sábado, 10 de novembro de 2007

Newsletter #1

Ermida_Associação Cultural
Novembro 2007 | #1

Apresentação

A Ermida_Associação Cultural procura despertar a vivência das comunidades do Concelho de Oeiras para uma ‘vida pública’ vinculada ao centro histórico de Paço de Arcos, articulando as suas actividades em torno de três temas fundamentais: a arte, a ciência e a cidadania. Para o ano de 2007/2008 a Ermida apresenta:

_ Coro da Ermida
_ T.U. na ERMIDA (Tempo Útil na Ermida)
_ A Arte da Ciência e a Ciência da Arte
_ Caminhadas Filosóficas

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Em destaque: Festa do Outono

Dia 24 de Novembro, a partir das 20h, no Centro Militar de Electrónica (Quartel de Paço de Arcos) [Mapa]. A festa contará com a actuação da Banda da Sociedade Recreativa e Musical Trafariense, seguido de um baile de danças Tradicionais Europeias. Ao longo da festa serão servidos petiscos e bebidas frescas.

Preço:
Bilhete individual - 3€ (inclui 1 bebida)
Bilhete grupo 4 pessoas - 10€ (inclui 4 bebidas)

Bilhetes à venda à entrada da Festa e no fim das missas (Igreja de Paço de Arcos)

Para obter mais informações contacte-nos via email
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Caminhada Filosófica #1

Dia 1 de Dezembro do Convento dos Capuchos à Peninha, descobrindo a serra e as gentes que por lá viveram. Teremos como convidado um historiador que nos irá falar sobre o tema do Monaquismo e sua importância na história ao longo dos tempos.

Preço:
Associados Ermida - 3€
Público em geral - 5€

Inscrições limitadas a 25 pessoas

Para obter mais informações e inscrições contacte-nos via email
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Coro da Ermida

Ensaios todas as sextas feiras na Capela do Senhor Jesus dos Navegantes em Paço de Arcos às 20h30. [Mapa]

Inscrições abertas para todos os naipes, dos 6 aos 35.

Para obter mais informações contacte-nos via email
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Próximos Eventos

Concerto Coro da Ermida - 7 de Dezembro 2007
Caminhada Filosófica #2

Em breve mais pormenores
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Contactos da Ermida

email_ ermida.associacao.cultural@gmail.com
blog_ http://ermidas.blogspot.com

Importa-se de repetir? É que estes senhores não ouviram


Eis um pequeno excerto de Robespierre, perdão, do pai do P.S.D. a lembrar que essa coisa imunda a que deram o nome de "revolução francesa" não se reduziu a guilhotinas:
"Quando se trata de urbanismo, do direito à habitação, é a nossa liberdade concreta que está em causa, é a organização democrática da nossa sociedade que se procura (...)
São questões que se prendem com a humanização da sociedade em que vivemos (...)
Uma autêntica democracia local tornará inabalável a estabilidade democrática. Mas para que ela exista é indispensável que os princípios sociais democratas da liberdade, igualdade, solidariedade sejam uma realidade entre as várias partes do território nacional".
Já agora informo o ilustre leitor que este excerto de Francisco Sá Carneiro pertence a um prefácio de um livro publicado por Helena Reseta quando concorreu à Câmara de Lisboa pelo P.P.D.P.S.D ainda na década de 1970.
Pois é, foi há já vários séculos.

Guilhotinas Robespierre - SGPS, SA.

Esta semana o país leu com entusiasmo mais um clarividente editorial do Director do Público. Ainda que não tenhamos sido brindados com mais uma original “defenestração” da educação pública, pudemos, em ofício de consciência, vilipendiar a revolução e o comunismo, esses dois monstros da história que teimam em agitar as suas mil cabeças, qual hidra virtual a que nenhum justo liberal consegue decepar a cabeça.
Com imagens de belo efeito, o Director Fernandes invocou o exemplo de Robespierre, esse provinciano grotesco, responsável por guilhotinar meio mundo, enquanto o outro meio mundo corria, inedefeso, para se albergar debaixo das protectoras asas da pátria da liberdade – a bela inglaterra, sempre pronta para a glorificação da paz e da justiça.

O Director Fernandes zurziu depois com a sua pena justiceira na ignorância dos que, noventa anos depois da revolução russa de 1917, nada aprenderam com esse triste espectáculo de neve, sangue e texos herméticos escritos numa língua esquisita.
Tudo isto devia ser rememorado et in secula seculorum em devida e útil lição de história, multiplicada com ofertas (+ 4, 55 eur) generalizadas por diários credíveis e honrosos que pudessem proteger-nos contra o flagelo do idealismo e da provínciana utopia. Robespierre era um lunático e um patife que nem um saco de batatas conseguiu vender ao seu vizinho de baixo.

Se ao menos se tivesse lembrado de fazer uma multinacional de eficazes guilhotinas a utilizar pelos governos do mundo inteiro (na limpeza dos pouquíssimos e indesejáveis comunistas e revolucionários), possibilitando a milhares de imigrantes o sonho benfazejo de trabalhar no ocidente, disfrutando das maravilhas dos seus contentores, potenciando o desenvolvimento das democracias africanas com matérias primas impecavelmente negociadas em troca de sacos de farinha e a globalização de mini-calendários com estampa dos direitos humanos em inglês, teria salvo a sua honra, limpo o seu ascoroso hálito de provinciano, enfim, importado felicidade e conforto ao seu povo, actos sempre dignos de louvor e aplauso eterno.

Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris

Entrou para o mosteiro nova. “Tão novinha, que desperdício” disseram familia e amigos, de acordo com o relato da própria. Depois riu, contente, no ecrã.

A irmã Raquel vem à televisão confessar a sua conversão. “Senti um desejo total de me consagrar a deus, não consigo dizer mais”.
Não conseguia, portanto, dizer mais, que é outra forma de dizer que não se consegue explicar a própria vida que é a coisa mais difícil de explicar. Com ou sem hábito. Mas mais adiante a reportagem encerra com a irmã Raquel a entoar um hino da liturgia das horas

“Em vós meu deus me refugio e não serei confundido”

A resposta está então em ti, Raquel, límpida como as águas vivas, pelas quais tu, certamente, dizes que o veado anseia: custa muito ser apenas mais um neste lagar do mundo, sabendo que, no fim, seremos todos mais ou menos a mesma coisa - terra. Confundidos e desprotegidos.

Por isso, voltemos ao mundo Raquel e saibamos viver com limpidez e dignidade, não como quem contempla, mas como quem, em cada pequena coisa, nunca deixasse de ser contemplado.

Alf - o regresso

Uma vez que a tentativa de alcunha do sexto ano do ciclo não pegou aqui vai uma mudança de identidade (pretende-se farpear à tripa forra tudo o que mexer) em jeito de homenagem à escola pública.

Apenas uma justificação para o efeito

Avizinhando-se o frio do inverno, por volta de 1988, a minha mãe tricotou umas impecáveis luvas vermelhas que, de tão grossas, me transformavam as mãos nos intrumentos de pegar do boneco da michelin (esta alusão deu direito a almoço grátis na bomba de gasolina da Cova da Piedade).
Claro que a cor vermelha sugeria uma outra coisa: as mãos desse extraordinário "dizedor" de verdades que à época nos preenchia os serões.

Foi difícil repelir a alcunha - dois sprints em pleno janeiro de fazer arrancar o pelo na perseguição de dois prevaricadores além de uma esfrega no alcatrão do recreio.

Uma vez que o assunto ficou por ali, passados vinte anos está na hora de repôr a verdade: Alf era, com efeito, mais consentâneo com o meu perfil extra-terrestre.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Os génios são assim: Ricky Gervais

Eu quero ver!

Somos ó nobre uma geração perdida

Talvez na praia da consolação, talvez numa plastificada esplanada de uma avenida do Cacém, Ruy Belo escreveu estas palavras:

“Que o medo não te tolha a tua mão
Nenhuma ocasião vale o temor
Ergue a cabeça dignamente irmão
Falo-te em nome seja de quem for

No princípio de tudo o coração
Como o fogo alastrava em redor
Uma nuvem qualquer toldou então
Céus de canção promessa e amor

Mas tudo é apenas o que é
levanta-te do chão põe-te de pé
Lembro-te apenas o que te esqueceu

Não temas porque tudo recomeça
Nada se perde por mais que aconteça
Uma vez que já tudo se perdeu”

Como versos não dão de comer (dizia o douto Medina Carreira de veias inchadas no palanque do candiado presidencial Silva) tudo por aqui parece por vezes ir rodando em infinita alegria, como dejectos no lavatório à procura da saída.

