quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ainda só vou a meio

mas estou a gostar bastante. A falta que não fazem uma ou duas cadeiras de Filosofia e História da Ciência nos cursos de engenharia deste país.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um pequeno reparo a este tipo de impertinências

Pusemo-nos a jeito e neste momento nenhum país nos respeita. Somos vistos como irresponsáveis e aldrabões inconfiáveis, que falam, falam, não resolvem nada e esperam ajudas e subsídios. É merecido? Podem tentar desculpar-nos com os políticos, mas quem escolheu os políticos que nos representam?

Chamo a atenção para um pequeno pormenor, mas já se sabe que é atrás destes que o Diabo se esconde. Os portugueses escolheram por duas vezes o PS do Sócrates ? Sim, mas convêm perceber quais eram as alternativas. Em 2005, escolheram o PS de Sócrates a Santana Lopes, que fora ser lagarto não tem ponta que se lhe pegue. Repetindo para que fique bem vincado nas meninges de suas senhorias. As eleições de 2005 tiveram Sócrates vs Santana Lopes. Dizer que os portugueses votaram ou escolheram o Sócrates é um tanto ou quanto exagerado. Existiu realmente escolha ?

Em 2009 tivemos o PS de Sócrates vs a Ferreira Leite. Que eu me lembre, foi esta senhora quem introduziu a contabilidade criativa nas contas do estado durante a regência do cavalheiro que oportunamente se pisgou para Bruxelas. E que era a favor do TGV quando não estava a masturbar números no Excel. E que a sua solução para o défice traduziu-se em aumento da receita. Existiu realmente escolha ?

Em 2011 temos novamente o PS de Sócrates vs um Sócrates de plástico que apenas de diferencia pela incompetência inata para o jogo político. Sendo que os que debitaram horas de discurso contra o estado na Nação, agora recusam a entrar na bulha. Existe realmente escolha ?

E preciso de lembrar que a abstenção nas duas eleições foi superior a 40% ? Senhores, começo a ficar um bocado farto de se tentar passar esta imagem dos portugueses como brutos que trocam os votos por um tinto a acompanhar o pedaço de bacalhau seco. Era falsa na época do Eça de Queiróz, é falsa agora.

Para que fique registado algures

Não sei porque o apagou, mas o besugo escreveu isto, como quem escreve numa pedra:

"Há agora um canal na MEO, o 16, que é utilizado para dar tempo de antena aos economistas. Já tentei poupar retirando aquela merda (como já fiz com outros canais que tinha - e ao Mezzo custou-me bastante mandá-lo às malvas), mas não se consegue. Faz parte do pacote grátis. Um senhor de testa bastante baixa e uma senhora que me pereceu retirada dum filme do Allen (e que disse várias coisas, eu até retive uma, que ela repetiu até lhe cortarem a palavra, que era "já não há paciência!") dedicaram-se a explicar ao entrevistador de serviço (melhor dizendo, "do serviço") que "agora é só ELES, os funcionários públicos, dizerem adeus ao trabalho, ao subsídio de férias, ao de Natal e a mais uma fatia dos ordenados". E que, mesmo assim, "isso não vai chegar, porque é preciso que a política dê lugar à técnica". Ou seja: os tempos de agora, segundo eles, são com eles, os economistas. Que nos valha Deus. Esta gente reduz a números a melhor das intenções e eleva ao nível da "quase literatura" a contabilidade. Esta gente não funciona sem o Excel e sem máquina de operar (recuso-me a chamar "máquina de calcular" a um ábaco singelo de tão modernaço). Que nos valha Deus, alumiando os nossos políticos de maneira tão espantosa que eles nos surpreendam dispensando, competentemente e de vez absoluta, estes ansiosos e ambiciosos economistas fortuitos da opinião - remetendo-os à opinião, apenas. Que nos valha Deus, punindo José Barroso pela pusilanimidade cherniana que mantém desde os tempos do MRPP e que, agora, cada vez mais anafadamente, pavoneia nos salões da "europeia coorte". Que nos valha Deus, fazendo com que cada vez mais de nós percebamos, sem paneleirices, que quanto mais nos agachamos mais se nos vê o orifício inserido na anatomia bojuda do nosso "sim, senhor". Não me fodam, senhores. Não me fodam mais. Nunca me fodam, sobretudo, ao ponto de essa vossa pequenina mas nojenta foda começar a mexer-me com a minha natureza plácida, a minha vontade crescente de retaliar, de me fundamentalizar, de vos acabar com a léria e com a vida. Não fiz nada mal, caralho, nada. Não me fodam. Não me chateiem, não me apontem, não tentem tolher-me, não me apouquem, não me lixem, a sério, não me punam por ter sido e continuar a tentar ser melhor do que vós. Já basta de canalha a fazer-se de meu Pai, de minha Mãe. A fazer-se passar pelo tutor que não pedi e não mereço, que eu não preciso de mitras nem mereço tutorias. Não me fodam mais, que eu estou a ficar farto, pelo amor de Deus."

