sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

E para fechar, a canção do ano



ou melhor, a cover do ano. descoberta há pouco no youtube. e como diz o 1º comentário que lá está:

"Radiohead and Regina Spektor ... this is a musical orgasm."

assim vos deixo e até para o ano. cá nos espera a crise e os mercados sempre atentos.

Ossos


Ao passar dos 30 é sempre a descer lá diz alguém. Descobri que pelos vistos a dor no joelho é causada por isto.

Fechar o ano

Naquelas coisas parvas que só nós humanos fazemos, aqui vai a revisão do ano.

500 days of summer. é de 2009, mas chego tarde às coisas. o melhor que vi este ano (até em muitos anos). foi dos poucos que consegui ver graças aos mistérios da paternidade, mas ainda bem que o vi.

na música lembro-me dos walkmen, do concerto dos tindersticks. e regina spektor. ai regina do meu coração. de certeza que ouvi muito mais. mas a memória anda mal. preciso de tomar magnésio.

de resto na vida tudo segue o seu rumo. a filha cresce em altura e sabedoria. e naquela alegria que só uma criança consegue ao descobrir uma coisa nova. neste momento palra aqui ao meu lado. e penso que não preciso de mais nada. foi um ano bom.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

É em tudo uma nova maneira de arrumar as coisas

Mais detalhes aqui

"Então está a gostar? está muito bonito"

O meu natal foi bom obrigado, ainda bem que perguntam. Encheram-me a casa de brinquedos o que é sempre bom para a criança. De resto tudo vai bem. Parece que estamos a caminho da tempestade perfeita. Com saldos pelo meio.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Conexões de sentido que estão para além das nossas competências cognitivas, mas, ainda assim, tudo bem

Mas aplica-se aqui o que já os antigos diziam em relação à agricultura: "fazemos vinhas para nós, olivais para os nossos filhos e sobreiros para os nossos netos".


É escandaloso que, não obstante a diminuição da virolência da sida, a argumentação racional não tome as devidas precauções contra doenças venéreas

Salazar já saiu de Alegre (e do resto do país), mas Alegre não sai de Salazar.

O peso do número

Este link conduz o leitor a um argumento de fino recorte, pertinência racional, acutilância política, esmero argumentativo e aristocrática legitimidade, a saber, pessoas que não terminaram as licenciaturas devem ser imediatamente cuspidas e apedrejadas até à morte, sob pena de mergulharmos na lama, na insídia e na infâmia, não só todas as nobres e insubstituíveis instituições do conhecimento, como todos nós, do Minho a Timor, nossa senhora de Fátima, salvai-nos e salvai Portugal. Não recordarei que varões insignes da crítica, como José Manuel Fernande e Ricardo Costa, também não completaram o seu plano de estudos, donde se conclui, com manifesta simplicidade, que Portugal é um país que se divide entre analfabetos (cerca de 73,1 % do pessoal político) e estúpidos (93,9% dos autores do blog 31 da Armada).

Rádio-televisão-portuguesa

Uma declaração de interesse: na minha modesta opinião, tanto Pedro Boucherie Mendes como João Manzarra deviam pender o mais rapidamente possível de um poste em plena praça do comércio a fim de aplacaram o ódio das turbas esfomeadas, e isto sem pitada de ressabiamento ou biliosa inveja, apenas como funcionamento racional de um sistema social onde a competição pelos recursos escassos, bem como todas as evoluções de mercados financeiros, primários e secundários, e projecções de credibilidade do Estado português, evolução do serviço da dívida e fiabilidade dos sistema inter-bancário, devem tender para um jogo de soma nula, ou seja, a anulação de todas as variáveis desestabilizadoras da confiança e do investimento, a saber, as opiniões do director de programas da sicradical (e um estudioso confesso da pornografia dos anos 50 e 60, atenção, isto não é uma brincadeira) e as performances intelectuais de um adolescente desorientado promovido a referência da comunicação de entertenimento, devem ser identificadas como erros sistémicos e prontamente eliminados do espaço público pela acção de basalto paralelipípedo ou tubos lusalite, diga-se, em passagem, uma antiga referência da indústria nacional. Por outro lado, alguém consegue com a rapidez possível elucidar o Elogio da Derrota sobre que raio está o anormal do Pires de Lima a fazer nos Ídolos 2010 SIC torcendo as mãos com desesperada súplica, em pano de fundo, quando, de tempos a tempos, o senhor Manuel, especialista em coisas americanas e assim, diz de sua justiça?

