quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

o conflito das interpretações


Esta semana, terão todos notado, o papa bento xvi decidiu não comparecer na Universidade de Roma. Ora aí está uma bela decisão. Claro que logo surgiram proféticas interpretações em torno de uma perseguição diabólica, movida contra Igreja e e o cristianismo, em curso na actualidade. Um dos campeões desta teoria é o senhor director do Público José Manuel Fernandes. No estilo surf-em-Palm-beach a que nos tem habituado multiplica erros, atrapalhações e alguns pirolitos no complexo oceano do pensamento onde o senhor Fernandes apresenta comportamentos de peixe fora de água (ou se quiseros surfista de prancha no arrozal). No seu editorial de 17 de janeiro começa logo por assinalar o cumprimento das profecias dos pensadores Pacheco Pereira e Pulido Valente (mais dois ilustres varões do pensamento em português): “a Igreja é capaz de ter de viver novos tempos de clandestinidade”. Com efeito, bem gostariamos que assim fosse mas, lamentavelmente, não consta que corram processos crime pela realização da santa missa, ou circulem ordens para demolição do santuário de Fátima. Aliás, deve ser recordado que o santuário de fátima revela bem a feroz perseguição arremetida contra a fé em Jesus, o Cristo.

Uma rápida visita ao sítio da rádio vaticano logo revela todo um mundo de opressão e mordaça. Em primeiro lugar damos logo de caras com um dos excertos do hipotético discurso que o papa realizaria (traduzido em Português). Curiosamente é o mesmo excerto trasncrito por José Manuel ferandes no editorial do Público. De facto, eu tentei obter o discurso on-line e não consegui pelo que o director Fernandes deve ter muito melhores canais de informação e leu concerteza o discurso. Concerteza que não fez copy no sítio da rádio vaticano.

Depois podemos adquirir 5 dvd multi-linguagem sobre João Paulo II e as suas viagens. Ficamos ainda a saber que “A decisão [do papa em cancelar o discurso] desconcertou e preocupou a opinião pública italiana e gerou uma avalanche de reações de jornalistas e personalidades que defendiam o direito de o papa falar e que lamentavam o cancelamento da visita.”

É portanto com estupefacção que nos apercebemos que a perseguição, a censura, a opressão reside numa decisão do próprio papa, em face de um abaixo assinado de alunos e professores da Universidade. Parece que a censura se resume à inauguração de uma semana anti-clerical, onde cartazes e palavras de ordem causaram ataques de pânico a várias senhoras e crianças. Tiveram mesmo que ser socorridos devido ao som ensurdecedor dos gritos dos reles universitários, vários cachorrinos e coelhos domésticos.

Tudo isto porque, nas palavras do senhor director “um grupo de professores mobilizou um protesto que conseguiu levar o papa bento xvi a declinar o convite para falar na sessão inaugural do ano lectivo”.
Ó suprema violência da opressão e da censura, quando um protesto escrito consegue levar o Papa a recusar um convite. Talvez uma outra questão fosse mais relevante para tratamento editorial: quem deve escolher e como deve ser escolhido aquele que discursa na aula inaugural da universidade?

Sem comentários: