sexta-feira, 15 de maio de 2009

Divagar

E só agora é que sabem disto?!

Contrariamente às ideias recebidas, divagar estimula o cérebro em vez de o tornar mais lento, permitindo assim resolver problemas complexos, segundo defende um novo estudo.

Esta investigação, divulgada no semanário científico norte-americano «Processos da Academia Nacional das Ciências», mostra que, quando divagamos, aumenta a actividade de várias regiões do nosso cérebro.

Mas o mais espantoso, é que as partes que permitem resolver problemas complexos conhecem uma actividade intensa quando uma pessoa pensa vagamente, quando se acreditava até agora que elas ficavam de sentinela, disse a professora Kalina Christoff, especialista do cérebro e principal autora do estudo.


O resto do texto está aqui.

"Jesus will come back, but now she's a girl"

Ontem foi dia de concerto. Antony and the Johnsons. Coliseu dos Recreios cheio para ver e ouvir o homem. No inicio enquanto apenas se ouvia uns sons estranhos, animalescos no palco, alguém atrás de mim perguntava à amiga: para onde é que tu me trouxestes? de facto. Que lugar é este onde Antony habita? Assim que começou a cantar todas as perguntas pararam. O som excelente permitiu que todas as músicas estivessem limpidas nos ouvidos atentos da plateia. Antony partilhou que gostou de Sintra. E continuou a cantar. Contou uma história meia tonta meia séria que pode ser resumida assim: Jesus vai voltar, mas desta vez vai ser uma rapariga no Afeganistão. Jesus Christine vai voltar a andar sobre as águas. E então a humanidade vai perceber que tem que olhar para o feminino. A salvação do mundo são as mulheres diz ele. Coliseu ao rubro. O público agradeceu. E Antony também não desiludiu. Fica aqui o registo de Everglade (do novo album) feito no meu telemóvel e partilhado para a rede global:

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O filme do ano e o Lorenzo Lamas entra

Hollywood ao longo dos tempos tem-nos dado verdadeiras pérolas de trash movie. Depois de ver isto claramente conseguiram ultrapassar todos os limites. Vejam o trailer de Mega Shark vs Giant Octupus:

O retrato de 8800€

Este post é um bom retrato da realidade passada/actual de oeiras. Este aqui em baixo quer ser a nova imagem. Cheio de genica diz ele. Aquele jeito no braço de como quem se afirma cheia de força. Como o alf recomendou, cá o esperamos com o belo do tomate e os gritos de ordem.

Quando e como é que vamos impedir isto?

"Mais à frente, perto da marginal, localiza-se o antigo Palácio dos Arcos, património municipal, que vai ser reconstruído, “para manter viva a sua memória”, sustenta Carlos Oliveira, e vai transformar-se num hotel de charme. "

Propaganda model

No seguimento das Histerias globais deixo aqui algumas palavras de Edward S. Herman sobre a actualização do Propaganda Model exposto no livro Manufacturing Consent escrito juntamente com Noam Chomsky.

Em traços largos os autores fazem um estudo sobre os media (maioritariamente os media dos Estados Unidos ) e chegam a conclusões bastante interessantes: primeiramente assumem que os media são uma corporação como outra qualquer. Assim sendo estão sujeitos aos mesmo tipo de pressões. Nomeadamente o fazer lucro. Agora o que talvez é novidade é que a maior parte dos lucros dos media não vem dos consumidores, mas sim da publicidade às outras corporações. Assim sendo convém que o media em questão possa atrair clientes (porque é isso mesmo que eles são) de modo a que alguém queira lá pôr anúncios.

Ou seja, se calhar aos media até o que interessa mais não é retratar o que se passa, mas sim ter quem os consuma. Ou seja não só os temas retratados são escolhidos mas também a maneira como são expostos e o ênfase que lhes é dado.

Há também a questão de aonde é que os media vão buscar a informação de modo a poderem noticiá-la. Uma grande fonte de informação é o Governo do país em questão. Não é preciso ser muito cínico para se imaginar o seguinte cenário: um jornal crítico do governo e outro apologista do governo. A quem é que será cedida informação? Dessa maneira quem mais vai noticiar? Quem mais vai ter leitores? Quem mais vai ter produtos para anunciar? Quem irá subsistir no final?...


