
sexta-feira, 24 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Relato de um percurso de 30 minutos a pé por Lisboa
8h00. No cruzamento da Av. de Duque de Loulé com a Luciano Cordeiro passo pelo R2D2, vidrão nas horas vagas
8h10. Um aviso bi-sensorial dos tempos que se avizinham, ao topo da Sousa Martins. A fotografia abaixo e o odor nauseabundo a mictório (ainda não fotografável nem blogável)
8h15. No Saldanha, o duque passa o tempo a apontar para o marquês (simbolismo político da tragédia grega e em breve, lusitana) e não se apercebeu das duas fachadas adulteradas no mesmo prédio.
8h15. Um aviso a quem de direito no prédio ao lado
Eu traduzo: "Se não querem ver isto tudo fodido, apanhem-me antes de fazer o próximo"
Amanhã há mais.
8h10. Um aviso bi-sensorial dos tempos que se avizinham, ao topo da Sousa Martins. A fotografia abaixo e o odor nauseabundo a mictório (ainda não fotografável nem blogável)
8h15. Um aviso a quem de direito no prédio ao lado
Amanhã há mais.
sábado, 4 de junho de 2011
Várias e determinadas coisas que eu já ando para dizer há algum tempo
Amanhã vou votar. Não tenho fé na democracia, muito menos aplicada a Portugal. Nenhum dos candidatos me inspira um módico de confiança ou esperança num futuro melhor. O meu voto não conta para nada. Não sei ainda quem vai levar a cruz, mas sei bem quem é o primeiro-ministro cessante que não ficar com ela. Vou votar porque nestes tempos têem que se tomar decisões difíceis e não para se estar de fora a gritar que são todos uns corruptos e uns incompetentes (que o são).
Na semana que hoje termina li três livros do Dinis Machado. Ok, para ser correcto um do Dinis Machado e dois do Dennis McShade. No "Mulher e Arma com Guitarra Espanhola", um dos gangsters passa o tempo a ouvir obcessivamente o "Concerto de Aranjuez". Como eu o entendo.
Finalmente, uma palavra de agradecimento sincero aos graffiters que andam a pintar os prédios devolutos. Gosto imenso de graffiti e cada vez que descubro um novo sinto-me como um pirata que acaba de desenterrar um tesouro numa qualquer ilha deserta. Gosto de viver numa cidade assim.
Na semana que hoje termina li três livros do Dinis Machado. Ok, para ser correcto um do Dinis Machado e dois do Dennis McShade. No "Mulher e Arma com Guitarra Espanhola", um dos gangsters passa o tempo a ouvir obcessivamente o "Concerto de Aranjuez". Como eu o entendo.
Finalmente, uma palavra de agradecimento sincero aos graffiters que andam a pintar os prédios devolutos. Gosto imenso de graffiti e cada vez que descubro um novo sinto-me como um pirata que acaba de desenterrar um tesouro numa qualquer ilha deserta. Gosto de viver numa cidade assim.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Mitos de um país
Mito: A democracia em Portugal não funciona porque 2/3 dos eleitores não têem o 9º ano de escolaridade.
Realidade: O presidente das Estradas de Portugal renogociou os contractos das SCUTS e demite-se logo a seguir. Em resultado desta "renegociação", a dívida do Estado passa de 178 milhões para 10 mil milhões. Metade do bolo calhou á ASCENDI, do grupo Espírito Santo onde o ex-presidente se encontra agora a trabalhar.
O responsável, Almerindo Marques, licenciou-se em 1969 no ISEG.
Realidade: O presidente das Estradas de Portugal renogociou os contractos das SCUTS e demite-se logo a seguir. Em resultado desta "renegociação", a dívida do Estado passa de 178 milhões para 10 mil milhões. Metade do bolo calhou á ASCENDI, do grupo Espírito Santo onde o ex-presidente se encontra agora a trabalhar.
O responsável, Almerindo Marques, licenciou-se em 1969 no ISEG.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Rana Farhan ou como eu ontem fui agradavelmente surpreendido
pelo filme "Os Gatos Persas", sobre uma banda que tenta fazer pela vida no Irão. Sob o pretexto de encontrar mais elementos para a banda, vamos conhecendo a música rock/pop/blues/heavy metal iraniana. Não é um documentário, mas retrata um aspecto da vida no Irão. Não é um musical, mas qualquer pretexto é bom para passar uma musiquinha. É um bom filme, que faz mais pela revolta verde que imagens de feridos e mortos na televisão. Afinal, a música é uma linguagem universal. Fiquem-se com a Rana Farhan.
