quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Serão as pessoas números? Algumas notas com especial referência ao escândalo pornográfico de Ricardo Araújo Pereira.

O esperado regresso de alf, o aclamado autor de ressentimentos em talha dourada e viris anátemas literários, desaparecido nos últimos dias por ter estado a banhos (depressivos) nas montanhas sombrias do Portugal profundo, quase provocou tumultos na blogosfera. Vejam-se, por exemplo, as acusações do 31 da Armada a Isabel Moreira, uma pessoa que se caracteriza por ser filha de Adriano Moreira e ter o aspeto de uma toxicodependente em franca reabilitação. Especial destaque vai também para O Ano Sabático, mais um excelente trabalho de fulgor discursivo, imaginação, mistério, inteligência recursiva, epifanias várias, tourada, muita tristeza, olé, do qual apenas se sabe que tem uma capa azul e foi escrito pela mesma mão que alegadamente pertence ao multipremiado escritor João Tordo uma pessoa que se caracteriza por ser filha de Fernando Tordo, e que alegadamente, até prova em contrário, pelo menos segundo a Wikipédia, foi influenciado por Hernam Melville e Edgar Allan Poe (risos, risos, risos). Calma.

 
Também no Público de um destes passados dias, vimos um fulano sinistro denominado Legendary Tygerman (o que em português significa Paulo Furtado) e alegadamente amante de uma pessoa denominada Rita Red Shoes, tecer considerações várias sobre o quadro macro-económico do país em particular e da Europa em Geral, referindo-se à «classe média de músicos» destruída pela política económica do governo. Calma, está tudo bem. O ilustre artista confessa ter preparado desde o início a sua internacionalização, o que revela bom senso e capacidade de previsão, confessando por isso estar a ser menos afectado pelo Memorando da Troika e a operacionalização da redução do défice, colocando-se a salvo da vaga decapitadora da arte musical. Calma, está tudo bem. Tygerman (risos, risos, risos) mostra-se no entanto preocupado com a redução do número de profissionais da música pelo facto - e isto acrescento eu - das Câmaras Municipais, e outros mamões em geral, estarem a transferir menos recursos do Orçamento de Estado 2013 e das pessoas que trabalham em geral, para os bolsos de parasitas que fazem de tudo, menos submeter-se a um critério de seleção e competição num mercado tendencialmente competitivo e racional.
 
 
Por sua vez, o aclamado humorista e semi-deus, Ricardo Araújo Pereira, também colaborador com a Rádio Comercial, comentador da TSF/TVI, e Relações Públicas e Porta-imagem da Portugal Telecom (e lembro ao mais sentimentais que isto são  cerca de 5 empregos e alguns milhares de salários mínimos), publicou também, num destes passados dias, uma virtuosa crónica na Visão, em que demagogicamente passava a sua genial e pouco suada mão pela cabecinha bovina da pessoas estúpidas em geral, fazendo uma graçola sobre um alegado desconhecimento da natureza humana que caracterizará o parvo do ministro das Finanças de Portugal, Vítor Gaspar. Neste sentido, a argumentação cómica do cómico antigo aluno do Colégio de São João de Brito e estudante da Universidade Católica, pretende hiperbolicamente denunciar que as pessoas não são números porque os números não falecem, e as pessoas não aparecem em folhas Excel, atributos que, de acordo com o humorista, parecem definir  a condição orgânica dos seres vivos e dos números, respetivamente; dois atributos, note-se, impossíveis de conciliar com a teoria dos números em geral, uma teoria que em geral, e olimpicamente, Ricardo Araújo Pereira parece desconhecer, ou não espalharia tão boçalmente a sua clarividência sobre números e pessoas pelas páginas de uma revista fantasticamente numerada e que conta com o auxílio de associações de letras e regras gramaticais formais - expressas neste caso na ortografia antiga do português de Portugal, que Araújo Pereira faz questão de defender denodadamente como convém a um vulto da cultura da subjectividade da natureza humana. Se as pessoas não são números, letras é que não são com toda a certeza, o que não impede Ricardo Araújo Pereira de tecer com as letras que bem entende opiniões políticas, mais ou menos instruídas, mas sem dúvida características da pobre natureza humana que a todos nos serve com zelo e fidelidade inquebrantável.
 

