quarta-feira, 17 de junho de 2009
A educação do meu umbigo seguida da educação do meu cérebro para variar um bocadinho
O chamado problema recorrente
Tocando tambores
O grande Feynman:
"The adventure of our science of physics is a perpetual attempt to recognize that the different aspects of nature are really different aspects of the same thing" -- Richard Feynman

Photo B18;
Credit: AIP Emilio Segrè
Visual Archives, Physics
Today Collection
Feynman was known to be passionate about drumming, but he was irritated when people found this surprising in a famous scientist. In 1966 a Swedish encyclopedia publisher wrote asking for a photograph of Feynman "beating the drum" to give "a human approach to a presentation of the difficult matter that theoretical physics represents." This was his reply:
Dear Sir,
The fact that I beat a drum has nothing to do with the fact that I do theoretical physics. Theoretical physics is a human endeavor, one of the higher developments of human beings, and the perpetual desire to prove that people who do it are human by showing that they do other things that a few other humans do (like playing bongo drums) is insulting to me.
I am human enough to tell you to go to hell.
Yours,
RPF
Estatística
- Os votos dos concorrentes (as eleições pouco mais são que concursos po esse mundo fora) decrescem ao loongo da contagem
- Alguns dos correntes até chegaram a perder nos seus estados de nascença

Uma vez que a percentagem se acha dividindo o número de votos do concorrente em questão pelo número de votos totais e multiplicando por 100:
uma maneira muito fácil disto acontecer seria por exemplo: Após a contagem de 1000 votos o concorrente da oposição tinha 200 votos dando uma percentagem de
O que não é nada surpreendente.
Claro que se a descida ou subida de percentagens for muito acentuada as pessoas têm todo o direito de ficar admiradas e suspeitar de irregularidas, mas só o facto da percentagem subir não quer dizer nada.
A mim o que me espanta em tudo isto é a desproporção e selectividade dos media. Como o Irão faz parte do eixo do mal por ter um presidente nada manejável há que incutir nas pessoas a ideia que estas eleições foram forjadas. Eu não sei se foram ou não (e até acho provável terem havido algumas irregularidades durante o processo), mas o que eu sei é que o Ahmadinejad tem um apoio fenomenal das comunidades mais rurais do Irão e que essas mesmas comunidades são a maior parte da população do Irão
Fraudes eleitorais houve aquando da primeira eleição do Bush Jr. e não me lembro de haver tanta celeuma.
Factos muitos estranhos ocorreram aquando da segunda eleição do Bush Jr. e novamente não me lembro de haver tanta celeuma.
E viva os media imparciais!
terça-feira, 16 de junho de 2009
Alternativa credível
Se isto é um ensaio
Uma prenda no fim de tarde
ps chiça e que poema do o’neill. O original com Amália aqui.
À consideração de quem talvez não saiba que existem portugueses a ensinar literatura aos bifes, uma vez que não escrevem nada de jeito desde 1650
O feliz dia em que, enfim, Mário Crespo descobre, não sem grande emoção, as virtualidades da pólvora
Mário Crespo, Jornal de Notícias
O maradona continua a citar o London Review of Books mesmo que os livros citados não valham um perdigoto do Júlio Isidro enquanto divulgador cultural
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Ora tomem lá, historicamente, com tecnocracia Portugal style, since 1143
O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): - Muito bem!
A Oradora: - A descolonização portuguesa tinha esta chaga; João Paulo II apontou o caminho para a liberdade de Timor.Sr.as e Srs. Deputados: João Paulo II é o homem da modernidade que conduziu a Igreja Católica ao século XXI, congregando à sua volta católicos e não católicos. Não espanta, por isso, que a esta celebração se associem tantos cuja vida não se identifica com o Papa mas reconhecem-lhe uma grandeza humana excepcional e, sobretudo, a coragem de viver de uma forma completa até ao fim.Por isso, os Deputados da Assembleia da República que acreditam em Deus como fonte da beleza, da justiça, da paz e da verdade e aqueles que, embora não acreditando, também se identificam com esses valores vindos de fontes diversas associam-se a este voto de congratulação pelos 25 anos de pontificado de João Paulo II.