Se alguém me souber indicar quem são os moços que aparecem antes da Rana no filme, ficava-lhe eternamente grato. Os iranianos que me acompanharam ao cinema não me souberam dizer.
Se alguém me souber indicar quem são os moços que aparecem antes da Rana no filme, ficava-lhe eternamente grato. Os iranianos que me acompanharam ao cinema não me souberam dizer.
terça-feira, 17 de maio de 2011
O robot do ngoncalves é melhor que o meu
Tenho andado calado. Mas não me esqueci disto aqui. Desliguei foi a TV e por isso não sei nada do que se passa. O D.Quixote é muito bom de se ler. Já lá vão 5 capitulos. Só faltam 900 páginas.
domingo, 15 de maio de 2011
Bendita seja a Nossa Senhora das Autorizações Escritas
Para conseguir acabar o doutoramento, tenho andado nestas últimas semanas a passear um robot pelo campus doTécnico. Regra geral, sempre por volta das 17h em dias de semana, que é quando se verifica um considerável volume de tráfico automóvel derivado ao zelo dos funcionários em sair a tempo e horas do local de trabalho. Para além dos olhares tipo "olha pó crómo c'ali vai", nunca ninguém me incomodou durante os passeios.
Hoje, no justo e exacto dia em que não havia em todo o campus mais de 5 carros, vem ter comigo um dos seguranças (os antigos Mikes) de carro para me explicar que, passo a citar, "sem autorização escrita do professor responsável você não pode andar com o robot pelo Técnico." Porque, e volto a citar, "pode desaparecer com o equipamento e depois é uma chatice." Claro está que o senhor foi simpático comigo já que, novamente cito, "eu até conheço o senhor, sei que não há problema".
Este tipo de coisas é típico do Técnico, e aventuro-me, de provavelmente o resto do país. Porque haveria um funcionário fazer uso do seu bom senso ou puxar pelas meninges quando basta uma prece à Nossa Senhora das Autorizações Escritas para lhe resolver os enigmas insofismáveis que todos os dias lhe aparecem no local de trabalho. O senhor deseja defecar na porta de entrada enquanto canta o malhão e bate palmas ? Tem autorização escrita ? Pois então, ó meu amigo esteja à vontade.
Hoje, no justo e exacto dia em que não havia em todo o campus mais de 5 carros, vem ter comigo um dos seguranças (os antigos Mikes) de carro para me explicar que, passo a citar, "sem autorização escrita do professor responsável você não pode andar com o robot pelo Técnico." Porque, e volto a citar, "pode desaparecer com o equipamento e depois é uma chatice." Claro está que o senhor foi simpático comigo já que, novamente cito, "eu até conheço o senhor, sei que não há problema".
Este tipo de coisas é típico do Técnico, e aventuro-me, de provavelmente o resto do país. Porque haveria um funcionário fazer uso do seu bom senso ou puxar pelas meninges quando basta uma prece à Nossa Senhora das Autorizações Escritas para lhe resolver os enigmas insofismáveis que todos os dias lhe aparecem no local de trabalho. O senhor deseja defecar na porta de entrada enquanto canta o malhão e bate palmas ? Tem autorização escrita ? Pois então, ó meu amigo esteja à vontade.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Há notícias que são e outras que não se sabe
Os juízes do Tribunal de Contas queixam-se de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros. A denúncia consta de um relatório de auditoria às parcerias público-privadas rodoviárias, que vai ser aprovado na próxima semana.
Se os juízes sabem que a informação prestada é falsa então porque é que vão aprovar os contractos ? Algo não bate certo nesta "notícia".....
Se os juízes sabem que a informação prestada é falsa então porque é que vão aprovar os contractos ? Algo não bate certo nesta "notícia".....
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Com exemplos não se provam argumentos
Em Portugal, que instituições têm sido dirigidas pela mesma pessoa (e não um partido ou um clã) durante dez ou mais anos ?
De memória, o Pinto da Costa no FCP, o Alberto João na Madeira, o Gilberto Madaíl na FPF, o Francisco Louça no BE, o Portas no PP. E dois exemplos que conheço melhor, o Mariano Gago no MCTES e o Narciso Mota na Câmara Municipal de Pombal.
Primeira nota. Não estou a querer louvar nenhuma destas pessoas ou sequer indentificá-las como líderes magníficos e gestores brilhantes. São apenas exemplos de gente que ocupa o mesmo cargo há já bastante tempo, por comparação com outros em instituições semelhantes.
Segunda nota. Não estou a pretender argumentar que estas instiuições servem como exemplos modelo de funcionamento e gestão. Se assim fosse, o problema do FMI resolvia-se com chocolates e fruta antes cada ronda negocial.
