segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Fodeste-me.

 
 
Esta Domingo considerei com toda a paciência que me é possível mobilizar uma entrevista de Sara Barata Belo ao jornalista Daniel Oliveira (o magrinho daquela coisa inacreditável, o Alta-definição) um homem que se caracteriza por ser um insulto ambulante à masculinidade em queda. Ficamos tranquilos, todos nós, tanto os praticantes do capitalismo de mercado como os amantes do laissez faire crítico, tanto os militantes do processo revolucionário educativo como os fiéis à curva de preferências do consumidor, isto porque tudo está bem quando sabemos que a actriz mediatizada por obras como Amália: a voz do povo, o Anjo mau, o Anjo cru, o Anjo ferido, o Anjo mudo (não, isto é o maricas do Al berto), o Anjo azul, o Anjo vivo, caralho, não me lembro; no fundo, tudo está bem quando sabemos que a actriz participante em diversas e diversificadas novelas da Televisão Independente (risos) se caracteriza por ter adaptado recentemente o livro Morreste-me, de José Luís Peixoto, tendo mesmo, segundo informação repetida em rodapé, enchido (verbo encher, de enchidos) salas em Lisboa e... Estremoz (silêncio eloquente, hierático domínio, controlo emocional absoluto, magnânime superioridade). Já passou.
 
 
A verdade é que a sobriamente mediterrânica Sara Barata Belo - que transborda insegurança emocial, intelectual e estilística em cada frase, bem como um gigantesco desconhecimento do passado literário e zoológico da humanidade - confessou orgulhosamente ter sido formada no Chapitô, informação que passou repetidamente em rodapé, para que não ficassem dúvidas às pessoas em geral, e para o desmonstrar cabalmente teve ainda a oportunidade de exibir o seu virtuosismo malabarista fazendo uso de três massas de plástico cor-de-rosa. Foi nesse momento que exclamei no sofá:
 
- É isso Sara, é isso, mas agora com raciocínios, emoções e conceitos, em vez de massas inertes e inofensivas. 
 
Meu deus, o Chapitô, escola de artes circenses que se caracteriza por ter sido fundada por uma parasita social com dinheiro e sem nada de digno para fazer se não prolongar a prática caritativa da Igreja Católica, mas agora em versão colorida, como aliás se pode comprovar pelas pessoas e preços que frequentam o  estranho fenómeno sociológico digno de estudo, intitulado o restaurante do Chapitô na Costa do Castelo. Não estou com isto a afirmar que há aqui um padrão de causalidade. De um forma ou de outra, o que importa é que como referiu um anónimo aqui há algum tempo, estamos a ser sodomizados e neste caso sem espernear, por uma frente de comunicação social que não hesita em esmagar o gosto do público contra a parede da sua inanidade artística. Como representante não eleito do público, quero aqui anunciar que a minha primeira obra, a ser facultada gratuitamente em folhetins on-line e neste blogue, e como protesto perante estas merdas que se sucedem em balcões sucessivos sobre o rio, como diria Ruy Belo parafraseando Camões, versará precisamente sobre o meio editorial e os sistemas de comunicação, ou para ser mais preciso, versará sobre o segundo mais eficiente motor emocional humano a seguir ao amor, ou seja, a vingança, no fundo, um diálogo hiper-textual com Pierre, ou as ambiguidades de Herman Melville, mas ainda com mais raiva, ressentimento e fel. Não há tema como este, pois de uma forma ou de outra, resta-nos dizer sobre esta vida: fodeste-me.
 
 
Book Cover:  Pierre: Or, the Ambiguities

16 comentários:

silvia disse...

heheheheh
C-alma :)

a luta continua :)

Tolan disse...

Pondera fundar uma revista literária, uma coisa a sério, com direito a manifesto e tudo.

Ex-Vincent Poursan disse...


Oh caralho… caralho não porra. Careca… também não. Acho que é Eureka pronto.
O tolan estava na banheira, os tomates flutuaram-lhe prá cabeça e esgalhou uma ideia do camandro… UMA REVISTA LITERÁRIA!!!
Pólvora, sangue, escrita estilosa e critica independente… assim tipo o tarantino das revistas literárias.

Fodaçe… desde a invenção da barguilha simples de abotoadura vertical nas calças masculinas e do sabão macaco, que não ouvia ideia igualmente revolucionária, necessária e até mais!!!
Se o outro fez um peditório para estudos de estudos, tu podes lançar um para uma revista literária!!!

Deixo de fumar 10 dias e contribuo com 50 euros!!!
Isto dos 50 euros é à séria!!!... talvez até aguente 10 dias!!!

Ex-V.P. disse...

Ops… tenho de ler as cenas antes das publicar, não é peditório que se diz caralho.
É recolha de fundos ou proposta de investimento num sector viável… uma merda destas.
Agora não tenho tempo para embrulhar melhor, fiquei tão entusiasmado que tenho de ir ali comprar um SG gigante.

Izzy disse...

Mas devo ler o livro ou nao?

P.S. - Oh Poursan, eu dispensava a imagem mental do Tolan na banheira a esgalhar nao sei que. Mas de resto achei que foram 2 comentarios pungentes.

Tolan disse...

Eu próprio dispensava essa imagem mental -_-

Assim deRRepente disse...

apete-me dizer que se todas os parasitas sociais fodesse.. perdão.. fundassem escolas de artes circenses (e isto explica tudo sobre a carreira de sara barata belo, sobretudo o patético filme "amália") este país estava muito, mas mesmo muito, mais melhor razoável.

assim, como os parasitas sociais estão completamente à solta, aguenta aguenta, foda-se, que o franquelim é uma pessoa idónea, como disse ontem o professor marcelo, que ficou perfeitamente esclarecido com as explicação dada por pedro paçços coelho, e se o professor está esclarecido nos também estamos, como dizia, estamos mazé fodidos e assim continuaremos.

e é só isto, caralho.

Ex.V.P. disse...

prontos... ok.
mas isto das imagens mentais são como as ondas no canhão da nazaré, umas saem bem... outras não.
parece que esta não é surfável... tudo bem.

eheheheh... pra mim é!!!
não percebo porque é que as iamgens mentais têm de ser todas à maneira, cá pra mim são como a fruta das slots... até as cerejas me servem!!!

António Machado disse...

eh eh
estava a ler os coment's (as postas com mais de 10 linhas não leio) e a pensar em defender a honra (perdida) das "imagens mentais" eh eh

Tolan disse...

^_^

Ex-Vincent Poursan disse...

Estava aqui a fazer a contabilidade das coisas no meu caderninho preto- onde criteriosamente apontei no deve dois comentadores incomodados e no haver um indecisamente estimulado pelas tais imagens mentais – mas distraído, e até preocupado, com aquela dos meus comentários serem pungentes. Não sei se já vos aconteceu começarem a repetir uma palavra e ela perder todo o sentido. A mim acontece. Quase com a mesma frequência que coisas que não fazem sentido nenhum, continuarem sem o fazer depois de pensar muito nelas.
Distraído e com a preocupação debaixo do braço, lá fui ao porto editora e ao Houaiss. Afinal está tudo bem, eu queria mesmo que os meus comentários fossem tudo o que lá consta e mais ainda, se bem que nos tempos mais próximos não use a palavra pungente.
Para fazer sentir ao comentador AM, que como eu não lê postas com mais de 10 linhas, todo o meu profundo desagrado por não se ter motivado a defender a honra perdida das ideias mentais – só pra eu ficar a saber de que raio estão a falar -, li o post todo. Como faço sempre por mais longos que sejam.
Quero desde já afirmar que percebi tudo: Não sei que meco deu uma entrevista a uma gaja – com todo o respeito evidentemente, escrevi gaja só para agilizar texto – que, diz aqui o meu amigo google, se chama sandra e não sara. Essa sarassandra, que estudou no chapitô e aparece na televisão, parece que adaptou o morreste-me do Peixoto, tão bem adaptadinho que enche salas em Lisboa e Estremoz. Até aqui tudo bem. Depois dizes mal da rapariga, do chapitô e da mãe do chapitô. Não sem antes te teres permitido um silêncio eloquente sobre Estremoz.

Está mal!!!... desde que te puseste a ler o Melville vês baleias em todo o lado.

“Nunca vi e já tenho os meus anos” (já aviei o Ruy Belo) gajo mais venenoso que tu, e “vejo claramente visto” (já aviei o Camões) na palma da tua mão, que vais morrer de congestão tomatal por destratares gajas boas.
A sassandra é apalpável e mais além. O chapitô está assim assim (fodaçe que esta em escrita não dá) de gajas boas, é um local onde “se promovem dia a dia cruzamentos múltiplos “, é “retaguarda cultural e uma vanguarda humanista”e ainda arranja maneira de ser ”terreno de ousadia e contingência”… com este ADN e as gajas que por lá param, gajo nenhum, que ainda o põe de pé e lhe resta algum bom senso, se atreve a diminui-lo.
A Estremoz basta a taberna do Isaías (onde se comem as melhores azeitonas do mundo e às vezes, poucas, também tem gajas boas) e estar quase á saída desta merda de país, para se lhe tirar o chapéu fazer o sinal da cruz.

Tu tem lá calma caraças, com esse feitio ninguém te compra a revista literária de que vou ser accionista. Está bem que te fodam mas eu tenho de acautelar os meus investimentos.

Izzy disse...

Oh Poursas, peco desculpa, armei-me um bocado com o pungentes. Mordazes era o que queria dizer. Nao volta a acontecer.

orfinho disse...


Olá.
Já "me servi" de uma rapariga do chapitô de quem gostei muito. Ela também "me usou" mas para desagrado meu não o suficiente.
Há algum tempo que pretendo lançar "uma folha" á população do Baixo Alentejo de diversificados temas (with dense argument) inclusivé "poetry", mesmo que só sirva para o pessoal limpar o rabo(sem ponta de ironia).
Chamar-se-à "Mútua".
Em querendo... em não querendo, ide todos p'ó caralho.
"As cidades produzem técnicos e cientistas mas os campos produzem filósofos e poetas" (adaptado e errado mas bonito pá).

alma disse...

hahahahah
oh!orfinho, não o sabia tão, tão ...
sempre pensei que era o educadinho da blogo :)

esta caixa virou um local público povoado de pensadores enternecedores
:)

orfinho disse...

É a escola da "Causa", covil do desassossego.

São os teus olhos alma, são os teus olhos.


Tânia Vânia disse...

O que dizem os olhos da Sandra Barata Belo? Amália.