Estes senhores estão a tornar-se um caso sério da nossa realidade. E já mudaram a face da nossa televisão comodista e pouco exigente. Esta semana tocaram em 3 assuntos tabu em Portugal: fado, futebol e fátima. Deixo-vos o de Fátima que é simplesmente fabuloso (alem de demonstrar bons conhecimentos biblicos)
Aconselho também que vejam o do Fado e o do Futebol.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Quandrantes e assimptotas
Este site traz um teste interessante que pode ser revelador da nossa consciência politica e social. Fiz o teste e eis os meus resultados:
Economic Left/Right: -3.75
Comparando com outros senhores famosos:
é bom saber que ando perto do Dalai Lama. Caro leitor revele-se.
Economic Left/Right: -3.75
Social Libertarian/Authoritarian: -4.92
domingo, 18 de novembro de 2007
Ser um mais ou menos cidadão responsável!
Um dia destes estava eu a correr no meu ginásio (Passeio marítimo) e coloquei-me a mim mesmo uma questão. Se já faço parte daquela parte da população com mais de 18 anos, e que por isso tenho responsabilidade de exercer o meu direito de voto, como todas as pessoas com mais de dezoito anos têm, e também tesponsabilidade de escolher quem eu quero que governe o meu país, porquê não me posso candidatar também a cargos públicos da sociedade como primeiro-ministro ou presidente da república. Não é a questão de votarem em mim ou não. Acho que não tenho muito dinheiro para alimentar grandes máquinas de propaganda política, mas seria justo, numa perspectiva que se cada pessoa com direito de voto é suficientemente dotado de capacidade crítica e que por isso vota em quem acha, segundo os seus princípios obviamente, então também deve ser capaz de se propor a cargos públicos, como os que referi a cima. É preciso por os olhos em verdadeiros exemplos de democracia, como a democracia ateniense. Mas como é óbvio, nós não percebemos nada de democracia nem nada desses assuntos, só aqueles senhores lá daquele sítio das leis, lá para Lisboa!
Para quê privatizar empresas públicas?
Num momento em que se fala na privatização da empresa Estradas de Portugal (sim porque o que o governo quer fazer é uma privatização disfarçada aos olhos de todos nós). Mas agora pergunto-me o porquê destas privatizações todas em nome de um estado mais eficaz e em nome da redução do peso do estado na sociedade. Aquele conjunto de tecnocratas e reveladores da verdade como o compromisso Portugal dizem que o estado deve ter menos peso na sociedade e deve privatizar mais empresas. Será mesmo isso que Portugal precisa. Acho que não! Provas dadas do contrário são as empresas estatais, outrora privatizadas, que agora dão imenso lucro, mas que já nao pertencem às mãos do estado ou na realidade, já não pertencem à grande maioria dos portugueses!
O que se quer, no meu ponto de vista, é um estado cada vez mais forte com maior peso na sociedade através de empresas públicas, para concorrer com as privadas. Não se pode deixar as empresas que todos nós criámos a partir dos nossos impostos cair em mãos alheias. O que é de facto importante é essas empresas criarem riqueza e essa mesma riqueza ser canalizada para a educação, ciência, melhores cuidados de saúde, enfim todos os pontos essenciais para termos uma sociedade mais justa e mais equilibrada, onde na prática todos tenham acesso às mesmas coisas, e não só um conjunto de uma elite (que é sempre a mesma e já chateia, na minha opinião).
Se desresponsabilizarmos o estado das suas funções, para quê votarmos. Só para ter uma, e desculpem-me a expressão, cambada de pseudo-intelectuais que só, pelo menos na maioria das vezes burucratizam leis. Também se não concordarem comigo, amigos na mesma, mas então em tom irónico coloco esta questão : Porque não privatizarmos o estado?
Tenho dito
O que se quer, no meu ponto de vista, é um estado cada vez mais forte com maior peso na sociedade através de empresas públicas, para concorrer com as privadas. Não se pode deixar as empresas que todos nós criámos a partir dos nossos impostos cair em mãos alheias. O que é de facto importante é essas empresas criarem riqueza e essa mesma riqueza ser canalizada para a educação, ciência, melhores cuidados de saúde, enfim todos os pontos essenciais para termos uma sociedade mais justa e mais equilibrada, onde na prática todos tenham acesso às mesmas coisas, e não só um conjunto de uma elite (que é sempre a mesma e já chateia, na minha opinião).
Se desresponsabilizarmos o estado das suas funções, para quê votarmos. Só para ter uma, e desculpem-me a expressão, cambada de pseudo-intelectuais que só, pelo menos na maioria das vezes burucratizam leis. Também se não concordarem comigo, amigos na mesma, mas então em tom irónico coloco esta questão : Porque não privatizarmos o estado?
Tenho dito
sábado, 17 de novembro de 2007
Parabéns!!!!
Mas eu não fiz anos mamã!!! Mas oh filho é caso para comemorar. O Sr José também comemora e nós, como bons europeus que somos, temos de o demonstrar também aos primos lá das outras terras,sabes lá do resto da Europa, filho! (Parece que ofereceram uma pequena guloseima ao sr. José!
)
)
A liberdade das ideias
Falando de coisas mais sérias, encontrei esta pérola no blog do meu amigo P.
O texto completo pode ser encontrado aqui. Podemos viver presos. Mas as ideias não. Não podia estar mais certo este senhor.
O texto completo pode ser encontrado aqui. Podemos viver presos. Mas as ideias não. Não podia estar mais certo este senhor.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
100% cool
Os ermidenses que me perdoem, mas tinha que colocar isto aqui. Directamente do baú, essa música bestial que é o Daddy Cool.
Nem sei do que gosto mais neste videoclip. Os penteados delas. O penteado dele. Dos movimentos tresloucados do vocalista. A letra inspirada e tão pouco repetitiva. O público caucasiano que contrasta. E que humildemente vai batendo umas palmas. E aquele dente de marfim? 100% cool!
Nem sei do que gosto mais neste videoclip. Os penteados delas. O penteado dele. Dos movimentos tresloucados do vocalista. A letra inspirada e tão pouco repetitiva. O público caucasiano que contrasta. E que humildemente vai batendo umas palmas. E aquele dente de marfim? 100% cool!
Pra descontrair - la cancion
Já andava para o fazer há bastante tempo, mas assim que soube a boa notícia - na parábola, aí em baixo - resolvi enviar via net o pedido de pagamento de defesas oficiosas em atraso ao Senhor Presidente do I.G.F.P.J.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Parábola do bom ladrão
Senhor Ministro não se arranja um desses carrinhos para mim?

"Esta aquisição, executada pelo Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGFIEJ) e autorizada por despacho do secretário de Estado adjunto do ministro da Justiça, Conde Rodrigues, está a provocar, segundo apurou o DN, algum mal-estar nos meandros judiciários, nomeadamente nos tribunais, uma vez que são constantes as queixas da falta de dinheiro para a compra dos materiais mais básicos. Por outro lado, os magistrados do Ministério Público recorrem normalmente à Polícia Judiciária para conseguirem uma viatura quando necessitam de realizar uma diligência.
Neste panorama de carência, um dos contemplados com um novo carro de alta cilindrada foi o presidente do IGFIEJ, com um Audi Limousine 2.0TDI, de 140 cavalos. Esta viatura, sem o IA, custou ao Estado 38 615,46 euros, com 2831 euros de equipamento opcional, nomeadamente caixa de 6 CD, computador de bordo a cores, sistema de navegação plus, sistema de ajuda ao parqueamento, alarme e pintura metalizada"
Prometo que não digo a ninguém. E pode vir sem extras. A sério.

