domingo, 22 de abril de 2012

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"tipo de argumentação cara a pessoas estúpidas e que consiste em dizer que (...) os alemães são trabalhadores e nós gastadores" (alf aqui em baixo, ao falar de gente estúpida)


Até 1800, Portugal apenas entrou uma vez em default ao contrário de Espanha, Inglaterra e França que eram campeões dos defaults governamentais. A Alemanha não conta por não existia. De 1800 até 2009, a Alemanha passou mais anos em default que nós. Retirado do livro abaixo indicado. Performances passadas não são garantia de performances futuras, é certo. Mas como o alf bem lembra, a complexidade do mundo é um tema complexo.



Gaylord Nelson

é o nome do senador americano que impulsionou o dia Terra, que hoje se celebra. Pelo menos é isso que diz na wikipédia.

Mas o que me traz por cá hoje é ainda o pensamento crítico. Saber encadear um raciocínio é uma qualidade que não assiste a muita gente, mas isso em si mesmo não interessa. Estou convicto de que o verdadeiro valor está na coragem de responder com um sonoro "não percebi" logo a seguir a alguém nos tentar iluminar com a clareza de um raciocínio digno dos antigos sofistas.

A capacidade de passar por estúpido é inata a todo e qualquer cidadão deste país, como eu tenho vindo a pessoalizar até à exaustão. Mas esta nossa cultura camponesa não nos permite questionar o abegão com um honesto "não percebi, troque lá por miúdos". Esta frase é uma espécie de movimento de Aikido do raciocínio, alavanca a força do racioncínio do outro contra ele próprio.

Conheci muito pouca gente que tenha esta capacidade de se rebaixar, de voltar à idade dos porquês. De honestamente tentar perceber o que outro está a dizer. Mesmo que logo a seguir lhe dê uma intelectual carga de porrada.


Comprei esta merda por 23,45 euros na Livraria da Universidade Católica: não façam o mesmo.



Definitivamente, parece haver um problema com a Alemanha. Alegadamente, a política monetária europeia é condicionada pelos interesses estratégicos dos bancos alemães. Vítor Gaspar, e seus companheiros, tratam a política monetária com uma tal falta de profundidade que corei de vergonha pelo menos três vezes nas primeiras quinze páginas, e só o facto dos ciclos desenhados terem início nos anos 60 do século XX, chegaria para enviar directamente este livro para o caixote do lixo. Como é evidente, o meu gabarito intelectual não me permite entrar no tipo de argumentação cara a pessoas estúpidas e que consiste em dizer que os contratos são para cumprir, que devemos honrar as nossas dívidas, que os alemães são trabalhadores e nós gastadores, e outras tolices memoráveis, como já não registava auditivamente desde as lições de catequese, horrivelmente sofridas antes dos dez anos, numa garagem esconsa da periferia de um bairro pseudo-rural, e já de si periférico, onde a cultura do gado ovino se fazia sentir ainda com certa magnitude, não obstante a pouca distância que separava essa bela localidade da capital política da República. No entanto, também não podemos embarcar no tipo de conclusões em que os analfabetos, autores deste livro aqui referenciado, embarcam, isto é, achar que, perante a incerteza, a melhor forma de lidar com resultados imprevisíveis consiste em fingir a inexistência de complexidade, meter o rabinho entre as pernas, de forma a garantir que as nossas acções não têm efeitos moralmente qualificáveis. Ou, por outras palavras, fingir que a realidade é sempre, e tautologicamente falando, uma espécie de salvação da própria realidade, já que aquilo que é, não poderia deixar de ser. Na verdade, o problema de palhaços como Vítor Gaspar é acharem que nomeadamente em Portugal somos todos incrivelmente muito estúpidos e que só ele leu, pelo menos, dois livros e meio sobre política monetária. É triste saber que Vítor Gaspar talvez desconheça que as Stone Lectures são o tipo de coisa que as boas Universidades arranjam para atrair os parolos (que precisam de prestígio nos seus próprios países) em troca de um financiamento que permita publicar aquilo que realmente interessa, e passo a exemplificar:




Se compararmos os dados aduzidos, aqui em baixo, rapidamente consideraremos que deve haver razões que expliquem a nossa incapacidade de estabelecer preferências eficientes. Longe de mim afirmar que este é um problema simples. Como diria uma pessoa, eu gosto muito de ler.


Consideremos Claudia Schiffer, sabendo que:



Tendo em conta o que aprendemos, consideremos agora, por exemplo, o altíssimo registo de contacto visual entre os portugueses e a tomada de posse do Presidente da República

 .
Não restam dúvidas, pois não?
Às pessoas que chegaram aqui através de pesquisas pela expressão Claudia Schiffer, os meus parabéns.

sábado, 21 de abril de 2012

Como dizem os bons econometristas: o equilíbrio é um estado muito difícil.

Continuo a acompanhar com preocupação todo o desenvolvimento psico-motor das pessoas que acreditam existir alguma coisa de significativo em discussão na ES.COL.A da Fontinha. Claro que me preocupo profundamente com toda e qualquer tentativa de rever os fundamentos essenciais da nossa cultura, os pilares da civilização, a órbita dos planetas e de todos os astros em geral, e apoiarei todos os projectos que pretendam dotar a humanidade de um sentido escatológico da existência. Só ainda não percebi como utilizar esse espectacular conceito, a «espontaneidade social», forjado pelo Bispo do Porto, enquanto batia um pívia e desenhava o próximo programa pastoral de mega-auto-ilusão aos pobres coitados que ainda não se libertaram do raciocínio desconchavado do cristianismo. É louvável que as pessoas se queiram auto-organizar e a julgar pela informação disponibilizada (http://escoladafontinha.blogspot.pt/) estão a fazer um esforço heróico. Só ainda não percebi é que diferença há entre a Es.col.a da Fontinha e o tipo de programa de variedades lúdico-saloias tão caro às nossas autarquias. Deve ser por isso que as duas instituições se envolveram em confrontos. «São muito complexas e inesperadas as restrições e relações entre seres orgânicos que têm de lutar juntos na mesma região», escreveu Charles Darwin em 1859. Quando o espaço escasseia, temos um problema de reprodução.




