segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Paradoxos do mundo moderno
A nova moda que por aí corre para combater a crise é facilitar os despedimentos. Infelizmente não fui abençoado com a capacidade intelectual para perceber como é que se aumenta o emprego facilitando o desemprego.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Estreia-se o novo elogio da derrota
Mudámos de espaço e demos um novo ar à casa. Vamos dar inicio a uma nova fase aqui no elogio, agora que cerrámos ainda mais os dentes. A todos os que nos visitam, muito obrigado.
A imagem lá de cima é do Robert Capa.
A imagem lá de cima é do Robert Capa.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Isto é o que Sir Karl Popper, Isaías Berlim, Frederico Hayek e João Carlos Espada chamaram muitos anos a supremacia moral das sociedades abertas
"The oil giant Shell claimed it had inserted staff into all the main ministries of the Nigerian government, giving it access to politicians' every move in the oil-rich Niger Delta, according to a leaked US diplomatic cable.
The company's top executive in Nigeria told US diplomats that Shell had seconded employees to every relevant department and so knew "everything that was being done in those ministries". She boasted that the Nigerian government had "forgotten" about the extent of Shell's infiltration and was unaware of how much the company knew about its deliberations."
The company's top executive in Nigeria told US diplomats that Shell had seconded employees to every relevant department and so knew "everything that was being done in those ministries". She boasted that the Nigerian government had "forgotten" about the extent of Shell's infiltration and was unaware of how much the company knew about its deliberations."
Vão ver ao Maradona ou ao Wikileaks (um nome de refrigerante belga mas em gay) que está lá tudo. Ler sem falta este post que termina de forma apoteótica e entra directamente para a estreita e curta lista das melhores finalizações de toda a historiografia da blogosfera.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
...
"O título do livro é o que melhor define esta história e histórias que tinha para contar, pois é bastante ambíguo, porque, de facto, são jogos, jogos de 20 anos de política africana em que estive presente", sublinhou Nogueira Pinto na apresentação de um Livro, Jogos Africanos , lançado um destes dias, um livro que nunca me apeteceu folhear por muitas e variadas razões. Até que a semana passada fiz desfilar, diante de uns atónitos olhos, os meus, as fotografias do protagonista brindando com copos de cristal, sulcando de lancha as ondas do Atlântico, à varanda de casas coloniais sobre o Índico, com a Zezinha e os americanos, com a Zezinha e os africanos, com a Zezinha e os diplomatas portugueses e uma outra vez rolou o vento doce e perturbante da história, os jogos, a terra, a vida olhada pela perspectiva do dinheiro e do privilégio, apenas jogos, intrigas, pequenas paixões, o mal de África, manhã de África, quando, por vezes, também vai o filho fotógrafo, as viagens por África, os insólitos pretinhos que, dizem, estão sempre muito contentes com a nossa visita. E os soldados de Napoleão apodrecendo nas planícies nevadas da Rússia? Olhava para as fotografias enquanto, sem que nada fizesse para tal, desfilavam as árvores decrépitas das savanas, a oscilação do capim como a pele afagada de um leão, o relâmpago das rajadas, o cheiro esfomeado da ração escassa, os miúdos mascote abrindo o leque resplandecente do seu sorriso, a nota lona de violencelo chorando em vez das mulheres, um vento esquisito soprando do lado da morte, as palhotas, e à porta, a cara da morte, espreitando, um túnel pintado muitos anos depois numa casa da montanha, a vida que não se recupera, os americanos, eu e Zezinha, Chiçano, eu e a Zezinha, os copos de cristal, a mesa do restaurante, as varandas sobre o mar, eu e a Zezinha. Quantos rapazes nunca tiveram a sua Zezinha para que estas fotografias chegassem a ver a luz do dia? Conheci pelo menos uma pessoa que rebentou o coração, o fígado e a vida na lama das picadas, cujos olhos eram duas pequenas nascentes envergonhadas de existir quando por acaso a televisão bruxuleava com a luz inesquecível do poente do Zambeze, ou um leão rugia sobre as encostas de África. Mas não jogou, não conhecia as regras, perdia-se em detalhes insignificantes, pintava quadros, meus deus, o ridículo de pintar quadros que ninguém viu, árvores africanas, queimadas pelos fogos naturais das tempestades, sub-sarianas, hoje abandonados numa casa fechada nas montanhas a tantos quilómetros de distância. Pintar quadros, um homem capaz de ganhar uma medalha de mérito por roubar armamento a grupos terroristas, onde talvez existisse menos terror do que nestas fotografias, nestas varandas de negócios, entregar-se a uma mariquice destas, desfazer-se em alcóol, verter a vida para dentro de uma garrafa, quadros de savanas queimadas pelo fogo, quadros que ninguém viu e ainda dormem na escuridão de uma casa fechada, talvez lá estejam agoram sileciosos, não-existentes por não terem olhos humanos que lhes dêm vida, árvores retorcidas, negras, um terror de silêncio e cinzas cuja percepção sempre foi para mim um enigma, até que esta semana, abri um livro sinistro repleto de fotografias de morte.
