quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ontem ia tendo um susto

ao ligar a televisão e ver o primeiro-ministro a anunciar cortes na despesa e aumentos nos impostos. O mais correcto é dizer prometer cortes na despesa e garantir aumentos dos impostos. Questões de português à parte, a aparição só peca por tardia. A blogoesfera salivou tal qual os canitos do Pavlov, salvo uma ou outra excepção. Tudo normal, portanto. Tenho cá para mim que o mais tardar em Novembro vão ser feitos mais anúncios, e qual sistema linear e invariante no tempo de primeira ordem, vamos assistar a mais caninas reacções da blogoesfera. Vai nos salvando o youtube. You're getting to be a habit with me senhor primeiro-ministro:

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Um pequeno mas relevante esclarecimento

Antes do almoço, e verdade seja dita depois também, eu não estava preocupado com os tachos, as remunerações, as reformas vitalícias por 3 meses de trabalho (ó Alegre, estás a ouvir ?) que pululam, linda palvra, sonora palavra, dizia eu que pululam pela classe política. Este tipo de prebendas é erva daninha da pior, daquela que nem com 605 forte se consegue extirpar.

Estava, e continuo mesmo depois do jantar, preocupado com a falta de noção das obrigações que os eleitos têm para com os eleitores e, mais que isso, com as obrigações próprias das funções para que são eleitos. Fico com a sensação que exactamente no Portugal republicano existe uma classe que se julga acima das demais. Uma espécie de aristocracia republicana. O problema é que a antiga, percebia-se como é que se lhá chegava, calhava no berço. Esta, a republicana ninguém sabe como se obtêm, mas pelos exemplos parece que é corrompendo aquilo que se convencionou chamar a ética republicana.

Era uma vez um país

onde as farmácias gozavam de um monopólio alimentado pelo Estado. Certo dia, o Estado acossado pelos credores, começa a cortar timidamente na ração das farmácias. Levanta-se o animal em protesto, grunhe que vai começar a cobrar os pacientes por dá cá aquela palha(*). Se o Estado continuar perseguido pelo cobrador do fraque, as farmácias arriscam a experimentar os doces desígnios do mercado livre. Já a minha avó dizia, ovelha que berra é bocada que perde.

(*) Escutei hoje de manhã na TVI que as farmácias querem cobrar por aconselhar os clientes nos cremes que compram, na ajuda a ler os resultados das análises, etc. Eu gostava de entender com que cara um farmacêutico hoje mede o colesterol à Sra. Adozinda de graça, mas amanhã já lhe pede uns trocados em troca.

Vou ser curto para não estragar o almoço

Tudo bem, aperte-se a canga. Mas será que quem nos últimos 30 anos esteve no poder, são os mesmos de sempre, não tem a humildade de notar que também tem responsabilidades ? Os representantes eleitos, que decidem entre eles as benesses com que o Estado os deve presentear, não têm uma ponta de vergonha ? É realmente mais fácil a esta gentinha montar o circo da OCDE ao invés de anunciar as medidas duras que o momento impõe ?

Daqui a pouco vou almoçar

mas enquanto espero que o maralhal se despache, gostava de relembrar o circo que foi ontem o relatório da OCDE. Tenho a mais perfeita certeza que vamos ter que pagar o regabofe das últimas décadas, contandas a partir do cavaquismo até hoje. E por isso sim, aumentem-se os impostos, diminuam-se as deduções fiscais, humilhem-se os mais desfavorecidos que afinal devem ter sido quem botou no PS sem D. É a vida, diria uma personagem do século passado.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Agora que isto anda animado graças ao alf e à menina limão