"Esta aquisição, executada pelo Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGFIEJ) e autorizada por despacho do secretário de Estado adjunto do ministro da Justiça, Conde Rodrigues, está a provocar, segundo apurou o DN, algum mal-estar nos meandros judiciários, nomeadamente nos tribunais, uma vez que são constantes as queixas da falta de dinheiro para a compra dos materiais mais básicos. Por outro lado, os magistrados do Ministério Público recorrem normalmente à Polícia Judiciária para conseguirem uma viatura quando necessitam de realizar uma diligência.
Neste panorama de carência, um dos contemplados com um novo carro de alta cilindrada foi o presidente do IGFIEJ, com um Audi Limousine 2.0TDI, de 140 cavalos. Esta viatura, sem o IA, custou ao Estado 38 615,46 euros, com 2831 euros de equipamento opcional, nomeadamente caixa de 6 CD, computador de bordo a cores, sistema de navegação plus, sistema de ajuda ao parqueamento, alarme e pintura metalizada"
Prometo que não digo a ninguém. E pode vir sem extras. A sério.
sábado, 10 de novembro de 2007
Isaltino constrói "Oeiras Valley"
Fui buscar esta ao baú recente do Google e do Expresso. Atentem nas palavras do senhor presidente Isaltino. Já agora e em relação ao posto anterior o senhor líder da distrital de Lisboa deve querer um apartamento neste lugar: Alto da Boa Viagem

In Expresso 25.08.2007
Jornalista: Carla Tomás
Abandonado durante décadas, o terreno entre Caxias e o Jamor prepara-se para receber três torres de apartamentos, um hotel de cinco estrelas e um pavilhão multiusos.
“Obviamente que isto é para gente rica”, exclama o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, defendendo o mega empreendimento projectado para o Alto da Boa ViagemDesignado pelo autarca como “de alta qualidade” e “estratégico” para o concelho, o projecto foi aprovado por unanimidade pela Câmara, em Maio. Porém, não faltam vozes críticas entre os populares locais, que chamam a atenção para a sua “enormidade” e para os problemas de mobilidade nas já congestionadas A5 e Marginal.
“Não me parece razoável recorrer a terrenos do Estádio Nacional para estacionamento e para fazer rotundas de saída para a A5”, critica Vale Henriques, membro do movimento Salvem Caxias, criado para lutar contra a construção da cidade judiciária e vencedor dessa batalha.
A ideia é reforçada por Jane Carvalho, representante do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Oeiras, que lembra que “os lugares dimensionados são muito inferiores aos necessários” e que diz não perceber como se vai utilizar o estacionamento do Jamor “do outro lado da via rápida”. A deputada bloquista acrescenta que “enquanto não houver um estudo de mobilidade sério, um projecto destes não deve ir para a frente”. E recorda que existe no processo um parecer dos serviços da própria Câmara a alertar para os problemas de tráfego.
Na mesma linha, o especialista em transportes Carlos Gaivoto salienta que “faltam estudos de tráfego” e que este empreendimento não tem em conta as indicações do Plano Regional de Ordenamento do Território que aconselha a contenção urbana na Área Metropolitana. “Em vez disso densifica a área de transição entre Oeiras e Lisboa".
O terreno em causa “devia ser de transição para proteger a zona verde do Estádio Nacional”, concebida nos anos 40 pelo paisagista Caldeira Cabral, defende o seu filho João, que participou na equipa que elaborou um conjunto de medidas de protecção do Complexo do Jamor, nos anos 80, nunca aprovadas. E por isso alerta: “O Estádio Nacional precisa de áreas de expansão para o estacionamento e não de sobrecarga. É necessário proteger a mata que o envolve, e a construção maciça deste empreendimento tem o efeito contrário”. E conclui: “Não se devia descurar a protecção visual daquela zona nem o valor paisagístico da Costa do Sol construindo torres de 19 andares”.
Estes alertas, porém, não preocupam o presidente da Câmara, que diz desconhecer as críticas. Isaltino Morais afirma que a ideia de passar na marginal e observar as torres lhe “agrada” e que o que interessa é que “aquele vai ser um espaço de grande qualidade, do melhor que se vai fazer na Área Metropolitana de Lisboa (AML)”. Além disso, sublinha: “Vai ao encontro da nossa aposta no desenvolvimento estratégico no terciário”, porque metade do empreendimento é para serviços e escritórios. “Estamos a trabalhar no conceito de «Oeiras Valley»”.
Quanto aos problemas de mobilidade, Isaltino defende que “não há na AML concelho com melhor mobilidade que o de Oeiras” e que o estudo de tráfego estará concluído até ao final do ano. Quanto ao arranjos necessários em termos de vias de tráfego “são da responsabilidade do promotor”. E se há muito uso do automóvel e escassa oferta de transportes públicos, o autarca escuda-se: “Não temos competência em transportes”.
Pegando nas últimas palavras, creio que não temos competência em muitas outras coisas. Fico com a ideia de que o Sr. Isaltino nunca foi para Lisboa de manhã via Marginal ou até mesmo pela A5. Já há caos que chegue. Além de que mais uma vez se perde a oportunidade de recuperar convenientemente uma das últimas grandes áreas verdes da AML. Enfim venham mais carros e mais confusão. Os ricos não se importam. E o povo não reclama, desde que haja Tony Carreira e afins no pavilhão multi-usos do Sr. Tomás Taveira.

In Expresso 25.08.2007
Jornalista: Carla Tomás
Abandonado durante décadas, o terreno entre Caxias e o Jamor prepara-se para receber três torres de apartamentos, um hotel de cinco estrelas e um pavilhão multiusos.
“Obviamente que isto é para gente rica”, exclama o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, defendendo o mega empreendimento projectado para o Alto da Boa ViagemDesignado pelo autarca como “de alta qualidade” e “estratégico” para o concelho, o projecto foi aprovado por unanimidade pela Câmara, em Maio. Porém, não faltam vozes críticas entre os populares locais, que chamam a atenção para a sua “enormidade” e para os problemas de mobilidade nas já congestionadas A5 e Marginal.
“Não me parece razoável recorrer a terrenos do Estádio Nacional para estacionamento e para fazer rotundas de saída para a A5”, critica Vale Henriques, membro do movimento Salvem Caxias, criado para lutar contra a construção da cidade judiciária e vencedor dessa batalha.
A ideia é reforçada por Jane Carvalho, representante do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Oeiras, que lembra que “os lugares dimensionados são muito inferiores aos necessários” e que diz não perceber como se vai utilizar o estacionamento do Jamor “do outro lado da via rápida”. A deputada bloquista acrescenta que “enquanto não houver um estudo de mobilidade sério, um projecto destes não deve ir para a frente”. E recorda que existe no processo um parecer dos serviços da própria Câmara a alertar para os problemas de tráfego.
Na mesma linha, o especialista em transportes Carlos Gaivoto salienta que “faltam estudos de tráfego” e que este empreendimento não tem em conta as indicações do Plano Regional de Ordenamento do Território que aconselha a contenção urbana na Área Metropolitana. “Em vez disso densifica a área de transição entre Oeiras e Lisboa".
