segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Haverá alguém em Portugal que ainda não tenha publicado um livro sobre Sá Carneiro?

O presidente da República, e também o quase presidente da República, mas em careca, Vítor Bento - um economista que começa o seu último livro com uma espectacular incursão histórica no drama da sucessão ao trono de Portugal na ressaca do desastre de Álcacer Quibir (um abraço ao Artur Jorge) - acham mal que os Açores existam e exerçam o seu direito de relegar para quarto plano a contenção salarial, e isto mesmo tendo em conta o facto de os Açores serem aquele lugar onde a pobreza ganha novas formas de recorrência oceânica, e estarem na liderança dos Açores pessoas que, sendo socialistas, planificam o sucesso eleitoral com o desinteresse de um mercado de fruta podre, sendo apenas beneficiados pelo facto de os Açorianos serem eventualmente um dos povos mais analfabetos da Europa (o que por si só justificaria vários subsídios de acordo com o plano Beveridge, uma coisa que caiu fora de moda com a mesma violência das luvas sem dedos. O subsídio aos funcionários públicos perturba por ser um subsídio, por ser aos funcionários públicos, por ser num contexto de cortes salariais nacionais, ou por ser uma semana antes de o Benfica jogar o seu acesso à Liga Europa e, portanto, estar em jogo um novo plano de confiança e consumo no padrão comportamental dos portugueses? Esta é a questão que eu gostaria de ver respondida, mas infelizmente o Rui Ramos encontra-se de férias, a Teresa de Sousa deve estar ocupada com as compras de Natal em Londres e o João Carlos Espada emigrou de vez para o bar de um clube de Cambridge onde serve as bebidas espirituosas dos cavalheiros ingleses e recita curiosidades sobre a velhice de Sir Karl Popper. Que fazer? Vou experimentar uma viagem Cais-do-Sodré/Cacilhas e depois digo-vos qualquer coisa.

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