deixo aqui o treinador que o Madail não encontrou

Para uns é o facebook, para mim é o youtube

Sistemas dinâmicos

O analfabeto do António Boronha, ou Barahona, ou Boroah, mas em qualquer caso analfabeto, regista piques de visitas acimas do 1500 visitantes diários. E porquê? Porque trouxe colocado na lapela, mesmo ao lado dos salpicos de caspa e do alinhavado elegante do fato italiano, o místico-simbólico emblema da federação portuguesa de futebol, o que significou muitas entrevistas, muitos planos inclinados na caixinha, e acesso a informação privilegiada. Isto é injusto, pergunta o jovem amanuense de Marco de Canaveses? Não, isto é o seguimento implacável dos sistemas orgânicos, e aposto aqui já dois dedos da mão esquerda em como se Dias Ferreira escrevesse um romance histórico, com o cenário exótico na presença portuguesa na Manila do século XVII, tendo como protagonistas um frade zarolho, uma freira voluptuosa e um judeu indonésio, sacava para cima de 50 000 leitores, com umas três edições.

Era um elogio, mas reconheçam-se as dificuldades do artista enquanto jovem: mas isto está ou não apenas ao alcance de uma pessoa muito sensível?

Incoerente, eu? Claro que sim. Desde a divulgação dos meus dj sets, à apresentação pública do meu trabalho, uma difícil gestão de contradições. Mas quanto mais esta miúda franzina de olhos tristes puder ser apenas a miúda franzina de olhos tristes, maiores as hipóteses de se alegrar. Sou discreta. E tímida. E complicadinha. Menos corpo, mais alma. É o inverso de um espelho real – o sinónimo de um espelho mágico.
ver mais aqui

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ah, a felicidade...

Vamos lá ver o que é a felicidade: será um problema fisiológico? Do tipo do oleamento morfológico, ou será psico-motor, dadas as dificuldades colocadas pela lei da inércia - ó pobre Galileu que não escrevias oito livros de cada vez -, tendo em conta o espaço e a massa dos corpos em deslocação? Será uma questão topográfica, já que a estética corporal pode ser entendida como um sub-sistema no capítulo da geografia humana ou uma micro-análise das repercussões ecológicas no mecanismo de reprodução dos genes? O que eu tenho insistido nisto, sobretudo sob o prisma dos muitos parasitas que habitam o sistema - isto não é uma indirecta - e que a mais recente Biologia aponta como determinantes na sobrevivência evolutiva do sexo - que dois mil anos de cristianismo têm potenciado, ao contrário do que se julga -, sexo cuja missão parece ser conferir aos seres sexuados uma vantagem adaptativa, fundamental para baralhar os alinhamentos genéticos e tornar menos vulneráveis os humanos, resultantes dessa moscambilha carnal, a doenças e outras merdices, decorrentes da dinâmica muito complexa entre o binómio parasitas-hospedeiro e a evolução das respectivas populações em meio natural.

Meu Deus, serão estes os relâmpagos que anunciam os quatro cavaleiros do apocalipse?

Pórtico: alguém arranja uns números de telefone ao Pedro Mexia?
Fazível
Continuamos com esta linguagem adolescente de «bonitos» e «feios», categorias sentimentais e estéticas, quando a estética pouco conta e o sentimento não conta nada. As pessoas são, quando muito, «atraentes» ou não. Não são objectos estéticos, mas sujeitos relacionais. Em demótico: as pessoas são «fodíveis» ou não. Há uma idade em que esta ideia nos choca. Há uma idade em que nos choca que alguém fique chocado.
às
Interlúdio: é que nós não andamos mesmo aqui a fazer nada!!!

ISBN
Estou a trabalhar em oito livros ao mesmo tempo. É um pouco embaraçoso, confesso, parece uma avalanche que, tal como as avalanches, ninguém pediu. Na verdade, alguns destes livros estavam quase prontos e deviam ter saído algures nos últimos dois anos e meio, não estivesse eu mergulhado em avaliações bietápicas e na renovação estatal do stock de agrafos. De todo o modo, não peço desculpa, é precisamente isto que tenho que fazer. Homem que não espalha a sementinha, ao menos que espalhe o ISBN.
às

Quem se mostra capaz de adivinhar de quem é este post absolutamente pseudo-pretencioso, inculto, ordinário, rasteiro, literatice-ó-literário?

