terça-feira, 28 de março de 2017
Novels are about other novels — and how they make us suffer
Felizmente, ainda há pessoas preocupadas com o nosso entretenimento. Saiu o novo livro da fabulosa Elif Batuman. Aqui.
segunda-feira, 27 de março de 2017
Era no tempo em que os escritores ganhavam dinheiro
The editors
of the Post agreed to the idea of a series, but suddenly there was a
problem. Faulkner discovered that his plan would not work with just the
three additional stories he had in mind. H e needed to provide a bridge; he
had to use some of his material to get him from what he called "the
War-Silver-Mule business"" to the Reconstruction. Then another problem
developed. Graeme Lorimer, of the Post's editorial staff, would not offer
as much for the series as Faulkner wanted. At this juncture the flirtation
from Hollywood turned into a contract offer from Hawks: Universal
Studios would hire him at $1,000 on a week-to-week basis. He may have been
relieved to leave the stories for the time being, and he made plans to fly out.
domingo, 26 de março de 2017
sábado, 18 de março de 2017
Levantai hoje de novo o esplendor de Portugal
O negócio do luxo a nível mundial dará, alegadamente, para comprar um equipa de 10 000 (dez mil) Cristianos Ronaldos, e por isso, Portugal deve apostar no negócio do luxo, disse a simpática senhora representada à direita na imagem, e responsável pelos Cursos de Luxo no ISEG, rematando com uma imperturbável e solene invocação do hino: «Levantai hoje de novo o esplendor de Portugal». Parece inventado, mas não é, acabou de acontecer, num programa intitulado A Cidade na Ponta dos Dedos, mais uma referência no mínimo dúbia, o que demonstra um conhecimento muito consolidado das subtilezas do mestre Quim Barreiros. Na verdade, podemos repetir: quem está disposto a levantar o esplendor de Portugal? Eu, considerando a espectacular realidade em que vivemos, e com muita pena minha, sinto-me um pouco cansado. Mas fica o apelo.
terça-feira, 14 de março de 2017
sexta-feira, 10 de março de 2017
A Pequena Europa e a grande chatice
Não sei se temos considerado devidamente a relação entre os «planos inclinados» e a «palavra como instrumento do pensamento». No meu caso, nutro um considerável interesse pela palavra como suspensão do pensamento ou mesmo como veículo das intenções mais baixas do instinto humano, ó maravilha fatal da nossa idade, a saber, a divinização de tudo quanto é humano, para citar Philip K. Dick, não foi o homem a matar deus, foi deus quem engoliu o homem, e isso tem sido um vasto problema, estamos todos cheios de ambições desmedidas, no fundo, não temos trabalhado bem o jogo interior, nem a reacção à perda, e isto vai de goleada em goleada.
Vamos lá ver se nos entendemos: a chamada recriação, nomeadamente, do porco preto, será também ela (a recriação do porco preto) subsidiária do pensamento? E quanto à cultura do pastel de bacalhau? Este exemplo foi dado por Lobo Antunes, numa entrevista relativamente recente, e parece-me um notável sintoma de hipocrisia intelectual, pois nunca vi a cultura do pastel de bacalhau devidamente tratada nas obras de Lobo Antunes, e o tanto que teríamos todos a ganhar com isso. Na verdade, se eu for andar de carrocel e tentar em simultâneo resolver umas palavras cruzadas, estamos diante de um exercício de recriação ou de um instrumento do pensamento?
Pergunta: onde pretende o senhor doutor autor da supracitada peça crítica, traçar a linha divisória entre pensamento e recriação? Paradoxalmente, os críticos literários, talvez por visitarem muitas vezes exposições de arte contemporânea, mantêm, regra geral, uma atribulada relação com a clareza do raciocínio, não gostam do lúdico, nem do entretenimento, nem do prazer da chalaça e do chavascal imagético, no fundo, são filhos do modernismo (essa adolescência tardia da civilização), não esqueçamos a carrada de horas passadas pelo pobre James Joyce entre melancólicos padres.

Este assunto é tratado de um ponto de vista radical, num filme italiano da autoria de Tinto Brass, curiosamente, transmitido pela Correio da Manhã TV, numa madrugada destas. Com a excelente Anna Alexandrovna Jimskaya, nascida no Uzbequistão, de mãe ucraniana e padre russo, uma acrobata com experiência do circo, fabulosa atleta, praticante de ginástica artística e exímia bailarina clássica, o filme é uma reflexão sobre o mundo editorial, o desejo e as diferenças entre arte superior e chavascal. Vamos ver algumas imagens.



Neste filme, a bela protagonista, fantasia eroticamente com uma relação adúltera, pois o marido (um editor) parece desinteressado de uma cabal utilização de todas as possibilidades do corpo feminino, isto sem ponta de exploração ou violência, mas numa verdadeira e cabal análise do prazer físico humano, amen. Com o pito a arder (peço desculpa mas a expressão artística não é minha) a bela protagonista trava conhecimento com um artista francês que a certa altura confronta o prazer oferecido pela leitura de vários autores, Byron incluído, e a posse, ainda que precária e breve, das excelsas ancas e das volumosas e firmes nádegas da bela protagonista, que vai coligindo todos os seus secretos raciocínios num livro, considerado pelo seu marido, e já perto do final do filme, como um obra-prima de erotismo. Dirão os mais conservadores: para certos homens, a mulher é apenas um objecto de prazer. Sim, é uma questão que nos inquieta, admitamos. A nós e a Homero, essa instituição colectiva, segundo a qual, a posse (repitamos, a posse) de uma mulher, leva os mais abrutalhados guerreiros do mundo antigo a mergulharem num arraial de porrada e assassínio, para resgatar a bela Helena. Isto é literatura masculina, por certo, e não estarei a ironizar quando antevejo um problema complicado, no momento em que o professor Eduardo Pitta considera que os melhores romances das últimas décadas tenham sido escritos por mulheres, dando o fabuloso exemplo da sua colega de trabalho, a vice-directora da Revista Sábado (onde, creio, escreve o professor doutor engenheiro Eduardo Pitta) de seu nome, Dulce Garcia, uma pessoa para quem Julian Barnes e Ian MacEwan são os modelos a seguir: o sagrado coração de Maria nos proteja, a julgar por este trailer, o livro deve ser um prodígio da profundidade literária, um hino à inteligência humana.
Ora, arrisco dizer, estamos aqui diante do principal problema literário de todos os tempos: atingimos a felicidade pelo chavascal ou pela ascese? E pensará a mulher da mesma maneira ou prepara, na sombra, uma revolução capaz de separar de uma vez por todas chavascal e ascese, negando aos homens a relação atribulada com o corpo feminino? Meus amigos, não será esta uma falsa questão? Creio que estamos, homem e mulher (e todas as variáveis possíveis a partir deste modelo binário) unidos na mesma luta: como intensificar o prazer sem destruir a fonte do prazer e sem nos destruirmos?
Do meu ponto de vista, e ao contrário do preconceito, não há qualquer divisão entre os sonhos de fusão sexual, voluptuosidade matrona e o triunfo intelectual da mulher. Curiosamente, as mulheres (devido ao alto valor conferido pelo desejo masculino ao prazer sexual) parecem ser as principais promotoras desta divisão, fazendo pagar bem caro a posse da beleza (loira burra) e ameaçando com o ostracismo social toda a mulher, apostada em baixar o preço do relacionamento sexual, o que é antes demais, uma tremenda castração da mulher como sujeito do desejo, e isso é justamente o que o filme de Tino Brass põe em causa, ainda que a condição fisiológica da mulher, considerada em geral submissa (como anatomicamente penetrada) seja um problema difícil de ultrapassar e tenda a inquinar uma parte do debate. Diria, com a coragem que me assiste, que os homessexuais têm uma palavra a desempenhar na história sexual da humanidade, expondo como o ser penetrado (uma razão de opróbrio para a cultura romana e latina) em nada devia beliscar a dignidade das pessoas.
Na verdade, basta ler os comentários sobre as mulheres participantes na Casa dos Segredos ou das mulheres envolvidas na indústria da pornografia para se ter uma ideia deste problema, como se vender o corpo diante de uma câmara fosse assim tão diferente de vender a inteligência ao comércio da literatura e da reputação artística, ou da santidade religiosa. Custa-me sobretudo que Jesus Cristo tenha visto claramente visto este problema («comem comigo pecadores e publicanos») mas as pessoas em geral insistam em não ver.
No fundo, o problema da raiva contra o entretenimento, é um sub-problema da nossa relação com o prazer físico, ou seja, da nossa relação com os limites do nosso corpo. Não quero ressuscitar o cadáver de Freud, mas o facto deste velho austríaco e devasso se ter enganado em muita coisa, não significa que não tenha olhado para o fundo do abismo. Aliás, foi por ter olhado, sem medo, para o fundo do abismo que falhou redondamente e motivou o ódio generalizado, foi por nos ter assustado que hoje tão facilmente cuspimos no seu maravilhoso delírio.
Quanto a mim, e considerando as coisas de um certo ponto de vista, digamos, rebarbado, a recriação, o lúdico, o entretenimento, são conceitos a que falta uma historiografia do uso mediático e literário. Posso jogar xadrez, é certo, e com isso estaria a usar o pensamento, mas também posso recriar-me observando a Casa dos Segredos, e aí posso usar o pensamento mas também outro tipo de complexos físico-neurológicos. Na verdade, este assunto continua a ser embrulhado em celofane e distribuído como brinde avulso em jeremiadas produzidas por uma grande parte das pessoas da Cultura, sempre muito amiguinhas dos desgraçados, e veja-se o mais recente filme São Jorge, mas também sempre prontas a considerarem o seu gosto como um modelo da excelência universal. Pergunto: qual a diferença substancial entre o pensamento utilizado para tocar uma Sonata de Mozart ou aturar a Teresa de Guilherme, respondendo a perguntas comportamentais, durante meia hora? Claro que o problema está sobretudo naquilo a que chamamos educação, hábito, mecanismos de reputação, e não tanto no grau ou na intensidade da inteligência ou do pensamento. Não negamos contudo os continentes de distância em termos de horas de treino e automatismo acumulado na infância (para os quais é imperioso guito e estatuto), para não falar do custo de um piano em casa, o que desde logo nos remete para uma economia das funções intelectuais, tema que não tem merecido o interesse dos vanguardistas dos nossos dias (talvez exceptuando o chatíssimo e péssimo escritor Bordieu) e sabemos bem porquê. #poesia
Voltemos portanto ao assunto que aqui nos trouxe, um livro escrito por uma mulher educadíssima e espectacularmente inteligente.
A própria disposição textual do romance engendra um sistema respiratório do romance em que manchas textuais distintas correspondem a diferentes intensidades e sentidos.
Isto poderia ser dito sobre o romance, o facebook, a lista telefónica, as legendas informativas do telejornal, os letreiros e montras de um Centro Comercial ou o teleponto da Cristina Ferreira. Peço ao estimado leitor para fixar esta curiosa semelhança entre o romance considerado vanguardista e o tipo de comunicação comercial do mundo contemporâneo, que parece contaminar toda a literatura dita de ruptura. Na verdade, a suposta ruptura, imposta pelo «fluxo de consciência» não é mais do que a consagração dos meios de comunicação de massas (jornais, rádio, televisão e agora facebook e twitter) em termos literários, de forma mais ou menos irónica, e basta, como exemplo, invocar a enorme preponderância da estrutura das notícias impressas em folha de jornal no Ulisses de James Joyce.
Com efeito, confesso estar perdido acerca do que pretende o crítico assinalar neste novo e desorientado livro de Mafalda Ivo Cruz. Mas temo ser aqui forçado a informar o referido crítico e a romancista, acerca de uma velha e recorrente problemática da arte narrativa: dizer qualquer coisa de relevante e original, com estilo, elegância e profundidade, é muito difícil, é quase um acidente estatístico, e depende de muitas coisas para além da vontade do autor. Ou seja, é preciso muito mais do que um ambiente propício e interesse literário. É necessário termos sido agraciados com uma espanholada das deusas, ou um minete dos deuses (para não sermos acusados de descriminação) mas aviso desde já como as deusas e os deuses são muito selectivos naqueles a quem conferem espanholadas e minetes. Ou seja, aos promotores da ideia da necessidade de excelência quanto aos leitores e à palavra como instrumento de pensamento, esquece tantas vezes que, pelos mesmos padrões de exigência, 99% dos escritores considerados como dotados de qualidade literária, não passam de pedantes desajeitados, com amizades seguras em pontos estratégicos da nossa cidade. Exemplo:
Nesse aspecto, importa que Schönberg compareça em Pequena Europa na sua dupla condição de compositor e pintor. Não só porque essa condição dual o torna menos linear e, portanto, mais frutífero para este romance de formação elíptica, espiralar, à maneira de Sebald, mas também porque a arte, no geral, desempenha um papel fulcral em Pequena Europa.
Em crítica admite-se tudo, menos o facto dos críticos não terem lido os livros. Ver neste livro Pequena Europa qualquer semelhança com Sebald é digno de uma arbitragem de José Pratas. Sebald tem um domínio narrativo, sequencial, e convencionalmente respeitador da paciência dos leitores, que em nada se pode comparar com o livro em apreço. A comparação com Sebald, portanto, só pode ser apontada por quem nada compreendeu dos textos de Sebald, onde a sensação de vertigem é dada pela deambulação interior da personagem, e não pela deambulação da linguagem do narrador, e é nesta tensão que está o génio de Sebald, o que vem na melhor tradição germânica. Como mostrar o absurdo e a loucura do mundo, virando o convencionalismo, a disciplina e a ordem (fontes de autoridade artificial) contra si mesmas, sempre respeitando a mais burocrática das subserviências perante a gramática e até um certo conservadorismo formal da linguagem. Isto, naturalmente, provoca tonturas. No fundo, se há coisa segura, sistematicamente cadenciada, quase proporcionalmente maquinal, de tão constante, na sua frieza recolectora, é a linha narrativa de Sebald. Nem sequer o parágrafo longo pode ser confundido com qualquer tipo de confusão permanente. Uma elipse não é uma espiral. Tal como a revienga de Zidane não é a revienga de Bruno Caires (e por isso, não há vídeos). O desajustamento entre as ideias da personagem, um homem perdido e deslocado do mundo, e o registo rigoroso, ordenado, até meticuloso da narrativa, é precisamente o grande feito daquele autor alemão. Por alguma coisa, Sebald eliminou as notas de rodapé dos seus livros, e como grande artista, percebeu rapidamente o estrondoso ruído provocado por qualquer acumulação pedante e deslocada de notas de rodapé, e tratou de conferir ao todo o livro a simetria e proporção. Exactamente ao contrário deste A Pequena Europa, onde a autora julga até pertinente informar-nos sobre os excertos onde a tradução é da sua autoria.
