da terceira divisão de um pedaço de terra sito entre a França e os Países-Baixos. É pouco, mas é o que temos para nos irmos aguentando. Bom fim-de-semana.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Agora que a novela dos mineiros acabou bem
Convem falarem destes tambem. Há mais realidade para além daquela que vemos na TV.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Há que tempos que andava para falar sobre isto
e eis que tropeço no artigo do Rui Ramos, aqui pirateado. Com um bocadinho menos de floreados na escrita, o meu entender é bastante igual ao do Rui Ramos. Existe uma elite que se julga dona e senhora do país, existe uma multidão de gente que faz pela vida como pode, umas vezes bem, outras mal, outras assim-assim.
A divisão não é de agora, pese o meu limitado conhecimento da história. Antigamente, a elite era a nobreza proprietária de terras, foi durante algum tempo os barões da indústria no século XIX, e durante a maior parte do século XX os senhores doutores de Coimbra e outras paragens. A multidão de bestas de carga era em qualquer período, todo o resto do país.
Com a democracia, a organização manteve-se mas fico com a ideia que a elite se sente livre para fazer o que lhe dá na real gana porque, a intervalos mais ou menos regulares, são "legitimados" por eleições. Não que a elite d'antigamente fosse melhor ou pior. A diferença parece-me que no passado, a elite era obrigada a mostrar a cara limpa em público, mesmo que em privado limpasse o cú com pinhas e carolos de milho como todos os demais mortais. Não é muito, mas parece-me que é bastante mais do que temos hoje. Temos "legitimidade eleitoral", temos "liberdade de impressa", temos "Abril", formas mais modernaças de dizer républica das bananas.
A divisão não é de agora, pese o meu limitado conhecimento da história. Antigamente, a elite era a nobreza proprietária de terras, foi durante algum tempo os barões da indústria no século XIX, e durante a maior parte do século XX os senhores doutores de Coimbra e outras paragens. A multidão de bestas de carga era em qualquer período, todo o resto do país.
Com a democracia, a organização manteve-se mas fico com a ideia que a elite se sente livre para fazer o que lhe dá na real gana porque, a intervalos mais ou menos regulares, são "legitimados" por eleições. Não que a elite d'antigamente fosse melhor ou pior. A diferença parece-me que no passado, a elite era obrigada a mostrar a cara limpa em público, mesmo que em privado limpasse o cú com pinhas e carolos de milho como todos os demais mortais. Não é muito, mas parece-me que é bastante mais do que temos hoje. Temos "legitimidade eleitoral", temos "liberdade de impressa", temos "Abril", formas mais modernaças de dizer républica das bananas.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Não me lixem, tá
Através do Joaquim, venho a saber que na Grécia as farmácias são um negócio protegido. Tal como em Portugal. Tal como muitos outros negócios, medicina por exemplo. Mas respondam-me o seguinte: os medicamentos são mais caros em Portugal do que em países com o negócio farmacêutico liberalizado ? Os clientes são maltratados ? Existe escassez de farmácias ou dificuldade de acesso a quem precisa ?
Eu não sei a resposta a nenhuma destas perguntas, mas caso sejam negativas não vejo porque razão se deve liberalizar o mercado farmacêutico. Ou qualquer outro mercado, a medicina por exemplo. E quem quer que defenda a liberalização de um mercado, tem que me dizer qual o custo da liberalização. Existe um custo em manter áreas de negócio protegidas ? Existe sim, mas também existem custos no mercado liberalizado. Ou o capitalismo é uma cornucópia de vantagens ?
Eu não sei a resposta a nenhuma destas perguntas, mas caso sejam negativas não vejo porque razão se deve liberalizar o mercado farmacêutico. Ou qualquer outro mercado, a medicina por exemplo. E quem quer que defenda a liberalização de um mercado, tem que me dizer qual o custo da liberalização. Existe um custo em manter áreas de negócio protegidas ? Existe sim, mas também existem custos no mercado liberalizado. Ou o capitalismo é uma cornucópia de vantagens ?