domingo, 10 de abril de 2011

Eu até era capaz de fazer um texto para ligar isto tudo mas

está um dia lindo e agora não me apetece.

O Novo Mundo, descobri-o recentemente. Dá um certo trabalho colocar aqui um excerto, por isso vão antes ler. Este está bom, este está melhor.

Ouvi a Idónea Bibliotecária na rádio há já uns tempos, mas só agora é que por lá passei. No essencial, uma alfarrabista online com leilões a preços catitas. O melhor, compradores de livros compulsivos como eu não ficam com remorsos pós compra pois o dinheiro vai todinho para uma associação de ajuda aos portadores de trissomia 21.

O resto de um bom domingo.

Conta o senhor meu pai que nos domingos

em iam jogar contra uma equipa de fora levavam um garrafão de cinco litros para o aquecimento. E um casaco mais grosso por causa das pedradas com que os locais os brindavam no final do jogo. Um pragmatismo assim é necessário nos dias de hoje. Não nos safamos de carregar uma canga mais pesada, habitue-se o corpo a caminhar dobrado. As palas nos olhos, essas já são de utilização voluntária.

sábado, 2 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

A situação é desesperada mas não é séria



Musiquinha que inspirou a do post anterior. Que vi no primeiro episódio do Breaking Bad. Que um francês alegre me recomendou. O mundo está todo ligado.

Out of time

Um leilão extraordinário no valor de 1,5 mil milhões de euros vai ser feito amanhã. Curioso valor, semelhante aos 2 mil milhões que a Economist dizia que a gente precisa todos os meses de ir pedir emprestado. Imagino que o BCE vá participar no leilão, porque caso contrário segunda temos o FMI à porta.

quarta-feira, 30 de março de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Tolentino

Houve alturas em o que gostei muito de ler o Tolentino. Depois fartei-me. Hoje gostei de ler esta entrevista. Há coisas simples na vida.

segunda-feira, 28 de março de 2011

E lá fora

Radiohead have published a newspaper, so Guardian staff including editor Alan Rusbridger attempted to beat them at their own game by recording their version of a Radiohead classic

e a verdade é que a cover está boa.

via complexidade e contradicção

O golf lá tambem ficou mais barato

Num notavel exercicio de escrita, a Irlanda escreveu-nos uma carta

via facebook de alguém que já nao me lembro

The country's need to issue debt is only €2 billion or so a month

diz a Economist da passada semana sobre Portugal. E logo a seguir afirma, "(...) that is small by most measures". Eu não entendo nada de economia, que fique claro. Mas em que universo paralelo é normal um país ter que pedir dinheiro emprestado todos os meses ? E logo trocados, 2 mil milhões de aéreos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Bom fim de semana

Á deriva

O António Barreto resume nesta entrevista o meu sentimento em relação ao clima democrático que se vive actualmente. Sem o respeito pelo outro, sem a cordialidade e honestidade que é devida nas relações que se mantêm com os adversários políticos não é possível a democracia. Pior, nas eleições que se anunciam vamos ter exactamente os mesmos protagonistas. Não de agora, mas de há pelo menos dez anos. Com os mesmos comportamentos, os mesmos vícios e defeitos. Assim as eleições, a suceder, não serão uma hipótese do povo se expressar mas antes um espetáculo circence de má qualidade em que à populaça será permitido urrar de quando em quando.