O Guinote, nisto, deve concordar com a ministra
Isabel Alçada elogia professores e famílias por resultados da OCDE
Para grande espanto da sociedade portuguesa, a esposa de Rui Vilar, ex-administrador do Banco de Portugal e da Fundação Gulbenkian, desfez o mistério em torno das melhorias de resultados dos testes Piza (uma torre torta do renascimento italiano que nunca seria um bom augúrio e que ninguém sabe como ainda se aguenta - ah, os engenheiros): as provas foram elaboradas à socapa pelos professores e pelas famílias dos professores, tal como foi confessado pela grande ideóloga de todo o espectacular e eficiente projecto, urdido na companhia do Engenheiro da Covilhã num sotão da Casa de António Guterres, mas sem malícia, quando este se encontrava no Zimbábué ou na Tanzânia ou na Etiópia, a fingir que salva um milhão de pessoas que de uma maneira ou outra acabarão cobertas de moscas nas savanas, no momento em que o engenheiro das Donas, Fundão, se encontrar a bordo de um avião via Paris.
Para grande espanto da sociedade portuguesa, a esposa de Rui Vilar, ex-administrador do Banco de Portugal e da Fundação Gulbenkian, desfez o mistério em torno das melhorias de resultados dos testes Piza (uma torre torta do renascimento italiano que nunca seria um bom augúrio e que ninguém sabe como ainda se aguenta - ah, os engenheiros): as provas foram elaboradas à socapa pelos professores e pelas famílias dos professores, tal como foi confessado pela grande ideóloga de todo o espectacular e eficiente projecto, urdido na companhia do Engenheiro da Covilhã num sotão da Casa de António Guterres, mas sem malícia, quando este se encontrava no Zimbábué ou na Tanzânia ou na Etiópia, a fingir que salva um milhão de pessoas que de uma maneira ou outra acabarão cobertas de moscas nas savanas, no momento em que o engenheiro das Donas, Fundão, se encontrar a bordo de um avião via Paris.
Quanto a nós, segue-se a reposição da verdade com a real hierarquia de méritos na melhoria dos resultados:
1º Alunos
2º Alunos
3º Melhoria das bibliotecas escolares
4º Aumento do nível da escolaridade dos pais (não digam à Helena Matos que isto aconteceu)
5º Aumento do número de miúdas giras por turma
6º Vitórias do Benfica na época 2009/2010
7º Em particular, golo de Carlos Martins contra o FCPorto, por meio do monumental frango de Nuno Espírito Santo, o porta-voz do plantel azul e branco
8º Alunos
9º Aumento do número de Professoras giras
10º Competência dos Professores, às vezes
Contra os canhões, mais livros, mais livros
Eduardo Marçal Grilo está neste momento a explicar como na sua longa entrevista com a ministra da educação da Finlândia, «uma jovem, simpática e agradável», segundo a expressão do administrador da Fundação Gulbenkian, lhe foi dito que a razão do sucesso educativo daquele país se devia a apoios sociais, refeições e a maior tradição europeia de leitura em família, o que deve ter provocado um sismo de magnitude 7,6 na escala do cu tremido junto da redacção do Público, neste momento atarefada com uma contra reportagem que procura justificar como esta tradição em família se deve a uma ancestral propensão dos países nórdicos para transferências telepáticas pelo respeito da autoridade privada na figura do pai-leitor, e um sentido inato aos cabelos louros propiciadores de taxas de esforço, devoção e glória, ao serviço de um sistema