quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Tabacaria



A lei do tabaco tem ocupado mais espaço do que merece. É inegável que a lei chegou, pelo menos em parte, porque os fumadores abusaram um pouco da paciência social dos não fumadores. Fumava-se em todo o lado onde, manifestamente, não era prudente que se fumasse. Plataformas do metro, espaços exíguos, até hospitais. Mas os bancos, as seguradoras, a PT, também abusam (todos os dias, sem que chegue uma lei que os meta no sítio). Acontece que com a lei do tabaco não chega apenas a protecção do fumo. Chega também um celofane contra esta sujidade imensa que é estar vivo. Há, é certo, o argumento do incómodo provocado a quem não é fumdador. O problema é que estarmos todos no mesmo espaço é incomódo. Porque uns preferem respirar o ar puro e outros respirar alcatrão, monóxido de carbono e nicotina. Assim como uns preferem ler Bento XVI, a irmã Lúcia ou Magister César das Neves e outros Marx, Foucault ou Ruy Belo. Tudo depende se preferimos ter a nicotina nos pulmões ou no cérebro. Há os bem-aventurados que não têm nicotina, nem nos pulmões, nem no cérebro. Calma. Não puxem já da pistola, perdão, do spray ambiente. Eu sei que estou a reduzir a questão. Mas são assim os lógicos, gostam de reducções e outras violências aritméticas.


Não está em causa que o tabaco é um vício que se agarra desprevenidamente pelas mais variadas razões e que nada de assinalável acrescenta à existência, para além dos problemas respiratórios. Mas esta é justamente a definição da maior parte das coisas que fazemos todos os dias (dos seguros ao trabalho dos merceeiros, da investigação em pedagogia de bolso ao vómito cimenteiro sobre o território, da medicina plástica à indústria dos enchidos, do ginásio ao marketing dos cereais fitness. Não tenho nada contra a protecção do ar ou a reprodução coerciva da vida saudável, simplesmente começo a sentir uma irresistível vontade de meter muitos cigarros na boca. Parece que mata mais depressa. Parece que tira em média dez anos. Está bem, concedo. Mas quantos anos nos tiram a ansiedade causada pelo mau planeamento do território, as discussões em torno dos baixos salários, a gordura do queijo, dos fritos, dos enchidos, da dobrada. Quantos anos, horas, perdemos em actividades inúteis, nas filas do trânsito, enquanto respiramos o saudável escape (parece que este caso a céu aberto não se inclui nos malefícios), de pé nas repartições enquanto desgastamos as articulações dos ossos (haverá estudos sobre os malefícios da religião como reducção da qualidade de vida, física e intelectual?), sentados no sofá enquanto queimamos os neurónios? Quantos anos de vida nos são retirados, pelo simples facto de estarmos vivos? Tudo isto, eu sei, pertence à liberdade de cada um. Exacto, tal como fumar. Pelo que voltamos à questão: apenas está em causa a protecção de quem não quer fumar, porque no que diz respeito a saúde, não me venham com proibições e virtudes (já disse que não me peguem no braço). Para garantir a protecção dos fumadores, proiba-se o fumo no espaço público, mas fique ao critério dos proprietários privados (empresas, cafés, lojas, restaurantes) a escolha do ar que querem ter no seu estabelecimento. Com ou sem fumadores. No caso de escolherem o fumo, basta sinalizar, sem qualquer necessidade de controlo do ar. Quanto a sindicatos, na protecçãod e trabalhadores não-fumadores. É um problema que devem negociar com a entidade patronal, tal como o salário e as férias, ou subitamente descobriram que têm direitos para não respirar fumo, mas não para impôr subidas dos salários. O sindicalismo está cada vez melhor...

Já sabemos que passamos a viver mais, a qualidade do sono, o gosto dos alimentos. Concedo novamente. Devo confessar que nem sequer sou fumador, embora, volto a dizer, me apeteça um cigarro. O problema, caro leitor, é o que vem aí. Ninguém duvide, começa a ser claro, que já vem a caminho passarada e da grossa. Algo me diz que não é a Igreja que vai passar à clandestinidade. Talvez a física teórica, a história e a filosofia passem mais depressa à clandestinidade do que a Igreja.


Tudo isto decorreu da bela prosa do Besugo, nestes dias de Prós e Contras, esse espaço sobre tudo e mais um cesto de maçãs.

“Multiplicai-vos e vivei para sempre, inenarráveis chatos, paneleiros e paneleiras do caralho. Mas a chá e a incenso não ides longe, nessa merda de viverdes saudáveis até se vos entupir a "veia da vida", uma que fica ao lado da inteligência, vós nem sabeis bem onde isso é, que não há bibliografia.
E a ficardes cá só vós, que Deus me leve de vós bem antes disso”

posted by besugo @ 3:02 PM 21.12.07, Blogame mucho




Ou se quiserem a versão mais elegante de Álvaro de Campos na Tabacaria

“E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando”