O terreno em causa “devia ser de transição para proteger a zona verde do Estádio Nacional”, concebida nos anos 40 pelo paisagista Caldeira Cabral, defende o seu filho João, que participou na equipa que elaborou um conjunto de medidas de protecção do Complexo do Jamor, nos anos 80, nunca aprovadas. E por isso alerta: “O Estádio Nacional precisa de áreas de expansão para o estacionamento e não de sobrecarga. É necessário proteger a mata que o envolve, e a construção maciça deste empreendimento tem o efeito contrário”. E conclui: “Não se devia descurar a protecção visual daquela zona nem o valor paisagístico da Costa do Sol construindo torres de 19 andares”.
Estes alertas, porém, não preocupam o presidente da Câmara, que diz desconhecer as críticas. Isaltino Morais afirma que a ideia de passar na marginal e observar as torres lhe “agrada” e que o que interessa é que “aquele vai ser um espaço de grande qualidade, do melhor que se vai fazer na Área Metropolitana de Lisboa (AML)”. Além disso, sublinha: “Vai ao encontro da nossa aposta no desenvolvimento estratégico no terciário”, porque metade do empreendimento é para serviços e escritórios. “Estamos a trabalhar no conceito de «Oeiras Valley»”.
Quanto aos problemas de mobilidade, Isaltino defende que “não há na AML concelho com melhor mobilidade que o de Oeiras” e que o estudo de tráfego estará concluído até ao final do ano. Quanto ao arranjos necessários em termos de vias de tráfego “são da responsabilidade do promotor”. E se há muito uso do automóvel e escassa oferta de transportes públicos, o autarca escuda-se: “Não temos competência em transportes”.
Pegando nas últimas palavras, creio que não temos competência em muitas outras coisas. Fico com a ideia de que o Sr. Isaltino nunca foi para Lisboa de manhã via Marginal ou até mesmo pela A5. Já há caos que chegue. Além de que mais uma vez se perde a oportunidade de recuperar convenientemente uma das últimas grandes áreas verdes da AML. Enfim venham mais carros e mais confusão. Os ricos não se importam. E o povo não reclama, desde que haja Tony Carreira e afins no pavilhão multi-usos do Sr. Tomás Taveira.
Volta Isaltino! O PSD perdoa-te pá!
"Isaltino Morais sabe, antes das eleições para a distrital e da própria campanha, que da minha parte tenho todo o gosto que ele volte a ser militante, disse Carlos Carreiras", o novo Líder eleito da distrital de Lisboa do PSD.
in Correio da Manhã
in Correio da Manhã
Newsletter #1
Ermida_Associação Cultural
Novembro 2007 | #1
Apresentação
A Ermida_Associação Cultural procura despertar a vivência das comunidades do Concelho de Oeiras para uma ‘vida pública’ vinculada ao centro histórico de Paço de Arcos, articulando as suas actividades em torno de três temas fundamentais: a arte, a ciência e a cidadania. Para o ano de 2007/2008 a Ermida apresenta:
_ Coro da Ermida
_ T.U. na ERMIDA (Tempo Útil na Ermida)
_ A Arte da Ciência e a Ciência da Arte
_ Caminhadas Filosóficas
Ler artigo completo >>
..........................................................................
Em destaque: Festa do Outono
Dia 24 de Novembro, a partir das 20h, no Centro Militar de Electrónica (Quartel de Paço de Arcos) [Mapa]. A festa contará com a actuação da Banda da Sociedade Recreativa e Musical Trafariense, seguido de um baile de danças Tradicionais Europeias. Ao longo da festa serão servidos petiscos e bebidas frescas.
Preço:
Bilhete individual - 3€ (inclui 1 bebida)
Bilhete grupo 4 pessoas - 10€ (inclui 4 bebidas)
Bilhetes à venda à entrada da Festa e no fim das missas (Igreja de Paço de Arcos)
Para obter mais informações contacte-nos via email
..........................................................................
Caminhada Filosófica #1
Dia 1 de Dezembro do Convento dos Capuchos à Peninha, descobrindo a serra e as gentes que por lá viveram. Teremos como convidado um historiador que nos irá falar sobre o tema do Monaquismo e sua importância na história ao longo dos tempos.
Preço:
Associados Ermida - 3€
Público em geral - 5€
Inscrições limitadas a 25 pessoas
Para obter mais informações e inscrições contacte-nos via email
..........................................................................
Coro da Ermida
Ensaios todas as sextas feiras na Capela do Senhor Jesus dos Navegantes em Paço de Arcos às 20h30. [Mapa]
Inscrições abertas para todos os naipes, dos 6 aos 35.
Para obter mais informações contacte-nos via email
..........................................................................
Próximos Eventos
Concerto Coro da Ermida - 7 de Dezembro 2007
Caminhada Filosófica #2
Em breve mais pormenores
..........................................................................
Contactos da Ermida
email_ ermida.associacao.cultural@gmail.com
blog_ http://ermidas.blogspot.com
Novembro 2007 | #1
A Ermida_Associação Cultural procura despertar a vivência das comunidades do Concelho de Oeiras para uma ‘vida pública’ vinculada ao centro histórico de Paço de Arcos, articulando as suas actividades em torno de três temas fundamentais: a arte, a ciência e a cidadania. Para o ano de 2007/2008 a Ermida apresenta:
_ Coro da Ermida
_ T.U. na ERMIDA (Tempo Útil na Ermida)
_ A Arte da Ciência e a Ciência da Arte
_ Caminhadas Filosóficas
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Em destaque: Festa do Outono
Dia 24 de Novembro, a partir das 20h, no Centro Militar de Electrónica (Quartel de Paço de Arcos) [Mapa]. A festa contará com a actuação da Banda da Sociedade Recreativa e Musical Trafariense, seguido de um baile de danças Tradicionais Europeias. Ao longo da festa serão servidos petiscos e bebidas frescas.
Preço:
Bilhete individual - 3€ (inclui 1 bebida)
Bilhete grupo 4 pessoas - 10€ (inclui 4 bebidas)
Bilhetes à venda à entrada da Festa e no fim das missas (Igreja de Paço de Arcos)
Para obter mais informações contacte-nos via email
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Caminhada Filosófica #1
Dia 1 de Dezembro do Convento dos Capuchos à Peninha, descobrindo a serra e as gentes que por lá viveram. Teremos como convidado um historiador que nos irá falar sobre o tema do Monaquismo e sua importância na história ao longo dos tempos.
Preço:
Associados Ermida - 3€
Público em geral - 5€
Inscrições limitadas a 25 pessoas
Para obter mais informações e inscrições contacte-nos via email
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Coro da Ermida
Ensaios todas as sextas feiras na Capela do Senhor Jesus dos Navegantes em Paço de Arcos às 20h30. [Mapa]
Inscrições abertas para todos os naipes, dos 6 aos 35.
Para obter mais informações contacte-nos via email
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Próximos Eventos
Concerto Coro da Ermida - 7 de Dezembro 2007
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Em breve mais pormenores
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Contactos da Ermida
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blog_ http://ermidas.blogspot.com
Importa-se de repetir? É que estes senhores não ouviram

Eis um pequeno excerto de Robespierre, perdão, do pai do P.S.D. a lembrar que essa coisa imunda a que deram o nome de "revolução francesa" não se reduziu a guilhotinas:
"Quando se trata de urbanismo, do direito à habitação, é a nossa liberdade concreta que está em causa, é a organização democrática da nossa sociedade que se procura (...)