Depois desta introdução os autores postulam os que eles chamam de filtros para explicar como funcionam os media em geral. São então estes os filtros:
  1. O facto da maior parte dos media pertencer a um conjunto muito pequeno de entidades.
  2. O Financiamento.
  3. As fontes de informação.
  4. Flak - O criticismo exacerbado de algo ou alguém.
  5. Anti-ideologia. Quer isto dizer algo que una o nós contra os eles.
E como se não bastasse os autores, com verdadeiro espírito científico (só esta expressão já daria um outro blog), contrapõem as conclusões a que chegam com o seu modelo com as notícias do mundo real. Vejam lá se adivinham o resultado...

Após esta quase caricatura do propaganda model restam-me então colocar aqui as tais palavras de actualização:

"In Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (Pantheon, 1988) Noam Chomsky and I put forward a "propaganda model" as a framework for analyzing and understanding how the mainstream U.S. media work and why they perform as they do. We had long been impressed with the regularity with which the media operate within restricted assumptions, depend heavily and uncritically on elite information sources, and participate in propaganda campaigns helpful to elite interests. In trying to explain why they do this we looked for structural factors as the only possible root of systematic behavior and performance patterns."
Apesar de o fazerem com o objectivo explícito de analisarem os media nos Estados Unidos parece-me claro que muito do que dizem também se aplica cá no nosso burgo.

"We never claimed that the propaganda model explains everything or that it shows media omnipotence and complete effectiveness in manufacturing consent. It is a model of media behavior and performance, not media effects. We explicitly pointed to alternative media, grass roots information sources, and public skepticism about media veracity as important limits on media effectiveness in propaganda service, and we urged the support and more effective use of these alternatives."
A isto só posso bater palmas: é a essência do que é conhecimento (pelo menos da maneira que eu entendo a palavra conhecimento). Saber as limitações (porque elas existem sempre) da nossa explicação e não ter medo de as indicar.


"The criticism of the propaganda model for being deterministic ignores several important considerations. Any model involves deterministic elements, so that this is a straw person unless the critics also show that the system is not logically consistent, operates on false premises, or that the predictive power of the determining variables is poor. The critics often acknowledge that the case studies we present are powerful, but they do not show where the alleged determinism leads to error nor do they offer or point to alternative models that would do a better job."
Ó meus caros senhores é caso para se dizer: "it doesn't get any better than this!" Porque não fica mesmo! Tenho que realçar que o senhor Chomsky é linguista, e que o senhor Herman é economista. Ou seja não praticam aquilo que é normalmente denominado como as hard sciences e no entanto aplica o dito método científico com uma clareza e consciência notáveis. Suponho que tenha algo a ver com o facto de serem duas pessoas que sabem o que fazem...

"The dramatic changes in the economy, communications industries, and politics over the past decade have tended to enhance the applicability of the propaganda model. The first two filters -- ownership and advertising -- have become ever more important. The decline of public broadcasting, the increase in corporate power and global reach, and the mergers and centralization of the media, have made bottom line considerations more controlling. The competition for serving advertisers has become more intense. Newsrooms have been more thoroughly incorporated into transnational corporate empires, with shrunken resources and even less management enthusiasm for investigative journalism that would challenge the structure of power. In short, the professional autonomy of journalists has been reduced.

Some argue that the Internet and the new communication technologies are breaking the corporate stranglehold on journalism and opening an unprecedented era of interactive democratic media. There is no evidence to support this view as regards journalism and mass communication. In fact, one could argue that the new technologies are exacerbating the problem. They permit media firms to shrink staff while achieving greater outputs and they make possible global distribution systems, thus reducing the number of media entities. Although the new technologies have great potential for democratic communication, left to the market there is little reason to expect the Internet to serve democratic ends."
Muita atenção ao que está em bold.

"In retrospect, perhaps we should have made it clearer that the propaganda model was about media behavior and performance, with uncertain and variable effects. Maybe we should have spelled out in more detail the contesting forces both within and outside the media and the conditions under which these are likely to be influential. But we clearly made these points, and it is quite possible that nothing we could have done would have prevented our being labelled conspiracy theorists, rigid determinists, and deniers of the possibility that people can resist (even as we called for resistance).

The propaganda model still seems a very workable framework for analyzing and understanding the mainstream media -- perhaps even more so than in 1988. As noted earlier in reference to Central America, it often surpasses expectations of media subservience to government propaganda. And we are still waiting for our critics to provide a better model."