hierarquizado, concorrencial e totalmente privatizado até à medula dos cães que, eles próprios, mesmo os da polícia, nunca tolerariam qualquer espécie de propriedade pública. Nisto, deve relembrar-se que a importância da leitura em Portugal é uma coisa que não sortirá efeito, segundo Heidegger, Freud e a Helena Matos, não havendo outra salvação para os alunos senão a autonomia das escolas, a autonomia das escolas, a autonomia dos directores, a autonomia da distribuição salarial dos professores, a autonomia dos programas escolares, a autonomia das escolas em relação ao Ministério da Educação, mas não em relação às crónicas da Helena Matos, autonomia dos métodos de apalpação das raparigas no recreio, autonomia até da disposição dos caixotes do lixo, mas nunca uma valorização da leitura ou dos apoios sociais, que isto da performance escolar nada tem que ver com meio-familiar ou capacidades cognitivas dos pais. Daqui deduz Helena Matos, uma pessoa que finge escrever livros sobre Salazar, que isto é fascismo spenceriano, ao que eu respondo que o facto de os meus pais nunca me terem deixado colocar os pés no chão, atrofiando o meu desenvolvimento motor, isso não significa que eu esteja condenado a morrer, ou que sou um macaco, mas que terei, provavelmente, de beneficiar de um programa especial de treino para competir com miúdos que correm a maratona desde os três anos de idade. É necessário relembrar ao auditório que alguns membros do elogio da derrota lutam semanalmente contra as estatísticas e as toneladas de ignorância derramadas pela natureza e pela Helena Matos sobre as cabeças dos portugueses, perante o silêncio sepulcral das instituições privadas a quem Helena Matos confia a salvação do mundo, uma pessoa que não sabe escrever, não tem uma única ideia original, além de não primar pela juventude, simpatia e agradabilidade. Já Marçal Grilo espanta-se com a Inglaterra, por lá existirem pessoas interessadas na instituição escolar sem filhos a frequentar a mesma. Inglaterra, aquele país onde, agora mesmo, vi um estudante universitário de cornos partidos, de mãos ensanguentadas, atirando pedras contra a boçalidade e as trevas, uma característica que, desde o século XVII, passando pela devoção a Rosseau, e chegando aos dias de hoje, nunca deixou de inflamar a Inglaterra: o amor desinteressado pela luz, tão essencial à leitura de livros quando não nos envolve senão a mais profunda escuridão da noite.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Isto é mais a nossa ideia de reprodução monárquica da mais sabuja semente de provincianismo de que há memória, mas isso somo nós, pobres suburbanos
An Experience to Recall
The happiest days in my life, so the saying goes about past times at Oxbridge or Ivy League universities.Our aim is that our students at IEP-UCP can feel alike. And that they will want their children,and their grandchildren, to repeat their unforgettable experience.This is our idea of a University.
João Carlos Espada
Professor of Political Studies
Director Instituto de Estudos Políticos
Universidade Católica Portuguesa
The happiest days in my life, so the saying goes about past times at Oxbridge or Ivy League universities.Our aim is that our students at IEP-UCP can feel alike. And that they will want their children,and their grandchildren, to repeat their unforgettable experience.This is our idea of a University.