Einstein gostava de fumar cachimbo. Podia ter morrido de cancro. Podia não ter pensado sobre a relatividade. Pois é. Mas também podia não ter escolhido a ciência e ter aberto um negócio de exportação de camisolas de lã. Nem por isso deixou de poder escolher, facto que fez dele aquilo que foi. Um físico e um fumador. Além de que parece que defendia o socialismo e o planeamento da economia. Preocupava-se mais com Newton, Hume, Espinoza ou Gauss do que com o seu corpo. Sem dúvida, pertence a uma raça em vias de extinção.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Eles sabem bem o que fazem, não sabem é o que poderiam antes fazer

Um dia Cícero terá dito que o dinheiro é o nervo da guerra. Richelieu, na boa esteira do classicismo francês, não se cansou de o repetir. Toda a revolução industrial, apesar das "robinsonadas económicas" foi suportada pela guerra no Atlântico. A bomba, como reducção dos custos de transacção, continua a ser a estratégia de mercado mais eficaz. Em 2007 foi publicado na Princeton University Press um estudo sobre a importância da guerra no desenvolvimento da economia-mundo. Há quem acuse estas leituras de simplismo. Que a guerra é muito complexa, que a cultura e tal... Pode ser que seja. Nós somos muito mais que o nosso estômago. Acontece que almoçamos todos os dias (e como não se cansa de repetir o Magister Neves: não há alomoços grátis. Tomamos o pequeno almoço, o lanche, o jantar, a ceia, andamos vestidos, compramos casas, discutimos a inflacção, sonhamos com o aumento, pensamos nas contas, negociamos o crédito. É verdade que vamos à missa, à música na Gulbenkian, ao futebol. Acontece que a tudo isso subjazem relações de força, traduzidas nas relações económicas. A competição faz o mercado. A competição última, decide-se pela força dos argumentos. O melhor argumento é sem dúvida a exterminação do adversário. A guerra impõe-se como necessidade oculta das nossas relações objectivas, enquanto a competição não for substituída por outras formas de relação. A gasolina que compramos, as relações de mercado das quais fazemos depender o equilíbrio político e a segurança, a flutuação dos preço dependem de relações de força, onde concorrem factores muito variados mas que, nas suas consequências últimas gerninam nas relaçoes de força. Neste sentido, os homens da guerra precisam de ser protegidos, para que zangadas as comadres não se saibam as verdades. Às tantas poderia ficar claro que é tudo mais simples do que parece e isso não seria benéfico para o comportamento das bolsas.

Daí que a vida política esteja sempre dividida entre dois planos: o plano das acções concretas, que é simples e deriva das relações sociais objectivas; e o plano das explicação das acções concretas, que é complexo e se relaciona com as motivações dessas relações sociais subjectivas. Ninguém, depois de Marx, sintetizou isto melhor do que Pessoa: "o único sentido oculto nas coisas é as coisas não terem sentido oculto nenhum"

Perdoem-lhes porque não sabem o que fazem

Uns sobem ao topo do mundo. Outros fazem o possível para descer o mais que podem. Parece não haver limites para este senhores:



via dragão

Tell me a story VIII

Um dia um homem decidiu escrever poesia. A vida não corria bem, o tempo mudava rapidamente, a política instável como as estações. Ao escrever poemas pensou que, não salvando o mundo, salvava pelo menos a língua. Conheceu a guerra, deu morte a homens e outros animais. Regressou à noite, aos poemas e às mulheres. Nisto, aconteceu uma noite de fados e navalhas no dia do Corpo de Cristo. O resto, já se desconfia: tocado a vinho furou um homem importante e acabou na Índia como servidor do rei de Portugal. Passaram alguns anos, mais umas quantas mulheres, mais umas quantas páginas de poesia. Pelo meio um naufrágio e muitas dívidas.
Parece que muitos erros e alguma má fortuna, como convém a homens esclarecidos.
A morte surpreendeu-o entre a poesia. Não se rasgou o templo, não se converteram centuriões, não se inaugurou um novo reino. Foi apenas um homem que passou.

Fariseus e Doutores da Lei: o regresso

O caro leitor terá reparado que a polémica em torno do não discurso do Papa causou alguma turbulência nas sempre impassíveis águas do nosso quotidiano. A agitação universitária foi lestamente aplacada pela indignação. No Domingo os jornais multiplicavam a boa nova. No Vaticano, milhares de pessoas apoiavam Bento XVI. O Correio da Manhã dava o mote sob um título sugestivo, «Contra “censura” na Universidade». Não restavam dúvidas que dezenas de milhar de estudantes, políticos e cidadãos anónimos se tinham concentrado junto do Papa numa demonstração de solidariedade. Parece que o Papa, radiante e eufórico, naquele mesmo rosto alienado que lhe vimos à janela de S. Pedro, no dia da eleição, encorajou os “queridos universitários a respeitar sempre as opiniões dos outros e a procurar a verdade e a rectidão”. Aceitamos o desafio. Nesse sentido, respeitamos todas as opiniões (tanto a dos maçaricos-de-bico-direito como a do senhor Professor Marcelo). Quanto à verdade, à rectidão, e à consistência intelectual, resolvemos percorrer as páginas desse hino à liberdade de opinião, e de expressão, que é o Catecismo da Igreja Católica.


Na abertura desse magno texto, a Constituição Apostólica Fidei Depositum, assinada por João Paulo II, recorda que em 1986 foi confiada a supervisão de um novo catecismo a uma Comissão “presidida pelo senhor Cardeal Joseph Ratzinger”. Essa comissão tinha como missão “vigiar o desenvolvimento dos trabalhos”. Cá está mais um belo verbo (vigiar) que dignifica a tradição do pensameno livre preconizada pelo cardeal Ratzinger
A Comissão, ao vigiar o desenvolvimento dos trabalhos e a redacção, devia ter em conta conta as “explicitações da doutrina que, no decurso dos tempos, o Espírito Santo sugeriu à Igreja”. Ora aí está mais um consistente princípio intelectual, passível de verificação e discussão alargada. A “sugestão do Espírito Santo” tem aberto horizontes na explicação do homem, na libertação dos corpos, na melhoria das condições de vida das populações, no caminho da democracia, no desenvolvimento económico, no enraízamento da ética, no controlo da bola de Berlim, no aumento das diversões na feira popular, etc…

De qualquer forma, ao percorrermos as páginas do catecismo encontramos verdadeiras pérolas da consistência intelectual, da reflexão metódica, do pensamento estruturado, passíveis de crítica científica e de um verdadeiro manjar para a discussão universitária.

A título de exemplo vejamos o Parágrafo 390 em que se explana todo o profundo significado antropológico da Queda. Esse relato mítico, quase da mesma ordem do calcanhar de Madjer, interpreta com grande sapienza Gn, 3. Nessas sagradas linhas surge “uma linguagem feita de imagens, mas que “afirma um acontecimento primordial", um facto que "ocorreu no início da história do homem”.

“A Revelação dá-nos a certeza de fé de que toda a história humana está marcada pelo pecado original cometido livremente por nossos primeiros pais”. O acerto com que é fundamentada esta conclusão, a erudição das provas, a sabedoria das intuições, a solidez do argumentário é de fazer corar um Athusser, ou mesmo um Hegel.

Continuando a fértil leitura surge por exemplo que na opção de desobediência dos “nossos primeiros pais há uma voz sedutora que se opõe a Deus e que, por inveja, os faz cair na morte”. Só as galerias de conhecimento que se abrem, perante a nossa ignorância do processo de hominização, nesta metáfora dos “nossos primeiros pais”, justificaria por si só um triplo doutoramento honoris causa (Harvard-Oxford-Sorbonne) a Bento XVI, como representante do “livre pensamento e consistência intelecutal” do magistério.

Há mais. Se quisermos discorrer sobre a matéria angélica é todo um exposição clara e ambiciosa. A "queda" consistiu também na “opção livre dos espíritos criados, que rejeitaram radical e irrevogavelmente Deus e o seu Reino”. Temos um reflexo desta rebelião nas palavras do Tentador ditas aos nossos primeiros pais: "E vós sereis como deuses" (Gn 3,5). O Diabo é "o pecador desde o princípio" (1Jo 3,8), "pai da mentira" (Jo 8,44).

Mas não se pense que isto é um defeito de fabrico. Claro que não, em nome da sustentação do insustentável, perdão, em nome da consistência intelectual, foi “o caráter irrevogável da sua opção, e não uma deficiência da infinita misericórdia divina”, que fez com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado.

Todavia, não há razão para preocupações: “o poder de Satanás não é infinito. Ele não passa de uma criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito (…) Embora Satanás actue no mundo por ódio contra Deus e o seu Reino em Jesus Cristo (…) esta acção é permitida pela Divina Providência, que com vigor e doçura dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério, mas "nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam" (Rm 8,28).

Depois desta leitura proficiente, resta-me pedir desculpa por ter duvidado da consistência intelectual de Bento XVI e congratular-me pela rápida reposição da verdade. Farei penitência na cinza e rasgarei as vestes. Aproveito para censurar fortemente, reprovando a sua atitude desrespeitadora das opiniões, os professores e estudantes da Universidade de Roma. Iníquos, na forma como insultaram a dignidade pontifícia e a multidão de Católicos, esses universitários teimam em não perceber que a agitação que provocam, a sua luta contra a tradição, o seu desrespeito pelas veneráveis autoridades da fé, numa palavra, o seu reino, não pertence a este mundo.

Escrito na pedra

"As pessoas não decidem ser extraordinárias. Decidem fazer coisas extraordinárias."
Sir Edmund Hillary


Acabo de descobrir que o homem que chegou ao topo do Everest morreu aos 88 anos. Descubro que o mesmo homem era apicultor e conseguiu ir aonde ninguém tinha ido antes. E que depois disso continuou a explorar e ajudar quem o ajudou mais: os Sherpas. É na simplicidade dos gestos que se conseguem fazer coisas extraordinárias. E o céu ali mais perto.

Ler mais aqui

Edmund Hillary took this photograph of Tenzing Norgay as they became the first human beings to set foot on the summit of Mt. Everest, the highest point on earth.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Adoro segundas feiras

Ler estes posts I, II e III ao som disto:



imaginando novas personagens. Bem vindo ao Far West caro turista que nos visita.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Como apanhar o mundo pelos cornos da desgraça e fazer da tristeza graça

em jeito de legenda: imagine-se as reuniões do BCP

Não sou cliente do BCP mas adoro tourada

Temos acompanhado ao longo das últimas semanas o caso BCP. Uma atitude responsável exigiria, como agora recomendam vários especialistas, uma regulação atenta, moderação nos ordenados, rigor nas contas, decoro nas declarações. Estamos completamente de acordo.