O Henrique Raposo é proprietário de uma ignorância que toca por vezes o brilhantismo mas isso nada aproveitará à nossa felicidade
Sem querer invocar qualquer tipo de justificação que alinhe pela tipologia dos bilhetes deixados pelos suicídas adolescente em cima da cómoda da sala, perigosamente perto do napron deixado pela avó, e expostos à influência nefasta da imagem de nossa senhora das dores comprada nas festas do Castelejo, devo deixar algumas palavras que justifiquem o meu ressentimento perante a blogosfera. Começo por trazer em meu auxílio, não uma citação de Melville ou sua adequação à situação psicológica compreendida entre a mama e a infância (sendo que mama e infância podem ser estados ou acções que cruzam com idades cronológicas muito díspares), mas a análise comparativa do comportamento dos comentaristas - um dos brasileirismos mais estúpidos da última década, e que não lembraria sequer ao gigolô Agualusa -no vetusto e simultaneamente vanguardista blogue A Causa foi Modificada. Num post tão mediano como os centros remate de Paulo Ferreira, Maradona aplica uma espécie de teoria homeostática ao jogo de influências mútuas entre os polos justiça/pena de morte, obtendo com o seu razoável exercício a quantidade de 85 comentários.
Num outro post, que escolhemos com a mesma esmerada imparcialidade com que o Público trata os rankings das escolas (o Nuno Pacheco existe mesmo ou é a concretização material do mandarim de Eça de Queiroz?), Maradona procura esboçar, e consegue, a propósito de mais um espectáculo de contorcionismo gramatical e coerência morfológia de Henrique Raposo, uma aplicação directa da teoria do iluminismo de Kant tocando as alturas de um, vá lá, Jorge de Sena, mas sem as referências a Lídia Franco, aliás perfeitamente justificadas. E o que sucede? Obtém apenas 15 comentários.
Isto significa que a blogosfera reproduz padrões de actuação decalcados, tanto da teoria dos jogos como da sociobiologia dos falcões, manobras de eficiência energética (segundo a consideração da máxima economia entre esforço e resultado), muito semelhantes às que emergem do admirável democrático-glamour em que pontifica Ana Lourenço («então a imprensa portuguesa é que é a merda da imprensa portuguesa»). Corando eu com a mesma facilidade e intuição adolescente de um Alexandre O'neil - partindo de uma premissa tão deslocada como a carreira muscial de Maria de Medeiros, isto é, a ideia de que a blogosfera significaria um alçapão onde talvez fosse possível encontrar Alice e as maravilhas do seu mundo - não posso continuar a esconder um certo enfado, que deve ser aproveitado para a produção de uma coisa que, sendo tão pretenciosa como os jardins de Serralves, a literatura, no entanto, não busca, pelo menos no filtro das minhas explosivas sinapses, uma imediata resolução do seu objectivo, que é talvez a característica que faz da blogosfera uma das mais emblemáticas realizações culturais da modernidade decadente, e um dos maiores equívocos na sangrenta história da meritocracia: a ficção de igualdade, o imediatismo entre desejo e resultado, a aparência de neutralidade do seu mercado de comentários. Não por acaso, Maradona passa dois terços do seu tempo a explicar que autonomia e pensamento científico nada têm que ver com método. Acontece que o próprio blogue de Maradona confirma a superioridade do método sobre toda a inteligência autónoma (pisar as pégadas de quem veio antes é sempre mais produtivo do que arriscar veredas normalmente frequentadas por Cabras - que já subiu ao pé do Cabril que me desminta se for capaz). Sem uma estratégia - meus caros infelizes que tiveram o azar de chegar até aqui, embalados por uma biliosamente humana argumentação de inveja - tudo acaba na irrelevância e na não-existência, que é onde muitas vezes encontro a única consolação de tudo isto que nos cerca.
P.S. Acabei de perder uma hora de salários nas Minas Gerais do século XVIII. Terei muitas dificuldades em adormecer.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Dupond e Dupont
Pegando onde o binary deixou, falta dizer que o Passos Coelhos também afirmou que as parcerias público-privadas (Scuts, hospitais "privados", etc) vão custar quatro submarinos/ano nos próximos 25 anos. Antes demais quero saudar a inovação métrica, "submarinos" em vez dos já estafados "mil milhões".