Em crítica admite-se tudo, menos o facto dos críticos não terem lido os livros. Ver neste livro Pequena Europa qualquer semelhança com Sebald é digno de uma arbitragem de José Pratas. Sebald tem um domínio narrativo, sequencial, e convencionalmente respeitador da paciência dos leitores, que em nada se pode comparar com o livro em apreço. A comparação com Sebald, portanto, só pode ser apontada por quem nada compreendeu dos textos de Sebald, onde a sensação de vertigem é dada pela deambulação interior da personagem, e não pela deambulação da linguagem do narrador, e é nesta tensão que está o génio de Sebald, o que vem na melhor tradição germânica. Como mostrar o absurdo e a loucura do mundo, virando o convencionalismo, a disciplina e a ordem (fontes de autoridade artificial) contra si mesmas, sempre respeitando a mais burocrática das subserviências perante a gramática e até um certo conservadorismo formal da linguagem. Isto, naturalmente, provoca tonturas. No fundo, se há coisa segura, sistematicamente cadenciada, quase proporcionalmente maquinal, de tão constante, na sua frieza recolectora, é a linha narrativa de Sebald. Nem sequer o parágrafo longo pode ser confundido com qualquer tipo de confusão permanente. Uma elipse não é uma espiral. Tal como a revienga de Zidane não é a revienga de Bruno Caires (e por isso, não há vídeos). O desajustamento entre as ideias da personagem, um homem perdido e deslocado do mundo, e o registo rigoroso, ordenado, até meticuloso da narrativa, é precisamente o grande feito daquele autor alemão. Por alguma coisa, Sebald eliminou as notas de rodapé dos seus livros, e como grande artista, percebeu rapidamente o estrondoso ruído provocado por qualquer acumulação pedante e deslocada de notas de rodapé, e tratou de conferir ao todo o livro a simetria e proporção. Exactamente ao contrário deste A Pequena Europa, onde a autora julga até pertinente informar-nos sobre os excertos onde a tradução é da sua autoria.
Sim, devemos todos perguntar: não começarão as tiranias pela publicação de romances estandardizados? Não começarão as tiranias pela leitura da revista Maria? Por certo, o gelado Calippo tem o seu papel na instauração dos regimes totalitários. Mas o que é um romance standardizado, professora doutora Mafalda Ivo Cruz? É um romance rapidamente publicitado e aclamado nas páginas de um dos jornais outrora mais vendidos em Portugal, sem isso corresponder a qualquer interesse público?
Da mesma forma, pergunto: o que é uma arquitectura previsível? Quando Julieta está prestes a ingerir o veneno, numa standardizada sequência, ou seja, numa sequência muito bem contada, sabe a professora doutora se a belíssima Julieta irá ter sucesso no seu encontro com o bem amado Romeu? E quando Julieta, diante da ilusão do seu amado morto, por uma falha de sequência no plano idealizado, decide interromper a vida, o que nos diz o percurso do veneno no seu corpo acerca da linearidade do tempo narrativo?
Com efeito, tenho uma outra explicação para esta tão popular recusa da linearidade: é mais difícil esconder o facto de não termos nada para dizer quando nos dispomos a falar claramente. Será um crime não ter nada para dizer? Não. Mas isso, de uma forma ou de outra, acaba sempre por notar-se, e de que maneira.
A narração revisita acções e atitudes, movimentações e características, como se estas fossem fantasmas que perseguissem a própria possibilidade de narrar, questionando, obsessivamente, “Como é ainda possível ficcionar, como contar?” (num paralelo irresistível com os loucos ou alegados loucos que povoam o romance) Porque Pequena Europa é muito mais um romance que pergunta do que afirma. Duvida mais do que acredita. Descrê da capacidade afirmativa e, sobretudo, lúdica do literário.
Se há coisa que me interessa na sociologia da literatura contemporânea, é esta embirração com a possibilidade do ficcionar e do contar e o lúdico no literário. Mas desde quando foi fácil contar? Só o olímpico desconhecimento da história da literatura considera ter existido um tempo onde era fácil contar. Que tenham existido pessoas com facilidade em contar ou escritores com uma prodigiosa capacidade de narrar, não significa que a sua eficácia lhes tenha sido oferecida de mão beijada. Quantas horas de conversa, quantos manuscritos lançados ao lixo. Mas não vieram para os jornais lamentar as suas limitações, pois a dificuldade do narrar é, no fundo, a dificuldade em legitimar o projecto literário, ou seja, é o centro explosivo do que faz de uma pessoa alguém consagrado pelo tempo e a comunidade como um escritor. Pois é, caríssimos leitores, menos choradeira e mais paciência. a fama perene, como bem sabiam os antigos, implica o risco da própria vida.
Muitos anos depois do pobre Walter Benjamim ter escrito, numa introdução a Leskov, umas páginas confusas (mas apesar de tudo pertinentes), acerca do declínio do narrador no mundo industrial, este autor que vos fala quer dizer como tantas vezes ouviu velhas analfabetas manejar com invejável arte todos os segredos da narrativa. A complexidade do enredo, a densidade das personagens, as suspensões e acelerações, as divagações sobre o saber técnico (e lembro as páginas admiráveis de Italo Calvino sobre a técnica de marinhagem nas fábulas populares italianas) as famigeradas quebras de linearidade, a diversidade dos pontos de vista, e até a torrente e o fluxo da consciência, tudo isso é familiar a muita gente absolutamente desconhecida, anónima, analfabeta, entretanto morta e enterrada e perdida para sempre. Creio que três elementos alimentavam essa magistral arte de contar, em risco de perder-se diante do pedantismo da literatura impressa: a alegria e o prazer da voz entoada, aquilo a que Ariosto chamava o «canto»; o amor pela fragilidade humana e a consciência das limitações da razão e do discurso, que tantas vezes vi, em criança, de olhos esbugalhados diante dessas velhas sábias, magoadas e dotadas de uma coragem física e moral intransponível; e por último, e apesar de tudo, o profundo amor pela vida e o sentido de utilidade da comunicação humana e do contar aos outros, mesmo diante de todo o mal, mesmo diante de todos os perigos e desastres, ou se quiserem, sobretudo, perante todos os perigos e os desastres, a começar pela dificuldade em ganhar o pão de cada dia.
Se há coisa que me interessa na sociologia da literatura contemporânea, é esta embirração com a possibilidade do ficcionar e do contar e o lúdico no literário. Mas desde quando foi fácil contar? Só o olímpico desconhecimento da história da literatura considera ter existido um tempo onde era fácil contar. Que tenham existido pessoas com facilidade em contar ou escritores com uma prodigiosa capacidade de narrar, não significa que a sua eficácia lhes tenha sido oferecida de mão beijada. Quantas horas de conversa, quantos manuscritos lançados ao lixo. Mas não vieram para os jornais lamentar as suas limitações, pois a dificuldade do narrar é, no fundo, a dificuldade em legitimar o projecto literário, ou seja, é o centro explosivo do que faz de uma pessoa alguém consagrado pelo tempo e a comunidade como um escritor. Pois é, caríssimos leitores, menos choradeira e mais paciência. a fama perene, como bem sabiam os antigos, implica o risco da própria vida.
