quarta-feira, 6 de março de 2013

Mergulhemos no perigoso realismo mental que me caracteriza (sendo eu um autor de origem rural com precoce desenvolvimento suburbano): no fundo, era isto que eu queria dizer aqui há uns dias.

 O Padrinho.

Monica Bellucci, Palazzolo Acreide, Sicily 1997 by Ferdinando Scianna

Monica Belluci, Palazzolo Acreide, Sicília (1997, Ferdinando Scianna).


Para os descontentes com a minha breve introdução ao problema do neo-realismo em cinco pontos venho aqui aduzir uma nova e brevíssima introdução ao mesmo problema, só que desta vez em apenas três mas longos pontos de desenvolvimento. Tenham paciência que toda a virtude exige a devida e proporcional ascese: queixaram-se da cena, agora levam com a correção. Como recompensa aos leitores persistentes faço notar que serão referidos episódios da vida de vagabundos virtuosos deportados para a Sibéria, pedaços da crítica literária do inesquecível juiz de Chicago, Richard A. Posner, paralelismos com a teoria etnográfica de Jorge Dias, panoramas serranos vários de várias zonas do país, a histeria teórica de Pasolini, o sempre presente Italo Calvino, e uma breve referência ao melhor ala direito de todos os tempos, Vítor Paneira, futebolista de elite que tal como o péssimo escritor desconhecido, Jorge Reis Sá, é natural de Vila Nova de Famalicão. Oferece-se neste blogue uma transcrição gratuita dos respetivos comentários onde os leitores identificarem as devidas ligações entre estes elementos e os argumentos desenvolvidos no corpo do texto. Boa sorte a todos. Que comecem os jogos.

1. 
A literatura de fundo etnográfico e antropológico ao pretender potenciar um património natural, perde-se muito naturalmente em sociologia amadora, para não dizer em folclore carnavalesco, a menos que seja guiada por aquela impiedosa certeza de saber que toda a operação de renúncia estilística, de redução ao essencial é um acto de moralidade literária segundo afirma Calvino na magnífica coleção de raciocínios que é Sobre o Conto de Fadas, (Teorema, 2002, p. 28). O problema é que toda a economia moral implica um renúncia e uma redução ao essencial, uma redundância que é pouco mais que um pântano metodológico, sendo a maior dificuldade a definição do algoritmo inicial que permite programar o tipo de operações de renúncia e redução implícitas  numa representação do «povo». Estas tarefas são muito dificeis de articular, sobretudo se o objetivo é manter um ponto de vista artístico, isto é, se pretendemos ordenar o discurso segundo uma coerência algures intelegível ao menos por um leitor ideal, o que não se afigura fácil, sobretudo neste caso, tendo em conta as toneladas de literatura científica, política e histórica que é preciso assimilar para representar um conceito tão injetado de substâncias venenosas como é o «povo», esse animal vário e de muitas cabeças que sempre motivou nas Cortes dos poderosos, dos eruditos e dos letrados, os mais infinitos juízos, isto para citar a Crónica da Guiné de Gomes Eanes de Zurara.


2.1.
O primeiro acto de humildade de qualquer escritor que pretende representar o povo seria ouvir os narradores do povo: razão pela qual José Saramago chegou à sua obra prima Levantados do Chão. Mas o facto de os narradores serem oriundos do povo não implica que não sejam o resultado de uma economia mais eficiente do que aquela que tem gerado autores eruditos e impressos. A ideia de que a organização económica depende de prémios monetários é um erro comum e não pretendo aqui discuti-lo, mas convém lembrar que os incentivos colocados pela atenção de uma plateia de camponeses que não tem outros critérios de preferência se não a satisfação obtida com a distribuição do seu tempo e atenção disponíveis, num contexto de custos de transação zero, isto é, o adro da igreja, a roda de uma fogueira, as pedras de uma eira numa noite de Verão, a sombra fresca diante de um milharal, é o ambiente perfeito para uma concorrência também perfeita e capaz de transferir os direitos de contar uma história para aqueles que melhor dominam as técnicas da narrativa mais agradáveis aos destinatários do processo: o povo. Resultado: fabulosos anónimos contadores de histórias anónimas emergindo sobretudo nos ambientes socialmente mais arcaicos, com maior tempo de sol disponível, no âmbito de maior predominância de formas comunitárias e informais de educação, tendo como pano de fundo as mais agradáveis paisagens exteriores, um clima ameno, e a toda a volta a muralha intransponível do mar: eis o maravilhoso reino da Sicília.