Aspas
Encontro umas notas incompletas, confusas, mal escritas, a felicidade como «ilusão», como «propaganda narcísica», como «mercadoria». Cinismo sub specie aeternitatis miseráveis anotações em uma noite desolada?

Embora assassinando a literatura, ao comprar em resmas livros de José Luís Peixoto, é preciso reconhecer que só as gajas são capazes destes prodígios

Há pessoas cujos valores pessoal e social são brutalmente inflacionados pelos valores pessoal e social do seu parceiro amoroso. Estamos, portanto, no plano dos valores imerecidos ou daqueles aos quais somos obrigados a dar o benefício da dúvida. Quem tem um conhecimento prévio da pessoa menos bem cotada espanta-se, interroga-se, especula. Quem tem um conhecimento posterior da mesma, vê-a à luz desse valor acrescido, partindo a segunda com uma considerável vantagem face à predisposição da primeira para dela pensar o melhor. Há quem se mostre à altura do engodo (demonstrando valor intrínseco) e há quem nunca engane ninguém. [O papel do parceiro bem cotado daria toda uma outra análise científica.] Em qualquer um dos casos, as coisas tornam-se muito mais claras para todos quando a relação acaba (se acaba). E depois, dependendo do modo como finda e do que disso é público, novos valores (positivos ou negativos) são-lhe(s) então atribuídos.

Fragmentos de um Discurso Amoroso no Plano Social, Menina Limão, Blogger Editora, 2010

Isto também

O problema da informação é o problema da informação necessária para descodificar se há efectivamente um problema. Se há, não há informação que nos salve e se não há, nunca chegaremos provavelmente a saber porque razão perdemos tanto tempo a digitar merdas num computador, seja uma arcádica coluna de pensamentos inspirados na dramaturgia de Terêncio, nos clássicos paneleiros e essas coisas caras ao Pedro Lomba, que lê muitos livros ingleses, ou uma espiral de programação binária capaz de fazer mexer as antenas de um caracol a deslocar-se à velocidade de dois centimetros por hora numa folha de couve, algures num quintal de uma vivenda unifamiliar da Damaia.

Isto é verdade

De Tolan a 23 de Setembro de 2010 às 15:06

Mais um livro em inglês, sobre coisas dos ingleses. Já praí o décimo.

responder a comentário

Playboy


Vamos aqui introduzir um pico de visitas, só em jeito de estratégia diversificadora, para dizer que uma das coisas que mais me encanita, neste mecanismo sinistro que é a blogosfera, é uma aparência de modernidade, velocidade de circulação e independência, o que, com a excepção de um ou dois autores, é uma das mais espectaculares aldrabices na história mundial dos engodos ideológicos, na medida em que os índices de visitas apenas respondem a valores tradicionais de poder (segundo a categoria de Adam Smith - nascimento, dinheiro, idade), e a lógicas discursivas que sirvam os interesses discursivos dos bloguers, ao que muitos responderão - «mas querias agora mandar na liberdade de consciência de cada um responder apenas ao que lhe vai na pinha, é estalinista de merda?» - ao que eu respondo - «não queria, nem quero sequer um corno endiabrado, mas ao menos que não venham aqui depois zurzir com a pluralidade da blogosfera» - e uma coisa, entre muitas, é certa, nós vamos continuar a manter a calma, digo mais, estamos mesmo completamente calmos, calmos até á ponta das orelhas hirtas e estigmatizadas - e para citar um cego do metropolitano de Lisboa, podem querer que continuaremos a acreditar no vosso auxílio - ou corremos seriamente o risco de sofrer uma sportinguização do Elogio da Derrota, o que seria manifestamente trágico para as nossas ambições sórdidas e populistas.