Então aonde é que quero chegar ? Que do ponto de vista dos interesses mesquinhos e egoístas das instituições, manter o mesmo chefe (é disto que estamos a falar) durante largos anos é extremamente benéfico. O BE, por exemplo, há 12 anos atrás era um conglomerado de gente sem qualquer expressão eleitoral. Hoje tem 3 deputados europeus, 16 nacionais e é grande o suficiente para meter medo ao PCP e ao PS. Nos restantes exemplos, os resultados falam por si.
E mais importante que os benefícios qualitativos que o chefe de longa duração possa trazer (que ao fim e ao cabo serão sempre subjectivos), é o estabelecimento de uma forma de trabalho e de uma ideia de instituição. Contra as quais é possível construir uma oposição, fazer uma revolta, identificar alternativas. E este é o aspecto fundamental. Se for tudo a mesma merda (vide PS, PSD, PP e BE) acabamos neste marasmo de onde não se vislumbra saída. Exceptuando o BE que ainda não provou o doce sabor da governação, os três restantes partidos não oferecem alternativa. Pior, os partidos mais pequenos não se conseguem fazer ouvir nem representar numa época em (supostamente) os média são livres.
Aqui chegados, convêm ter presente que uma coisa é gerir uma agremiação de interesses, outra é gerir um país. Longe de mim querer um Alberto João ou um Pinto da Costa a presidir em Belém aos destinos do país. É portanto necessário encontrar uma forma para escolher o chefe de longa duração de tal forma que a coisa não produza ditaduras tal como a que tivemos no passado recente. Talvez um colégio eleitoral ? Sinceramente ainda não sei.
A meu ver, o principal problema desta forma de organização governativa sofre do problema da personalização. A Madeira e o FCP são casos paradigmáticos. No dia em que ou o Pinto da Costa for forçado a sair (provavelmente pela morte), o que vai ser do FCP ? Que eu saiba não se conhece dissidência ao homem, para além de alguns arrufos por causa de dinheiros de transferências. É portanto vital que o chefe de longa duração não seque o país, tal como fez o Salazar.
De memória, o Pinto da Costa no FCP, o Alberto João na Madeira, o Gilberto Madaíl na FPF, o Francisco Louça no BE, o Portas no PP. E dois exemplos que conheço melhor, o Mariano Gago no MCTES e o Narciso Mota na Câmara Municipal de Pombal.
Primeira nota. Não estou a querer louvar nenhuma destas pessoas ou sequer indentificá-las como líderes magníficos e gestores brilhantes. São apenas exemplos de gente que ocupa o mesmo cargo há já bastante tempo, por comparação com outros em instituições semelhantes.
Segunda nota. Não estou a pretender argumentar que estas instiuições servem como exemplos modelo de funcionamento e gestão. Se assim fosse, o problema do FMI resolvia-se com chocolates e fruta antes cada ronda negocial.
Então aonde é que quero chegar ? Que do ponto de vista dos interesses mesquinhos e egoístas das instituições, manter o mesmo chefe (é disto que estamos a falar) durante largos anos é extremamente benéfico. O BE, por exemplo, há 12 anos atrás era um conglomerado de gente sem qualquer expressão eleitoral. Hoje tem 3 deputados europeus, 16 nacionais e é grande o suficiente para meter medo ao PCP e ao PS. Nos restantes exemplos, os resultados falam por si.
E mais importante que os benefícios qualitativos que o chefe de longa duração possa trazer (que ao fim e ao cabo serão sempre subjectivos), é o estabelecimento de uma forma de trabalho e de uma ideia de instituição. Contra as quais é possível construir uma oposição, fazer uma revolta, identificar alternativas. E este é o aspecto fundamental. Se for tudo a mesma merda (vide PS, PSD, PP e BE) acabamos neste marasmo de onde não se vislumbra saída. Exceptuando o BE que ainda não provou o doce sabor da governação, os três restantes partidos não oferecem alternativa. Pior, os partidos mais pequenos não se conseguem fazer ouvir nem representar numa época em (supostamente) os média são livres.
Aqui chegados, convêm ter presente que uma coisa é gerir uma agremiação de interesses, outra é gerir um país. Longe de mim querer um Alberto João ou um Pinto da Costa a presidir em Belém aos destinos do país. É portanto necessário encontrar uma forma para escolher o chefe de longa duração de tal forma que a coisa não produza ditaduras tal como a que tivemos no passado recente. Talvez um colégio eleitoral ? Sinceramente ainda não sei.