Ora se estes custos são tremendos, porque não pura e simplesmente cortá-los ? As SCUTs passam a ter portagens, os hospitais "privados" passam eles próprios a pagar as suas dívidas que lindo é. Só que não foi isto que o PSD fez. No caso das SCUTs, fez birra até alguns municípios estarem isentos e outros não. Conclusão, não só não impediu o corte da despesa que agora critica como acabou por decidir que uns são filhos, os outros enteados.
Igual, só o actual primeiro-ministro que veio chorar que a Merkel o obrigava a contabilizar os submarinos este ano e por isso teve de roubar, o termo é este, o fundo de pensões da PT. Coiso e tal, a culpa é do Portas e restantes OOCPP. Esquece que a compra dos submergíveis foi decidida no governo do Guterres, no conselho de ministros de que fazia parte o Sócras. Quando foi para comprar, ah e tal o governo a modernizar as forças armadas. Quando é para pagar, ah coiso e tal o OOCPP.
Ora se estes custos são tremendos, porque não pura e simplesmente cortá-los ? As SCUTs passam a ter portagens, os hospitais "privados" passam eles próprios a pagar as suas dívidas que lindo é. Só que não foi isto que o PSD fez. No caso das SCUTs, fez birra até alguns municípios estarem isentos e outros não. Conclusão, não só não impediu o corte da despesa que agora critica como acabou por decidir que uns são filhos, os outros enteados.
Igual, só o actual primeiro-ministro que veio chorar que a Merkel o obrigava a contabilizar os submarinos este ano e por isso teve de roubar, o termo é este, o fundo de pensões da PT. Coiso e tal, a culpa é do Portas e restantes OOCPP. Esquece que a compra dos submergíveis foi decidida no governo do Guterres, no conselho de ministros de que fazia parte o Sócras. Quando foi para comprar, ah e tal o governo a modernizar as forças armadas. Quando é para pagar, ah coiso e tal o OOCPP.
Isto é o mesmo que dizer que se não tivesse que trabalhar ficava em casa
“Deixem-me dizer-lhes, se não estivéssemos em vésperas de eleições presidenciais, o que hoje estava a discutir em Portugal não era se deixávamos passar o Orçamento ou se o chumbávamos, era a apresentação de uma moção de censura a este Governo”, afirmou.
Que lata a destes senhores que se fartam de dizer estas larachas, mas que no fundo querem que isto continue. Se tem tanta vontade de mudar porque não avançar já? Pior do que está vai ficar. De certeza.
Que lata a destes senhores que se fartam de dizer estas larachas, mas que no fundo querem que isto continue. Se tem tanta vontade de mudar porque não avançar já? Pior do que está vai ficar. De certeza.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
domingo, 10 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Parece que foi ontém!!
Parece que foi ontém. A bola laranja rolava no alcatrão do campo da escola. Era, pela primeira vez minha. Não o "minha" que grita um qualquer experimentado jogador de futebol. Mas MINHA, com os escudos todos, acordado numa manhã de Natal por um estranho e quase arredondado embrulho. Era o meu bilhete para jogar. E joguei.
Parece que foi ontém. O caminho é longo e o homem não envelhece. Restam as luzes da ribalta. O fato, retornado a casa pela empregada de sempre, esbate o azul no transparente plástico da lavandaria. Chega ao estúdio e como se uma associação se tratasse comercializa-se o que se pode dizer, o que se deve escutar, o que se pode escutar.
- Escuta! Dizem-me os amigos de jogo, não estás a jogar nada!! Tens que aceitar isso. Não nos leves a bola senão o jogo acaba!
- Escutem, escutem com atenção. E vejam, vejam como os donos da bola podem acabar com o jogo! Refere o interlocutor como se de um guião de um filme se tratasse. Um longo filme. Um filme minimalista, como só o jogo de poder pode ser.
Acabei a jogar sózinho no quintal. O grande jogo, esse, continuou.