Os invencíveis do século XXI


Durante muito tempo, quando os assistentes políticos dos reis e chefes das repúblicas, de joelhos dobrados em almofada de veludo, escrevinhavam mapas de receita e despesa chegados por via marítima, depois de cruzar o Atlântico, o Pacífico ou o Índico, cheirando a pimenta, açucar e ao sangue dos mau compradores, as discussões económicas padeciam ainda da imprecisão bruta das coisas incivilizadas. Depois, inventou-se a calculadora, a série industrial, o filme pronográfico, e uma imparável democratização da opinião política foi cavalgada pela precisão numérica dos dados. Nunca mais ninguém quis passar pela humilhante ignorância do cálculo. Ora, no blogue Ladrões de Bicicletas , onde escrevem pessoas que lêm muitos livros ingleses, e escrevem recensões a livros versando sobre economistas que valeria a pena se não estivessemos ocupados a ler os seus comentadores e os recenseadores dos seus comentadores, neste blogue a fervilhar de cálculo e de economistas, a objectividade dos indicadores serve para destronar as políticas de austeridade, também elas, com muita justiça, baseadas na objectividade dos números. Estarão os números errados? «Não!» - dirá o indíviduo sagaz, treinado na versatilidade das variáveis, talvez trazendo pendurada, no seu pescoço delgado, uma gravata comprada na Zara, enquanto lança uma olhadela furtiva à primeira página de A BOLA: e pensa que o problema é que todo o indicador parte de uma observação, e a observação, qualquer que ela seja, na medida em que é um ponto de vista, e tendo em conta que a política se faz com pontos de vista, é já um posicionamento político vincado. Ele pensa talvez isto, nos momentos em que lhe pousa furtivamente no ombro a coruja do conhecimento inútil, mas como é preciso almoçar, logo passa a rabiscar no seu blogue um qualquer ponto de vista de onde se avistará a terra por onde corre leite e mel. Quando falamos da Balança de Pagamentos Tecnológica como estando manipulada pelo discurso do governo, estamos a ignorar que todos os indicadores servem um qualquer discurso de governo, ou de candidatura ao governo, ou de crítica à candidatura ao governo, quer dizer que ocupam um qualquer ponto na tensão que existe entre os milhares de pontos em tensão que formam aquilo a que chamam economia. Dizemos, concordando com o governo que «exportar mais serviços tecnológicos do que aqueles que se importa não deixa de ser boa notícia», para logo franzir o cenho, arregalar os olhos e disparar «mas há que mantê-la nas suas proporções.» Aplaudimos o saldo positivo da Balança de Pagamentos Tecnológicos (se possível usando siglas, BPT - sempre confere uma espécie de aproximação à codifiação matemática), parece que «foi de 85 milhões de euros em 2009», lembrando que isso significa apenas «uns modestos 0,05% do PIB». O PIB, nem vale a pena explicar o que é, ou caíriamos em ridículo relativismo (o economista do século XXI nunca esquece a força implacável dos factos). Por outro lado, tudo pode reverter-se, no que toca aos aspectos negativos de um dado positivo, desde o papel higiénico de folha dupla até um «saldo positivo» que está sempre longe de se dar por garantido, como sempre «mostram as evoluções dos últimos anos». Seguem-se normalmente uns gráficos que fazem as vezes dos mapas astrológicos na arca de Fernando Pessoa, onde se ouve o restolhar pesado do prestígio das instituições, arrastando os rolos das séries numéricas, o ressoar febril dos discos informáticos, e a limpeza de processos assinalada pelas camisas brancas, agora parcialmente substituídas por indumentárias mais plurais, de acordo com as regras do team building e das propícias condições de pertença ao local de trabalho: o Banco de Portugal, a OCDE, o Eurostat, o Notícias de Lordelo, o comentário de João Duque, para já não falar das sempre exaustivas explicações dos intervalos escolhidos - os últimos anos podem ir desde a crise do subprime de 2007, até à embaixada de Ramsés II ao Xá da Pérsia, se isso for propício à argumentação do economista do século XXI, entre o almoço de 100 euros num restaurante vietnamita e a necessidade de intensificar políticas públicas de apoio às tecnologias. Depois segue-se um aluvião minhoto em forma de conhecimentos consensuais, tão graníticos como as fragas do Marão: a «economia portuguesa é sobre-especializada em sectores de baixa intensidade tecnológica» + «recente redução do peso das exportações mais intensivas em tecnologia» decorrente da «dependência histórica» de «multinacionais de tecnologia avançada (cujos resultados recentes se limitam a reflectir a crise internacional)». De que forma estes resultados são afectados por uma crise internacional, seria o bastante para fazer corar um economista do século XXI perante a incapacidade de explicar fenómenos que o ultrapassam tão poderosamente como os bailes em Vesalhes ultrapassavam os campónios da França de Luís XIV. Mas não. Nada disto deve «menorizar as dinâmicas de inovação que se vão vislumbrando no tecido económico português» sendo que «como noutros países», a «acção empenhada de algumas agências públicas» se revesta do toque de midas. Já cá faltava a secular objectividade do público e privado, o duo dinâmico da análise económica, esvoaçando justiceiramente sobre os telhados sinistros povoados dos gatos pretos das utopias filosóficas. Tantos gráficos, tanta objectividade, tanta análise serial, tanta exaustiva condensação da realidade em sínteses formais, para sempre terminarem com um máxima digna do tempo de Sólon, na Atenas tiranizada pelos juros altos: precisamos de tempo, o tempo, esse grande escultor: «o problema do padrão de especialização não se resolve em pouco tempo - exige objectivos claros, focalização e persistência dos responsáveis políticos». Tempo, focalização - todos sabemos o que significa, sobretudo quando não estamos munidos com um foco -, persistência». Se dúvidas houvesse sobre o desnorte do economista do século XXI, bastaria verificar como depois de tantos dados objetivos, danças de barras esticadas por panóplias de séries temporais, divisões de produto, multiplicação de dívidas, toda a estratégia termina, invariavelmente, com valores que não seriam estranhos a Sun Tzu, quando, lá pelo século IV a.c., condicionado pelos ritmos da guerra, e as imposições climatéricas das colheitas, alinhava as suas chinesices militares em folhas de bambu.

