quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Don´t get big ideias Tolan: they're not gonna happen.

Se o artista tiver espírito crítico vai olhar para o que fez e entra numa espiral que o leva rapidamente a trocar as ideias românticas de criação por um plácido serão a ver tv. Ao menos assim não está constantemente a atirar à própria cara de que não passa de um falhado, que devia era deixar-se daquelas coisas e lutar antes por um aumento lá no trabalho.


Tolan, Tolan, Tolan: por onde começar? Começo por dizer que nunca gostei de carros, nem de coisas práticas, pelo que o meu exame de condução foi uma realização épica capaz de fazer corar Aquiles dos pés velozes, mas saúdo antes demais a tua descida ao inferno das expectativas metafísicas onde espreitam os diabinhos escamados do absoluto, as serpentes da plenitude, as sereias ululantes e mortais, particularmente desagradáveis, maçadoras, da vida para além da vida, porque afinal as coisas (do ponto de vista do teu criador ideal) não podem ser apenas as coisas, feias e injustas como são - ou teremos que correr a lobotomizar a inteligência no sofá. Não te ocorre talvez que o mundo apenas existe, feio ou bonito, através dos nossos olhos (que são os portões do paraíso dos leitores e os propulsores atómicos da nossa viagem interior) e excuso de aduzir aqui o verso de Fernando Pessoa que mistura a pena com o tamanho da alma e demonstra cabalmente que a culpa é toda nossa, o que é uma outra forma de espantar a preguiça. No fundo, abordas perigosamente o sonho de que a criação te pode resgatar da tua racionalidade limitada porque a experimentação aleatória de ideias e a informação sobre factos ficcionados te sugere uma liberdade objetiva, destacada, potenciada, sublimada diriam os freudianos, fetichizada, diriam os marxistas, a partir da tua sensação de que a prática não preenche, explica, expõe, celebra a complexidade da (tua) vida. 
 
 
Se ainda tens dúvidas sobre a pertinência de falar sozinho (é isso um livro) ou sobre a realização sensorial e intelectual obtida pelo sentido de domínio associado ao aumento no trabalho, isso é um sinal de que existe ainda em ti uma terrível sugestão de que a arte possa ser mais do que um trabalho (como se o trabalho em geral, e não o sentido que as coisas adquirem para nós, fosse em si o problema). Não é: o que pode dizer-se é que tanto tu como eu nos realizamos mais a escrever e a falar sozinhos do que a fazer outras coisas, o que nada tem que ver com o facto de essa actividade poder ser valorizada politicamente e sustentada por relações de produção valorizadas num mercado de compra e venda de serviços. Não me venham agora, por favor, com a aplicação freudiana dos mitos gregos aos orgãos genitais, como diria o saudoso Vladimir Nabokov, pois esta predisposição não revela nenhuma falha social: o tecido social depende dos jogadores, assim os escritores (incluindo os escritores de ciência) sejam capazes - e parece que sim - de transformar a natureza humana e a reprodução num livro em permanente correção.
 
 
 
 
Se há alguma ideia recorrente na minha vasta obra, é precisamente a constatação de que o ressentimento não é, de modo algum, inimigo da ironia, antes pelo contrário. Enquanto não tiveres multiplicado a humilhação e a sensação de afundamento na tua própria irrelevância (o que temo já estar tão distante de ti como o crescente aumento do número de pessoas que te seguem no Facebook está para este reles blogue) estarás apenas a erguer mecânica, racional e esterilmente mais uma carreira de profissionalização da escrita (e daí não vem mal maior ao mundo, no teu caso pelo menos, que sabes escrever), a partir da enésima tentativa para descrever o ruído da nossa estrondosa queda na vã tentativa de definir a experiência humana, quando há apenas confusão neuronal, o movimento imperceptível da linguagem, a ilusão dos sentidos, o orgulho ferido perante a condição animal, a adolescência prolongada pela tecnologia, em suma, há apenas Hamlet porque o romance, desculpa ser eu a dizer-to, Tolan, está morto e enterrado, pelo menos desde Cervantes.
 
