quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um muro contra o desespero: Primo Levi.


'If chemists can write like that, God help the writers'
 
Siddhartha Mukherjee
 
 
Carole Angier, The Guardian,

 
 
The Double Bond: Primo Levi: A Biography
 




1.
Se há problema que ainda é capaz de assustar esta barata curiosa, a humanidade, é precisamente a capacidade de colocar a pergunta sobre a legitimidade de quem fala. Estimulado sobretudo pelos meus inimigos e amigos ocasionais (os generosos e essenciais anónimos bem como os comentadores fiéis) forjo nesta gloriosa bigorna da blogosfera a minha personalidade incandescente, mais próximo de Heitor do que do Ulisses, mas devo lembrar que a diferença entre mim e Philip Roth ou Gonçalo M. Tavares se constitui desde logo a partir da qualidade e quantidade do arsenal de guerra que tanto mais me assiste quanto maior é a violência e o inesperado do combate - e por isso não preciso de recorrer tão assiduamente às charadas e aos esconderijos linguísticos - para não falar da nada comparável genealogia da minha mente, o que explica tanto a irrelevância filosófica de autores especializados em filosofia de bolso (P. Roth ou M. Tavares) como a pertinência dos meus textos, que mesmo publicados neste lugar obscuro e produzidos por um ainda mais obscuro autor, alf, vão mobilizando as críticas dos fiéis situacionistas que desempenham aqui o importante e sempre nobre papel assumido pela multidão esfomeada nas últimas tragédias de Shakespeare. O desespero cego é o motor relapso contra o qual o escritor exerce a sua perversa e eficiente desmontagem do maquinismo humano.

2.
Devo avisar que a tranquila paciência do mestre oriental é o único elemento animado após séculos de contacto com a Igreja, vivendo ainda nas cavidades da minha consciência como uma toupeira que, estranhamente fortalecida pela fome, fosse sobrevivendo a sucessivos desastres geológicos. Compreender a natureza da nossa espécie é compreender o equilíbrio instável, o fenómeno que faz da do contraste a âncora de aço que nos impede de sermos tomados pelas vagas de movimento incessante que parecem constituir, de forma paradoxal, a estrutura do mundo. Sem inimigos não somos ninguém, e por isso, é com a paciência do rabi judeu que acolho as pedras lançadas pelos anónimos que aqui vêm descarregar a sua fúria. Irmãos na incompreensão e na dor perante a fugitiva realidade das coisas que nos magoam, aprenderemos juntos a neutralizar este tirano insidioso, a mente, esse polvo conceptual, a consciência, esse computador cego, o corpo, que imparáveis na sua insuficiência individual, e desesperados na sua multiplicidade monstruosa perante as deslocações de força que respondem a uma economia cujos fundamentos se processa numa outra escala, parecem só saber produzir ordens violentas e contraditórias, proclamar declarações de guerra incompreensíveis, rasgar os precários acordos entre o nosso corpo cansado e a exausta realidade da nossa história.

 
 
3.
Primo Levi é um dos mais extraordinários escritores da história do mundo ocidental e não exagero ao proferir tal juízo, precisamente porque mais do que qualquer outro, compreendeu e combateu a tragédia do mundo que estamos prestes a construir, e que viverá angustiado pela dificuldade em separar a realidade da ficção. Quanto à altitude a que se eleva a sua escrita, deve-se tanto a factores morais como estilísticos, o que só é acessível aos indivíduos que reuniram as condições favoráveis (e atrozes, para sermos mais precisos) que forjam as capacidades essenciais para descrever o ambiente interior e exterior do seu corpo, sempre com excruciante claridade. Já aqui repeti várias vezes, mas repito-o com generosa paciência, que os meios de comunicação, forma e conteúdo, dependem de uma relação entre os limites materiais de cada meio de expressão, e dos códigos utilizados para significar os padrões mentais. Claro que é sempre possível viver em realidades paralelas (veja-se o caso da literatura bíblica) mas é também claro que o romance está morto e enterrado desde Cervantes, o que significa que o problema mais perturbador do século XX não foi a caracterização poética da maldade, que M. Tavares incansavelmente pretende destruir com instrumentos teoricamente deduzidos da razão filosófica (há quem chame erradamente ao seu exercício um ramo da Lógica, o que só demonstra a indigência dos portugueses como cultura filosófica)  mas sim a incapacidade de continuar a mover a descrição do mundo através da fição, diante da capacidade horrorosa do produzir o mal. Todos sabemos que foi Walter Benjamim quem primeiro decretou a morte do narrador exatamente no termos da exterminação da cultura oral, da sociedade rural e da família cristã (diria eu) mas é curioso assistir à inconsistência manifesta do escritor contemporâneo, tão lesto no processo contra a ciência, mas tão benévolo com os prémios, os agentes e a cultura literária que o reproduz monstruosamente em cada igreja cultural (para não me referir à escola) com um rigor maquinal e uma indestrutível força nazi.