Ganda malha

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ainda agora comecei

E querem ver que já estou muito cansado desta merda toda?

Lista de cirurgias em lista de espera no Centro Hospitalar Lisboa Oriental


Eis a crise da social-democracia: o João Rodrigues não gosta do Vital Moreira

Num post intitulado Ainda a crise da social-democracia, João Rodrigues, um leitor de vários livros franceses, censura o ordoliberalismo de Vital Moreira, um leitor de vários livros franceses, uma vez que o constitucionalista, e leitor de vários livros, às vezes franceses, se terá deixado contaminar - ou deixou contaminar a já tão fragilizada e esbelta adolescente sueca, também conhecida por social-democracia, deprimida pela «expansão deliberada da concorrência de mercado como alfa e ómega do legislador e das politicas públicas». Não vamos aqui expôr a relação, ou a contradição - para usar terminologia judaico-alemã -, entre as ideias das pessoas e aquilo que as pessoas fazem todos os dias com ou sem as suas ideias, sobretudo porque as ideias servem a sobrevivência do organismo, mesmo que por via indirecta (ler The Selfish Gene, DAWKINS, 1989, o que muito contribuiria para opiniões económicas mais avisadas), até parece, o sagrado coração de Maria seja louvado, que nunca ocorreu o ano de 1859, mas a verdade é que não podemos deixar de sorrir perante a ignorância dos economistas ou curiosos da economia, porque o riso é próprio dos homens, sempre enrolados nesta relação agri-doce perante o poder das ideias, mesmo quando a história mundial é um desfilar de sistemas e mecanismos mentais tão eficazmente determinados tanto pela expansão de conceitos abstractos como pelas necessidades fisiológicas de satisfação da vida - ah, o desejo -, e não consta que tenha sido encontrado o ponto médio onde se articulam os dois fenómenos da carne e do espírito (até custa a acreditar mas parece que é a mesma coisa). Quer isto dizer que o ordoliberalismo de Vital Moreira contribuiu provavelmente menos para a expansão da ideia de concorrência nas políticas públicas do que a aquisição do pc onde João Rodrigues digita os seus méritos bibliográficos, capazes de explicitar, não há almoços grátis, ainda que de forma deficiente, a crise da social-democracia, segundo os seus princícipios de sobrevivência, e se o João Rodrigues, leitor de livros franceses, tivesse lido Foucault com um pouco de atenção saberia a parte que lhe cabe, a ele, João Rodrigues, leitor de livros franceses, na expansão da ideia de mercado, a menos que viva na caverna de Lascaux, e não seria necessário perder agora dez minutos de digitação, não há almoços grátis, a explicitar as estruturas sociais da economia, em detrimento do espectacular tema das relações de parentesco estabelecidas pelos escrivães do Público, Judicial e Notas na vila da Cachoeira no determinante ano de 1700.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Parece que as editoras servem para vender livros