São questões que se prendem com a humanização da sociedade em que vivemos (...)
Uma autêntica democracia local tornará inabalável a estabilidade democrática. Mas para que ela exista é indispensável que os princípios sociais democratas da liberdade, igualdade, solidariedade sejam uma realidade entre as várias partes do território nacional".
São questões que se prendem com a humanização da sociedade em que vivemos (...)
Uma autêntica democracia local tornará inabalável a estabilidade democrática. Mas para que ela exista é indispensável que os princípios sociais democratas da liberdade, igualdade, solidariedade sejam uma realidade entre as várias partes do território nacional".
Já agora informo o ilustre leitor que este excerto de Francisco Sá Carneiro pertence a um prefácio de um livro publicado por Helena Reseta quando concorreu à Câmara de Lisboa pelo P.P.D.P.S.D ainda na década de 1970.
Pois é, foi há já vários séculos.
Guilhotinas Robespierre - SGPS, SA.
Esta semana o país leu com entusiasmo mais um clarividente editorial do Director do Público. Ainda que não tenhamos sido brindados com mais uma original “defenestração” da educação pública, pudemos, em ofício de consciência, vilipendiar a revolução e o comunismo, esses dois monstros da história que teimam em agitar as suas mil cabeças, qual hidra virtual a que nenhum justo liberal consegue decepar a cabeça.
Com imagens de belo efeito, o Director Fernandes invocou o exemplo de Robespierre, esse provinciano grotesco, responsável por guilhotinar meio mundo, enquanto o outro meio mundo corria, inedefeso, para se albergar debaixo das protectoras asas da pátria da liberdade – a bela inglaterra, sempre pronta para a glorificação da paz e da justiça.
Com imagens de belo efeito, o Director Fernandes invocou o exemplo de Robespierre, esse provinciano grotesco, responsável por guilhotinar meio mundo, enquanto o outro meio mundo corria, inedefeso, para se albergar debaixo das protectoras asas da pátria da liberdade – a bela inglaterra, sempre pronta para a glorificação da paz e da justiça.
O Director Fernandes zurziu depois com a sua pena justiceira na ignorância dos que, noventa anos depois da revolução russa de 1917, nada aprenderam com esse triste espectáculo de neve, sangue e texos herméticos escritos numa língua esquisita.
Tudo isto devia ser rememorado et in secula seculorum em devida e útil lição de história, multiplicada com ofertas (+ 4, 55 eur) generalizadas por diários credíveis e honrosos que pudessem proteger-nos contra o flagelo do idealismo e da provínciana utopia. Robespierre era um lunático e um patife que nem um saco de batatas conseguiu vender ao seu vizinho de baixo.
Se ao menos se tivesse lembrado de fazer uma multinacional de eficazes guilhotinas a utilizar pelos governos do mundo inteiro (na limpeza dos pouquíssimos e indesejáveis comunistas e revolucionários), possibilitando a milhares de imigrantes o sonho benfazejo de trabalhar no ocidente, disfrutando das maravilhas dos seus contentores, potenciando o desenvolvimento das democracias africanas com matérias primas impecavelmente negociadas em troca de sacos de farinha e a globalização de mini-calendários com estampa dos direitos humanos em inglês, teria salvo a sua honra, limpo o seu ascoroso hálito de provinciano, enfim, importado felicidade e conforto ao seu povo, actos sempre dignos de louvor e aplauso eterno.
Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris
Entrou para o mosteiro nova. “Tão novinha, que desperdício” disseram familia e amigos, de acordo com o relato da própria. Depois riu, contente, no ecrã.
A irmã Raquel vem à televisão confessar a sua conversão. “Senti um desejo total de me consagrar a deus, não consigo dizer mais”.
A irmã Raquel vem à televisão confessar a sua conversão. “Senti um desejo total de me consagrar a deus, não consigo dizer mais”.
Não conseguia, portanto, dizer mais, que é outra forma de dizer que não se consegue explicar a própria vida que é a coisa mais difícil de explicar. Com ou sem hábito. Mas mais adiante a reportagem encerra com a irmã Raquel a entoar um hino da liturgia das horas
“Em vós meu deus me refugio e não serei confundido”
A resposta está então em ti, Raquel, límpida como as águas vivas, pelas quais tu, certamente, dizes que o veado anseia: custa muito ser apenas mais um neste lagar do mundo, sabendo que, no fim, seremos todos mais ou menos a mesma coisa - terra. Confundidos e desprotegidos.
Por isso, voltemos ao mundo Raquel e saibamos viver com limpidez e dignidade, não como quem contempla, mas como quem, em cada pequena coisa, nunca deixasse de ser contemplado.
“Em vós meu deus me refugio e não serei confundido”
A resposta está então em ti, Raquel, límpida como as águas vivas, pelas quais tu, certamente, dizes que o veado anseia: custa muito ser apenas mais um neste lagar do mundo, sabendo que, no fim, seremos todos mais ou menos a mesma coisa - terra. Confundidos e desprotegidos.
Por isso, voltemos ao mundo Raquel e saibamos viver com limpidez e dignidade, não como quem contempla, mas como quem, em cada pequena coisa, nunca deixasse de ser contemplado.
Alf - o regresso
Uma vez que a tentativa de alcunha do sexto ano do ciclo não pegou aqui vai uma mudança de identidade (pretende-se farpear à tripa forra tudo o que mexer) em jeito de homenagem à escola pública.
Apenas uma justificação para o efeito
Avizinhando-se o frio do inverno, por volta de 1988, a minha mãe tricotou umas impecáveis luvas vermelhas que, de tão grossas, me transformavam as mãos nos intrumentos de pegar do boneco da michelin (esta alusão deu direito a almoço grátis na bomba de gasolina da Cova da Piedade).
Claro que a cor vermelha sugeria uma outra coisa: as mãos desse extraordinário "dizedor" de verdades que à época nos preenchia os serões.
Foi difícil repelir a alcunha - dois sprints em pleno janeiro de fazer arrancar o pelo na perseguição de dois prevaricadores além de uma esfrega no alcatrão do recreio.
Uma vez que o assunto ficou por ali, passados vinte anos está na hora de repôr a verdade: Alf era, com efeito, mais consentâneo com o meu perfil extra-terrestre.
Apenas uma justificação para o efeito
Avizinhando-se o frio do inverno, por volta de 1988, a minha mãe tricotou umas impecáveis luvas vermelhas que, de tão grossas, me transformavam as mãos nos intrumentos de pegar do boneco da michelin (esta alusão deu direito a almoço grátis na bomba de gasolina da Cova da Piedade).
Claro que a cor vermelha sugeria uma outra coisa: as mãos desse extraordinário "dizedor" de verdades que à época nos preenchia os serões.
Foi difícil repelir a alcunha - dois sprints em pleno janeiro de fazer arrancar o pelo na perseguição de dois prevaricadores além de uma esfrega no alcatrão do recreio.
