sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Carnaval em perspectiva

No intervalo da minha calma ascensão a caminho da eterna galeria dos imortais homens de letras gosto de ler o Herique Raposo, da mesma forma que Robert de Niro, em Touro enraivecido, pede ao seu doce irmão que lhe esmurre os cornos apenas com o intuito de experimentar a superioridade do seu sistema nervoso periférico na resistência à dor, bem como a robustez dos seus maxilares perante os punhos entoalhados de um agressor pouco perigoso. Do mesmo modo, Raposo esmurra violentamente a minha sensibilidade estética e literária e posso revigorar a minha grandeza intelectual perante o auge das atitudes verbais de uma pessoa que tem tanto desrespeito pela elegância escrita como ausência de rigor lógico nos textos que afanosamente são acolhidos por esse Renova classe da imprensa portuguesa, o Expresso, dirigido por uma pessoa licenciada em História, uma disciplina que desde os gregos nunca mais interessou a ninguém, a não ser os proprietários do Expresso. Muitos me têm confrontado com a inutilidade de referenciar - é o que eles querem, dziem - os mesmos temas, e os mesmo lambe-cus da imprensa escrita, sobretudo quando já abdicámos de serviços mínimos nesta greve-geral em que está mergulhada a opinião pública portuguesa desde a revolução burguesa de 1383-1385. Mas insisto que é um dever moral facultar aos meus amigos e leitores motivos de cólera, bem como fornecer gigantones de serviço para as festividades cívicas, ou acabamos todos transformados num Eduardo Sá - o maior especialista do mundo em broches a si próprio - ou mesmo, muito pior, num D. Manuel Clemente - um dos três maiores especialistas eclesiásticos em broches ao mundo laico (para os interessados em rankigs, os outros dois são o cónego Rego [2º] e o reverendíssimo padre Tolentino Mendonça [3º]). Se é para ser eunuco, ao menos forneçam as rainhas orientais e os manjares, pois castração e deserto mental é muita austeridade para tão pouco proveito. A minha posição sobre a tolerância de ponto no Carnaval fica deste modo demonstrada: prometo lamber a estrada nacional nº 1, de Sacavém até Fátima se o Henrique Raposo conseguir redigir um texto que nos convença de qualquer coisa para além da sua incontestável falta de domínio do português, escrito, falado, ou vomitado.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O drama Bojinov

Hoje passa o "Cool Hand Luke" no cabo, um filme que ando à um ror de anos para ver. Mas tenho que trabalhar esta noite, que a vida está para aí virada. Tenho vizinhos novos no prédio ao lado que gostam de ouvir música alta. É o Tom Waits,  afinal nem tudo vai mal no mundo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Este será directamente (caralho para o acordo ortográfico) debitado na conta do Professor Doutor Pedro Lains




O donativo dos funcionários públicos e beneficiários do rendimento de inserção será destinado à aquisição do muito menos dispendioso volume



Valium me Deus

Ontem à noite fomos justa e merecidamente brindados com um momento espectacular onde o mais garretiano dos artistas nacionais, Luís de Matos, fez alguns movimentos com os braços desnudos, para gáudio de Pedro Passos Coelho, o mais filho da puta dos políticos da Damaia, e Francisco José Viegas, o mais Bulhão Pato dos políticos nacionais. Não vou aqui desenhar sobre material já mastigado, e qualificar o evento como propaganda de classe Z, mas devo dizer que tudo aquilo cheirava a musical americano mas interpretado por pessoas oriundas do Burundi, sobretudo no momento em que Luísa Sobral, um dos mais injustificados sucessos musicais portugueses depois de Lena d'Água, invadiu o palco com toneladas de poeira, adereços dignos do pior La Feria e um som tão guturalmente inverdadeiro que tudo aquilo me fez correr para a cozinha a queimar os pulsos no fogão, para garantir que não tinha sido raptado pelos americanos e levado para um cave no Kentucky, onde me obrigavam a televisionar espectáculos de liceus de província no Texas dos anos 50. A dado momento, Herman José, provavelmente embriagado, interpretou uma mariscada mascarada de jazz, arrastando o evento para uma dimensão insuportável, o que me traz onde queria chegar desde o início. No canal 2, Paula Moura Pinheiro, cuja descendência dos abades de Cristelo e dos Alcaides de Barcelos parece incontestável, chegou herculeamente ao fim de mais um Câmara Clara sem saltar para cima da mesa e se satisfazer a si própria com o poderoso volume de Charles Dickens que tão galhardamente manuseou em longa conversa com duas cabeleireiras professoras na Universidade Católica que, alegadamente, sabem muito sobre literatura e estão, ao que parece, a organizar uma exposição inolvidável sobre o supracitado escritor, uma pessoa que além de várias amantes tinha o supremo condão de não ter agenda política. Continuo a não vislumbrar qualquer retoma dos indicadores intelectuais portugueses o que significa que está tudo bem.

