quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ateixeira pá, não tenho sonhado contigo ultimamente

mas espero que isso não te impeça de tu o fazeres comigo. Quanto á Pátria Boba, bem quando tive no Chile perguntei aos tipos porque é que uma região que desde o México á Patagónia fala a mesma língua, tem a mesma religião e tem uns 400 anos de história em comum passaram o tempo todo à porrada entre eles depois de terem mandado nuestros hermanos embora ? Mais, o Brasil que é já ao lado e só difere (pouco) na língua manteve-se juntinho pese embora o Zé Lampião e outras personagens igualmente intrigantes. O gene tuga é intrinsicamente melhor que o castelhano ?

ngonçalves, desculpa lá estar a chatear-te mas...

juro por tudo quanto é sagrado (vê lá tu que nem acredito no sagrado...) que o meu post anterior não foi um lapso freudiano!

Juro!

ngonçalves, desculpa lá estar a chatear-te mas...

que revoluções surgiram na América Latina por muito menos?...

Depois de 27 anos, saiu com um sorriso nos lábios

Um senhor


In conclusion I wish to quote my own words during my trial in 1964. They are true today as they were then:

'I have fought against white domination and I have fought against black domination. I have cherished the ideal of a democratic and free society in which all persons live together in harmony and with equal opportunities. It is an ideal which I hope to live for and to achieve. But if needs be, it is an ideal for which I am prepared to die.'

James Nachtwey

Como já aqui tinha posto, gosto deste senhor James Nachtwey. Desta vez é o olhar dele sobre o Haiti, numa profunda prova de que a fotografia é um poderoso instrumento de nos acordar para aquilo que não queremos saber.

O "problema" de Helena Matos

Helena Matos, cronista do público, no dia 4 de Fevereiro publica um texto do qual apenas me dignei a ler o primeiro parágrafo. Quero dizer, caro leitor, que li mais, mas nesse caso, o "problema" de Helena Matos deixaria de ser exclusivamente dela e passaria também a ser meu. E, agora, não posso (não dá jeito) ter problemas, já que estou com uma dor intestinal que nem se resolve com UL 250 ( Ultra levur- o medicamento para as diarreias), depois de ter visto, ontem, o publicitar da candidatura dum gajo que provavelmente tem as patilhas maiores que as minhas ( eu que sou um gajo que não se dá lá muito bem com as minhas patilhas - deve ser algum tipo de dislexia).

O primeiro parágrafo desta senhora - talvez em tom de ironia, não sei, mas até acho que com ironia ou não, esta senhora merecia um diploma qualquer por dizer verdades -, diz o seguinte:

"O Mário Crespo é psicótico. A Manuela Moura Guedes, além de desequilibrada, é ainda várias outras coisas que invariavelmente são as mulheres quando não se comportam com o recato e a simpatia discreta que a irmandade misógina do discurso igualitário lhes exige. José António Saraiva tem um parafuso a menos. José Manuel Fernandes delira e Eduardo Cintra Torres padece de obecessões. A lista não se restringe a jornalistas. Por isso Marcelo Rebelo de Sousa também não está nada bem. Para Medina Carreira, sugere-se o internamento e Campos e Cunha em poucas horas passou de ministro a pessoa extenuada e esgotada, obviamente incapaz de acompanhar o ritmo dinâmico que o executivo propunha imprimir ao país através da construção do TGV do que Campos e Cunha ousara discordar."

Diga caro leitor, se não é verdade tudo isto que a sra. Matos diz aqui? É quase o Evangelho de S. João.

O resto segue-se aqui (apesar de ser mais do mesmo, caro leitor).