A meu ver, o principal problema desta forma de organização governativa sofre do problema da personalização. A Madeira e o FCP são casos paradigmáticos. No dia em que ou o Pinto da Costa for forçado a sair (provavelmente pela morte), o que vai ser do FCP ? Que eu saiba não se conhece dissidência ao homem, para além de alguns arrufos por causa de dinheiros de transferências. É portanto vital que o chefe de longa duração não seque o país, tal como fez o Salazar.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Somos um país lusco-fusco
Uma possível resposta à pergunta aqui deixada. Não é original, já O Miguel Esteves Cardoso tinha dito falado na permanente insatisfação que nos caracteriza. E o Pedro Arroja fala constantemente em Portugal como uma figura feminina.
Nunca estamos contentes com nada, existe sempre algo no país que deve ser mudado e melhorado, porque na Alemanha é assim, na Islândia é assado e em Inglaterra cozido. E não se admite que no século XXI, em plena Europa, ainda ... (inserir situação escandalosa e terminar com um sonoro "por isso é que este país nao avança"), etc...
E o resultado é uma multiplicação de esforços, uma divisão de recursos que raramente produz efeito. E lá caímos outra vez na insatisfação. Por isso é que é tão difícil governar este rectângulo de terra. Não se pode ceder a todas as exigências, a maior parte terá que ser ignorada.
A tradição da nossa democracia dita exactamente o contrário. O povo reclama, o povo tem. E com povo quero dizer qualquer agremiação com ligação directa aos média ou ao palácio de São Bento. E actualmente, não existem distinções entre os dois. Existem excepções, como Canas de Senhorim, mas convenhamos que são excepções.
Estou convicto que a democracia, à lá mundo civilizado, não se aplica a Portugal. Anteontem mesmo, o primeiro-ministro anunciava com alegria a suspensão da democracia por cinco anos. E o evento cívico de 5 de Junho tem como único propósito escolher o Miguel de Vasconcelos para os próximos cinco anos.
Note-se, não estou contra o que na generalidade, a troika nos impõe. Apenas que a decisão sobre o caminho a percorrer tem de ser feita de livre vontade. Daqui a cinco anos, anuncia-se o fim da crise (tal como o primeiro-ministro fez periodicamente no passado) e lá vamos nós outra vez ceder a tudo quanto é exigência, necessidade e ou opção estratégica para o país. Portanto, estou convencido que a democracia não é viavél em Portugal.
Voltar para trás também não, para trás mija a burra. Um regime com uma polícia política e personalizado num líder carismático funciona bem apenas enquanto o líder tiver forças para continuar. E sufoca de tal forma a vida intelectual do país, que no dia em que o poder cair nas rua existem apenas ideias enviesadas e tóxicas para o substituir. Ainda hoje considero um milagre Portugal não ter virado comuna em 74.
Uma monarquia também me parece impensável nestes tempos. Que eu saiba, nenhuma dinastia subiu ao trono em Portugal sem antes limpar o sebo à concorrência. A única coisa que os bigodes de Cascais matam é perdiz e lebre, e apenas ao fim-de-semana em espaços próprios para o efeito. Tudo demasiado conforme as regras, mentalidade imprópria para revoluções.
Então fazemos o quê ? Uma possível solução é eleger, periodicamente, um tirano. Eu sei, parece absurdo, mas primeiro estranha-se e depois entranha-se. Escolher uma pessoa, a cada dez ou vinte anos, entregar-lhe as chaves da cidade e deixá-lo fazer o que bem entender. A principal vantagem que vejo nesta solução é moral. Seja quem for que controle a cidade, faça-o da forma que fizer, o povo tem sempre uma figura contra quem a revolta é moralmente legítma. Tem um ponto em que centrar as suas fúrias e as suas bajulações. Evita-se a dispersão de recursos e de vontades. E como todos sabemos, o povo unido jamais será vencido.
Nunca estamos contentes com nada, existe sempre algo no país que deve ser mudado e melhorado, porque na Alemanha é assim, na Islândia é assado e em Inglaterra cozido. E não se admite que no século XXI, em plena Europa, ainda ... (inserir situação escandalosa e terminar com um sonoro "por isso é que este país nao avança"), etc...
E o resultado é uma multiplicação de esforços, uma divisão de recursos que raramente produz efeito. E lá caímos outra vez na insatisfação. Por isso é que é tão difícil governar este rectângulo de terra. Não se pode ceder a todas as exigências, a maior parte terá que ser ignorada.
A tradição da nossa democracia dita exactamente o contrário. O povo reclama, o povo tem. E com povo quero dizer qualquer agremiação com ligação directa aos média ou ao palácio de São Bento. E actualmente, não existem distinções entre os dois. Existem excepções, como Canas de Senhorim, mas convenhamos que são excepções.
