sábado, 8 de dezembro de 2007

There's No Business Like Show Business


Caro leitor, a vida é um imenso palco, um jogo de dados, uma canção efémera, um mercado de alfaces. Não podia ser de outra maneira ou o tédio talvez nos sepultasse. O tédio ou os juros bancários que nestes dias balançam como o galo no campanário da igreja. Sabemos que o jogo tem inclinações, ritmos, tendências acentuadas, virtualidades e arbitrariedades: jogar é ter experiência com o acaso. Contudo a economia não é um jogo, é uma ciência, uma teoria nas palavras do senhor engenheiro Miral Amaral. Há que jogar e não esperar mais que o resultado da jogada. O perigo é talvez que o jogo não corra bem, talvez que a jogada não seja a mais apropriada ou pior… talvez a nossa vida não esteja adaptada ao acto de jogar. A questão, caro leitor, está em saber quem joga mal. Ou quem possui os atributos do jogo. Não falo de quem define as regras porque cheira a humanidades. Antigamente os homens jogavam à malha no adro da igreja. Os cãos da velha quinta ladravam ao longe, as flores dos plátanos, tal como os juros e os galos dos campanários, balançavam no vento. Por vezes um homem acendia o cigarro no frio de Dezembro e efregava as mãos uma na outra. A vida era então como a trajectória dessa malha - viva e precária antes de caída.


Hoje, a vida não é um jogo. A vida é a economia de mercado, no sentido em que é norteada por conceitos modernos, pensados, reflectidos, contruídos. Quando há já alguns dias convidavamos o director Avillez de Figueiredo para que avançasse, sabiamos, caro leitor, que ele avançaria mais tarde ou mais cedo. Mas sabiamos como? perguntará o caro leitor. Sabiamos com toda a evidência que há na realidade das coisas que, com efeito, são coisas. O mundo económico é, verdadeiramente, uma grande coisa. Em primeiro lugar há players. Tipos que jogam ou são jogados ou agarram-se ao jogo para que não joguem por eles. Depois há relações de mercado:


Um tipo diz – é a 20


ao que responde o mercado – não é não senhora, é a 15,5


e o tipo novamente – é a 19,95 se não levas já com este malho na cabeça


e o grande mercador – aqui não vale malhos, quanto muito chamas a polícia


e o tipo novamente – é a 19, 999 que é para pagares a despesa da polícia


e o mercado – está bem senhor engenheiro.


Estas relações de mercado são transparentes e conferem aos players oportunidades de desenvolvimento pessoal e colectivo. Esta semana no programa negócios da semana (SICnotícias) o senhor engenheiro Mira Amaral era confrontado – com tudo o que isto significa de pueril diante do continental saber do senhor engenheiro – com a diferença de informação no acesso ao crédito. O raciocínio do jornalista da sic era, como é bom de ver, igualmente pueril: como lidar com o problema da contratualização de produtos de crédito nas instituições bancárias uma vez que nem todas as famílias têm a mesma capacidade de aceso à informação e, consequentemente, de negociação. Responde o senhor engenheiro:


- É a vida.


Na verdade, é de facto a vida. Como em tudo, explicava o senhor engenheiro, é a vida. Repare o caro leitor que o senhor engenheiro tem toda a razão. Um tipo vai na rua e aparece um outro com um malho (aquele mesmo do mercado, por exemplo). Nisto o gajo do malho dá com ele na cabeça do segundo tipo que responde incrédulo e abalado


- Ai que me estão a matar.


- É a vida (diz o gajo do malho).


Por falar em jogo é conhecido o incidente com o líder do Movimento Compromisso Portugal António Carrapatoso. De acordo com o Diário de Notícias em 2006, a Direcção-Geral de Contribuições e Impostos (DGCI) deixou caducar uma alegada dívida de António Carrapatoso respeitante a rendimentos auferidos pelo presidente da Vodafone em 2000:
"A notificação do contribuinte devia ter sido feita até 31 de Dezembro de 2004, mas só aconteceu em 2005. De acordo com o mesmo jornal, um funcionário das Finanças terá colocado no sistema informático que a liquidação foi feita ainda em 2004, mas sem qualquer documento que o comprove. O presidente da Vodafone apresentou uma reclamação, alegando a caducidade do direito à liquidação e o Fisco acabou por lhe dar razão, acrescenta ainda o Diário de Notícias.»


Parece que no Expresso o mesmo senhor director e ilustre líder, António Carrapatoso, afirmou que «se se alimenta um sistema destes, vale mais a uma empresa fugir aos impostos do que ser competitiva para conseguir mais retorno». Nem mais. Esta concepção institucional da acção política do cidadão é verdadeiramente relevante. Pois que permite novas leituras sociais. Um economista da cova da moura afirmou ontem ao Expresso: “se se alimenta um sistema deste mais vale um gajo roubar uma ourivesaria e fugir à polícia do que trabalhar nas obras para ganhar 500 euros”. De maneira que a polícia entabula (bela expressão) neste momento denodados esforços para prender este economista da Cova da Moura.



Como compreenderá o estimado leitor a vida é como um jogo, que decerto correrá bem, especialmente se tivermos um malho na mão. O problema é que nem todos somos estúpidos e há por vezes inadaptações ao terreno de jogo, players que fazem entradas por trás, golos com a mão e até mesmo, pasme-se, agressões sem bola.
Voltando ao assunto que aqui nos trazia a noticia do expresso on-line não deve ter deixado os players indiferentes:

Martim Avillez Figueiredo, director do "Diário Económico", será nomeado director da Sonae SGPS, com as funções de de coordenação das relações institucionais do grupo e gestão da Marca. O senhor director Avillez seguiu as indicações do Alf e avançou. Em boa hora o fez porque desta forma, segundo o Expresso «Paulo Azevedo dá mais um passo na reestruturação interna que está a promover, desde que subsituiu o seu pai à frente da "holding"». Portanto tudo continua em bom ritmo na monarquia.



Convém esclarecer o auditório que não nos move qualquer especial preconceito contra a monarquia Sonae. Apenas gostamos mais da República e continuamos a achar que os impostos são uma forma de intervenção política. Cheira a bolor? Pois é, música dos anos oitenta…Consequências para o tecido empresarial? Não sei, a vida é um jogo.
O expresso noticiava ainda que o senhor director se despedia «num tom emocionado» classificando os seus três anos à frente do “Diário Económico” como «“electrizantes”. O ainda director acrescentou, também, que o seu “trabalho só foi possível com a extraordinária equipa do 'Diário Económico', que provou que um jornal pode conciliar o rigor e a profundidade da informação com a criação de valor”».


A criação de valor é um outro dado importante da economia. Temos além dos players e do mercado, o valor – outro conceito de grande significado para nós. Para esclarecermos melhor este magnífico conceito podemos lançar o olhar ao que escreve o colunista, do diário económico on-line, Ricardo Costa que assina a crónica “Um chá no deserto”. De maneira que o meu gato salta da janela e pergunta:


- Este não é aquele da sicnotícias e do expresso da meia-noite, onde já esteve algumas vezes o senhor director Avillez?


- É (respondo com ironia perante a inaceitável ignorância do meu gato em assuntos de comunicação).


Temos que o senhor director sicnotícias Costa é colunista no diário económico e convida o senhor director do diário económico Avillez para comentador no programa do sicnotícias do senhor director Costa. Ao que chegamos ao conceito final da economia: a diversidade de informação. Temos em suma players, mercado, criação de valor e diversidade na informação.
Quanto à coluna do chá no deserto eu diria que é mais um champagne na savana.

Foi então que entrou Ruy Belo, um dos que não conseguiu emprego e infinitamente pesa sobre a economia, ou como é mais comum dizer-se – um lírico -, proclamando com voz forte o seu lirismo:

E entretanto tudo a noite rodeou e o jogo acabou

e pelo céu do tempo houve um homem que passou

ou uma certa malha arremessada por acaso à vida

e viva na precária trajectória antes de caída.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Não tens pais ricos? vai ao kiva.org

Eis uma boa sugestão para o Natal: fazer de banco e emprestar dinheiro a quem precisa. Baseado num modelo de microcrédito, o esquema é fácil: empresto o dinheiro que quiser, o site entrega esse dinheiro a instituições que por sua vez o distribui pelos empreendedores. Que precisam apenas de um pequeno empurrão. Estamos a falar de 1000$ na maioria das vezes. Garantem no fim que o dinheiro volta, como num empréstimo normal. Apenas não há juros exorbitantes nem comissões de utilização, etc pelo meio permitindo que assim seja possível iniciar o impossível. Ajudar os outros a vencer pequenos obstáculos de uma forma simples. Para que possam ter também a oportunidade de vencer numa vida que se quer digna e se possível feliz.

A pergunta que se coloca: não será isto um esquema para ganhar dinheiro fácil à custa dos outros? vejam a reportagem do NYTimes e tirem conclusões.

Tell me a story V with comments

Era uma vez um país. Onde tudo era bem pensado. Com saúde gratuita para todos. Energias renováveis. Prisões abertas. Indices de escolaridade altos. Um exemplo de sucesso. Um país livre de preconceitos. E supreendente.



Graças ao blog do P. consegui ver este pequeno filme sobre a Noruega e que não foi incluído na versão final do filme Sicko porque, segundo o realizador Michael Moore, os norte-americanos não iriam acreditar.