A culpa desta situação é da nossa irresponsabilidade passada, mas principalmente da UE. Eu sei que não parece bem atirar as culpas para os outros, mas que se lixem as aparências. Foi a UE quem serviu de fiador aos nossos desvarios orçamentais. Foi a UE quem foi aguentando o barco através dos empréstimos do Banco Central Europeu. E é a UE que está reunida para emitir mais uma vez pronunciamentos ocos que serão ignorados mesmo antes da tinta secar. Sem o apoio europeu, seríamos irresponsáveis na mesma mas à escala da nossa pequenez,  não à grande e á francesa.

Penso que é altura de se começar a equacionar o nosso abandono do euro, e caso a UE caminhe para uma união política, virarmos costas à Europa. O euro, que foi apresentado como a panaceia miraculosa para os déficits crónicos da pátria lusa, não só não os impediu como os agravou ao ponto da bancarrota. Não funcionou para impedir as asneiras e impede agora que se resolva com os remédios conhecidos, a Irlanda e a Grécia que o digam.

terça-feira, 22 de março de 2011

Portugal, o único país do norte de África que ainda não está em convolução

Parece ser esta a ideia que os média andam a veicular cá e lá fora. Amanhã cai o governo, diz-se que, e vai ser o fim-do-mundo em cuecas, afirma-se categoricamente. Eu sinceramente não entendo qual é o problema. Nada como o confronto para se resolverem os problemas, e só tem medo de ir à luta quem não tem com que lutar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Agora que a poeira da manif assentou

é altura de esclarecer alguns dos meus pontos de vista.

Um curso não dá direito a um emprego.

A precariedade de curta duração (menos de um ano) é algo de normal em quem está a começar a trabalhar. Entenda-se, é normal a juventude ter que fazer pela vida.

A falta de emprego, e a precariedade de que todos se queixaram no passado fim-de-semana, é um sintoma do fraco dinamismo da economia portuguesa.

Eu de economia pouco entendo, mas tenho olhos para ver. E consigo perceber que existem demasiadas protecções à concorrência, cujo único objectivo é proteger as rendas dos que gravitam em torno do poder. A área das energias renováveis é um paradigma notável, sei-o por experiência própria. Mais do que discutir o que taxar e a que percentagem, devemos derrubadar todas e quaisqueres barreiras à entrada de concorrentes.

Existe um sério problema de liderança política em Portugal, que não permite afrontar os interesses instalados. Enquanto não se resolver o problema político, o económico vai continuar. Infelizmente não vejo em nenhum dos partidos políticos actualmente na Assembleia da República o indivíduo que nos vai desenrascar.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A luta é alegria

Sou obrigado a vir a terreiro fazer um ponto da situação: a manifestação foi uma manifestação, conceito da teoria política que pessoas especializadas em electrónica transparente e mercados financeiros, primários, secundários e terciários, têm certa dificuldade em manejar. Sobre o número, penso que já falei o suficiente, mas a recorrente alusão aos exercícios quantitativos da Priscila Rêgo induzem-me a clarificar, para efeitos de tranqualização geral, que o facto do desemprego ser menor entre os licenciados - uma conclusão mais famosa que a Venús de Milo - em nada retira qualquer legitimidade aos protestos transversais que animaram as pessoas de vária índole e qualificação académica que encheram a Avenida da Liberdade no Sábado passado. De resto, esse tem sido pau para todo o rabinho ressabiado que procura desenvolver pirotecnia sobre a pretensa desorientação da manifestação. Pereira Coutinho (o mais novo, e mais rabeta) falou na existência de camadas muito mais fragilizadas. Isto quer dizer que se o irmão do meio estiver a levar bolachada no recreio e o irmão mais novo for fazer queixa à Professora, o protesto torna-se improcedente, a não ser que o próprio preencha requerimento em papel de vinte e cinco linhas. Já Avillez de Figueiredo (o mais louro e panasca) referiu uma maioria silenciosa do interior que, não sendo jovem nem urbana, sofre misérias incontáveis para sobreviver a um orçamento de 758 euros, que não deve ser esquecida perante as manifestãções dos jovens (e nós sabemos como antes destes movimentos a agenda do debate político se preocupava imenso com estas problemáticas), sendo absolutamente claro que a origem desse orçamento restrito terá estado na manifestação do Sábado passado. Esse é, aliás, o argumento mais recente de Priscila Rêgo, uma vez que as propostas dos jovens contribuiriam, segundo a já famosa autora, para aumentar o desemprego, em mais um exercício de previsão daqueles que fizeram curso nestes últimos vinte anos e que têm garantido paz, prosperidade e trabalho cada vez mais bem remunerado. Como não faço previsões e não arrisco causalidades inspiradas nos comentários de Luís de Freitas Lobo, continuo a achar que as manifestações são um dos mais sofisticados instrumentos de desenvolvimento. E agora? Agora, é preciso que a luta continue.