Estou convicto que a democracia, à lá mundo civilizado, não se aplica a Portugal. Anteontem mesmo, o primeiro-ministro anunciava com alegria a suspensão da democracia por cinco anos. E o evento cívico de 5 de Junho tem como único propósito escolher o Miguel de Vasconcelos para os próximos cinco anos.
Note-se, não estou contra o que na generalidade, a troika nos impõe. Apenas que a decisão sobre o caminho a percorrer tem de ser feita de livre vontade. Daqui a cinco anos, anuncia-se o fim da crise (tal como o primeiro-ministro fez periodicamente no passado) e lá vamos nós outra vez ceder a tudo quanto é exigência, necessidade e ou opção estratégica para o país. Portanto, estou convencido que a democracia não é viavél em Portugal.
Voltar para trás também não, para trás mija a burra. Um regime com uma polícia política e personalizado num líder carismático funciona bem apenas enquanto o líder tiver forças para continuar. E sufoca de tal forma a vida intelectual do país, que no dia em que o poder cair nas rua existem apenas ideias enviesadas e tóxicas para o substituir. Ainda hoje considero um milagre Portugal não ter virado comuna em 74.
Uma monarquia também me parece impensável nestes tempos. Que eu saiba, nenhuma dinastia subiu ao trono em Portugal sem antes limpar o sebo à concorrência. A única coisa que os bigodes de Cascais matam é perdiz e lebre, e apenas ao fim-de-semana em espaços próprios para o efeito. Tudo demasiado conforme as regras, mentalidade imprópria para revoluções.
Então fazemos o quê ? Uma possível solução é eleger, periodicamente, um tirano. Eu sei, parece absurdo, mas primeiro estranha-se e depois entranha-se. Escolher uma pessoa, a cada dez ou vinte anos, entregar-lhe as chaves da cidade e deixá-lo fazer o que bem entender. A principal vantagem que vejo nesta solução é moral. Seja quem for que controle a cidade, faça-o da forma que fizer, o povo tem sempre uma figura contra quem a revolta é moralmente legítma. Tem um ponto em que centrar as suas fúrias e as suas bajulações. Evita-se a dispersão de recursos e de vontades. E como todos sabemos, o povo unido jamais será vencido.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Porquê ?
Basta passar os olhos pelo que se passa para lá fora para perceber que, mutatis mutandis, temos políticos, média e economia na tão maus quanto o resto do mundo. Assim sendo, porque é que nós estamos constantemente a chover no molhado, com uma visita do FMI a cada década, e o resto do mundo parece aguentar-se alegremente ? O que é que nós estamos a fazer de errado ?
terça-feira, 3 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Do fundamentalismo
Entretanto acordei hoje a saber que mataram o bin Laden. Ao ver as reacções ao longo do dia e especialmente os festejos, não posso deixar de pensar que não andam longe dos mesmos fundamentalistas que pretendem dar caça. Ou como no que melhor li sobre este assunto: "Festejar a morte de Bin Laden como se de uma vitória no Super Bowl se tratasse perpetua o Carnaval do ódio trivializando a vingança enquanto hipótese de justiça."
De regresso
Após uma pausa de alguns dias. Consegui um facto histórico de iniciar a leitura de um livro e acaba-la. Enganam-se se pensaram que era o programa eleitoral do ps. De facto fiz um exercício de me afastar do email e dos blogues por mais de uma semana. E o mais surpreendente para mim: não me fizeram falta nenhuma. O campo tem destas coisas. Roçar mato ou ficar simplesmente à espera que o chapim pouse.
Tenho escutado e lido com cada coisa que até me arrepio
A semana passada era tópico recorrente a comparação Portugal hoje com o país no tempo do Salazar. Penso que todos nós entendemos os saudosismo do passado, frequentemente idealizado nos bons velhos tempos. Por isso que exista quem suspire pelo Salazar, eu entendo. E em certa medida compreendo, pois havia muito menos incerteza já que o poder estava concentrado nas mãos de apenas um homem advesso a aventuras. Se alguém quer realmente voltar a estes tempos, não sei. Eu já antes aqui o disse, a ditadura é em certo sentido romântica pois encoraja actos de transgressão social que não podem ser tolerados em liberdade. Talvez seja isso de que muitos sentem falta.
Depois dizem-me que antigamente não havia déficit porque não havia infraestructuras nem apoio social. Para começar, a afirmação é falsa e serve de base ao mito muito comum de que até ao dia 24 de Abril de 1974 todo o país vivia em cabanas feitas de estrume, caminhava descalço e nú por terrenos ermos. Segundo, ignora-se a conclusão óbvia de que se nos endividámos para ter este bem-estar social, então ele não vai durar muito mais. É muito bonito termos hospitais quasi-gratuitos, mas esquecemos-nos que são quasi-gratuitos porque pedimos emprestado para os pagar.