Abraço a todos

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Rubem Micael

Creio que já falei no tópico do comentador televisivo que procura disciplinar a sua língua, entre a serradura do palato e a dentição amarelecido do fumo ventil, a fim de conceder-lhe uma configuração que possa ajustar-se à sua incontrolável necessidade para condicionar a trajectória físico-mecânica (palavra de que muit gosto) da bola no sentido mais favorável ao alinhamento homeostático (obrigado Manuel Machado) do corpo do referido comentador. Isto quer dizer que se o FCP depende de um madeirense labrego, largado esta madrugada de Bergen-Belsen (é favor a comunidade judaica fazer acompanhar as cartas insultuosas com as obras completas de Kafka) a necessitar com urgência de corrigir uma gestualidade técnico-táctica algures entre Paulinho Santos e Semedo, isso só poder querer dizer que nunca como este ano se perspectivou um alinhamento astral capaz de fazer o mais céptico adepto benfiquista (leia-se Bento XVI) aspirar a uma vitória com um mínimo de dois tentos de diferença, ou pelo menos um vitória em que dois dos tentos o sejam com o mínimo de vitoriosa intenção. Pelo contrário, se Paulo Rangel ganhar, nada disto se perspectiva. Antes de outro modo. Como é bom de ver, estou manifestamente alcoolizado.

Fica já aqui o aviso

...se Paulo Rangel for eleito primeiro-ministro de Portugal, além de eu ser totalmente merecedor do facto (um grande abraço a todos), ainda nessa mesma madrugada estarei na ponte sobre o Tejo para um magnífico salto encarpado à rectaguarda.

Salema Garção é uma pessoa com enorme margem de progressão

O mais aconselhável seria continuamente elogiar mais um post de Maradona, pelo menos até que o debate da liberdade de expressão fosse deslocado para o questionar das razões que explicam o facto de termos um espécime como Pedro Mexia a escrever quase-crónicas de entretenimento num jornal de referência e Maradona a escrever num blogue obscuro que possui mais textos classificáveis como literatura numa só semana que as obras completas de José Luís Peixoto a publicar daqui a 50 anos, quando, deus queira, eu já seja apenas uma indistinção daquela lama verde-gosma que alaga os corredores alcatroados dos cemitérios quando chove e naõ tenha de sofrer um prefácio do neto de Margarida Rebelo Pinto a introduzir-me a originalidade e espectacular qualidade narrativo-socializante dos textos de Peixoto pelo recto acima. Contudo, estou cansado de identificar nesgas de beleza, até porque quem sabe, sempre soube, e quem não sabe, provavelmente nunca virá a saber, pelo que seria perder tempo dizer que isto é mais uma manifestação de virtuosismo lógico-semântico ao alcance de poucos, que é o mínimo que se pode dizer de um texto que sendo de muito difícil elaboração vem coroar uma ideia que estava prestes a rebentar as águas do nosso espírito e milagrosamente aparece depois esvoaçando com a naturalidade de uma libelinha verde zinco a sobrevoar as águas paradas de um riacho represado na cova da Beira. Por outro lado, não pode hoje ser esquecido o melhor momento de Carlos Carvalhal (e não Carvalhas), isto de um ponto de vista da produção de símiles lógico simbólicos na análise da vida, desde que passou pela abençoada floresta de cabelos cinza de um antigo administrador do banco Santander (estes gajos dos Bancos sabem fazer finance profile como ninguém), trazer um indíviduo, com um grau académico de estudos superiores, para treinar a comitiva de papa-pitas de Alvalade, mais conhecida por SCP. Carvalhal pensou que o lance de João Pereira é «mais aparatoso do que real», o que me fez saltar imediatamente no sofá e sujar umas calças vestidas de lavado, ontem mesmo, com dois sebosos pingos de cerveja sagres (na verdade era vinho tinto Terras d'el rei que é uma tão grande merda como a cerveja Sagres). O caso não é para menos. Ficámos de ontem em diante munidos com uma ferramenta simbólica de altíssimo gabarito. A derrocada das Torres Gémeas? Mais aparatoso do que real. O desembarque na Normandia? Mais real que aparatoso. A pernas de Heidi Klum? Tanto real como aparatoso. As declarações de Paulo Rangel? Nem real, nem aparatoso.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Eu diria que com menos 9 é um bom começo

«Com menos um jogador é complicado»

Hesitei antes de me sentar no sofá. Ver o jogo ou estudar para o exame de análise de riscos? tendo em conta o jogo que era e o estado da equipa nos ultimos, fiz uma aplicação pratica daquilo que me propunha estudar. O risco da derrota era elevado. Apesar disso o impacto em mim foi pequeno. Voltam aqueles tempos entre os anos 80 e 90 em que era o ano do tudo e depois afinal não era nada. Ser adepto do sporting é isso mesmo. Viver sim, sabendo que no fim perdemos. Bela derrota esta.