Muitos anos depois do pobre Walter Benjamim ter escrito, numa introdução a Leskov, umas páginas confusas (mas apesar de tudo pertinentes), acerca do declínio do narrador no mundo industrial, este autor que vos fala quer dizer como tantas vezes ouviu velhas analfabetas manejar com invejável arte todos os segredos da narrativa. A complexidade do enredo, a densidade das personagens, as suspensões e acelerações, as divagações sobre o saber técnico (e lembro as páginas admiráveis de Italo Calvino sobre a técnica de marinhagem nas fábulas populares italianas) as famigeradas quebras de linearidade, a diversidade dos pontos de vista, e até a torrente e o fluxo da consciência, tudo isso é familiar a muita gente absolutamente desconhecida, anónima, analfabeta, entretanto morta e enterrada e perdida para sempre. Creio que três elementos alimentavam essa magistral arte de contar, em risco de perder-se diante do pedantismo da literatura impressa: a alegria e o prazer da voz entoada, aquilo a que Ariosto chamava o «canto»; o amor pela fragilidade humana e a consciência das limitações da razão e do discurso, que tantas vezes vi, em criança, de olhos esbugalhados diante dessas velhas sábias, magoadas e dotadas de uma coragem física e moral intransponível; e por último, e apesar de tudo, o profundo amor pela vida e o sentido de utilidade da comunicação humana e do contar aos outros, mesmo diante de todo o mal, mesmo diante de todos os perigos e desastres, ou se quiserem, sobretudo, perante todos os perigos e os desastres, a começar pela dificuldade em ganhar o pão de cada dia.
quinta-feira, 9 de março de 2017
Um dos mais impressionantes inícios da literatura do século XX recusado por todas as editoras
I am made
out of water. You wouldn't know it, because I have it bound in. My friends are
made out of water, too. All of them. The problem for us is that not only do we
have to walk around without being absorbed by the ground but we also have to
earn our livings.
Actually there's even a greater problem. We
don't feel at home anywhere we go. Why is that?
The answer is World War Two.
terça-feira, 7 de março de 2017
Perante pessoas espectaculares, não há nada a fazer, não temos a mínima hipótese, só nos resta a resignação perante tanta inteligência, cultura e perspicácia, no fundo, não estamos cá a fazer nada

Andas en mi cabeza - uma canção escrita a pensar em João Pereira Coutinho. Aqui e aqui e aqui. E depois também aqui.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Kumbaya, my lord, Kumbaya
Vamos hoje abordar um problema, digamos, delicado. Esta
recente e muito interessante entrevista serve de mote à consideração, pela
enésima vez, de um tremendo e muito generalizado equívoco, a saber, as
famigeradas ambições de um criticismo legítimo, aprendido na Academia, por
oposição ao criticismo do mercado, ou seja, falamos da injusta, sumária e
superficial condenação (enquanto sedes de juízo estético) da gaja boa ou do
troglodita que por acidente, e porque lhes apetece, decidem comprar um livro
para passar o tempo, sobretudo, quando são muitos (gajas boas e trogloditas) a
comprar livros, não nos esqueçamos das nossas raízes democráticas, amen. Não
quero com isto dizer que a invisibilidade da mão, manipulada por muita
mamalhuda e por muito avantajado, represente, por si só, uma consagração
automática do valor literário. Longe de mim defender, com uma venda nos olhos,
essas robinsonadas dos economistas austríacos. Mas quero com isto dizer, se me
é permitido, que não devia fazer-nos comichão o facto de existir uma, e passo a
citar, literatura de mercado, ou seja, literatura light (sem as típicas
gorduras dos aparelhos ideológicos de Estado, o que me parece uma elogiosa
definição) ou nesse caso, teríamos de sentir a mesma coceira pelo facto de
alguém vender a aprendizagem, a oficina, o treino, o segredo, a janela de
oportunidade, aos pobres esperançosos apostados em fugir da tenaz do lucro e em
não cair (ó clemência, ó piedade) no caldeirão infernal da famigerada
literatura de mercado, benza-os deus.
Não teria resumido melhor o equívoco. Ou seja, o diabo veio
de tenaz em punho e acabou com o tempo onde reinava uma tranquila tradição
especificamente literária, que aliás, em Portugal, produziu toneladas de génios
literários, é consultar a nossa glorioso história. Tirando Camilo e Eça
(produzidos em grande medida pelo mercado) e excepção feita a Fernando Pessoa
(que limpou o rabinho com a tradição especificamente literária) qual o escritor
digno de registo produzido pela tradição especificamente literária? Herberto
Trau Hélder? Quem? O gajo que não aparecia para melhor valorizar o produto?
Almeida o Professor Faria? O José Estúdios Cor Saramago foi produzido fora do
mercado? Lobo Antunes (com os seus 750 livros e as suas 3500 crónicas) não será
uma espectacular produção do mercado especificamente literário? O Luiz arranja
aí vinte paus Pacheco? Pensem nisto durante o Braga-Benfica.
Portanto, que seja o público, juntamente com esse grande
escultor e adepto das touradas, o tempo, a seleccionar o valor literário entre
o descomunal número de livros, é o grande pecado da literatura de mercado. É
portanto preferível que seja o amigo, de um amigo, de um primo, de um amigo, a
fazer a selecção, ainda em estado de manuscrito, e por critérios
especificamente literários, e com o risco dos custos de impressão assegurados
pelo Orçamento de Estado (ou por um primo na administração Gulbenkian)
escolhendo quem são os legítimos operários (plástica e inventivamente) da
língua portuguesa, paga aí a minha tosta mista. Claro que só podia ser um
nicho, um nichozinho, um pequerrucho nichozinho, de mãos dadas com os leitores
(sem contaminações comerciais) num Kumbaya autêntico, familiar, um verdadeiro
policiamento de proximidade ao escritor. Portanto, não lembra às pessoas
espectaculares da tradição especificamente literária que esta tradição
especificamente literária, tão próxima, tão familiar e tão autêntica, devido,
precisamente, à limitação da sua proximidade e âmbito familiar, seja o mais
directo caminho para um provincianismo estético e literário, sacrificando (se
não existisse literatura de mercado) centenas e centenas de autores com
potencial.
Além disso, pergunto: quem é o escritor que se preze,
interessado em conhecer os seus leitores? Para isso, não publicava livros, nem
imprimia esse meio de comunicação à distância, o livro. Candidatava-se a uma
vida pastoral no Seminário (por sinal, uma palavra nascida nas entranhas da
Universidade, está tudo bem).
Neste modelo familiar, autêntico, próximo, terão de ser
poucos a aceder a tão secretos e misteriosos critérios estéticos (até porque
neste modelo de literatura, as cunhas financeiras não chegam para todos, claro
está). Por certo, nos dirão que estes poucos são poucos também por selecção
natural de robustez - ah, a tradição especificamente literária - ou por
grandeza da massa cinzenta, ou por abnegação filosófica e altruísmo moral,
terão de ser poucos esses que, não vivendo da literatura (o dinheiro ganho com
os livros tem peçonha) ganham a vida com outras actividades, nomeadamente,
ensinado as especificidades da literatura, para, com efeito, poderem dedicar-se
a torcer plástica e inventivamente a língua portuguesa. Kumbaya, my Lord,Kumbaya.