Senti-me particularmente  sodomizado pela seguinte afirmação:
 
E para agravar tudo, quanto mais espírito crítico um potencial criador tem, mais violento é o seu juízo sobre si próprio e o resultado são prateleiras, museus e salas de cinema e teatro cheias de mediocridade e uma Internet, bares e cafés cheios de talentosos ressentidos que se queixam do mundo das artes, dos seus embustes e de quem os coloca num pedestal.
 
Isto é tão dolorosamente verdade que chega a subsituir-se ao teu romance, mas também é verdade que o potencial crítico é o motor do espírito criador, para não dizer que o talentoso ressentido é o subdenominação que podes atribuir a quase todos os escritores que admiramos e este é o ponto: os economistas têm falhado a descrição dos factos da vida porque utilizam observações comportamentais tentando descobrir regularidades, e deduzir leis invariantes, nessas séries temporais quando em 99,9% dos casos as condições iniciais sofreram alterações, alterando totalmente a significância estatística dos dados e tornando totalmente espúrios os factos revelados por alterações da velocidade, características do movimento ou mudanças de direção. Agora que já nos livramos das miúdas giras e simpáticas do teu blogue (não incluo nesse grupo as queridas alma, Izzy, Maria D Roque, F. e Silvia) podemos prosseguir em paz, sem observações estranhas que sempre prejudicam o diálogo entre duas pessoas tímidas. Acontece que a alteração das condições iniciais transforma a vida numa rotação dos critérios de competição, razão pela qual todas as comparações da condição humana com qualquer tipo de jogo falham totalmente o alvo, uma vez que a vida é um jogo onde as regras são alteradas pelos próprios movimentos dos jogadores, o que transforma a tua melancólica teoria dos grandes iluminados ressentidos, quer com a boçalidade do público, quer com o triunfo dos imbecis, na minha pirotecnia sistemática contra todas as tentativas de justificar as coisas como elas são de forma independente em relação a uma teoria do juízo.
 
 
 
 
Em primeiro lugar, os actuais escritores profissionais dependem do juízo de milhares de pessoas que apenas possuem (às vezes por falta de tempo, outras por falta de talento) um juízo assente ou na auto-imagem (livros díficeis para os convencidos e os pedantes, e livros fáceis para os brincalhões e os irresponsáveis) ou num critério de mercado (isto é, o cálculo hipotético e alegado de um valor comercial, muito assente na comunicação de massas e no comportamento dos outros consumidores), falhando totalmente a função do livro nas nossas relações sociais e na forma como nos construimos mentalmente. Reconheço que este terreno é movediço mas continuemos. Se tu, em vez de escreveres romances pífios (e já explico porque rãzão sei que o romance será pífio) te dedicasses a prestar o teu inestimável auxílio na definição explícita e manipulável de juízos estéticos (o que de uma forma ou de outra estará sempre implícito no teu Romance) estarias a contribuir para um jogo mais competitivo, em que o consumo de livros estivesse baseado não só na informação comercial mas na produção de informação crítica sobre a utilização e qualidade dos livros como objetos de prazer limitado e sentido parcial.
 
 
Em segundo lugar, o problema da qualidade dos livros permite-me, desde já, explanar a minha teoria sobre o facto do teu romance poder ser eventualmente um falhanço a partir das tuas próprias condições de exigência precisamente por  nunca teres valorizado a crítica sistemática e consistente (por falta de coragem perante o rebanho empresarial) vergando a espinha às supostas preferências do consumidor que tanto tu, como eu, como o Ex-Vincent, ou o Padock, ou o AM sabemos ser um mito quase tão esvoaçante como a águia do Benfica. Não é preciso sublinhar o facto de tu seres já antecipadamente um indivíduo demasiado confiante do seu público - sem tempo para ler o que o teu talento merecia que tu lesses - e demasiado enredado numa teia onde caminham lentamente duas gordas aranhas muito mortíferas e impiedosas. Uma das aranhas é a terrível confusão entre a profissionalização, a técnica mecânica, a intensidade e as condições de criação (Kakfa, Pessoa, Proust ou Joyce nunca foram escritores profissionais) e a outra aranha, menos gordinha, mas igualmene repugnante, a confusão entre a qualidade de uma obra e os efeitos da sua recepção sobre o seu produtor (e deixo de usar a palavra criador porque me lembra a garagem onde uma catequista com permanente magenta, me aterroriava com imagens de Moisés atravessando o mar a pé enxuto).
 
