quarta-feira, 6 de março de 2013

Pastoral palestiniana.

Anda para aí uma discussão sobre o eventual número dos que pisoteavam a Praça do Comércio no Sábado à hora em que este autor enquanto adepto do Real Madrid se maravilhava com a estrondosa queda do Futebol Clube Máquina de Anões Giratórios da Mui Nobre e Leal Generalidade da Catalunha. Não seria mais fértil discutirmos o que foram lá fazer, de acordo com o príncipio geral de política financeira de que «as pessoas não são números»? A questão da contabilidade protestativa foi por diversas vezes debelada pelo maradona no blogue A causa foi modificada mas teima em ressuscitar com sistemático zelo, o que nos leva a pensar que as pessoas não lêem o maradona, prova cabal da superioridade moral do povo português. Mais grave: a discussão pública deste tema é como uma lagartixa a quem cortam repetidas vezes o rabo, e que por motivos insondáveis a olho nu, rejenera sempre cada rabo cortado, e com força crescente, sendo que o novo rabo é geralmente maior, mais feio e mais resistente do que o anterior, isto de acordo com um programa genético que nos ultrapassa em propósito e sentido. Mas que caralho interessa saber quantas pessoas estiveram na Praça do Comércio? No dia em que estiverem a contar as pedras atiradas aos carros dos ministros, podem contar comigo, levo um saco de lona, um capacete dos Bombeiros, um oleado amarelo igual ao do James Joyce anonimamente auto-retratado no Ulisses (aspeto deslindado pelo grande maluco Vladimir Nabokov) e garanto fiabilidade máxima nos resultados. Foram tantas pedras por segundo à passagem do automóvel do Ministro de Estado, da Presidência e do Esgotamento Gradual da Legitimidade do Governo, enquanto que devido à pressão da ventania nos pinheiros do caminho, mas também devido a um grupo de universitárias que passava a caminho da gelataria, o que obrigou a uma suspensão da entifada para contemplação da elegância em movimento, foram tantas pedras por segundo no automóvel do Ministro dos Negócios Estrangeiros e do Banco de Angola. No que diz respeito a comparações de multidões passivas entre cerimónias pseudo-revolucionárias e cerimónias pseudo-metafísicas digo-vos que se trata da mesma coisa: Grândola Vila Morena, Terra da Fraternidade ou o Senhor esteja convosco, Ele está no meio de nós, venha o Arménio Carlos e escolha o preto que mais lhe agradar.
 
 
Jovem consideravelmente atraente empunhando um bandeira do Sport Lisboa e Benfica, Paris, 1968.

3 comentários:

Zé disse...

Vai mas é ler o Roth e deixa-te de tretas mandrião! Aquele abraço

Ex-Vincent Poursan disse...

Isto de descobrir no outro identidade de ideais, comove sempre um gajo. Pronto , qué que posso fazer?... sou um emotivo.
Já agora registe-se, para que não restem dúvidas, que ontem, antes de saber qual a decisão do árbitro, e apesar do apreço que tenho pelo nani, berrei logo para a super bock já meia: fodaçe, só pode ser vermelho.

Agora que já me comovi… confesso:
Sou furiosamente interessado, até fanático digamos assim, na contabilidade do “eventual número dos que pisoteavam a Praça do Comércio no Sábado” assim como de todas as manifs em geral. Com um pequena nuance, nada despicienda do meu ponto de vista, o meu interesse é em saber o número de gajas boas que “pisoteavam a Praça do Comércio no Sábado”, assim como de todas as manifs em geral… e o que “foram lá fazer”.
No superior interesse desta contabilidade, posicionei-me no passei do rossio frente ao Nicola (onde de há uma semana a esta parte regresso diariamente para tentar refazer a história da minha vida) e concluí que há uma rotura não identificada, com perdas significativas nas manifs, entre o rossio e a praça do comércio, tipo aquelas roturas nas condutas da água.
Só que a percentagem de perdas nas manifs entre estes dois pontos anda na ordem das perdas na carga da cavalaria de lord cardigam…

Como diria Tennison:

quarter of a league, quarter of a league
quarter of a league onward,
All in the gold stret
Rode the several thousands
...
Forward glorious manifestants!
raise the posters he said
Into the square trade
rode the several thousands
...
assholes to right of them,
assholes to left of them,
assholes in front of them

já chega catano
puta que pariu o terreiro do paço
vou jantar caralho

É que a contabilidade das passantes no rossio não bateu certo com as pisoteantes da praça do comércio, isto de acordo com o meu manifestómetro que por acaso até já tem as pilhas gastas.

estava eu aqui…
http://i.imgur.com/C65HR7A.jpg
quando vi logo que tinha forte concorrência no assédio ao gajedo…
http://i.imgur.com/zbKaBlk.jpg
nisto passa a tua do Maio de 68… já mais usada…
http://i.imgur.com/XoFCXjF.jpg
insinuei-me a estas porque…)
http://i.imgur.com/g7OzQuv.jpg
(gosto de molhadas de cravos)
http://i.imgur.com/mKUUe2W.jpg
(a mulher e a sardinha querem-se pequeninas)
http://i.imgur.com/KIv3yGl.jpg
(o cartaz sugeriu-me uma gabardine transparente)
http://i.imgur.com/qbVejRm.jpg
(este olhar me procurou na multidão)
http://i.imgur.com/tApDkin.jpg
(não sei se já vos disse que gosto de morenas)
http://i.imgur.com/MzW08pG.jpg
(e aprecio as louras)
http://i.imgur.com/BW81FOd.jpg
(tenho o fetiche da escrita)
http://i.imgur.com/7NzvCk0.jpg
(e perco a cabeça com ruivas)
http://i.imgur.com/rJnNTQH.jpg
(sempre achei o tipo eslavo muito sugestivo)
http://i.imgur.com/DTBnpWt.jpg
(mas gostava de trocar umas impressões sobre guy fawkes com esta loura)

e posicionei-me no lugar em que o buiças aviou a realeza, pronto para desfechar á queima roupa um piropo eficaz… azar, lost in displacement… nunca cheguei a saber donde vinham, para onde iam nem o que foram lá fazer.

fiquei por ali desanimado e perdido a trautear a Grândola.

Ainda participei na homenagem a melville…
http://i.imgur.com/L7osJzq.jpg
mas o Tejo devolveu-me a estafada metáfora da espuma
http://i.imgur.com/aBAHoUm.jpg


agora vou ali explicar ao passos porque é que não produzi um corno esta tarde!!!

António Machado disse...

nem o maradona lê o maradona
tanto que deu à costa pelo 5 dias a "argumentar"... "contabilidade protestativa"
agora vou ali ver se "rejenero" mais qualquer coisinha...