Não percebo um corno de história do comunismo mas não faz mal porque estamos no Natal

A polémica desencadeada no Cachimbo de Magritte (um blogue onde se escreve pior que na fila de repetentes e ciganos da sala da minha primária) em torno de um pacto muito importante para a história diabólica da civilização ocidental tem dividido o meu precioso espaço mental com um esforço pessoal de regressão morfológica na tentativa de repetida e incansavelmente nascer várias vezes a fim de igualar a inigualável honestidade do senhor Presidente da República (estão todos bem?), alguém que está muito para lá de qualquer função obstetricamente conseguida, alguém que, tendo nascido apenas uma vez, guindou o seu espírito impoluto a níveis olímpicos de alva substância, pois mesmo aqueles que beneficiando de dilatação continuada e capacidades ressurrecionais e reencarnativas de indivíduos acima de todas as médias humanas e para-normais, e nascendo por isso - pelo menos - duas vezes, nunca poderão disputar o território altamente racionalizado da honestidade pública, em verdade vos digo que assim é. Defensor Moura terá mesmo tentado introduzir-se no útero da senhora sua mãe, inspirado pelo debate presidencial e pela famosa citação de Almodovar a partir do cinema mudo, nesse hino simultâneo ao toureio e à panasquice que é Habla con ella. A outra possibilidade para sair desde enigma é interpretar o duplo nascimento a partir da dupla ressurreição política do Senhor Presidente da República (estão todos bem?), uma pessoa que se tem confundido a níveis altamente satisfatórios com o espírito do Natal passado.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um santo Natal e essas coisas assim



ps tenho um fraquinho por videos lamechas e fofinhos.

Metereologia Natalícia

Um dos mais tremendos impactos das perturbações nos aeroportos ingleses é o facto da sua contribuição ser cada vez mais terrível no sentido de oferecer oportunidades ao Maradona de se nos adiantar na corrida mais louca do mundo, a saber, fotografar Bourgeois dignity: how economics can't explain the modern world entre uma chamuça e uma imperial.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Porque escrevo tão bem, quando há milhões de blogues onde se escreve tão mal.

Tudo bem com toda a gente? Quero iniciar este post com um profundo sentido de gratidão e verdadeiro reconhecimento a todos aqueles que, do Minho ao Algarve, continuam a fazer de mim uma das pessoas mais inteligentes do mundo nos últimos trezentos anos, concedendo-me reiteradas oportunidades para demonstrar a minha superioridade intelectual, estética, gastronómica, artística e patológica, podendo verificar-se a cada segundo - tal como nesta espectacular manifestação do mais ridículo zelo - uma comprovada falta de carisma, raciocínio, eloquência, originalidade, domínio da língua, ostensivamente presentes em variadíssimos dos mais frequentados blogues da direita portugesa, o b fachada é uma porcaria. Perante os factos quotidianamente apresentados neste lugar, não há como duvidar da coluna de camiões carregados de pertinência que assistem toda a minha obra, erguida por mim (tudo bem com todos?) à força de imperiais, livros e chamuças, para além da frequência (incompleta) de um curso das Novas Oportunidades (um dos mais fundamentais projectos políticos desde as reformas de Sólon em Atenas), isto depois de ultrapassadas algumas dificuldades, na obtenção dos diplomas necessários, por meio de favores sexuais a um chefe de Secretaria com mais de oitenta quilos, sócio do Sporting, e politicamente empenhado, em todas as direcções possíveis, com todos os projectos de grandes obras públicas desenvolvidos em gabinetes ministeriais nos últimos quarenta anos. Os últimos trabalhos de uma das mais incontornáveis personalidades do mundo ocidental, explicam à saciedade quer as graves lacunas ao nível da espiritualidade oriental presentes nas caixas de comentários da blogosfera, quer um dos mais graves problemas da nossa democracia: a saber, além do b fachada ser uma grande porcaria, há ainda a constatar a ausência de um plano concertado para ensinar a língua de Fernando Pessoa, Elsa Raposo e Júlio Isidro, ao conjunto da população portuguesa ainda não familiarizada com o facto das práticas discursivas e a expressão do pensamento individual (iluminado, esclarecido, não subjugado a sub-formas de pensamento político contraídas com o vírus da adolescência, e não determinado por paixões obscuras) ser o principal alicerce da política e de todas as aspirações dos seres humanos em torno do bem público, uma coisa que se encontra algures entre os nossos desejos mais secretos e um Arraial no Concelho de Amares. Um santo e feliz Natal para todos, bem como para todos os entes mais queridos de todos os entes que habitam esta bola de lama que vai pelo pelo céu como a andorinha, a terra.

