domingo, 20 de janeiro de 2013

Memorandum II.

1) É perfeitamente permitido possuir a propriedade legal das obras completas do B fachada, por isso, está tudo bem.
 
2) É verdade que os argumentos críticos não foram tecnicamente fundamentados, nem no post mais recente, nem no mais antigo, o que seria tarefa elementar e perfeitamente possível, mas não gosto de perder tempo com fenómenos artísticos menores, apenas denuncio fraudes. Convém igualmente esclarecer os mais escandalizados que o post mais antigo foi produzido numa fase juvenil da minha fulgurante carreira, mas desde o dia em que embati no poste esquerdo da baliza de um pavilhão gimno-desportivo de Alverca, tudo se transformou de forma defintiva e exponencial, passando 1 dia do meu tempo psicológico a corresponder a 1 ano do tempo real.
 
3) É perfeitamente claro para alguém com um conhecimento, digamos, moderado de teoria musical (eu diria o 5 ou 6º ano do Conservatório nacional ou regional, mas com equivalência pedagógica), uma sensibilidade poética de nível médio, e dois ou três conceitos acertados sobre a evolução histórica desse fenómeno de massas, o pop-rock, que a música de B fachada é de uma pobreza intelectual  incompreensível e de uma ignorância técnica deprimente, quer harmónica, quer melódica (e o conceito de pobreza harmónica não tem nada que ver com a quantidade de acordes utilizados, juízo que eu nunca proferi, referi sim que aquela sequência de acordes podia ser tocada e composta por uma criança de 4 anos, ou por um orangotango, desde que devidamente instruído). Para além da indigência musical, o projecto B fachada é de um infelizmente ridículo excesso de pose, o que resulta numa concentração muito deselegante em aspectos ornamentais das artes do espectáculo (comportamento bastante típico em quem não tem muito para dizer musicalmente).

4) B fachada está para a música pop-rock produzida em Portugal nos últimos 50 anos como José Luís Peixoto está para a literatura produzida em Portugal nos últimos 50 anos: são fenómenos de massas ditados por um escasso conhecimento dos públicos acerca da linguagem utilizada e da tradição em que se inserem os referidos produtos artísticos.

5) Podemos considerar irrelevante estabelecer um nível de exigência mínimo na utilização de uma dada linguagem e tradição artística para produzir objectos artísticos, mas nesse caso, tudo é possível, desde a hipnose brasileira da música popular minhota até aos sonhos de menino das crianças da Pampilhosa da Serra. O americanismo balofo caracteriza-se pela importação massiva de tiques industriais e comerciais, absolutamente datados - e assimilados na sua forma mais irreflectida - o que resulta num afogamento da estrutura elementar do pensamento estético. Eu que aqui me tenho batido pelo avanço do raciocínio lógico nas humanidades, não posso deixar de lamentar a obnubilação da estética nos críticos, profissionais ou amadores, da música pop-rock (que substituem os referidos conceitos estéticos pelas revistas da moda, isto é, pelas opiniões dos burros dos jornalistas - aspecto já notado pelo Capitão Paddock) de onde decorre uma esclerose da faculdade do juízo em matéria artística pop-rock, que é, por si só, um sub-sistema da música em geral, o que já nos diz qualquer coisa sobre o que está em jogo. Se estamos a falar de folclore empresarial, então o mercado é a unidade de medida, e nesse particular, também B fachada tem sido esmagado em toda a linha. Continuo a preferir Lady Gaga.
 
 

5 comentários:

Anónimo disse...

quero só acrescentar à problemática, que este blog é mais interessante quando não se fala de b-fachada. e de josé luís peixoto. deixai as némesis afiambrar o sucesso que precede o justo esquecimento. os homens justos triunfaram.

alf disse...

Anónimo,

não podia estar mais de acordo. Fui lamentavelmente provocado. Não voltará a acontecer.

Anónimo disse...

foda-se.

quero acrescentar que os homens justos triunfaram, sim senhor, no passado, mas eu queria dizer que triunfarão, assim é que é, no futuro. foda-se.

Anónimo disse...

bute malhar nos Virgem Suta,outro equívoco musical de monta.

Campaniço de Canhestros disse...

Camarada cidadão anónimo: Isto não é um sítio de bulling artístico. E o Sr. pouco sabe do contexto dessa banda que tanto tem tocado música sofrível(estou a ser generoso)ultimamente. A verdade é que esse grupo, como outros, deixa-se enredar por produtores musicais(tipo helder gonçalves) cheios dessas americanices de merda, que convencem os artistas a merdializar os seus produtos porque assim é que vende e assim é que estes burros a quem se chama público gostam. Eu que há anos tive a oportunidade de ouvir os moços(na altura eram bem mais que dois) antes da entrada dos "isto tem que ter um refrão fácil e curto e tem que ser repetido até à exaustão","o povo não atinge isso e se querem vender tem que ser como eu digo", estou deveras desiludido com a porcaria em que se tornaram, não porque sejam maus mas porque se deixaram convencer que fazer coisas de merda é o que está a dar. São portanto conformistas dependentes, no dizer da psicologia organizacional.
Ai a vertigem do sucesso. Pode ser que quando um dia não vendam nada voltem a fazer música aceitável.