Acontece que, e em verdade vos digo, se a língua é
considerada portuguesa, é porque, com efeito, uma comunidade chamada Portugal,
cuja complexidade histórica vai da centralização manuelina (trau) passando pela
degeneração católico-monárquica (oleada por um latinismo fedorento e tardio)
até ao falhanço republicano em generalizar a leitura e os livros (que deu
origem a essa miséria moral, política e pirotécnica, chamada Estado Novo) se
foi construindo segundo critérios que não são meus, nem são teus, mas nossos. É
com a língua portuguesa que todos havemos de lamber o cu do destino, mas daí a
definir previamente quais a lambidelas mais inventivamente plásticas (que nem
sempre são as mais capazes de suscitar prazer ou introspecção) vai uma
distância do tamanho das pernas de D. Afonso Henriques.
Ora, a consciência das merdas em geral, devia tornar deveras
complicado definir, excluídos os aparelhos ideológicos do ensino da literatura
portuguesa, o que é ou deixa de ser uma invenção plástica da língua, quanto
muito, podemos definir um projecto pessoal de invenção estética de uma dada
língua (que a literatura de mercado, se deus quiser, irá submeter dinamicamente
ao juízo da mamalhuda e do avantajado, pois que, no mercado, há lugar para
todos), isto se o escritor tiver engenho para tanto, pois para mim, a
inventividade plástica pode estar mais em reproduzir a técnica de Ovídeo, ou em
glosar o calão de Margarida Rebelo Pinto, do que na mundividência
estético-mental da procissão de gurus, adestrados na tradição especificamente
literária, que fazem parte, nomeadamente, da instituição, legitimamente
promovida, na referida entrevista. E não é certo que a mamalhuda, bendito seja
o deus da criação, não prefira Ovídeo ou Shakespeare, ou se quisermos, Sebald -
para dizer um nome contemporâneo - à tradição especificamente literária da
inventividade plástica da língua portuguesa. E quanto ganhou Shakespeare,
submetendo ao mercado a tradição especificamente literária, utilizando para tal
a tenaz do lucro? As pessoas precisam de suar um bocadinho mais, se pretendem
construir um sistema de legitimação da supremacia da tradição especificamente
literária sobre a literatura de mercado. Não basta cantar o Kumbaya.
Em todo o caso, quero deixar bem claro: não condeno, nunca
condenei, nunca condenarei, quem pretenda ganhar a vida ensinando a tradição
especificamente literária, mas é de mau tom lançar do alto anátemas contra a
tenaz do lucro, só porque, aparentemente, algumas pessoas não preenchem os
critérios estéticos preconfigurados numa alegada tradição especificamente
literária. Aliás, é curioso como a legitimidade estética negada à literatura de
mercado, se revela adequada ao ensino da escrita criativa, através de um
disparatado e pseudo-científico discurso em torno do conceito de optimização
(aplausos) e de técnica de expressão (risos). Permitam-nos uma citação longa,
mas o interlocutor, justiça lhe seja feita, é estimulante.
Portanto, se andássemos todos aqui a dormir, não notaríamos
que ensinar a moldar uma plasticina requer um conjunto de critérios para diferenciar (esteticamente) os diferentes actos de moldagem dessa plasticina, caso contrário, uma
criança de três anos também poderia ministrar o curso. Mas esses critérios não
são revelados, a não ser por cada um dos formadores, e após pagamento da inscrição (aplausos), e segundo a subjectividade da experiência dos formadores, o que pouco aproveitará ao aprendiz (digo eu), e desde logo, reproduz a supremacia do mestre sobre o aluno, ou seja, a Universidade é um vírus muito eficaz a parasitar a actividade criativa, aparecendo agora sob novas, mais obscuras e mais decadentes roupagens. Claro que nenhum dos escritores formadores expõe publicamente esses critérios, não só por razões comerciais (prefere vender os segredos de oficina à porta fechada e em fascículos), mas também porque não faz a mais
pequena ideia do que seja um critério universal em literatura, e teria de
confessar a figura triste que anda a fazer, tão pobre de razões metafísicas (e tão eficazmente pragmático) é hoje o travejamento estético de um escritor.
Não lamentamos, contudo, nada nesta situação. Tudo isto é mercado, tudo isto é legítimo, tudo isto é impulse, mas por isso, recomendamos menos moralização da literatura ligth. Por outro lado, optimizar ferramentas de expressão implica uma economia estética e uma escala de desperdício, o que implica uma retórica universal das ferramentas literárias, o que só pode provocar o riso. A optimização da ferramenta narrativa utilizada por Marcel Proust (salvo seja) é um desperdício em Italo Calvino e o processamento da expressão em Faulkner é uma cacofonia aberrante, à luz dos processos em Marguerite Yorcenar. Entretanto, paga aí a tosta mista. O que é legítimo, desde que não impliquem com a minha vontade de comer morcela ou hambúrgueres americanos a transbordar de gorduras saturadas.
Não lamentamos, contudo, nada nesta situação. Tudo isto é mercado, tudo isto é legítimo, tudo isto é impulse, mas por isso, recomendamos menos moralização da literatura ligth. Por outro lado, optimizar ferramentas de expressão implica uma economia estética e uma escala de desperdício, o que implica uma retórica universal das ferramentas literárias, o que só pode provocar o riso. A optimização da ferramenta narrativa utilizada por Marcel Proust (salvo seja) é um desperdício em Italo Calvino e o processamento da expressão em Faulkner é uma cacofonia aberrante, à luz dos processos em Marguerite Yorcenar. Entretanto, paga aí a tosta mista. O que é legítimo, desde que não impliquem com a minha vontade de comer morcela ou hambúrgueres americanos a transbordar de gorduras saturadas.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Gentil Senhora Ferrante, estarei apaixonado por si?
Nem sempre é fácil resumir cabalmente o papel desempenhado por este blog. A crítica raramente pode ser excessiva ou injusta, pois quanto aos escritores de escasso talento, consagrados pelo afecto pessoal, a Academia e o mandarinato, sempre insidiosos e manipuladores, a enviar likes e beijinhos a figuras destacadas do meio literário (e falo de casos reais), será sempre difícil neutralizar a sua estratégia medonha em tempo útil, e muito menos nos anima qualquer espírito inquisidor. Tenham muitas felicidades, convençam os júris formados por cinco velhinhos/as e um galã literário, e alcancem todos os prémios possíveis, mas não nos peçam para apoiar (e silenciar) a venda a céu aberto de gatinho rafeiro estufado, nas vezes da lebre de coentrada.
Quanto aos escritores, aqueles a quem justamente podemos qualificar como tal, esses terão sempre a última palavra, sem precisarem de mais do que a página do livro, e triunfarão sobre a inveja, a maldade, a sobranceria ou a severidade das apreciações. Por isso, nem um ano passado sobre um azedo tratamento do seu anonimato, sou forçado a partilhar o momento em que a gentil senhora Elena Ferrante (Escombros, p. 40) me agarrou pelos testículos e me obrigou a ajoelhar, para grande prazer da minha inteligência, aliás, sempre pronta a declarar-se derrotada, se para tal existem razões e méritos literários.
«A pergunta é a seguinte: porque é que, apesar de ter lido o meu livro há um ano, apesar de o ter apreciado como diz, concretizou a ideia de entrar em contacto comigo só agora, depois de ter sabido que vai ser feito um filme baseado em Um Estranho Amor?