E novamente a bold a essência do que é conhecimento: é sempre apto á mudança desde que seja para melhor. E enquanto não chega a mudança temos que utilizar os métodos que temos.

Os mais temerários podem sempre ler o texto na sua íntegra aqui.

O povo semi-soberano

Soube hoje deste livro, que é a tese de Doutoramento de Maria da Conceição Pequito Teixeira (douta senhora que desconheço totalmente).

Sobre o livro, Adriano Moreira diz isto:

«ESTE EXCELENTE LIVRO vem relançar um tema fundamental da democracia representativa, que é o da salvaguarda da soberania do povo, fonte da legitimidade do poder, face às derivas dos aparelhos organizados para, em seu nome, governar». «A longa e interessante análise a que a autora se dedicou, meditando sobre os textos dos teóricos, dos observadores e dos analistas, mas também sobre as atitudes dos cidadãos críticos, descontentes e cépticos, procurando escutar a «voz» da mão invisível que fala pelas estatísticas, termina com esta pergunta de algum modo angustiada: «Se não podemos deixar e reconhecer que (...) os partidos são instituições essenciais à democracia, sendo esta impensável na sua ausência, resta-nos porém saber o quê e como fazer para ultrapassar as suas tendências fechadas, oligárquicas e autoreferenciais através de novas estratégias de democratização?»
«O presente livro concretiza assim o objectivo da proposta indagação, que é evitar que o povo seja tratado como um agente semi-soberano (...) quando a democracia deixa de ser uma forma de poder delegado pelo povo, para se converter numa forma do poder exercido pelos partidos e pelos políticos profissionais sobre o povo».

Agora que, mais do que nunca, me sinto politicamente activo (só foi preciso uma crise mundial de consequências nunca antes vistas) isto parece ser uma grande leitura e podem ter a certeza que vou comprar.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Estou surpreendido

A sério que estou caro leitor! Afinal parece que Lopes da Mota afinal foi um menino maroto e andou a cometer mesmo as tais alegadas pressões (adoro a maneira como os jornalista têm que colocar palavras do campo semântico de alegado no meio das frases de modo a evitarem processos judiciais). Assim sendo o PGR decidiu avançar para um processo disciplinar.

A sério que isto me surpreendeu!

Agora só não sei o que me vai surpreender mais: o facto do processo vir a ser arquivado daqui por uns bons anos; ou o facto de, em considerável menos tempo, tudo acabar bem e ficarmos a saber que as pressões de facto nunca foram mais que alegadas.

Histerias globais

Já aqui tinha falado deste senhor, Hans Rosling, criador da gapminder que através de estatisticas dá uma outra ideia sobre o mundo. O ultimo video dele demonstra bem como os media podem transformar e distorcer a realidade que nos rodeia:

terça-feira, 12 de maio de 2009

Eis o regresso do elvis socialista

A pedido de muitas familias da bela vista aqui fica o elvis socialista (um sucesso antigo aqui no elogio):

Encerramento dedicado a António Nobre e rematado em forma de epitáfio

Sabemos pela «Carta a Manuel» que não foi António, não foi Anto quem teve a culpa. Foi Coimbra. Há dias assim: entramos gloriosos, entre atabales e charamelas, coroados de juventude e força, para sair, derrotados, sem a mais pequena ideia do que possa resolver esta contradição imensa. Papéis, recibos por pagar, o cabelo ralo, ou a sensação do tempo que não passa, até que um dia, entre a sombra de um plátano e um cavalo negro avistado ao longe numa viajem de comboio, tudo se torna claro: tudo o que quisermos dizer será tomado pela banalidade do tempo que, recatado e silencioso, enterrou Homero, Dante e Shakespeare; enterrou Newton, Kant e Einstein e voltará - com o desprezo imenso que merecem todos os inúteis - com a mesma forma funcionária, para nos enterrar a todos. Talvez por isso nos custa tanto calar e, para sempre, fechar a porta.

Eu bem sabia que mais tarde ou mais cedo isto ia acabar por acontecer

Henrique Raposo no Expresso: «E esta tensão é deliciosa: sabe tão bem gritar um 'Halleluiah' e sussurrar um "anal sex" no mesmo concerto.»

Alguém se importa de me explicar o que raio isto quer dizer?