 
4.
Parte da angústia do magnífico livro de Primo Levi, O Sistema Periódico, advém deste singelo facto. Levi esteve na face da morte, roubou para sobreviver, viu as monstruosas entranhas da máquina, assistiu à destruição da sua identidade como se observasse num espelho a sua própria decapitação, e entendeu que perante isto, ou fazia silêncio ou perpetuava a farsa  ridícula da ficção moderna (o homem x, com o perfil y, prosseguia na acção z) ou caía para dentro do abismo Joyceano da linguagem, ou recontava burguesmente a proustiana paixão da sua consciência, tudo formas esgotadas de fingir que a publicação de livros pode ter ainda um sentido moral ou muito pior, útil. Pouco depois do seu regresso, ainda enlouquecido, publicou em 1947 Se Questo È un Uomo mas basta considerar o ridículo caso da tradução americana do título Survival in Auschwitz, para entender os equívocos porque passamos ao passar da tragédia individual para o mercado do livro. É tão trágica a superioridade da cultura literária inglesa, que traduziu a difícil expressão italiana por If This is a Man como é cómica a esterilidade literária americana, um país que, repito, depois de Melville, a única maravilha que produziu foi o computador pessoal (o que não é pouco, note-se, e é bem capaz de ser a razão pela qual o primeiro grande escritor digital poderá vir a ser americano).

 
 
5.
O dilema de Levi como o próprio confessou por diversas vezes em entrevistas, e nem seria necessário, dada a clareza com que escreveu os seus livros, decorria do peso da sua memória, comparando-se com ironia ao sinistro personagem de Jorge Luís Borges, Ireneo Funes «el memorioso», um indivíduo incapaz de esquecer, e cuja massa cinzenta computava em segundos as infinitas imagens de tudo aquilo que os olhos captavam na sua rotação precipitada e incessante. Primo Levi viveu a experiência do assassinato meticuloso e da degradação moral num ambiente controlado por uma planificação de interesses totalmente desligada dos instintos tradicionais, onde se misturavam elementos irracionais e instintos biológicos, e viveu com especial capacidade de recordar, o que constitui a tragédia da seu sofrimento e o fundamento da sua infinita capacidade como escritor. O nazismo foi a primeira experiência absoluta de robotização humana, um aspeto tão assustador que poucos para além do quase maluco Jorge Luís Borges, e do seu mais fiel leitor e igualmente maluco, Roberto Bolaño, compreenderam a importância e empreenderam a tarefa de procurar qual o detonador da loucura alemã em 1939. Borges explica no seu epílogo ao fascinante conto «Requiem Alemão», como até os germanistas se revelaram incapazes de compreender a tragédia do nazismo: nem mais, nem menos do que a invenção de um mundo totalmente humano. Como o humano não tem limites definidos, os campos de concentração, logicamente, também os não tinham, o que levou o Terceiro Reich a empreender uma fuga desesperada para não se confrontar com a própria incapacidade de fundamentar logicamente um plano que não tinha pontos de apoio se não o desejo. A história da segunda guerra mundial está por escrever e enquanto não a escrevermos não estaremos em paz.
 


