quinta-feira, 3 de março de 2016

Carta aberta à minha própria estupidez.

Aos desiludidos com o silêncio retroactivo sobre o assunto do momento, tenho respeitosamente a declarar a minha falta de jeito para as simplificações. A partir do momento em que começo a ser arrastado para a lama, fruto da estupidez sempre galopante em todas as matérias consideradas virais, reservo o direito de subir à minha torre de marfim, e apagar qualquer vestígio sobre tão deprimente figura e assunto. Fizeram de um parvo, publicamente agressivo contra pessoas e instituições, e atrevidamente ignorante, um mártir da liberdade de expressão. Com que então, um cronista de um dos jornais de maior tiragem, com acesso a televisões, financiado por uma das instituições culturais mais ricas do país, alçado a combatente pela liberdade, passou a ser apresentado como intelectual perseguido e silenciado? Ao que chegamos. Só nos últimos dois dias, já vi três novos textos do referido «silenciado» em três órgãos de comunicação social de grande tiragem (para não falar dos directores de jornais, televisões, revistas, políticos, jornalistas, almirantes, poetas, empresários, farmacêuticos, que logo correram a fazer soar as trombetas do alarme, em solidariedade com a vítima do povo em armas). Para isto, contribuiu uma incrível falta de inteligência, a começar por mim, mas sobretudo de todos os que. estupidamente, correram a insultar e a ameaçar a figura, da forma mais desajeitada e selvagem possível, incluindo na caixa de comentários deste blogue.

De um simplificador boçal e cheio de si mesmo, fizeram um herói da coragem literária e da biografia pessoal. Pois bem, não contribuirei mais para essa inacreditável perversão dos factos. Por estar nos antípodas do estilo e substância de um autor como Henrique Raposo, só posso vir a público reconhecer o meu erro. Quem sabe não terei ajudado, fruto da ironia mal compreendida, a incendiar algumas consciências. Quem sabe não terei contribuído para as tristes ameaças e insultos, e muito pior, para a construção do mártir. Só posso nesse caso fustigar a minha própria burrice e incapacidade.

A melhor forma de combater os estúpidos, é ignorar a estupidez, eis um princípio estrutural de uma boa vida, que teimo em não aprender. O controlo (e a proeminência) no espaço mediático pertence invariavelmente aos brutos, insensíveis e ignorantes. Os mais críticos de si mesmos, inteligentes, sensíveis e delicados com os outros e os seus problemas, afundam-se na incapacidade de resistir ao caos, à falta de sentido do mundo. Os mais cuidadosos e responsáveis acabam torturados pela sua consciência, perdidos e assustados no labirinto de consequências e desastres criados no seio da sua poderosa (desgovernada?) imaginação. Hesitam até à paralisia, diante da enorme variedade dos imprevistos humanos, receosos de terem prejudicado indevidamente alguém, triturados na máquina de esconder a injustiça a que chamamos realidade.

Talvez se possa chamar a isto cobardia. Ou cansaço de viver.

5 comentários:

gerónimo cão disse...

Compreendo. Também poderá ser cobardaço:)) Não dou para peditórios porque não tenho um tusto no bolso.
De qualquer maneira aparece:

http://desempregadoempart-time.blogspot.pt/2016/03/faz-de-conta.html

gerónimo cão disse...

Ei Alf, por onde anda o Maradona (e a Silvia), sabes?
:))) temos que marcar um jantar a norte:))

Anónimo disse...

o maradona, a silvia, o mais peor, o papa nicolau, o jm bronco, o s berluscona e o poursan criaram uma comunidade mística e estão no norte da índia em retiro: lêem, comem, bebem, fodem, mijam, cagam e pouco mais.

gerónimo cão disse...

Parece-me bem:) Não fosse a minha aversão a comunidades místicas (em geral) e retiros (em particular), pese embora a diversidade apelativa dos elementos de convívio, incluindo o pouco mais, e certamente daria lá uma saltada.
Assim fico-me pela insignificância barroca (e bacoca) do norte peninsular:)

Anónimo disse...

« A melhor forma de combater os estúpidos, é ignorar a estupidez, eis um princípio estrutural de uma boa vida, que teimo em não aprender ».

Eu aprendi com a idade. Deduzo que o Alf é um jovem. :)
(O tempo e a vida vivida, são 2 universidades excelentes).
Cumprimentos,
Jorge