E depois o Pacheco Pereira publica isto. Eu não entendo como é que alguém com a cultura do Pacheco Pereira não percebe que em democracia não se pode insultar o adversário, e que dê por onde der, o discurso tem que ser sempre cordial e pacificador. Não me confundam, não temos que ser mosquinhas mortas e concordar com tudo e todos. Mas não podemos ser agressivos, birrentos e trauliteiros. Este tipo de comportamento é o Rubicão da democracia. Depois de cruzado, já não se volta atrás. Não dá votos ? Azar para a democracia e o país.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Uma grande malha
tal qual a que o Villa Real levou ontem do Porto. Alvíssaras a quem me souber dizer o nome do baterista.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Coisas que me deixam perplexo
Porque é que nos últimos tempos o Presidente da República, o Fernando Nobre e o Passos Coelho andam entretidos a escrevinhar no Facebook ? Já vem sendo raro o dia em que não aparece uma notícia sobre o que esta gente escreveu no Facebook.
Perecebe-se a estratégia de marketing. Afinal, já vem sendo raro o dia em que não aparece uma notícia sobre o que esta gente escreveu no Facebook.
Façamos uma pausa. Os cidadãos são bombardeados diariamente com notícias e mensagens publicitárias. No meio desta cacofonia, uma forma de se fazer ouvir é gritar mais alto que os adversários. Outra é usar atalhos (Facebook) para os ouvidos e mentes das gentes.
Correcto. Mas então que democracia é esta, que vive e se alimenta do soundbyte ? Se os cidadãos não têem 5 minutos livres para digerir o que escutam, então como é que podem decidir com um mínimo de responsabilidade ? Se esta democracia é mais um espetáculo mediático, então para que a queremos ?
Perecebe-se a estratégia de marketing. Afinal, já vem sendo raro o dia em que não aparece uma notícia sobre o que esta gente escreveu no Facebook.
Façamos uma pausa. Os cidadãos são bombardeados diariamente com notícias e mensagens publicitárias. No meio desta cacofonia, uma forma de se fazer ouvir é gritar mais alto que os adversários. Outra é usar atalhos (Facebook) para os ouvidos e mentes das gentes.
Correcto. Mas então que democracia é esta, que vive e se alimenta do soundbyte ? Se os cidadãos não têem 5 minutos livres para digerir o que escutam, então como é que podem decidir com um mínimo de responsabilidade ? Se esta democracia é mais um espetáculo mediático, então para que a queremos ?
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Ainda só vou a meio
mas estou a gostar bastante. A falta que não fazem uma ou duas cadeiras de Filosofia e História da Ciência nos cursos de engenharia deste país.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Gary Lineker revisitado
"Soccer is a game for 22 people that run around, play the ball, and one referee who makes a slew of mistakes, and in the end Germany Mourinho always wins."
segunda-feira, 18 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Um pequeno reparo a este tipo de impertinências
Pusemo-nos a jeito e neste momento nenhum país nos respeita. Somos vistos como irresponsáveis e aldrabões inconfiáveis, que falam, falam, não resolvem nada e esperam ajudas e subsídios. É merecido? Podem tentar desculpar-nos com os políticos, mas quem escolheu os políticos que nos representam?
Chamo a atenção para um pequeno pormenor, mas já se sabe que é atrás destes que o Diabo se esconde. Os portugueses escolheram por duas vezes o PS do Sócrates ? Sim, mas convêm perceber quais eram as alternativas. Em 2005, escolheram o PS de Sócrates a Santana Lopes, que fora ser lagarto não tem ponta que se lhe pegue. Repetindo para que fique bem vincado nas meninges de suas senhorias. As eleições de 2005 tiveram Sócrates vs Santana Lopes. Dizer que os portugueses votaram ou escolheram o Sócrates é um tanto ou quanto exagerado. Existiu realmente escolha ?
Em 2009 tivemos o PS de Sócrates vs a Ferreira Leite. Que eu me lembre, foi esta senhora quem introduziu a contabilidade criativa nas contas do estado durante a regência do cavalheiro que oportunamente se pisgou para Bruxelas. E que era a favor do TGV quando não estava a masturbar números no Excel. E que a sua solução para o défice traduziu-se em aumento da receita. Existiu realmente escolha ?
Em 2011 temos novamente o PS de Sócrates vs um Sócrates de plástico que apenas de diferencia pela incompetência inata para o jogo político. Sendo que os que debitaram horas de discurso contra o estado na Nação, agora recusam a entrar na bulha. Existe realmente escolha ?