 
 
 
Repara: se tens sucesso na net o que te chama ao meio editorial? Se for o mesmo que a mim me chama, embora eu esteja ainda um pouco demorado, mas não por muito tempo, trata-se apenas de procurar auferir dos meus leitores (de preferência sem os chulos dos editores - é por isso que estou mais demorado) para poder fazer o que gosto, o que nada tem que ver com divisões entre vida prática e vida criativa (ai essa cabeça) que na verdade não existem. Se este blogue fosse elitista eu agora citaria um texto maravilhoso de Kant com um título delicioso que diz qualquer coisa como «Sobre isto ser verdade na teoria mas não na prática», onde o velho alemão arruma este velho problema escolástico. Escrever, ou se quiseres criar, é uma tarefa tão mecânica e racional como elaborar um plano de vendas, ou desenhar um armazem ou desenhar uma rotunda, ou inventar uma solução para combater o serviço da dívida, ou identificar uma fuga de óleo: a escrita apenas apela a instrumentos e resultados distintos, pois está baseada no própria ação de reflexão sobre o pensamento a expressar-se, num contínuo, e isto é um problema muito antigo que os ignorantes dos americanos que tu lês nem sonhavam que existia, pobres coitados, tão convencidos que estavam da importância dos Estados Unidos da América e dos seus problemas sociológicos imorredoiros associados à empresa-casa-família, daí terem mergulhado violentamente nos ácidos. A malta aqui sabe divertir-se, se for preciso a mijar contra jornais de parede. 
 
 
Não sei se viste o documentário sobre a velha e espectacularmente bonita mulher do Neil Cassidy: a única pessoa à face da terra, além de mim, que entendeu que o Jack Keroauc era um triste e pobre coitado, além de chato, e que o seu amigo, marido da velhinha a que me refiro, fez uma figura tristíssima porque desperdiçou o afecto e uma vida de talento, oscilando entre as epifanias artísticas e as ressacas sobre a ausência de sentido para as coisas (lá está, um gajo que foi despedido dos caminhos de ferro e sem a prática foi o que se viu). É verdade que a ideia de intuição ou de convocação da imaginação nos lembra um condor a pairar sobre os cumes nevados mas isso também um grupo de músicos peruanos numa noite de frio, como me aconteceu repetidas vezes, antes de apanhar o barco suburbano que não tardaria a levar-me, quase sem uma moeda no bolso, para uma universidade provinciana, sulcando a massa escura do rio. A vida é um «engano, contínuo e indecifrável» (Sebald) por isso a comparamos a um sonho, em que as coisas acontecem para além da nossa existência mas uma coisa é a vida ser isso, e outra coisa é a capacidade de num texto representarmos esse engano. É neste ponto que se derramam todas as lágrimas porque a esmagadora maioria dos artistas confunde o engano com a representação do engano.
 
 
 
 
A intensidade de uma obra, julgo que estará sempre relacionada com duas coisas que não me canso de exercitar proselitamente aos pequeninos: mundo interior e capacidade técnica para inventar a visibilidade desse mundo interior, confuso, instável, desconhecido, atravessado por limites muito pouco definidos entre a nossa consciência e os factos, objectos e ideias que parecem ser-nos exteriores. Nesta capacidade técnica para representar o engano, podem incluir-se aspectos mecânicos (que nos podem fazer poupar tempo com coisas irrelevantes), conhecimento de dispositivos retóricos, conhecimentos analógicos bebidos noutros autores, e uma sistemática dos mitos emocionais (os gregos descreveram quase tudo aquilo que até agora foi dado experimentar no sistema nervoso central). Do ponto de vista da criatividade ficcional, a personagem é apenas o que resulta da consideração dos outros tal como nos aparecem, se fizermos um pouco de silêncio, o que como todos os grandes escritores sabem, é apenas um desdobramento dos diversos pontos de vista do produtor de livros que agora pensa uma coisa, mas sujeito às leis da física, já pensa uma outra coisa completamente diferente trinta segundos depois, e quando sustenta que pensou a vida toda a mesma coisa, isso é já uma maravilhosa homeostase identitária para não se desfazer sobre as contradições internas que se calhar, muito mais do que os voláteis, sente com particular e aguda dor.
 
