segunda-feira, 28 de maio de 2012
Voltei ao transito hoje
sexta-feira, 25 de maio de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Espanholas de fartos seios
sábado, 12 de maio de 2012
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quinta-feira, 10 de maio de 2012
O teu rosto é apenas mais um: nunca te esqueças disso, pois é a morte do artista - uma crítica (breve) de O Teu Rosto Será o Último.
Nem sempre os mercados, nem sempre.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Eu
Posto isto, e embora a minha personalidade não possa confundir-se de maneira nenhuma com o Pacheco Pereira ou o António Manuel dos Santos, é necessário prevenir caçadas retrospectivas nas minhas posições, vindas de um futuro longínquo com intenções menos claras. Nada me move contra visões libertadoras do indivíduo, e pretendo eu mesmo libertar-me de mim próprio o mais rapidamente possível, e se por vezes pareço mais arreganhado contra os comunistas do 5 Dias é porque nada é mais enervante do que a mistura entre falácia argumentativa e orgulho moral, da mesma forma que nada é mais perturbador do que a tentativa de investir um argumento que se pretende escurado contra o poder da exploração, por meio da brutalização moral do raciocínio, fazendo da luta contra a exploração uma posição de autoridade, o que além de ser uma tautologia ridícula é também uma profunda incapacidade de fazer frente à incompreensão das coisas.
Veja-se este texto do idiota do Caetano Veloso respigado no blog do idiota do Pedro Mexia: Chico Buarque já citou mais de uma vez o rap (ou o hip-hop em geral) como a verdadeira música de protesto do nosso tempo: não é feita por universitários bem nutridos que se comovem com o sofrimento dos excluídos, mas pelas próprias vítimas da exclusão.
Os universitários bem nutridos, comovidos com o sofrimento dos excluídos, são em geral da mesma tipologia do 5 dias mas não me parece que fiquemos melhor servidos com as vítimas da exclusão, a menos que aceitemos todos regressar a padrões de reprodução das relações de produção regulados pela força da indignação. O Caetano Veloso e o Chico Buarque podem estar muito interessados na merda de música de protesto que por aí se produz mas não me parece que se resolvam problemas de organização política com a destruição do raciocínio musical, sob pena de conseguir a notável proeza de falhar não só os objectivos políticos como os estéticos. Aos que defendem uma comunhão da política com a estética, devo dizer que não só isto cheira logo a fascismo - o que é curioso, vindo normalmente de comunistas ou socialistas - como me parece muito provável que a tentativa de fazer muita coisa ao mesmo tempo acaba por não produzir nada de muito interessante.
Mas não é só na música de protesto que a bolsa de valores morais distribui as hierarquias. O Vasco Pulido Valente, numa entrevista recente, refere que o euro foi uma espécie de 50% desconto-Pingo Doce a uma escala gigantesca, o que apenas demonstra como esta gente foi para Oxford esfregar o cu nos relvados húmidos, e balançar a gordura junto às margens bucólicas dos regatos ingleses mas não perdeu um minuto a ler ou a tentar compreender o que quer que fosse. Continuam a achar que isto é tudo muito simples, e que os mais fortes são fortes porque são fortes e os mais fracos são fracos porque são fracos, o que é muito pouco para quem frequentou uma Universidade de prestígio mundial. Quanto ao conflito interpretativo entre teorias monetárias baseadas no papel do dinheiro como unidade de medida, a partir dos metais precisoos, e as teorias que defendem que o dinheiro é apenas uma actualização do importantíssimo papel do crédito nas relações sociais, ficam para pobres como eu que tenho que trabalhar para ganhar a vida, enquanto a malta de Oxford se desdobra em entrevistas.
De uma forma ou de outra, a necessidade é a mãe da indústria e nesse sentido, estamos no bom caminho,
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Há o ciclismo, o rugby, o cricket e há o snooker
Estou a trabalhar
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Amanhã será outro dia.