João Carlos Espada
Professor of Political Studies
Director Instituto de Estudos Políticos
Universidade Católica Portuguesa
Transtejo
Para quem nos tem acompanhado nestes dias que são os últimos, não há novidade absolutamente nenhuma no facto de o ressentimento ser um dos motores da nossa experiência estética, o que é perfeitamente adequado, tendo em conta a definição que a Wikipédia aponta para a referida emoção, considerando-a um sentimento de desprazer ou indignação em relação a uma acto, comentário insultuoso ou injurioso. A isto aduz ainda a mesma Wikipedia uma notícia do Estado de São Paulo, de 11 de maio de 2007, referindo que as «estatísticas demonstram que as maioria de negros em determinados bairros, a resultante atitude da polícia de dar tratamento preferencial a negros na hora da repressão, o conteúdo de ressentimento histórico das populações negras - tudo isso contribui para que os rappers tendam a enfatizar a responsabilidade da sociedade como um todo pela conduta dos infractores.» Invocando, muito a propósito, o sentimento nutrido por um indivíduo de raça negra no contexto de uma festa do Cambridge Country Golf Club, é evidente que em tudo nos assemelhamos a esse indivíduo que já entornou a bebida nas calças riscadas só pelo simples facto de uma duquesa de Windsor ter soltado um risinho em forma de dardo que acaba de fazer tangente à sua cabeça. A história da literatura demonstra que em 78,3% dos casos, os escritores em potência acabaram por ser vítimas do ressentimento em acto, sofrendo de uma paralesia criativa e de compulsivos erros de julgamento na avaliação da sua própria obra. Fazendo nós intenção de nos situarmos nos 21,7% restantes, o grupo dos escritores em potência da história da literatura que não se deixaram capturar pelas definições de ressentimento divulgadas por Freud, Jung e Júlia Pinheiro, resta-nos assegurar aos leitores que continuaremos a fazer a travessia Cais-do-Sodré/Cacilhas seguros de que não só estamos a prestigiar uma ligação fluvial muito esquecida pelas instituições culturais (entre outros, Vasco Graça Moura, Eduardo Lourenço ou mesmo um Júlio Isidro) como estamos de forma absolutamente solidária a lutar em simultâneo contra todos os processos históricos que pretendem transformar a voz humana numa espécie de sintetizador chinês.
É que nem temos a mais pequenina das hipóteses
silencioso corpo de fuga, A Mar Arte, Coimbra, 1996;
o sol pôs-se calmo sem me acordar, A Mar Arte, Coimbra, 1997;
entorno a casa sobre a cabeça, Silêncio da Gaveta Edições, Vila do Conde, 1999;
egon schielle auto-retrato de dupla encarnação, Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Porto, 1999;
estou escondido na cor amarga do fim da tarde, Campo das Letras, Porto, 2000;
três minutos antes de a maré encher, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2000;
a cobrição das filhas, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2001;
útero, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2003;
o resto da minha alegria seguido de a remoção das almas, Cadernos do Campo Alegre, Porto, 2003;
livro de maldições, Objecto Cardíaco, Vila do Conde, 2006;
pornografia erudita, Edições Cosmorama, Maia, 2007;
bruno, Littera Libros, Espanha, 2007;
folclore íntimo, Edições Cosmorama, Maia, 2008.
biografia : valter hugo mãe
o sol pôs-se calmo sem me acordar, A Mar Arte, Coimbra, 1997;
entorno a casa sobre a cabeça, Silêncio da Gaveta Edições, Vila do Conde, 1999;
egon schielle auto-retrato de dupla encarnação, Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Porto, 1999;
estou escondido na cor amarga do fim da tarde, Campo das Letras, Porto, 2000;
três minutos antes de a maré encher, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2000;
a cobrição das filhas, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2001;
útero, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2003;
o resto da minha alegria seguido de a remoção das almas, Cadernos do Campo Alegre, Porto, 2003;
livro de maldições, Objecto Cardíaco, Vila do Conde, 2006;
pornografia erudita, Edições Cosmorama, Maia, 2007;
bruno, Littera Libros, Espanha, 2007;
folclore íntimo, Edições Cosmorama, Maia, 2008.
biografia : valter hugo mãe
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Na hora de pôr a mesa - uma merda que eu sempre detestei fazer
Num singelo post que me ficou entalado ao almoço, entre o arroz com feijão e as pataniscas de bacalhau mamadas na Adega do Tagarro a meias com um Professor da Universidade de Brasília que, felizmente, ainda não foi engolido pela recorrentemente sistematizada estupidez académica, José Luís Peixoto, um dos maiores escritores alentejanos da última década e meia conta-nos que alguns alunos da Escola EB 2,3 João Afonso, de Aveiro, escreveram variações sobre o poema Na hora de pôr a mesa. Seria necessário indagar o que leva os Professores de Português, pagos com o sagrado e torturado dinheiro proveniente do fisco pátrio, a torturar os seus alunos com variações a um dos momentos mais infelizes da história da auto-ajuda literária do mundo ocidental. Porém, uma leitura do jornal O Moliceiro surpreende-nos com o facto dos alunos da Escola Básica João Afonso escreverem melhor do que José Luís Peixoto. Neste sentido, avanço o meu próprio trabalho, esperando que os senhores professores sejam indulgentes com a minha cansada sensibilidade expressa no poema à hora de pôr a mesa - uma merda que eu detestava fazer -, erámos prá aí trinta e seis.