Eu realmente deveria de estar a trabalha mas

isto é fenomenal:



Mais aqui: The fun theory (via

Que se dane as petições pela liberdade

até esta merda continuar assim:

"A Brisa, concessionária da CREL, não dispõe ainda de uma data para a reabertura do troço cortado"

Isto, meus senhores é mais do que motivo para uma revolução. Na América latina já se fizeram por muito menos. Chiça

Estando por vontade própria exilado da actualidade noticiosa do país

alguém tem a bondade de me dizer se as acusações que o Mário Crespo fez ao Sócras (o PM, não o urso) foram confirmadas por terceiros ? Se as fontes que o jornalista cita vieram a terreiro confirmar o que o Sócras (não o urso, o PM) disse ?

É que eu não exactamente um apoiante do Sócras (nem o urso nem o PM), mas antes de rasgar as vestes gostava de ter algo mais que a palavra do Mário Crespo. Só isso.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Låt den rätte komma in

Possivelmente o melhor filme que vi nos últimos três anos e segundo parece disponível nos torrents (nego ter conhecimento de tal coisa). O "Lenço Branco" é bom, muito bom mesmo. Mas sim, falta-lhe algo, uma pitada de sal, talvez uns cominhos.

Ok, o Clint também tem estado em grande. Mas nele isso é o normal.

Shameless

não, não é o Sócras. Ou a agremiação de futebol do Visconde de Alvalade. Mas isto:



Desde a Royle Family que não precisava de legendas para ver uma série britânica.

Em vez de ser o brilhantismo do DN ou público, eis a Bola, desportivo de referência (mais para os lados da Luz) a dar esta notícia.

http://www.abola.pt/mundos/destaque.aspx?id=192585

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A pesca milagrosa

A todos os cidadãos um forte abraço em forma de calduço. Este Domingo foi dia de alegoria piscatória nas homilias deste Portugal Sacro-profano. Contudo devo confessar que apenas retive o conceito de pesca milagrosa, enquanto bocejava violentamente perante algumas piruetas, carregadas de reumático, perpetradas por um sacerdote a caminho mental de Jerusalém, procurando pendurar-se numas argolas que pendiam do tecto creio que a propósito das aventuras do profeta Isaias (grande remate de meia distância). Ainda invoquei o espírito da Flor Caveira (eles percebem mais exegese do que de música) mas apenas compareceu no filme da minha mente um garrafa de tinto, herdade do esporão, 1987, (julgo que isto se deveu a uma longínqua mas estreita relação com o calvário profético atravessado por outro grande apreciador de vinhos alentejanos, Mats Magnunsson). O dia continua chuvoso sem que se vislumbrem hipóteses, ainda que remotas, de sermos salvos de uma semana de intensa discussão em torno do conceito de liberdade de imprensa e pelo menos dois comunicados à imprensa interpretados pelo tenor-predestigitador-social-democrata, José Pedro Aguiar Branco, o líder político mais adequado a uma publicidade da Gant, meia idade, com veleiros em fundo. Lobo Xavier, como é sabido, seria, na verdade, o mais indicado mas está lesionado. Ainda não tive oportunidade de ser regado com o balsâmico perfume das 1034 metáforas que neste momento devem flutuar na prosa inundada por preciosas tiradas plenas de ironia, alinhadas com esmero e rigor, o leitor já adivinhou, ora aí está, por Henrique Raposo, isto se o estudioso das relações internacionais ainda não foi asfixiado no banho por um qualquer enviado obscuro calçado com as luvas pretas do socialismo, a soldo do engenheiro José Sócrates, esse homem que todos perseguem com a fúria de uma aldeia puritana do oeste americano no momento em que uma das suas jovens e virginais filhas acaba de se descobrir engravidada pelo jovem filho do mecânico, dono da bomba na auto-estrada mais próxima, e indivíduo que nunca compareceu ao serviço dominical e, pior que tudo, não lava as mãos depois de usar o urinol colectivo. A propósito de Portugal, como a questão não tem solução e acabará inevitavelmente numa revolução ou num assassinato (um grande abraço ao Vasco Pulido Valente), temo que a coisa, por outro lado, acabe na eleição de um indivíduo - como é sabido, um orangotango seria muito mais indicado, mas não há nenhum símio social-democrata disponível no jardim zoológico -, ou à semelhança de Sócrates, em tudo honesto e pouco claro, ou à semelhança de Ferreira Leite, em tudo clara e pouco honesta (um grande abraço ao Pacheco Pereira, sem demasiado contacto, claro está), de maneira que estou melancólico, como já devem ter notado pela sistematicidade do travessão seguido de vírgula, até porque a baliza onde Cardozo marcou ontem uma grande penalidade falhou a postura mais acertada do ponto de vista fisico-mecânico, coisa que me é muito familiar há cerca de 31 anos e alguns meses, mas não vamos aqui entrar em questões de pormenor uma vez que todos sabemos o que é ser acordado violentamente a meio da madrugada por uma "questão-essencial" desgrenhada e de cabeça perdida, pelo que é necessário reconhecer aqui a impossibilidade de falar sobre o que quer que seja, (um grande aperto ao Mário Crespo, sem magoar, como é evidente) e até breve.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Tem razão