 
Tolan, tu nunca sairás do top 5 porque desenhas com nostálgica veracidade a condição do homem espiritualmente arruinado pela sua profissão e entalado num mundo desconfortavél e sensível. É possível que o teu livro seja muito parecido com o teu blogue. No meu caso, posso dizer que por aqui, apenas falo das poucas coisas que julgo saber e nos livros só consigo falar do que não sei ou do que desejo. Ninguém está interessado naquilo que existe ou acontece, mas na forma como se pode sugerir que existem milhões de coisas sobre as quais nada sabemos (o José Rodrigues dos Santos que o diga), mesmo que eventualmente todos aparentem correr atrás de um espelho onde possam ver refletido um mundo coerente para exclamarem aliviados: isto é a exatamente o que eu sinto (o que quase nunca é verdade) e por isso, a vida é mesmo assim, tal como eu (sem que exista a vida mas apenas impressões parciais e limitadas sobre estar vivo). Meu Deus, a necessidade que nós temos de que nos digam que não somos o sonho de uma sombra, de que nos abanem e convençam de que estamos vivos e somos reais, mesmo que isso implique a vitimização infinita do nosso coração.
 
 
 
 
Basta que penses nisto (no que estive a dizer, atenção, olha lá para aqui agora que as imagens são só para distrair as pessoas sem imaginação), abandonando a leitura dos maus livros e concentrando o teu entendimento e coração em duas coisas de que tens manifesta vergonha: a forma da expressão e a profundidade do raciocínio, talvez porque te parecem aspetos pedantes do discurso e capazes de te arruinar a fama, construida na base da verosimilhança e imediatismo, para que se não afastem as milhares de pessoas que estão preocupadas apenas com a sua própria cabeça e as possíveis experiências emocionais que sejam capazes de reconhecer como similares às suas. Mas toda a gente sabe que a emoção é uma forma de raciocínio e o a poesia um raciocínio em forma de sentimento e por isso, o que te permite morrer em paz, não é a qualidade do que fazes (que só poderá ser dada a muito longo prazo, num sentido sempre revogável e cuja legitimidade dependente nestes tempos modernos de um ambiente de crítica e competição) mas sim a consciência de teres produzido alguma coisa onde essa unidade tenha sido demonstrada e comunicada com um tal nível de sofisticação que se constitua, para além de ti e do teu esforço, por meio de um código, numa informação automática, viva e capaz de se reproduzir. Isto se a vida for para ti um valor e não uma coisa injusta e feia.

Conclusão mais brinde musical:
 

9 comentários:

Izzy disse...

Eu nao me queria intrometer neste bonito dialogo fraterno mas... ok queria, queria. Ca vai:

Em primeiros, Alf, como te atreves? Entao, eu e as outras mocas (tenho que ir buscar a cedilha, raios!), perdao, moças que aqui te fazem a gentileza de ler, nao somos nem giras nem simpaticas?!Eh bom que comeces a rever a epistemiologia da cadeia de valor associada as comentadoras de blogs vis a vis uma ordenacao filosofico-temporal de atributos a gajas.

Em segundos, nao obstante os escritores alcoolico-suicidas americanos do seculo passado que o Tolan tanto venera, nao se pode chutar pra canto toda uma nacao so porque sim. E aqui atiro ao ar a ver quem apanha nomes como E.E. Cummings, Cormac McCarthy e David Foster Wallace. Ok ,este ultimo foi so pra meter nojo, porque li algures que eh cool gostar dele mas nunca consegui passar das primeiras paginas do Infinite Jest.

Em terceiros, Alf, entao tambem ha publicacao do menino no pipeline? Conte-nos mais.

Tolan disse...