Só de saber

que o Yanick marcou dois golos, na verdade apenas um porque o outro foi um alívio mal conseguido, fiquei com um amargo de boca. Antes uma derrota a ter o Yanick mais uma época na lista de despesas do SCP. Felizmente tenho andado a afogar as mágoas no Yo-Yo Ma. Até para o ano.

Respostas às suas duvidas

encontrado há pouco na fnac e dedicado ao nosso comentador preferido Ze-Lopes

Votar es un placer



Não é nova a imagem, e devo ao grande Fernando Alves o seu conhecimento. mas como sugere o próprio, em abstracto, nas próximas eleições o melhor é votar de camisinha, pelo sim pelo não.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Honesto estudo com longa experiência misturada: eis besugo

Peço desculpa a todo o mundo globalizado por voltar a temas recorrentes e pouco dados à criação de postos de trabalho (não convém que o cão volte ao seu próprio vómito, para citar o Antigo Testamento, um livro quase tão bom como a Revista Gina) mas a verdade é que a melhor prosa na língua de Luís Vaz de Camões, Tarzan Taborda e Helena Coelho, se encontra em sítios como o aduzido em cima. Ora, não é possível interiorizar este princípio sem colidir de frente com uma outra premissa quase tão perturbante como esta notícia ‎: é ou não determinante o facto de besugo, para lá da experiência com bolas de cautchú nos enlameados de Lamego, ter frequentado as páginas da literatura médica? Vou poupar os leitores a incursões nas relações entre a prática de actos médicos e a literatura. No entanto, a mim ninguém me convence da absoluta não existência de relações entre o esforço de compreensão do maior número possível de inteligências em movimento (que, até ver, apenas os livros conferem) e a amplitude do leque de possibilidades de expressão de todos os escuros becos de que é feito o espírito de indivíduos que ousam emancipar-se em direcção às luzes, sejam elas esbranquiçadas numa sala de operações ou arroxeadas no ambiente fétido de um talho. A todos os que têm insistido na vitória das trevas, do Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva e de Tocqueville sobre os guerreiros da Luz da estirpe epidemiológica de um Jean-Jacques Rosseau ou de um Alf (eu gosto muito de referir-me a mim próprio na terceira pessoa) quero lembrar que nunca me pareceram devidamente fundamentadas aquelas versões historiográficas que garantem ser o Nazismo, Bergen-Belsen (um nome que podia ser de um lateral direito do Rapid de Viena) ou Goering, a prova de que o estudo e arte não são garantias de protecção dos direitos humanos, o que apenas comprova, isso sim, a incompreensão do valor sacrificial da arte e da leitura, e a incompreensível confusão entre a acumulação de experiências ostensivamente postiças (ilustradas por toda a obra de uma Paula Moura Pinheiro ou de um Eduardo Prado Coelho) e um estudo rigoroso do pensamento humano na sua forma mais transparente, eloquente, fecunda, e cabalmente bela, o que não é compatível com nenhuma forma de menoridade. Perguntarão como se distingue besugo de José Luís Peixoto; perguntarão se existe sequer um imperativo público, estético ou filosófico para colocar uma tal questão, ao que eu responderei que, não crendo na remissão dos justos depois da morte, resta-me estar aqui, de olhos fixos numa frase e saber, saber onde estão aqueles que, mesmo capazes das piores porcarias, não serão nunca capazes de uma frase mal escrita.