O Pingo Doce é das instituições portuguesas aquela que tem as empregadas desqualificadas mais bonitas e atraentes (as do Continente pintam-se muito), e julgo que este ataque suez (onde o Partido Comunista mostrou porque razão se vai extinguir dentro de 24 meses, apesar da maior crise económica dos últimos 100 anos) é apenas um sintoma da estupidez colectiva (desde a invenção do sistema de preços pelos iluministas do século XVIII, andamos destreinados na invenção de soluções colectivas) e não um sinal de qualquer decadência, ao contrário do que pensa Miguel Real, o filósofo mais parecido com Diamantino, o camisola 10 do Benfica, desde, pelo menos, Jean-Jacques Rosseau. No entanto, permito-me a mim mesmo discordar com quase toda a gente em relação à importância do assunto uma vez que até o cabrão do Marques Mendes está convencido de que o assunto é irrelevante. De um ponto de vista económico, como bem viu o ngonçalves, claro que este assunto não vale a mama esquerda da Júlia Pinheiro.Mas do ponto de vista político-filosófico, é a mais cabal representação da espectacular falência do raciocínio socialista e um poderoso indicador de que os portugueses, apesar de todo o alarido sentimental em torno do neo-liberalismo, são profundamente desconhecedores das regras da selvajaria de mercado, a começar pelos analfabetos dirigentes do Pingo Doce que decidiram esta mega -celebração auto-humlhante de uma instituição que todos nos habituámos a frequentar.
No fundo, e à semelhança de quase tudo o que nos acontece na vida, o difícil é permanecer calado, e reconhecer que não fazemos a mínima idéia de qual seja o significado profundo do referido acontecimento histórico-político. É isso, Tristes Trópicos: o reconhecimento da infinita beleza de nos estarmos a afundar num local de que nem sequer a certeza de que seja bonito temos.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
O Pingo Doce enquanto categoria escatológica
sábado, 28 de abril de 2012
O futebol é isto mesmo
1. Tenho todo o respeito pelo investigador Pedro Magalhães, uma pessoa simpática que, embora muito ignorante, pertence ao restrito grupo das figuras quase mediáticas que faz um esforço hercúleo para fundamentar as posições que publicamente toma. Mas lamento informar que ao chegar tardiamente a este post de Priscila Rêgo, sou obrigado a ter que recordar mais uma vez aos caros universitários que o argumento técnico é, em si mesmo, um daqueles momentos de auto-humilhação lógica, que só os sacerdotes, dotados de níveis estratosféricos de resistência à dor e à vergonha, conseguem sustentar, pois à semelhança de um qualquer drama clássico (pode ser, por exemplo, Ifigénia entre os Tauros) as regras do jogo são precisamente o troféu pelo qual lutamos, e procurar solucionar divergências sobre as regras do jogo, aludindo à necessidade de mudar as regras do jogo, é qualquer coisa que releva ou de um sportinguismo de grau muito acentuado, ou de uma incapacidade frustrantemente comovedora para entender que até a matemática é uma linguagem, e que, por isso mesmo, resta-nos cultivar a retórica (sobretudo a partir de uma maior profundidade de utilização dos conceitos matemáticos) como se não houvesse amanhã. Isto não quer dizer que eu não partilhe, com todas as forças da minha jesuítica consciência, a raiva contra os Pachecos Pereiras desta vida, e que não apoie com toda a energia do meu coração a construção de um um país a sério, onde os debates sobre os resultados escolares, a segurança social, ou a incidência do crime, fossem o resultado da inteligência colaborativa de milhões de Garys Beckers, e que por cada Manuel Luís Goucha parido nos ecrãs, houvesse uma resposta óptima do sistema afogando os programas da tarde em quantidades infinitas de prémios nobel.
2. Acontece que a percepção dos raciocínios que permitem aceder à interpretação dos direitos de propriedade futuros como um importante factor macro-económico no estudo da segurança social, ou a dependência das variáveis psicológicas nos pradões de consumo de crime, exigem tomadas de posição teoréticas, éticas e até políticas, no micro-fundamento de cada uma das operações lógicas que usamos, e procurar transferir para o padrão de conflitos políticos democráticos (que em suma é a confusão generalizada ao nivel do estado-nação) o padrão de conflitos políticos académicos (que em suma é uma reprodução aristocrática muito imperfeita onde existe a mesma tremenda confusão entre objectivos individuais e objectivos colectivos) é apenas defender uma redução da participação política a partir de um crítério de competências retóricas. Quando a Priscila Rêgo se permite excluir o Henrique Raposo do debate, ou apontar as deficiências da sua agumentação, por meio de uma longa prova de competências em matéria de análise das interdependências entre demografia e mecanismos distributivos, para concluir que «pensar em termos macroeconómicos não é para todos», que outra coisa está a fazer senão a reduzir a democraticidade do debate? E isto para no fundo chegar ao mesmo ponto onde já está a sardinheira da lota de Matosinhos, com as nodosas mãos apoiadas na anca e a gutural garganta pronta a afirmar: «o Henrique Raposo que vá para o caralho que aqui quem manda sou eu».