Uma vez que o assunto ficou por ali, passados vinte anos está na hora de repôr a verdade: Alf era, com efeito, mais consentâneo com o meu perfil extra-terrestre.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Somos ó nobre uma geração perdida
Talvez na praia da consolação, talvez numa plastificada esplanada de uma avenida do Cacém, Ruy Belo escreveu estas palavras:
“Que o medo não te tolha a tua mão
Nenhuma ocasião vale o temor
Ergue a cabeça dignamente irmão
Falo-te em nome seja de quem for
No princípio de tudo o coração
Como o fogo alastrava em redor
Uma nuvem qualquer toldou então
Céus de canção promessa e amor
Mas tudo é apenas o que é
levanta-te do chão põe-te de pé
Lembro-te apenas o que te esqueceu
Não temas porque tudo recomeça
Nada se perde por mais que aconteça
Uma vez que já tudo se perdeu”
Como versos não dão de comer (dizia o douto Medina Carreira de veias inchadas no palanque do candiado presidencial Silva) tudo por aqui parece por vezes ir rodando em infinita alegria, como dejectos no lavatório à procura da saída.
A todos quantos sobre a terra cobrem com seu hálito os serões gelados de neve ou com as suas mãos os prados salpicados de pétalas, advém a inútil morte de filhos, pais, mães, avós ou irmãos – morte que sempre vem, inadvertida como a tempestade ou como um cruzeiro de súbito no tejo numa manhã de sol – após um leve feixe de anos, muitas vezes mal observados, precariamente tocados pelos nossos dedos, vistos com pressa, de um barco que atravessa o rio do exílio, ou no autocarro a caminho da aldeia da infância.
Talvez amanhã algum de nós se surpreenda perto de ser atropelado, sem tempo para dizer adeus tardes luminosas no estádio da luz, adeus noites de luar nalgum lugar além do tejo, adeus colecções de cromos dos mundiais, adeus carrinhos da polícia militar, adeus brinquedos enfeitados nas montras do natal, adeus deslumbramentos do cesário, adeus minhas tias retocando o cabelo para a missa, adeus ondulação do trigo sob a chuva, adeus pagelas dos sagrado coração de jesus a enfeitar a sala de jantar, adeus livros de poesia na estantes das bibliotecas públicas, adeus gaivotas descendo sobre o mar, adeus pai acenando à chegada do comboio, adeus figos maduros, chuva de verão, adeus apito do chefe da estação num comboio nocturno, adeus auto-estradas apinhadas de carros a caminho da caparica, adeus aviões no céu em linha recta, adeus lisboa vista do castelo, adeus terreiro da igreja enfeitado com bandeiras, adeus ó barco do barreiro, adeus capelas alvas empoleiradas pelas serras, adeus cabritos saltando no carreiro, adeus ó frio da madrugada quando os homens vão no comboio para o trabalho, talvez eu seja apenas mais uma carta no baralho.
Eu sei, sentimentalismo. Ia mesmo agora escrever um poema em estilo, cheio de metáforas difíceis e originais, rompendo com as formas visíveis da literatura, provocando um tsunami à moda do serapião de walter hugo mãe (belo pseudónimo, estão a ver como é difícil igualar esta precisão de estilo e de sucesso, este empreendorismo de editora e carreira nas letras) como diz o saramago.
Ia mesmo, mesmo, mesmo agora estilhaçar as convensões, num salto mortal poético, vibrar um rude golpe na tradição, inaugurando uma nova época de criação – de escrita criativa, com sucesso, com confiança, um Mourinho da palavra, um poetastro, um poetaço, um lírico explosivo, um jovem talento promissor com diversos livros anunciados em cartaz de corpo inteiro.
“Que o medo não te tolha a tua mão
Nenhuma ocasião vale o temor
Ergue a cabeça dignamente irmão
Falo-te em nome seja de quem for
No princípio de tudo o coração
Como o fogo alastrava em redor
Uma nuvem qualquer toldou então
Céus de canção promessa e amor
Mas tudo é apenas o que é
levanta-te do chão põe-te de pé
Lembro-te apenas o que te esqueceu
Não temas porque tudo recomeça
Nada se perde por mais que aconteça
Uma vez que já tudo se perdeu”
Como versos não dão de comer (dizia o douto Medina Carreira de veias inchadas no palanque do candiado presidencial Silva) tudo por aqui parece por vezes ir rodando em infinita alegria, como dejectos no lavatório à procura da saída.
A todos quantos sobre a terra cobrem com seu hálito os serões gelados de neve ou com as suas mãos os prados salpicados de pétalas, advém a inútil morte de filhos, pais, mães, avós ou irmãos – morte que sempre vem, inadvertida como a tempestade ou como um cruzeiro de súbito no tejo numa manhã de sol – após um leve feixe de anos, muitas vezes mal observados, precariamente tocados pelos nossos dedos, vistos com pressa, de um barco que atravessa o rio do exílio, ou no autocarro a caminho da aldeia da infância.
Talvez amanhã algum de nós se surpreenda perto de ser atropelado, sem tempo para dizer adeus tardes luminosas no estádio da luz, adeus noites de luar nalgum lugar além do tejo, adeus colecções de cromos dos mundiais, adeus carrinhos da polícia militar, adeus brinquedos enfeitados nas montras do natal, adeus deslumbramentos do cesário, adeus minhas tias retocando o cabelo para a missa, adeus ondulação do trigo sob a chuva, adeus pagelas dos sagrado coração de jesus a enfeitar a sala de jantar, adeus livros de poesia na estantes das bibliotecas públicas, adeus gaivotas descendo sobre o mar, adeus pai acenando à chegada do comboio, adeus figos maduros, chuva de verão, adeus apito do chefe da estação num comboio nocturno, adeus auto-estradas apinhadas de carros a caminho da caparica, adeus aviões no céu em linha recta, adeus lisboa vista do castelo, adeus terreiro da igreja enfeitado com bandeiras, adeus ó barco do barreiro, adeus capelas alvas empoleiradas pelas serras, adeus cabritos saltando no carreiro, adeus ó frio da madrugada quando os homens vão no comboio para o trabalho, talvez eu seja apenas mais uma carta no baralho.
Eu sei, sentimentalismo. Ia mesmo agora escrever um poema em estilo, cheio de metáforas difíceis e originais, rompendo com as formas visíveis da literatura, provocando um tsunami à moda do serapião de walter hugo mãe (belo pseudónimo, estão a ver como é difícil igualar esta precisão de estilo e de sucesso, este empreendorismo de editora e carreira nas letras) como diz o saramago.
Ia mesmo, mesmo, mesmo agora estilhaçar as convensões, num salto mortal poético, vibrar um rude golpe na tradição, inaugurando uma nova época de criação – de escrita criativa, com sucesso, com confiança, um Mourinho da palavra, um poetastro, um poetaço, um lírico explosivo, um jovem talento promissor com diversos livros anunciados em cartaz de corpo inteiro.
Mas sabe, ilustre leitor, passaram aves na minha janela. O Daniel Faria morreu alagado em sangue com a cabeça acidentalmente quebrada na sanita. O Sá de Miranda esteve agora aqui e sussurrou-me que também o Sena abalou prá Califórnia. Cheirava a literatura e ele pirou-se.
O ruy belo, bem, o ruy belo embarcou para bem longe antes que o fizessem professor. O Lobo Antunes perdeu o tino e luta aterrado contra o fim. Eu já não respondo por mim. Mas prometo que tenho projectos de futuro e planos para amanhã. Talvez circule outra vez, se a noite não vier malsã, entre belém e a trafaria de folha no joelho à espera do meu anjo, em luta permanente contra o vento, embalado na canção do cacilheiro, a ver se tenho tempo de chutar os livros borda fora e deixar o sol entrar. As coisas a oxidar, o teu copo, ó sócrates filósofo, por encher. Eu a querer chegar, a poesia empurrar-me para o mar.
Concluindo, apetece dizer que talvez tudo esteja já perdido.