Em "O Capitalismo Será Moral?" (Editorial Inquérito), André Comte-Sponville diferenciou três ordens de pensamento: a ordem do possível, a ordem da legalidade e a ordem da moral. Usando esta grelha do filósofo francês, percebemos melhor o encanto seco de Rubem Fonseca. No livro de contos "Ela e Outras Mulheres" (Campo das Letras), este escritor brasileiro descreve os homens e as mulheres apenas no campo da possibilidade. Um homem pode ser torturado por dois homens? Sim, é possível. Então, Rubem Fonseca descreve este acto (e outros muito piores...) com uma frieza glaciar. Fonseca descreve actos horrendos, mas nunca adjectiva esses actos, ou seja, nunca entra na ordem moral e na ordem legal.
Os códigos legais e morais - os factores que distinguem o universo humano do universo animal - são aqui abolidos. É esta amoralidade não-humana que transforma Rubem Fonseca num autor fascinante. E reparem numa coisa: Fonseca está no campo da amoralidade e não da imoralidade. Fonseca assume-se como uma câmara que vai filmando o horror como se não soubesse o que é o horror. Fonseca é um extraterrestre que descreve actos humanos sem o conhecimento dos códigos que permitem julgar esses mesmos actos.
A escrita de Fonseca é um notável mundo sem adjectivos.

Henrique Raposo via Expresso (não sei se o leitor já reparou mas não faço links a fim de poupar-lhe os tecidos oculares perante possíveis agravamentos das agressões visuais a que ficaria sujeito: a crítica é como o alcool; disparate sim, mas com moderação).
Ia recriar-me, durante pelo menos trinta segundos - uma vez que tenho encontro combinado com mais uma reportagem neo-realista sobre despedimentos colectivos - com o comentário destas inigualáveis linhas, este pedaço de luminosidade com que nos benzeram a fronte, nós, todos aqueles que, atados pelas cordas da ignorância, procuram encontrar sentido na língua portuguesa. É em vão, caro leitor, é em vão. Vou tirar a roupa do estendal, que já são 17h46, mas só no campo da possibilidade.

Alguém se importa de nos fazer um favor e despedir o Henrique Raposo que eu hoje estou imparável

«As televisões adoram fazer reportagens neo-realistas com os despedimentos colectivos, mas, um dia, eu gostava de ver uma reportagem sobre aquilo que mina os nossos ambientes de trabalho e a nossa economia: a impossibilidade do despedimento individual. A pretexto da solidariedade colectiva, a mediocridade individual é protegida.»
O segundo texto bizarro que hoje se apresenta foi publicado no Expresso, um dia destes, creio que foi depois do dia recomendado para a apanha do tomilho, entre a lua nova e uma chuvada de arrebentar piolhos, e é da autoria do ilustre membro de um blogue que fará as nossas delícias: Clube da Repúblicas mortas. Vamos ao que interessa. As televisões fazem, portanto, reportagens neo-realistas. Creio mesmo que vi ontem a Clara de Sousa tirar (apressadamente) um bandeira comunista do sotien, onde enxugou as lágrimas vertidas por mais um despedimento colectivo. O leitor não deve distrair-se (com esta questão da bandeira) do essencial. Tão tradicional como o caracol a sul do Mondego é a estima que os nossos liberais nutrem por uma bela vigilância daquilo que mina os nossos ambientes de trabalho. Com efeito, caro leitor, a pretexto da solidariedade colectiva (que é a elaboração de um respeitável jornal que zele pela liberdade de expressão) a mediocridade individual não só é protegida como se reproduz, qual coelho em fim-de-tarde ameno e, seguramente, animado por um primaveril ambiente de trabalho.

Não, o problema são as janelas que falta partir!

«O problema da Bela Vista são as janelas partidas»
por Martim Avillez Figueiredo, Publicado em 11 de Maio de 2009.