2.
Todos os que já apascentaram rebanhos de cabras num dia invernoso ou ajoelharam a rebentar de prazer no lajeado frio de uma igreja de província repleta de mulheres víuvas vestidas de negro, sabem que os melhores exemplos de contacto com o «povo» são os que decorrem do contacto com exemplos de excelência desse mesmo povo, exemplos distintos mas tipificadores. Quero dizer que todos os tipos populares de referência resultam de um processo de competição paritário e anónimo que obriga a altíssimos níveis de especialização das capacidades. Permitam-me que lembre aqui o facto de os melhores economistas ditos neo-liberais (risos) serem pessoas conscientes de que a igualdade gera maior especialização e que na economia da família, ao longo do século XX, as diferenças biológicas funcionaram como um travão do grau de especialização. Os contratos de longo-termo entre homens e mulheres, constantes de quase todas as sociedades rurais, pretendiam proteger a mulher, e esta, no contexto da sua vantagem comparativa na produção e acompanhamento dos filhos, abraçou essa especialização e divisão do trabalho. Mas os prémios no investimento em capital humano, trazidos pela industrialização, as fábricas, os empregos nos escritórios das cidades, acentuaram o conflito de interesses, o que tornou mais fácil a quebra do contrato. Nestas sociedades arcaicas e neo-realistas, digamos assim, emergiu um prémio para uma monitorização mais acentuada (controlo do corpo das mulheres) e redução da privacidade pela vigilância constante da aldeia, e somos chegados a grande parte da parafernália temática da literatura portuguesa publicada depois de 1930.


2.1.
Isto significa que os efeitos económicos do capitalismo denunciados por autores menores como Fernando Namora ou Manuel da Fonseca, e mesmo por cantores brilhantes como José Afonso, que no espectacular tema «Os Fantoches de Kissinger» refere a fome e a prostituição trazida ao largo da aldeia pelos americanos, e digo isto com lágrimas nos olhos, são no fundo pressões eruditas inconscientes em direção à industrialização, pois o meio é a mensagem. Para utilizar linguagem clássica e marxista, a desagregação da economia feudal tem na pena dos neo-realistas e nos seus projetos de escolarização a sua mais espectacular aparição, representando para a cultura popular da narrativa o mesmo que o motor a carvão representou para a cultura popular do moinho mecânico. O capital entra em cena e quem paga é a narrativa. As condições em que decorria este adestramento na capacidade oral dos povos do sul, uma capacidade combatida pelo fanático Platão, um homem doente e apostado em expulsar todos os brilhantes rapsodos de Atenas, foram tardiamente destruídas em Portugal, o que apenas comprova a indigência da nossa literatura impressa e a excelência da nossa narrativa oral popular que é preciso recuperar com urgência e não estou a falar dessas cenas de mitras analfabetos nos bairros sociais, que fique claro.


2.1.2.
Tenham paciência com as contradições desta vida. Existiu uma economia popular da narrativa oral, bastante mais competitiva e fraterna, amplamente destruída pela literatura impressa, tanto a dos neo-realistas como a outra. O próprio Calvino quando lembra o artesanato finíssimo dos contos sicilianos está a distingui-los da grosseria narrativa de outros materiais respigados em locais da Itália menos elegantes, misteriosos, hipnotizantes, materiais trabalhados por mãos de dedos grossos, ainda que justos e sofredores. No entanto, essas histórias nunca alcançaram o prestígio das narrativas geradas pela Sicília, cada vez mais pobre em capital, mas opulenta em cultura narrativa, o que prova a hipótese de um mercado popular oral muito eficiente nas zonas meridionais da Europa, em que as condições de concorrência eram mais interessantes do aquelas que presidiram à formação de clubes limitados de autores com as suas ineficientes editoras, ligados a forças políticas e económicas do mundo urbano de meados do século XX. Por outro lado, o que distinguia cada narrador popular era sempre um mundo de imaginação mais sofrido, um ritmo interior mais elaborado, seguro, cadenciado, uma paixão mais finamente recortada ou uma esperança mais profundamente contada, mesmo quando se exprimiam através da propensão coletiva para efabular. A rápida transação desses produtos orais e a facilidade da sua possível substituição entre narradores alternarivos, premiaram uma competição tremenda, um autêntico tear humano, uma impressora colectiva cujo papel era fornecido por cérebros naturalmente potentes e predispostos para recolher esses fios mágicos de significado perfeito e encantador.


