quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Razão: o grande momento das pessoas fodidas até à ponta dos cabelos por discursos opacos e mistificadores.

A fotografia abaixo aduzida oferece-me a oportunidade mediúnica para explicitar por que razão a utilização dos colhões do padre Amaro, naquela vertiginosa lista de coisas que podiam eventualmente assistir aos que requerem a apresentação de alternativas (confundindo-me de forma soez com o maior partido da oposição), não pode nem dever ser confundida com uma possivelmente díspar e semióticamente diversa aplicação dos colhões do padre Inácio ao efeito enumerativo do texto. É evidente que o padre Amaro ocupa no imaginário refundido da crónica portuguesa um efeito parecido com o que desempenham na arrecadação as esfregonas descabeladas por um excesso de utilização: já não servem mas há um misto de inércia sentimental e preguiça fisiológica que sustenta a sua permanência junto à máquina de lavar. Do mesmo modo, Eça de Queiroz representa no cérebro do homem português medianamente culto um prostituído e sobre-explorado vestígio de um passado de ódio à política e de crítica fácil e pueril à corrupção moral dos cónegos de província, um instrumento moralizante, de baixa rotação, sempre pronto a ser reivindicado pelo mais sabujo e ignorante dos escritores paroquiais, ou não fosse o mesmo Eça um gajo que na segunda juventude foi reponsável por um jornalito em Évora, conseguido para o jovem prodígio com a cunha do seu bastardo pai e o dinheiro facilitado por um empresário de sucesso montado nas costas dos burros alentejanos daquela tão triste época.
 
 
Já o padre Inácio remete para uma figura erudita, anónima, livre e serigaiteira (uma das mais espectaculares palavras da língua portuguesa e tristemente negligenciada pelos aclamados escritores de todos os países de expressão lusitana, incluindo os que pertencem ao recentemente estudado cânone angolano,  monumental empresa literária que vi publicada recentemente à vista de todos nas prateleiras da Fnac e que tive receio de abrir não fosse eu deparar-me com o Ondjéky, ou Ondjiaky, ou Onddjaaáki, Ondjakyiii, ai caralho, Ondjaki, assim é que é, e sofrer uma comoção cerebral ao nível do baixo ventre. Dizia eu que o padre Inácio é homem para beliscar beatas se as apanhar de cu alçado no apresto das flores para a festa de S. João, ou passar a mão pela anca das viúvas catequistas (há sempre duas ou três) se as supreende a cortar açucenas para florir os suaves pés descalços da virgem, é homenzinho para desgraçar o casamento de uma paroquiana mais bovarizada e fugir para uma grande cidade, é menino para chamar o cónego Seabra e aplicar-lhe uma valente sapa no cachaço obrigando-o a reconhecer que o grande momento da razão foi quando Jesus Cristo percebeu a alhada em que se tinha metido, e entrou num processo de afrontamento claro da autoridade, convocando os amigos para uma ceia de taberna, e acabando no meio de um festival de chicote militar e chacota pública, desaparecendo, em estilo levitante, depois de ressuscitar ao terceiro dia, conforme as escrituras, depois de uma despedida condigna de Maria Madalena (ele era samaritanas, ele era mulheres que lhe perfumavam os pés para depois os enxugar entre cabelos de seda, ele era mulheres com vasta experiência e longo estudo misturado, e um gajo, aqui, exilado por uma adolescência feita de empurrar velhinhas do lar para a missa e da missa para o lar) desaparecendo entre legiões de anjos e deixando a malta toda à rasca com esse mega monumental momento da razão: o chamado negócio da China, que consiste na exploração sistemática do medo, da confusão e da fragilidade congénita das pessoas sensíveis e desarmadas perante os mistérios do mundo.
 
 
Não haverá carvão no Inferno que chegue para atiçar com propriedade os padres até ao fim dos tempos, em reposição da justiça, da verdade, dos bons costumes e das boas práticas.

3 comentários:

Ex-Vincent Poursan disse...

Fodaçe… eu fui ver a fotografia abaixo aduzida. Estive a olhar pra ela aí uns 2 minutos, e só vi o engenheiro do penta com ar de quem foi convidado pra treinar o SCP.

Li o sacana do post 2 vezes… mas é que li mesmo 2 vezes.

E não sei se por não ter jantado ainda, se por ser 4ª feira, ou outra merda qualquer, que não estou a ver agora mas igualmente me enovela os neurónios… não percebi um corno!

Que caralho… estou que nem posso. Parece que acabei de ver o couraçado potemkin acelerado até 2 minutos de duração ao som do malhão malhão no triplo das rotações.

Anónimo disse...

Amaro é amaro
Inácio não é Amaro, e tem uns colhões amplamente citados
Nenhum é engenheiro

Com o último período concordo o resto é caturrice

Maria D Roque disse...

Religião é medo. Padres, escumalha, mesmo os que fazem uso ao material inactivo...