3. No fundo, quando se apontam os estudos, qualquer que seja a sua natureza, apontam-se novas formas de hipnotizar a assembleia, o que nada tem de errado, deus nos livre de qualquer forma de limitação da expressão oral. Apenas venho dar o meu contributo para a sisudez do debate segundos os meus critérios de eficiência retórica.Tanto o Pedro Magalhães como a Priscila Rêgo, com a sua deficiente formação literária, precisam de ser rapidamente instruídos neste processo, a fim de melhorar as respecitvas performances retóricas, não por ser melhor para a utilidade pública (um conceito que cheira mal e era muito utilizado pelo marquês de Pombal) que o seu grupo de referência triunfe na praça, mas porque nada me agrada mais do que ver os contendores extraírem de uma natureza bruta e limitada, a fulgurante beleza do estilo.
Continuo sem saber quem é o José Luis Peixoto
mas conheço o Walter Hugo Mãe e o Ricardo Adolfo. Nenhum dos dois me inquietou, e é tudo o que eu tenho a dizer. A vida é mesmo assim, um tipo vai fazendo o seu caminho tranquilamente, e se estiver atento encontra pequenos tesouros por entre o restolho.
O governo vai lançar um imposto sobre os grandes distribuidores alimentares, que mais não que é uma forma de taxar a Sonae e a Jerónimo Martins. Muito boa gente reclama que os consumidores vão ser prejudicados porque, e é extraordinária a panache com que estas coisas são ditas, as empresas não pagam impostos porque imputam esses custos aos seus clientes.
Há que atentar bem os olhos nesta falácia. Entendendo um custo como toda aquela operação contabilística que não gera entrada de dinheiro, então sim os impostos são um custo que em última análise são pagos pelos clientes. Os tais que geram entradas de dinheiro em caixa. Mas há impostos e impostos, há custos e proveitos. O IRC, e a derrama municipal acho, são pagos sobre os resultados líquidos das empresas. É difícil de conceber que o preço de venda a um cliente reflicta o IRC que se irá pagar no ano seguinte.
Também é difícil de conceber que todos os custos sejam metidos no mesmo saco. Até para um bípede como eu que apenas leu meia dúzia de livros sobre marketing e gestão. E nem foi precisa a curta formação em empreendorismo da Nova, a que faltei mais do que devia, para saber que custos não são tidos nem achados na feitura de preços. A Sonae e a Jerónimo Martins cobram o mais alto possível aos seus clientes, sendo que por "mais alto possível" se define
como o valor a partir do qual a venda não se faz. E nem preciso de me apoiar aqui (apoiaria-me num livro de gestão, mas está emprestado em parte incerta e já me esqueci do título), para afirmar convictamente que o sonho húmido de um gestor de supermercado é ter preços diferenciados para cada cliente. Basta
dizer que em tempos me iludi a pensar que seria por aqui que iria fazer fortuna.
A ser correcto que são os clientes dos supermercados que pagam os impostos destas empresas, então os meus impostos de 2011foram pagos pelo polígono quadrilátero de entidades colectivas sitas em Tomar, Barcelona, Saragoça e Bilbao. Já lá vou ao Sporting. Seguindo esta falácia, chega-se à simples conclusão: nem paguei impostos em 2011, nem tenho o dinheiro comigo. Adiante.
O Sporting jogou mal, o Pereirinha mostrou que não nem no Sporting de Pombal tem lugar e o André Martins poderá almejar a um pedestal ao nível do João Vieira Pinto, sempre e quando tenha juízo naquela cabecinha. E é isso.
Da incomensurável sorte que consiste em se nascer uma besta
domingo, 22 de abril de 2012
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Até 1800, Portugal apenas entrou uma vez em default ao contrário de Espanha, Inglaterra e França que eram campeões dos defaults governamentais. A Alemanha não conta por não existia. De 1800 até 2009, a Alemanha passou mais anos em default que nós. Retirado do livro abaixo indicado. Performances passadas não são garantia de performances futuras, é certo. Mas como o alf bem lembra, a complexidade do mundo é um tema complexo.
Gaylord Nelson
Mas o que me traz por cá hoje é ainda o pensamento crítico. Saber encadear um raciocínio é uma qualidade que não assiste a muita gente, mas isso em si mesmo não interessa. Estou convicto de que o verdadeiro valor está na coragem de responder com um sonoro "não percebi" logo a seguir a alguém nos tentar iluminar com a clareza de um raciocínio digno dos antigos sofistas.
A capacidade de passar por estúpido é inata a todo e qualquer cidadão deste país, como eu tenho vindo a pessoalizar até à exaustão. Mas esta nossa cultura camponesa não nos permite questionar o abegão com um honesto "não percebi, troque lá por miúdos". Esta frase é uma espécie de movimento de Aikido do raciocínio, alavanca a força do racioncínio do outro contra ele próprio.