 
Bem sei que estamos apenas a falar das opiniões de Ricardo Araújo Pereira (mas opiniões multiplicadas por factores de milhões nos orgãos de informação e pagas a milhares de euros por minuto) que não vinculam a política económica da República, mas precisamente, meus caros leitores, convinha que as pessoas que auferem numericamente avultados valores - e espero que Araújo Pereira seja pago em euros numerados e não em serviços domésticos contratados, a prestar no futuro por pessoas irredutíveis à condição limitada e conspurcada dos números - revelassem um pouco mais de respeito pela inteligência dos portugueses e já agora pela natureza não numérica da humanidade.  Como anexo, deixo uma prenda de Natal a todos os tolinhos que ainda não perceberam que o problema reside muito mais em Araújo Pereira e companhia, do que em Passos Coelho ou Vítor Gaspar e companhia, e se quiserem saber porquê, sugiro alguns exercícios em torno da curva de endividamento das empresas de comunicação, incluindo a Rádio Televisão Portuguesa, com todas as consquências orçamentais no domínio da publicidade, e os salários auferidos por bondosos servidores como os acima supracitados; se não gostarem de números, aguardem com paciência que eu explico um dia destes, pois as coisas que não são evidentes, como bem sabia Isaac Newton, requerem estudo, meditação, paciência. Bom ano, queridinhos.


 
 
Contudo, apesar da crise, há quem consiga manter os salários intocáveis - e no dos Gato Fedorento ninguém mexe, Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Miguel Góis e Tiago Dores foram hábeis a negociar a sua transferência da RTP para a SIC. Nas conversações com o canal privado pediram para ganhar o mesmo mas fazer metade do trabalho, o que significava receber 1,3 milhões de euros na temporada 2008/2009. A SÁBADO apurou que o contraio com os quatro humoristas estipula apenas uma série anual de 13 episódios, em vez de duas por ano (26 episódios) como acontecia na RTP. No acordo, cada episódio custa à SIC cerca de 50 mil euros, que, repartidos pelos quatro humoristas, dão 12.500 euros a cada um. Só o recente programa diário Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios terá levado a alguns reajustamentos contratuais devido ao aumento de trabalho. Por isso, em meados de Junho, e durante um mês e meio. os Gato Fedorento retomaram as negociações com Nuno Santos, director de programas e Luís Marques, director-geral, fazendo cinco reuniões informais. E em vez de 13 programas semanais passaram para 30 diários - razão mais do que suficiente, garantem fontes próximas dos humoristas, para um novo reforço salarial dos quatro autores. Isto sem esquecer o que os Gato recebem pelas campanhas da PT, que também patrocina os seus programas, onde surgem sempre anúncios de 30 segundos nos intervalos. Os valores divulgados pelo Correio da Manhã na edição de 11 de Setembro passado apontam para um cache na ordem dos 100 mil euros por campanha, sendo que chegam a fazer mais de 10 por ano - no total, estima-se que cada um dos quatro receba este ano, pelo menos. 262,500 euros. Contactada pela Sábado, a PT não quis revelar nem comentar detalhes contratuais. Os Gato também optam por não revelar pormenores dos acordos.
 

4 comentários:

António Machado disse...

badamerda de posta

Ernesto O. Gibbons disse...

Esses quatro gatos marotos, também destacados especialistas em geografia, nomenclatura e baptizados, numa série publicitária a galardoar, dada a sua ousadia, decretaram, aquando da emissão televisiva em diferido, que Setúbal, ou pelo menos determinados metros quadrados legalmente definidos numa fotografia que coloca em cena ainda o azul do céu, num enquadramento capaz de envergonhar John Ford, pertence(m)— ainda não estou esclarecido— ao Seixal, que é por ora, sei, capital de distrito. Ao desagrado dos sadinos, que ainda assim teimam em não acentuar o “u”, junta-se Maria das Dores Meira, a queixosa (ex-)Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, e militante do CDU!

Tolan disse...

hmm... eu nunca fui muito à bola com a cena dele não ter a amplitude de ironizar sobre esquerda por exemplo e ser muito concreto e político, mas o gajo não tem obrigação de ser como eu quero que ele seja. Agora isso do salário, caraças, para além de não ser uma enormidade (tenho um amigo de 34 anos que ganha mais de 1 milhão por ano com a sua empresa em que basicamente serve de intermediário entre patrões e empregados explorando a legislação laboral rígida portuguesa), acho que não é representativo doo buraco da RTP (a sic etc. que importa? são privadas). Depois com essas transferências todas de um lado para o outro o valor deles está próximo do real valor de mercado. São substituíveis? Não são. Choca-me é a Catarina Furtado ganhar 30 mil porque acho sempre que há 30 Catarinas Furtados por aí e parece-me que a Bárbara Guimarães lhe dá abadas em audiências. Pois, há dados como as audiências para avaliar de forma implacável o desempenho. Também vi esse tipo de discurso sobre o Herman José nos anos 90 e ele que nem sequer se metia na política e pronto, o gajo teve um ou dois flops e puff.

António Machado disse...

essa da "amplitude" * é gira, ó tolan
pratica mais disso com a silvia, o puff