2.1.2.2.
O caso citado por Italo Calvino (p. 32), coloca diante dos nossos olhos comovidos a maravilhosa criada e costureira de um grande casa de Palermo. Embora analfabeta, o seu desempenho é ilustrativo desta especialização do mercado da narrativa oral, onde emergem regras de competição quase perfeita. Sabemos que fazia uso de todos os recursos necessários à precisão retórica da narrativa e quando a economia moral da sua voz impunha que um navio viajasse, levando um príncipe de coração destroçado, um pirata apaixonado ou um mercador traído, a velha desencantava frases e termos da marinhagem, só conhecidos por gente com muita experiência do mar, e isto sem dar por isso. A expressão é de Gusieppe Pitré, ilustre intelectual, burguês rico oitocentista e recolector dos materiais, criado pela velha senhora, e demonstra a ingenuidade analítica do escritor escolarizado, isto digo eu, que sou uma pessoa não embalada pela dita criada, mas por criada da própria família, sabendo de ciência certa como funciona tipo de talento narrativo. Claro que a velha dava por isso, o estudioso de salão é que não dava pelo facto de a velha dar por isso. O que caracteriza esse dar-por-isso (esta merda parece um ensaio filosófico da Maria Filomena Molder) é uma junção da memória prodigiosa com o conhecimento consistente da realidade, ou seja, o domínio das capacidades de todo o génio narrativo. A invocação dos aspetos precisos do tecido narrativo, ainda mais numa cultura oral, demostram uma prodigiosa capacidade de convocar materiais impressos na memória testando os seus efeitos nas expressões dos ouvintes, e calculando estatisticamente quais os conceitos mais capazes de prender a atenção. Reparem no que isto significa de conhecimento adquirido, de trabalho e experimentação, de computação de probabilidades. Nós que fomos formados pela leitura silenciosa, temos a arrogância dos ascetas que julgam que os prazeres do amor se reduzem à contemplação das hóstias sagradas. Deus nos livre, deus nos livre.


2.1.2.2.1.
Se formos corajosos veremos que nada distingue esta velha de um semi-profissional da escrita como Melville, e lembro que este competiu num mercado altamente concorrencial, daí o seu adestramento. De um ponto de vista da técnica performativa, a precisão e o domínio com que Melville relata e maneja os argumentos e constrangimentos em questão no processo legal levantado pelo direito de guerra contra o protagonista de Billy Bud, o jovem, honrado e corajoso, marinheiro, são os mesmos com que a velha desfila preceitos técnicos da cozedura do pão, uma actividade altamente especializada na Sicília do século XX.



3.
O propósito económico agudiza a excelência, o que é o mesmo que dizer, através das palavras de Rosseau, sempre doces de citar, a necessidade é a mãe da indústria: o que seria de mim se tivesse nascido brilhante mas em berço de ouro? Seria um Nuno Crato, ou muito pior, um Mário Cláudio (tirando a mariquice, bem entendido), o que seria uma chatice de morte e uma perda para os estimados leitores que apreciam este blogue. Para não voltar à orientalice das Mil e Uma Noites, constatemos o exemplo dos vagabundos deportados junto ao rio Lena na Sibéria, correndo as aldeias para contar histórias, prolongando-as infinitamente para se demorarem até à hora do jantar e se possível, ficarem abrigados toda a noite, junto do fogo, quando a neve urrava lá fora lançando os seus punhos de vento gelado contra as portas de madeira dos casebres. Vem imediatamente à memória o caso de Tchekov, autor de um imenso repositório de dados etnográficos da mais fina qualidade, sem pinta de sentimentalismo ou redução política primária, e nesse sentido, a economia moral que preside à seleção daquele material é genuinamente estética no sentido em que obedece aos sentimentos de prazer que o escritor e médico retirava das suas recordações dos anos vividos entre o «povo», formando daquele fundo de pobreza onde se movia, as mais ricas tapeçarias narrativas, ornadas com as mais finas jóias da tragédia humana, e sinto-me inundado de vergonha só de pensar que um crítico como George Steiner compara os contos de Tchekov às torrentes mentais desconexas periféricas e sentimentais de António Lobo Antunes, autor de textos quase sempre injetados de protestos morais tristemente artificiais e previsíveis, totalmente decalcados de uma vontade de ser escritor, e pouco apostado em descrever as suas emoções mentais, por paradoxal que isto possa parecer aos leigos nestas coisas.