E preciso de lembrar que a abstenção nas duas eleições foi superior a 40% ? Senhores, começo a ficar um bocado farto de se tentar passar esta imagem dos portugueses como brutos que trocam os votos por um tinto a acompanhar o pedaço de bacalhau seco. Era falsa na época do Eça de Queiróz, é falsa agora.
Chamo a atenção para um pequeno pormenor, mas já se sabe que é atrás destes que o Diabo se esconde. Os portugueses escolheram por duas vezes o PS do Sócrates ? Sim, mas convêm perceber quais eram as alternativas. Em 2005, escolheram o PS de Sócrates a Santana Lopes, que fora ser lagarto não tem ponta que se lhe pegue. Repetindo para que fique bem vincado nas meninges de suas senhorias. As eleições de 2005 tiveram Sócrates vs Santana Lopes. Dizer que os portugueses votaram ou escolheram o Sócrates é um tanto ou quanto exagerado. Existiu realmente escolha ?
Em 2009 tivemos o PS de Sócrates vs a Ferreira Leite. Que eu me lembre, foi esta senhora quem introduziu a contabilidade criativa nas contas do estado durante a regência do cavalheiro que oportunamente se pisgou para Bruxelas. E que era a favor do TGV quando não estava a masturbar números no Excel. E que a sua solução para o défice traduziu-se em aumento da receita. Existiu realmente escolha ?
Em 2011 temos novamente o PS de Sócrates vs um Sócrates de plástico que apenas de diferencia pela incompetência inata para o jogo político. Sendo que os que debitaram horas de discurso contra o estado na Nação, agora recusam a entrar na bulha. Existe realmente escolha ?
E preciso de lembrar que a abstenção nas duas eleições foi superior a 40% ? Senhores, começo a ficar um bocado farto de se tentar passar esta imagem dos portugueses como brutos que trocam os votos por um tinto a acompanhar o pedaço de bacalhau seco. Era falsa na época do Eça de Queiróz, é falsa agora.
Para que fique registado algures
Não sei porque o apagou, mas o besugo escreveu isto, como quem escreve numa pedra:
"Há agora um canal na MEO, o 16, que é utilizado para dar tempo de antena aos economistas. Já tentei poupar retirando aquela merda (como já fiz com outros canais que tinha - e ao Mezzo custou-me bastante mandá-lo às malvas), mas não se consegue. Faz parte do pacote grátis. Um senhor de testa bastante baixa e uma senhora que me pereceu retirada dum filme do Allen (e que disse várias coisas, eu até retive uma, que ela repetiu até lhe cortarem a palavra, que era "já não há paciência!") dedicaram-se a explicar ao entrevistador de serviço (melhor dizendo, "do serviço") que "agora é só ELES, os funcionários públicos, dizerem adeus ao trabalho, ao subsídio de férias, ao de Natal e a mais uma fatia dos ordenados". E que, mesmo assim, "isso não vai chegar, porque é preciso que a política dê lugar à técnica". Ou seja: os tempos de agora, segundo eles, são com eles, os economistas. Que nos valha Deus. Esta gente reduz a números a melhor das intenções e eleva ao nível da "quase literatura" a contabilidade. Esta gente não funciona sem o Excel e sem máquina de operar (recuso-me a chamar "máquina de calcular" a um ábaco singelo de tão modernaço). Que nos valha Deus, alumiando os nossos políticos de maneira tão espantosa que eles nos surpreendam dispensando, competentemente e de vez absoluta, estes ansiosos e ambiciosos economistas fortuitos da opinião - remetendo-os à opinião, apenas. Que nos valha Deus, punindo José Barroso pela pusilanimidade cherniana que mantém desde os tempos do MRPP e que, agora, cada vez mais anafadamente, pavoneia nos salões da "europeia coorte". Que nos valha Deus, fazendo com que cada vez mais de nós percebamos, sem paneleirices, que quanto mais nos agachamos mais se nos vê o orifício inserido na anatomia bojuda do nosso "sim, senhor". Não me fodam, senhores. Não me fodam mais. Nunca me fodam, sobretudo, ao ponto de essa vossa pequenina mas nojenta foda começar a mexer-me com a minha natureza plácida, a minha vontade crescente de retaliar, de me fundamentalizar, de vos acabar com a léria e com a vida. Não fiz nada mal, caralho, nada. Não me fodam. Não me chateiem, não me apontem, não tentem tolher-me, não me apouquem, não me lixem, a sério, não me punam por ter sido e continuar a tentar ser melhor do que vós. Já basta de canalha a fazer-se de meu Pai, de minha Mãe. A fazer-se passar pelo tutor que não pedi e não mereço, que eu não preciso de mitras nem mereço tutorias. Não me fodam mais, que eu estou a ficar farto, pelo amor de Deus."