 Claudia Schiffer




Pessoa que apoia a Es.Col.a da Fontinha

Ainda não é desta que vou discutir o pensamento crítico


Suspeita-se que o ritmo a que se publica fraude científica é bastante superior ao crescimento da publicação científica em geral. Em si, isto só é novidade para quem nunca tentou publicar algo. Ou quem nunca se deu ao trabalho de ler o que por aí se vai publicando nos top journals. Ou a quem nunca teve a oportunidade de ser reviewer.

Adiante, o curioso da notícia não é a fraude em si (estou-me positivamente a cagar para verdade que a ciência tem para oferecer), mas uma das razões apontadas no artigo. O omnipresente funding, que no ano transacto pagou 2/3 das contas dos Técnico só para dar um exemplo de uma universidade que milita na segunda divisão científica. Imaginem as restantes.

Não faço puto ideia quem seja tipo da foto, está lá apenas para esteticamente equilibrar a da Cláudia Schiffer.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ora aí está o meu imprescindível comentário ao grave e urgente problema da Es.Col.A. da Fontinha


Nunca consegui compreender porque razão os portugueses costumam identificar-se com personalidades supostamente fortes, tais como o parolo José Mourinho ou o tolinho José Sócrates. No caso de Rui Rio, o timbre de voz é tão particularmente irritante e tão insistentemente violador das regras de limitação do volume de som que nunca cheguei ao conhecimento da sua famosa capacidade de argumentação. No entanto, os comunistas não conseguiram melhor sequência lógica de argumentos (para denunciar, combater, foder Rui Rio) do que apontar em primeira mão que o Presidente da Câmara do Porto terá sido educado, e passo a citar, no país de Hitler. Mas também Karl marx foi educado no país de Hitler. Haverá aqui um problema com a Alemanha? Relembro que a Alemanha produziu, no período moderno, quase tudo o que vale a pena saber em matéria de filosofia crítica ou economia de mercado. Haverá aqui um problema com a Alemanha? Em todo o caso, agradeço profundamente à Polícia de Segurança Pública ter disponibilizado o exercício moderado da força, no caso da Es.Col.A. da Fontinha, zelando denodadamente pelo bom gosto e a manutenção da higiene diária. Haverá aqui um problema com a Alemanha? Parece-me que não.

Parece que foi ontem

Mas amanhã faz 5 anos que disse que sim.

A armada invencível

Cinco equipas espanholas nas meias-finais europeias, 4 derrotas.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

As pessoas, as pessoas, as pessoas.

De vez em quando, as pessoas que estudam a revolução democrática em Portugal resolvem mostrar a sua erudição em matéria científica e arriscam soluções tão generosas como insuperavelmente bizarras para que todos vivamos um pouco melhor. Contudo, julgo que se impõe uma pergunta: uma vida melhor como? Por exemplo, a Raquel Varela concluiu que houve um tempo em que éramos macacos e resolvíamos tudo à porrada, grunhindo. Ao contrário do que sucede neste momento, em que parecem estar reunidas as condições para produzir cursos universitários bons, longos e gratuitos; funcionários em quantidade decente e bem pagos, horários mais reduzidos para os professores, direitos laborais, salários decentes; turmas pequenas. Gosto particularmente do momento em que a Raquel Varela aplica uma poderosa e insinuante mamada ao Professor Doutor Fernando Rosas e companheiros, sugerindo para os torturados Professores Universitários um horário ainda mais pequeno do que o dos metalúrgicos. Na verdade, temos que fazer um gigante investimento em pessoas! Mas também é preciso uma nova moral, que se imponha entre o salazarismo bolorento e a brutalidade, entre o totalitarismo e o individualismo.
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Foda-se, caralho, cona da tia. Uma nova moral? Quando, pelas barbas de Zeus, deixaremos de parir tentativas de redesenhar a moral colectiva a partir dos nossos desejos mais perversos? É preciso ter tido uma vida sem qualquer atrito socio-profissional para se produzir tanta tolice por parágrafo. É triste que seja precisamente nos países que mais necessitariam de inteligências especialmente bem preparadas (para proteger o esmagamento de todos os marginalizados por sistemas políticos arcaicos) que proliferam inteligências particularmente mal preparadas e estúpidas. Como é possível uma pessoa concluir estudos superiores, e até singrar numa carreira académica com publicações, meu deus, quem sabe dar aulas, sem ter compreendido que o investimento nas pessoas é uma função da qualidade e quantidade das pessoas que concorrem para a elaboração do sistema político que produz o investimento, e que se bastasse derramar meios de pagamento sobre a cabeça das crianças, Angola já seria neste momento uma espécie de Filândia? Eis o momento em que a Raquel Varela pergunta, irritada, enquanto eu penteio o meu cabelo onde despontam as primeiras nuances brancas, como pedaços de neve na penugem negra do corvo: e porque não derramamos nós milhões de Kuanzas sobre as pessoas? Precisamente porque a moeda é, talvez desde o século XVI, um símbolo que transporta (informação, valor e poder de compra) que apenas adquire funcionalidade numa rede de coerções e incentivos, desenhada pela comunidade, daí o facto das pessoas terem muita dificuldade em lidar com problemas económicos.
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Caralhos me fodam, quando será que perceberemos que a economia é uma tentativa de quantificar, através de um sistema de informação onde os preços são a unidade de medida, as preferências dos indivíduos, e que desenhar a distribuição parcial dos efeitos dessas preferências não significa melhorar ou pilotar o que quer que seja? E se queremos resolver o problema moral, porque caralho vem a Raquel Varela com o investimento nas pessoas? Investimento em quê? Atenção, horas livres, salário, favores sexuais, mamadas? Como a virtude não se ensina, a Raquel Varela e todos os tolos em geral, deviam fazer silêncio e ler um bom livro e um dia mais tarde (lembro que a esperança média de vida aumentou) desenhar uma solução, mas agora com inteligência e a totalidade do cérebro em funcionamento.
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Reparem que existem locais onde de forma totalmente graciosa se pode aprender a não cometer estas asneiras: aqui.
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É incrível como o comunista, incansavelmente, consome todo o seu tempo, para se convencer a si próprio de que existe uma via média entre a organização totalitária e a individualista, e teima em não integrar no seu pouco sofisticado sistema de raciocínio (eu ia a dizer que não inclui entre os seus grunhidos) o facto de o sentido da realidade ser uma posição parcial num sistema de relações que nos ultrapassa violentamente, e que toda a tentativa de coordenação que não integre a margem de erro inerente a todas as hierarquizações espacialmente parciais (a começar pela que é introduzida pelos membros do PCP) redunda num desperdício de forças. É por isso que pessoas limitadas como Vítor Gaspar ou a sua ultrapassada e primitiva versão, Aníbakl Cavaco Silva, continuarão a ter sucesso neste mundo.