Calhou-me há tempos ter nascido num país miserável onde qualquer um podia ser assistente de direito constitucional


«Calhou-me há tempos ler um texto de Karl Marx, chamado "O Poder do Dinheiro". Sempre que leio Marx apercebo-me de que o barbudo acertou em imensa coisa, mesmo que tivesse falhado depois no essencial. Esse texto sobre a força do vil metal foi escrito em 1844. E é a melhor prosa que alguma vez li sobre o assunto.»
O bizarro excerto que aqui se apresenta é da autoria do ilustre assistente de Direito Constitucional, Pedro Lomba, e foi publicado recentemente no mais arrojado projecto editorial português das últimas três semanas. Karl Marx foi enfim descoberto pelos juristas. Pelas barbas do economista, celebramos o facto. O texto é um dos muitos exercícios críticos de Marx incluídos nos Manuscritos Económico-Filosóficos, que serviram de especulação à monumental obra de análise, o Capital. O Leitor ficará supreendido ao descobrir que estes manuscritos permanceram praticamente desconhecidos até meados do século XX. Deve dizer-se, em abono da verdade - uma elegante mulher, de hábitos recatados mas díficil acesso, no entanto, curiosamente, desde sempre muito mal frequentada - que os textos de Marx, mesmo os publicados no final do século XIX, nunca mereceram grande atenção, sequer da crítica, quanto mais do público. São difíceis, o leitor sabe como é: uma maçada.
Mas nada disto nos deve distrair do essencial. Mesmo que a comunidade durma, ao som de mais discurso Presidencial, há sempre um jurista liberal pronto a indicar o caminho. Como são belas as almas dos juristas ao decobrir a sabedoria filosófica no mais vilipendiado dos anti-juristas: com efeito, comove-nos - «o barbudo acertou em imensa coisa» - mas sem que ao jurista seja permitido perder o dever de serviço ao verdadeiro poder - «mesmo que tivesse falhado depois no essencial».
Uma constitucional pergunta: através de que exercícios jurídicos e constitucionais se conseguirá acertar em imensa coisa e, simultaneamente, falhar no essencial?

Prolongamento

Ana Maria, gémea de Carolina Salgado, deu o dito por não dito. Declara, agora, ter mentido quando fez acusações contra a irmã e pôs em causa a investigação do Apito Dourado. E que, para isso, foi paga pelo presidente do F. C. Porto.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, em novas declarações prestadas num inquérito de 2007 a correr na Procuradoria Geral da República, a irmã de Carolina disse ter tido três encontros pessoais com Pinto da Costa. O primeiro, num hotel, após um encontro (a seu pedido) com o advogado Lourenço Pinto; o segundo, em Oliveira do Douro, Gaia (em que viu uma pistola e uma máquina fotográfica); e o terceiro numa casa próxima do Parque da Cidade do Porto.

A defesa do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, que tinha indicado Ana Maria Salgado como sua testemunha mas acabou por prescindir do depoimento, não se opôs à sua nova chamada a tribunal. Ao contrário, as defesas do árbitro Augusto Duarte e do empresário António Araújo manifestaram a sua oposição à pretensão do MP. Ao indeferir a pretensão do procurador, a juíza Catarina Ribeiro de Almeida sublinhou que "não resulta da prova até agora produzida que a testemunha tivesse conhecimento directo dos factos em julgamento neste processo". A magistrada também rejeitou uma pretensão alternativa do MP de se juntarem aos autos declarações de Ana Maria Salgado no âmbito de um inquérito em curso na Procuradoria-Geral da República. A magistrada classificou essa prova "irrelevante".

A influência do estruturalismo nortenho no regionalismo inflamado: que consequências.


