas ao que consta preferem, os portugueses, continuar a chafurdar em coisas inopurtunas num país onde, como todo o universo sabe, ninguém lê, à excepção, naturalmente, de Vasco Pulido Valente, que além de ler tudo, tudo faz para salvar este país da sua indigente ignorância. Deus nosso senhor seja louvado por nos ter enviado Vasco Pulido Valente, verdadeiro Jeremias da crítica crítica, perdido nesta Jerusalém de analfabetos.

Apêndice 1
«Não deve a espécie masculina mostrar solidariedade intra-especifica para nos protegermos destes nossos momentos de fraqueza? Deve! Porquê pegar nessa conjuntura tão particular mas nada infrequente, em que a glande abafa o milhão de livros lidos, ainda por cima instalando-a numa montanha de ironia?»
Apêndice 2
Quando não estou ocupado a sofrer síncopes psico-atléticas com as metáforas de Nabokov sobre os seus tempos de guarda-redes na baliza da Universidade de Cambridge, entre gralhas cinzentas penduradas nos ramos dos salgueiros, ante o relvado verde-fresco do prado e o círculo enlameado da área de baliza, também leio livros de estrangeiros, mas não em estrangeiro, uma vez que fiz votos perpétuos de chafurdar numa língua em que é possível dizer coisas tão pertinentes como «Ainda agora dei uma», citação, como é bom de ver, do grande Luiz Pacheco, um indivíduo que não conheci mas que cada vez mais necessita a Portugal.

Ainda estamos vivos

Apesar das noites mal dormidas e dos turnos de 3h em 3h. Tudo por uma causa maior.
Mesmo assim ainda se vão descobrindo coisas na rádio

domingo, 20 de dezembro de 2009

Próximos dias

Lucílio quê?

Entretanto, encontro-me neste momento em estágio psico-emocional a fim de como espectador suportar as pressões competitivas a que vou estar sujeito, sobretudo ao nível da contenção de arremessos de garrafas de vinho, que serão algumas, na direcção de indivíduos cujo apelido rima com vigarista. Entretanto, a leitura de Nabokov é redentora e aprende-se tudo sobre as infinitas possibilidades de perfilar um percurso literário aristocrático, heterossexual e iniciado com grandes exibições na baliza da equipa da Universidade de Cambridge, confessando o russo americanizado que, em três anos, não entrou na Biblioteca uma única vez e que apenas pisou o enlameado na área de baliza, ao que parece com grande prazer. Obrigado, Senhor, a literatura, afinal, ainda pode salvar-nos. Entretanto posso desde já adiantar que a discussão entre a JR e o estimado Leitor Panão, em torno da sabedoria da Cruz e das inúmeras possibilidades de ligar a homessexualidade a evidências genéticas, com alusões a argumentos antropológicos e sociológicos (ó fragilidade das fragilidades perante argumentos bíblico-sacerdotais) é bastante ilucidativa daquilo a que os católicos chamam o dom da caridade. Já que não podemos recomendar Maria como estrela da manhã, aqui fica um voto de santa paciência e perseverante meditação nos mistérios da Cruz para a JR que ainda tem a generosidade de gastar tempo a discutir problemas institucionais com leitores preocupados com a distribuição matrimonial do poder prersbitérico (grande palavra). Como explicar ao leitor interessado na salvação do mundo, em geral e da JR, em particular, que a verdadeira sabedoria da Cruz é suportar a estupidez dos Católicos, como um indivíduo chamado Cristo, em tempos que já lá vão, suportou a estupidez dos Judeus, e que está tudo bem connosco, e com o Benfica, e com os homossexuais e que o mundo, talvez infelizmente, não vai mergulhar num lago de fogo?

sábado, 19 de dezembro de 2009

Continuação de bom fim de semana. Afinal está sol.

Interrompo o fim de semana com mais uma sugestão musical: luomodellazappa fundamentado pela JR aqui. Tudo muito bom e altamente recomendável. Parabéns ao homem da enxada.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Bom fim de semana

Não altero uma vírgula

ao que aqui foi escrito. Embora corrigisse um ou outro erro gramatical.