o Joaquim quando defende que não se devem baixar os salários dos funcionários públicos. O PIB per capita da Grécia é mais ou menos 30 mil euros/ano, o de Espanha 35 mil e o da Irlanda 60 mil. Po outro lado o português anda na casa dos 22 mil euros/ano.(Fonte). Baixar 10% os salários em Portugal não é o mesmo que baixar 10% nos outros países. Para além que já devemos ter os salários mais baixos, enquanto que tudo o que consuminos é pago ao mesmo preço que na Europa.

O que se deve fazer, é como o Joaquim bem defende, cortar fechar os serviços desnecessários. Portugal tem um governo com 15 ministérios, uns 30 secretários de estado, 18 governos civis, ect... Defina-se o que é que é essencial e corte-se o resto.

Há-de chegar o dia em que o dr Eduardo Barroso perceberá que um número é uma coisa tão relativa como uma batata cozida

Indíviduos constitucionais, leia-se Pedro Lomba, desconhecem que a realidade é feita de nuances em torno do conceito de indiferença. Indiferença, que é como quem diz diferença de in-clinações. Enquanto esbracejam esbaforidos contra a escassez de indignação do público perante aquilo que julgam ser uma patológia indiferença corporizando-se a pátria numa anémica incapacidade de indignação, falham o alvo ao não perceberem que os cornos da "questão-essencial" investem precisamente do lado contrário: a saber, a indiferença com que eles próprios são recebidos na sua boçalidade. Se em Portugal não ocorressem níveis siderais de indiferença talvez o "público" começasse a inquietar-se sobre o processo que levou Pedro Lomba ou Henrique Raposo a escrever em jornais de indiferente referência. Bendita a indiferença que, em «democracias decentes» poupa Lomba e Raposo a um processo inquisitorial que me faria, de bom grado, aceitar ordens perpétuas para poder manipular instrumentos de tortura. O problema é que não existem países mais indiferentes do que outros no que diz respeito à liberdade de imprensa, mas países mais ilustrados do que outros em matéria de cultura escrita, e só a menção técnico-semântica do conceito de liberdade (palavra que remete para o sabão azul-e-branco) serve como instrumento agitador para joeirar (o que eu esperei para utilizar este verbo) o intelectual que frequenta a cinemateca do indivíduo realmente conhecedor do mundo e detentor dos níveis de ansiedade que normalmente acompanham todo o pensamento erguido à custa de muito sangue e estruturas metálicas pifer-tubos, alusão que serve aqui como metáfora à realidade ferrugenta e enlameadamente humana de toda a reflexão que recusa conceitos teológicos como "liberdade" e "decente" e, por outro lado, pretende reflectir alguma coisa que não as trombas do próprio reflector. Na verdade, até Pacheco Pereira, do alto das barbas cinza-branco-sujo, talhadas por navalha de filiação constitucional, é capaz de entender que o problema da prática da imprensa se prende com níveis de incidência local, ou seja, com a desmultiplicação territorial da capacidade de ler um texto, comprar livros, agitar opiniões, esgrimir argumentos. De outra forma, se a indiferença fosse realmente um problema, o que faria Carlos Carvalhal aquela agremiação de criaturas saídas de um filme de Carpenter que foi encaixar cinco batatadas na cidade invicta e cujos associados, impolutamente brazonados e patrioticamente frequentadores dos mais respeitavéis forum cívicos, apenas estão verdadeiramente escandalizados não com a merda de equipa que possuem mas com as alegadas movimentações obscuras de um clube de Benfica cujos associados apresentam a maior taxa de consumo de vinho tinto de toda a zona euro.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A derrota não se explica dizia um baiano português no final do jogo

