6.
Levi foi o primeiro a iniciar esse difícil trabalho. Preso em Auschwitz e forçado depois a trabalhar como químico no Laboratório de Monowitz, o que lhe terá ironicamente salvo a vida, Levi foi um dos escravos utilizados pela poderosa I. G. Farben que sustentou não só o fornecimento de gás aos campos de concentração como uma percentagem significativa dos materiais utilizados pelo exército alemão: borracha sintética (100%), metanol (100%), óleo lubrificante (100%), plástico (90%), magnésio (88%), explosivos (84%), ácido sulfúrico (35%) segundo o extraordinário Wall Street and the Rise of Hitler, Capítulo II. Com o rigor geométrico de Jonatahm Swift percebeu que o dilema da caracterização poética do terror nazi, podia ser enfrentado com a competência do químico industrial, a sua profissão, desde que munido com uma tremenda desconfiança perante as recusas semânticas do experimentalismo pós-moderno, fruto de um tremendo cansaço perante as densidades magmáticas da língua - categorização exemplar da pedantice literária que teve em Portugal o seu expoente máximo em Eduardo Prado Ceolho. Assim, utilizaria o próprio veneno da maldade para envenenar o maldoso. Levi começou por recusar a natureza insuportável da ficção (aquilo que julgo ser o pior pecado de M. Tavares, que explorando sem vergonha o sub-texto do nazismo, do mal mecanizado, e referindo-se várias vezes à impossibilidade da poesia depois de Auschwitz, e outras banalidades desarmantes, cai impiedosamente no ridículo do Era uma vez, desdobrando-se em prémios atribuídos a livros sobre o mal; mas alguém acredita que um livro sobre o mal seria realmente premiado?). A literatura só podia ser resgatada com a colocação da experiência individual no campo de visão do livro. Primo Levi disse-o de forma clara: «o inarticulado não é o articulado, o ruído não é o som. As Páginas brancas são páginas brancas e o melhor é chamar páginas brancas às página brancas. E se o rei vai nu é honesto dizer que o rei vai nu». Cristalino. Só um autor muito corajoso assumiria em primeio lugar que o sistema literário, baseado na República das Letras, é em grande medida a assunção de um desejo de superioridade, sistema que está também, e de forma muito fundamental, na base do nazismo. Lamento informar-me a mim próprio desta triste realidade mas é a triste realidade, como os anónimos (e não só) deste blogue, almas revolvendo-se no fogo purgante do esquecimento, gritam aos meus ouvidos a toda a hora.
 
7.
A consistência deste princípio demonstra-se pela desarmante incapacidade que sinto neste momento para mergulhar nos méritos literários de O Sistema Periódico. O rigor e a sinceridade desarmam a astúcia. Mas basta reler algumas das suas páginas para logo sermos atingidos pela tranquilidade, e esse julgo que é talvez o dom mágico de Primo Levi: levar-nos pela mão a contemplar o Inferno. Não julgo especialmente pertinente elaborar sobre a estrutura organizativa do livro, uma associação entre a numeração atómica dos elementos, as suas características físico-químicas, e o tom geral de cada pequena narrativa. É importante reter que a página estava em branco e que uma mente especialmente poderosa, culta, elegante e corajosa, resolver partilhar com o leitor a sua impressão do mundo. Primo Levi começa a crónica da sua juventude, relatando os anos universitários, a sua paixão por uma leitora de Thomas Mann (é ainda Levi o ingénuo) tornando-se depois fiel discípulo de um Assistente da Faculdade, fascinado pela física teórica que contrariamente à sujidade culinária da química guiava os aprendizes pelos labirintos elegantes das formulações cósmicas, isto nos meses em «que os alemães destruíam Blegrado, despedaçavam a resistência grega, invadiam Creta por ar» (p. 78). É comum referir-se que a elegância do livro se baseia numa recusa da retórica, um juízo anglo-saxónico fruto de um desconhecimento prático da tradição litrária meridional, um desconhecimento que associa os latinos ao barroco, esquecendo que Platão, Cícero, Xenofonte e Séneca não nasceram nos lameiros do norte da Europa. A elegância do livro baseia-se antes numa economia de meios que é bem exemplificada pelo conjunto de «coisas essenciais» que Primo Levi leva para Milão em 1942: «a bicicleta, Rabelais, as Burlescas, Moby-Dick traduzido por Pavese, o picão, a corda de escalar, a régua logarítmica e uma doce flauta» (p. 139). Sempre me foi mais fácil encontrar na história da literatura pessoas com quem se pode conversar.
 