Estudos e relatórios

Uma das coisas que se aprende no técnico é a fazer estudos e relatórios. Outra coisa que se aprende é que os "estudos" dão o resultado que nós quisermos dar. Basta alterar a formula usada para calcular o que se quer. Fácil. Por isso estes "estudos" usados para fundamentar ideias já aprovadas previamente são sempre muito bons. Tal como romances do Boucherie Mendes ou papel higiénico usado numa estação de serviço perto de si.

E já tens este alf?

Ontem cheguei a casa e estava la a espera. Uma prenda não esperada. Uma maravilha visual para quem já teve o privilégio de tocar algumas das coisas que lá estão. ó Alf ainda falta para o teu aniversário, mas já é uma hipótese :)

Post profundamente (e com muito gosto) ressabiado.

Toda a gente teve, algures durante a imparável marcha do tempo, uma professora de Geografia completamente enlouquecida (pronto, talvez o José António Saraiva não tenha tido) mas apenas eu tive uma que, enrolando os curvilíneos e ruivados caracóis na ponta de dois dedos carcomidos pela combustão do tabaco, dizia: «parece-me que é altura de pararem para pensar sobre o que andam aqui a fazer». E nós, incrivelmente, parávamos, embora não fizessemos a mínima ideia do que estávamos ali a fazer. Eu, pessoalmente, estava a tentar reduzir o meu insuportável sofrimento, e lembro-me que atingia alguma satisfação tribalmente alienante, desenhando motivos florais nas margens das pirâmides demográficas, numa clara influência que Anthony Blunt caracterizaria como provinda do barroco siciliano. Mas não tive sucesso, e daí em diante, enchi cadernos com as mais variadas especulações decorativas e estudos antropomorfizantes de proveniência muito variada, desde o Egipto Ptolomaico (eu sempre gostei de exageros helenizantes) até esquematismos caros aos funcionalistas alemães, os gajos que inventaram essa coisa monstruosa chamada design, até que, finalmente, extenuado, fui obrigado ao clássico expediente de levar livros escondidos no interior dos cadernos de apontamentos, a fim de suportar as torturantes elocubrações a que era injustamente exposto e que chegaram ao ponto de incluir um relato completo e detalhado das operações do MFA para tomar a Rádio Televisão Portuguesa na madrugada de 25 de Abril de 1974.




Pois é, pois é. Sabiam disto? Eu não. Pois é, pois é. Não me digam que não sabiam disto? Peço desculpa pelo facto de agora passarem a saber. Nada será como dantes. As pessoas continuam a achar que a inveja é o grande motor do mundo, e negligenciam o poder criador do ressentimento, esquecendo com frequência a enorme importância da estupidez, das más opções, dos enganos, da confusão mental na determinação dos maus momentos porque passam as comunidades políticas. Que raio está acontecer-nos? Será que o mundo, afinal, vai mesmo acabar? As pessoas estão preocupadas com os gays, com os touros, com o Paulo Pereira Cristovão e esquecem com frequência que por cada criança que olha, confusa e perdida, para o triunfo mediático do Pedro Boucherie Mendes, o destino, abrindo a sua garganta de fogo, desfere um poderoso golpe de martelo no último prego que acaba de encerrar no caixão a nossa Atenas eterna, de belas asas e pés velozes. Dirão que o verdadeiro triunfo é o da inteligência silenciosa, mas estamos todos fartos de poemas em linha recta e empregados de escritório afogados em ginga e vinho tinto, a que ninguém apertaria a mão, com medo que tivessem estado a esgalhar no pessegueiro, por serem esquisitos e lerem livros a mais, e andarem cabisbaixos, e não terem paciência para tomar banho, e que depois de mortos, são levados aos nojentos corredores da Fundação Gulbenkian para celebrar, entre cabeleiras tufadas e os fatos de mau gosto dos professores de literatura, a melosa movimentação da língua portuguesa e o caralho que os fodesse a todos, que não compreenderam uma palavra do que lhes foi dito.


A verdade é que estou demasiado cansado para os movimentos marciais que seriam necessários para enfrentar o enigma deste autêntico terramoto de subjectividade rasteira que se derrama sobre mim e os portugueses em geral. No fundo, somos sempre os piores inimigos de nós próprios, uma glória que ninguém nos tira. Podemos finalmente declarar o emporcalhamento do romance, uma forma literária que, agora sim, pode dizer-se que está morta, pelo menos em Portugal, ou, de outro modo, recusar-se-ia a ser colonizada por esta monstruosa forma de imbecilidade e saltaria para fora do livro, recusando-se a figurar por baixo do nome deste trolha dos canais temáticos. Bm sei, bem sei, não se inquietem, os cães ladram e a caravana vai a caminho do único local que verdadeiramente interessa, a saber, o reino eterno da moralidade serôdia, onde já está uma legião de inúteis cordeiros que passaram a vida a praticar cinismos e indiferenças. O problema é que este tipo de corte para canto, cheira-me a cântico litúrgico e eu sei que no último dia não ressuscitarei. Por agora, prefiro ir para os lençois brincar com a pilinha do Freud ou sonhar com um amanhã que cante, mas muito alto para se não ouvirem os gemidos do bom senso a ser torturado nas cavernas da actualidade. Deus vos proteja a todos dos maus livros.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Já lá vamos ao pensamento crítico


que agora ando ocupado com uma dúvida. Quer-se diminuir a indemnização a pagar quando se despede um trabalhador, de um mês por cada ano de casa, para meia-dúzia de dias. O argumento é simples. Diminui-se o custo de despedimento, logo diminui o custo de contractar um trabalhador.