Parece que foi ontém. O caminho é longo e o homem não envelhece. Restam as luzes da ribalta. O fato, retornado a casa pela empregada de sempre, esbate o azul no transparente plástico da lavandaria. Chega ao estúdio e como se uma associação se tratasse comercializa-se o que se pode dizer, o que se deve escutar, o que se pode escutar.
- Escuta! Dizem-me os amigos de jogo, não estás a jogar nada!! Tens que aceitar isso. Não nos leves a bola senão o jogo acaba!
- Escutem, escutem com atenção. E vejam, vejam como os donos da bola podem acabar com o jogo! Refere o interlocutor como se de um guião de um filme se tratasse. Um longo filme. Um filme minimalista, como só o jogo de poder pode ser.
Acabei a jogar sózinho no quintal. O grande jogo, esse, continuou.
Estou farto
não da república, mas dos seus oficiais. O Maradona, não vale a pena linkar o bicho apaga o blog regularmente, respondeu muito bem a este post que todos os sistemas políticos têm os seus defeitos e virtudes. Faltou concluir que dos efeitos perniciosos dos primeiros e benéficos dos segundos depende muito dos mamíferos que calham ocupar a cadeira do poder no instante.
Não me choca o lamento do deputado contra um corte de 5% no salário, mas a completa falta de responsabilidade e sentido de dever que tem vindo a caracterizar quem tem o ceptro nesta 3ª encarnação da república. Sou obrigado a concordar com o Chesterton quando defende que a coroa só deve ser colocada na cabeça de quem está convicto não estar à altura das responsabilidades, ao invés de ser democraticamente oferecida a que se ilude com afirmações de certeza sobre o caminho para a salvação nacional.
Gosto muito deste Portugal Novo de que fala o Filipe: simples, sem pretensões e envergonhado. Neste novo Portugal não existem espaços políticos, apenas interesses devidamente hierarquizados tal qual uma sociedade feudal. Não teríamos telemóveis de última geração, mas almoços de domingo à sombra da parreira. Só que tal como o homónimo Estado Novo, está destinado a acabar. Existe algo na natureza humana, ou na alma lusa não sei, que é permanente fonte de inquietação e torna inviável qualquer tentiva para manter um estado das coisas em equilíbrio. O Portugal Novo é algo que eu aprecio bastante, enquanto estiver no seu cantinho utópico onde nasceu. No país endividado do século XXI, espero que quando o barco se afundar (os ratos já andam em fuga à muito mas são tantos) a coisa vá tranquila e sem fazer muito estrilho. Precisamos de novos começos calmos e lentos, nada de barulho e confusão.
Não me choca o lamento do deputado contra um corte de 5% no salário, mas a completa falta de responsabilidade e sentido de dever que tem vindo a caracterizar quem tem o ceptro nesta 3ª encarnação da república. Sou obrigado a concordar com o Chesterton quando defende que a coroa só deve ser colocada na cabeça de quem está convicto não estar à altura das responsabilidades, ao invés de ser democraticamente oferecida a que se ilude com afirmações de certeza sobre o caminho para a salvação nacional.
Gosto muito deste Portugal Novo de que fala o Filipe: simples, sem pretensões e envergonhado. Neste novo Portugal não existem espaços políticos, apenas interesses devidamente hierarquizados tal qual uma sociedade feudal. Não teríamos telemóveis de última geração, mas almoços de domingo à sombra da parreira. Só que tal como o homónimo Estado Novo, está destinado a acabar. Existe algo na natureza humana, ou na alma lusa não sei, que é permanente fonte de inquietação e torna inviável qualquer tentiva para manter um estado das coisas em equilíbrio. O Portugal Novo é algo que eu aprecio bastante, enquanto estiver no seu cantinho utópico onde nasceu. No país endividado do século XXI, espero que quando o barco se afundar (os ratos já andam em fuga à muito mas são tantos) a coisa vá tranquila e sem fazer muito estrilho. Precisamos de novos começos calmos e lentos, nada de barulho e confusão.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Fermosa estrebaria II
O oásis ecológico urbano duas ruas mais ao lado de onde obro, com um custo de 16.6 €/mês. No outro lado da rua estavam pratos com comida e água em oferenda aos gatos vadios que habitavam no edifício em ruínas, que uma idosa religiosamente enchia diariamente. A utilização do pretérito prende-se com o facto do prédio agora se encontrar em restauro, tendo os gatos e a idosa abandonado o local no que se configura como um sério atentado à biodeversidade autóctone do local.