Se tivéssemos, não digo de fazer uma entrevista, mas de ter uma conversa amigável, eu discutiria consigo sobretudo as razões para ter levado tanto tempo, partindo por exemplo de uma observação sua. Escreve você, mas menos brutalmente do que eu resumo: o seu livro diz-me alguma coisa mas o seu nome não me diz nada. Pergunta: se o meu livro não lhe tivesse dito nada e o meu nome lhe tivesse dito alguma coisa, teria levado menos tempo a pedir-me uma entrevista?»
Quanto aos escritores, aqueles a quem justamente podemos qualificar como tal, esses terão sempre a última palavra, sem precisarem de mais do que a página do livro, e triunfarão sobre a inveja, a maldade, a sobranceria ou a severidade das apreciações. Por isso, nem um ano passado sobre um azedo tratamento do seu anonimato, sou forçado a partilhar o momento em que a gentil senhora Elena Ferrante (Escombros, p. 40) me agarrou pelos testículos e me obrigou a ajoelhar, para grande prazer da minha inteligência, aliás, sempre pronta a declarar-se derrotada, se para tal existem razões e méritos literários.
«A pergunta é a seguinte: porque é que, apesar de ter lido o meu livro há um ano, apesar de o ter apreciado como diz, concretizou a ideia de entrar em contacto comigo só agora, depois de ter sabido que vai ser feito um filme baseado em Um Estranho Amor?
Se tivéssemos, não digo de fazer uma entrevista, mas de ter uma conversa amigável, eu discutiria consigo sobretudo as razões para ter levado tanto tempo, partindo por exemplo de uma observação sua. Escreve você, mas menos brutalmente do que eu resumo: o seu livro diz-me alguma coisa mas o seu nome não me diz nada. Pergunta: se o meu livro não lhe tivesse dito nada e o meu nome lhe tivesse dito alguma coisa, teria levado menos tempo a pedir-me uma entrevista?»
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Shakira e Literatura: alguns aspectos
António pessoa ungida pela sagacidade Guerreiro in Público
As mães do Pedro Nunes nunca terão lido Breton e Robbe-Grillet (dois gajos que não chegaram a ver a França campeã do mundo) mas daí até as mães do Pedro Nunes (como entidade institucional) desconhecerem as contradições implícitas no admirável e litúrgico mundo do pinanço em espetacularidade, vai uma distância do tamanho que for mais adequado à satisfação de cada um. Ou seja, o senhor general e almirante António Guerreiro, no seu confuso texto, comete um erro típico, várias vezes aqui aludido (e também por nós praticado, pois gostamos de meter a mão no prato com pecadores e publicanos) isto é, toma a realidade pelas coisas lidas nos livros, uma cena que já alegadamente motivou a má fama do Quixote.
Isto não significa privilegiar a experiência em relação à teoria (deixámo-nos disso desde que o António Veloso falhou um penalti em Estugarda) mas apenas reconhecer o gigantismo da nossa ignorância sobre a realidade, dada a amplitude da sua complexidade e a sua natureza amplamente precária, para não falar da problemática relação entre a realidade e os ponteiros do relógio. Esta ignorância não exclui um razoável domínio daquilo a que as pessoas em geral (e cremos que o Jorge Gabriel também) chamam a Literatura. Antes pelo contrário, a Literatura (bem como a fixação escrita de todas as linguagens) é precisamente uma forma de esconder a ignorância sobre as coisas em geral, e a arte de bem cavalgar toda a ignorância através da linguagem, implica conhecimentos técnico-táticos em múltiplos domínios, mas não nos detenhamos por agora em assuntos demasiado perigosos. Quero com isto dizer que não desdenharia visitar a vida sexual das mães do Pedro Nunes.
Com efeito, o António Guerreiro (com uma reacção à perda fortíssima e por isso mesmo, exagerando, no referido texto, as consequências extraídas do sucesso sociológico da angeologia no meio literário português) devia contudo saber que, precisamente, e em geral, o tipo de «alma» criada na Travessa da Lapa e na censura da porcalhice é também muito fértil em potência criativa ao nível da mesma e referida porcalhice, tal como já todos devíamos saber por intermédio desse vulto da pornografia doméstica, o arquitecto Tomás Taveira. António Guerreiro talvez pretenda, contudo, sublinhar isso mesmo. As mães do Pedro Nunes são umas porcalhonas mas não querem os filhos a serem iniciados na porcalhice. Uma posição aliás legítima. Se bem entendo, o caso é simultâneamente mais clássico e mais infelizmente esquerdalho, ao nível dos preconceitos culturais: António Guerreiro mostra-se tentado a afirmar que as burras das mães do Pedro Nunes são precisamente parte do grupo responsável pelo sucesso do Valter, mas somente enquanto o retrato público do Valter foi o da superficialidade mediática do curador de almas, transmitida pelo jornalismo, uma vez que só o António Guerreiro lê livros. Mas quando o referido Valter resolve mostrar o seu lado caxineiro, as mães do Pedro Nunes, segundo António Guerreiro, entraram em histeria existencial. O mundo é mais complicado, e estaremos todos de acordo, não se aprende sobre as relações entre erotismo e pornografia na Travessa da Lapa, mas muito menos se aprendem essas relações em Breton ou Robbe-Grillet, e com isto, já não estaremos todos de acordo. Talvez as mães do Pedro Nunes não pretendam que seja o Valter a explicar o mundo aos seus filhos, ainda que por aí tenham aparecido teorias sobre a importância da leitura, como se recomendar Valter Hugo Mãe a adolescentes, não fosse precisamente o mais directo caminho para erradicar da juventude todo o prazer da leitura. Nisto, estou com as mães do Pedro Nunes, com todo as minhas forças morais, talvez não pelas mesmas razões das mães do Pedro Nunes, que aliás desconheço, mas não desdenharia conhecer.
Não sei até quando será necessário repetir: a literatura não pode representar utilidade universal na vivência do mundo, como já acima se referiu quanto à supracitada tragédia do mais famosos leitor de romances. Por outro lado, e alegadamente, até o Diabo teve um passado ligado à Travessa da Lapa e à angeologia. Quanto a eventuais problemas de adequação literária às estratégias pedagógicas, confesso o meu desinteresse conjuntural no tema. No fundo, a Shakira também é mãe e deve estar para inscrever os filhos numa Travessa da Lapa qualquer, e não estou a vê-la a apreciar a literatura do valter hugo mãe, mas isto é por certo um preconceito da minha visão estética do mundo.

Lamentavelmente, somos forçados a regressar a um assunto encerrado. Valério Romão voltou à carga num artigo publicado no famoso e aclamado periódico, Hoje Macau. Afinal, as ideias expostas no excerto criticado não são dele mas de uma personagem que expõe «atabalhoadamente a sua visão redutora das relações». O ponto, contudo, não é esse, nem podia ser, pois nesse caso, Valério Romão devia estar orgulhoso por ter conseguido enganar os leitores, é o sonho de qualquer autor. Mas como bem sabe o professor doutor Valério Romão, está em causa, precisamente, a falta de talento para ser atabalhoado e fingir uma visão redutora das relações que não seja diretamente contaminada pelas ideias do escritor. Está em causa, sobretudo, e se me é permitido ter opinião (muito obrigado), o direito constitucional de considerarmos os seus textos e temas terrivelmente desinteressantes, pois são, precisamente, os temas da moda. Pior do que isso, a literatura de Valério Romão é em geral uma revisitação de António Lobo Antunes (e isto é um elogio), mas com maior ruído e desacerto metafórico, muita cornucópia dispensável, muita irónica referência a marquises e ao tupperware. Mais concretamente, reservamos o direito de considerar o elemento bizarro no referido excerto, pois (parece-nos) uma personagem atabalhoada, a primeira coisa em que pensa, é em relacionar, de forma redutora, a câmara de Fellini com as relações amorosas, envolvendo nisto a pila de alguém. Tenhamos paciência.