Punk is not ded
Não resisto e coloco mais um video. Já sabem, as palavras são para o Alf. Eu fico com as imagens:
O último herói
Um jornal, um artigo, as coisas, a cabeça
Directamente da fonte
domingo, 14 de junho de 2009
A ganância é boa
Gostei da leitura e recomendo a análise (e quiçá mesmo discussão.)
A specter is haunting the world—the return of capitalism. Over the past six months, politicians, businessmen and pundits have been convinced that we are in the midst of a crisis of capitalism that will require a massive transformation and years of pain to fix. Nothing will ever be the same again.
O artigo é um pouco longo, até pelos meus padrões, mas vale mesmo a pena.
Não sei se rio, se choro
A cada um a sua bandeira, a cada um o seu hino, o território cedido aos palestinianos não terá controlo de espaço aéreo. (O Estado palestiniano não terá) possibilidade de fazer alianças com o Irão ou com o Hezbollah e não terá exército.
Estamos de volta
aqui voltarei a este tema. Absolutamente necessário voltar a Clint Eastwood.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Nunca baixamos os braços, sobretudo no mar alto, depois do naufrágio, quando o avião passa ao longe, e nós, insignificantes, a desaparecer nas ondas
O Osama outra vez
Chateado como estou decidi trazar um bocado de jornalismo não soundbite, informado, e estruturado só para variar. Sim, eu sei que é uma chatice termos que ler notícias grandes e que não se limitam a transmitir as comuns banalidades de fast-news, mas faça o esforço e depois diga de sua justiça.
Eu que nada tenho a ver com jornalismo semprei achei que tinha a ver com informar. Que tinha a ver com analisar. Que tinha a ver com imparcialidade e verdade. Quão enganado estava. Enfim, inocências pueris tão próprias de jovens idealistas que depois levam umas chapadas da vida...
Ficam cá alguns trechos e no final o link para o artigo completo (bolds e itálicos devem-se totalmente a mim):
"Seven years after Osama bin Laden's last verifiable appearance among the living, there is more evidence for Elvis's presence among us than for his. Hence there is reason to ask whether the paradigm of Osama bin Laden as terrorism's deus ex machina and of al Qaeda as the prototype of terrorism may be an artifact of our Best and Brightest's imagination, and whether investment in this paradigm has kept our national security establishment from thinking seriously about our troubles' sources."
"The audio and video tapes alleged to be Osama's never convinced impartial observers. The guy just does not look like Osama. Some videos show him with a Semitic aquiline nose, while others show him with a shorter, broader one. Next to that, differences between colors and styles of beard are small stuff. "
"Nor does the tapes' Osama sound like Osama. In 2007 Switzerland's Dalle Molle Institute for Artificial Intelligence, which does computer voice recognition for bank security, compared the voices on 15 undisputed recordings of Osama with the voices on 15 subsequent ones attributed to Osama, to which they added two by native Arab speakers who had trained to imitate him and were reading his writings. All of the purported Osama recordings (with one falling into a gray area) differed clearly from one another as well as from the genuine ones. By contrast, the CIA found all the recordings authentic. It is hard to imagine what methodology might support this conclusion. "
"Lawrence noted as well that the Osama figure in the December 2001 video, which many have taken as his assumption of responsibility for 9/11, wears golden rings—decidedly un-Wahhabi. He also writes with the wrong hand."
"We do not know what happened to Osama. But whatever happened, the original one, the guy who looked and sounded like a spoiled Saudi kid turned ideologue, is no more. The one who exists in the tapes is different: he is the world's terror master, endowed with inexplicable influence. In short, whoever is making the post-November 2001 Osama tapes is pretending to far greater power than Osama ever claimed, much less exercised. "
"Osama's (late) role in Afghanistan's anti-Soviet resistance was to bring in a little money. Arab fighters in general, and particularly the few Osama brought, fought rarely and badly"
"There is a good reason why neither Osama nor al Qaeda appeared on U.S. intelligence screens until 1998. They had done nothing noteworthy."