Ouvi hoje de manhã, enquanto fazias as minhas abluções matinais, que "o Carrilho foi despedido do lugar de embaixador na ONU por causa do seu mais recente livro", afirma imparcialmente da editora do marido da Bárbara Guimarães.

Os jornais e as revistas, esses, parecem um mecanismo de distribuir roupa de praia, serviços de jantar e DVD's. 

Livro: a angústia de vender um Livro e a confusão sentimental do nosso mundo

Por muito que procuremos não nos enredar no lodaçal milenar sobre os méritos formativos da arte, não há nenhuma forma de não virmos, mais cedo que tarde, chapar com as fuças no âmago (uma palavra muito cara à nova poesia portuguesa, estilo Luís Quintais, e essas merdas) de um grande pântano formado por salivas estilísticas várias (segundo Henrique Raposo, o que falta é ritmo), muita terra revolvida (revisitando o estilo do autor que mais "apareceu" no último mês) entre milhões e milhões de muitos metros cúbicos de água (que é o grande líquido redentor daqueles que confundem a relação entre sucesso e tabelas de vendas com os grandes contributos lógicos da mecânica newtoniana). Newton foi, evidentemente, uma grande personalidade, sobretudo porque gastou 80% do seu tempo revirando os pés no lodaçal da alquimia, para ser capaz, enfim, de produzir um grama de clareza que lhe garantiu dois ou três séculos de imortalidade finita e uma infinita mortalidade, mesmo que indirecta, no prosseguimento de todos os inquéritos científicos que o são verdadeiramente, por se estabelecerem numa completa indiferença por aquilo a que muitos autores têm chamado a «sensibilidade do seu tempo». A validade do conhecimento, e não deve excluir-se a história do romance das múltiplas formas de conhecimento que a sociedade industrial tem parido, pode talvez prender-se com as perguntas colocadas segundo os diferentes altares de todas as religiões humanas. Reconheço-o: E mais do que isso, pode estabelecer-se apoiando-se nas diferentes hierarquias que resultam das dinâmicas adaptativas do homem na replicação dos seus genes. Por outro lado, nada do que tem sobrevivido ao génio escultor do esquecimento, deus o guarde, deixa de constituir-se com um tal grau de inteligência, invenção, fidelidade à tradição, inovação supreendente e plasticidade na replicação da angústia evolutiva do homem, que só podemos admitir, como condição para consagração de uma obra, uma total e completa aversão ao mercado das influências mentais médias, sob pena de estarmos no capítulo da opinião (duração de mais ou menos três dias) e não no terreno do génio artístico (até ver tão duradouro quanto o processo de hominização tem durado), e cujo mecanismo de formação é o mesmo para a Vénus de Milo ou para o teorema de pitágoras. Isto não implica uma negação da história mas a compreensão de que a história se explica pela diferente sobrevivência, consoante o meio, e as relações do indíviduo consigo próprio através do meio, das mesmíssimas emoções de um organismo, reagindo contra as adversidades e os prazeres colocados pelo movimento das coisas em direcção à morte santa, ao abismo kareniniano, ao absurdo quixotesto, à mais puta das razões que se quiser chamar para servir os sagrados intentos da criação. As aplicações técnicas que daí resultam, consoante vão e vêm as glórias deste mundo, confirmam a fecundidade de um pensamento, seja a democracia ateniense, a metáfora shakespiriana de Hamlet, ou o parafuso e talvez a aplicação industrial de uma ideia, sua versatilidade, e resistência