à hora de colocar a mesa - uma merda que eu detestava fazer -, erámos prá aí trinta e seis:
o meu pai Antunes, o seu amigo da pesca na barra de Alcochete, Zé Iscas, o Tété barnabé, condutor de uma mota zundap, a minha tia vesga, a minha prima entraivada, a minha avó maneta, a minha cunhada costureira, a minha irmã mais velha (e toxicodependente), a minha irmã mais nova (militante do PPD/PSD - que envergava normalmente uma t-shirt com efígie de Sá Carneiro), a minha Tia de Ovar, a minha Tia de Alhos Vedros, o Caniço - antes daquela cena ter acontecido ali na zona de Tróia-, o meu cunhado mecânico, o meu irmão mais novo, ponta de lança dos Unidos do Pragal, e ainda um sem número de velhos reformados que sempre apareciam à hora de pôr a mesa. Depois, a minha irmã mais velha casou e foi morar em Coina, a minha irmã mais nova abandonou o PSD, militou no PS, e secretária-adjunta do Planeamento, envolvendo-se num negócio de terrenos na zona do Barreiro, o meu tio morreu diabético com uma aplicação de plástico no lugar onde antes estava uma perna, a minha Tia de Alhos Vedros abriu um café com bifanas a 1 euro e 75, enriqueceu e construiu uma vivenda forrada de azulejos na Amoreira, o meu irmão mais novo foi para as obras em Saragoça e enveredou pelo negócio dos produtos eróticos. Em todo o caso, seremos sempre muitos, na hora de pôr a mesa, uma vez que a minha Vanessa não se ajeita com os métodos contraceptivos e já vamos no quinto, o que não é pouco, e mesmo que esta malta toda nunca mais tenha aparecido para ferrar os dentes na sardinha de escabeche que a minha avó, que entretanto foi para casa dela - o cemitério do Seixal - fazia como nunca mais ninguém voltou a fazer.
Ontem, ou 8 horas-vlx antes deste preciso momento
observei um grunho politico-partidário na televisão a reclamar contra o aumento do IMI para o valor máximo. Não sei qual é a seita a que o dito grunho pertence, eu cá não sou de discriminar e afinal um grunho é um grunho. No entanto, e apenas para efeitos narrativos, a julgar pela indumentária e frases feitas que iam sendo emitidas, o grunho parecia do PP.
Ao fim de uns dois minutos, ou 0.11 minutos-vlx, o grunho conclui a emissão de frases feitas com chave de ouro. Passo a citar, "este aumento tem levado muitas famílias a perderem as casas por não poderem pagar o IMI", fim de citação. Por onde começar ? Primeiro, qualquer aumento do IMI a ocorrer este ano só será pago no ano seguinte. A não ser que o despejo de famílias sofra um qualquer efeito anti-causal, não percebe como é que agora as muitas famílias vão passar o Natal debaixo da ponte. Segundo, muitas famílias ???? E o grunho que apresenta o jornal da manhã nem se quer guincha um sinal de protesto ?Não verbaliza uma inquietação mental que seja ? Exactamente quantas muitas famílias perderam a casa até ao presente dia por não poderem pagar o IMI ? Há grunhos, e há grunhos que se esforçam por o serem ainda mais.
Ao fim de uns dois minutos, ou 0.11 minutos-vlx, o grunho conclui a emissão de frases feitas com chave de ouro. Passo a citar, "este aumento tem levado muitas famílias a perderem as casas por não poderem pagar o IMI", fim de citação. Por onde começar ? Primeiro, qualquer aumento do IMI a ocorrer este ano só será pago no ano seguinte. A não ser que o despejo de famílias sofra um qualquer efeito anti-causal, não percebe como é que agora as muitas famílias vão passar o Natal debaixo da ponte. Segundo, muitas famílias ???? E o grunho que apresenta o jornal da manhã nem se quer guincha um sinal de protesto ?Não verbaliza uma inquietação mental que seja ? Exactamente quantas muitas famílias perderam a casa até ao presente dia por não poderem pagar o IMI ? Há grunhos, e há grunhos que se esforçam por o serem ainda mais.
Durou cerca de uma hora-vlx
o apagão de Tomar, ou três horas no mundo real. No Blasfémias ainda ninguém acusou o monopólio da EDP de ter causado o tornado que derrubou um telhado de uma escola primária, virou camiões e destruíu árvores e casas abandonadas(*). Esperemos que não demore.