Fazei isto em memória de mim





Venho por este meio solicitar a todos os leitores deste blogue a deposição de algum numerário electrónico na minha desprotegida conta bancária, a fim de que me seja permitido melhorar a vossa personalidade e entendimento do mundo, por meio do meu extraordinário intelecto, o qual após a compra deste magnífico exemplar, preçado num singelo valor de $90.00 + portes de envio, permitirá ao público conhecer todos os segredos da análise e desvendar os mais obscuros recantos do desconhecido.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cientistas sociais: entre a indigência argumentativa e a grandiosa humildade dos tolos

Não tenho o mais pequeno interesse pela política energética preconizada pelos decisores políticos para aqueles locais inóspitos onde o F.C. Porto teve, pelo menos uma vez nas duas últimas décadas, um útero fértil para produzir arruaceiros alcoolizados travestidos de centro-campistas de alto rendimento, e julgo que empreenderiamos os nossos esforços com mais propriedade e ciência se passássemos ao machado todos os esforços que temos feito para civilizar a consciência através do debate democrático (e com isso resolveriamos, automaticamente falando, o problema da energia, a incerteza dos nossos objectivos mentais e da sub-sub-sequente merdosa confusão gerada pela especialização do trabalho). Não viria mal ao mundo se utilizássemos as faculdades linguísticas para obter um salário, como o cantoneiro coloca pedras num padrão enigmático, a fim de ganhar o dele, mas insistimos em querer resolver problemas, sem resolver o problema filho-da-puta de todos os problemas, a saber, o que é que estamos a tentar dizer quando queremos dizer alguma coisa. Tenho a vaga sensação de que apenas temos obtido, aqui e ali, (parlamento e universidades incluídos) conclusões realmente importantes como, por exemplo, esta: seria desejável contruir um país com o José Manuel Fernandes e o João Pereira Coutinho condenados a fazerem um 69 por dia um ao outro.




Quem me conhece, sabe como oriento a minha vida apenas de acordo com duas grandes convicções: (1) José Mourinho é a maior farsa mundial desde o Capitão Roby e (2) seria necessário organizar um comité central (que tivesse apenas pessoas, e com um nível de leituras superior ao meu) responsável por censurar violentamente o espaço de opinião. Enquanto não for implementada esta eloquente política de comunicação, eu quero é que a razoabilidade se foda, com todo o respeito pelas normas democráticas, que tudo, tudo, tudo fizeram para que hoje fossemos o que somos.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Morder a cauda

Vêm isto? Bem sei que não é recomendável que o cão volte ao seu próprio vómito, mas há muito tempo que tento levantar a cintura industrial de Setúbal e a Damaia, pelo menos as pessoas de cor que ali residem, contra pessoas como a Judite Nolita de Sousa e já agora outras pessoas que acreditam que o Hospital Central de Atenas tem como problema financeiro estrutural o contrato de trabalho com 15 jardineiros. Não só quem já foi intervencionado cirúrgicamente falando, sabe muito bem o conforto espiritual que é ver um canteiro de roseiras bem tratado, e não um estacionamento pelado pejado de enfermeiras gordas, como, ainda assim, se poupa muito em analgésicos com este descanso paisagístico da alma. A economia é também cosa mentale, já dizia Del Piero. Não se pode passar a vida a lamber o cu ao Arquitecto Ribeiro Teles e depois rasgar as vestes porque há 15 jardineiros na Grécia, território berço da democracia vegetativa e, como é do conhecimento geral, uma potência mundial em floricultura. Por razões que me dispenso de enumerar (mas são 5) não vou comentar a contribuição do Instituto de Ciências Sociais para a qualidade da investigação científica nas «humanidóides», referindo apenas, e novamente, que não convém que o cão volte ao seu próprio vómito.