"More important, focusing on Osama and al Qaeda distorts our understanding of what is happening in Afghanistan. The latter-day Taliban are fielding forces better paid and armed than any in the region except America's. Does anyone suggest seriously that Osama or al-Zawahiri are providing the equipment, the money, or the moral incentives? Such amounts of money can come only from the super wealthy of Saudi Arabia and the Gulf. The equipment can come only through dealers who work at the sufferance of states, and can reach the front only through Pakistan by leave of Pakistani authorities. Moreover, the moral incentives for large-scale fighting in Pushtunistan can come only as part of the politics of Pushtun identity. Hence sending troops to Afghanistan to fight Pushtuns financed by Saudis, supported by Pakistanis, and disposing of equipment purchased throughout the world, with the objective of "building an Afghan nation" capable of preventing Osama and al Qaeda from messing up the world from their mountain caves, is an errand built on intellectual self-indulgence. "
"The force of the CIA's judgments, its authority, has always come from the congruence between its prejudices and those of America's ruling class. When you tell people what they want to hear, you don't have to be too careful about premises, facts, and conclusions."
Não concordo com algumas das coisas ditas no artigo (especialmente o facto de ter deixado de fora que os Estados Unidos devem ser o país com mais cumplicidade em actos de terrorismo internacional), mas soube-me muito bem ler este questionamento da sabedoria convencional feito por uma revista conservadora dos E.U.A.
Parte I
Parte II
terça-feira, 9 de junho de 2009
Poque será que Constança Cunha e Sá não opta por abrir antes uma casa de chá?
Porque sou tão sagaz?
Porque escrevo tão bons textos?
E depois espantam-se
Sinto-me transcendentemente humilhado, transcendentemente em baixo por ser transcendentemente não transcendente...
Fica também uma resposta muito mais articulada do que este senhor merece: Ainda há gente com muita paciência.
Por falar em queijos
Gloucestershire Cheese Rolling 2009 video highlights from http://www.soglos.com - filmed on Monday 25 May 2009. Every year daring competitors throw themselves down a death-defyingly steep hill in Gloucestershire, England, in a bid to win a coveted Double Gloucester cheese, and this year's event was no different - with a number of competitors incurring injuries. Local cheese rolling legend Chris Anderson won 2 of the 5 races on the day, and can be seen in the video sporting his usual bright green top and flying past the camera.
Por falar em eleições...

Só um bocadinho e venho já aqui esgrimir argumentos nas vezes da piada ao «correr das teclas»
E correremos junto à praia, de mão dada, levados pela luz da esperança e o desígnio dos deuses a caminho do banquete das delícias
Em torno das eleições
Os principais partidos à esquerda do PS obtiveram mais de 21% dos votos, ficando a apenas cinco pontos percentuais do partido que lidera o Governo. Quem ganhou as eleições foi, no entanto, o PSD. E ganhou com uma diferença significativa. Mesmo não ganhando muitos eleitores, parece que, no contexto actual, com uma esquerda forte à esquerda do PS, cerca de 30% pode chegar para ganhar eleições.
Se este cenário se confirmar nos próximos actos eleitorais, teremos:
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Primeiro-Ministro

164 828 pessoas votaram em branco. (Leitores fieis a José Saramago)
71 116 pessoas votaram nulo. (Sem dúvida os votos mais interessantes para analisar… pedidos de emprego? ofensas? declarações de amor?)
Abstiveram-se mais de 63% dos eleitores inscritos.
Só por curiosidade, a abstenção foi de 99,5% em São Paulo (total de 28 811 eleitores inscritos), de 99% em França (total de 53 234 eleitores), de 78% nos Açores (total de 225 552 eleitores) e de 59% em Paço de Arcos (total de 13 289 eleitores).
Há três razões principais para alguém se abster, todas legítimas:
- Protesto contra a organização do sistema político e a democracia. A razão certamente menos significativa em número, mas mais relevante em termos ideológicos;
- Impossibilidade de deslocação, forçada ou provocada. Por exemplo, quem decidiu viajar durante o fim-de-semana fez uma opção e não votou. Parece-me tratar-se de uma das principais justificações para o aumento da abstenção em eleições europeias.
- Desinteresse total pelas eleições. Aqui encontramos aqueles que se abstêm sempre ou quase sempre. São democratas – ou pelo menos querem uma democracia – mas não querem ser incomodados. A frase típica destes abstencionistas é: “Eles que façam o trabalho deles que eu faço o meu”.
É preocupante que o número de pessoas que se enquadram neste último grupo esteja a aumentar gradualmente, especialmente entre os mais jovens, porque significa que a mensagem de que todos temos de ser políticos – no sentido de participação nas escolhas e, portanto, na definição das políticas – não está a passar.