(neste sentido, há que efectuar, e já, uma pega de caras ao BCP)

Contudo, o doutor Teixeira Pinto esclareceu que todos os valores pagos (infamemente alardeados nos jornais) se deveram ao "exercício de 2007". Além do mais passou à situação de reforma, como o próprio esclarece, em função de relatório de Junta Médica. Deve então ser clarificado que a ganadaria do Doutor Teixeira Pinto não produziu o animal.

(as feras pisam por vezes terrenos interiores, junto às tábuas, talvez seja melhor ficar para outra altura)

De maneira que diz o inteligente que acabaram as canções

Olé!!!

Namorados de Lisboa

Hoje pensei falar de mercados. De mais um editorial brilhante do senhor director e dos seus equívocos, agora que está quase a descobrir, embalado pela voz mansa e doce do Financial Times, a necessidade de regular a economia. Pensei falar de mais uma página em marfim, esculpida pela elegência intelectual de Larinda Alves: "é impossível não falar do casal Sarkozy-Bruni". Com efeito é impossível não falar de qualquer casal que se atravesse entre a maioria dos colunistas dos jornais portugueses (excepção para Rui Tavares, António Barreto e Pacheco Pereira) e os meus olhos (mesmo se esse casal são apenas namorados de Lisboa, entalados num vão de escada, num cacilheiro a caminho do Montijo, enfim os amantes sem dinheiro daquele poeta portuense nascido na Beira Baixa). Mas reconheço que Lisboa não é Paris. Oh, como podia ser. Ao menos temos a cronista das coisas da vida dizendo-nos que haverá sempre "quem nos salve".

Contudo, apesar do inegável conforto desta certeza salvífica, é impossível manter a lucidez no mar em que se agitam estes personagens forjados pela mercado da concorrência entre jornais. Agoniado decidi recolher ao meu lugar dentro deste grande navio onde vamos a caminho do progresso. Fui para dentro, como sempre aconselha paternalmente o António Silva (obrigado António). Hoje pensei falar de mais um artigo na fogueira da escola pública: "o estado como garante e não como prestador". Contudo, fiquei embasbacado com a eficácia do mercado, na forma como cria valor nas páginas dos nossos jornais: a erudição dos comentadores, o rigor das suas análises, o cuidado com o discurso, a independência da reflexão, a profundidade das ideias, o acerto dos temas... Nisto, talvez tenha passado mais um casal a caminho do cinema. Se bem que não era nem Sarkozy nem Bruni. Apenas dois adolescentes do Cacém, à procura do tal poema de que falava Ary dos Santos. Reconheço que sem o brilho dos franceses. Nós somos assim, comemos pevides e bebemos cerveja.

Talvez este seja um tema tão esgotado como os meus olhos nestas últimas semanas (as páginas cada vez mais enevoadas). Deve ser do tempo. Deve ser da chuva. Oblíqua.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Tell me a story VII with smoke

Era uma vez um país à beira-mar. Inventaram uma lei, e 6 meses depois aplicaram-na. O povo achou estranho, mas começava a habituar-se. De repente um individuo que se dizia director de saúde diz que afinal a lei não é bem como se pensava. Há excepções. E todos quiseram ser excepção. A bandalheira do costume instalou-se. E veio para ficar.

Leia-se mais
aqui.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Ciclo de concertos: Música na Ermida

teO ciclo de concertos Música na Ermida pretende reunir, na Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes, públicos interessados na música coral e instrumental. Estes concertos contarão com a presença de músicos convidados, aos quais se juntará a actuação do coro. Esta dinâmica de concertos, que se pretende regular (Janeiro, Março e Maio para o primeiro ciclo), visa devolver ao centro histórico uma forte tradição musical iniciada em 1929 pelo Orfeão de Paço de Arcos, dirigido pelo maestro Gustavo de Lacerda. Este trabalho, entretanto esquecido, promoveu a cultura musical através da realização de concertos na vila e arredores. A Ermida-Associação cultural acredita que, num tempo em que tanto se fala de qualidade de vida, não pode haver vida com qualidade sem a existência de encontros públicos em torno da música.

Caminhada Filosófica #1

tesDia 16 de Fevereiro iniciam-se as Caminhadas Filosóficas. As inscrições estão abertas e são limitadas a 25 pessoas. Mais informações por email: ermida.associacao.cultural(@) gmail.com

Previsões 2008

Recebi há dias na minha mailbox um email com o titulo de Previsões para 2008. Uma mistura de astrologia tipo Maya, Professor Xibanga e com humor a Malucos do Riso. Um estrondo portanto. Apesar de serem muito fraquinhas as previsões, refiro algumas que me tocaram particularmente (de uma forma ou de outra, não interessa aonde). Assim por categorias:

1. Religião

"Nossa Senhora faz aparição em poste de muita alta tensão."

2. Politica

"Sempre inspirado por Sarkozy, mas à sua escala, Luis Filipe Menezes começa a namorar com Mafalda Veiga."