Fermosa estrebaria
O local de reprodução de pragas urbanas do lado oposto da rua onde obro, à taxa corrente de 16,6 €/mês.
Amanhã faz 100 anos
que do balcão da Câmara Municipal de Lisboa foi declarada a república. Os mamíferos, para utilizar uma das palavras mais frequentes no "God is not great" do Hitchens, que pululam neste vestuto edifício decidiram imputar-me a a soma de 200 euros para o esforço colectivo de conservação dos esgostos alfacinhas. Agradeço,antes de mais, a preocupação demonstrada pelas sanguessugas, para não utilizar outas expressões vernaculares frequentes nos comentários ao plano de austeridade do governo, em manter os canais que diariamente têm testemunhado a única obra que tenho até hoje regularmente produzido em quantidade, por regra entre as 9 e as 10 da matina.
Mas já que me chulam 200 aéreos, em expressão popular, para manter os canais subterrâneos desta fermosa estrabaria, alguém sabe onde encontro o livro do cavaleiro d'Oliveira ?, gostaria de chamar atenção para a parte sobterrânea desta cidade. As ruas de Lisboa, se são caracterizadas é pela acumulação de lixo e excreções por vezes caninas, outras vezes humanas, que nelas se verifica. E o que dizer do ecoponto sito no lado oposto da rua senão que é um verdadeiro santuário ecológico para espécies urbanas tão díspares, o que eu suei para utilizar esta palavra, como o são os ratos, as baratas e os pombos ? Um verdadeiro oásis urbano de pragas mantido a custo pela acumulação de lixo, todo ele reciclável é verdade, mas infelizmente recolhido apenas quando Marte está em conjução com Vénus e Júpiter no 4º quadrante.
Não me ocorre nada mais próprio para celebrar os 100 anos da república do que chamar a atenção a que do mesmo sítio onde esta foi proclamada, agora se cobram 16.6 €/mês em imposto aos munícipes por produzir a matéria que preenche as cabeças com gabinete na Praça do Município.
Mas já que me chulam 200 aéreos, em expressão popular, para manter os canais subterrâneos desta fermosa estrabaria, alguém sabe onde encontro o livro do cavaleiro d'Oliveira ?, gostaria de chamar atenção para a parte sobterrânea desta cidade. As ruas de Lisboa, se são caracterizadas é pela acumulação de lixo e excreções por vezes caninas, outras vezes humanas, que nelas se verifica. E o que dizer do ecoponto sito no lado oposto da rua senão que é um verdadeiro santuário ecológico para espécies urbanas tão díspares, o que eu suei para utilizar esta palavra, como o são os ratos, as baratas e os pombos ? Um verdadeiro oásis urbano de pragas mantido a custo pela acumulação de lixo, todo ele reciclável é verdade, mas infelizmente recolhido apenas quando Marte está em conjução com Vénus e Júpiter no 4º quadrante.
Não me ocorre nada mais próprio para celebrar os 100 anos da república do que chamar a atenção a que do mesmo sítio onde esta foi proclamada, agora se cobram 16.6 €/mês em imposto aos munícipes por produzir a matéria que preenche as cabeças com gabinete na Praça do Município.
Deviam imprimir esta entrevista e distribuir por todo o lado
Henrique Neto ao Publico, numa entrevista obrigatória de se ler
alguns tópicos:
"Penso que é um misto de falta de sentido de Estado, de ignorância, de voluntarismo e de teimosia e, porventura mais importante, de falta de convicção sobre o interesse geral a que muitos chamam patriotismo
As medidas propostas, sendo inevitáveis, dada a dimensão da dívida e a desconfiança criada pelo Governo junto dos credores internacionais, não tocam no essencial da gordura do aparelho do Estado e nos interesses da oligarquia dirigente. Mas o pior é que estas medidas, pela sua própria natureza, não são sustentáveis no futuro e não é expectável que, com este Governo, se consiga o crescimento sustentado da economia.