3.1.
Deste ponto de vista é curioso notar que António Lobo Antunes é uma razoável concretização (faça-se a justiça) nem sempre assumida, de uma admiração juvenil por dois escritores talentosos mas limitados, dois autores que dominaram o panorama literário português no final dos anos sessenta, Almeida Faria e Vergílio Ferreira, o que dá conta da confusão mortal em que podemos cair quando nos deixamos hipnotizar pelas questões filosóficas e metodológicas. À cabeça da vasta gama de armadilhas está a já estafadamente identificada Stream of consciousness, um dos mais lamentáveis equívocos na construção dos mecanismos de credibilidade narrativa, pois nada há de menos credível do que a realidade da nossa confusão mental quando não filtrada pelo génio, a elegância e uma verdadeira economia moral, como sabia o também genial explorador de materiais folclóricos, Mark Twain. Assim, para caraterizar o «povo» é preciso ter sido parte do «povo», tal como para caracterizar a nossa mente, é preciso ocupar pelo menos uma pequena parte da nossa mente, permanecendo aí dentro como Heitor dentro das muralhas de Tróia (tudo menos perder a elegância, o sentido da ordem e a posse de uma estratégia com que enfrentar a derrota da nossa mais do que evidente incapacidade de representar as coisas tais como são).


3.1.1.
É evidente que esta é a única forma de contornar os labirintos metodológicos e o enjôo dos estudos etnográficos, sociológicos e linguísticos, evitando soçobrar num mar de parvoíces teóricas e sentimentais. Eu diria que para cantar o camponês, o operário, o periférico e o vagabundo é preciso odiar o camponês, o operário, o periférico e o vagabundo com aquele ódio de quem foge de um destino horrível mas provável e conhecido, pelo menos tanto quanto se ama a arte e os seus essenciais dotes de observação, razão pela qual o mundo dos livros, tão detestado por toda a gente, aguarda com urgência a publicação das obras deste autor que vos fala, e que é um genuíno produto dos mais trágicos equívocos do Portugal revolucionário.

Stefania Sandrelli. Seduced and Abandoned (1964, Pietro Germi).

Stefania Sandrelli. Seduzida e Abandonada (1964, Pietro Germi).

15 comentários:

António Machado disse...

não passei do "folclore carnavalesco", tal foi a irritação...
de literatura não pesco uma fala mas bastou pensar num disco como "o hoje há conquilhas, amanhã não sabemos" ou numa obra de arquitectura como a igreja das águas (Nuno Teotónio Pereira) para adiar (protelar, proteladiar?) a leitura da coisa...

António Machado disse...

silvia,

deixe lá os beijos ("pois o que são beijos?")
faça a crítica literária :)

Anónimo disse...

olha lá alf, já tentaste escrever uma porra qualquer, um conto, um romance, uma novela, um argumento, uma tese de mestrado ou de doutoramento, um artigo cientifico, sei lá, uma merda qualquer, uma receita de arroz de pato, foda-se, um comentário no facebook do paços coelho, epá, uma coisa que não seja apenas a tua interpretação de merdas que foram escritas por outros? não que eu tenha alguma coisa contra isso, mas era só para saber, porque caso as tuas hipotéticas histórias ou teses ou receitas de arroz de pato, estivessem publicadas, gostava de as ler. as merdas que vais depositando na tasca do maradona não contam. foda-se, lá também eu escrevo e, em tempos, fui considerado ençaísta de topo. é verdade que nunca cheguei ao nível do ex-vicent poursan, deus me livre, mas tive os meus momentos.