3. Fado

"ASAE lança franchising de restaurantes de fast-food."

4. Futebol

"Scolari consegue feito inédito ao ser campeão da Europa só com empates."

A primeira previsão tinha que falar em Fátima. Sempre ela a iluminar-nos. Oremos então. Na segunda acertam no facto do lider do PSD andar a fazer pinturas de sonhos. Mas só na cabeça dele. A terceira está em fado porque a ASAE canta bem. E falta-lhe ir ao McDonald's. A quarta previsão conta a história de um burro rico e o sonho do ajudante de bigode que queria ser campeão. E a nossa que choramos com eles.

O conflito das interpretações III

Passamos então a explicar. O papa proferiu há alguns anos um discurso em Parma. Não é possível repôr na íntegra esse discurso mas aqui fica o excerto recolhido no blogue Ratzinger:

La crisi della fede nella scienzatratto da Svolta per l'Europa? Chiesa e modernità nell'Europa dei rivolgimenti, Paoline, Roma 1992, p. 76-79.
"Nell'ultimo decennio, la resistenza della creazione a farsi manipolare dall'uomo si è manifestata come elemento di novità nella situazione culturale complessiva. La domanda circa i limiti della scienza e i criteri cui essa deve attenersi si è fatta inevitabile. Particolarmente significativo di tale cambiamento del clima intellettuale mi sembra il diverso modo con cui si giudica il caso Galileo. Questo fatto, ancora poco considerato nel XVII secolo, venne -già nel secolo successivo- elevato a mito dell'illuminismo. Galileo appare come vittima di quell'oscurantismo medievale che permane nella Chiesa. Bene e male sono separati con un taglio netto. Da una parte troviamo l'Inquisizione: il potere che incarna la superstizione, l'avversario della libertà e della conoscenza. Dall'altra la scienza della natura, rappresentata da Galileo; ecco la forza del progresso e della liberazione dell'uomo dalle catene dell'ignoranza che lo mantengono impotente di fronte alla natura. La stella della Modernità brilla nella notte buia dell'oscuro Medioevo (1).
Se qui entrambe le sfere di conoscenza vengono ancora chiaramente differenziate fra loro sotto il profilo metodologico, riconoscendone sia i limiti che i rispettivi diritti, molto più drastico appare invece un giudizio sintetico del filosofo agnostico-scettico P. Feyerabend. Egli scrive: «La Chiesa dell'epoca di Galileo si attenne alla ragione più che lo stesso Galileo, e prese in considerazione anche le conseguenze etiche e sociali della dottrina galileiana. La sua sentenza contro Galileo fu razionale e giusta, e solo per motivi di opportunità politica se ne può legittimare la revisione» (2).
Dal punto di vista delle conseguenze concrete della svolta galileiana, infine, C. F. Von Weizsacker fa ancora un passo avanti, quando vede una «via direttissima» che conduce da Galileo alla bomba atomica. Con mia grande sorpresa, in una recente intervista sul caso Galileo non mi è stata posta una domanda del tipo: «Perché la Chiesa ha preteso di ostacolare lo sviluppo delle scienze naturali?», ma esattamente quella opposta, cioè: «Perché la Chiesa non ha preso una posizione più chiara contro i disastri che dovevano necessariamente accadere, una volta che Galileo aprì il vaso di Pandora?». Sarebbe assurdo costruire sulla base di queste affermazioni una frettolosa apologetica. La fede non cresce a partire dal risentimento e dal rifiuto della razionalità, ma dalla sua fondamentale affermazione e dalla sua inscrizione in una ragionevolezza più grande. [...] Qui ho voluto ricordare un caso sintomatico che evidenzia fino a che punto il dubbio della modernità su se stessa abbia attinto oggi la scienza e la tecnica".
(1) Cfr. W. Brandmüller, Galilei und die Kirche oder das Recht auf Irrtum, Regensburg 1982.
(2) P. Feyerabend, Wider den Methodenzwang, FrankfurtM/Main 1976, 1983, p. 206.© Copyright 1990-2008 - Libreria Editrice Vaticana


Ora, não restam dúvidas. Foi mesmo Bento XVI que afirmou que a fé não cresce a partir do ressentimento e da recusa da modernidade. Estava a referir-se às posições de Feyerabend e de Weizsacker que empreenderam reflexões contra o absoluto da ciência. Qualifica mesmo Feyerabend como “filosofo agnostico-scettico”. E porquê? Porque o autor de agaisnt the method revê (e não defende) as posições da Igreja seiscentista contra Galileu apenas do ponto de vista das particularidades da vivência das populações contra um racionalismo cego que se pretende impôr com Galileu. Se o director Fernandes tivesse perdido algum tempo a ler Feyerabend teria percebido que sua crítica assenta sobre a recusa de racionalidades englobantes e unívocas (como as defendidas por Bento XVI). A racionalidade totalitária (recorrente ao longo da história) expressa-se hoje pela ciência. Equivale a uma ideologia representando hoje o papel que o cristianismo desempenhou na sociedade ocidental. É sugestivo que o capítulo se intitule “crise de fé na ciência”.