 
8.
Depois de ter estado do outro lado da vida, regressa a Turim, em 1946, e resume o seu programa. «As coisas vistas e sofridas, ainda mais me queimavam por dentro; sentia-me mais próximo dos mortos do que dos vivos, e culpado de ser homem, porque os homens tinham edificado Auschwitz, e Auschwitz engolira milhares de seres humanos, muitos meus amigos, e uma mulher que me estava no coração. Parecia-me que me purificaria contando, e sentia-me semlhante ao velho marinheiro de Coleridge que aborda na rua os convidados que vão à festa para lhes infligir a sua história de malefícios» (p. 190). É a paixão por uma mulher que o resgata, a vitalidade triunfa numa espécie de programa ilumista e contra-romântico, a escrita «torna-se uma obra de químico, que pesa e divide, mede e julga sobre povas certas e se dedica a responder aos porquês» (p. 193). Levi percebeu que nada há de mais fertil literariamente do que a realidade e quando descreve o pai do seu companheiro de transformações do estanho, surge um velho de bigodes, proprietário do monopólio do sangue dos bovinos abatidos no velho Matadouro Municipal. «Com o sangue fabricava botões, cola, frituras, chouriço de sangue, pinuras murais e massa de polir. Lia exclusivamente revistas e jornais árabes que vinham do Cairo onde vivera muitos anos, onde lhe nasceram os três filhos, onde defendera a tiros de espingarda o Consulado italiano contra um multidão enfurecida e onde deixara o coração (p. 233). O elogio dos que não têm medo de errar, a crítica do revivalismo das glórias passadas, dos memento mori, e uma sistemática desconfiança perante os homens temerários de outra casta, assediados mais pela ruína dos outros do que pelo próprio triunfo, que nos romances chegam dos confins da terra para estragar a aventura dos heróis positivos» (p. 265).


 
9.
O último conto é uma apoteose de erudição científica sobre a profundidade poética, um algoritmo para o que nos resta fazer diante das páginas em branco do século XXI. Conscientes da física nuclear, não podemos permanecer num paradigma pré-renascentista, quase proto-aristotélico, de consciência individual, fazendo de conta que a nossa unidade é a mais poderosa lei do universo: já nem os economistas neo-clássicos acreditam nisso. Primo Levi segue a história de um átomo de carbono, avisando desde logo que nesta unidade de medida é impossível falhar, dados milhões de hipóteses de verosimilhança expressos pelas movimentações das partículas, uma vez que mesmo escolhendo aleatoriamente o ano de 1840, a infinidade de trocas e fenómenos é de tal ordem que podemos seguir por onde quisermos, desde que nos mantenhamos fiéis a um percurso ditado pelas leis da ciência. A ironia alia-se à compreensão para vencer o medo e o desespero. Basta então escolher o átomo, neste caso, carbono. Pode ser na inspiração pulmonar do falcão, depois a penetração no seu sangue, depois a permanência no vento, durante oito anos, e a viagem sobre «o mar ou entre as nuvens, sobre florestas, desertos e incomensuráveis extensões de gelo» (p. 286) depois ultrapassando «os Apeninos e o Adriático, a Grécia, o Egeu e o Chipre», até chegar ao Líbano, onde o átomo se introduz no «tronco venerável de um cedro, passando para um caruncho, que vai cavando a sua galeria entre o tronco e a casca, até sair na Primavera sob a forma de um borboleta feia e cinzenta que está agora secar ao sol, transtornada e deslumbrada pelo esplendor do dia; é aí que ele está (novamente o átomo), num dos mil olhos do inseto, e contribui para a visão sumária e tosca com que ele se orienta no espaço. O insecto é fecundado, põe os ovos e morre; o pequeno cadáver jaz no bosque rasteiro, seca, mas a couraça de quitina resisite durante muito tempo, quase indestrutível. A neve e o sol abatem-se sobre ela sem a danificar; está sepultada sob folhas mortas e o terriço, tornou-se uma presa, uma «coisa», mas a morte do átomos não é irrevogável. Eis que se entregam ao trabalho os omnipresentes, os incansáveis e invisíveis bichos da manta mora, os microorganismos do húmus» (p. 291).»
  