Apesar do meu limitado entendimento, até eu consigo perceber o argumento. Para além do salário, há que incluir  o custo de romper o contracto antes do tempo. Diminui-se o segundo, sem mexer no primeiro, e fica mais barato contractar pessoas. Daqui salta-se pavloviamente para a conclusão de que as empresas vão começar a contractar magotes de gente.

Mas é exactamente a conclusão que me escapa. Se fica mais fácil contractar, porque na mesma proporção se tornou menos oneroso despedir, porque é que ceteris paribus o desemprego vai diminuir em vez de aumentar ? Ou porque os dois efeitos não se anulam, ficando tudo razoavelmente na mesma ?

Ou perguntado de outra forma. Se o empregador entra com a indemenização para os custos do empregado, é porque razoavelmente considera como cenário provável o despedimento antecipado. Então porque é que se conclui que o mesmo empregador vai criar trabalho para meio mundo à segunda, só porque na terça vai despedir outro tanto ?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Jovem, se queres ser subversivo, rebelde, e o capitalismo te assusta, não desesperes: haverá sempre a homossexualidade.



A proficiente gestão deste blog fez-me chegar um triste comentário ao meu generoso comentário a uma igualmente triste crónica da autoria do maricas do José Luís Peixoto (vinde a mim, vós todos que procurais o escritor do Concelho de Ponte de Sor, entre as fibrosas redes do mundo virtual). Fico sempre repetidamente surpreendido com a falta de cultura das pessoas, sobretudo sabendo que os meus pais, entre 1990 e 2000, isto é, no decorrer do período crítico e formativo da minha espectacular maquinaria cognitiva, auferiam, agregadamente falando, um rendimento mensal que não ultrapassava os 250.000$00, 250 contos, isto em moeda antiga, mas que pode ser nova outra vez. Como supria eu nessa época, as minhas necessidades de entendimento, perguntam os espíritos mais ousados que ainda se mantêm agarrados a este ecrã? Naturalmente, nas bibliotecas públicas, instituições sempre mal frequentadas, mas apesar de tudo, dotadas de instrumentos mínimos que poderiam ter possibilitado às pessoas não fazerem a figura ridícula que abundantemente fazem na blogosfera e nos respectivos locais de trabalho, respondo eu, embora sem grande confiança. Na verdade, há dois problemas, graves e profundos, implícitos nesta questão da inteligência crítica: a) as pessoas são estúpidas porque o sistema de transmissão de conteúdos fuciona mal, ou na pergunta esfíngica de Protágoras, será que a virtude se ensina? ou b) as pessoas aprendem e transmitem todos os instrumentos cognitvios mas utilizam esse conhecimento segundo critérios particulares, sempre hipoteticamente orientados por desejos irracionais, ou viciosos, ou particulares, conforme os credos antropológicos, ou conforme as intenções estratégicas, como diriam os economistas.



Na verdade, nem uma coisa, nem outra. Por exemplo, a minha simpática comentadora, além de me ameaçar com o arremesso de uma lista telefónica à gloriosa fronte, qualifica a minha intencionalidade como produzida por uma arrepiante frustração, mas o nível de violência com que reaje é a prova consistente de que atingiu a irrelevância intelectual do seu escritor amado - o que a magoa - e como retaliação, arremete contra mim, a fim de salvar toda a genealogia que forjou a sua interpretação do mundo. Ora, isto constitui um eloquente exemplo da forma como o conhecimento se forma numa complexa teia de relações entre os nossos desejos e os nosso intrumentos cognitivos. Creio que toda a historiografia do saber podia ser reorientada a partir dos discursos que pretendem estudar a forma como estudamos os discursos, ou seja, tal como em relação ao tempo, é quando não pensamos nos objectivos do conhecimento, que mais claro se torna para nós que o sistema nervoso central se complexificou para regular a articulação entre estímulos externos e o funcionamento interno do nosso organismo. Uma pessoa pode compreender que o José Luís Peixoto é uma merda, ou que o treinador do Benfica exorbita as suas competências querendo triplicar as capacidades psico-motoras de Axel Witsel, o internacional belga, fazendo-o correr sem a mínima economia de esforço colectivo, mas isso deve ser ponderado em relação aos objectivos que essa mesma pessoa pretende extrair do acto de conhecer.



Isto significa que nós não sabemos nada de nada, nem sequer se o conhecimento crítico é realmente uma coisa importante. Só sabemos fazer coisas que operam ou desempenham acçoes no meio, mas o significado da realidade é, em termos matemáticos, uma função da nossa taxa de esforço para sobreviver, e como ninguém sabe porque razão existe vida, não estamos em condições de responder ao sentido do conhecimento que essa vida produz. A carteira do José Luís Peixoto dirá que isso do conhecimento crítico não é determinante, e a sua consciência, na segunda-feira, e após ter vestido aquela camisa negra, é até capaz de concordar, embora na quinta, e já envergando um blazer caqui, é bem capaz, por outro lado, de lançar dúvidas sobre a pertinência da liberdade comercial e o não taxamento do preço de produtos considerados nocivos à inteligência crítica. Por exemplo, o José António Saraiva, julga, e passo a citar, «ser um facto notório que a comunidade gay está a crescer». Eu julgo ser um fato notório que o José António Saraiva é uma das figuras públicas mais estúpidas e ignorantes de toda a história mundial. Mas isso é a minha opinião, e eu ando aqui apenas a ver se não levo com uma lista telefónica pelos cornos abaixo.