Está tudo bem comigo, obrigado pela preocupação. Mas devo de confirmar que realmente pensei o pior quando descobri que a máquina do café estava fora-de-serviço. Foi uma hora-vlx de algum e certo desconforto.
(*) Tudo isto foi o que eu fui ouvindo durante a tarde, e portanto carece de confirmação. Sim, porque esta casa não é um serviço noticioso nem eu sou um jornalista. Para notícias a necessitar de confirmação e/ou escandalosamente falsas, por favor consulte qualquer um dos media nacionais.
Está tudo bem comigo, obrigado pela preocupação. Mas devo de confirmar que realmente pensei o pior quando descobri que a máquina do café estava fora-de-serviço. Foi uma hora-vlx de algum e certo desconforto.
(*) Tudo isto foi o que eu fui ouvindo durante a tarde, e portanto carece de confirmação. Sim, porque esta casa não é um serviço noticioso nem eu sou um jornalista. Para notícias a necessitar de confirmação e/ou escandalosamente falsas, por favor consulte qualquer um dos media nacionais.
Não obstante, continuamos a acreditar na conversão do Professor César das Neves pelo que lhe dedicamos Elvis mas agora em puríssimos lábios
Até porque, como muito bem sabe o caríssimo Professor, nós não podemos seguir juntos com pensamentos suspeitos uns sobre os outros. De outra forma, como edificaremos juntos a Igreja do Senhor, os nossos sonhos, with suspicious minds? Oiçamos a bonita moça em roupa de napa e deixemos esses maus sentimentos e insultos ao Santo Padre, porque o que é puro, a mulher, essa encarnação de Maria, a marca civilizadora, a tentação do conhecimento no bíblico jardim, mas também o seio de onde brotam todos os prazeres do lar, nunca deixará de ser para nós a estrela da manhã, com mais ou menos espalhafato, com mais ou menos contracepção, oiçamos.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Elmano Santos revisitado
Ao apontar para a marca de grande penalidade, ou como diria Manuel Machado, para a linha dos onze metros, os árbitros interferem na emoção aleatória do jogo para passarem a punir os adversários de certas e determinadas equipas, às vezes pessoas que nem sequer se encontram dentro das quatro lihas (ou como diria manuel machado nos rectângulo de jogo), para passarem a controlar o duelo marcador-gatuno, por meio de um apito levemente entalado entre os lábios. Assim, a repetição de uma grande penalidade é, como todos sabemos, uma arte muito difícil de manobrar, pelo que a consistência desta fabulosa equipa do FcPorto, 2010, pode continuar a sua cavalgada pelo deserto enevoado dos variáveis e complexos alinhamentos do super-soccer português, versão 3.4, para grande espanto de todos os burros ajaezados à andaluza que, como eu, insistem em perder tempo com transmissões em directo de relvados localizados no território de um dos países mais pobres da Europa, acreditando que a marcha do marcador pode ser influenciada pela competência dos intervenientes que jogam com os pés e as mãos, em lugar dos intervenientes que jogam com o apito entre os lábios, ou com o telemóvel na orelha, uma ilusão de que já nem as crianças que dormem à tarde nas benditas caminhas dos jardins-escola padecem.
No caso do Professor César das Neves, temos o lamentável dever de informar que o problema não passará e dificilmente voltará ao normal
«Isso passa e voltaremos ao normal.»
Haverá alguém em Portugal que ainda não tenha publicado um livro sobre Sá Carneiro?