O Natal é quando um homem quiser

Entretanto finalmente descobri a razão de ver tantos Meninos Jesus nas janelas dos prédios, ao jeito do Euro 2004. Ao que parece foi uma ideia de um grupo de famílias que quis trazer a ideia para Portugal vinda de Espanha.

“Em linguagem de gestão e de marketing - indicou Nuno Saraiva da Ponte - criámos e oferecemos um produto para o qual havia procura; quando isso acontece, é natural que haja sucesso na divulgação e na venda.”

Além do site, a difusão dos estandartes passa pela página do «Facebook», onde se juntaram “mais de 1200 amigos em cerca de um mês”.

"O pendão, que tem o Menino Jesus ao centro de um fundo grená, custa 15 euros."

Nada como oferecer um produto de consumo a 15€ cada, de forma a promover o espirito de Natal. Ideia por ideia antes prefiro os pais natais a subir escadas que não levam a lado nenhum.

I got a feeling que a estupidez não tem limites

A história começa assim. Estou parado no meio do trânsito e no rádio do carro ouço isto:



Ao que parece Carlos Queiroz quis agradecer aos Black Eyed Peas pela música que ajudou (??) os jogadores a concentrarem-se para a qualificação: "the music, the song, the lyrics" (???)

Os Black Eyed Peas que são de Portugal desde pequeninos já responderam aqui. Dizem eles que tem o feeling que portugal vai ganhar

Entretanto fui procurar o raio da música inspiradora, à procura também eu de inspiração para esta sexta feira de inverno. Aqui fica:



Depois de ver o clip, fico com a ideia clara de porque ajudou tanto os nossos. Mulheres, festas e bebedeiras não são mais do que o ambiente normal em estágios de selecção. Inspirador diria.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Não é fácil conciliar o jornalismo com a verdade

Parece que a proibição de casamentos mistos afinal é um boato. Tudo volta a estar bem com o mundo, e o Ratzinger volta a ser um dos meus dois bávaros preferidos. O outro usa camisas vermelho vivo e lenços de mulher roxos. Mas isso é uma outra história.