Em resposta tardia a um comentário e pergunta em que país gostaria de viver, respondo que gostava de viver em Portugal. Apenas teriamos que mudar umas coisinhas sem importância. A Noruega é um bom exemplo a seguir. Também acredito que a falta de sol durante 4 meses e a proximidade do norte magnético deve influenciar a cabeça desta gente, levando a que sejam mais sérios e responsáveis, não havendo lugar a chico-espertices tão tipicos aqui em terras lusas. Talvez estejamos condenados a viver mal, e à medida que o tempo avança, apenas os mais adaptados (leia-se os mais corruptos) consigam safar-se neste tipo de ambiente. Porque por razões históricas e culturais não ha mesmo nada a fazer. A malta quer é sol e imperiais (ao contrário da Noruega não estamos a criar energia com isso). De lá só mesmo o bacalhau. A pergunta que realmente importa colocar nesta altura é: já alguém ouviu falar do futebol da Noruega? Eu também não. Aleluia Sra do Caravagio e amen Cristiano Ronaldo.

ps. em relação ao cimento e sua influência, veja-se mais uma luta

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Concerto de Natal

Em jeito de entabular uma conversa


No mesmo país onde o presidente não sabe falar e parece perdido no espaço:



surge esta ideia: a auto-estrada I35 que corta o pais ao meio, é fruto de obra divina e é a mesma que é referida em Isaias, no Antigo Testamento. Para alem disso, ao longo da estrada, estão a juntar-se movimentos de jovens cristãos que curam homossexualidade entre outros.



Afinal Deus é contrutor civil, caro Alf. Afinal há razões para tanto cimento. Afinal Os nossos "politicos" são pastores do Senhor e vão curar-nos. Salvé aleluia, amén.

ps. os videos foram retirados do BiToque e do ZdC

Confuso, céptico, angustiado



Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better
Samuel Beckett


Nada como dois portugueses cosmopolitas para logo desabrochar em mim uma enorme e provinciana vergonha de ser português. Na semana passada o doutor Mário Soares e a doutora Clara Ferreira Alves passearam por sítios vários empoleirados em conversas sem qualquer nexo, sem preparação, em jeito de opinião avulsa. Será que uma carreira política fulgurante (se é que o serviço político pode ser casado com o fulgor) justifica opinar sobre tudo sem qualquer ideia prévia do que se vai dizer?
O doutor Soares deambula por inúmeras matérias, surfando a onda do acaso com a prancha do seu pensamento, uma peça oleada, bem constituída, composta por madeiras de várias proveniências (a social democracia alemã, um cabelo de Marx, as obras completas de Miguel Torga resumidas para estudantes de direito, Camus na diagonal, Victor Hugo para crianças, Proudhon em 5 minutos, um manual de retórica dos anos vinte e uma gramática da liderança com promessa de resultados a curto prazo). Contudo, convém reconhecer que o doutor Soares é uma agradável presença. Uma espécie de Professor Cavaco Silva sem economia mas com educação e cultura. Por justiça deve também reconhecer-se que a doutora Ferreira Alves diz coisas inteligentes, embora às vezes se passem alguns segundos de intervalo.
O diálogo entre os dois monstros da cultura portuguesa é entremeado com alguns exercícios de gosto. O doutor Soares refere, entre várias outras sensibilidades, a sua antipatia por Beckett: um autor “confuso, céptico, angustiado”. Com efeito, caro leitor, com efeito, que para angústia, cepticismo e confusão já bastam os diálogos entre o doutor Soares e a doutora Clara Ferreira Alves.

O programa seguiu escorreito por portos do mediterrâneo, subúrbios de Paris e o cais das descobertas. A dado momento o assunto inevitável. A doutora Ferreira Alves refere a hodierna cultura do fait-divers. O doutor Soares aponta a criminosa televisão. Os dois encolhem os ombros, enquanto continuam o seu passeio. Não lembrou a nenhum dos dois que aquele programa, gravado para a criminosa televisão, onde aliás os dois pontificam com abundância, é, precisamente, um claro exemplo do fait-divers hodierno, neste caso para o segmento dos licenciados. Vejamos um exemplo:

- Quantos livros tem hoje? (perguntava a pluma caprichosa)
- Uns 50 ou 60 000 volumes… (responde grave, hierático e circunspecto o doutor Soares)
- Dá para várias bibliotecas (risos). (interpela novamente a pluma caprichosa em jeito de elogio abasbacado).

Perante este proficiente diálogo somente uma nota solta (a minha sentida homenagem ao doutor Vitorino):
É que a troca de palavras logo correspondeu a uma de várias cosmopolias conversas entre outros dois portugueses proficientes e cosmopolitas. O meu avô, nas longas tardes de verão na cova da beira, enquanto cuidava das laranjeiras e do batatal, perdido num vale poluído pela extracção do minério entre a estrela e o açor, costumava entabular longas conversas (não sobre urbanizações, como é bom de ver) com um amigo moleiro que amanhava uma horta ali perto. Sentados no xisto às vezes lançavam no ar quente da tarde algumas relevantes reflexões:

- Quantas cabras trazes hoje? (perguntava o meu avô afagando com o olhar os múltiplos animais da encosta no momento em que retirava da mala a bucha)
- Aí umas 100 ou 150 peças. (respondia o moleiro com orgulhosa gravidade)
- Dá para vários currais. (sorria em saudação o meu avô, enquanto se debatia com o queijo e os incómodos gumes do xisto)


Alguém devia explicar a estes insólitos produtores televisivos que um programa de televisão pode ser um espaço de tempo bem utilizado. Depois de António Vitorino de Almeida e Bárbara Guimarães passearem desnorteados por algumas capitais europeias, concorrendo entre si na caça à irrelevância vejo emergir na minha mente um projecto de sucesso garantido: Cecília do Carmo e Eusébio pisando os relvados europeus em busca dos mais valiosos momentos futebolísticos do século XX, comentando as vivências particulares, exprimindo os seus desejos e ambiguidades, os seus anseios e as suas expectativas. Caro leitor, deixo-lhe como consolação dos aflitos uma velha reflexão de Marx, também aplicável à história da programação televisiva – a história repete-se, primeiro como tragédia e depois como farsa.