Com extraordinário efeito, aquilo a que chamamos crítica, é sempre uma dada forma de hierarquizar a realidade, uma disposição de valores que tem uma adaptação funcional em relação ao nosso corpo, e aos objectivos que pretendemos concretizar. Mas como esses objectivos são condicionados por outros corpos, igualmente em movimento, e dotados de objectivos próprios, isto significa que para compreender a multiplicação de efeitos causais implícitos em qualquer processo cognitivo, necessitariamos de uma física especialmente complexa, como Einstein não se cansou de afirmar. A produção de conceitos tem uma economia distributiva de que nada sabemos. Manipulamos os discursos e a formalização matemática, ou somos manipulados por esses intrumentos? E que parte deste fenómeno é condicionado pelas nossas decisões, e que parte emerge precisamente da relação entre necessidades individuais e os fenómenos de organização colectiva, que são no fundo o resultado de necessidades conceptuais para neurtralizar o potencial de perigo que há em todo o ambiente «não-crítico»? Será que aqueles que colocam José Luís Peixoto à cabeceira da cama, estão melhor preparados para enfrentar o mundo onde emerge a decadência, e flui a propaganda gay? Quero tranquilizar os meus leitores, invocando os meus vastos conhecimentos de história mundial: o mundo não vai acabar, e mesmo que acabe, graças a deus, não há problema - o que tem de ser, tem de ser, e além disso, caramba, como diria Artur Jorge, fizemos coisas bonitas.



Tenho pena de não poder oferecer ao meu estimado público respostas espirituais ou religiosamente profundas, religando as suas angústias ao sentido do cosmos, mas Cristiano Ronaldo está quase a evoluir sobre o relvado, e apetece-me fazer um pouco de propaganda homossexual, contemplando a sua escultural compleição física. Longa vida a Píndaro, aos atletas, e aos gregos em geral.

domingo, 15 de abril de 2012

Do pensamento crítico

A propósito da qualidade das universidades portuguesas, venho aqui relatar a minha experiência. Eu fui durante pouco mais de dois anos, professor no Politécnico de Tomar. E logo na primeira cadeira que tive como responsabilidade organizar, lembrei-me de incentivar o espírito crítico no alunos. Pedi-lhes um trabalho, pouco mais que uma recolha da literatura e respectiva crítica, mas indiquei apenas o tópico e dei liberdade total no resto. Resultado, a maior parte não fez nada e os que fizeram limitaram-se a copiar da wikipédia. A experiência terminou ali mesmo, e partir daquele dia críticas na sala de aula só aos árbritos dos jogos do Sporting.

Não pondo desde já a hipótese de eu ser uma nódoa como professor, a minha experiência foi basicamente esta. Quando os alunos têem liberdade para pensar, parecem umas baratas tontas sem saber para onde se virar.

Por isso fica a dúvida: é possível ensinar-se o pensamento crítico ? Talvez. E a universidade actual é o local para isso ? Não. Disso estou eu convicto. Passei seis anos num doutoramento no Técnico, e do que pude vislumbrar do ambiente científico internacional, o pensamento crítico é expressamente proibido. E nem poderia ser de outra, já o Paul Feyerabend dizia que a ciência é sistema mais reacionário e conservador jamais criado pelo ser humano.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Pensamentos desorganizados porque estou a meio de um raciocínio importante.

O Miguel Real está definitivamente preocupado com Portugal e eu estou cada vez mais preocupado com o Miguel Real. Esta semana confrontei os meus prodigiosos cornos com dois excelsos títulos do nosso Professor Mamadu do ensaio: O romance português, 1960-2010, (ou coisa parecida), Caminho, 2012, e A vocação histórica de Portugal, Esfera do Caos, 2012. No primeiro título, pelo que pude constatar, Miguel Real tenta fazer o ponto da situação sobre o romance português e abre a reflexão com uma citação de João Tordo, aspecto que me fez imediatamente fechar o livro, com um retumbante estrondo, e devolvê-lo placidamente à prateleira. Justifico. Uma das dificuldades que se apresentam ao habitante do século XXI é a capacidade de processar informação, criticamente, pois em matéria de compilação e sistemática extensiva e intensiva, a máquina já nos inflinge goleadas desde os anos 60 do século XX. Ora, um autor que não conseguiu ainda afinar mecanismos que lhe permitam seleccionar qualidade literária, sem ler efectivamente todos os livros, não sobreviverá um segundo no ambiente adverso que se avizinha e constitui uma perigosa perda de tempo para todo aquele que, medusamente, se deixar empedernir perante a sua prosa. Cerca de 45 segundos foram mais do que suficientes para me banhar num charco de água suja, entre Patrícia Reis, Peixoto, mãe (estão a ver o que dá escolher apelidos esquisitos), Cruz, aquela pessoa retornada que escreveu sobre os retornados e outras irrelevâncias. Dirão aqueles em quem ainda permanece uma certa nobreza combativa que o conservadorismo da crítica educada e erudita constitui, em todas as épocas, uma barreira à emergência da originalidade. A esses eu direi: exactamente, e essa função sagrada, tal como aquela que é desempenhada pelo mercado de massas, despejando continuamente torrentes de pedra e lama sobre o génio, é absolutamente essencial para que pessoas como eu, adestrem na resistência, e forjem na adversidade, as suas maravilhosas asas de seda e ouro, investindo, resplandecentes de impetuosa cultura, e reforçados por uma firme potência intelectual (cá está), contra os furiosos ventos da actualidade e as vagas da descerebrada natureza, sempre vital e cega nas determinação dos seus movimentos. Se alguma coisa existe ainda que possa coroar de glória uma inteligência humana, será a recusa da morte anunciada do homem, ultrapassado pela computação e a máquina, pois, como diria Faulkner no discurso do nobelização (uma mau escritor, mas uma pessoa a quem as bebidas brancas e as dificuldades da vida ensinaram coisas inauditas), o nosso passado, repleto de dramas incomportáveis, terrivelmente violentos e profundos, exige que não deixemos cair a forma material humana, cansada e bela, pelo menos em certo sentido, sem que o estrondo da sua voz percorra os quatro cantos da terra.