Ou talvez eu me tenha perdido disto tudo.
Atenção! Achtung! Danger! Peligro! Crónica no Diário de notícias pode provocar perda de consciência
O Magister César das Neves previu esta semana o futuro no Diário de Notícias. É uma previsão de antologia, devo dizer. Apenas para aguçar o espírito, vendo como se espalha classe e profundo saber, tomem lá com dois dardos da autoria do robusto braço do Magister:
(esclareço os leitores mais sensíveis que a previsão se faz num ilustrado exercício de ironia de fazer corar o Eça de Queiróz, pelo que podemos ficar de tal modo abalados pelas estocadas certeiras do Magister que logo nascerá, sem mais, um flagrante apelo à conversão à moda dos pré-socráticos, sem maiêutica nem interrogações, é logo direito à santidade)
“Muito significativo foi que, duas semanas depois, (algumas linhas antes o Magister tinha previsto que a União Europeia ia dedicar-se à erradicação da violência familiar por todas formas até nas brincadeiras, sugestão que não percebi totalmente, dada a minha lamentável impreparação para identificar estas preciosas e riquíssimas alusões estílisticas) se tenha dado finalmente a consagração do sadomasoquismo como orientação sexual reconhecida pela ONU.”
Mais adiante
“Por enquanto ainda se mantém controversa e, por isso, facultativa a exigência de todos os obesos usarem cartazes ao pescoço dizendo «comer mata» ou «banha é crime»”
Pois é. E depois dizem que a Igreja não produz intelecutais de gabarito. É o não produzes.
Em suma identificam-se os grandes males do nosso tempo que é preciso combater e já!
A escalada galopante do sadomasoquismo - assunto sobre o qual reconheço a minha vergonhosa ignorância mas que, fazendo profissão de fé (amen) nos profícuos conhecimentos do Magister, ameaça os fundamentos da nossa civilização - e o inaceitável e repressivo combate ao direito que todos temos a engordar que nem porcos - que nem de longe nem de perto constitui um problema global e muito menos ameaça a nossa vibrante e imparável saúde pública.
E está este homem desaproveitado a escrever colunas jornalísticas (além das aulas na Universidade Católica, embora isso seja um grave desaproveitamento, dado o facto de por aí circular quem menos precisa destes insubstituíveis avisos) quando devia ser convidado para Magister da nação (inventei agora mesmo este cargo por inspiração directa de Bento CCCX que acaba de aparecer em cima da cabeça do meu gato, soprando ao meu ouvido – o que Portugal precisa não é de sindicatos ou de função pública, é de quem vos ensine os caminhos do senhor. Não tive tempo, é pena, de perguntar qual senhor, mas presumo que fosse o senhor Magister Neves.
É por estas e por outras que o país apresenta estes índices em resultados escolares. Se todas as universidades tivessem o Magister Neves como professor de Ética talvez Portugal voltasse a ocupar o pedestal mais digno do panteão das nações europeias. Juntos voltaríamos a correr pelas pradarias ao som de hossanas, embalados pelos cânticos dos justos, louvando as fontes de água viva que nos conduzem à paz da parvoíce. Cítaras e trombetas anunciariam os pés do mensageiro que trouxesse os perfumes da palavra divina, envoltos no proficiente entendimento do Magister. Senhor como é bom ouvir a tua voz. O teu cajado fortalece o nosso espírito nesta terra onde corre leite e mel e o Magister Neves recompensa os temerosos, censurando com vigor os iníquos, enquanto nos intervalos assina sebentas de finanças públicas em parceria com esse outro inefável Magister da Pátria – o probo Aníbal Cavaco Silva. Os dois juntos devolverão a alegria aos portugueses, indicando o caminho, conduzindo pela mão os filhos de Jacob, guiando às alturas paradisíacas da redenção as nossas mentes ínvias.
A voz do Magister Neves ecoando com estrondo nas consciências dos pecadores, ressoando como o bronze do juízo, acordando o fervor religioso que há, dormente, em todos nós, no momento em que uma forquilha empunhada pelo mafarrico me abrasava a carne fazendo correr lágrimas no meu rosto contrito e arrependido por todo o meu aviltante esforço em evitar gorduras.
Foi então que acordei e logo compareceram na minha consciência torturada as suaves palavras da minha tia Antónia quando, acossados pela chuva, descíamos a encosta da serra, sempre que se anunciava trovoada para os lados da serra do Açor. Sorria sossegando-me e murmurava a espaços, de lábios aflitos mas tocando serena com as mãos o pelo das cabras como que a reconhecer a finitude e a morte que há em tudo, "Nossa Senhora de Fátima salvai-nos e salvai Portugal".
Professor Espadinha…VOCÊ É CONCORRENTE, VENHA JOGAR!!!!
Esta semana o Professor Espadinha, um dos intelectuais mais influentes e profícuos da nossa comunidade, com várias obras de reconhecido mérito entre as quais o serviço do chá das cinco em casa de Karl Popper, publicou no jornal Café Expresso mas sem natas, uma inteligente e sagaz crónica onde defendia a imperiosa necessidade de introduzir a concorrência no ensino público. Na opinião do ilustre pensador apenas desta forma será possível resgatar o ensino público da sua manifesta mediocridade.
Em boa hora surge este esclarecimento. Antevejo enormes vantagens no alargamento dos conceitos de concorrência e competitividade a outros campos da actividade humana. Image o caro leitor, a título de exemplo, a multiplicação da felicidade conjugal que não seria se, em vez de um homem, existissem dois ou mais homens por casamento. Esta saudável concorrência, regulada pela Comissão de Valores do Mercado Casamenteiro, evitaria vários dos incómodos tradicionais e os homens, antes de deixar a louça suja na cozinha, ou baldar ao tradicional passeio de domingo para ver a bola, pensariam duas vezes não fosse a sua amada esposa dizer
- esta semana dormes tu na sala porque o José apresentou índices de competitividade mais elevados.
E todos viveriam felizes para sempre. Ou quase todos.
Em boa hora surge este esclarecimento. Antevejo enormes vantagens no alargamento dos conceitos de concorrência e competitividade a outros campos da actividade humana. Image o caro leitor, a título de exemplo, a multiplicação da felicidade conjugal que não seria se, em vez de um homem, existissem dois ou mais homens por casamento. Esta saudável concorrência, regulada pela Comissão de Valores do Mercado Casamenteiro, evitaria vários dos incómodos tradicionais e os homens, antes de deixar a louça suja na cozinha, ou baldar ao tradicional passeio de domingo para ver a bola, pensariam duas vezes não fosse a sua amada esposa dizer
- esta semana dormes tu na sala porque o José apresentou índices de competitividade mais elevados.
E todos viveriam felizes para sempre. Ou quase todos.
O Jesuíta de Coina
O Colégio S. João de Brito teve uma magnífica classificação no ranking internacional da pesca ao exame. Nada mais nada menos do que o 4º lugar. Este inaudito e glorioso resultado convoca todos os homens de bem e todos os poderes públicos, potestades e divindidades, a um empenho denodado na tarefa mais urgente da nação - liberdade de aprender e ensinar.
Vejamos o que diz o douto Forum para a Liberdade de Educação:
“Todas as Escolas — de propriedade do Estado ou de entidades privadas — devem ter autonomia para diversificar os seus projectos educativos e por estes ser totalmente responsabilizadas, assistindo aos pais o direito de optar livremente entre qualquer delas”
Totalmente responsabilizadas. E com diversidade de projectos educativos. Ou seja, missas e matemáticas para um lado e política para o outro, que estas coisas não são para misturar.