outra coisa, a monica belucci, é a gaja mais sobrevalorizada da história da internet. há-as aí tão mais boas que doí ter de olhas sempre para as mesmas fuças!

eu já escrevi uma tese de mestrado. foi a segunda pior experiência da minha vida. a pior foi quando me afogando em puto, na praia. isto a julgar pelo que a minha mãe me diz. eu só me lembro de estar no posto médico a beber um copo de leite.

não conseguia tirar a merda da tese de cabeça. mas ao mesmo tempo, era capaz de ficar um dia inteiro em frente ao computador e nem uma puta de uma linha me saia. queria escrever mas nada, zero. finalmente, quando me saia uma merda qualquer, vinha tudo de rompante. era capaz de escrever umas 10 páginas de seguida. no outro dia, quando ia ler a merda escrita no dia anterior, foda-se, que frustração. acabei por entregar a puta da tese sem a corrigir, levando uma piçada do meu orientador que me tinha dito para corrigir uma série de coisas. mas foi melhor assim. sabia que se a lesse iria ficar de tal forma frustrado que teria de reescrever a merda toda. teria de pedir um adiamento qualquer. a nota não interessa. foi boa, porque tive bons orientadores e porque tive a sorte de escolher um tema interessante, a recolha de dados foi bem planeada, etc.. mas eu quero que a nota se foda.

não sei porque escrevi isto aqui.

não interessa.

ah, já sei. era para perguntar se alguém que se deu ao trabalho de produzir uma merda qualquer, minimamente original, (não que este teu post, alf, não seja original, mas uma cena nova, que tenha a pretensão de acrescentar conhecimento, como devem ser todas as teses académicas, ou que tenha como objectivo uma qualquer sublevação intelectual, cultural ou literária, sei lá, com eu imagino que deve ser a escrita de um romance, um acto de insurreição contra o que está previamente estabelecido(também não estou a dizer que este texto não acrescenta conhecimento, mas, foda-se, acho que já percebeste)) passou por uma experiência idêntica à minha, e ficou com uma raiva tal que nem sequer consegue pensar em fazer algo parecido.

mas, não interessa.

silvia disse...

AM,
Segundo o mais peor :) Nada com uns beijos ou uns abraços bem dados :)))

quanto á critica literária sou só uma leitora interessada e classuda :)
não tenho ódios não sinto ódios :)logo não tenho matéria :)

Quanto ao post subscrevo a citação do padrinho :)para quem percebe da natureza é sabido que as femeas é que determinam a qualidade da prole, fugir de uma má mulher é um ensinamento básico.



Condenado à Vida e à Morte disse...

Dada a relutância do alf para publicar a sua obra, um só romance, ou seja o que for, comento aqui, propondo um outro jogo: o jogo passa por procurar com a nossa pequena lanterna, ao bom estilo Nabokoviano, esse gajo que a cada romance escrevia ignorando o povo e essas merdas (tal como eu, o que faz de mim um gajo mais brilhante que o alf [ehehehehe]), e que portanto não teve de enfrentar os problemas que o alf aborda no post que agora comento (o que não popou, ao Nabokov, a visitas didácticas, junto da sua mulher, a motéis do país da banderia às riscas e às estrelinhas, isto para escrever Lolita ), e o jogo, já me ia esquecendo, consiste em tentar adivinhar temas, personagens, e essas merdas que dão o corpo ao romance do alf. Eu ofereço agora aqui a minha cabeça, aliás venho-a oferecendo desde o início do comentário, com as seguintes pistas, que a memória me falhe o menos possível:

O título é Uma Lenda Siciliana; não haverá madalenas, mas sim pão siciliano, e portanto temos uma personagem feminina, a padeira; para além da veggia signora vai ter gajas boas e vagabundas, morenas, ao estilo da Monica Bellucci; vai ser sobre o alf, sabemos isto da correcção do trabalho de casa do tolan, pergunto-me se aparecerá no romance, ao estilo do Joyce em Ulisses; aposto, e aqui já sinto a lâmina fria da guilhotina, que contará uma pilha exaustiva de metáforas algoritmias; a presença de pescadores, dados os neo-realismos e a Moby-Dick; ah e também aquelas metáforas nabokovianas que simultaneamente apontam para a estrutura e conteúdo do romance, bem como para a génese.