A chave estruturadora

A política, como saberá o leitor, é a arte do possível. Ora, em Portugal não é possível a política porque no seu lugar está um saco de cimento. Explico melhor. O nosso El_presidente estranha a qualidade estética do “parque dos poetas”. Eu não! Porquê? Porque não sou poeta. Sou apenas um provinciano depremido da periferia. Logo, costumo deambular pelo parque no sentido de entender de que forma podemos nós contribuir para que em Portugal, em vez de um saco de cimento, exista, enfim, uma informada discussão política. Os poetas, quase tão deprimidos como nós, caro leitor, segredam-me por vezes algumas soluções. Em primeiro lugar seria preciso cidadãos em vez de clientes. Gente que entre o vinho alentejano e a leitura do código Da Vinci pudesse dar uma espreitadela às Assembelias (Municipais e Nacional) e inteirar-se dos processos, das ambiguidades, das escolhas em questão.
Uma vez que tal não é possível resta-me uma consulta ao sítio da Câmara Municipal de Oeiras para esclarecer a nossa ignorância (minha e do el_presidente) na apreciação da superior qualidade estética do parque dos poetas:
“A ideia seria contar a história da Poesia através da arte escultórica, ao longo de um percurso designado por “Alameda dos Poetas”. Tornou-se no mote para uma ideia mestra, entendida como chave estruturadora para o nascimento da obra do Parque dos Poetas.”
Portanto a ideia é contar uma história. Uma vez que a biblioteca é um sítio desagradável, cheio de livros e de pó, vamos fazer aqui uma espécie de poesia portuguesa em 15 minutos. Uma “ideia mestra” entendida como “chave estruturadora” (mais uma bela expressão) para o nascimento da obra… Digo mais: em vez da "chave estruturadora" acho que deviam ter usado uma retro-escavadora e prolongado a alameda dos poetas até à estação agronómica. Compreendo, contudo, que isso não esteja ao alcance de um saco de cimento, perdão, de uma política sustentada economicamente.
Continuando a leitura do sítio, continuamos, em simultâneo, a aprender. Sem esforço e com alegria, que é como se quer a ciência das aprendizagens:
“Para além de desportivo e de lazer, este parque é sem dúvida um “caso singular” de espaço de cultura, que dadas as suas características constituirá um marco no território, não só do Concelho de Oeiras e Área Metropolitana de Lisboa mas também uma referência a nível Nacional.”
Um marco no território, sem dúvida. Ao que proponho, para culminar este marco no território, a construção de uma estátua de vinte metros ao doutor Isaltino de Morais. Não a partir do chão - que está sujo e não é condicente com tamanha visão das alturas - mas aproveitando, como “chave estruturadora” da reciclagem ambiental, o prédio embargado na zona do Espargal. Penso que é hora de reparar a injustiça feita e devolver, com estrondo épico, o pedestal ao seu herói. Entretanto mais uma pequena informação:
“É importante referir que, por força do planeamento da execução das obras, sobretudo no sentido de acautelar prejuízos ou incómodos na sua envolvente, o Parque dos Poetas, que abrange uma área de 25 ha, tem uma execução programada em duas fases. A 1ª fase, constituída por uma área de 10 ha"
Curiosamente, a segunda fase não é mencionada. Nem sabemos quantos hectares terá. Nem importa desde que não tragam para a obra a “chave estruturadora”. Em suma o parque dos poetas “conta uma história”, “é um marco no território” e “acautela prezuíjos e incómodos”. Com efeito, tenho que fazer um acto de contrição: a política não é um saco de cimento, é um passeio no parque.
Entretanto através de Mário Negreiros chega um texto “O triunfo do motorizado” publicado on-line pelo Jornal de Negócios a 2 de Novembro de 2007. Ficamos a saber que decorre neste momento a reposição da estrada que há uns anos cortava ao meio o adro da igreja de Oeiras (pensava o leitor que era apenas uma estátua a esse grande obreiro da cidadania e da vida pública em Oeiras que é o prior da vila). O incómodo Negreiros quis saber como se cheegou a esse golpe de teatro no centro-histórico e procurou “o vice-presidente da Câmara e vereador dos centros históricos (e de 9 outros pelouros), Paulo Vistas”. O senhor Vereador começou por dizer ao incómodo Negreiros que “atendia, assim, a um antigo anseio da população, expresso num abaixo-assinado com centenas de assinaturas”. O senhor Vereador teve a amabilidade de oferecer ao incómdo Negreiros uma cópia desse abaixo-assinado. Ao que consta podem contar-se 151 assinaturas. Lança o incómdo Negreiros: “Não é grande coisa quando o que se pretende é legitimar uma intervenção tão radical em pleno núcleo do centro histórico de Oeiras”. Ora aí está um espírito que não compreende o critério da decisão política. São uns demagogos, filhos do populismo e da multidão que, como já ensinava Kieerkgard, não passa de uma mentira. As decisões são para se tomar com critérios objectivos, sustentados, globalizados, desnvolvimentistas, conceitos que podem traduzir-se por uma “chave estruturadora do real”. Mas logo volta à carga o incómodo Negreiros: “Perguntei-lhe se fecharia outra vez a estrada se lhe entregasse mil assinaturas. Disse-me que não. Quis saber que argumentos técnicos justificavam o rasgar ao meio do largo da Igreja e disse-me que o que se pretendia era "dinamizar" o centro histórico, aumentar a "circulação" e, com isso, aumentar os negócios do comércio tradicional”.
Objectivo e estruturante. Só não percebo qual a racionalidade que preside ao aumento de negócios do comércio tradicional com a abertura de uma estrada no adro da Igreja na mesma medida em que se abre mais uma grande superfície “o allegro” a 5 minutos de automóvel do centro. Acabei agora mesmo de perceber, peço desculpa pelo lapso. É exactamente a mesma racionalidade empreendida pelo BCP na criação da Somerset: no comunicado pode ler-se que esta offshore de José Goes Ferreira, beneficiou de um empréstimo de 27 milhões de euros como, e passo a citar, “«veículo» constituído pela então administração do BPA para compensar insuficiências de balanço”. Traduzindo, são medidas que deslizam como veículos e balançam para compensar insuficiências.
O incómodo Negreiros vai mais longe e lança a acusação insidiosa: “A única explicação racional (embora escandalosa) que já ouvi para que tenham rasgado o largo da Igreja de Oeiras é a de que tudo (do abaixo-assinado à obra) teria sido engendrado para beneficiar um condomínio de luxo em construção no lado sul do largo. De facto, os futuros moradores do condomínio perdem um largo mas ganham três minutos na volta (de carro) a casa”. Não merece qualificação esta atoarda, este boato mentiroso (bela expressão de José Socrates, uma vez que, se é boato, é por natureza mentiroso. Logo, uma redundância de mentiras, em aritmética portuguesa, costuma resultar numa verdade. Que digo eu, numa mentira, numa grandessíssima mentira). Repito: um calúnia mentirosa, uma mentira cobarde e injuriosa, uma inaceitável generalização, lançando lama sobre as honradas insituições sobre as credíveis empresas de construção que garantem o pão a tantos e tantos portugueses. Caro leitor, digníssimo el_presidente, senhoras e senhores munícipes: a política não é um passeio no parque, é uma “chave estruturadora”.
P.s. Aqui vai um brinde de 2005 (informação on-line publicada pelo Jornal de Notícias) com um pequeno TPC: onde está a fronteira entre o cimento e o parque?
A presidente da Câmara de Oeiras, Teresa Zambujo, admitiu esta segunda-feira, dia 7, durante uma sessão da assembleia municipal, a possibilidade de levar a reunião de câmara a questão do licenciamento de uma urbanização que está a ser feita junto à zona de expansão do Parque dos Poetas e que um grupo de moradores quer ver anulado. Na passada semana, um grupo de munícipes entregou um documento com mais de mil assinaturas contra a construção do empreendimento Edifícios do Parque, alegando que o projecto viola o Plano Director Municipal. Em causa estão sete edifícios (alguns dos quais com oito e nove pisos acima do solo), com 125 fogos e uma área de construção de 25.330 metros quadrados. Presente na reunião da assembleia que se realizou na noite de segunda-feira, um dos promotores dos protestos, João Lourenço, disse à Lusa que Teresa Zambujo admitiu discutir o assunto na próxima reunião do executivo camarário após ter sido questionada sobre pormenores do projecto. Segundo João Lourenço, os moradores queriam saber, entre outros pormenores, em que órgãos de comunicação social foram publicados os avisos de consulta pública do projecto, obrigatórios por lei. «No dossier (que está na câmara) não consta nenhuma fotocópia ou recorte de jornal» com o aviso aos interessados de que o projecto está para consulta pública, precisou o morador.

O empreendimento em causa, localizado junto à segunda fase do Parque dos Poetas (Paço de Arcos), já deu origem a um abaixo-assinado e a uma queixa junto do Ministério Público de Sintra. O projecto integra sete edifícios (alguns dos quais com oito e nove pisos acima do solo), com 125 fogos, índices construtivos demasiado elevados e que violam o PDM em vigor, segundo os moradores.

Em Julho do ano passado, um grupo de cidadãos apresentou ao procurador do Tribunal Administrativo de Sintra uma queixa contra a câmara de Oeiras e contra o promotor da urbanização - J. Dias e Dias - alegando que o empreendimento violava o PDM.

O Processo remonta a 1982

Segundo os autores da queixa, os antecedentes remontam pelo menos a 1982, já que foi neste ano que deu entrada na câmara um pedido de licenciamento de loteamento dos terrenos entre as ruas Joaquim Moreira Rato e Carlos Vieira Ramos.

"Após várias vicissitudes ocorridas durante o licenciamento" foi emitido um alvará, em nome de uma outra construtora, que caducou. Os terrenos foram entretanto adquiridos pela J. Dias e Dias, com vista a solicitar novo pedido de loteamento.

"Para se assegurar das capacidades construtivas do terreno em causa, em vez de recorrer ao procedimento de informação prévia, (o construtor) optou por entabular conversações directas com o então presidente da câmara, Isaltino Morais", refere a queixa. Após "reuniões informais", chegaram a acordo em relação à volumetria, tendo o alvará sido emitido em Março de 2004 e as obras começado a 14 de Maio.

Sei por experiência própria que estas maçadoras questões da informação prévia demoram tempo, exigem cuidados técnicos e algum “jogo de cintura” administrativo. Como tempo é dinheiro vamos antes a uma conversa. Caro leitor, proponha esta semana um aumento de salário ao seu patrão. Se não tem patrão, suba os os seu preços. Se houver dificuldade experimente uma conversa. Verá que o entabular de conversações directas continua a ser a melhor fomra de resolver um problema.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

As time goes by me

Há um ano estava aqui:
Fui escrevendo umas coisas enquanto lá estive, e é curioso voltar a ler os textos e do que dessa leitura surge. Pensar no que pensava há um ano atrás. Entretanto muito mudou. A terra continua a girar. E nós vamos com ela.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Poesia de bolso

"Então todos compreenderam que a memória da árvore nunca mais se perderia, nunca mais deixaria de os proteger, porque os poemas passam de geração em geração e são fiéis ao seu povo." A Arvore, Sophia de Mello Breyner Andresen


Volto à carga em Oeiras. Desta vez o tema é o Parque dos Poetas. Há muito que falo nisto, mas nunca o escrevi antes. O Parque dos Poetas é feio. Perdeu-se uma boa oportunidade de ser ter um espaço verde com uma area consideravel (25ha no projecto original, o Central Park tem 341ha por exemplo), para passar a ter um espaço com demasiado cimento, marmore e estruturas metálicas, estadio de futebol e respectivas bancadas, e pior de tudo uma alameda de consagração a poetas. Esta ideia de homenagem fruto de um riquismo foleiro e de cultura de pedra marmore, acompanhada por intervenções de jardinagem muito discutiveis, é na minha opinião um grande erro. Um parque urbano por conceito é um espaço livre de edificios e de intervenções, onde existe em abundância espaços verdes de forma a que o visitante possa extactamente usufruir desse espaço. Uma alternativa com espaços de relva, pequenos lagos, etc, alem de muito mais barata teria uma componente importante: não está associada a temas, é imtemporal. É legado para o futuro. Nada me move contra os poetas, pelo contrário até, mas acredito existirem outros meios de perpetuar a sua obra.

Outra questão é a propria expansão do parque para o futuro. Neste momento dos 25ha apenas 10 estão construidos. Já houve polemicas com a construção de um predio de varios andares no espaço do parque e que foi embargado. Durante a campanha das autarquicas foi prometido novas revelações para o parque, assim como girassois que iam alegrar o espaço. De facto foram colocados, de facto cresceram. De facto secaram. O Parque continua parado. O prédio continua de pé apesar de embargado e aguarda-se por decisão do tribunal. Que futuro? Olhemos para lá fora. Veja-se o Central Park ou o Hide Park. Não era preciso ir muito longe. Veja-se o parque da Cidade do Porto. O betão em Oeiras claramente começa a ganhar e há que começar a pensar seriamente que rumo que tomar e que alternativas existem, para evitar males piores. A luta ainda mal começou.