Não era preciso dize-lo, mas a parte 3 é também muito boa

Aqui

Sibéria

Se eu tivesse tempo, um dia ainda gostava de explicar ao Pedro Lomba as diferenças entre um mau uso do significado da falácia ad hominem e da falácia ad personam mas receio que este tipo de sensibilidade cognitiva não faça parte dos seus interesses imediatos, uma vez que se encontra ocupado em duelos de honra com mefistofélicos adversários jornalísticos. Já os vejo, chegando de madrugada com suas pistolas de duelo, pisando a neve estaladiça de um parque de faias, acolitados pelos bravos companheiros de militância político-intelectualizante, levantando a gola do sobretudo de pele de raposa e jurando vingança eterna até à quarta geração de descendentes políticos constitucionais. Depois, quando o olhar raiado de sangue se prepara para o disparo, enquanto o vento uiva nos troncos queimados pela geada, os opositores abraçam-se e perguntam por uma cadeira ministerial. O público sorri, e volta a mergulhar a cabeça na cinza dos dias. É natural e é civilizado que alguém entretenha a plateia. Contudo, antes destas diatribes, Pedro Lomba devia saber que as diferenças entre falácias implicam uma variação de tom entre utilizar um argumento do opositor para desvalorizar a sua argumentação (ad hominem) e utilizar uma crítica ao carácter do opositor para desvalorizar a sua argumentação (ad personam). Feito este pequeno ponto de filosofia clássica não posso esconder a minha satisfação pelo facto de ter perdido os últimos dez minutos a nadar deliciado entre as vagas tumultuosas da prosa intempestiva de Pedro Marques Lopes, Eduardo Nogueira Pinto e Pedro Lombra, três indivíduos que talvez a internet não explique quem são mas que fazem de mim um putatitvo candidato a indivíduo muito mais brilhante do que aquilo que julgava ser. Nestas crónicas e textos, vemos desfilar declarações sobre a necessidade de rigor intelectual. Os estimados autores das crónicas e textos apelidam-se indirectamente de medíocres, e de defensores dos maus governos, apelidam-se de cobardes e acusam-se de serem defensores de cobardes ao serviço de maus governos. Pelo meio fazem uma vénia à liberdade de expressão e apelam à responsabilidade. Ensaiam retiradas da polémica e acusam-se de ensaiar retiradas da polémica. Escrevem em jornais e apelam para a opinião responsável dos que escrevem em jornais. Escrevem em blogues e apelam para a responsabilidade da opinião dos que escrevem em blogues. Depois, com galhardia, rugem ferozmente, mordendo as canelas uns dos outros até ao sangue. E quando chega ao osso dizem: «Chega de barbaridade que somos constitucionais». Passados três dias, chamam irresponsáveis a quem não partilha da mesma opinião e desenham quatro banalidades sobre o país de há quarenta anos e o país como sistema, o sistema de há quarenta anos e o papel da liberdade de expressão no país. Pelo meio, entra uma crítica feroz a Nogueira Leite, alinhavada por Nogueira Pinto (desconheço se há cruzamento entre os antepassados) isto a propósito de Nogueira Pinto ser, segundo Nogueira Leite, neto de avô incógnito, o que para Nogueira Pinto constitui uma prova da irrelevância de Nogueira Leite. Depois há a habitual vénia à necessidade dos factos demonstráveis e uma ofendida censura às barbaridades que se escrevem sobre políticos, perguntando-se todos três sobre quais as reais intenções de quem escreve as barbaridades e quais as suas alianças com outros políticos. Ao que logo um deles responde que é uma barbaridade acusar alguém da barbaridade de escrever contra políticos. No final, um leitor palhaço como eu, sente-se rejuvenescido na sua infinita capacidade de ser irrelevante mas com toda a violência de quem é realmente irrelevante. Como se diz em homenagens cívicas e festas de caridade, o meu bem haja aos três.

O problema do argumento «és um palhaço» é a cota de mercado que poderá retirar aos formandos do Chapitô

Concerteza que o Dr. Medina Carreira subscreverá a exigência argumentativa de Mário Crespo, de certo formado em escolas de altíssimo gabarito, num tempo em que as pessoas calculavam a raiz quadrada de 456797789,56 em três segundos em posição de pé cochinho e ainda recitavam, enquanto efectuavam a operação mental, as três estrofes finais do Canto VIII dos Lusíadas. Mesmo tendo em conta misticismos organizados como os das modernas teorias da liderança, a verdade é que a generalidade das pessoas se divide em dois grandes grupos: a) aquelas que acham que estão colocadas num ponto de vista privilegiado para anotar as imperfeições naturais da estupidez humana, geralmente um ponto que é constituído por uma poltrona qualquer bem remunerada; b) aquelas que acham que no meio de um grupo de palhaços os maiores palhaços são elas próprias pelo simples facto de terem consciência de que existe a palhaçada e de que não há maior palhaço do que aquele que julga que não há palhaços mas pessoas ignorantes que precisavam de gastar mais tempo com essa eterna palhaçada narcisista que é a leitura sileciosa. Não vejo em que é que difere a compra de uma empresa em Porto Rico, sob contornos dignos de um tendeiro da Golegã, da liderança informativa num canal especializado de um programa como Plano Inclinado, espaço cómico-jornalístico onde três espécimes, pertencendo ao grupo das pessoas-de-reconhecido-mérito, entoam elegias sobre a morte da exigência na sociedade portuguesa. Pode até dizer-se - recorrendo áquele baú mágico, qual mala do Sport Billy para frequentadores da cinemateca, que são os federalist pappers - que a palhaçada de Mário Crespo é até mais prejudicial ao arejamento da comunidade do que as obscuras transações com ilhas da América Central. Há muitas coisas que poderiam ser ditas a este propósito e tanto o Maradona como o Casanova citaram Moby Dick no espaço de um mês, o que me deixa melancólico sobre as esperanças da blogoesfera em constituir um discurso individual que possa contrariar o tom "marretas" em que mergulhou a generalidade da imprensa de referência. Embora concorde em grande parte com isto, devo utilizar um argumento de cunho vincadamente liberal para referir que esta lógica, um pouco pedida de empréstimo a Steven Seagal, apenas funciona numa perspectiva de exterioridade sociológica, isto é, quando o indivíduo que vem munido com a catana ou com a bazuca não pretende fazer uma intervenção cirúrgica a céu aberto e ao nível do baixo ventre do interessado em sublinhar a ideia de que na raiz da violência pode estar a mais genuina coragem. Até porque o problema da violência, como o caríssimo maradona devia saber, reside precisamente na dificuldade que coloca à identificação geral dos níveis de coragem praticados por indivíduos munidos com objectos capazes de nos fazer saltar os intestinos para a atmosfera.