O que nos conduz ao significado do protesto dos universitários. Não sei se interpretaram correctamente ou não o discurso de Bento XVI. Provavelmente não. Sei que o consideraram intelectualmente inconsistente. Sei que estão no seu pleno direito de o considerar e de expressar por escrito no seu abaixo-assinado a recusa de que venha proferir o discurso inaugural. É curioso como o liberalismo do senhor directos Fernandes, de Pacheco Pereira ou de Pulido Valente, seja um liberalismo, como sempre, selectivo. A menos que todos tenhamos ficado subitamente ingénuos, tanto os universitários, como Feyerabend, sabem que os discursos são lugares de poder. Que a escolha de um Papa para o discurso é um sinal claro mas precisamente do contrário do que afirmam Fernades, Pereira e Valente. É inegável que há um retomar social fortíssimo do peso da Igreja. Precisamente por isso surgiram os protestos na Universidade de Roma. Não terá lembrado a estes pensadores que quem não tem poder talvez não motive reacções.

Para grande pena do director Fernandes, Bento XVI, não foi agredido, os seus livros não foram queimados, a sua liberdade não foi coarctada. Apenas se ouviram vozes (escritas a tinta em pedaços de lençol) que desmente os lugares comuns todos os dias repetidos pelo poder das televisões e dos jornais quase de forma unânime. Ratzinger “é um dos grande intelectuais da actualidade” repetiu pela enésima vez Fernandes. Os Universtiários de Roma apenas disseram: nós recusamos essa racionalidade, porque temos uma outra visão do mundo. Aqui na Universidade é o nosso espaço, um dos últimos redutos contra a alinça ideológica totalitária do liberalismo parlamentar, todos os dias defendida pela rançosa versão ocidental do cristianismo de domingo de manhã.

O conflito das interpretações IV

Vejamos mais um exemplo sem contaminações hermenêuticas onde se torna clara a confusão intelectual daquele que dizem ser um dos maiores intelectuais. Numa recente comunicação aos professores universitários europeu afirmou Beto XVI que “se não conhecermos Deus em e com Cristo, toda a realidade se tornará um enigma indecifrável”. Continua no mesma tonalidade: “a ciência jamais pode limitar-se meramente ao saber intelectual; pois ela inclui também uma renovada capacidade de observar as coisas de uma maneira livre de preconceitos e de superstições, e de permitir que fiquemos “admirados” com a realidade, cuja verdade pode ser descoberta mediante a união entre a compreensão e o amor. Somente Deus dotado de um rosto humano, que se revelou em Jesus Cristo, pode impedir que ponhamos limite à realidade (…)” Termina com a “salvaguarda materna de Maria, Sede da Sabedoria”. Discurso do papa bento XVI aos participante no 1º encontro europeu de professores universitários 23 de Junho de 2007


Se restam dúvidas, o discurso da Universiade de Roma que não chegou a ser acrescentava que a "mensagem cristã, segundo suas origens, tem que ser sempre um empurrão rumo à verdade e uma força contra a pressão do poder e dos interesses'.” Ora o próprio Bento XVI representa um interesse e um poder fortíssimos. Logo, apenas me parecem válidas uma de duas conclusões: ou é intelectualmente inconsistente (uma vez que a defesa da mensagem cristã deve ser uma força contra pressão do poder, sendo que um Papa é, portanto, a suprema contradição, como bem viu Nietzsche no Anticristo, lendo bem que o sacerdote era o tipo social mais violentamente atacado pela vida pública de Jesus) ou é um poder intrusivo procurando lutar dentro da universidade por uma apologética da verdade irrefutável. Nos dois casos os universitários de Roma terão sempre razão na sua vontade de reclamar o direito de decidir sobre quem fala na sua Universidade.

o conflito das interpretações II

Parece também que a polémica do Papa na sua não-ida à Universidade de Roma residiu numa espécie de equívoco hermenêutico à semelhança da polémica de Rastibona: os reles universitários interpretaram mal um suposto discurso do papa em Parma. Indignado, o director do Público vitupera esta atitude dos universitários intolerantes, que em “vez de notarem que o Papa citava outrem para a seguir marcar as suas distâncias, pegaram nas palavras do autor citado – em Parma, o filósofo das ciências Paul K. Feyerabend para, atribuindo-as a Bento XVI, considerarem que esta dava razão à Igreja na sua querela com Galileu. O sentido do discurso de Parma, prosseguia o mesmo Giorgio Israel, era exactamente o contrário da caricatura que este na origem do protesto: afirma que a «a fé não cresce a partir do ressentimento e da recusa da modernidade»”. Este Giorgio Israel, explica o director Fernandes é Professor de História da Matemática e também criticou os universitários.