e agora sou do Pinhalnovense desde pequenino

o Sporting encaixou 5, no que só temos que agradecer aos andrades

A notícia foi publicada num jornal português. É portanto de verdade duvidosa. Mas suponhamos que realmente vão estar na net os rendimentos brutos de todos os contribuintes. A notícia refere também que o BE pretende (ou pretendia) que o fisco vá duas vezes por ano ver o movimentos das contas bancárias de todos os portugueses. Estas medidas vão diminuir a fraude fiscal ?

É óbvio que não. Quem tiver dinheiro para fugir aos impostos, obviamente não o declara. E não o deposita na agência local da CGD. Quem se lixa no meio disto tudo é a arraia miúda, que não tem dinheiro para pagar o private banking que os ajudará a fugir ao fisco. Até aqui tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. Ai, o que eu esperei para escrever esta frase.

Para além de muitas situações que podem ocorrer em que não existe fuga aos impostos e/ou não se exige que os rendimentos sejam declarados. Como é que vamos fazer nestes casos ?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Depois espantam-se quando digo que os melhores autores de língua portuguesa são Maradona e Casanova

É evidente que não tenho tempo para fazer acompanhar este post de um ensaio crítico em que ponderaria tanto os méritos relativos do jovem intelectual proto-literato de influência cultural anglo-saxónica e colaborador da Ler, como a iluminadora vitalidade vernáculo-científica do adulto-jovem da margem sul, também de influência cultural anglo-saxónica mas cujo recorte literário atinje já, neste momento, alguns dos momentos mais conseguidos da prosa alinhavada na língua de Júlio Isidro. Onde Casanova ainda desenha rabiolas como quem quer provar amplas leituras e capacidades técnico-esquemáticas em alusões multi-variadas de vários nexos, cruzando escritores ingleses apanhados em processos de pedofilia com crónicas recém-publicadas em revistas da moda, Maradona, por seu turno, é já todo ele uma nova forma de linguagem, conseguindo tecer no mesmo post - como quem junta molho coktail com Sunday de caramelo, e sem nunca abandonar níveis mínimos de coerência interna -, relações de causalidade modificada entre botas de 250 euros que rodopiam num baraço de metro e meio e referências à complexa tipologia de espingardas metrelhadoras usadas nas praias de Balbec pelas tropas americanas. Um simples confronto dos títulos dos blogues em causa serviria para ilustrar as diferenças entre os dois estilos em presença. Em todo o caso, ninguém duvide e atenção que não estou a brincar (e se preciso de avisar é porque o assunto é sério): qualquer dos dois (Maradona e Casanova) é incomensuravelmente mais autor, com maior sulco de carácter referencial na produção de textos escritos, com maior originalidade, mais profunda cultura literária e científica e, o que talvez importe mais que tudo o resto, maior nível de sofrimento interno por estar mediático-crucificado num país maravilhoso mas repleto de cócós em decomposição, do que qualquer gualter ricardo pai ou José Miguel Perdigoto. Brilhante, brilhante, seria ver Maradona e Casanova a exercitarem a capacidade de entrever (verbo mais dificil de conjugar do mundo) nas praias da Normandia os efeitos reverberadores da luz em pinturas de Elstir - como todos sabem, o pintor atormentado de Em Busca do Tempo Perdido - e a sua inevítável relação com a melancolia dos jovens novaiorquinos que por fudidas cornucópias do destino vieram deixar os colhões nas praias impressionistas do noroeste da frança para nos livrarem de uma sórdida moscambilha de cariz político-xenofobo-social inspirada, ou se quiserem permitida, pela decadência pequeno-burguesa (ou estético-grandiosa) de um indivíduo como Proust, a quem faltaram duas palmadas no rabo, a frequência do colégio militar da Luz ou, em última análise, e na pior das hipóteses, uma pega de touros na festa do colete encarnado em Vila Franca de Xira, local onde me encontrarei amanhã para escrever em português a obra mais importante do século XXI.