Conheci muito pouca gente que tenha esta capacidade de se rebaixar, de voltar à idade dos porquês. De honestamente tentar perceber o que outro está a dizer. Mesmo que logo a seguir lhe dê uma intelectual carga de porrada.
Comprei esta merda por 23,45 euros na Livraria da Universidade Católica: não façam o mesmo.
Definitivamente, parece haver um problema com a Alemanha. Alegadamente, a política monetária europeia é condicionada pelos interesses estratégicos dos bancos alemães. Vítor Gaspar, e seus companheiros, tratam a política monetária com uma tal falta de profundidade que corei de vergonha pelo menos três vezes nas primeiras quinze páginas, e só o facto dos ciclos desenhados terem início nos anos 60 do século XX, chegaria para enviar directamente este livro para o caixote do lixo. Como é evidente, o meu gabarito intelectual não me permite entrar no tipo de argumentação cara a pessoas estúpidas e que consiste em dizer que os contratos são para cumprir, que devemos honrar as nossas dívidas, que os alemães são trabalhadores e nós gastadores, e outras tolices memoráveis, como já não registava auditivamente desde as lições de catequese, horrivelmente sofridas antes dos dez anos, numa garagem esconsa da periferia de um bairro pseudo-rural, e já de si periférico, onde a cultura do gado ovino se fazia sentir ainda com certa magnitude, não obstante a pouca distância que separava essa bela localidade da capital política da República. No entanto, também não podemos embarcar no tipo de conclusões em que os analfabetos, autores deste livro aqui referenciado, embarcam, isto é, achar que, perante a incerteza, a melhor forma de lidar com resultados imprevisíveis consiste em fingir a inexistência de complexidade, meter o rabinho entre as pernas, de forma a garantir que as nossas acções não têm efeitos moralmente qualificáveis. Ou, por outras palavras, fingir que a realidade é sempre, e tautologicamente falando, uma espécie de salvação da própria realidade, já que aquilo que é, não poderia deixar de ser. Na verdade, o problema de palhaços como Vítor Gaspar é acharem que nomeadamente em Portugal somos todos incrivelmente muito estúpidos e que só ele leu, pelo menos, dois livros e meio sobre política monetária. É triste saber que Vítor Gaspar talvez desconheça que as Stone Lectures são o tipo de coisa que as boas Universidades arranjam para atrair os parolos (que precisam de prestígio nos seus próprios países) em troca de um financiamento que permita publicar aquilo que realmente interessa, e passo a exemplificar:
Se compararmos os dados aduzidos, aqui em baixo, rapidamente consideraremos que deve haver razões que expliquem a nossa incapacidade de estabelecer preferências eficientes. Longe de mim afirmar que este é um problema simples. Como diria uma pessoa, eu gosto muito de ler.
Consideremos Claudia Schiffer, sabendo que:
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sábado, 21 de abril de 2012
Como dizem os bons econometristas: o equilíbrio é um estado muito difícil.
Ainda não é desta que vou discutir o pensamento crítico
Suspeita-se que o ritmo a que se publica fraude científica é bastante superior ao crescimento da publicação científica em geral. Em si, isto só é novidade para quem nunca tentou publicar algo. Ou quem nunca se deu ao trabalho de ler o que por aí se vai publicando nos top journals. Ou a quem nunca teve a oportunidade de ser reviewer.
Adiante, o curioso da notícia não é a fraude em si (estou-me positivamente a cagar para verdade que a ciência tem para oferecer), mas uma das razões apontadas no artigo. O omnipresente funding, que no ano transacto pagou 2/3 das contas dos Técnico só para dar um exemplo de uma universidade que milita na segunda divisão científica. Imaginem as restantes.
Não faço puto ideia quem seja tipo da foto, está lá apenas para esteticamente equilibrar a da Cláudia Schiffer.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Ora aí está o meu imprescindível comentário ao grave e urgente problema da Es.Col.A. da Fontinha
Nunca consegui compreender porque razão os portugueses costumam identificar-se com personalidades supostamente fortes, tais como o parolo José Mourinho ou o tolinho José Sócrates. No caso de Rui Rio, o timbre de voz é tão particularmente irritante e tão insistentemente violador das regras de limitação do volume de som que nunca cheguei ao conhecimento da sua famosa capacidade de argumentação. No entanto, os comunistas não conseguiram melhor sequência lógica de argumentos (para denunciar, combater, foder Rui Rio) do que apontar em primeira mão que o Presidente da Câmara do Porto terá sido educado, e passo a citar, no país de Hitler. Mas também Karl marx foi educado no país de Hitler. Haverá aqui um problema com a Alemanha? Relembro que a Alemanha produziu, no período moderno, quase tudo o que vale a pena saber em matéria de filosofia crítica ou economia de mercado. Haverá aqui um problema com a Alemanha? Em todo o caso, agradeço profundamente à Polícia de Segurança Pública ter disponibilizado o exercício moderado da força, no caso da Es.Col.A. da Fontinha, zelando denodadamente pelo bom gosto e a manutenção da higiene diária. Haverá aqui um problema com a Alemanha? Parece-me que não.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
As pessoas, as pessoas, as pessoas.