Quando comprar uma casa pergunte pelo vidro

Ora aí está uma recomendação que vem a propósito do falecimento do inolvidável vinhateiro, comentador desportivo e homem de quem sempre se esperaram grandes coisas, com justa razão, diga-se. Esta grande aventura de estar vivo tem permitido ao meu espírito genial roçar-se por inúmeras perplexidades, entre as quais a constatação do fascínio das mais estúpidas de entre as mais estúpidas pessoas por expressões deduzidas das patologias digestivas, o que não só revela uma triste falta de criatividade metafórica - um mal de que também padece valter hugo mãe - como uma incapacidade de seguir um raciocínio durante mais de quatro linhas, uma coisa que não me acontece desde que aos cinco anos de idade encalhei na segunda estrofe dos Lusíadas, altura em que meus familiares, bondosamente, me encaminharam para as veredas do Senhor, a paz esteja com convosco, o amor de Cristo vos uniu, meus caros comentadores, saudai-vos a todos na paz de Cristo.

A minha droga é o vinho verde e o cabrito assado

Isto continua muito bom

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Eu não disse que era um belissimo blog

"Obviamente que todas as iniciativas para ajudar quem precisa são sempre bem-vindas, mas desde que sejam desinteressadas. Ajudar na perspectiva da ganância e da chica-espertice torna quem o faz naquilo a que aqui chamaria, usando uma linguagem infantil, um mete-nojo (está tudo bem comigo, e não, não me tornei um freak de esquerda). Vamos lá esmiuçar isto."

Vão lá ler o resto sobre a popota e a leopoldina. Quem é que inventa estes nomes??

O Tony Carreira e B Fachada no mesmo texto Alf ?


Não sei quem seja(m) B Fachada e todos os restantes de quem falas, mas o Tony sei bem quem é. Muito baile dancei eu ao som deste, e outros, artistas. Se a música pimba outro propósito não tem que o de proporcionar a adolescentes imberbes um pouco de roça-roça (por falta de melhor termo) sob o olhar atento da família de ambos, então a música pimba mais que justifica a sua existência.

Certo, não era uma uma crítica à moral e bons costumes que ainda se vão praticando por esse Portugal fora. Mas mesmo assim gostava de sublinhar que por muito baixo que seja o nível do Tony, ainda não chegou ao ponto de subir ao palco com uma tanga de presunto à la lady gaga. Não é muito, eu sei, mas é já alguma coisa nos dias que correm.
E agora um exercício Júlio Isidro para a hora do jantar: quantas Fátimas Campos Ferreira cabem dentro de um smart sem ser preciso alterar o nome do carro?

Enquanto as Presidenciais nos não pricipitam ainda no abismo tenebroso da Vivenda Mariani


Não me digas que ainda estás chateada?

Num dia de muito azar, a menina limão chateou-se connosco. Foi um mal entendido. Estou completamente tranquilo porque sabemos, agora, que os mal-entendidos são fundamentais para a compreensão do mundo. O João Pedro George já tinha avisado que não é fácil dizer bem. Vale a pena aprender como ainda é possível (note-se que o Professor Doutor Anibal Cavaco Silva está quase a ser reeleito) dar boas respostas a perguntas que estão para o interesse como a cultura táctica está para o plantel do Sporting. Desta vez, esperamos ser bem compreendidos, ou só nos restará uma carta de recomendação.
O que aprendeste com os teus erros?
Que nem sempre se aprende com os erros.


O que te faz bocejar?
Esta pergunta. Aposto que também bocejaste quando a escreveste.

Aqui

Personagens que são como pessoas

A caracterização das pessoas: um problema e tanto. Ainda ontem Bernardo Sassetti passou uma hora a contorcer-se na cadeira, fingindo que não fingia, num cenário de chavascal barroco, com tromp d'oeil, cravos trabalhados em madeiras preciosas e grandes espelhos enquadrados por talha dourada, cenário onde o músico tentou furtar-se ao inevitável engate de Manuel Luís Goucha (uma pessoa que, não sendo comunista, não deixa de ser nojenta), apenas conseguindo produzir inteligência nos derradeiros trinta e dois segundos, quando já a música do genérico o afogava inapelavelmente (alguém consegue explicar porquê?), citando a mulher, dez mil e duzentas vezes mais artista e mais inteligente, a propósito do tão característico traço nacional: a maledicência. Um dia explicarei porque razão o uso do vernáculo tem produzido a melhor prosa vingativa de que há memória nos anais da crítica portuguesa. Alegadamente, explicava Beatriz Batarda que «as pessoas quando dizem mal dos outros estão quase sempre a querer dizer mal de si próprias», mas num registo codificado, acrescentaria eu, é preciso é ter ouvidos para ouvir. O Truman Capote é má pessoa: isto já era evidente, pelo menos desde a sua confissão de preferências à Paris Review: conversar, ler, viajar, e, só depois, escrever. Eu gosto mesmo muito de dizer mal, e viajar, sobretudo para Cacilhas, um sítio onde as descrições das personagens me saem sempre bem.