Na verdade, não nego que haja escritores com mérito em Portugal. O que não entendo é a tentativa de intelectualizar, criticamente, uma actividade que seria melhor esclarecida do lado da econometria, e estou a referir-me ao romance português, em particular, e ao europeu em geral. Os temas são enfadonhos, o estilo é cansativo, os caracteres são postiços, a psicologia é superficial, a poesia é medonha, a estrutura é recorrente de banalidade. Não admira que quando aparecem casos como o de W. G. Sebald, os clarins do paraíso apontem ao sol luminoso da eternidade as suas flâmulas carmesim e consagrem, numa revoada de sons vibrantemente prateados, a simples conclusão: finalmente, uma pessoa inteligente, caralho.


Calma. Não vou apresentar aqui uma recensão crítica dos referidos livros de Miguel Real, uma vez que ainda não perdi completamente a capacidade de hierarquizar o meu tempo em função da minha crescentemente inflacionada taxa de esforço. Quero simplesmente noticiar que as elites portuguesas começaram a escrever livros. Constitui isso uma novidade? Logicamente, não. Novidade seria se as elites portuguesas tivessem começado a ler livros. Por enquanto, e até à minha entrada em cena, está tudo bem.

Olha a minha posição é sentado

Mas não tarda estou a sair que isto de trabalhar custa.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A minha posição

Apresento aqui a minha posição relativamente ao debate sobre o Tratado Orçamental Europeu, que neste exacto e preciso momento decorre, com assinalável altitude intelectual e elevação democrática, no seio materno da Casa da Democracia. Senhoras e Senhores, convosco, em qualquer televisão, de preferência sem som, entre o triângulo resplendoroso de uma chamuça e a elegância melancólica (e este é, sem margem para hesitações, o melhor adjectivo de todos os tempos) de uma refrescante imperial, repito, convosco, o reverendíssimo e excelentíssimo Parlamento da República Constitucional Portuguesa.




A minha posição.

Chamo a atenção dos ouvintes para o arpejo-argumento que sucede (e desbarata qualquer dúvida, eventualmente existente, em torno dos efeitos profiláticos da regra de ouro, inscrita indirectamente na constituição, e todas as benéficas tensões macro-económicas daí resultantes, de um ponto de vista da ortodoxia monetarista neo-liberal) no preciso momento em que o relógio atinge 1 minuto e 48 segundos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Afinal, sempre há salvação para o Instituto Superior Técnico.

Como sempre acreditei nas vantagens da racionalidade cumulativa e da computação, aqui está mais uma prova de que as inteligências sempre se encontram, sobretudo se estiverem devidamente programadas para conhecer o mundo real e não para se auto-contemplarem na mais confusa comiseração sentimental. Na verdade, nunca engoli aquela estratégia argumentativa que para depreciar a educação extensiva e intensiva do cálculo e da poesia, saca do Terceiro Reich e das suas fabulosas competências intelectuais com o intuito de arrastar pela lama os tesouros do raciocínio desta pobre espécie que tanto fez pelo planeta, ao contrário do que diz a propaganda francesa. Como todos sabem, dificilmente alguma vez na história se reuniram tantos ignorantes numa agremiação fardada como no dito Terceiro Reich, o que diz tudo sobre a capacidade crítica das pessoas que utilizam este tipo de argumentação, e estou a lembrar-me, por exemplo, do inútil do George Steiner. Quem conhecer algumas das respostas dadas pelo programa ELIZA, desenhado pelo ilustre Weizenbaum (aqui lembrado pelo ngonçalves) num exercício experimental sobre a capacidade de relacionamento sentimental de um computador, levado a cabo pelo autor do livro que encabeça este post, rapidamente se entristecerá pelo facto dos diálogos dos livros do José Luís Peixoto, e da Alexandra Jacinto do Eduardo Prado Lucas Coelho, não serem elaborados por uma máquina, o que só comprova a superioridade da razão sobre o sentimentalismo rastejante. Como estamos em maré de generosa orientação bibliográfica das massas, aproveito para interrogar, em directo, a quem de direito, se este gajo, postado aqui em cima, se recomenda ou se acabei de ser banhado pelos vertiginosos links que as máquinas me foram estendendo até que eu me deparasse com o referido volume. Eu também gosto muito do Sá Pinto, simplesmente desejo que ele vá para o caralho.

Uma vénia a todos os derrotados em geral


chegou vão para lá uns 3 ou 4 anos, de um autor se pode considerar o Sporting da inteligência artificial sendo que o Raymond Kurzweil será o Pinto da Costa. Comparado com os restantes, Weizenbaum é um derrotado em todos os aspectos excepto um. Não se levava a sério. Numa entrevista confessou ter feito uma foto todo nú com a medalha que recebeu das mãos do presidente alemão porque, e passo a citar, "não tinha o smoking que mandam as regras vestir para se poder usar a medalha em público". Foi também o senhor que me deu a conhecer a Marian Anderson.

Uma vénia a todos os colegas de blogue


incluindo os que não tiraram o curso no Técnico. Chegou hoje e estou em crer que tem mais páginas que o do alf. Não que o tamanho importe.

No Técnico não se dão aulas de português

E só assim se explica, que concordando eu em quase tudo com o alf, acabe a escrever exactamente o contrário. Aliás, e segundo a senhora minha esposa, eu sou um tótó no que respeita a tudo o que não involva integrais triplos e derivadas parciais. Por pontos.

Eu não odeio o Soares, antes pelo contrário. O homem é realmente um grande político, mas eu estou convencido que é só isso. O que eu achei interessante na notícia foi o próprio comando da GNR querer abafar a coisa. O que para mim significa que o militar da gnr vai em breve conhecer a fila do desemprego.  Caso contrário algo vai mal nas forças policiais.

A mudança de poder só se faz, é certo, com o apoio da força. Ignorante confesso que sou da história de Portugal e do mundo em geral, digo isto sem uma pinga de ironia, aceito que cada evento tem o seu contexto. Mas isso não invalida que sem o aval dos militares nada se faz.Podemos tentar procurar os sinais de mudança em vários sítios, ou olhar para o catalizador directamente. O arroto do militar da gnr é representativo do resto da coorporação ? Não sei, mas a polícia não anda contente e já não há dinheiro para os calar como houve nos tempos do Guterres.