O mais espantoso instrumento

Não pretendo fazer publicidade nem à marca nem ao modelo, mas este vídeo é, na minha opinião, uma ode à voz humana. E, essa sim, vale a pena celebrar, ou não será ela o mais espantoso e complexo instrumento musical?

Tudo Passará



Mas tudo passa tudo passará
E nada fica nada ficará
Só se econtra a felicidade
Quando se entrega o coração

Não sou economista nem gestor e cheguei mesmo a receber um 4 num teste de matemática do 12º ano, o que me valeu a qualificação de “pobreza franciscana”: desculpem mas não é para todos. Desde então tenho procurado perceber se o epíteto estava relacionado com a minha barba adolescente mal semeada, o facto de ter pouco dinheiro ou as goradas tentativas para resolver questões de trigonometria em estilo chilreio de pássaro. Contudo, tenho que confessar o acerto da minha saudosa professora: haverá coisa mais pobremente franciscana do que um exercício de probabilidades mal resolvido por um adolescente da periferia? Como diz um ilustre pensador, há 50% de possibilidades de qualquer coisa acontecer. Ou acontece ou não acontece. E comigo a matemática não aconteceu. Foi como uma mulher bonita que vemos cruzar a rua e perder-se na multidão urbana.

Vem isto a propósito do alegre exercício que, desde então, venho fazendo a título de penitência. Folheio, ocasionalmente, a imprensa económica. Devo dizer, caro leitor, que é um festa cívica de pensamento e vitalidade participativa. Esta semana o Expresso economia traz algumas reflexões prementes. Ficamos a saber que o senhor Comendador da Ordem de Mérito Agrícola, Comercial e Industria João Picoito, gestor de mérito reconhecido, é também Professor Catedrático convidado da Univesidade de Aveiro. Na procura de alguma informação sobre administração, a simples curiosidade, que em tempos matou o gato e hoje, felizmente, não mata sequer uma mosca, levou-me a uma notícia perdida na espuma dos dias: o senhor comendador Picoito recebeu em 2006 o doutoramento honoris causa. A justificação deixa todos sossegados e não envergonha o prestígio secular da universidade. Da mesma forma é indiscutível o trabalho científico-empresarial do agraciado: “o seu contributo persistente, relevante e singular, para o fortalecimento das relações entre as universidades e o meio empresarial, nomeadamente no domínio estratégico das Telecomunicações e o seu percurso profissional brilhante num domínio de actividade e num ambiente empresarial altamente competitivo em termos internacionais” conforme pode ler-se na notícia do sítio Ciência Hoje. Esta imposição das insígnias doutorais celebra uma nova etapa na vida dos portugueses, dos europeus, do mundo inteiro. Leite e mel correndo no deserto.

No sítio da Siemens pode também ler-se “Para quem conhece este professor, gestor e engenheiro electrotécnico, as razões de tal distinção são óbvias: o seu papel na criação e desenvolvimento de grandes centros de investigação de nível internacional em Portugal, o seu contributo para o fortalecimento das relações entre as universidades e o meio empresarial e o seu relacionamento institucional com a Universidade de Aveiro - com consequências positivas para a academia e para a região”. Nada a obstar. A política de aliança entre o tecido empresarial e os centros de investigação, neste sinergia de conteúdos para a criação de emprego e para o desenvolvimento económico português é arguta, poderosa, irrepreensível. Apenas uma pequena sugestão: enviem um mail ao director Martim Avillez de Figueiredo a avisar que o plano está em marcha e que não está sozinho nessa luta desigual contra a grande ilusão dos cursos de letras e a sua famigerada promessa de um bom emprego.

Quanto à universidade caro leitor tire o casaco e a gravata preta do armário que toca a finados. Somos nós, tu e eu, que não compreendemos a força da mudança, os ventos do progresso, as “forças progressistas” na expressão do gestor Carrapatoso que comandam o amanhã que canta.
Chegou a nossa hora, e não nos fica mal aceitar a derrota. Sobre o penalty do Veloso não digo mais nada. Sobre a velha citação do eclesiastes – “quem acrescenta ciência, acrescenta sofrimento à existência” – que Platão não se cansava de repetir, é bom que a coloques na reciclagem que o futuro não se compadece com hesitações.

Sobre o carácter crítico do conhecimento é coisa de alemães oitocentistas com barbas, atacados por problemas intestinais e falta de recursos. Sobre a relação entre ciência e independência é uma teia de aranha a limpar dos cantos esconsos do armário com os livros comprados naqueles desconcertados dias adolescentes de 68. Mas logo vem em meu auxílio esse canto profundo da ciência económica: convém não esquecer nelson ned, o conforto das solidões africanas nas colónias um pouco antes do retorno, o sonho das mulheres portuguesas que esperavam o regressos dos soldados – não esqueça o caro leitor que, também na economia, tudo passa.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

SATU = Sem Alternativa nos Transportes Urbanos

Quem já esteve parado na A5, na marginal ou mesmo dentro de Oeiras, pode interessar a próxima imagem (imagem via oBiToque - cliquem para aumentar e perceber melhor):

Há que pensar neste facto (e estar parado no trânsito ajuda a pensar) de que há poucas alternativas para quem se desloca para Lisboa a partir de Oeiras e arredores. O comboio é um bom meio, mas ou se vive junto à estação ou então compra-se um bom par de sapatos. As (poucas) camionetas que existem e fazem a ligação aos subúrbios tem horários obtusos e que por vezes aparentam ser variantes com o vento que se faz sentir.
Tenho a sorte de trabalhar a 10 minutos a pé do trabalho, mas todos os dias passo por aqueles que lutam por um lugar na A5. Já vivi isso também e aos poucos uma pessoa habitua-se a sofrer. Apesar de tudo quando estava parado, muitas vezes lembrei-me do comboio cheio de gente suada e apertada as 8h e o carro rapidamente se transformava num sofá com musica a gosto. Nessa altura trabalhava num local onde só de carro conseguia chegar a horas. A alternativa de transportes públicos era andar pé + comboio + autocarro + andar a pé. Não haveria problema nenhum tirando o facto que o autocarro passava de hora a hora, e a partir das 20h não passava. Conclusão: tendo em conta o preço dos transportes e os horários não me admira que se continue a preferir o automóvel.
Voltando à imagem é bem esclarecedora de como seria melhor se houvesse mais transporte e melhor interfaces para as pessoas que vivem nos subúrbios. Ainda há pouco tempo a estação da CP de Oeiras foi brindada com estacionamento pago. Os senhores acharam por bem cobrar o ouro dos deuses por um lugar. O resultado foi um parque vazio e os passeios à volta cheios de carros estacionados fruto de uma imaginação riquíssima baseada no best-seller "como conseguir meter um veiculo onde não há lugar para ele em 2 lições". A bom tempo alteraram a politica e cobram agora "apenas" 1€ por um dia de estacionamento. Foi uma boa ideia. Mas claramente insuficiente. Porque continuam a haver carros em cima dos passeios. Ideias? É necessário aumentar estes interfaces e até mesmo porque não criar uma rede de transportes públicos só do concelho? (ao exemplo do Barreiro, Setubal, etc). Já vimos que o que existe não chega. O transito não para de aumentar. Em Oeiras temos o SATU. E sim é tecnologia de ponta. Mas viaja sozinho. E acaba em lugar nenhum.

ps. De bicicletas não falo. Quem já esteve em Munique ou Berlin sabe bem que lá fácil de andar de bicicleta. Em Lisboa as 7 colinas falam por si. Os taxistas idem.

Evidências...

Às vezes passamos demasiado tempo à procura daquilo que afinal estava tão perto...

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Acordai!

Num mundo onde cada vez mais se vê pessoas adormecidas, a caminhar sem rumo ou a ir caminhando por caminhar, onde poucos sinais de alegria se fazem sentir, onde pouco valor é dado ao que se tem e muito se dá ao que se quer ter, onde o umbigo próprio tem mais importância que o alheio, onde se vê tão pouca motivação e tão pouca vontade de assegurar projectos, dar a cara e ir à luta tenho uma certa vontade de ter um megafone gigante e de vez em quando pôr a tocar esta música de Fernando Lopes-Graça que foi um dos mais notáveis compositores e musicólogos contemporâneos nascido a 17 de Dezembro de 1906, em Tomar.
Eu que conheci esta música quando tinha dez anos e logo me apaixonei por ela e cedo tive esta vontade de dizer ao mundo "ACORDAI!".

Tens queixas? Canta que isso passa

E que tal juntarmos o Coro da Ermida ao Complaints Choirs Worldwide e fazermos uma pequena canção com tudo aquilo que nos chateia à nossa volta? As instruções seguem aqui. Deixo aqui um video do coro de Helsínquia:



Ao que parece nem na Finlândia (país modelo na Europa a todos os níveis) o povo está contente. Para Portugal acho que seria bastante fácil escrever uma canção. O que acham? Aceitam-se sugestões.

O ser e o tempo


"Certamente que a concepção de que a paz é o objectivo da guerra e, portanto, de que uma guerra é a preparação para a paz, é tão antiga como Aristóteles, e a pretensão de que a finalidade de uma corrida ao armamento é a manutenção da paz é ainda mais antiga, isto é, tão velha como a descoberta da falsa propaganda. (...)"

Universidade de Princeton, na Primavera de 1959
ARENDT, Hannah, Sobre a revolução, Relógio D'Água, Lisboa, p. 12-17).