 
10.
Qualquer livro de Primo Levi é um compromisso com a elegância e um desafio sobre os limites da beleza, onde um trapezista hábil segue por um tensa e consistente corda linguística olhando com tranquilidade o infinito abismo da razão. O precípicio que se abre diante do percurso não é uma metáfora. Se Isto é um Homem foi recusado em 1946 por todas as maiores editoras e apenas uma pequena casa vanguardista, De Silva, publicou 2500 exemplares. Vendeu cerca de 1000 cópias e talvez por coincidência, a editora fechou pouco depois. Dois anos depois de ter aparecido, o livro estava esquecido e apenas em 1958 foi reeditado. Se o leitor quiser experimentar a sensação perturbante do girar da roda da fortuna, identificada por esse cínico secretário florentino, Maquiavel, e sentir assim uma aproximação à vertigem,  basta passar em revista as críticas do New York Times sobre as traduções americanas da obra de Primo Levi. O tom hesita entre o paternalismo, a decepção e um entusiasmo moderado. Apenas depois de 1987 se notam as abundantes pinceladas de verniz reservadas para os cadáveres dos canonizáveis; 1989 é já um ano de enrugamento da testa (o muro não tardará a cair) e depois dos anos 90, as críticas evoluem para uma elegia revestida de tonalidades cada vez mais carregadas e exuberantes. Com efeito, Abril de 1987 foi o mês em que Primo Levi, em circunstâncias obscuras, se precipitou nas escadas do prédio onde nasceu, em Turim, para onde voltou depois da guerra, onde completou o seu último e profundo livro, nunca publicado, e onde vivia até morrer nesse enigmático momento.

16 comentários:

António Machado disse...

gosto mais do tio vánia e do avó cantigas
por 10 ordens de razões

Izzy disse...

Estava aqui a pensar de onde eh que eu conhecia o nome Siddartha Mukherjee e lembrei-me que o ouvi na radio, a caminho do supermercado, a falar sobre a infancia na India e a morte da avo. Fiquei no carro uns bons minutos a matutar no que ele disse sobre a velhota e os rituais funebres indianos... e depois fui comprar fiambre e clementinas. http://www.prx.org/pieces/87685-the-moth-radio-hour-1302-air-window-1-8-13-1-1

Nao me sinto digna de dissertar sobre o Sr. Levi.

Ex-Vincent Poursan disse...

Fodaçe!!!... vamos lá a ver se me faço entender.

Curto, com suficiente tolerância contido fastio e rasteiro interesse, artigos de crítica literária. Este - duvidoso digamos assim – interesse, não resulta de ser dado a confronto de opiniões literárias - confesso que por falta de combustível -, mas da necessidade de ter disponível uma primeira abordagem, aparentemente culta e inteligente, em confrontos de sedução rápida com gajas a quem se lhe lubrifica a passarinha com conversas relacionadas com essa tal de literatura.

A técnica é conhecida. Aparece-nos pela proa uma gaja interessante que nos desperta um irreprimível desejo de a papar – dá tusa pronto –, identifica-se a sua área de interesse e manda-se uma boca vaga, mas minimamente coerente, tipo: isto é só a amostra, sei bué disso mas fiz uma jura de só abordar esse tema na cama;… e avança-se com o cuidado que dedicamos á travessia dum campo minado. Depois logo se vê… é navegar á vista e ir lançando olhares piçalhudos embrulhados em feromonas.

Aqui no meu arquivo de bocas, que mantenho actualizado e por ordem alfabética, de levis até tenho umas quantas entradas.
Se for dada à finança tenho umas histórias duns levis conhecidos no mercado. Se liga a modas e marcas mostro as calças levis. Curtindo espíritos e ocultismo – é raro, mas há gajas destas minimamente papáveis – amando-lhe com o eliphas. Com queda prás bicicletas – aqui é um mundo de gajas boas – dou-lhe logo com leipheimer por oposição ao armstorng. Padecendo de interesse por antropologias e derivados, tenho o levi strauss – normalmente o tristes trópicos dá –. Se se entusiasma com a literatura, tenho-me safo até agora com o carlo levi – o Cristo parou em eboli e um parágrafo sobre uma descida de avião em palermo têm chegado -.
Acontece que, por essas tais políticas editoriais que tanto te encarquilham a alma, este tal de primo levi anda agora a boiar em tudo o que é poiso de gaja profissional liberal – e não só - dada a essa porra das literaturas mas suficientemente saudável pra se interessar por quecas.

Vem isto a propósito de, apesar do entusiasmo que dediquei ao teu post, não conseguir fazer uma síntese minimamente aceitável para debitar em situações que.

Onde eu quero chegar com esta treta toda, é á possibilidade, disponibilidade, solidariedade masculina ou lá ao que tu fores sensível, para disponibilizares aqui tudo o que um gajo precisa saber sobre o primo levi em 10 linhas.

Já agora… antecipadamente grato.