O problema é que nesta altura já nada se percebe do editorial do senhor director. Se é Giorgio Israel, se é Bento xvi, se é Feyerabend quem afirma que a fé não deve crescer a a partir do ressentimento e da recusa da modernidade. Como diria o meu treinador nos juvenis dos Leões de Porto Salvo isto é o que se chama um verdadeiro engalfinhamento com a bola.

o conflito das interpretações


Esta semana, terão todos notado, o papa bento xvi decidiu não comparecer na Universidade de Roma. Ora aí está uma bela decisão. Claro que logo surgiram proféticas interpretações em torno de uma perseguição diabólica, movida contra Igreja e e o cristianismo, em curso na actualidade. Um dos campeões desta teoria é o senhor director do Público José Manuel Fernandes. No estilo surf-em-Palm-beach a que nos tem habituado multiplica erros, atrapalhações e alguns pirolitos no complexo oceano do pensamento onde o senhor Fernandes apresenta comportamentos de peixe fora de água (ou se quiseros surfista de prancha no arrozal). No seu editorial de 17 de janeiro começa logo por assinalar o cumprimento das profecias dos pensadores Pacheco Pereira e Pulido Valente (mais dois ilustres varões do pensamento em português): “a Igreja é capaz de ter de viver novos tempos de clandestinidade”. Com efeito, bem gostariamos que assim fosse mas, lamentavelmente, não consta que corram processos crime pela realização da santa missa, ou circulem ordens para demolição do santuário de Fátima. Aliás, deve ser recordado que o santuário de fátima revela bem a feroz perseguição arremetida contra a fé em Jesus, o Cristo.

Uma rápida visita ao sítio da rádio vaticano logo revela todo um mundo de opressão e mordaça. Em primeiro lugar damos logo de caras com um dos excertos do hipotético discurso que o papa realizaria (traduzido em Português). Curiosamente é o mesmo excerto trasncrito por José Manuel ferandes no editorial do Público. De facto, eu tentei obter o discurso on-line e não consegui pelo que o director Fernandes deve ter muito melhores canais de informação e leu concerteza o discurso. Concerteza que não fez copy no sítio da rádio vaticano.

Depois podemos adquirir 5 dvd multi-linguagem sobre João Paulo II e as suas viagens. Ficamos ainda a saber que “A decisão [do papa em cancelar o discurso] desconcertou e preocupou a opinião pública italiana e gerou uma avalanche de reações de jornalistas e personalidades que defendiam o direito de o papa falar e que lamentavam o cancelamento da visita.”

É portanto com estupefacção que nos apercebemos que a perseguição, a censura, a opressão reside numa decisão do próprio papa, em face de um abaixo assinado de alunos e professores da Universidade. Parece que a censura se resume à inauguração de uma semana anti-clerical, onde cartazes e palavras de ordem causaram ataques de pânico a várias senhoras e crianças. Tiveram mesmo que ser socorridos devido ao som ensurdecedor dos gritos dos reles universitários, vários cachorrinos e coelhos domésticos.

Tudo isto porque, nas palavras do senhor director “um grupo de professores mobilizou um protesto que conseguiu levar o papa bento xvi a declinar o convite para falar na sessão inaugural do ano lectivo”.
Ó suprema violência da opressão e da censura, quando um protesto escrito consegue levar o Papa a recusar um convite. Talvez uma outra questão fosse mais relevante para tratamento editorial: quem deve escolher e como deve ser escolhido aquele que discursa na aula inaugural da universidade?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

News Flash #1

Não há melhor leitura que os jornais desportivos. Descobri esta pérola no jornal "O Jogo":

Lisandro já fez 8 "bis" mas nenhum "hat trick"

em que o jornalista nos elucida da importância das trivialidades no mundo do futebol. Cito algumas:

"É que apontar três golos num jogo é o que lhe falta. De resto, já fez de tudo com a camisola do FC Porto."

"esta foi a oitava vez que Lisandro marcou dois golos no mesmo jogo"

"é uma questão de continuar a tentar, não lhe faltando oportunidades até ao final da temporada"

"Cristiano Ronaldo precisou de treze bis para chegar ao "hat trick""

"Lisandro conseguiu com os dois golos ao Braga tornar-se no melhor marcador nos jogos realizados no Estádio do Dragão"

O ultimo paragrafo é um estrondo de literatura futebolistica:

"Há outro pormenor interessante nos golos de Lisandro. Com o Braga marcou ao minuto cinco, que curiosamente tinha sido o minuto em que tinha apontado golos ao Leixões e ao Setúbal esta época. Um "hat trick" diferente, portanto. Mais rápido só o golo que marcou ao Setúbal na época passada"

Muito interessante de facto. Hoje durmo mais descansado. E Lisandro no próximo jogo fico a torcer por ti.

Recomenda-se

Gostava de ficar o dia inteiro a ver isto. E quem diz ver Grifos diz procurar Abetardas no Alentejo. Para saber mais: SPEA

Poesia de bolso

Partilho o gosto pelo Ruy Belo e do Daniel Faria com o Alf. Mas coloco aqui agora uma de um autor que ele desconhece. O seu autor é o sistema operativo Solaris. Atentem nas métricas:

SC Alert: Host System has Reset

Boot device: /pci@1e,600000/ide@d/cdrom@0,0:f File and args: -sv
Size: 0x5edcb+0x14c35+0x2530f Bytes
SunOS Release 5.9 Version Generic_118558-11 64-bit
Copyright 1983-2003 Sun Microsystems, Inc. All rights reserved.
Use is subject to license terms.
Using default device instance data
mem = 16777216K (0x400000000)
avail mem = 16499269632
root nexus = Sun Fire V440
pcisch0 at root: SAFARI 0x1c 0x600000
pcisch0 is /pci@1c,600000
pcisch1 at root: SAFARI 0x1d 0x700000
pcisch1 is /pci@1d,700000
pcisch2 at root: SAFARI 0x1e 0x600000
pcisch2 is /pci@1e,600000
pcisch3 at root: SAFARI 0x1f 0x700000
pcisch3 is /pci@1f,700000
PCI-device: ide@d, uata0
uata0 is /pci@1e,600000/ide@d
/pci@1d,700000/scsi@1 (glm0):
Rev. 5 Symbios 53c876 found.
PCI-device: scsi@1, glm0
glm0 is /pci@1d,700000/scsi@1
PCI-device: scsi@1, glm0
glm0 is /pci@1d,700000/scsi@1
/pci@1d,700000/scsi@1,1 (glm1):
Rev. 5 Symbios 53c876 found.
PCI-device: scsi@1,1, glm1
glm1 is /pci@1d,700000/scsi@1,1
PCI-device: scsi@1,1, glm1
glm1 is /pci@1d,700000/scsi@1,1
/pci@1d,700000/scsi@2 (glm2):
Rev. 5 Symbios 53c876 found.

Adoro o trabalho de engenheiro. Espectacular diria.

Perguntas para que te quero

Coloco três questões que me assolam o espirito de segunda feira:

1. Porque falamos em aeroporto de Alcochete, se o terreno onde aquilo vai surgir fica em Benavente e Montijo?
2. Porque ninguém fala do que vai ser feito à Portela?
3. Porque é que o sporting insiste em não ganhar jogos?
4. Porque é que não sei o dia em que fui baptizado?
5. Porque é que o Camacho fala em espanhol mas diz asneiras em português?
6. Porque é que o mistério redentor de Jesus Cristo ressuscitado é o 25 de Abril que a sociedade portuguesa precisa?

para os mais atentos, coloquei mais questões do que as prometi, mas a vida é feita disso: mais perguntas do que respostas. Para o Alf: ler isto enquanto se ouve "The show must go on"

domingo, 13 de janeiro de 2008

O chefe da polícia

Hoje, Domingo, 13 de Janeiro de 2008: a opinião de Vasco Pulido Valente intitulada de "O polícia". Apenas discordo do título deste senhor, que até custumo gostar das opiniões dele, à excepção de quando se arma em profeta e revelador da verdade. Nesta sua opinião, VPV, faz aquele retrato de Socrates, a que todos estamos habituados a ouvir do autoritário, arrugante e prepotente que o nosso "pseudo-engenheiro"-primeiro ministro é.

"Sócrates tem um poder como não teve nenhum outro político português. Ora isto, que devia meter medo, só favorece" é a frase que mais se salienta desta sua opinião. Mas agora deixando um pouco a parte o senhor VPV, que esteja bem descansado lá a a ler um livrito em sua casa e que amanhã nos brinde com mais umas das suas boas opiniões, parece que o povo português gosta de ditadores, ou esta nova figura, que são ditadores democráticos, espécie de Sócrates, Chávez e de alguns outros governates de países bem conhecidos de todos nós. Mas é assim, apesar dos povos serem normalmente contra ditadores, parece que até acabam por gostar daqueles que o são, mascarados pela palavra "democracia".

Pois porque para Sócrates, tudo vai bem, vai muito bem. Até ja conseguiu assinar um tratado de Lisboa (Constituição Europeia, mas em vez de lhe chamar "Francisco", como está no registo, chamam-lhe chico- uma analogia feita José Medeiros Ferreira, antigo dirigente Socialista)e que agora não vai referendar como prometeu ao povo (mas como já disse em cima estamos na presença de um ditador, em que tudo é possível). Em 2 dias já escolheu a localidade definitiva para o novo aeroporto, ajudado por um grupo de empresários, que em nome "dos maiores estratégicos para o País" fez um estudo que ajudou o sr. Socrates a decidir por Alcochete. Até apoio o local, embora gostaria de saber quem foram os financiadores desse estudo e porque é que, sendo ainda a decisão "preliminar",já existe rumores de especulação imobiliária ali á volta de Alcochete, e de grandes empresas nacionais que já ali compraram terrenos.Não quero criticar mais senão qualquer dia o corpo de intervenção leva-me à tortura para ver se deixo de criticar aquele homenzinho que tem um risozinho (desculpa lá mãe mas é um riso estúpido) e que apesar de ganhar cerca de 12000 euros por mês, não olha para aqueles que em média ganham 500 euros por mês.

Enfim, qualquer dia convido o sr. Sócrates para correr comigo e com o meu amigo Alf, nas nossas habituais corridas de Sábado. Pode ser que tenhemos sorte e assim podemos aprender com o nosso "Políca", como lhe chama VPV, a sua visão para Portugal e para a sua visão do nosso Futuro.



Bem já dizia uma figura importante e infeliz da ASAE, (se não foi desta entidade que me perdoêm)que todas as leis eram para serem cumpridas e quem não as quisesse cumprir que imigrasse. Então aplicando ao meu caso vou mesmo imigrar, não por não cumprir as leis, mas por não querer viver num país governado pelo meu futuro colega de profissão (engenheiro-também quem tira um curso na Independente diz tudo!!!) sr. "Eng." José Socrates.