Sem título mas se tivesse seria triste

Hoje, uma aldeia ficou mais vazia. E a morte volta a visitar-me.

A minha carreira apresenta-se, neste momento, e com efeito, tão fulgurante como uma sardinha e tão grandiosa como uma ventoinha de Secretaria

A certo momento, o narrador de Moby-Dick explica como o pretinho do baleeiro, após cair nas ondas, puxado pela corda de um arpão, foi tecnicamente abandonado, ainda que por breve momentos, no mar alto, e Ismael, impressionado com aquela pequenina cabeça, oscilando para cima e para baixo no meio das gigantescas muralhas prateadas, explica como o oeano imenso aspirou a razão do pobre náufrago, transformando-o num louco, que desde esse momento, mesmo depois de resgatado, passou a errar ao longo do convés, cantarolando como um tolo. Aqueles que têm seguido o meu calvário espiritual, aqui, neste local, sabem como me assemelho a esse pretinho, cada vez mais perdido entre as vagas imensas da blogosfera e crescentemente esvaziado da minha razão. Não vou fazer uma defesa sacerdotal do sacríficio, descansem, nem um elogio das infinitas misérias espirituais da humanidade (para isso temos Manuel Luís Goucha) mas não posso deixar de incitar ao orgulho todos os que, tendo consciência da magnitude do problema que nos foi tatuado na testa no momento do parto, se mantêm firmes, entre as ondas, em vez de seguir um qualquer navio carregado de óleo de baleia, para vender num entreposto manhoso de uma qualquer cidadezinha medíocre do nosso confuso planeta. Entendam isto como um comentário tecnicamente profundo, e elaboradamente objectivo, de todas as variáveis económicas que, durante o próximo trimestre, agitarão a sua cauda de baleia entre as confusas vagas da comunicação social. Uma nota de estima e consideração para os comentários de Marques Mendes porque às vezes, as pessoas não estão boas da cabeça, e é preciso uma cabeça, boa ou má, para que ouçamos uma outra cabeça dizer que podemos não estar bons da cabeça, e mesmo que para isso fosse necessário clarificar o que é uma boa cabeça, não faz mal, porque é uma tarefa tão primária que Marques Mendes (com efeito, meu deus, com que poderoso efeito), evita, com propriedade (com muita propriedade, diga-se) empreendê-la, não só porque trabalha em empresas, e isso, mas certamente porque já se apresenta maravilhosamente dotado de uma cabeça, mesmo que oscilante, tremendamente oscilante, entre muitas coisas que agora me escuso de identificar.




P.S: Alguém sabe quando sai o Shakespeare do Lampedusa? Ameaçam estas merdas nos jornais e um gajo anda duas semanas a lamber o balcão das livrarias, tirando sempre do bolso a mesma pergunta, até as empregada colocarem a sua face de costureira fascista convencidas de que estão a participar numa sórdida inabilidade de tarado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cláudio

