sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A incidência psicopatológica da infância no trabalho da oposição política: o caso do 31 da Armada


Aquilo que distingue um indivíduo do 31 da Armada, clínica e estruturalmente falando, de um outro indivíduo qualquer assenta sobre fundamentos complexos e pantanosos, cuja justa ponderação implica recorrer a ciências de conteúdo não totalmente fundado em metodologias universalmente reconhecidas e cuja implicação filosófica só pode rodear-nos de um desagradável cheiro a sardinha assada. Porém, é nosso dever tentar. O colaborador do 31 da Armada acorda estremunhado por noites de pesadelo e a primeira imagem que rompe o nevoeira matinal da sua consciência é o primeiro-ministro montado num corcel diabólico chicoteando a pátria e empurrando hordas de portugueses famélicos para prisões de incidência siberiana nas franjas do Marão, enquanto num carvalho esconso, por sinal bastante seco, se avista uma velha trajando flanela negra e lavada em lágrimas, piscando os olhos repetidas vezes e ameaçando suspender a democracia, mas segurando um santo sudário de linho de Castelo Branco onde horrorozamente o tal indivíduo do 31 da Armada descobre a cópia perfeita do rosto angustiado de Aníbal Cavaco Silva. Nós, pelo contrário, pensamos numa forma de escapar a mais um dia de cerco artístico, assaltados pelo fantasma de vater hugo mãe rabiscando a máquina de fazer espanhóis e os lancinantes gritos pop-espiritualizados dos imortalizados em Cristo «Flor Caveira». Não vou aqui analisar toda a problemática da angústia com emoções primitivas de Carlos Nuno Lopes ou das alucinações auditivo-verbais (que são de claríssima incidência no caso de Raquel Vaz Pinto) passando pelo pensamento desagregado de Afonso de Azevedo Neves ou as ecmnésias com falso reconhecimento delirante de Nuno Gouveia. A verdade é que só uma profunda discrepância no capítulo das sensações cutâneo-espasmáticas pode explicar que alguém seja capaz de postar uma fotografia gloriosa deste grupo imortal que se avista aqui em cima, em pose olímpica, vindo entre estrelas e querubins do país da infância, e como legenda rabiscar qualquer coisa sobre o facto de «Lisboa poder transformar-se na praia de Madrid». É sempre com grande alegria que constatamos a selectividade do pensamento humano, selectividade sempre estreitamente unida, quais amantes adolescentes à sombra dos plátanos, ao bem-próprio que é ditado - tecnicamente falando, claro, e sem qualquer implicação ideológica de carácter material - pela preferência partidária que normalmente se encontra alinhavada por aquela mesma visão da infância de cada um, (como vão os pais e mães de Vossas Senhorias, querem que este humilde servo traga já o chá com bolinhos ou só quando chegar a senhora Dona Marquesa?) que os inteligentes analistas abrigados á sombra do 31 da Armada se recusam a reconhecer no estranho caso do Verão azul ligando-o a aspectos do turismo hodierno. Com que então o turismo serve para reabilitar economias se o ministro do Turismo (entretanto abortado) usar patilhas oitocentistas cortadas à moda do tempo em que a Rainha D. Amélia era viva. Mas se o governo se encontra liderado por um indivíduo cuja corrupção corre em sentido contrário ao do latifúndio alentejano, mesmo que a força da merda que polui o rio seja a mesma, então o turismo passa a ser aquela actividade aviltante que "zôologiza" os nossos velhinhos à ignominiosa observação pitoresca das nações estrangeiras (como se os estrangeiros não o fizessem já - para eterno gáudio da elite político-parlamentar - pelo menos desde o tempo do saudoso Lord Byron). Como diria Piranha, respondendo muy enfadado à troça de Xavi, Sancho e Quique, num episódio especialmente edificante de Verano azul: «mierda para todos».

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