José Sócrates iludiu, durante cinco longos anos, todos os reais problemas da economia através de um optimismo bacoco e inconsciente.
Não o fez apenas por ignorância, mas para servir os interesses da oligarquia do regime, através da especulação fundiária e imobiliária, das parcerias público-privadas, dos concursos públicos a feitio, das revisões de preços e de uma miríade de empresas, institutos, fundos e serviços autónomos, além das empresas municipais. Regabofe pago com recurso ao crédito e sem nenhum respeito pelas gerações futuras.
Infelizmente, Portugal está na senda de escolher jovens primeiros-ministros que não sabem do que falam."
alguns tópicos:
"Penso que é um misto de falta de sentido de Estado, de ignorância, de voluntarismo e de teimosia e, porventura mais importante, de falta de convicção sobre o interesse geral a que muitos chamam patriotismo
As medidas propostas, sendo inevitáveis, dada a dimensão da dívida e a desconfiança criada pelo Governo junto dos credores internacionais, não tocam no essencial da gordura do aparelho do Estado e nos interesses da oligarquia dirigente. Mas o pior é que estas medidas, pela sua própria natureza, não são sustentáveis no futuro e não é expectável que, com este Governo, se consiga o crescimento sustentado da economia.
José Sócrates iludiu, durante cinco longos anos, todos os reais problemas da economia através de um optimismo bacoco e inconsciente.
Não o fez apenas por ignorância, mas para servir os interesses da oligarquia do regime, através da especulação fundiária e imobiliária, das parcerias público-privadas, dos concursos públicos a feitio, das revisões de preços e de uma miríade de empresas, institutos, fundos e serviços autónomos, além das empresas municipais. Regabofe pago com recurso ao crédito e sem nenhum respeito pelas gerações futuras.
Infelizmente, Portugal está na senda de escolher jovens primeiros-ministros que não sabem do que falam."
sábado, 2 de outubro de 2010
jangada de pedra
No meio do barulho da semana passou despercebida uma pequena notícia onde se referiu a existência de uma lacuna de mais de mil professores, sublinhando-se a falta de professores de espanhol. O facto, aparentemente de pequena importância, revela-se quando pensarmos que o desejo por docentes de espanhol reflecte uma das principais vias pelas quais o actual governo perspectiva desenvolver o país. Para além do plano tecnológico, lembre-se. Sintetizando, pretende-se apanhar boleia dos espanhóis no seu glorioso caminho para o sucesso económico. E. ao contrário do plano tecnológico, o projecto parece já estar a dar frutos. Ora vejamos. Aproximamo-nos, a grande velocidade, de um grande desenvolvimento da taxa de desemprego do país vizinho; podemos sempre estimular o nosso empreendorismo criando empresas, à base dos já clássicos autocarros, para conduzir espanhóis do Poceirão a Lisboa; podemos tentar ir jogar para o Real Madrid (objectivo difícil, mas têm tantos jogadores que nao jogam nada, mais um menos um); podemos, e este parece-me ser o melhor objectivo, ainda por cima sublinarmente pensado pelo "socras", fazer uma jangada de pedra que nos leve até Cuba. Sim Cuba, pobres por pobres mais vale fazê-lo em estilo, com modo de vida vintage e com cancros de pulmão arranjados em charutos maravilhosos. ah, e rum e cubanas para nos animar muito mais falando muito menos que a corja de comentadores que assaltam a nossa sanidade diariamente em todo o lado, até no WC os ouço, mas aí sem distorção.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Ah pois é
"Da próxima vez que um dos meus conhecidos novos situacionistas manifestar a habitual incompreensão pelo facto dum político como Salazar ter governado os portugueses durante 40 anos, lembrar que José Sócrates já governa os portugueses há mais de 5 anos.". Impertinências
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Ontem ia tendo um susto
ao ligar a televisão e ver o primeiro-ministro a anunciar cortes na despesa e aumentos nos impostos. O mais correcto é dizer prometer cortes na despesa e garantir aumentos dos impostos. Questões de português à parte, a aparição só peca por tardia. A blogoesfera salivou tal qual os canitos do Pavlov, salvo uma ou outra excepção. Tudo normal, portanto. Tenho cá para mim que o mais tardar em Novembro vão ser feitos mais anúncios, e qual sistema linear e invariante no tempo de primeira ordem, vamos assistar a mais caninas reacções da blogoesfera. Vai nos salvando o youtube. You're getting to be a habit with me senhor primeiro-ministro:
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Um pequeno mas relevante esclarecimento
Antes do almoço, e verdade seja dita depois também, eu não estava preocupado com os tachos, as remunerações, as reformas vitalícias por 3 meses de trabalho (ó Alegre, estás a ouvir ?) que pululam, linda palvra, sonora palavra, dizia eu que pululam pela classe política. Este tipo de prebendas é erva daninha da pior, daquela que nem com 605 forte se consegue extirpar.