Tal como um dia escreveu Milan Kundera a política é sempre uma luta entre a memória e o esquecimento. Talvez por isso os cursos de humanidades, onde uma grande parte do tecido teórico se encontra voltado para o passado, se encontram hoje numa situação difícil. Opiniões todos temos. Não se trata, portanto, de discutir a questão moral. A ética é sempre uma geometria de espaços e, por isso, uma luta justificada por necessidades. Assim resta-nos tentar perceber quem leu ou quem não leu, quem analisou ou quem não analisou, quem trabalhou o problema ou quem trabalhou o seu percurso pessoal - talvez seja a hora de uma crítica de fundo ao paradigma dos vícios privados/virtudes públcias. Porque há coisas discutíveis como a participação de uma força militar internacional num inequívoco cenário de violência política e opressão. Mas há também coisas muito pouco discutíveis como as relações entre o ritmo cardíaco e o suporte da vida ou como a superficialidade intelectual de grande parte dos líderes políticos de sucesso. Como a barbaridade da guerra e a grave mentira dos fins justificados. Talvez seja essa a moral da grande História. A nossa escassa vida nãos nos permite ser duas coisas em simultâneo no mesmo espaço de tempo.

Tell me a story IV

Era uma vez um senhor que fumava charuto. E vivia num reino. Tinha ideias muito giras na sua cabeça. Comboios aéreos que não levam ninguém para lado nenhum. Poetas de mármore. Prédios enormes onde havia arvores. Tecnologia de ponta. Tapou buracos com girassóis. E tudo isto aconteceu. Muita gente gostava das ideias dele. Eram tantas as pessoas que gostavam ali de morar que entupiam todos os poucos caminhos que havia. Houve um dia que quis ir a outro reino e ficou parado no transito 2h. E nesse dia chorou amargamente.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Acaso

Breve como a aurora nasce o menino,
Que demora a deixar de ser pequenino.

Veloz como um raio é a morte
Que nos deixa um sentimento de pouca sorte.

Longo é o tempo que sozinhos passamos,
Assim como o que esperando pela pessoa que amamos.

Curta parece sempre a disponibilidade
Para aproveitar os momentos de amizade.

Déjà vu

Inspirada pelo nosso El_Presidente, gostaria partilhar convosco esta pérola da verdade... faz-me lembrar tanta gente que até dá vontade de rir! ... ou será de chorar?


Habemus Ermida

Publicado no Diário da República, 2.a série—N.o 223—20 de Novembro de 2007



Como diria o nosso primeiro: porreiro pá!

ps. é notório o aumento de actividade aqui no blog. Das duas uma, ou estamos sem nada para fazer ou então no caminho do paraiso. Obrigado pelo contributo Caldo Verde e Alf para as histórias. Caro Alf, logo fico à espera do "Pringle" em jeito de salvação para o Glorioso. Recomendo muitas Nossas Senhoras fluorescentes.

Uma história de encantar - Tell me a story III

A propósito do espaço Tell me a story, e se bem que nada tem a ver com desporto, surgiu-me a ideia de contribuir.

A história que vos queria aqui deixar surge em torno de um dos temas fulcrais da nossa associação: a cidadania.

Tomei conhecimento de uma outra associação, através do seu site, e não pude deixar de pensar que este espaço era o melhor sítio para a divulgar.

O nome da associação em questão é Ajuda de Berço. Não sei se alguns de vós já tinham ouvido falar dela, ou até feito contribuições, mas para mim foi uma novidade.

A sua missão é, e passo a transcrever:

"A Ajuda de Berço promove, defende e dignifica a vida humana, através do apoio a mulheres grávidas sem condições e aos filhos delas nascidos; bem como o acolhimento e encaminhamento de crianças entre os 0 e os 3 anos de idade que não possam viver com os pais ou familiares.

Para mais informações contacte ajudadeberco@ajudadeberco.pt ou ligue para o 21 362 82 74/6/7."

O site em questão encontra-se em www.ajudadeberco.pt

Já se vêm as iluminações de Natal por cidades e vilas, e já se apela ao espírito de consumismo exacerbaco, perdão, de partilha, por isso que melhor altura para vermos de podemos contribuir de alguma forma, quer seja como indivíduos quer seja como associação que somos.

E com este pensamento vos deixo com um até breve.

Tell me a story II

Domine, memento mei, cum veneris in regnum tuum: Hodie mecum eris in Paradiso

Tomo a liberdade de participar no espaço inaugurado por El_presidente. Com uma história, pois claro.

Era uma vez três gatunos crucificados numa monte ventoso e seco da palestina. Um deles parece que zombava, uma espécie de irritação arrependida, uma forma de violência contra as coisas serem o que são, um apelo enraivecido a ver se iam todo três ainda a qualquer lado. O outro estava calado. Parece que era daquele tipo de gajos que sabe. Não sabia exactamente o quê mas tal como o velho ateniense sabia que sabia qualquer coisa: que era não saber nada de nada.
Estava ainda um terceiro, que era o mais novo - os gajos novos são sempre os que dizem coisas que ninguém percebe. Parece que tinha um olhar pendurado no horizonte. Ou eram aves a caminho do sul ou era sabedoria também mas daquela que traz também as lágrimas. Então a dado momento disse este último ladrão:

- Nos dois ainda bem que a morte nos castiga pois somos dela merecedores. Mas este homem que fez ele para estar aqui. Senhor, lembra-te de mim quando vieres com o teu reino.

Alguns minutos depois, muita comoção e três mercadores de tendas que passaram a caminho de Éfeso, os três ladrões morreram. Os corvos cruzaram o céu do fim da tarde. O vento soprou para os lados da cidade velha. Alguns séculos depois os romanos regressaram aos campos floridos da toscânia, ao sol da sicília, aos poentes napolitanos, às neves de Milão. Uma vez que deram em escrever o sucedido ninguém sabe muito bem o que respondeu o ladrão calado, o gajo que sabia e terá dito:

- Hoje mesmo estarás comigo no paraíso.

Como ninguém percebeu onde ficava aquele sítio estranho - onde os gajos tinham combinado o encontro - foram uns quantos séculos de discussão: acentuação do grego, se o ladrão do meio, que tinha referido Hoje, estava a falar daquele dia ou do fim do tempo; se o fim do tempo era no outro dia, dali a três semanas ou vinte séculos; se o Hoje pertencia a outra qualquer dimensão que ainda está por descobrir; se o encontro metia o corpo e a alma ou se era só a alma; se a alma dormia, levitava, ou era emanação de Deus; enfim toda uma panóplia de certas e determinadas questões.
Nisto apareceu um jesuíta, daqueles tramados, chamado Vieira e disse:

“Levarem os reis consigo ao Paraíso ladrões não só não é companhia indecente, mas acção tão gloriosa e verdadeiramente real, que com ela coroou e provou o mesmo Cristo a verdade do seu reinado, tanto que admitiu na cruz o título de rei. Mas o que vemos praticar em todos os reinos do mundo é tanto pelo contrário que, em vez de os reis levarem consigo os ladrões ao Paraíso, os ladrões são os que levam consigo os reis ao inferno.”

Quanto a mim nenhum deles era ladrão. O primeiro era um gajo sem paciência, mal orientado, que acabou amargurado com o estado das coisas. O do meio era um carpinteiro a quem ninguém conseguiu explicar bem os contornos daquela lamentável situação. O terceiro…Bem o terceiro talvez fosse como um gajo que todos os dias se senta para escrever e não consegue entender porque será que o gajo do meio faltou ao encontro combinado.

Um boa crítica é sempre um grande comentário

Claro que a culpa não é do Magister Neves. Podemos invocar antes do mais as assobiadelas ao Pringle, esse ponto de lança luxuoso, clássico direi mesmo, que o benfica requisitou às neves da Suécia para gelar os adversários. Acontece que foram os sócios e a direcção que acabaram gelados com as exibições do jogador nórdico. Vem isto a propósito do nosso espaço Always on my mind. O breviário comentado que aqui apresentamos não pretende ridicularizar os cronistas uma vez que os próprios conseguem fazê-lo melhor do que ninguém (o Magister Neves é um exemplo eloquente). O que se pretende é justamente prevenir os leitores do que as colunas de opinião dos jornais de referência, bem como os espaços de comentário das televisões, são cada vez mais um espaço pervertido, onde as informações são passadas de forma leviana e sem qualquer tipo de escrutínio. Isto resulta de um equívoco dramático que Fernando Savater (na sua forma despretensiosa) identificou de forma muito clara:

“O estúpido direito a ter opinião que não é o direito de pensar por si mesmo e submeter a uma confrontação racional o pensado, mas sim o de manter a própria crença, sem que ninguém interfira com incómodas objecções. Viver numa sociedade plural impõe assumir que o que é verdadeiramente importante são as pessoas , não as suas opiniões e que estas devem ser escutadas e discutidas e que não nos devemos limitar a vê-las passar, sem as tocar, como se fossem vacas sagradas”

Fernando Savater, O valor da educação, Presença, Lisboa, 1997

O que está em causa é um poder absolutamente determinante na vida de cada um de nós. Como todos sabemos os jornais de grande tiragem, as televisões e, felizmente, cada vez mais a net, determinam parcialmente eleições, decisões políticas, formas de pensar e até empregos, para já não falar no seu papel cada vez maior na construção do tecido económico. O último que tentou colocar a questão, o deputado Carrilho, apesar da forma arrogante com que o fez, talvez não merecesse ter sido atropelado como foi. A verdade é que assistimos ao passear de opinião sem contraditório, sem esclarecimentos, de discursos disparatados que por serem tidos como opiniões são considerados intocáveis. Caro leitor, concordo que todos têm o direito a opiniões. Mas convém que elas sejam bem argumentadas, inteligentes e informadas. O problema do Magister Neves (como aliás outros cronistas a “convidar” ao nosso espaço) é que raramente consegue reunir estas três condições em simultâneo. Reproduzo aliás a sua observação com a qual concordo em absoluto: “Esta reverência da nossa dita comunicação dita social para com determinadas personalidades é que me incomoda. Lembro-me sempre do "só sábios éramos não sei quantos...", CS obviamente incluída”.
Não significa isto tornar os meios de comunicação bodes expiatórios dos impasses políticos. Significa que é preciso verdadeira pluralidade. Significa que o jornalismo não deve ser uma missão (como Miguel Sousa Tavares relembrava ontem a Ana Lourenço na Sicnotícias) mas uma profissão, uma dedicação. Se assim fosse talvez os disparates diminuíssem ainda que, como é óbivo e sempre nos recorda o velho Platão, ter ciência é saber que ela nos pode abandonar a qualquer momento.