São estas as minhas apostas, em resumo, à vez de madalenas, teremos pão da Sicília.

alma disse...

hehehehe
O alf se escrever um romance será previsivel na qualidade terá um pouco de tudo do melhor fabrico literário, será elegante q.b com ironia fina q.b:)heróico q.b humilde q.b.e na certa com um final feliz.
Profundo e acutilante,heheheheh de tal forma que poucos sejam os eleitos para chegarem até ao fim ...:)
se as minhas previsões falharem o que me surpreenderá:) cá estarei para o ler com o espirito aberto e compreensivo :)

Ex-Vincent Poursan disse...


Jaquim Borralho, cego e monopolista do pregão, para na esquina da rua da misericórdia com a travessa do ferrador, pouco antes da porta do café do Zé Poeta …
agita a matraca
No blog do alf…
agita a matrca
há um post novo…
agita a matraca
fala de mim... do Homero… e do doutor Calvino…
agita a matraca
do sr. Saramago… do sr. Antunes… e do Zeca Afonso…
agita a matraca
do amaricano Melville… duns russos… e alhos e bugalhos…
agita a matraca
a quem o ler… dá-se por garantido… muita parra e poucas uvas… mas boas…
agita a matraca
tem também… a boca Monica Belluci…e as pernas da Stefania Sandrelli
agita a matraca
o mano Agulhas do monte velho, vende um burro… inteiro e com 7 anos…
agita a matraca
no cine teatro passa à noite o filme ladrões de bicicletas, do De Sica e do Zavattini...
agita a matraca
o post é á borla… o burro 200 euros.. e o bilhete a 2!!!


Mergulhei, encarpado e apneico, no realismo mental. Fiquei sem os calções no impacto violento e expus os tomates à curiosidade lasciva de três viúvas sicilianas, mas valeu a pena… produzi aqui um breve e brilhante apontamento sobre essa coisa do realismo… neo, mental ou paranormal, tanto faz.

P.S.
Com toda a modéstia… conto com a atenção dos editores.
Não é tese e está longe do romance, mas caralho… um gajo lê isto e diz logo: fodaçe e refodaçe… aqui há génio!!!

António Machado disse...

alma

se o (seu) romance do alf fosse um bolo seria intragável de tanto ingrediente q.b. :)))
se bem batido, levanta, mas sem fermento literário não vai longe :)))

Condenado à Vida e à Morte disse...

alma, discordo apenas quanto ao final feliz. Aliás não me recordo de nenhum final feliz em obra alguma. Eh, se calhar o problema talvez seja meu, estranhar a companhia dos personagens... ou talvez, pensando melhor, seja seu, falo nomeadamente dos smiles, ou lá como isso se designa, que insere como complemento à pontuação. :(

Anónimo disse...

vicent poursan, provocaste em mim uma sensação parecida à que experienciei quando tentei entrar na obra de mário de carvalho, através da leitura de afamado, apresentado por ricardo araujo pereira, e intitulado livro "quando o diabo reza".

juro.

não sei é que sensação é essa. só sei que não consegui acabar o livro.

mas prometo tentar num próximo episódio.

Ex-Vincent Poursan disse...


oh anónimo, obrigado pá.
realinho o P.S. do meu comentário anterior:

à atenção dos farmaceuticos... um gajo lê aquilo e diz logo: fodaçe e refodaçe… que eficaz vomitório!!!

Anónimo disse...

no fundo, bem lá no fundo, somos todos autores dos anos 2000. uns publicam outro não, mas somos todos a mesma merda. ou então não.

http://www.malomil.blogspot.pt/2013/03/um-autor-dos-anos-2000.html

Ex-V.P. disse...

peço desculpa por tanta presunção, três comentários no mesmo post do alf, mas não consigo deixar de referir de novo o link do anónimo anterior:

http://www.malomil.blogspot.pt/2013/03/um-autor-dos-anos-2000.html

Anónimo disse...

Puta que o pariu. Aquilo sim deve de ser uma gaja perigosa.

António Machado disse...

às pessoas, em geral, que não gostam de smiles :)))

http://www.youtube.com/watch?v=MiPqVryHDrY