Vão lá praticar o solfejo

Quem está familiarizado com as boas práticas seguidas neste blogue, e seu decorrente trabalho de demolição de tudo quanto possam ser boas intenções artísticas em prol da indústria de bens culturais e da vida ambulante de músicos, pintores, escritores (ou marceneiros) adestrados na prática de vigarizar um público analfabeto no domínio da estética - não será este o sentido mais nobre da crítica?-, está completamente enjoado de saber que apenas um uso da inteligência estética me faz meditar ou hesitar numa determinada conclusão do meu espírito (de uma espécie rara e em vias de extição). Ora, tudo quanto aqui tenho dito em matéria de música portuguesa, não só está fundamentado por um conhecimento raro da música portuguesa (só para os mais distraídos abrirem os olhos quando pretenderem colocar a cabecinha de fora) como se encontra ponderado pelo confronto com pessoas que, ao contrário do bando de atrasados mentais que alimenta a indústria da dita música ligeira, gastaram alguns anos da sua vida procurando descortinar o sentido técnico de uma fuga de Bach ou de uma frase de Herbie Hancook (uma pessoa que eu não conhecia mas a que me tenho dedicado a conhecer). Quando será que os anormais comprometidos com a merda da música actual vão entender que por muito que os seus boçais corações estremeçam com os grunhidos desajeitados destes semi-analfabetos, estão a fazer o mesmo trabalho suíno de alguém que procurasse convencer a população portuguesa de que os Malucos do Riso - devidamente fundamentados pelo número de apreciadores - são um produto plenamente justificado de qualidade, novo, actual, perfumado, e que em nada aproveita ao público substituí-lo por Shakespeare, um indivíduo que sacrificou tudo ao seu trabalho, em vez de sacrificar o trabalho a todas as estratégias de mediação da visibilidade, incluindo a defenestração de pensamento. É sintomático que as reacções mais virulentas perante a tentativa de subir o nível da produção cultural na área da música (saudadas por nós com imperial entusiasmo, bem entendido) provenham de juízos proferidos por apreciadores da actualíssima geração musical (talvez membros dessa grande instituição de massificação de sensibilidades, a Igreja Evangélica). De uma vez por todas: Samuel Úria, Tiago Giulliul - ou parecido -, e, por exemplo, b fachada, não são pessoas diabolicamente comprometidas com a ignorância, nem se defende, em parte alguma, que devam ser banidas da sua actividade profissional, especialmente nesta época natalícia. Simplesmente, tal como já Nosso Senhor Jesus Cristo se indignava perante os hipócrtias, e não perante as galdérias, também eu me indigno perante os ambiciosos e não perante os histrónicos Emanuel ou Tony Carreira, pessoas a quem a realidade já mata de ridícul e contra os quais já existem exécitos altamente profissionalizados. Em suma, nós gostamos das alturas e da neve solitária das montanhas. Por isso, não vale a pena esconder que os referidos apenas músicos são produtos medíocres, sustentantos por uma ausência de sentido crítico, num país depauperado por década de analfabetismo (sobretudo musical) no âmbito de uma comunidade de consumidores de bens culturais cuja indigência, no plano do juízo estético, pertence à Liga orangina do meio cultural, sendo, nesse domínio, mais díficil encontrar uma grama de qualidade do que uma alheira de mirandela, superiormente fritada, no contexto da avenida 5 de Outubro. Quem der provas de conhecimentos de harmonia (superiores ao domínio do ciclo das quintas) que atire a primeira pedra à minha cabeça.