Umpf

Isto de ser novata é uma chatice, nem conseguir publicar a minha mensagem onde a queria. :(

Ó El_Presidente, é possível reorganizar os posts para eles estarem no sítio correcto? Não gostaria nada de ficar presa nestas limitações, imagine-se que se tratava dos quadrantes sócio-políticos, já viram o erro gigantesco e os danos irreversíveis que uma colocação não desejada poderia causar? Isto mesmo depois de se ter feito o teste e o resultado indicar o que o coração também sente?

Resumindo e baralhando: help!

Tell me a story

Era uma vez um tipo com a mania. Que jogava à bola. Mas era coxo e tinha um péssimo penteado. Um dia fartou-se e foi para treinador. Nunca mais foi o mesmo. Só o penteado ficou. The end.

ps. já que o Alf inaugura espaços aqui no blog, eu não quero ficar atrás. Assim inventei o tell me a story.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

You were always on my mind

Iniciamos hoje no blogue da Ermida um espaço chamado You were always on my mind. Esta momento de reflexão pretende divulgar a importante opinião (diria mesmo, em vários casos, uma fulgurante capacidade de leitura do real) de vários colunistas de reconhecido mérito e prestígio. Perante o contínuo silêncio que lhes é imposto pelas forças ocultas do materialismo, estes homens amordaçados pelos sindicatos e pelo conservadorismo marxista resistem denodadamente ao espírito do tempo.

Para combater esse silêncio analisaremos o conteúdo dessas opiniões glosando as afirmações mais esclarecidas. Deste modo estaremos a contribuir para aquilo que julgamos ser um autêntico breviário comentado do homem moderno, permitindo, em simultâneo, que o esquecimento não nos separe destas fontes de clarividência.

Hoje temos connosco o Magister César da Neves. Com a crónica “O trauma e o regresso da religião” é todo um mundo que se descodifica perante o nosso olhar. Pela mão do Magister a realidade não tem segredos, e vemos ermergir uma autêntica “aletheia” interpretativa em torno da verdade.

Oiçamos com atenção:

“Assiste-se à expansão aberta das devoções descafeinadas, sobretudo nas zonas de decadência cultural, como a Europa”.

Apenas alguns poucos seriam capazes de perceber que a Europa é uma região em decadência cultural. Aliás, há vários decénios que não se lê um jornal, não se assiste a um noticiário, não se frequenta uma conferência em que a palavra crise seja pronunciada. Querem esconder-nos esta preocupante realidade. Mas o Magister Neves aí está para a desmontar pronunciando com coragem a palavra decadência, mostrando que a Europa é um lugar em ruínas, abjecto nos seus comportamentos, decadente, mirrado, pífio, a bolsar infecções por todos os seus poros. Apenas por compaixão o Magister Neves não conclui a sua tarefa fazendo desfilar perante os olhos atónitos do leitor uma autêntica galeria de regiões onde a a cultura pulsa, vibrante e radiosa como o sol de verão: a américa latina e a sua fulgurante cultura política, assente sobre uma irrepreensível distribuição da riqueza e uma multplicação imparável da escolaridade; a américa do norte e o seu desenvolvimento inigualável, movido por um combate cego a favor do pacifismo e da abolição das armas; o médio oriente e os seus inegáveis contributos científicos – o cinto de explosivos e a burka; a ásia, meu deus a ásia com o seu oriental respeito pelo silêncio, onde emergem culturas plenas de vida, de chumbo e de gaiolas habitacionais com meio metro quadrado; em África nem é preciso falar. Sobre África, ó Europa da vergonha, apenas uma palavra: catana.

“A juventude naturalmente não pode existir sem uma fé. Os que a assumem, vivem equilibrados; os outros são explorados por interesses sedutores. O rock e o metal, por exemplo, apresentam-se cada vez mais como avassaladoras galáxias de doutrinas metafísicas, com santuários, paramentos, liturgias e penitências. Os novos profetas organizam-se em bandas e a visita semanal à discoteca substitui para muitos a missa. O êxtase dos concertos imita as antigas apoteoses dionisíacas.”

Ó meu deus, como acompanhar tanta sapiência. “A juventude naturalmente não pode existir sem fé”. Sobre isto não compreendo e por isso não vou falar. Mas naturalmente que aqueles que assumem a fé decerto são equilibrados, de outro modo para quê assumir a fé? Ou alguém está por acaso a sugerir que a fé é uma forma de colmatar um forte desiquilíbrio em torno de uma incapacidade, tão humana, de não fazer silêncio perante aquilo que não compreende? Acho bem que o leitor não venha com progressismos iluministas ultrapassados e decadentistas. No que diz respeito ao rock e ao metal como galáxias de doutrinas metafísicas (uma bela expressão) acho que o Magister põe o dedo na ferida. Quando estabelece uma analogia entre a missa e a discoteca é como se uma luz brilhasse de repente na escuridão existencial dos séculos humanos. Isto porque há muito que me preocupava o facto de sair sempre da missa com um cansaço de quem está há três horas aos saltos, além do cérebro inebriado por uma espécie de repetição insurdecedora.

“Até a letra de muitas canções lembra o Livro dos Salmos. Nominalmente tratam do prazer, mas só ganham sentido como orações. Frases como "não posso viver sem ti" ou "amar- -te-ei para sempre" são incompreensíveis se dirigidas à amada; mas referidas a Deus, tornam-se plausíveis e razoáveis. Até o Papa pode rezar, quase sem mudar uma vírgula, com as nossas canções, da velhinha Always on my Mind (1972) de Elvis Presley até a I Do It For You (1993) de Bryan Adams.”

Agora ó incrédulos e materialistas façam silêncio perante as trompas da verdade. Magister não podemos viver sem ti. Esta ideia do Papa a rezar ao som de Elvis parece-me talvez o momento que inaugura este século XXI em termo de capacidade hermenêutica. Pet Shop Boys ao altar e já.

“São os meios anticlericais que mostram bem como a religião ultrapassa o campo da religião. O cepticismo militante mostrou ser a fé do avesso. O fervor beato dos ateísmos, jacobino ou marxista, o dogma inabalável do cientifismo panteísta ou a mística apocalíptica dos movimentos ecológicos e naturistas, contêm todos os elementos das igrejas tradicionais. Os pregadores inflamados estão hoje não nos púlpitos mas em comícios esquerdistas e revistas radicais”.

Em relação a este princípio de leitura é copiar para o caderno, acreditando que talvez um dia eu esteja à altura de o entender. Por agora resta-me unir as duas mãos e agradecer.

“Para compreender o trauma e o regresso à fé múltipla de Atenas, é preciso considerar a História recente. Ela começa no choque original da cultura moderna, as guerras da Reforma. Nessa época, em que detalhes teológicos se tornavam pretextos nos campos de batalha, as pessoas pacíficas não podiam falar de fé, sob pena de combaterem os vizinhos. Foi um tempo terrível! A razão por que os nossos intelectuais não percebem a religião, e só pensam em violência quando falam dela, vem da miopia imposta por esta obsessão. Este é o trauma.”

Não percebi. Repete uma outra vez Magister.

“Para compreender o trauma e o regresso à fé múltipla de Atenas, é preciso considerar a História recente. Ela começa no choque original da cultura moderna, as guerras da Reforma. Nessa época, em que detalhes teológicos se tornavam pretextos nos campos de batalha, as pessoas pacíficas não podiam falar de fé, sob pena de combaterem os vizinhos. Foi um tempo terrível! A razão por que os nossos intelectuais não percebem a religião, e só pensam em violência quando falam dela, vem da miopia imposta por esta obsessão. Este é o trauma.”

Ahhh, agora sim. Como ficámos traumatizados pelas guerras da reforma não conseguimos separar a religão da batatada renascentista. De maneira que as guerras de religião foram um pretexto para outras convulsões, mais estruturais, alimentadas por forças subterrâneas que fizeram depois pagar a factura aos deprotegidos credos das religiões, instrumentalizando a fé. Mas ó Magister isto cheira-me a materialismo. Se a religião não foi o verdadeiro motor da guerra, então qual foi? Não venha o leitor com a economia que saco já aqui da minha nossa senhora de fátima florescente.


“Perdidas as raízes culturais, apareceram duas soluções. O iluminismo do século XVIII julgou responder com a religião natural, sem padres nem igrejas. E acabou na guilhotina. O positivismo do século XIX fez do homem armado com a ciência o único deus, e Marx, Freud, Sartre, os seus profetas. Com o Holocausto, a bomba e o gulag, ele revelou-se o pior dos ídolos.”