Este Forum, constituído por intelectuais de nomeada, com vastos currículos de reconhecido mérito intergaláctico, é constituído por um grupo de
Vejamos o que diz o douto Forum para a Liberdade de Educação:
“Todas as Escolas — de propriedade do Estado ou de entidades privadas — devem ter autonomia para diversificar os seus projectos educativos e por estes ser totalmente responsabilizadas, assistindo aos pais o direito de optar livremente entre qualquer delas”
Totalmente responsabilizadas. E com diversidade de projectos educativos. Ou seja, missas e matemáticas para um lado e política para o outro, que estas coisas não são para misturar.
Este Forum, constituído por intelectuais de nomeada, com vastos currículos de reconhecido mérito intergaláctico, é constituído por um grupo de
“cidadãos preocupados com a situação da educação e do ensino em Portugal e que partilham o diagnóstico de que as deficiências mais graves resultam primordialmente da ausência de uma efectiva liberdade de aprender e ensinar”.
Justamente. Esta solução parece-me clara como água e acertada como uma maça na cabeça de um guarda do Xerife de Nottingham após uma seta disparada por Robin Hood.
Lembro-me que eu, inocente criança, fui levado pelos meus pais, entre lágrimas e gritos, a uma escola pública. Imaginem a repugnância do meu espírito! Uma escola pública. Com baldas, professores que faltam, gamanços no recreio, ausência de valores, sem espetáculos de natal ou sequer um catálogo infinito de actividades extracurriculares, sem missa inaugural (ó vergonha eterna do saber).
E ali fui mantido contra minha vontade, chorando junto aos gradeamentos a minha servil condição de aluno num país onde os meus pais não podiam escolher. Ou escola pública ou escola pública. Se o Estado se tivesse responsabilizado pela minha educação, com verdadeira liberdade, os meus pais decerto teriam corrido a uma das centenas de escolas privadas que, certamente, logo se multiplicariam como cogumelos do Minho a Timor, perdão, do Minho ao Algarve, abrindo as suas excelsas portas, possibilitando-me uma educação competitiva, global, de excelência.
Sim, não percamos mais tempo, despedimento para todos os funcionários públicos (que há Estado a mais) e cheques-ensino para todos (que há Estado a mais, ou melhor, a menos, quer dizer… que há estado - isto de coisas em comum, colectividades, cheiro a sardinhas, vinho tinto, tabaco, senhores de bigode… que horror, que porcaria).
Ora, já imagino o futuro risonho do meu país. O absentismo reduzido à insigificância de formigas acossadas pela coruja do saber; os indíces de licenciados e doutorados disparando em direcção ao céu, ultrapassando a Grécia, Turquia, República Checa, Alemanha, E.U.A, França, Noruega, Dinamarca, Suécia, (a Suécia, meu deus, a Suécia); filas intermináveis de famílias desfavorecidas da Musgueira, Cova da Moura, Brandoa, Poço do Bispo, Baixa da Banheira, Trafaria, Alhos Vedros, Coina (libertando-se dos aguilhões iníquos das áreas de residência) à porta do Colégio de S. João de Brito com total liberdade de aprender; os magníficos, e altamente qualificados, professores do Colégio em extâse metafísico-democrático-liberal com a liberdade de poder ensinar.
Na saula de aula do Colégio.
- Nelson Chibanga resolva esta equação de segundo grau, por favor.
- Concerteza stôr, deixe-me só consultar este magnífico dicionário criolo-português que o meu pai, ontem à 21h30, depois de chegar da obra, foi comprar a uma das várias livrarias altamente especializadas de Coina, por recomendação da minha prima Vanessa que ainda ontem tirou vinte no exame de matemática do colégio mira-rio depois de uma sessão de cinco horas e meia na prática de exercícios na área das equações diferenciais, à luz do candeeiro a petróleo, sob aquele inigualável e instrutivo reflexo do zinco nas folhas brancas, sessão essa, devo dizer em conformidade com a verdade, superiormente orientada com brio e excelência pela minha tia Marlene Chibanga depois de oito horas a arrumar tabuleiros no centro comercial e mais duas horas divididas entre o autocarro de Loures Shopping e o barco do barreiro onde, com leveza e inigualável precisão, não obstante os balanços da ondulação e a tristeza infinita das manchas de petróleo reflectindo no rio a luz da lua, preparou toda a sessão de estudo. Que isto é apertar connosco, porque desde que recebemos o cheque-ensino, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, e nos deixámos destas coisas das minorias culturais, Deus nos livre das ideias estruturalistas como ensina o Magister César das Neves, o meu irmão Venceslau Chibanga, após uma curta estadia a trabalhar nas obras do Terreiro do Paço, já se doutorou em economia do desenvolvimento e frequentou três MBA na Leonard Stern School of Business da New York University, Maria Santíssima continue a olhar por nós.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Imaginem um circulo a volta deste texto
Gosto deste senhor. Banksy . Ficou famoso por pintar os muros que Israel construiu para se separar da Palestina e de seu povo "perigoso". Pintou imagens de esperança nessa altura. Mas o seu portfolio mostra bem um olhar aguçado para a realidade actual. Ninguém sabe quem ele é. Quase o apanharam quando no museu em Londres trocou um quadro por um igual mas alterado por si introduzindo alguns novos elementos bem originais. Vão ao site e descubram como o grafitti pode ser visto como uma obra de arte e forma de expressão de quem se preocupa com o mundo em que vive. Deixo aqui um dos meus favoritos:
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Para lado nenhum
Directamente do baú. Joy division.
"When the routine bites hard
And ambitions are low
And the resentment rides high
But emotions wont grow
and were changing our ways,
Taking different roads
Then love, love will tear us apart again"
"When the routine bites hard
And ambitions are low
And the resentment rides high
But emotions wont grow
and were changing our ways,
Taking different roads
Then love, love will tear us apart again"
A fábrica e a auto-estrada - algum esquecimento e muito boa educação
Quando se procuram coisas no baú descobrem-se preciosidades :
“A arte da politica sabese muito tarde, e quando se vem a entender, mal se pode exercitar: aprendesse na adolescencia, e sabese na velhice: em quanto ha vigor, não ha doutrina; quando ha conhecimento, não ha forças; e por isso contão as Historias tão poucos Politicos consumados” in Elogio fúnebre de um Secretário de Estado da Coroa de Portugal em 1736. Ou por vezes corre-se o risco de encher o nariz de pó, dar uma cabeçada na trave do sotão. Pode ser também que tudo se esqueça, « tudo esquece tão cedo », não é, caro Virgílio ?
Parece que recentemente o Sr. Presidente consagrou algumas da suas seráficas palavras à educação. Entre outras magníficas metáforas considerou que ela (a educação, claro) não poder ser uma « fábrica de ensino » onde os pais vão depositar os filhos. Talvez deva antes ser uma gasolineira. Onde podemos abastecer com sucesso rumo à inovação social. Imaginemos então como poderia Portugal ter disparado rumo ao desenvolvimento, direito à vitória sobre os « desafios da globalização », formando, de forma rigorosa, globalizante, com excelência, os milhões de portugueses, ontem analfabetos, para usufruir delícias eternas em vivendas algarvias ; tudo isto se a competente liderança do Sr. Presidente tivesse estado ao serviço de um governo durante para aí, digamos, dez anos.