A Plaft veio a correr para ouvir o Nude, ela gosta muito disto, destes elogios da derrota musicais e é fã dos Radiohead. Isto para mim é muito triste, música muito triste. Uma pessoa depois de sofrer certas coisas deixa de gostar de músicas tristes, fica muito inquieta. Também registo o facto de que desde que disse que queria ser escritor, a minha mãe parece que conspirou com as pessoas e agora todas me avisam que me posso constipar se quiser brincar ao escritor a sério, embora só mesmo tu o tenhas feito de forma mais sustentada (quanto é que ela te pagou?). Mas eu antecipo-me a isso tudo. Espero que um dia dê para perceber a big idea. Eu não quero necessariamente ser profissional da escrita. Quero é não ser profissional de outra coisa. E o meu meio exige uma evolução constante... começou quando recusei fazer um MBA, por exemplo. Em vez de ler Dorothy Parker ou Mann, eu podia estar a estudar metodologias de avaliação financeira de empresas ou marketing digital. A minha vida já mudou muito à pala disto. Para melhor. E o meu objectivo é o contrário do teu. Eu sei que os meus posts dramáticos podem levar a pensar de outro modo, mas a sério que prefiro ser lido agora do que ficar para a posteridade, considero-me meramente um entertainer. Não te consigo dizer o quanto vale conhecer uma Plaft agora graças à escrita, ela na posteridade não me servia de nada. Se soubesse escrever livros do estilo do Stephen King, era o que faria. Adorava mesmo ser um bom escritor de terror e horror, um que fosse respeitado, um que fosse considerado "o melhor escritor de terror" e que vendesse milhões pelo mundo todo e com adaptações ao cinema mas que obviamente não chegasse aos calcanhares de um escritor a sério. Contudo, deixavam-me em paz. Diriam "é muito bom no género" e se calhar até me respeitavam e tudo por isso. Infelizmente não sei escrever terror e thriller, já tentei. E isso vai inevitavelmente levar pessoas (inclusive eu) a confundir-me com alguém que está a tentar fazer literatura, arte, esse tipo de coisas.

Tolan disse...

(sinto sempre que os meus comentários abordam apenas 5% do que eu li - devíamos era jantar, uma coisa bem regada e beber uns copos depois e dar palmadas assertivas na mesa e ser muito ressentidos e maldizer meio mundo)

Capt. Paddock disse...

... e falarmos de gajas, dessas bimbalhonas que se escarrapacham nos capots de automóveis desportivos, das sopeironas com unhas de gel que estão sempre a dizer "tipo", das intelectuais que vestem Ana Salazar e têm cursos de letras, das divertidas que usam decotes condescendentes e gostam de futebol e de ir ao Plateau, das tias que passam a vida a falar nas férias e levam os 4 miúdos à escola numa carrinha BMW ou Mercedes, enfim, de gajas.

Vou pensar sobre o "vosso" assunto...

Tolan disse...

ehehe sim:)

Plaft, Sílvia disse...

:)

silvia disse...

alf,

Música para os meus ouvidos :)
Dá uma lista dos livros essenciais para o Tolan ler :)


alf disse...

Tolan,

três pontos

1) compreendo perfeitamente a mudança profissional apenas temo que sem te reinventares fora da necessidade de reconhecimento, ao quarto livro já estejas a sentir coisas muito parecidas com as que sentes agora em relação ao plano de vendas, isto se fores exigente contigo mesmo. Peço-te que não faças a figura do Lobo Antunes que trocou um talento imenso e a hipótese de uma obra que nos interpelasse pelo aplauso constante e sistemático da sua própria sala de jantar.

2) não sei se essa pequena teoria do reconhecimento imediato me convence. Claro que quem escreve e publica quer reconhecimento imediato, até um gigante político e espiritual como eu o pretende (risos e aplausos). Melville também queria reconhecimento imediato. Mas como tu bem sabes, tudo tem um preço. A questão é quanto estás disposto a pagar. Entre Calvino ou Sebald e as 50 sombras daquela gaja há um universo de possibilidades e posições.

O meu argumento incide sobre as variadas formas de atingir esse reconhecimento que em caso de aberta conceção ao público invalidam a hipótese de um grande escritor, aquele que se faz ler mas inventa o seu público (o que demora anos e leva tempo) enriquecer com a sua experiência, o património comum do género humano. A posteridade não é um valor em si. Apenas julgo um desperdício trocar a hipótese de conquistar um reino apenas por um cavalito coxo e muito fiel.

AM disse...

se aquele comentador dos resumos quiser fazer o favor