Próximo. Qual é a universidade do planeta Terra que incentiva nos alunos a crítica, o pensamento independente ? Sabendo que é necessário ganhar hábitos de estudo, retórica, análise e sintese antes que sejam possíveis a crítica e o pensamento livre, e que sabendo que a minha geração passeou o cú num dolce fare niete até ao 12º ano de escolaridade, é razoável esperar que a universidade portuguesa seja capaz de motivar o aluno para algo mais que não seja o safar-se com o mínimo trabalho possível ? Triste é que apenas e só chegado à universidade é que o tuga finalmente aprenda algo que mais tarde lhe permitirá ganhar o pão. Se ele quer cultivar o pensamento livre, que o faça fora das horas de expediente e quando os putos estão a dormir.

Tudo isto para dizer que amanhã vou fazer a preparação para defesa da tese doutoramento. No IS of T. Um título académico que não me diz nada. Uma resma de pouco mais de 120 páginas, que nada acrescenta ao conhecimento humano. Então porque o faço ? Não sei bem, mas em parte porque me comprometi a fazê-lo. E se um gajo não tem palavra, não tem mais nada.

Terminemos. O Sá Pinto percebeu, sem ser preciso eu lho dizer, que o Sporting este ano apenas tem equipa para jogar como se fosse um clube da 2ª B a tentar não descer. Que os adversários sejam incapazes de ver isso, é problema deles. E ganhar ao Benfas é o mais íntimo desejo de qualquer lagarto que se preze.

Dedicado a todos aqueles que roubam o Estado, em particular (e os portugueses em geral) para comprar livros aos ingleses.


Partilho-o com uma justa e sincera vénia a todos os antigos alunos do Instituto Superior Técnico e companheiros de blogue.

e mesmo para acabar

Tens razão alf: o técnico é uma merda, assim como o sporting. Mas digo-te que valeu a pena andar lá (so assim terias aqui o ngoncalves, o maior seguidor de salazar mesmo antes dele existir) e que ganhar ao benfica, mesmo que fiquemos em ultimo lugar, enche-me os dias. São estas coisas que levamos daqui. E acho que tu sabes isso muito bem.

E o dia está completo: johnny cash e um gatinho

Do Sá Pinto para o Alf, com amor

A fnac, naturalmente, não diligencia os prodigiosos títulos que aqui apresento.

Uma das gigantescas vantagens do leitor deste blogue é poder contemplar como os seus membros, de quando em vez, se engalfinham em polémicas absolutamente estéreis. A esterilidade polémica é, aliás, talvez a grande marca distintiva entre o homem e mundo dito animal, uma vez que o uso da linguagem, com maior ou menor destreza, está longe de ser um privilégio dos humanos. Como os jornalistas não fazem o seu trabalho, tenho de ser eu e o ngonçalves a garantir a discussão cabal dos problemas que nos afligem, quer como comunidade científica, quer como República de Cidadãos. Aproveito o mal entendido sobre livros gamados na Fnac, e pedindo desde já, desculpa pelos excessos (e mandando Sá Pinto para o caralho) passo então a polemizar.

1. A primeira prova manifesta da ignorância congénita aos licenciados pelo Instituto Superior Técnico é o seu sentido corporativo e o orgulho escondido que transportam por terem obtido uma licença, com o intuito de serem remunerados por vários desempenhos práticos e teóricos, à custa do sacrifício de um desenvolvimento integral da sua inteligência. Quem conhece um pouco dos exercícios abstractos a que são submetidos os licenciados pelo Técnico, compreende como os exercitados teriam que optar por uma de três soluções: ou o ressentimento contra a torturante falta de tempo para disfrutar da entrada na vida munidos de uma visão dos problemas orientada por extensos conhecimentos disciplinares (por exemplo, Biologia, História, Economia); ou a dignificação da vida prática e da utilização «real» dos seus conhecimentos em trabalhos «criadores de riqueza»; ou a defesa intransigente da especulação tecnológica ao serviço do «progresso» (risos, risos, risos) e da automação da vida humana (risos, risos, risos), e tudo isto envolvido no cabal respeito pela vetusta instituição onde foram manifestamente infelizes, o que só serve para apimentar a relação afectuosa que mantém, pela vida fora, com a referida instituição. Quando mais me bates, mais gosto de ti, diz Nelo Monteiro num album de 1987. Com efeito, já dizia o velho Kant que a introspecção é um ladeira que custa a subir e é sempre mais fácil dar largas à furiosa imaginação e pegar em armas contra um inimigo que nos permite saber quem somos. Julgo que não será necesário elaborar mais sobre este ponto.

2. É impressão minha ou foi feita aqui uma insinuação sobre a forma como obtenho os livros com que enriqueço a minha prodigiosa inteligência e a de todos aqueles (incluindo os licenciados pelo Instituto Superior Técnico) que têm a sorte de acompanhar (a título totalmente gracioso, numa inacreditavelmente eficiente manifestação de serviço público) a elegância do meu frasear? Em primeiro lugar, devo dizer que multiplicando por mil os livros que generosamente aqui desfilam, dificilmente o resultado escatológico dessa simples operação aritmética ultrapassaria o resultado da soma dos custos de uma hora de brincadeira científica na referida instituição de ensino técnico. Claro que é muito difícil combater os poderosos efeitos retórico-argumentativos do conceito de utilidade (como vêm, eu escolho inimigos poderosos), conceito que, curiosamente, foi forjado por pessoas que tinham tempo para pensar. A trajectória dedutiva que valoriza um tipo de trabalho publicamente pago, em relação a outros tipos de trabalho publicamente pagos, é sintomática da falta de tempo que as pessoas dedicam à introspeção da sua interferência como sujeitos de conhecimento no mundo real, tão convencidas que foram, pelas instituições que deram forma aos seus intrumentos cognitivos, da natureza linear das relações entre os custos públicos, a estrutura fiscal, e o papel reprodutivo da riqueza no agregado de vidas humanas que constitui uma comunidade política. Para desmontar esta insistente falta de clarividência, seria necessário efetuar um trabalho crítico sobre o conceito de progresso (e deixar de assumir a bolorenta enciclopédia de Diderot e D'Alembert – dois pacóvios tão fascinados pela tecnologia de produção de alfinetes como os hodiernos parolos fascinados pelas realizações de um braço robotizado – como um credo definidor das relações humanas, das leis da economia e dos critérios de justiça da república).