às estratégias das ideias concorrentes, seja um bom instrumento para confirmar a sua importância na história natural do raciocínio em forma de sentimento. O que se torna difícil suportar é a visível transformação do romance burguês - tão caro a Cervantes, Diderot, Melville, Tolstoi, Proust ou Kafka, tudo gente com rendimentos mais ou menos confortáveis e habitantes, pelo menos na época que conta, a adolescência, de centros urbanos - numa bimbi rudimentar (a espectacular ideia é de Jacinto Lucas Pires) ao serviço da idolatria social, do auto-regurgitamento do autor, do interesse contabilístico e da prática da auto-ajuda por meios literários. O mais recente livro de José Luís Peixoto, Livro (livro que, não tendo ainda saído ainda a público, é já beneficiário de um elogio destrambelhado desse outro destrambelhado contumaz, Miguel Real) é uma manifesta sinalização de processos que nos ultrapassam tanto quanto nos surpreendem e, por isso, só podem ser oriundos do reino das coisas intengíveis, não podendo o leitor, como é da praxe em Portugal, confirmar a crítica pelo confronto do livro, sendo, muito antes de tal dispensável momento, bombardeado com as aclamações dos seus méritos. O lançamento inédito de Livro pressupõe a participação dos leitores do José Luís Peixoto, pela sua dedicação e acompanhamento da obra, que mereciam uma iniciativa destas”, (ah, se mereciam) afirmou a responsável pela comunicação da Quetzal. Os responsáveis da editora ficaram “muito impressionados” com a dimensão da popularidade do autor junto dos seus leitores, explicado pela “relação imediata” que José Luís Peixoto estabelece. É verdade que todo este post pode ser confundido com uma má vontade contra o autor, seja por motivos de implacável inveja (um sentimento que vários escritores julgam ser digno apenas das modelares e marcantes personagens das suas significativas obras e não de pessoas desiquilibradas, como o famigerado autor destas linhas), seja por biliosa condição de anónimo falhado, o que, confessemos, não nos parece pior do que uma boa vontade por um qualquer autor, seja por motivos de relação imediata ou por genuínos sentimentos de admiração. Os bons sentimentos que vão pró caralho que não foi para isso que se inventou a blogosfera. Guardo para outro post o mal que a inevitável e necessária alfabetização das mulheres está a fazer à literatura (é certo que mais tarde ou mais cedo a vingança chegaria, depois de séculos sem um quarto só para elas) e deixo apenas a recomendação de que comprem e leiam Livro, se possível duas ou três vezes, acompanhando os passatempos, observando as reportagens televisivas e anotando as vossas impressões. Lamento muito o equívoco, com fidedigna sinceridade, mas não será pelo abundante amor a José Luís Peixoto, que Livro passará a ser melhor do que aquilo que verdadeiramente é.

Plano inclinado, qual plano inclinado ?

Tema político nº1
Tema político nº2
Tema político nº3

Quando a ignorância olímpica se confronta com a realidade da sua própria ignorância pelo facto de pertencer ela própria a essa mesma realidade

«Mas já não percebo a forma como a elite se comportou. Não percebo. Este elite (jornalistas e comentadores) deve vigiar o poder, deve comparar o discurso com a realidade.
Não ver aqui que não vale a pena

Citação «pessoana» da semana

Então o Plano Inclinado é que é a merda do plano inclinado?

Então não é que o filho mais velho do Belmiro de Azevedo não é propriamente um apreciador do sexo feminino?