António Machado disse...

palpita-me que 9 chegam

Anónimo disse...

alf, os meus parabéns.

tinha dito, uns dois ou três postes atrás, que já havia lido cerca de 35% do sistema periódico do primo levi e que a tua análise da obra em questão poderia levar-me a ler os restantes 65%. pois bem, não só vou ler os respectivos 65% em falta como vou ler novamente os 35% iniciar, perfazendo assim isto uma leitura de 135% da obra em questão, isto graças a ti.

mas agora vamos ao que interessa.

como sempre, o tema principal não o é. e parece-me que isto tudo serviu apenas para ensaiares uma espécie de ataque preparatório ao gonçalo m tavares.

não quer isto dizer que não sejas apreciador genuíno da obra primo-leviana. mas se fosse só isso tinhas feito uma merda pastelosa como a que fizeste 2 ou 3 postas a baixo com o shakespeare.

seja como for, o benfica ganhou. isto ou é o prenuncio de uma época vitioriosa em todas as frentes, ou então, estão a dar as últimas a a partir de março vai ser sempre a descer. o beira-mar-fcp de amanhã pode ajudar também a estas contas. não esquecer que a equipa de ulisses morais tem uma dupla de centrais formada por hugo e tonel. repito, hugo e tonel.

ok.

vamos lá então ao sistema periodico.

cumprimentos,
Anónimo.

Anónimo disse...

10-VP-10
Argon - a Susana dos chouriços era uma raridade
Hidrogênio - altivo e tremeliquente no primordial interlúdio
Zinco - tudo ao molho e fé.
Chumbo - são melhores as raparigas que se encontram pelo caminho
Mercúrio - eu, o próprio, quedei-me por força da luta da Maggie
Fósforo - a Giulia era lixada
Titânio - a Maria tem-me feito
Arsênio - a viúva negra
Azoto - o batom pode foder a vida dum homem
Carbono - elas estão em todo o lado
Rãs - também as há venenosas
GB

Tolan disse...

eu gostei muito deste post.

Zé disse...

Lê a entrevista/conversa do Roto com o Primo num livro chamado Shop Talk. Já agora lê esse livro todo.
Podes ler também um outro livrito chamado Reading myself and others do mesmo Roto.
Ficarás a perceber que para escrever coisas giras sobre grande literatura, não é preciso vir com merdas do género "todos sabemos que foi Walter Benjamin...".
Fazes-me lembrar um gajo que ao mostrar-me uma casa que queria vender me disse a propósito de um quadro giro que tinha na parede: "Como você sabe a evangelização da Rússia começou pela Crimeia..."
Um grande abraço, mas descontrai foda-se

Zé disse...

Porque sou um anónimo honesto pa caralho, deixo aqui nota de que estive agora a ler o post - ontem tinha ficado entupido no "todos sabemos que foi Walter Benjamin" - e que é um belíssimo texto. Obrigado.
Isto não prejudica (muito antes pelo contrário foda-se!) o meu comentário anterior. Dizia, parece, alguém que "escrever é cortar palavras". Parece-me a mim que ganhavas em cortar os Walteres Benjamins que não acrescentam nada

Anónimo disse...

"escrever é cortar palavras"

(escrever é esculpir a língua)

alma disse...

Muito bom post como já nos habituou o alf :)
e agora excelentes comentadores tb :)

concordo com o anónimo que diz que é sério :)o WB não era preciso :) ok fica sempre bem para angariar a franja dos desenvoltos que julgam que a história é feita pelos vencedores :)))

vou ler o primo levi (não sei se terei anos de vida suficientes para tanto que tenho para ler :) não podendo ler tudo há que seguir as dicas do alf :) vão por mim poupam tempo e algum dinheiro :)

com a net sempre a cair não está fácil vir até aqui ...:)


alma disse...

hehehehe
adenda:
peço desculpa ao Zé que é o tal anónimo honesto :)

Anónimo disse...

cara alma,

anónimo sério? anónimo honesto? não existe tal coisa.

tal como não existem anónimos desonestos.

existem anónimos. apenas anónimos.

e anónimos somos todos. eu, tu, o zé e até o alf.

e agora vou ali e já venho.

Izzy disse...

Eu corroboro o comentario do Ze. Tambem nao aprecio muito a walterbenjaminice dos posts do Alf.

Ernesto O. Gibbons disse...

Eu arriscaria dizer até que o ditado é a ferramenta central de qualquer ditadura.

Dito isto, um muito obrigado por mais uma publicação tão cristalina.

Anónimo disse...

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