Quando à ideia da intermediação da personagem, então, mais uma vez, o doutor Valério escorrega na sua própria casca de banana, pois nesse caso, não será o rapaz da internet, também ele (eu) quem? apenas e tão somente uma pirandelliana desdobragem ficcional neste grande teatro do mundo? Para quê considerar como sujeito real uma persona qualquer a escrever sobre literatura? No fundo, talvez seja uma personagem atabalhoada a descrever redutoramente as suas opiniões sobre o grande escritor Valério Romão? Para quê tomar pelo valor facial um texto assinado por um extraterrestre num blogue obscuro?
Na verdade, tanto o senhor doutor Valério como o excelentíssimo senhor Valter esforçam-se por representar o papel de mártires da liberdade expressão, perseguidos pela fúria indignatória desses dois pólos da perversidade universal, as redes sociais e as mães do Pedro Nunes. O caso é tanto mais ridículo se pensarmos que as alusões ao texto de Valério Romão, foram lançadas em campo estético e as críticas apenas dirigidas ao autor, e nem poderia ser de outro modo, pois não temos o prazer de conhecer a pessoa. Ou muito me engano, e eu engano-me muitas vezes, o senhor professor doutor Valério Romão insiste em fazer aos outros o que considera inapropriado quanto à sua pessoa (e peço-lhe para voltar a considerar o que escreve quase mensalmente sobre escritores menores como Chagas Freitas ou líderes espirituais como Gustavo Santos). Na verdade, talvez se aprenda alguma coisa com Gustavo Santos, quanto mais não seja, a não ter medo de lavar as próprias cuecas. Reciprocidade: ora aí está uma coisa que se aprende consumindo boa pornografia, um campo socio-cultural onde uma boa cena implica a experiência mutuamente recíproca de cada centímetro corporal lambido. Somos pois chegados a um universo paralelo, onde um escritor acusado de ser mediano e literáriamente conservador (replicando temas e estratégias estafadas e exauridas na obra de Lobo Antunes) responde acusando os seus críticos de censura, e invocado o direito a utilizar palavrões. A vitimização, sobretudo em figuras privilegiadas pelos órgãos mediáticos e pelos centros de difusão nacional da cultura, é dos espectáculos mais lamentáveis a que temos assistido.
Bem sabemos como o mártir da liberdade de expressão é uma tipologia weberiana que está para a carreira literária como o pau de Cabinda para as mães do Pedro Nunes, basta pensar naquele autor perseguido e que semanalmente é forçado pela opressão de um valor monetário a escrever copiosas crónicas no Expresso. Na verdade, colar a este blog o epíteto censório (e para utilizar um famoso delírio da percepção) é o mesmo que confundir a experiência de amar uma mulher fumadora com uma lambidela a um cinzeiro. Meus amigos, é preciso mais concentração, pois, como já por diversas vezes referi, não andamos todos aqui a dormir.

Isto não significa privilegiar a experiência em relação à teoria (deixámo-nos disso desde que o António Veloso falhou um penalti em Estugarda) mas apenas reconhecer o gigantismo da nossa ignorância sobre a realidade, dada a amplitude da sua complexidade e a sua natureza amplamente precária, para não falar da problemática relação entre a realidade e os ponteiros do relógio. Esta ignorância não exclui um razoável domínio daquilo a que as pessoas em geral (e cremos que o Jorge Gabriel também) chamam a Literatura. Antes pelo contrário, a Literatura (bem como a fixação escrita de todas as linguagens) é precisamente uma forma de esconder a ignorância sobre as coisas em geral, e a arte de bem cavalgar toda a ignorância através da linguagem, implica conhecimentos técnico-táticos em múltiplos domínios, mas não nos detenhamos por agora em assuntos demasiado perigosos. Quero com isto dizer que não desdenharia visitar a vida sexual das mães do Pedro Nunes.
Com efeito, o António Guerreiro (com uma reacção à perda fortíssima e por isso mesmo, exagerando, no referido texto, as consequências extraídas do sucesso sociológico da angeologia no meio literário português) devia contudo saber que, precisamente, e em geral, o tipo de «alma» criada na Travessa da Lapa e na censura da porcalhice é também muito fértil em potência criativa ao nível da mesma e referida porcalhice, tal como já todos devíamos saber por intermédio desse vulto da pornografia doméstica, o arquitecto Tomás Taveira. António Guerreiro talvez pretenda, contudo, sublinhar isso mesmo. As mães do Pedro Nunes são umas porcalhonas mas não querem os filhos a serem iniciados na porcalhice. Uma posição aliás legítima. Se bem entendo, o caso é simultâneamente mais clássico e mais infelizmente esquerdalho, ao nível dos preconceitos culturais: António Guerreiro mostra-se tentado a afirmar que as burras das mães do Pedro Nunes são precisamente parte do grupo responsável pelo sucesso do Valter, mas somente enquanto o retrato público do Valter foi o da superficialidade mediática do curador de almas, transmitida pelo jornalismo, uma vez que só o António Guerreiro lê livros. Mas quando o referido Valter resolve mostrar o seu lado caxineiro, as mães do Pedro Nunes, segundo António Guerreiro, entraram em histeria existencial. O mundo é mais complicado, e estaremos todos de acordo, não se aprende sobre as relações entre erotismo e pornografia na Travessa da Lapa, mas muito menos se aprendem essas relações em Breton ou Robbe-Grillet, e com isto, já não estaremos todos de acordo. Talvez as mães do Pedro Nunes não pretendam que seja o Valter a explicar o mundo aos seus filhos, ainda que por aí tenham aparecido teorias sobre a importância da leitura, como se recomendar Valter Hugo Mãe a adolescentes, não fosse precisamente o mais directo caminho para erradicar da juventude todo o prazer da leitura. Nisto, estou com as mães do Pedro Nunes, com todo as minhas forças morais, talvez não pelas mesmas razões das mães do Pedro Nunes, que aliás desconheço, mas não desdenharia conhecer.
Não sei até quando será necessário repetir: a literatura não pode representar utilidade universal na vivência do mundo, como já acima se referiu quanto à supracitada tragédia do mais famosos leitor de romances. Por outro lado, e alegadamente, até o Diabo teve um passado ligado à Travessa da Lapa e à angeologia. Quanto a eventuais problemas de adequação literária às estratégias pedagógicas, confesso o meu desinteresse conjuntural no tema. No fundo, a Shakira também é mãe e deve estar para inscrever os filhos numa Travessa da Lapa qualquer, e não estou a vê-la a apreciar a literatura do valter hugo mãe, mas isto é por certo um preconceito da minha visão estética do mundo.