Nestes dias em que muitos acreditam serem os últimos tinha feito promessa (mas sem caminhada em estrada nacional, nem o devidamente uniformizante colete reflector) de não me referir mais a assuntos de casino. Porém, o caro leitor compreenderá que uma palavra é devida ao grande cântico de alegria que por todo o lado se escuta. Desde o Polícia Sinaleiro da Avenida de Berna ao sapiencial David Borges, devidamente sentado contra um cenário pejado de imagens coloridas, todos são unânimes: o F. C. Porto ganhou mais, o F. C. Porto tem uma estrutura profissional, o F. C. Porto blinda, como ninguém, o seu balneário, o F. C. Porto tem coesão, rigor, empreendorism, o F. C. Porto tem estratégia, o F. C. Porto tem um Presidente que cura paralíticos com o poder das suas mãos, o F. C. Porto vai tirar Portugal da cauda da Europa, o F. C. Porto vai travar a gripe A, o F. C. Porto vai viajar à velocidade da luz e devolver todos os campeonatos gamados em jantaradas de fruta e bebidas destiladas, repletos de analfabetos de nacionalidade portuguesa na meia idade e munidos de um bigode. Não se agite, caríssimo leitor: vamos por partes.
1. Se o F. C. Porto está a anos luz do S. L. Benfica, porque razão não conseguiu esta época mais do que um empate nos dois jogos de confronto directo?
2. Peço ao caro leitor que trave um pouco o entusiasmo, pois não vamos discutir o mérito futebolístico das vitórias do F. C. Porto, exercício tão exequível como achar um coerência lógica nos lançamentos da malha efectuados em todos os largos de aldeia a sul de Salir de Matos, nos Domingos pares de todos os meses de Agosto dos últimos quarenta anos.
3. Quem ainda não estupidificou totalmente deve poder colocar algumas questões de manifesto interesse: porque será que uma cidade com um milhão de habitantes, onde estão colocadas algumas das melhores Universidades de Portugal (incluindo o mais avançado centro de investigação desportiva de onde saíram José Mourinho e Jesulado Ferreira) com uma massa crítica considerável não consegue que nenhum dos seus dois clubes quebre a hegemonia do F. C. Porto dos últimos vinte anos?
4. O Futebol é, evidentemente, um fenómeno irracional. Daí não haver exercício mais ridículo do que a defesa do mérito futebolístico. Os adeptos do F. C. Porto festejam as vitórias do seu clube mesmo sabendo, como muitos sabem, que elas estão construídas sobre o mais gritante condicionamento das regras de justiça e equidade que deveriam estar na base do desporto. Não é por acaso que, sistematicamente, acabam a invocar o caso Calabote e a ligação do Benfica ao Estado Novo. Sabem que a força do F. C. Porto está baseada na corrupção que a democracia veio permitir, assim como o Benfica utilizou o regime autoritário para expandir o poder futebolístico de Lisboa, embora se exagere, muitas vezes, nesta matéria - basta ver o exemplo da final da Taça com a Académica em 1962 em que os jogadores da Luz entraram a passo lento ao lado dos jogadores da académica num protesto colectivo contra a repressão dos estudantes em Coimbra.
5. Não me parece que exista solução para este problema. Nem é necessária. Os equilíbrios vão irremediavelmente sofrer alterações. Tarde ou cedo virá o dia em que veremos os que agora defendem o mérito científico das vitórias e a irrelevância das arbitragens cuspirem labaredas de fogo contra o sistema: basta para tal que seja o outro vencer.
6. De uma forma ou outra, e essa é a nossa tragédia, em Portugal o caso assume proporções dantescas na exacta proporção do nosso dantesco analfabetismo e brutal ignorância: os dois pilares que sempre, no futebol como na vida, sustentam a apologia da vitória.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Elogio à vitória



Depois de mais um ano, mais uma vitória.

A "classe" de Mourinho

Seguindo a velha lógica aqui no elogio (textos do Alf, videos disparatados meus), aqui fica um bom exemplo da classe de Mourinho. Liguem o som, fazem favor:



via avatares

sábado, 9 de maio de 2009

Parafraseando um clássico do cinema português:«É Portugal que não morre: são os Lusíadas.»

O vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Marcos Perestrelo, anunciou esta quarta-feira que vai renunciar ao cargo: «A minha ida para Oeiras é por mim encarada como uma aposta que o PS faz nas câmaras da área metropolitana de Lisboa. Sinto-me por isso bastante confortável, é uma câmara difícil de ganhar, mas que o PS tem condições de conquistar», afirmou.
O cabeça-de-lista do PS à Câmara de Oeiras reconheceu hoje trabalho a Isaltino Morais mas considera que o autarca perdeu a "genica" e que o actual mandato "não é igual aos anteriores". "Oeiras muito do que é, é-o por causa de Isaltino Morais, mas acho que as pessoas têm consciência que houve um Isaltino e agora há outro.»
Pergunto eu, caro leitor: terá sido este Isaltino ou o outro Isaltino a efectuar as tais manobras perfeitamente habituais num português com mais de 50 anos?
Quanto ao candidato Perestrelo, o Elogio da Derrota deseja muitas felicidades ao debutante e a promessa de que estaremos na primeira fila com um quilo de tomate xuxa, produção nacional, via S. lourenço do Tojal e bem maduro, a fim de felicitar a genica das suas ideias.