« E então chegaram Diamantino Durão, Couto dos Santos e Manuela Ferreira Leite e remendaram o que puderam, facilitaram tudo o que foi possível facilitar e começaram a cortar onde poderiam poupar. Não é por acaso que o segundo mandato maioritário de Cavaco Silva tem 3 e não 1 ministro e não é também por acaso que é do início dos anos 90 que datam a definição de uma nova organização curricular e novos programas (tudo de 1991) e, em especial, de um novo regime de avaliação cristalizado no Despacho Normativo 98-A/92 de 20 de Junho que foi a machadada final em qualquer reforma educativa a sério que pretendesse basear-se em qualquer noção de rigor e qualidade das aprendizagens. É o primeiro alvor dos eduqueses ou maus cientistas da educação, os verborreicos e vácuos, gongóricos na retórica, curtinhos na substância, que se distinguem facilmente dos Cientistas da Educação com Maiúsculas » in A Educação do meu Umbigo Gaveta aberta de textos e memórias a pretexto da Educação que vamos tendo
Lembro-me que em 1991 tive a primeira sensação de desistência, numa tarde em que só, caminhando pela estrada de alcatrão que ligava a quinta do Marquês de Pombal a Porto Salvo, junto ao Colégio das Freiras, avistei a construção da nova auto-estrada Lisboa-Cascais. A nova via cortava o vale onde perto passava a ribeira da Lage e perdia-se na linha castanha daquelas terras repletas de trigo que um dia ouvi chamar a Ribeiro Teles os « extraordinariamente importantes barros de Oeiras ». Não sei porque raio alguém chamaria a um conjunto de terras « uma coisa importante » mas não deixei de perceber na voz do já velho arquitecto a mesma destreza com que o meu avô seguia pela horta pesando com as mãos a terra.
Nessa tarde, fiquei alguns minutos a olhar a fina corda de alcatrão desenrolada ao sol como uma víbora preguiçosa. Quando cheguei a casa, nessa tarde, havia bandeiras cor de laranja. Um homenzinho magro, de nome Silva e voz irritantemente rouca, saltava na televisão, com dois dedos erguidos. Ou talvez não saltasse e fosse apenas o movimento absurdo da multidão que, saltando ao seu redor, me enjoava por dentro.
Em minha casa nunca houve grandes convicções partidárias e talvez por isso o entusiasmo eleitoral estivesse sempre misturado com a distância de quem vê, descrente da eficácia da guerra, passar mais um General em triunfo a caminho de Roma.
Havia interesse, mas não alegria. Havia atenção mas não esperança. Havia conhecimento mas não vigor. Havia doutrina mas muito poucas forças para entender porque se erguiam aqueles braços se os barros e o trigo desapareciam como uma vertigem, à medida que as mudanças na constituição travavam a promessa da paz, pão e liberdade que saía estridente dos altifalantes do Sr. Silva, sob uma promessa de chegarmos todos mais depressa a lado nenhum.
“A arte da politica sabese muito tarde, e quando se vem a entender, mal se pode exercitar: aprendesse na adolescencia, e sabese na velhice: em quanto ha vigor, não ha doutrina; quando ha conhecimento, não ha forças; e por isso contão as Historias tão poucos Politicos consumados” in Elogio fúnebre de um Secretário de Estado da Coroa de Portugal em 1736. Ou por vezes corre-se o risco de encher o nariz de pó, dar uma cabeçada na trave do sotão. Pode ser também que tudo se esqueça, « tudo esquece tão cedo », não é, caro Virgílio ?
Parece que recentemente o Sr. Presidente consagrou algumas da suas seráficas palavras à educação. Entre outras magníficas metáforas considerou que ela (a educação, claro) não poder ser uma « fábrica de ensino » onde os pais vão depositar os filhos. Talvez deva antes ser uma gasolineira. Onde podemos abastecer com sucesso rumo à inovação social. Imaginemos então como poderia Portugal ter disparado rumo ao desenvolvimento, direito à vitória sobre os « desafios da globalização », formando, de forma rigorosa, globalizante, com excelência, os milhões de portugueses, ontem analfabetos, para usufruir delícias eternas em vivendas algarvias ; tudo isto se a competente liderança do Sr. Presidente tivesse estado ao serviço de um governo durante para aí, digamos, dez anos.
« E então chegaram Diamantino Durão, Couto dos Santos e Manuela Ferreira Leite e remendaram o que puderam, facilitaram tudo o que foi possível facilitar e começaram a cortar onde poderiam poupar. Não é por acaso que o segundo mandato maioritário de Cavaco Silva tem 3 e não 1 ministro e não é também por acaso que é do início dos anos 90 que datam a definição de uma nova organização curricular e novos programas (tudo de 1991) e, em especial, de um novo regime de avaliação cristalizado no Despacho Normativo 98-A/92 de 20 de Junho que foi a machadada final em qualquer reforma educativa a sério que pretendesse basear-se em qualquer noção de rigor e qualidade das aprendizagens. É o primeiro alvor dos eduqueses ou maus cientistas da educação, os verborreicos e vácuos, gongóricos na retórica, curtinhos na substância, que se distinguem facilmente dos Cientistas da Educação com Maiúsculas » in A Educação do meu Umbigo Gaveta aberta de textos e memórias a pretexto da Educação que vamos tendo
Lembro-me que em 1991 tive a primeira sensação de desistência, numa tarde em que só, caminhando pela estrada de alcatrão que ligava a quinta do Marquês de Pombal a Porto Salvo, junto ao Colégio das Freiras, avistei a construção da nova auto-estrada Lisboa-Cascais. A nova via cortava o vale onde perto passava a ribeira da Lage e perdia-se na linha castanha daquelas terras repletas de trigo que um dia ouvi chamar a Ribeiro Teles os « extraordinariamente importantes barros de Oeiras ». Não sei porque raio alguém chamaria a um conjunto de terras « uma coisa importante » mas não deixei de perceber na voz do já velho arquitecto a mesma destreza com que o meu avô seguia pela horta pesando com as mãos a terra.
Nessa tarde, fiquei alguns minutos a olhar a fina corda de alcatrão desenrolada ao sol como uma víbora preguiçosa. Quando cheguei a casa, nessa tarde, havia bandeiras cor de laranja. Um homenzinho magro, de nome Silva e voz irritantemente rouca, saltava na televisão, com dois dedos erguidos. Ou talvez não saltasse e fosse apenas o movimento absurdo da multidão que, saltando ao seu redor, me enjoava por dentro.
Em minha casa nunca houve grandes convicções partidárias e talvez por isso o entusiasmo eleitoral estivesse sempre misturado com a distância de quem vê, descrente da eficácia da guerra, passar mais um General em triunfo a caminho de Roma.
Havia interesse, mas não alegria. Havia atenção mas não esperança. Havia conhecimento mas não vigor. Havia doutrina mas muito poucas forças para entender porque se erguiam aqueles braços se os barros e o trigo desapareciam como uma vertigem, à medida que as mudanças na constituição travavam a promessa da paz, pão e liberdade que saía estridente dos altifalantes do Sr. Silva, sob uma promessa de chegarmos todos mais depressa a lado nenhum.
À noite pensei sobre o pouco que o país tinha para oferecer às suas crianças da periferia e desejei que, sendo assim, ao menos tu Veloso não podias ter falhado aquele penalty.
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