A puta da Fátima Bonifácio deu uma entrevista esta semana em que afirma que era uma das melhores, senão a melhor, alunas do colégio alemão, no tempo em que o colégio alemão devia ter 10 alunos, e demonstra, com prodigiosa eloquência, porque razão Portugal, apesar da banalidade do aforismo, é, com efeito, um país de merda. Ressentida com uma mãe que tinha uma vassoura espetada no cu, que a fez lamber as lágrimas da solidão e do abandono, tem andado pela vida a conservar posições e diz que substituiu a política pela história, porque não há história sem fundamentos filosóficos, o que implica uma tomada de posição política. Isto é tão sabujamente jornalístico que não merece comentário mas gostaria de deixar claro que enquanto as nossas personalidades da «cultura» apresentarem esta indigência intelectual (biografias que nem os académicos valorizam, em torno de políticos do século XIX, e a primeira classificação do colégio alemão) os padrões de exigência, que tão valentemente são apresentados aos alunos medíocres, continuarão humilhantemente baixos, e como tal, também as crianças olharão para pessoas como a Fátima Bonifácio e pensarão: isto é que é um intelectual? E sorrindo continuarão a jogar pacman, o melhor exercício mental desde a descoberta do xadrez, e que muita falta tem feito a pessoas que gostam de «humanidades» porque mistura um conceito de percurso lógico (obstáculos e movimento) com uma insaciável vontade de comer a realidade e seguir em frente.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Veneno italiano

Ontem coloquei um singelo comentário no blogue do João Gonçalves, com alusões a Tucídides, revoluções burguesas e execuções sumárias de parlamentares holandeses do século XVII, comentário esse que, naturalmente, não foi publicado pelo moderador alter-ego do referido blogue que, segundo apontam todas as fontes, deve ser o João Gonçalves mas em paneleiro de esquerda, e não sei se isto é uma retroprojecção psicanalítica do João Gonçalves ou se me faltou a mama (pergutem ao José Gil porque ele leu todo o Ferenczi). Em todo o caso, o ponto reside no elemento de violência que há em toda a cultura de elite, ao contrário do que pensa Vasco Graça Moura (que, juntamente com o João Gonçalves, julga ter sido a única pessoa a ler Dante em Portugal) para quem a ditadura internacional das agências de rating colide com a dignidade humana e as razões de vida atreladas à «cultura». Não só as agências de rating derivam mais directamente de Dante do que o raciocínio de Graça Moura, como a diginidade humana é um pano tão encharcado, para citar um filósofo desconhecido, que o cheiro produzido afasta qualquer nariz dotado da mínima sensibilidade estética. Eu explico a Graça Moura o que é a cultura: é a monstruosa ópera a que assisti no S. Carlos, encomendada pelo comité central do Partido Nacional da Cultura Cassique ao referido poeta e tradutor, e intitulada Banksters, uma lamentável dança de facas sobre o cadáver desse paneleiro de província, sem o mínimo de génio e com o máximo de bolor, José Régio, onde apenas se salvava a encenação de João Botelho que, manifestamente influenciado pelas esplendorosas tardes no estádio da luz (o local mais solitário do mundo, segundo Ruy Belo), procurou dar dignidade a uma ditadura de lugares comuns, banalidades sobre a atração feminina e a perversidade moral do dinheiro. Ora, o que falta, tanto a Gonçalves como a Graça Moura é uma boa enrabadela da vida, elemento essencial para toda a grande obra, ou peça crítica. Quando Horácio conforta Fortimbras após o enevenamento do Príncipe Hamlet, o desgosto entra-lhes pelo cu a dentro e sai magnífico e solene pela boca, e a raiva, ou ressentimento, é o pó de ouro que faz sobressair a tinta negra da sua fúria, ao reconhecerem, ambos, que têm direitos, não reconhecidos, a reclamar sobre o reino, e de passagem reconhecem também que é preciso dar largas à revolta que há no coração do homem, para que não sucedam mais desgraças. É o velho príncipio da revolução que Graça Moura ou Gonçalves não entendem, enquanto acusam a escola de não promover contactos, e o caralho, com os clássicos. Classicamente, os clássicos são para os que podem com eles, em linha recta e sem intermediários de luxo, que antes chouriço de Mirandela, que Dante mascarado de menino do coro.

Da actualidade

em relação ao(s) tema(s) que tem levantado polémica nos ultimos dias, acho bem que sim e tal, mas como disse o segurança que me dá o cartão de acesso a onde me encontro agora, puta que os pariu a todos.