Seremos inevitavelmente pobres se continuarmos a ser irremediavelmente estúpidos

Já por diversas vezes o leitor terá notado que me anima uma certa respeitabilidade por duas figuras fundamentais do nosso tempo. Ambas as personalidades têm sido cotadas com o máximo da reverência mediática, nessa bolsa dos valores político-paroquiais, ultimamente sintetizados pelo conceito «credibilidade»: falo, indiscutivelmente, dos Professores Aníbal Cavaco Silva e Medina Carreira. Não só os une a categoria professoral como, também, o facto de terem servido - e continuarem a servir - a pública causa do governo democrático. Além disso, o Professor Medina Carreira distingue-se particularmente na crítica severa dos vício com que a pátria resiste - capciosa - ao glorioso caminho do enriquecimento económico. Acresce ainda, no seu brilhante currículo, o brilhantismo com que cuidou das finanças da república, como pintor impressionista cuidava da sua tela numa paisagem nublada da Bretanha, enquanto as mademoiselles iam, de saia arregaçada, salpicar as alvas coxas no mar instável e frio que vinha balouçando das bravas terras do norte. Nós, eternas, mademoiselles da República, contemplamos tambémo, e continuadamente, o zelo com que o Professor Carreira preparou os caminhos do Professor Aníbal até à Presidência, zurzindo - num famoso chiste - a inutilidade dos versos de Camões para pagar a Funcionários Públicos. Com efeito, caro leitor, com efeito. Mas que podemos nós fazer deste país que tem como património altos índices de matéria-prima, riqueza natural em quantidades babilónicas e produção industrial de fazer inveja à Inglaterra oitocentista? Nada a não ser lançar para bem longe a porcaria dos 800 anos de história e de cultura que trazemos atados à cintura. Nada, a não ser arregaçar as mangas e escutar, como marinheiro que larga o lastro do barco em plena tempestade, com serenidade, as soluções salvíficas apresentadas pela experiência professoral dos nossos respeitáveis economistas.
E nada de retórica europeia. Porque a retórica, de natureza duvidosa e estéril, essa actividade de preguiçosos e caixas de supermercado iletradas, apenas nos pode conduzir «a suportar a opinião dos outros, os pontos de vista alheios, sentindo um certo prazer na contradição e aprendendo a escutar de tão bom grado como quando nós próprios falamos», lições que são de uma completa ineficiência fabril. Alías, estas descrições deste mal que nos assola, pertenceram, outrora, a um outro inútil retórico, Frederico Nietzsche, pensamentos alinhados segundo a lição de Kant, este último um autêntico hino vivo à perda de tempo, (consta que não sabia multiplicar as arestas de um grade de cerveja a fim de achar a totalidade das garrafas, filósofo cuja obra, mesmo anexa a um cabaz repleto de coca-colas e computadores Magalhães, não chegaria sequer para pagar meio subsídio de férias de um funcionário público: mesmo que as férias fossem numa reloutte da Caparica e as refeições encomendadas ao Barbas em dia de vitória europeia do Benfica.

As ideias são lugares estranhos

E surgem sempre quando menos esperamos. Ouvia esta música no comboio no trajecto Dublin - Dún Laoghaire, e ao mesmo tempo voava uma gaivota junto ao mar. Preferi colocar aqui o albatroz. A sua solidão no mar pareceu-me mais adequado ao teor da música dos The National. Fica o meu contributo para a rede global:

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Elogio da derrota seguido de um insulto ao nervosismo

Todos pudemos contemplar como a melhor equipa do mundo, jogando o melhor futebol do planeta e contando com o melhor jogador de futebol de todos os tempos (Vasconcelos dixit) não jogou a ponta de um corno de vaca mirandesa na quarta-feira. Em todo o caso, Messi lá efectuou os seus movimentos nervosos, de cara no chão e a elegância de uma melga perseguida por vassoura, entre um muro de cal e o calor do verão. Felizes aqueles que sabem contemplar a estupidez do comentário televisivo.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Benfica campeão só depois da revolução