De vez em quando, as pessoas que estudam a revolução democrática em Portugal resolvem mostrar a sua erudição em matéria científica e arriscam soluções tão generosas como insuperavelmente bizarras para que todos vivamos um pouco melhor. Contudo, julgo que se impõe uma pergunta: uma vida melhor como? Por exemplo, a Raquel Varela concluiu que houve um tempo em que éramos macacos e resolvíamos tudo à porrada, grunhindo. Ao contrário do que sucede neste momento, em que parecem estar reunidas as condições para produzir cursos universitários bons, longos e gratuitos; funcionários em quantidade decente e bem pagos, horários mais reduzidos para os professores, direitos laborais, salários decentes; turmas pequenas. Gosto particularmente do momento em que a Raquel Varela aplica uma poderosa e insinuante mamada ao Professor Doutor Fernando Rosas e companheiros, sugerindo para os torturados Professores Universitários um horário ainda mais pequeno do que o dos metalúrgicos. Na verdade, temos que fazer um gigante investimento em pessoas! Mas também é preciso uma nova moral, que se imponha entre o salazarismo bolorento e a brutalidade, entre o totalitarismo e o individualismo. Estudos e relatórios
E já tens este alf?
Post profundamente (e com muito gosto) ressabiado.
A verdade é que estou demasiado cansado para os movimentos marciais que seriam necessários para enfrentar o enigma deste autêntico terramoto de subjectividade rasteira que se derrama sobre mim e os portugueses em geral. No fundo, somos sempre os piores inimigos de nós próprios, uma glória que ninguém nos tira. Podemos finalmente declarar o emporcalhamento do romance, uma forma literária que, agora sim, pode dizer-se que está morta, pelo menos em Portugal, ou, de outro modo, recusar-se-ia a ser colonizada por esta monstruosa forma de imbecilidade e saltaria para fora do livro, recusando-se a figurar por baixo do nome deste trolha dos canais temáticos. Bm sei, bem sei, não se inquietem, os cães ladram e a caravana vai a caminho do único local que verdadeiramente interessa, a saber, o reino eterno da moralidade serôdia, onde já está uma legião de inúteis cordeiros que passaram a vida a praticar cinismos e indiferenças. O problema é que este tipo de corte para canto, cheira-me a cântico litúrgico e eu sei que no último dia não ressuscitarei. Por agora, prefiro ir para os lençois brincar com a pilinha do Freud ou sonhar com um amanhã que cante, mas muito alto para se não ouvirem os gemidos do bom senso a ser torturado nas cavernas da actualidade. Deus vos proteja a todos dos maus livros.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Já lá vamos ao pensamento crítico
que agora ando ocupado com uma dúvida. Quer-se diminuir a indemnização a pagar quando se despede um trabalhador, de um mês por cada ano de casa, para meia-dúzia de dias. O argumento é simples. Diminui-se o custo de despedimento, logo diminui o custo de contractar um trabalhador.
Apesar do meu limitado entendimento, até eu consigo perceber o argumento. Para além do salário, há que incluir o custo de romper o contracto antes do tempo. Diminui-se o segundo, sem mexer no primeiro, e fica mais barato contractar pessoas. Daqui salta-se pavloviamente para a conclusão de que as empresas vão começar a contractar magotes de gente.
Mas é exactamente a conclusão que me escapa. Se fica mais fácil contractar, porque na mesma proporção se tornou menos oneroso despedir, porque é que ceteris paribus o desemprego vai diminuir em vez de aumentar ? Ou porque os dois efeitos não se anulam, ficando tudo razoavelmente na mesma ?
Ou perguntado de outra forma. Se o empregador entra com a indemenização para os custos do empregado, é porque razoavelmente considera como cenário provável o despedimento antecipado. Então porque é que se conclui que o mesmo empregador vai criar trabalho para meio mundo à segunda, só porque na terça vai despedir outro tanto ?