Por várias vezes caí no anonimato e outras tantas me levantei, qual cristo do comentário furtivo, neste caso vergastado pelo raciocínio blogosférico, não negando, contudo - entre muitas e variadas ordens de razões, para citar Ângelo Correia - a explicação mais corrente e simples: o ingénuo esquecimento da palavra-passe, acontecimento traumático apenas comparável à dura realidade do país, por sinal, realidade espectacularmente discutida no inesquecível programa combate de blogs, de onde escorre «muita irreverência e independência», e em que o telespectador tem que preparar-se para «trinta minutos de debate intenso», oleado pelas línguas altamente qualificadas de Miguel Morgado e Filipa Martins, uma escritora-jornalista que não é keynesiana, segundo a própria afirma, entre outros motivos, por imposição das estimativas da importância do consumo privado no crescimento da economia, como todos sabemos, um conceito, a economia, revestido de um rigor que muito tem contribuído para a resolução dos problemas que parecem brotar por todos os lados como se fossem vitórias de André Vilas-Boas. Porém, eis que Tomás Vasques, um velhinho de óculos cujo genealogia desconhecemos, mas que escreve num blogue intitulado «Hoje há conquilhas», aparece articulando as preocupações de Filipa Martins, muito consternada pelos cortes inscritos no programa de estabilidade e crescimento, cujas unhas bordaux iludem um pouco a atenção do telespectador, e a camisa rosa-choque de Miguel Morgado, comprada dois números acima do indicado à sua estrutura morfológica, o que nada supreende num confesso setubalense. Temos aqui dois aspectos fundamentais da questão: um deles é a reprodução independente da comunicação social a partir da estrutura independente da comunicação social, por sua vez totalmente decalcada da estrutura independente dos poderes sociais (jornais, televisões, editoras, universidades). A outra tem que ver com uma espécie de cultura pop do debate político, onde qualificados licenciados e até profesores universitários continuam a manusear conceitos como «economia portuguesa», «público», «privado», «PIB», «investimento», «mercados», tudo coisas retiradas do baú setecentista da mais rasca propaganda política, servidos com o molho vinagrete da modernidade composto por uma pitada de cepticismo sobre todas as formas de organização colectiva tuteladas por processos eleitorais e não pelos eficientíssimos cálculos da razão artimética, e muitas colheradas de objectividade estatística a partir de recolhas numéricas tão objectivas como os planos de jogo de Carlos Queiroz. Não seria já tempo de obrigarmos a guerra pelos recursos (política) a ser determinada por manipulações de palavras (debate), que respondessem ao pluralismo das formas de remuneração e tipos de emprego? Queremos pluralidade na guerra ideológica, pois convoquemos à televisão representantes segundo tipos de escolarização, áreas geográficas e rendimentos mensais. Ou o «governo civil é sempre uma forma de protecção da propriedade» constituído de acordo com a «defesa dos ricos ou daqueles que possuem alguma propriedade contra os que nada possuem»? Não me passaria pela cabeça convocar aqui Adam Smith, não fosse: a) o facto de Bruno Paixão ter inviabilizado uma remontada do Nacional (só para utilizar aqui um dos vários castelhanismos odiados por Vasco Graça Moura); b) o barulho dos bombos na Choupana ter invocado as formas primitivas de organização social, tão brilhantemente invocadas pelo filósofo escocês, num segundo volume da famigerada Riqueza das Nações, uma obra apenas utilizada, nos últimos trinta anos, sob o formato reduzido de sebentas universitárias, escandalosamente esquartejada segundo os interesses do investimento público-privado, e os mais altos desígnios de crescimento da Economia Nacional, com os resultados brilhantes que estão à vista de todos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Mau demais para ser verdade

O Madaíl quer convencer o Mourinho a treinar a selecção., noticia hoje o Record. Já não bastava o circo que vai tendo lugar num clube da segunda circular, agora é a federação. Está bem que o consumo de substâncias alucinatórias não é crime em Portugal, mas recomenda-se mesmo assim alguma moderação na dosagem.