E de forma espectacular um dos países mais analfabetos da Europa afinal teve um excesso de iluminismo

O inefável Rui Ramos (vossa senhoria deseja que eu reserve os bilhetes para o S. Carlos) sempre à frente nos corredores labirínticos da nóvel interpretação histórica.

Às tantas andam todos a brincar connosco

Mário Crespo anuncia o livro sobre o acontecimento (que marcou a noite e o dia de hoje) para ainda esta semana. Esta merda cheira mesmo muito mal. "Que perigosa palhaçada".

Javi Garcia e a elegância de pontapear o adversário: em movimento, de costas, seguindo a trajectória da bola e tornando tudo isto invisível ao arbitro

O ngonçalves disse quase tudo o que é possível dizer em relação a Mário Crespo. Acrescento apenas, em testemunho singelo, um momento por mim televisionado em que Mário Crespo agrediu visualmente um alegado representante do movimento anti-transgénicos, Gualter Lemos, quando era suposto entrevistar o activista mesmo que dentro do veterano jornalista nascesse, nessa hora fatal, a hidra mnemónica dos aviltantes momentos do PREC. Se é verdade que a trança que pendia da cabeça de Gualter Lemos lançava algumas suspeitas na qualificação morfo-fisiológica do espécime, não é menos verdade que Crespo era e é detentor de uma doença muito comum em profissionais de Televisão, decorrente do constante reflexo da sua imagem: a auto-sobrevalorização. Narciso podia dizer qualquer coisa sobre isto mas está a almoçar com Jorge Lacão. Em todo o caso, Mário Crespo é uma personalidade, e com a particularidade de ser uma personalidade que detém a patente de um telejornal em horário nobre, para não falar do espaço cronístico de vários periódicos, e é sabido que as personalidades deste cariz possuem uma característica que não é dispicienda no debate que inflamou os orgãos genitais da blogosfera: Jornalistas como Crespo têm mais poder que José Sócrates, Silva Pereira e Lacão, todos juntos. Mesmo que juntemos a este último e distinto grupo de membros do governo duas agências de comunicação, Mário Crespo continuará a ter mais amigos participantes em almoçaradas de hóteis. Quem ainda não percebeu isto não percebeu a sociedade contemporânea. Esta última frase, como o leitor reparou, foi inspirada por Pulido Valente. Sobre Pedro Lomba não falo, uma vez que já falei.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

É uma grande merda é o que é

Não sei se esta notícia será verdadeira ou não. E infelizmente, isso não é relevante.

O problema está em que nunca vamos saber se é ou não verdade. O Mário Crespo já tinha no passado exagerado na crítica (na forma e no conteúdo) ao governo. Disse-o há uns tempos atrás. Agora vem afirmar que foi considerado um problema a eliminar pelo primeiro-ministro. Como este não pode ser levado a tribunal, e tampouco se vai demitir para esclarecer o caso, a história vai ficar para sempre no limbo. É uma merda, é o que é.

Cada vez mais estou convencido (pelo menos até onde a ignorância me permite) que o país está agora numa situação política, económica e social bastante semelhante aos finais da monarquia. Todos sabemos como é que terminou. Com dois assassínios e uma ditadura de quase 50 anos. O meu passaporte já foi emitido. O vosso ?

Obrigatório aparecer!

Acabou o jogo, não é?

Ao ver e ouvir os comentários do Rui Santos a este video, fez-me lembrar o David Attenborough naqueles documentários sobre a vida selvagem. Neste video aqui pode-se ver que a coisa não anda mesmo muito longe da realidade.