Coisas que interessam, que nem só de problemas vive o homem


Esta moçoila ganhou o Grammy para a Revelação do Ano. Saúde-se a insanidade temporária do júri que premiou qualidade à música chiclete, mastiga-deita-fora.


Já esta rapariga surpreendeu-me a mim. Não se deixem enganar pelo fogo-de-artifício promocional da editora, a moça tem voz e nota-se que gosta do que faz. Não canta em português ? A qualidade não tem pátria. A Esperanza Spalding, por exemplo, deslumbra em inglês, em português sem falhas e em espanhol.

domingo, 13 de março de 2011

E agora ?

Ontem foi muita gente para as ruas. Mesmo muita gente. Gente o suficiente para deixar estupefacto meio-mundo e cínicos pessimistas como eu. Não sei para aonde nos encaminhamos, mas espero que ontem tenha sido o catalizador para um país melhor.

sábado, 12 de março de 2011

Preciso de colocar aqui música boa



estavam aos gritos com o "baby baby" da britney spears. isto é um pesadelo sem fim.

200.000 e há muito tempo que não passava aqui

1. foi muita gente para a rua. e isso é bonito. para mim o melhor mesmo é que já se discute o que fazer a partir daqui. vejam-se os comentários aqui e os posts do ngoncalves. há que pôr duvidas. sair à rua. descobrir novos caminhos. e só por isso já valeu a pena a manifestação.

2. o sporting empatou. perdi o meu tempo e vi a 2ª parte. de antologia a falta que o polga marca para ele próprio. a liga dos últimos deve andar distraida com estas coisas que acontecem naquele que é o clube mais deprimido da história do futebol moderno.

3. escrevo estas palavras enquanto os meus vizinhos de baixo gritam (eles acham que cantam) no sing star que devem ter lá por casa. Se volto a ouvir o "Always" dos Bon Jovi ou o falsete dos Scissors sisters não respondo por mim. já se fizeram manifestações por menos. ou mesmo revoluções.

bom domingo a todos. à procura de novos caminhos. ou como um dia disse o poeta esquecido de queluz:

"Seria muito mais cómodo para mim, no presente momento eleitoral, continuar a escrever os meus versos e a publicar os meus livros sobre temas predominantemente literários, em nome de um apelo irresistível. Mas parece-me que não seria honesto nem corajoso. Não sou político, não tenho ambições políticas, mas intervenho nesta luta desigual em nome de uma posição moral. Nem a divisão da oposição bastou para me servir de pretexto para não intervir. Se é certo que a divisão enfraquece na luta contra o inimigo comum, não é menos certo que ela representa afinal a diversidade de tendências e constitui a expressão de um pluralismo sem o qual não há democracia verdadeira. De maneira que aqui me encontro a lutar ombro a ombro
...
Um dia se fará a história nos diversos domínios e então se verá, no espelho dessa história feita para todos, a importância real, a verdadeira contribuição de cada um para a vida ou para a morte dos outros e de todos."

Ámen digo eu.

ps. agora estão a arrepiar o losing my religion dos REM. perdoa-lhes pai porque não sabem o que fazem.