"Há agora um canal na MEO, o 16, que é utilizado para dar tempo de antena aos economistas. Já tentei poupar retirando aquela merda (como já fiz com outros canais que tinha - e ao Mezzo custou-me bastante mandá-lo às malvas), mas não se consegue. Faz parte do pacote grátis. Um senhor de testa bastante baixa e uma senhora que me pereceu retirada dum filme do Allen (e que disse várias coisas, eu até retive uma, que ela repetiu até lhe cortarem a palavra, que era "já não há paciência!") dedicaram-se a explicar ao entrevistador de serviço (melhor dizendo, "do serviço") que "agora é só ELES, os funcionários públicos, dizerem adeus ao trabalho, ao subsídio de férias, ao de Natal e a mais uma fatia dos ordenados". E que, mesmo assim, "isso não vai chegar, porque é preciso que a política dê lugar à técnica". Ou seja: os tempos de agora, segundo eles, são com eles, os economistas. Que nos valha Deus. Esta gente reduz a números a melhor das intenções e eleva ao nível da "quase literatura" a contabilidade. Esta gente não funciona sem o Excel e sem máquina de operar (recuso-me a chamar "máquina de calcular" a um ábaco singelo de tão modernaço). Que nos valha Deus, alumiando os nossos políticos de maneira tão espantosa que eles nos surpreendam dispensando, competentemente e de vez absoluta, estes ansiosos e ambiciosos economistas fortuitos da opinião - remetendo-os à opinião, apenas. Que nos valha Deus, punindo José Barroso pela pusilanimidade cherniana que mantém desde os tempos do MRPP e que, agora, cada vez mais anafadamente, pavoneia nos salões da "europeia coorte". Que nos valha Deus, fazendo com que cada vez mais de nós percebamos, sem paneleirices, que quanto mais nos agachamos mais se nos vê o orifício inserido na anatomia bojuda do nosso "sim, senhor". Não me fodam, senhores. Não me fodam mais. Nunca me fodam, sobretudo, ao ponto de essa vossa pequenina mas nojenta foda começar a mexer-me com a minha natureza plácida, a minha vontade crescente de retaliar, de me fundamentalizar, de vos acabar com a léria e com a vida. Não fiz nada mal, caralho, nada. Não me fodam. Não me chateiem, não me apontem, não tentem tolher-me, não me apouquem, não me lixem, a sério, não me punam por ter sido e continuar a tentar ser melhor do que vós. Já basta de canalha a fazer-se de meu Pai, de minha Mãe. A fazer-se passar pelo tutor que não pedi e não mereço, que eu não preciso de mitras nem mereço tutorias. Não me fodam mais, que eu estou a ficar farto, pelo amor de Deus."
domingo, 10 de abril de 2011
Eu até era capaz de fazer um texto para ligar isto tudo mas
está um dia lindo e agora não me apetece.
O Novo Mundo, descobri-o recentemente. Dá um certo trabalho colocar aqui um excerto, por isso vão antes ler. Este está bom, este está melhor.
Ouvi a Idónea Bibliotecária na rádio há já uns tempos, mas só agora é que por lá passei. No essencial, uma alfarrabista online com leilões a preços catitas. O melhor, compradores de livros compulsivos como eu não ficam com remorsos pós compra pois o dinheiro vai todinho para uma associação de ajuda aos portadores de trissomia 21.
O resto de um bom domingo.
O Novo Mundo, descobri-o recentemente. Dá um certo trabalho colocar aqui um excerto, por isso vão antes ler. Este está bom, este está melhor.
Ouvi a Idónea Bibliotecária na rádio há já uns tempos, mas só agora é que por lá passei. No essencial, uma alfarrabista online com leilões a preços catitas. O melhor, compradores de livros compulsivos como eu não ficam com remorsos pós compra pois o dinheiro vai todinho para uma associação de ajuda aos portadores de trissomia 21.
O resto de um bom domingo.
Conta o senhor meu pai que nos domingos
em iam jogar contra uma equipa de fora levavam um garrafão de cinco litros para o aquecimento. E um casaco mais grosso por causa das pedradas com que os locais os brindavam no final do jogo. Um pragmatismo assim é necessário nos dias de hoje. Não nos safamos de carregar uma canga mais pesada, habitue-se o corpo a caminhar dobrado. As palas nos olhos, essas já são de utilização voluntária.
Subscrever:
Mensagens (Atom)