Regressos

é bom voltar a ler o alf. e ao quarto post dele já temos insultos de qualidade. 2012 promete

A irmã morte

Há uns anos atrás li uma biografia de S. Francisco de Assis e chorei no final. Foi como perder um amigo, senti na altura uma tristeza de morte. Apesar disso vivi a alegria de pensar que tinha percebido o sentido das coisas, disto que teimamos em chamar a vida, tipico de idiotice de adolescente parvo que acha que sabe tudo. Falhei redondamente, como este passar de anos o tem provado.

Há uma semana perguntei por ele num jantar de amigos. Ontem ligaram-me e disseram-me que tinha acabado de morrer. Depressa, questão de dias. Numa cama de hospital. O sabor do jantar que rapidamente se tornou azedo com aquele telefonema. O vazio que ficou por não saber.

Saúdo a irmã morte sempre vencedora. Chega baixinho e fica-nos cá dentro. Mais um buraco que levo. Mais uma derrota.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Busquets: um problema democrático

Já várias vezes evidenciei aqui, entre outras coisas, que Maradona se transformou num mito democrático capaz de envergonhar Sólon ou Licurgo, pois nele reside toda a esperança dos que acreditam ser possível olhar para Manuel Cajuda e descortinar nele (isto é, afastar a cortina aristocrática das limitações humanas para observar apenas) um grande algarvio com sentido de humor a quem a sorte não sorriu da mesma maneira que ao Mourinho da Amadora com nome de Judeu. O post sobre Busquets, embora totalmente errado no conteúdo, tem a recorrente virtude de motivar raciocínios, uma coisa que dificilmente João Gonçalves ou Henrique Raposo, ou mesmo um João Galamba, não obstante toda a maquinaria que sustenta as suas vozes ensurdecedoras, raramente conseguem. Veja-se um exemplo:





No que diz respeito a Busquets, com efeito, e sem ele, devo dizer que não apresenta, de facto, nem dotes técnicos extraordinários, nem ordinários, e as operações elemantares que são aduzidas em vídeo, apenas confirmam que o mito do contexto não é um mito, pois só uma mega-instituição de propaganda política como o Barcelona poderia suscitar a confusão entre cabriolas inconsequentes e passos em linha recta, que vi fazer a Paulinho Santos, Beto, ou mesmo a Bynia, contra o mesmo Manchester United (a equipa poderosa mais fraca de toda a galeria de gigantes futebolísticos europeus) e a existência de dotes técnicos extraordinários num jogador totalmente desilegante e mariquinhas como Busquets. Vicente del Bosque chega a dizer que, se fosse futebolista, gostaria de ser como Busquets, mas é evidente que qualquer um de nós, se fosse del Bosque, preferiria ser dono de uma oficina ou mesmo de uma charcutaria gourmet.

Pequenininhos

Esta tentativa indirectamente construída para defender o Presidente da República, com recurso à ironia frouxa (muitas vezes utilizada por pessoas do tipo Rodrigo Moita Deus ou Pedro Picoito) é um sinal de que o argumento político, da esquerda à contra-esquerda, atingiu o seu nível máximo de decadência, e que a famosa e classicamente batida frase de Tucídides, «sagradas são as armas», ganhou direito de cidade. É que invocar actividades mais importantes do que chamar canalha ou estúpido a Anibal Cavaco Silva é um acto de desespero perante a dimensão homérica da tarefa. Não só a fronda contra o Presidente é um desígno nacional, desde que falhámos em 1908 uma verdadeira revolução burguesa, de tipo holandês ou, vá lá, inglês, com execução de todo o parlamento e processos sumários para análise e reciclagem da eficiência das classes mais educadas, como manifestamente há muito pouco que fazer num país onde as elites não têm mais do que João Gonçalves para apresentar como pessoa conservadora que no entanto leu muitos livros.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Paneleiros artísticos e homessexuais de classe