Estava, e continuo mesmo depois do jantar, preocupado com a falta de noção das obrigações que os eleitos têm para com os eleitores e, mais que isso, com as obrigações próprias das funções para que são eleitos. Fico com a sensação que exactamente no Portugal republicano existe uma classe que se julga acima das demais. Uma espécie de aristocracia republicana. O problema é que a antiga, percebia-se como é que se lhá chegava, calhava no berço. Esta, a republicana ninguém sabe como se obtêm, mas pelos exemplos parece que é corrompendo aquilo que se convencionou chamar a ética republicana.
Estava, e continuo mesmo depois do jantar, preocupado com a falta de noção das obrigações que os eleitos têm para com os eleitores e, mais que isso, com as obrigações próprias das funções para que são eleitos. Fico com a sensação que exactamente no Portugal republicano existe uma classe que se julga acima das demais. Uma espécie de aristocracia republicana. O problema é que a antiga, percebia-se como é que se lhá chegava, calhava no berço. Esta, a republicana ninguém sabe como se obtêm, mas pelos exemplos parece que é corrompendo aquilo que se convencionou chamar a ética republicana.
Era uma vez um país
onde as farmácias gozavam de um monopólio alimentado pelo Estado. Certo dia, o Estado acossado pelos credores, começa a cortar timidamente na ração das farmácias. Levanta-se o animal em protesto, grunhe que vai começar a cobrar os pacientes por dá cá aquela palha(*). Se o Estado continuar perseguido pelo cobrador do fraque, as farmácias arriscam a experimentar os doces desígnios do mercado livre. Já a minha avó dizia, ovelha que berra é bocada que perde.
(*) Escutei hoje de manhã na TVI que as farmácias querem cobrar por aconselhar os clientes nos cremes que compram, na ajuda a ler os resultados das análises, etc. Eu gostava de entender com que cara um farmacêutico hoje mede o colesterol à Sra. Adozinda de graça, mas amanhã já lhe pede uns trocados em troca.
(*) Escutei hoje de manhã na TVI que as farmácias querem cobrar por aconselhar os clientes nos cremes que compram, na ajuda a ler os resultados das análises, etc. Eu gostava de entender com que cara um farmacêutico hoje mede o colesterol à Sra. Adozinda de graça, mas amanhã já lhe pede uns trocados em troca.
Vou ser curto para não estragar o almoço
Tudo bem, aperte-se a canga. Mas será que quem nos últimos 30 anos esteve no poder, são os mesmos de sempre, não tem a humildade de notar que também tem responsabilidades ? Os representantes eleitos, que decidem entre eles as benesses com que o Estado os deve presentear, não têm uma ponta de vergonha ? É realmente mais fácil a esta gentinha montar o circo da OCDE ao invés de anunciar as medidas duras que o momento impõe ?
Daqui a pouco vou almoçar
mas enquanto espero que o maralhal se despache, gostava de relembrar o circo que foi ontem o relatório da OCDE. Tenho a mais perfeita certeza que vamos ter que pagar o regabofe das últimas décadas, contandas a partir do cavaquismo até hoje. E por isso sim, aumentem-se os impostos, diminuam-se as deduções fiscais, humilhem-se os mais desfavorecidos que afinal devem ter sido quem botou no PS sem D. É a vida, diria uma personagem do século passado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