O presidente da República, e também o quase presidente da República, mas em careca, Vítor Bento - um economista que começa o seu último livro com uma espectacular incursão histórica no drama da sucessão ao trono de Portugal na ressaca do desastre de Álcacer Quibir (um abraço ao Artur Jorge) - acham mal que os Açores existam e exerçam o seu direito de relegar para quarto plano a contenção salarial, e isto mesmo tendo em conta o facto de os Açores serem aquele lugar onde a pobreza ganha novas formas de recorrência oceânica, e estarem na liderança dos Açores pessoas que, sendo socialistas, planificam o sucesso eleitoral com o desinteresse de um mercado de fruta podre, sendo apenas beneficiados pelo facto de os Açorianos serem eventualmente um dos povos mais analfabetos da Europa (o que por si só justificaria vários subsídios de acordo com o plano Beveridge, uma coisa que caiu fora de moda com a mesma violência das luvas sem dedos. O subsídio aos funcionários públicos perturba por ser um subsídio, por ser aos funcionários públicos, por ser num contexto de cortes salariais nacionais, ou por ser uma semana antes de o Benfica jogar o seu acesso à Liga Europa e, portanto, estar em jogo um novo plano de confiança e consumo no padrão comportamental dos portugueses? Esta é a questão que eu gostaria de ver respondida, mas infelizmente o Rui Ramos encontra-se de férias, a Teresa de Sousa deve estar ocupada com as compras de Natal em Londres e o João Carlos Espada emigrou de vez para o bar de um clube de Cambridge onde serve as bebidas espirituosas dos cavalheiros ingleses e recita curiosidades sobre a velhice de Sir Karl Popper. Que fazer? Vou experimentar uma viagem Cais-do-Sodré/Cacilhas e depois digo-vos qualquer coisa.
O homem gosta de se pôr a jeito
JCN, aqui, em mais um imperdível texto, cheio de coisas destas:
"Castidade, pureza, fidelidade são incompreensíveis. Isso passa e voltaremos ao normal. Sabemos bem como delírios colectivos, a que assistimos tantas vezes e parecem imparáveis, se esfumam depois. O problema destas fúrias culturais está nos estragos que deixam.
"Castidade, pureza, fidelidade são incompreensíveis. Isso passa e voltaremos ao normal. Sabemos bem como delírios colectivos, a que assistimos tantas vezes e parecem imparáveis, se esfumam depois. O problema destas fúrias culturais está nos estragos que deixam.
A França de setecentos e a Rússia de novecentos quase se destruíram na embriaguez da revolução. Agora a cultura preservativa ameaça as sociedades que inquinou. Queda drástica de fertilidade e casamento, envelhecimento da população, degradação da família estiolam o crescimento, dinamismo social, vitalidade cultural. Pior que os tumultos antigos, o vício hedonista deteriora o tecido humano por definhamento. Entretanto o vício ataca a Igreja com disparates daquele calibre por ignorar o sentido da doutrina."
0:42
Após mais uma vil acusação de rodeios, discurso barroco, e digressões semânticas em forma de serpente bíblica, estou incapacitado de produzir conhecimento e penso voltar ainda esta semana a cruzar o rio na rota Cais-do -Sodré/Cacilhas em direcção a uma pastelaria de Almada onde pela primeira vez me deparei com uma caracterização da polivalência funcional do génio metafórico de shakespeare, sendo este comparado aos músculos de um atleta igualmente ágeis em várias disciplinas desportivas.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
A pior música de todos os tempos, no contexto da de si já bastante má música etnográfica, seguido de uma tentativa de recuperação de Né Ladeiras
De Niamey a 2 de Dezembro de 2010 às 01:38
Maravilha Rui Herbon. Acabei de chegar aos 12 anos. A Né Ladeiras e aquela cara nesta capa de LP e o meu irmão Sérgio, o nome impõe-se porque foi sempre o dj ou a music box da minha vida, ele com sete anos à frente dos meus. Obrigada pela pontaria, também em mim e em grande final de feriado :)
Maravilha Rui Herbon. Acabei de chegar aos 12 anos. A Né Ladeiras e aquela cara nesta capa de LP e o meu irmão Sérgio, o nome impõe-se porque foi sempre o dj ou a music box da minha vida, ele com sete anos à frente dos meus. Obrigada pela pontaria, também em mim e em grande final de feriado :)
No post RH Music Box, por onde Rui Herbon, um israelita apaixonado pelo cruzamento entre a voz desafinada de uma transmontana e um amolador de tesouras a girar uma manivela, procura contrariar aquilo que muito justamente se assinala na wikipédia: Banda do Casaco foi uma banda musical portuguesa de rock progressivo e uma das mais votadas ao esquecimento após o 25 de Abril. Convenhamos que nem tudo foi mau após a revolução democrática e a todos os críticos da economia de mercado aqui fica um sinal de esperança por um mecanismo social que conseguiu mergulhar no esquecimento um fenómeno tão lamentável como a Banda do Casaco.
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