É extraordinário o que podemos aprender com homossexuais que pensam, e cito a título de exemplo, Oscar Wilde, pois articulam os sofrimentos da experiência minoritária (até prova rabal e cabal em contrário) com uma posição privilegiada na charneira das naturezas dominantes. E valha-nos Nossa Senhora, que teve um filho maricas, que existem muitos e com profunda e valiosa experiência. Uma das lições que Wilde nos deixou, na sua voz de ouro e púrpura, é que apenas indivíduos medíocres, artisticamente falando, com todo o respeito, estão disponíveis para louvar as obras, de proporções homéricas, de indivíduos semelhantemente medíocres, e novamente artisticamente falando, com o dobro do respeito atrás referido, porque o artista de génio não tolera uma visão artística que contrarie a sua natureza prodigiosa e única. Eu explico. Vasco Graça Moura é um erudito notável, sobretudo para o padrão muito débil desta nossa pobre comunidade, mas é, ao mesmo tempo e no mesmo espaço, um artista tão fraco, tão frouxo, tão ridiculamente esforçado, tão friamente construído com o cimento grosso dos que suam às litradas, entre milhões de livros especializados, para produzir um verso, que apenas a mediania intelectual dos cidadãos das letras portuguesas explica porque razão continua a publicar obra artística, empalada por lampejos críticos, quando poderia fazer crítica com verdadeira dimensão artística. Não há por aí ninguém que se ofereça para uma imperial e uma conversa a fim de salvar a pouca vida que lhe resta, convertendo-o a tarefas mais adequadas à sua falta de génio e inegável espírito moderado e trabalhador?

Antes da Europa, a escola, um pacotinho de leite e a higine diária

Creio que já aqui repeti diversas vezes que tenho novos propósitos, o que aliás se harmoniza com a conversão espiritual mais espectacular desde que Paulo caiu do cavalo a caminho de Damasco, passando não só a ouvir vozes como a proferir frases típicas de um cruzamento neurológico entre Manuel Cajuda e Philip Roth. Adiante. Henrique Raposo merecia ser sodomizado pelas obras completas de Thomas Jefferson mas à falta de encardenações suficientemente rígidas para o efeito vamos apenas demonstrar que o facto dos nossos média terem narrativas provincianas se correlaciona significativamente não só com o regresso a Salazar como à europeização de Portugal. Desde que Eduardo Lourenço começou a publicar sebentas e resumos das introduções gerais às obras de Hegel e Gil Vicente, onde apenas sobrevive um fedor intolerável a seminário e pipis de Viseu, que as pessoas (olá, pessoas) regressam, com a insistência do piolho, ao problema da Europa e do sentido de Portugal, enfeitiçadas por problemas de psicanálise nacional (José Gil e essas merdas) e direito comparado, o que é admirável, sabendo nós que a maioria dos cidadãos não consegue sequer organizar a sua própria higiene: basta invocar que Mira Amaral, um especialista em inovação e investimento em Angola, produz um baba branca, enquanto fala, e a submete alegremente aos seus interlucotores e espectadores, sem pestanejar, enquanto multiplica estratégias, tão confusas como a mente de Cristina Ferreira, para conduzir as empresas a ultrapassar dificuldades que economistas como Herbert Simon ou Ronald Coase não conseguiram solucinar .




Seria aconselhável que qualquer pessoa que visa comparar Portugal com a «Europa» começasse por: 1) definir conceptualmente o que é a Europa; 2) definir a posição relativa de Portugal face ao conceito. Mas o que é a Europa? Uma entidade geográfica? Uma agremiação cultural? Uma associação recreativa de países com excesso de livros publicados e tendências beligerantes e secretas atrações por genocídios? Um continente onde residem as gajas giras mais cultas do mundo? Um espaço de comércio de luxo? Se europeização de Portugal significa legislação laboral com mecanismos de punição e incentivo desenhados segundo um mínimo denominador comum em relação aos membros da UE, então eu diria que a europeização, e a Europa, pode ser consentânea com tudo o que quiseremos, incluindo o regresso a mecanismos fascistas, pois não se definiram os termos do raciocínio, e argumentos do tipo «a maioria dos países da UE possuem y comportamentos, logo y comportamentos são um dado positivo», apenas revelam que o autor é inculto, pensa mal e induz os leitores em falácias tão grosseiras que só uma imprensa provinciana - e que numa consistente coerência lógia contrata e apoia um autor estúpido, inculto e provinciano - pode tolerar e acolher nos seus braços peludos e brutos, habituados a serviços reles e pouco especializados.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Era sublime, era sublime, era sublime

José Manuel Fernandes
Morreu Gustav Leonhardt, talvez o maior cravista do século XX. Ouvi-lo a tocar Bach era sempre sublime.