De lágrimas nos olhos apetecia-me cantar uma canção do Frei Hermano enquanto lia o livro de Aura Miguel Porque viajas tanto, tal é a comoção que este desmontar da mentira e da perversão provoca no meu enganado coração. Perdidas as raízes culturais…Precisamente. Ou seja, acabado esse exercício de cultura que era a osmose combinatória (bela expressão de Manuel João Vieira) entre religião e poder foi o fim da cultura na Europa. Morto S. Inácio de Loyola e o Papa Leão X nunca mais a Europa assistiu a uma frase inteligente. Desde então vivemos na mais profunda escuridão. O iluminismo acabou na guilhotina. Nem mais ó Magister, nem mais. Até que enfim alguém diz uma verdade a esses ilumnistas. Virem para aqui com iluminações quando a o rebanho estava no escurinho a rezar o terço e a pedir para o pão chegar para o jantar. Olha os malandros.

Que mais Magister, que mais?

“Estas duas soluções, muito sedutoras, omitem a verdade mais evidente. A natureza e o homem não são deus, não se criam a si mesmos nem controlam o mundo à sua volta. Ou Alguém faz isso, ou então a vida e a realidade não têm finalidade e sentido.”

É preciso dizê-lo com clareza novamente. “A natureza e o homem não são deus, não se criam a si mesmo nem controlam o mundo à sua volta”. Exacto. Quem controla o mundo, enquanto Deus está de férias em Porto Galinhas, é o Sapo Cocas que ainda ontem lhe fiz uma prece para o jogo de quarta-feira na Luz. - Sapo Cocas, escuta-me com atenção que tu estás sempre no meu coração, quando o Petit chutar a bola para a bancada por favor suspende as leis da gravidade e faz com o que o esférico entre na baliza do Dida.


“Foi assim que o ateísmo, sem conseguir fundamento intelectual sólido ou resposta às questões humanas, se revelou uma crença arbitrária. Hoje, após a angústia da Reforma, o terror da Revolução e a perplexidade da guerra global, somos de novo, em tudo, os mais religiosos dos homens.”

Precisamente. “Fundamento intelectual sólido” têm os milagres de Fátimas a que o Magister já dedicou centenas de páginas. É uma pena que as pessoas continuem a ignorar esse facto. E quando assim é, como dizem os futebolistas, não é de admirar que a europa esteja em decadência.

“Só falta ouvir o que Paulo tem a dizer”.

Tentámos trazer aqui um testemunho de Paulo mas não estava disponível uma vez que amanhã se desloca ao comício da Al Qaeda, a convite de Bin laden, para uma conferência intitulada “Do apedrejamento de cristãos à diáspora do disparate: como contribuir para a morte de pessoas e sair por cima”. Não podemos ouvir Paulo, ó Magister, mas dedico-te esta canção do Marco Paulo:

Niguém, ninguém, poderá mudar o mundo
Ninguém, ninguém é mais forte que o amor
Niguém
Niguém

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Eureka revisitada

Ao ler o texto abaixo do Alf e especialmente na parte do sonho, lembrei-me deste sketch dos Monty Python:



É curioso reparar que há uma supresa no onze destes académicos, Arquimedes (matematico, engenheiro, fisico, etc) que parece não ter lugar, mas que tem a sua famosa ideia e descobre o caminho para o golo que, ironia das ironias é marcado pelo filosofo de serviço Sócrates que saindo da sua apologia marca um golo à Liedson (desculpem o clubismo latente. O Alf compreende que não podia colocar aqui o Nuno Gomes).

Assim caro Martim, podes ver mais um grande exemplo de como os filosofos tem boas hipoteses nesse grande mercado global como lhe gostam de chamar nos nossos dias, nem que seja no emocionante futebol de distrital a que chamamos superliga. Para acabar, refiro apenas um artigo publicado no teu jornal no dia 20/11, onde se dizia:

"É verdade que os curso de engenharia e informática poderão ter mais saida, mas nos outros paises os licenciados encontram emprego em áreas diferentes daquelas que estudaram directamente, porque aprenderam hábitos e capacidades de raciocinio que lhes permitem colocar as questões certas", explica João Ferreira do Amaral, economista e professor do ISEG. E exemplifica com os curso de Filosofia, que "noutros paises são aproveitados até para áreas especificas da economia, onde é importante ter uma determinada capacidade e estrutura mental". Jorge Armindo, presidente da Amorim Turismo também defende que uma formação em Humanidades ou em Letras não deve ser vista como um 'handicap' no mercado de trabalho actual. E dá um exemplo: "Um dos melhores especialistas em banca de investimento é inglês e licenciado em literatura inglesa."

Eureka Martim

Avillez, avança que agora é a tua vez

Esta semana em matinal viagem a caminho de Lisboa (numa A5 entupida junto ao estádio – onde se prepara uma sagaz resolução do problema da mobilidade com a construção do Oeiras valley no principal nó rodoviário do Concelho) ecoava na TSF mais um exercício da nova canção nacional: a economia de bolso. Martim Avillez de Figueiredo, jovem promessa da gestão portuguesa e lúcido director do Diário Económico, frequentador de tudo quanto mexe na área da comunicação, lançava nas ondas da rádio a receita do desenvolvimento pátrio: “numa época de globalização apenas podemos competir com os fazedores de camisolas de lã da índia e da china se formos capazes de fazer camisolas impermeáveis podendo, por isso, acrescentar um prémio ao preço de venda.” É um facto. Camisolas de lã impermeáveis merecem prémio e destaque. Juntava-se a isto a original e impressionante - dada a sua indiscutível raridade - invocação da mais valia tecnológica. A talhe de foice decepava pelo caminho os cursos de humanidades e os próprios cursadores - esses parasitas que apenas têm conseguido emprego na área do ensino (esse bicho indomável a que os liberais não sabem bem o que fazer) num passado rançoso e venezuelano que é necessário relegar para o baú das recordações. Ou seja, multiplicação de cursos tecnológicos para chular camisolas à prova de chuva aos gajos loiros da europa do norte, ou ao brasil, onde também chove muito no verão e parece que a escolaridade é menor e por isso passível de engolir produtos manhosos.

O director Figueiredo rematava com uma frase de antologia, dessas que deviam figurar nas badanas dos livros de espiritualidade à venda no centro comercial a fim de massificar, depressa e bem, a receita para vencer a crise: “as pessoas têm que entender que têm que se adaptar à economia, a esta nova economia”.

Nesta altura já a fila da auto-estrada se movia com mais desenvoltura, os carros passavam dos soluços irritados das tartarugas na praia, ao deslizar lento dos dejectos pela sanita, enquanto nas ondas da rádio me inebriavam o espírito de desenvolvimento e criação de riqueza anunicada no plano do director Avillez de Figueiredo.

Entretanto, chegado a casa depois de um dia de Biblioteca Nacional, onde me desparasitei e resei três pais-nossos para redenção das minhas culpas na prática da inutilidade e reparação do meu pecado de lesa-economia, depois de alguma navegação à vista pela net - movido por esse vento do progresso anunciado pela rádio - dei com mais uma declaração forte, grande, justificada, do director espiritual da nação económica. Agora na Sic Notícias a pluralidade em todo o seu explendor dissecava os problemas do emprego. Quem falava? O director Figueiredo. Aqui vai um pequeno comentário dessa análise forte, grande e justificada do director do Diário Económico:

“Há medida que se vão perdendo empregos vão-se ganhando empregos nestas áreas tecnológicas e de empregos mais qualificados”. Nem mais. Há quem perca o emprego é certo, mas que importa isso se passamos a ter coisas com botões que até mandam faxes e recebem, e permitem contar, inventariar, comunicar, copiar, expandir, etc. Nisto o meu gato pergunta – Ó Alf mas que é que as pessoas fazem com a comunicação se não têm nada para comunicar? Perante o meu silêncio voltou a baixar o focinho para a leitura do Diário Económico.

De maneira que, no ecrã, o director Figueiredo continuava a sua digressão: “O período de desenvolvimento da economia portuguesa empacta justamente nesta formação que os portugueses ao longo dos últimos vinte trinta anos se habituaram a ligar a um bom emprego. E que formação é essa? São sobretudo formações superiores na área das humanísticas e das ciências humanas”
Fulgurante esta conclusão. Exactamente. Nestes últimos vinte anos, humanidades e bom emprego foi um casamento de sonho. Portanto, em 74 quase não havia licenciados em Portugal (é consultar o esquema para quem quiser ver as proporções) e em 80 já a minha mãe, que tem a quarta classe, espalhava fúria na minha casa porque as letras não eram futuro para ninguém e parece-me que Sócrates e Platão há pelo menos 2500 também não tinham grande vida, se não fosse a proveniência de outros rendimentos. Mas isto deve-se, concerteza, à nossa condição de retornados (além da peçonha dos rios moçambicanos) pois é evidente que nessa época toda a gente sabia (menos a minha mãe) que cursar letras era fortuna garantida sem espinhas e sem estudo.
Pelo que o director Figueiredo descobriu perspicazmente o que ninguém até agora percebeu. Os portugueses andaram trinta anos a viver à tripa forra com Kant e Weber debaixo do braço, embalados em iates, bem regados pelo vinho bordéus que as conferências sobre temas de humanidades permitiam pagar a peso de ouro. E porque é que ninguém percebeu? Porque todo o país está manietado por essa odiosa ideologia das humanísticas (bela palavra, esta mescla de humano com estatística) e não percebeu que todos os empreiteiros que nestes últimos vinte, trinta anos encheram o bandulho à custa do futebol, da corrupção e da ignorância, são professores de filologia clássica em Universidades de excepção, entregando-se nas horas de ócio ao estudo da sofística ateniense do século IV a.c., da análise semiótica das iluminuras medievais cistercienses, da flutuação dos preços do trigo no mediterrâneo no tempo de Felipe II, entre a viagem para observar a construção da nova auto-estrada e a jantarada com o presidente do Merdaleja Futebol Clube. Por isso chegámos a este estado lamentável. Estes empreiteiros – e seus milhares de sequazes formados em humanidades – em vez de se terem dedicado a estudar técnicas para desenhar camisolas de lã impermeáveis enterraram o dinheiro da nação nestas minudências das letras passadas.