O estado do Estado: ora aí está uma peça de reflexão que o leitor não pode perder. Pode eventualmente custar-lhe a vida? Pode! Mas vale bem uma gripe de tipo A, ou, digamos, vá lá, uma varicela. A verdade é que Paulo Rangel, depois de ter sido atingido na cabeça por uma palete de armazém repleta de livros jurídicos, resolveu partilhar, com a plebe ignorante desta república, as suas ideias sobre o Estado. E que ideias são essas? São ideias originais, percorridas pela seiva da tribuna antiga e da oratória portuense. Nem Camilo, debaixo de um freixo, e tendo uma rechonchuda minhota de carnes alvas no seu raio de visão, lograria tornear, com tal destreza, a língua portuguesa. Na apresentação do livro é comunicado, ao leitor mais desprevenido, que o grande mérito de Rangel, além de ilustrado professor de Direito, foi ter forjado para nosso uso, e santa protecção, o conceito de «claustrofobia democrática». Nada mais será necessário como recomendação e se dúvidas permanecem no espírito do leitor, como indesejadas nuvens cinza num majestosamente azulado céu de verão, atente-se, logo na segunda página, na forma como Rangel manuseia um outro conceito, de inegável utilidade política: o determinismo económico» de carácter «marxiano». Com efeito, é esclarecida a mão que nos conduz.

Playboy

Não se irrite o caro leitor, mas vou utilizar um argumento Ad hominem. Estou apenas a experimentar títulos apelativos, a fim de projectar este ignorado blog à fama mediática que lhe está prometida desde o princípio dos séculos. Já agora aproveito para confessar a minha admiração por esse grande bastião do pensamento liberal português (diga-se, em passagem, um homem que veste gravatas pretas de seda merece a eternidade na galeria do pensamento político): a figura, autor prolixo, e jornalista de nomeada - o caro leitor já adivinhou - dá pelo nome de João Pereira Coutinho e confessou-se a Alexandra Lencastre num dos momentos altos da televisão portuguesa dos dois últimos séculos. Entre a proclamação do seu desinteresse pelo pensamento profundo e duas declarações de génio literário, lá deixou, ao fim de dois minutos de entrevista, a confissão de que telefona à mãe com regularidade para saber a sua opinião sobre um vasto conjunto de questões: é isto o pensamento liberal em Portugal. Muita independência face ao Estado, mas muitas declarações de afecto à mãezinha que nos pagará ainda, quem sabe, as contas da lavandaria.
PS: será que este post se inclui na tipologia de que fala Pacheco Pereira, ao referir-se aos cobardes anónimos que pululam pela blogosfera? Ou nem sequer merecerei a atenção de me carimbarem com categorias saídas da pena de um verdadeiro esteio da nossa vida democrática? Desculpem não responder mas tenho uma panela ao lume.

Desculpem, se me tenho repetido, de quando em vez

Grandes coisas reserva para nós o destino deste território, agora cercado pela ameaça invisível da doença. Não mais que fugitivos da catástrofe, somos, ó ruy, uma geração perdida. Mas que vos tenho eu dito acerca da inutilidade das coisas? Antes de engatilharem o dardo que me vai fulminar de crítica tecnológica, devo dizer que estas afirmações não se devem a qualquer ascese pessoal. Antes pelo contrário. São a confirmação da minha mais rasteira competência material. Neste sentido, afirmo já aqui (cruzando e descruzando as pernas três vezes) que se me pagassem o prémio de Zeinal Bava (repare o caro leitor como vou resistir neste mesmo parágrafo à piada étnica) apresentaria no próximo triénio resultados de gestão bem mais espectaculares, trabalhando o dobro das horas, frequentando ainda dois seminários sobre farinheiras de Arganil e jogando à malhadinha, com os meus colaboradores, remunerados com o salário mínimo, pelo menos dez minutos cada dia.
Não era bem isto o que tnha preparado. Mas fui supreendido pela seta da indignação (percalço de que ninguém está livre). Queria mesmo era falar-vos da doce indiferença que percorre o sangue de uma pequeniníssima parte dos estranhos habitantes deste planeta. O elogio da derrota pode também ser o elogio do desperdício. Ou o elogio de quem se contempla a si mesmo, quando criança, coleccionado conchas, ali mesmo, junto ao local onde poisam as gaivotas e rebentam, em vão, todas as ondas.
PS: «Não sei o que posso parecer aos olhos do mundo; mas para mim próprio pareço ter sido apenas um rapazinho a brincar à beira mar, divertindo-me com encontrar de vez em quando uma pedra mais lisa ou uma concha mais bonita.» O rapazinho chama-se Newton e traçou estas linhas numa carta a um amigo. Palavras muito antigas que me serviram para encerrar este dia e saudar dweebydoofus com rigorosa alegria, nesta objectiva chegada, ao elogio da derrota, da tão esperada beleza matemática.
Porque será que esta mensagem me soou a um episódio de Star Trek?