Uma pausa nos problemas

Mais um belissimo blog, nesta que foi uma pausa nos problemas do trabalho.
Há coisas que não ajustam com uma segunda de manhã. Não se ajusta o fácil levantar, o banho reconfortante nem a saída triunfante de casa para o dia de trabalho. Não-não, não é fácil. Apresenta-se mais espontânea a saída do metro para a rua do Crucifixo, avivada pelo grande agitar dos homens das carrinhas que alimentam o centro comercial próximo, provando que a economia do microfone de lapela é bem mais fácil que o duro carregar de caixas no frio da manhã, ainda por cima sem o chocolate quente da Xocoa, sem esperançosas leguens, mas com o estridente grito bem-disposto dos ACDC, trajados, confesso, para mentes mais quietas, logo, mais ávidas de agitação.
Não se coaduna também o prego no pão com uma cervejola das boas. Não se coaduna, mas cedemos à força da memória recente. Fica no fundo da Rua Cláudio Nunes, em Benfica, próximo da Pastelaria O Nilo e chama-se Prego d’Ouro, um nome de fazer inveja a qualquer menino de família formado em Marketing no IADE e promovido ao mercado de trabalho em função da publicidade que dele a família fez. Atrás do balcão, alto, desconhecendo um a um a matilha de psicólogos que se dedica ao estudo da potencialização da estupidez do ser humano, o sr. António, também alto e desajeitado, expondo os óculos-fundo-de-garrafa corta, com uma faca que faz lembrar o clima dos jogos do Sporting, um naco de carne de vaca como de da defesa do mesmo clube se tratasse. Em seguida, ainda com os dedos inteiros, espantando a nossa miopia técnica – o sr. António olha para o lombo de vaca com cerca de 3 quilos como se de um alfinete se tratasse – coloca umas poucas pedras de sal, um dente de alho e leva o dito bife a grelhar numa tostadeira enquanto nos tira a viva imperial. Pode não ser o melhor conselho para uma manhã de segunda, pode não combinar com os dias frios de natal, mas vejam bem, também não combina com tanto jornalismo depressivo-ó--fast food e ainda por cima requentando que nos faz lembrar que as coisas são tão simples e naturais como o golo do di Maria este fim-de-semana.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Conflitos interiores, crises mundiais e outros problemas de literatura comparada

William Blake, Michael binding Satan, c. 1805
Se uma pessoa diz que o capitalismo contemporâneo não pode ser compreendido sem uma adequada historiografia do romantismo inglês, quem sou eu para duvidar? Além do mais, há muito que desenvolvo suspeitas sobre o estado comatoso-enamorado de economistas como Nogueira Leite ou Vítor Bento, dois cientistas apaixonados pela sua própria voz. No que me toca (e olhem que me tocam muitas coisas) nunca alimentei especial interesse pela minha própria voz e vomito pelo menos três vezes a cada dez páginas no decorrer de uma revisão de texto. De qualquer forma, esta semana prometo fazer a travessia Cacilhas-Cais do Sodré recortado contra um céu cinza, ondas de veludo azul, segurando entre as mãos um dos meus magníficos hardcovers produzidos no país onde Blake desenvolveu a sua arte de enlouquecer com estilo, e juro consumir a próxima semana em projectos individuais de transformação do meu espírito, uma substância pela qual nunca nutri grande simpatia, não obstante todas as tentativas denodadas da reprodução social para fazer de mim uma pessoa e tudo. Não se preocupem, uma vez que, nestes dias que são os últimos, continuo a acreditar no poder transformador da chamuça, da imperial, e do correio internacional, tudo isto na mesma e exacta semana em que postarei a primeira recensão portuguesa a um livro de uma Professora da Universidade de Chicago em que se explica porque razão Portugal falhou a construção de uma sociedade socialista, a vitória no Festival Eurovisão da Canção, o pleno emprego, e a extradição de Rosa Casaco, tudo isto sem esquecer que o Luciano Amaral é uma pessoa que compara a situação actual a um incêndio (no meio do qual devemos procurar salvar alguma coisa, deixando arder o resto) algo que nunca mais tinha sucedido desde que Sá de Miranda pensou que tudo ardia só pelo facto de se ter apaixonado, um fenómeno psico-social que Lobo Antunes respigou para descrever a vida interior de um travesti sem particular sucesso, enfim, dois exemplos que seriam fundamentais para compreender a vida, se a Agência Ficht não tivesse já atingido por nós todos o Nirvana da precisão por meio de uma pirueta à rectaguarda com mortal encarpado. Como não podia deixar de ser, as retrospecções são como as maçãs do Fundão, normalmente têm bicho.

Deixemo-nos de coisas tristes

E vejamos o trailer do novo filme do Terrence Malick: Tree of life. Já estou rendido. E estreia em Maio de 2011.