Muitas pessoas julgam que o ódio pessoal, que se confunde, muitas vezes, e injustamente, com o argumento ad hominem, uma bela falácia que tanto nos tem auxiliado no esfoço de comunicação, é movido por ressentimentos, falhas de carácter, questões por resolver, algures num passado longínquo e revolucionário, e não conferem a devida importância a uma coisa a que Nabokov chamava a sensibilidade espinal, isto é, sentido estético. Sobre o problema que apaixona neste momento os portugueses, as especulações de Cavaco Silva sobre o seu orçamento familiar e a relação econométrica entre poupança e 48 anos de casamento com uma mulher, tenho a dizer que.

Dostoievsky e o jogador (de futebol)

Na vida de um profissional de futebol, as lesões podem inverter um ciclo de sucesso ou catapultar um jogador medíocre para uma fulgurante carreira de massagista. Na medida em que as minha possibilidades internas voltam a proporcionar-me vontade de perder tempo, aqui estou, após tão dolorosa ausência (muito mais do que os shakespereanos 5o invernos) porque o país, manifestamente, se afundou entre gritos de pânico, muita histeria e a contratação de Ribas, uma desesperada tentativa para fazer esquecer que os clubes aristocráticos só sobrevivem na Inglaterra. Na primeira série, a nossa fasquia foi constituída por uma linkagem do maradona, o que foi alcançado num tempo record, mas não sem vários estiramentos da zona lombar e uma viagem malograda à zona de Cacilhas. Desta feita (uma das expressões mais esquecidas na obra de walter hugo mãe) temos objectivos bem claros: 1) enriquecer por meio da publicidade de uma personalidade vigorosa e excitante como a nossa; 2) tentar provocar tendências suicidas no José Manuel Fernandes e Mário Crespo; 3) iniciar uma prática de crítica insistente, prolongada e catalizadora de todas as pessoas que têm sucesso literário e pelas quais nutrimos uma profunda inveja motivada por falta de mama a partir dos 6 meses e uma pilinha muito, mas mesmo muito pequenininha.; 4) apresentar soluções (para transformar Portugal num foguetão) no sentido de tornar a vida de todos os portugueses um pouco mais desenvolvida e a caminho da internacionalização interplanetária. Parece que morreu um Teotónio Pereira o que é sempre de lamentar, lamentar, lamentar. Obrigado por terem esperado, vós, os que viram o que ninguém foi capaz de ver.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O dia dos prodígios

Em 32 anos de vida nesta terra, vi ontem com estes que a terra há-de comer, o Sporting a ser beneficiado pelo árbitro e o Isaltino a ser preso. Tenham um bom fim-de-semana.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O país transforma-se não se transformando

Após ler, fiquei com a ideia que o Bruno Carvalho está irritado por Portugal não corresponder ao seu ideal de país, e não por causa das histórias de corrupção e degradação moral que relata. Um tiranete em potência.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Afinal somos todos buracos de um queijo

O pior desta história do buraco da Madeira, é o sentimento de impunidade que vem ao de cima. Fala-se nuito, chuta-se a agua do capote, procuram-se responsaveis, mas no final pagamos nós. E se confirmar a história do TGV só com uma linha, parece-me obvio que será apenas de saida daqui para outro lugar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ainda vamos ser campeões

Mais uma semana que começa. A A5 que já está cheia. O sporting que ganhou. O Seguro é só mais um fala barato. Apenas banalidades de quem passou o domingo num quintal debaixo de um chapeu de sol. Com quem estimamos. Precioso.