É dificil conciliar doutrina com tolerância

e acho que neste caso, a tolerância ficou a perder: Papa Bento XVI proíbe casamentos entre católicos e não-católicos.

Era de esperar um bocado mais de tino

O Mário Crespo diz o que nos vai na alma. Está certo. Em certos dias eu também gostava juntar o meu nome ao Alfredo Costa e ao Manuel Buiça. Ms este tipo de discurso é falacioso. Os palhaços são sempre os outros, nunca eu ou os meus amigos e família. Esperava bastante mais do Mário Crespo, que já tem idade para ter juízo.

A parte 2 ainda está melhor

Aqui

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Era escusado

Sim a frase inicial é mázinha: "The Danish need for control is a real problem at the climate talks, where protesters should be able to connect with delegates", mas acho que o Maradona abusou ao chamar idiota à Naomi Klein.

Amuei...

As fotos do ano - parte 1

O melhor site do mundo vai fazer nos próximos dias a reunião das melhores 120 fotos do ano. A seguir atentamente aqui

É Verdade caro Alf
O mundo parece caminhar para uma longa fase de desertificação, como se toda a gente quisesse ficar a falar sozinha doravante. Parece estranho, parece louco, mas é verdade. E Louco, sem dúvidas. Ora vê.
o "Economicamente" (seja lá o que isto for) deixou-nos a olhar para baixo, Crise, dizem, mas olhamos para baixo. Acredita, é a forma única de perpectuar o liberal individualismo quando olhamos à volta e percebemos que estamos lixados. Olhamos para baixo, percebe, não por estarmos lixados, mas porque toda a gente o está, o que nos lixa o individualismo. Não há maior comunitarismo que o que deriva da igualdade na ausência de esperança;
o "politicamente" (seja lá o que isso for) traduz-se numa punhado de homens que ,vistos de cima, mais parecem uma cultura de inverno queimada pela geada, não há nada a fazer? Replantar? Acredito que sim, mas desta vez mais fundo.
Ah pois, era disto que eu falava, o futebol português. aqui é mais simples, não há utopia. Olha, mas sem piedade, promete-me, para o Sporting. É verdade que desfruta (porque assim o quis) de anos e anos a sustentar o FCP pela simples razão de detestar o Benfica; mas é verdade que é uma espécie de planta a tentar crescer à beira de uma árvore maior mas maléfica, trazida pelos ventes do norte. à sua sombra não cresceu. Não crescerá agora, esboço de deserto.
Com o Benfica a coisa é diferente. O FCP representa a Idade Média do futebol português, nada cresce, nada floresce à sua volta. Um dia, mais tarde, a perpectuação deste estado de coisas a que alguns chamam sistema, e bem, e que muitos não querem contestar poderá fazer desse maldito clube do norte um vencedor perpéctuo, incontestável quase louvável. E digo quase porque, compare-se, eu poderia ser eleito o melhor escritor do mundo.. se fosse o único, por aniquilar marginalmente todos os meus opositores. Um dia, o FCP será o melhor cristalizado de Portugal. Será o melhor, mas único. Nessa altura já não haverá futebol. E a continuar assim, ainda bem