Lamentavelmente, somos forçados a regressar a um assunto encerrado. Valério Romão voltou à carga num artigo publicado no famoso e aclamado periódico, Hoje Macau. Afinal, as ideias expostas no excerto criticado não são dele mas de uma personagem que expõe «atabalhoadamente a sua visão redutora das relações». O ponto, contudo, não é esse, nem podia ser, pois nesse caso, Valério Romão devia estar orgulhoso por ter conseguido enganar os leitores, é o sonho de qualquer autor. Mas como bem sabe o professor doutor Valério Romão, está em causa, precisamente, a falta de talento para ser atabalhoado e fingir uma visão redutora das relações que não seja diretamente contaminada pelas ideias do escritor. Está em causa, sobretudo, e se me é permitido ter opinião (muito obrigado), o direito constitucional de considerarmos os seus textos e temas terrivelmente desinteressantes, pois são, precisamente, os temas da moda. Pior do que isso, a literatura de Valério Romão é em geral uma revisitação de António Lobo Antunes (e isto é um elogio), mas com maior ruído e desacerto metafórico, muita cornucópia dispensável, muita irónica referência a marquises e ao tupperware. Mais concretamente, reservamos o direito de considerar o elemento bizarro no referido excerto, pois (parece-nos) uma personagem atabalhoada, a primeira coisa em que pensa, é em relacionar, de forma redutora, a câmara de Fellini com as relações amorosas, envolvendo nisto a pila de alguém. Tenhamos paciência.
Quando à ideia da intermediação da personagem, então, mais uma vez, o doutor Valério escorrega na sua própria casca de banana, pois nesse caso, não será o rapaz da internet, também ele (eu) quem? apenas e tão somente uma pirandelliana desdobragem ficcional neste grande teatro do mundo? Para quê considerar como sujeito real uma persona qualquer a escrever sobre literatura? No fundo, talvez seja uma personagem atabalhoada a descrever redutoramente as suas opiniões sobre o grande escritor Valério Romão? Para quê tomar pelo valor facial um texto assinado por um extraterrestre num blogue obscuro?
Na verdade, tanto o senhor doutor Valério como o excelentíssimo senhor Valter esforçam-se por representar o papel de mártires da liberdade expressão, perseguidos pela fúria indignatória desses dois pólos da perversidade universal, as redes sociais e as mães do Pedro Nunes. O caso é tanto mais ridículo se pensarmos que as alusões ao texto de Valério Romão, foram lançadas em campo estético e as críticas apenas dirigidas ao autor, e nem poderia ser de outro modo, pois não temos o prazer de conhecer a pessoa. Ou muito me engano, e eu engano-me muitas vezes, o senhor professor doutor Valério Romão insiste em fazer aos outros o que considera inapropriado quanto à sua pessoa (e peço-lhe para voltar a considerar o que escreve quase mensalmente sobre escritores menores como Chagas Freitas ou líderes espirituais como Gustavo Santos). Na verdade, talvez se aprenda alguma coisa com Gustavo Santos, quanto mais não seja, a não ter medo de lavar as próprias cuecas. Reciprocidade: ora aí está uma coisa que se aprende consumindo boa pornografia, um campo socio-cultural onde uma boa cena implica a experiência mutuamente recíproca de cada centímetro corporal lambido. Somos pois chegados a um universo paralelo, onde um escritor acusado de ser mediano e literáriamente conservador (replicando temas e estratégias estafadas e exauridas na obra de Lobo Antunes) responde acusando os seus críticos de censura, e invocado o direito a utilizar palavrões. A vitimização, sobretudo em figuras privilegiadas pelos órgãos mediáticos e pelos centros de difusão nacional da cultura, é dos espectáculos mais lamentáveis a que temos assistido.
Bem sabemos como o mártir da liberdade de expressão é uma tipologia weberiana que está para a carreira literária como o pau de Cabinda para as mães do Pedro Nunes, basta pensar naquele autor perseguido e que semanalmente é forçado pela opressão de um valor monetário a escrever copiosas crónicas no Expresso. Na verdade, colar a este blog o epíteto censório (e para utilizar um famoso delírio da percepção) é o mesmo que confundir a experiência de amar uma mulher fumadora com uma lambidela a um cinzeiro. Meus amigos, é preciso mais concentração, pois, como já por diversas vezes referi, não andamos todos aqui a dormir.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
Equívocos da vida moderna
Em busca de uma urgentemente necessária e muito prometedora biografia de Celine, o autor de Viagem ao Fim da Noite, eis que o motor de busca capricha no rigor da devolução e me apresenta este esfíngico volume.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017
Esclarecimento - da autoria de um rapaz da internet
«há uns tempos um rapaz da internet fez uma crítica a uma
passagem do autismo que um amigo meu partilhou no facebook, e en passant, ao
autismo, a mim enquanto escritor e, passo duplamente maior que a perna, a mim
enquanto pessoa.»
Valério Romão, in Facebook (uma cena da internet, a todos os títulos, espectacular)
Nunca saberemos se este rapaz da internet é o autor que vos fala (aqui, na internet) pois o estimado escritor Valério Romão não teve a gentileza de nos fornecer essa informação, mas sabemos contudo que (vírgula) nunca procuramos criticar as: pessoas, com P grande, a não ser enquanto Pessoas sistematicamente cheias de ambição literária injustificada, pois sabemos ser esse o propósito da crítica (praticamente inexistente em Portugal, como bem sabemos). Todavia, ao contrário do senhor doutor Valério Romão, fazemos ao menos a justiça de identificar os nossos alvos, e sobretudo, tentamos não ser sistematicamente insultuosos em relação a pessoas como as alegadamente pessoas Gustavo Santos ou Pedro Chagas Freitas, no fundo, gostamos de nos meter com alguém do nosso tamanho, e como tal, o senhor doutor Valério Romão podia ter encarado a crítica como um elogio que, por arrasto deste vosso autor (eu) talvez o salve do esquecimento daqui a duzentos anos (pedimos desculpa a toda gente, pois muito ínvios são os caminhos do senhor).
Quanto a passos maior que a perna, são os únicos passíveis de assistir a nossa mentalidade ganhadora, Domingo a Domingo, e não estamos sequer preocupados com o índice lesional das boas maneiras, partiremos o pescoço ou não partiremos, o que importa é a literatura, partam-se por isso as nossas pernas, o que importa é a literatura, estatelemos o focinho no chão, mas sejamos capazes de salvar os argumentos (e a literatura), argumentos esses a que, muito estrategicamente, o senhor doutor Valério não responde, e por isso, somos obrigados a - infelizmente - ficar por aqui nesta, por certo, enriquecedora troca de frases maiores que o nosso conhecimento da gramática. Na verdade, temos pela natureza humana em geral - e sobretudo pelos frequentadores das redes sociais, os rapazes e raparigas da internet - o mesmo respeito civil e jurisdicional que nutrimos por escritores consagrados pelo sistema editorial das pessoas espectaculares, pelos doutores de leis, pelos presidentes da república ou cantores nascidos na Pampilhosa da Serra. Com isto, encerramos o assunto, desejando, novamente, as maiores felicidades ao excelentíssimo Valério Romão, pedindo desculpa por qualquer incómodo causado à sua sensibilidade enquanto escritor, autor e pessoa.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Ando com uma vontade de arrebentar com isto tudo
Instruções
1. carregar no play do video
2. reclinar-se na cadeira e apreciar
PS: o devido mérito e vénia ao Insónias em Carvão por ter apanhado este momento de nosso senhor salvador JJ.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
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