3. Logicamente, a relação entre a queda da monarquia e a utilização de armas por professores primários e empregados do comércio, tal como a estafada relação entre a saloiada militar montada em tanques de guerra e a deprimente combustão do regime mais parolo que vigorou em toda a Europa Ocidental, liderado por um camponês licenciado pela Universidade de Coimbra (outra produtora de ignorantes sem paralelo acima da linha do Equador) é problemática, difícil, e pouco consistente com as abundantes evidências que qualquer pessoa, com tempo e paga pelo Estado, se dê ao trabalho de recolher; factos como a evolução da distribuição monetária e o crescimento demográfico, o índice de livros importados, a descida da mortalidade infantil, o crescimento da descrença nos sacedortes, tudo coisas bastante mais significativas na alteração dos sistemas políticos do que a utilização, alegórica ou não, das armas. Tal como é muito difícil convencer o ignorante das leis da física e das deduções astronómicas, de que é a terra que se move em torno do sol e não o contrário, é muito difícil convencer o ignorante das ciências sociais de que uma arma tem um efeito alargado bastante menos poderoso do que os artifícios da linguagem ou a estrutura do parentesco. Bastaria estudar um pouquinho de lógica formal com os herdeiros de Newton, em Cambridge, e não com os burros dos Professores do Instituo Superior Técnico, para apreender os problemas relacionados com a denotação das preposições que levam à crença num dado fenómeno, e que a relação entre as séries de palavras e os factos que tornam as palavras verdadeiras, implica um trabalho profundo sobre a nossa interferência enquando operadores da lógica. A título de exmplo, gostaria de saber em que país do mundo, e em que momento das séries temporais que nos antecederam, é que o sistema político muda aparentemente, e sublinho aparentemente, sem ser pela força da armas? As razões que levam as armas a emergir é que diferem minuciosamente, e é por sabermos tão pouco sobre isso que continuamos a investir em cursos superiores técnicos (e não vou especular sobre o financiamento da ciência e a guerra porque me cheira a esquerdalho) convencidos de que resolveremos os problemas, enquanto nos afundamos alegremente, conduzidos pelos Antónios Guterres deste mundo, uma pessoa que, alegadamente, terminou o Instituto Superior Técnico com a esplendorosa média de 18 (dezoito) valores. Quanto a Mário Soares, continuo a não perceber o ódio colectivo ao maior político do século XX (exceptuando o ódio movido pelos retornados, onde a experiência de convivência com o meu retornado avô, ao contrário do meu retornado pai, serviu para desmontar, em silêncio, para não me arriscar a levar um tiro, toda a maquinaria de ressentimento contra o descolonizador-mor, um homem a quem estou eternamente grato pelo facto de me ter salvo de um nascimento em África).

4. Agora passemos ao que verdadeiramente interessa e à clarificação da única coisa que verdadeiramente me irrita. Não seria necessário colocar Torres ou Nené (não cheguei a tempo de ver jogar nenhum deles) mas simplesmente tirar Cardozo do campo. Em Londres, quando Cardozo saiu, o Benfica passou a jogar o dobro e se Jesus saisse do banco, passaria a jogar o triplo. No entanto, constato com grande prazer que, mais uma vez, o Sporting se afunda a caminho da extinção, comemorando, não já o segundo lugar à frente do Benfica, mas o quarto (ou quinto) lugar atrás do Benfica, desde que pelo meio apareça uma qualquer vitória alcançada com os joelhos condoídos de Rui Patrício, as dores de Xandão, a fina educação de João Pereira, e a inestimável certidão de nascimento de Artur Soares Dias, produzida,entre champanhe e aplausos, há já algumas décadas, no Distrito do Porto. E já agora, o Sá Pinto que vá para o caralho.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Efeitos prácticos da crise (II)

No prédio, os sacos do lixo antes eram grandes, verdes ou negros, próprios para o lixo. Agora são os da compra no mini-preço. Continuo a ser eu a ir pôr o caixote na rua, que certos hábitos são imunes à crise.

Efeitos prácticos da crise

As alternadeiras do Elefante Branco, que antes chegavam de táxi e nunca antes da meia-noite, agora ainda não onze  e é vê-las a pé, de salto alto pela calçada acima. Bons motivos para ficar à janela de noite.

E mete quem ? O Néné ? O Torres ?

Tudo perguntas pertinentes, mas não é isso que me traz aqui hoje. Sucede que um militar da gnr lamentou-se de ter gasto 30 peças de chumbo na carreira de tiro, que segundo ele eram mais bem empregues no Mário Soares.

Chamo a atenção para a vontade do comando da GNR em deixar o assunto morrer. Tão certo como o Djaló não marcar um golo nas 4 épocas que lhe restam de contracto, amanhã vão-se descobrir no carro do dito gnr, 30 Kg de coca na mala, 5 mil pastilhas de ecstasy no pneu sobressalente e provas irrefutáveis de participação no atentado ao Sá Carneiro no compartimento das luvas.

Que eu saiba, e a ignorância própria de quem nasceu antes de 1980 e se formou no Instituto Superior Técnico não permite saber muito, nunca em Portugal o poder mudou sem ter as costas quentes pelas armas. Um gnr não faz a revolução, longe disso, mas todas as gotas ajudam. Basta lembrar que bastou o Buiça ter tiro certeiro para a monarquia cair. E ao Estado Novo bastou o odor das g3's oleadas pelo uso em África.

Agobia-me sim, não saber o virá depois e saber as vergonhas que se vão cometer durante. Mas isso são outras conversas. Esperemos que o Sá Pinto não vá para o caralho, e que a crítica literária feita neste blogue seja à custa de livros gamados na Fnac.