quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Agora que o Carnaval acabou e Bento XVI contagiado pela obra prima de Moretti resolveu ir esgalhar no pessegueiro em sossego, podemos finalmente continuar a nossa análise médico-cirúrgica das razões que explicam a relação entre a subida do número de visitas deste blogue e a redução do número de seguidores.

Para responder a uma pessoa particularmente irada com a introdução na minha horta vocabular dos elementos recolhidos no campo semântico das alfaias agrícolas teria que adiar a minha análise do magnífico O Sistema Periódico, de Primo Levi (com especial referência ao interessante caso de Gonçalo M. Tavares - uma pessoa de talento e trabalho, o que é altamente respeitável nos dias que correm, mas que falhou uma obra realmente incontornável por medo do insucesso, o que o levou a ligar-se demasiado cedo a Professoras Universitárias de Filosofia especialmente confusas, Filomena Molder, e escritoras especialmente brilhantes na terra das perturbações cognitivas, Gabriela Llansol, o que pode ser bem demonstrado pelo seu ridículo opúsculo, agora reeditado, Breves Notas Sobre as Ciências, que é, como em tempos lembrou o maradona, uma brilhante demonstração de ignorância militante, de má fé argumentativa para não falar de um inaceitável obscurantismo medieval fundado numa arrogância metodológica sem precedentes, tiques literários modernos - também comuns a P. Roth - muito justa e eficazmente torpedeados sem piedade por um escritor inqualificável de grandeza, conhecimento, precisão e génio como Primo Levi).
 
 
O caso da inanidade literária de Philip Roth julgo que é auto-comprovado pela sua vasta e descuidada obra (veja-se, a mero título de exemplo, o número de palavrões descontextualizados, factor que costuma ser um indicador fiel de impotência estilística, e contra mim falo, para não falar da infertilidade confrangedora dos temas: intelectual deprimido tem problemas com a pilinha; escritor confuso medita sobre o desejo; professor angustiado naufraga na sua própria incapacidade amorosa) mas um dia destes vou verificar novamente, uma vez que se há coisa que eu respeito são as opiniões dos meus leitores. Quanto ao inchaço antes do tempo, confesso que é uma coisa que me atinge particularmente porque a expressão «antes do tempo» isto é, antes da prova demonstrada e cabal da obra de génio, revela que o leitor ainda não logrou compreender que não só essa prova tem sido constantemente oferecida de forma gratuita, como existe uma confiança excessiva nas minhas capacidades futuras, no empreendimento consistente da minha carreira como escritor, na evolução linear do meu trabalho como autor de obras publicadas e inscritas no mercado do livro e outros tópicos estudados pelos economistas, quando essa planificação de uma sociologia da qualidade (que aqui tenho desenvolvido) e dos critérios que devem considerar-se a propósito dos méritos públicos de um autor são tarefas sempre em aberto e que acompanham a realização da obra, e qualquer antecipação externa ou prematura é justamente o que impede um escritor de ser um escritor. Mais uma vez confio nas opiniões dos meus leitores: a eles caberá efectuar o trabalho mais pesado e infértil, perpetuar a crónica viva das minhas capacidades e a denúncia clara e impiedosa das minhas limitações (eis o que o mercado do livro não tem sabido oferecer, por medo de esgotamento da mama, e que a blogosfera oferece de forma gloriosa, ainda que com os problemas de mediação e hierarquia que nos são conhecidos).
 
 
Espero ter oportunidade de proceder ainda no dia de hoje ao prometido ensaio sobre Primo Levi, isto se me for possível completar todas as tarefas agendadas antes do Manchester United-Real Madrid.

4 comentários:

silvia disse...

heheheheh
Os acontecimentos recentes do Papa fizeram-me linkar :) o filme do Moretti(sim senhor) e a frase do o.W. "a vida imita arte" nem mais :)

peço desculpa de só agora dar os parabéns pelo Post sobre o shake mas estive num convénio que me ocupou até hoje o meu limitado tempo e saber.

quanto ao P.R. li em tempos qualquer coisa mas para nada me restar na minha bela memória é porque não havia nada para memorizar .

Com toda a certeza afianço que terás os teus momentos de glória na vida intelectual como em convénios de outro tipo :)

Anónimo disse...

tou à espera dessa merda do primo levi faz algum tempo.

já li cerca de metade (vá la.. 30%) do tal sistema periodico e gostei bastante. os outros 70% serão lidos quando me apetecer mas a tua análise poderá ser coiso importante para o desfecho de.

agora publica.

o m tavares também me enganou com essa coisas das "breves notas". mas que, tirando isso, tem obra de qualidade.

o manchester vai trucidar o real madrid. 3-0. van persie, remate colocado fora da área, rooney, de cabeça, após cruzamento de van persie, giggs, com a bengala. na segunda mão a dose repetir-se-á, e depois o mourinho vai demitir-se.

também aqui acabaram os segredos.

António Machado disse...

o tavares (está na prateleira da biblio ao lado do outro...), o tavares favorito dos betos de direita da blogo (sim, tb há betos "d'esquerda") nunca m'enganou (nem me levou, ao engano, à leitura)
o PR não é um SB mas não é mesmo nada mau
abébias para o tavares... rigores (pois...) para o PR...
a silvia recorda o que almoçou no dia em que leu o PR?...

Zé disse...

Sou eu o indignado ou lá que é. O ponto era só um: enxada é com x, o Roth é o melhor escritor vivo (enfim tecnicamente vivo) e tu dizes muito mal e pouco bem.

Tens talento, tens cultura, despejas maradonismo com virtuosismo e prolixidade, aproveita melhor os teus talentos.

Por exemplo o tal Gonçalo M. Tavares só li um livro, gostei pouco mas lá por isso acho que é um gajo bom. Escreve imenso e vê-se que não é parvo (embora pudesse ter um aspecto menos parvo).

Quanto ao Roth já percebi: ainda não leste meu sacana! Ou melhor leste 2 ou 3 traduções manhosas e estavas com preguiça mental. Agora deixaste-me a pensar: será que também não leste o Shakespeare meu impostor? Serás um Baptista da Silva da literatura blogosférica?

Seja como for um abraço