domingo, 13 de dezembro de 2009

Não há como um jogo em Olhão para me incitar à filosofia da ciência

Como é do conhecimento geral, as cadeias alimentares podem dividir-se, muito generalizadamente, em decompositores, produtores e consumidores o que implica tanto uma divisão do trabalho para sustentar aquela oscilação movimentosa a que chamamos vida como uma certa ideia de que o retorno ao vomitado está inscrito no movimento inconclusivo a que chamamos natureza, para usar pelo centésima vez a bela imagem bíblica. Pensava eu nisto quanto me veio à ideia uma pedrada com milénios mas que escondemos normalmente debaixo do tapete: o conceito de criação divina pode ser apenas um erro desviante formulado por uma espécie que não tem a consciência do seu lugar secundário numa cadeia alimentar. Ou de forma mais erudita, é uma produção natural do sistema nervoso de forma a assegurar que essa espécie não se precipita para o vazio perante o horror do seu lugar subalterno numa máquina que não é nem cruel nem bondosa, simplesmente é, no seu funcionamento cego. Saltando por cima dos problemas da consciência (que agora me dispenso de comentar porque acabei de almoçar douradinhos com puré) é interessante como todos os sistema religiosos, em todos os tempos, se ligam de uma forma umbilical à ideia da preservação do cadáver dos entes queridos diante dessa suprema visão orripilante que é a do nosso irmão corpo transformado em banquete de delícias para outros espécimes do planeta terra. A inumação quer desde sempre esconder esse horror. E tanto a cremação como os banquetes de pendor canibalístico não são mais do que fugas, uma para a frente, a outra para trás, desta triste realidade que é o facto de estarmos carecas de saber que pertencermos ao húmus mas mesmo assim termos alguma dificuldade em assinar uma declaração solene que o confirme. Vem a isto a propósito do inefável padre Portocarrero de Almada (o tal apelido que lembra o cruzamento entre uma pastelaria suburbana e uma loja de roupa de luxo numa rua de Milão) que vem hoje no Público lembrar-nos da naturalidade do matrimónio. Como estou cansado de explicar questões de naturalidade lembro apenas que também é natural algumas aranhas arranacarem a cabeça aos seus parceiros sexuais depois da cópula ou os ratos devorarem os seus filhos numa economia de sobreviência bastante enxuta, não sendo preciso lembrar exemplos humanos similares a fim de poupar o leitor a coisas porcalhonas, deixando isso para a literatura de Possidónio Cachapa e Rui Chafes, dois autores que a internet ilustrará quem são. Em todo o caso, é natural comer com as mãos, é natural não limpar o rabo depois de ir à casa de banho (as crianças, de quem Cristo tanto gostava, adoram saltar olimpicamente esta perversão higiénica da natureza cristã que é a limpeza corporal), é natural esmagar a cabeça de um adversário político com uma moca, é natural tirar macacos do nariz, é natural o Di Maria ser expulso por reagir depois de passar trinta minutos a levar pontapés de jogadores do Olhanense, é natural que o FC Porto não pudesse arriscar uma goleada com a melhor equipa do Benfica dos últimos 25 anos.

E na milésima segunda volta à pista eis que Maradona passa pela milésima segunda vez em primeiro lugar

O Prémio Pessoa deu-se o Prémio de dar-se a si próprio ao Bispo D. Manuel Clemente

sábado, 12 de dezembro de 2009

Come on Ronnie


















Apesar de ter perdido, foi uma grande meia final no UK Championship. Ronnie voltou de um 8-2 para um 8-8, perdendo no ultimo jogo para um Higgins que tremeu mas segurou o jogo. Eu que já era fã, fiquei ainda mais. Valha-nos os outros desportos, porque de futebol não vamos lá.

Aqui a frame com a pontuação mais alta (147 pontos) mais rápida de sempre pelo Rocket. Atentem nos comentadores e no publico sempre em crescente