Figueiredo avança fulgurante, no desvelamento da verdade: “Aí temos como sabemos essa guerra grande forte e justificada contra alguns dos privilégios excessivos que os professores tinham em Portugal. Esses privilégios excessivos explicam alguma redução dos postos de trabalho junto dos professores”.

Até que enfim alguém diz com clareza que é necessário guerra aos professores. Sem quartel. Até que enfim alguém repõe o mínimo de justiça neste inqualificável regime de excepção minimizando os traumas de liceu que todos temos escondidos no âmago do coração: os professores, esses malandros que nos faziam ler mais do que o Diário Económico (para quê se está lá tudo?) e ver além da SIC (para quê se lá nos explicam tudo?). Os professores…. esses malandros que ocupavam todos os lugares do estacionamento do liceu com carros topo de gama não deixando lugar para o estacionamento do meu carrinho de rolamentos, esses gatunos que traziam hordas de acessores, ocupavam toda a área nobre de Almoçageme com as suas casas com piscina; esses insurrectos que chegavam de helicóptero, deixavam gorjetas de 10 contos na cantina da escola, esses pilantras que partiam rumo às Caraíbas aos cinquenta anos, para esbanjar a sua milionária reforma usufruindo de um luxuoso sistema de saúde assegurado pelo sindicato dos professores, uma poderosa máquina de privilégios que nomeia o Papa, controla a rota dos meteoritos e comanda os ventos cósmicos.

Figuereido levanta então a sua voz, fulmina com o olhar o poderoso inimigo do progresso e anuncia ao povo sedento de justiça o seu caminho: “Estes 160 000 licenciados que perderam o emprego têm a ver com todos estes licenciados de ciências humanas que não estão ainda ajustados a estas novas necessidades da economia portuguesa (…) É importante que as gerações mais novas e que aqueles que são pais das gerações mais novas vão ajudando os filhos a perceber que o velho paradigma - em que eles (os pais) foram educados - das ciências humanas já não vai funcionar em Portugal e que esse tipo de empregos não terá postos de trabalho no futuro, por isso é necessário que nós, que os indivíduos façam a sua parte, que é ajustar a sua formação superior às condições do mercado e depois é preciso que o Estado aposte a sério nesta alternativa tecnológica.”

Muito bem. Evidentemente. Os indivíduos, sobretudo esses gajos humanísticos que babam coisas a respeito do homem, e até lêm outras coisas além da Maxmen e do Expresso, não estão ajustados à necessidade da economia. Como a economia (amen, louvada seja para sempre e seu pai santíssimo também e a virgem mãe sacratíssima) impõe mudanças no funcionamento global do sistema os gajos das humanidades não estão ajustados ao sistema. Por isso é comer e calar que todos "os processos de transição têm as suas dores de crescimento" diz Figueiredo El director (tem piada isto agora soou-me a PREC).
Melhor. Os pais têm o dever de informar os filhos que não vão para essas áreas sebentas das humanidades porque não têm emprego, a fim de que se possa extinguir rapidamente esse incómodo no qual se consome o dinheiro público, de forma a poder conduzi-lo para outras necessidades prementes como a construção de mais 240 estádios para o mundial de 2012, por meio das quais se produzirão mais 2500 empresas como a MartinFer de Paços de Ferreira (certamente habitadas por resmas de tecnológicos funcionários dando a emprego a milhões de funcionários tecnológicos devidamente formados para a utilidade da utilidade), que possa produzir empresários de risco como esses que colocam em bolsa empresas de contrução de estruturas metálicas de estádios de futebol em europeus negociados por gente de elevado gabarito e apreciável capacidade de gestão (Madaíl, Loureiros, Costa, Vieira) em articulada colaboração com políticos de prestígio e elevada competência técnica (Lello, Sócrates, Arnaut) de forma a que continuemos a privilegiar no espaço televisivo programas de três horas em que tolos regorgitem alarvidades sobre a sua desorientada cabeça e o Eduardo Lourenço seja calado pela música de fundo porque se aventure a falar mais do que dois minutos.

O leitor deve estar um pouco agoniado com tudo isto, pois pergunta certamente como podemos ter sido enganados durante tanto tempo pelos Professores que controlam as nossas crianças nas odiosas escolas públicas, mantendo o povo num indigente atraso. Calma, caro leitor, não peguemos ainda em armas contra esses vermes do ensino público pois o Director tem a solução do nossas angústias. Deixemos por isso falar uma última vez D. Avillez de Figueiredo:

“Não basta que o Estado traga uma empresa como a Microsoft e faça protocolos com uma Universidade como o MIT, é preciso que o governo faça o enquadramento de tudo isto, criar incentivos fiscais, um novo paradigma fiscal em Portugal”. Confesso que gora fiquei confuso. Pensei que a tecnologia era uma inevitabilidade do mercado, uma imposição do sistema económico que as empresas multiplicavam de olhos fechados na persecução do bem comum. Pensei que a horrenda intervenção do Estado ficava apenas para a Venezuela…
Foi então que percebi o meu cansaço e me deitei, consolado pelas palavras lúcidas do director assegurando o caminho do amanhã que, finalmente, depois da grande mentira comunista, volta a cantar para os nossos filhos. Toda a noite desenhei em sonhos sistemas digitais, além de um brasileiro vestido com uma camisola de lã que, de forma intermitente, aparecia na grande área e marcava o golo da vantagem na final da liga dos campeões. O Benfica jogava contra um onze poderoso (o campeão da União Soviética) formado por perigosos jogadores onde, perante cada aproximação televisiva descortinava com horror a fisionomia de Foucault (rapidissímo médio ala), Descartes (com tri-velas de envergonhar o Quaresma), Hegel (central frio e cerebral), Nietzsche ( com um domínio de bola assinalável) e na baliza, claro, Marx.

O sonho prolongou-se neste jogo de nervos. Ao intervalo tocou a campainha e quando abri a porta era um rapaz a pedir assinaturas para o Jornal Económico do Bairro. Eu sorri e disse baixinho:

Martim, como todo o carinho pelo teu brilhante percurso, apenas uma recomendaçãozinha para o jornal do bairro (e um grande abraço ao Professor Freitas do Amaral - esse intelectual de incomparável gabarito que pela primeira vez me apareceu em sonhos dizendo «eis que uma economia conceberá licenciados em tecnologia»):

Experimenta uma consulta ao sítio do MIT. Depressa perceberás que o país onde bebeste essa prosa liberal em terceira mão (por via regorgitada de Oxford) tem nas suas instituições de tecnologia escolas de “humanísticas”. Ou seja, em países com economias desenvolvidas não apenas se multiplicam os cursos de humanidades – com um investimento secular em colecções de arte, documentos históricos comprados na Europa, preciosidades arqueológicas gregas – como as própias instituições de tecnologia como o Massachusetts Institute of Technology consideram essencial a formação em humanidades e promovem o emprego em “humanísticas”, criando Colégios como a School of Humanities, Arts, and Social Sciences onde existe um departamento denominado Science, Technology, and Society onde se desmontam algumas das patetices que jovens talentos da gestão por correspondência, como tu, teimam em multiplicar nos noticiários onde têm acesso, ninguém sabe exactamente porquê, nem de que forma ou critério.
Porque a questão da teconologia não está na tipologia do cursos mas no padrão de desenvolvimento e, por isso, o que dizes é um enorme disparate. É como se recomendasses a alguém que precisasse de dinheiro que para o obter devia apostar em pedir dinheiro. A tecnologia é a consequência e não a causa. A causa, meu amigo, é também uma larga disseminação de um boa formação em humanidades, aberta e especulativa, além de uma massificação do pensamento teórico (nas suas várias dimensões) além de muitas outras questões relacionadas com a participação cívica e a consciência política dos cidadãos que se envolvem no tecido produtivo com preocupação pública, coisa que, ao contrário do que todos os dias se repete, nunca abundou em Portugal.

Aliás, a própria capacidade de produzir tecnologia está ligada a um pensamento especulativo, também exercitado pelas ciências humanas, pela filosofia, pela história. Como sabes o pai de Heisenberg, aquele da incerteza - essa coisa estranha, mas familiar a tipos hesitantes como eu – era Professor de História Bizantina. Como também gosta de lembrar o meu amigo Armando, o Newton - como deves saber, pai da mecânica moderna e de grande parte da tecnologia da primeira industrialização - passava 80% do tempo a ler a Bíblia e a especular sobre astrologia e teologia, as duas coisas mais inúteis de toda a história do pensamento. Mas compreendo Martim, isto só o saberias se tivesses estudado História ou Física essas disciplinas da especulação inútil que urge substituir por licenciaturas em Engenharia das Camisolas de Lã.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A luta continua

Estes senhores estão a tornar-se um caso sério da nossa realidade. E já mudaram a face da nossa televisão comodista e pouco exigente. Esta semana tocaram em 3 assuntos tabu em Portugal: fado, futebol e fátima. Deixo-vos o de Fátima que é simplesmente fabuloso (alem de demonstrar bons conhecimentos biblicos)



Aconselho também que vejam o do Fado e o do Futebol.