A todos quantos sobre a terra cobrem com seu hálito os serões gelados de neve ou com as suas mãos os prados salpicados de pétalas, advém a inútil morte de filhos, pais, mães, avós ou irmãos – morte que sempre vem, inadvertida como a tempestade ou como um cruzeiro de súbito no tejo numa manhã de sol – após um leve feixe de anos, muitas vezes mal observados, precariamente tocados pelos nossos dedos, vistos com pressa, de um barco que atravessa o rio do exílio, ou no autocarro a caminho da aldeia da infância.

Talvez amanhã algum de nós se surpreenda perto de ser atropelado, sem tempo para dizer adeus tardes luminosas no estádio da luz, adeus noites de luar nalgum lugar além do tejo, adeus colecções de cromos dos mundiais, adeus carrinhos da polícia militar, adeus brinquedos enfeitados nas montras do natal, adeus deslumbramentos do cesário, adeus minhas tias retocando o cabelo para a missa, adeus ondulação do trigo sob a chuva, adeus pagelas dos sagrado coração de jesus a enfeitar a sala de jantar, adeus livros de poesia na estantes das bibliotecas públicas, adeus gaivotas descendo sobre o mar, adeus pai acenando à chegada do comboio, adeus figos maduros, chuva de verão, adeus apito do chefe da estação num comboio nocturno, adeus auto-estradas apinhadas de carros a caminho da caparica, adeus aviões no céu em linha recta, adeus lisboa vista do castelo, adeus terreiro da igreja enfeitado com bandeiras, adeus ó barco do barreiro, adeus capelas alvas empoleiradas pelas serras, adeus cabritos saltando no carreiro, adeus ó frio da madrugada quando os homens vão no comboio para o trabalho, talvez eu seja apenas mais uma carta no baralho.

Eu sei, sentimentalismo. Ia mesmo agora escrever um poema em estilo, cheio de metáforas difíceis e originais, rompendo com as formas visíveis da literatura, provocando um tsunami à moda do serapião de walter hugo mãe (belo pseudónimo, estão a ver como é difícil igualar esta precisão de estilo e de sucesso, este empreendorismo de editora e carreira nas letras) como diz o saramago.
Ia mesmo, mesmo, mesmo agora estilhaçar as convensões, num salto mortal poético, vibrar um rude golpe na tradição, inaugurando uma nova época de criação – de escrita criativa, com sucesso, com confiança, um Mourinho da palavra, um poetastro, um poetaço, um lírico explosivo, um jovem talento promissor com diversos livros anunciados em cartaz de corpo inteiro.

Mas sabe, ilustre leitor, passaram aves na minha janela. O Daniel Faria morreu alagado em sangue com a cabeça acidentalmente quebrada na sanita. O Sá de Miranda esteve agora aqui e sussurrou-me que também o Sena abalou prá Califórnia. Cheirava a literatura e ele pirou-se.
O ruy belo, bem, o ruy belo embarcou para bem longe antes que o fizessem professor. O Lobo Antunes perdeu o tino e luta aterrado contra o fim. Eu já não respondo por mim. Mas prometo que tenho projectos de futuro e planos para amanhã. Talvez circule outra vez, se a noite não vier malsã, entre belém e a trafaria de folha no joelho à espera do meu anjo, em luta permanente contra o vento, embalado na canção do cacilheiro, a ver se tenho tempo de chutar os livros borda fora e deixar o sol entrar. As coisas a oxidar, o teu copo, ó sócrates filósofo, por encher. Eu a querer chegar, a poesia empurrar-me para o mar.

Concluindo, apetece dizer que talvez tudo esteja já perdido.

Ou talvez eu me tenha perdido disto tudo.

Atenção! Achtung! Danger! Peligro! Crónica no Diário de notícias pode provocar perda de consciência

O Magister César das Neves previu esta semana o futuro no Diário de Notícias. É uma previsão de antologia, devo dizer. Apenas para aguçar o espírito, vendo como se espalha classe e profundo saber, tomem lá com dois dardos da autoria do robusto braço do Magister:

(esclareço os leitores mais sensíveis que a previsão se faz num ilustrado exercício de ironia de fazer corar o Eça de Queiróz, pelo que podemos ficar de tal modo abalados pelas estocadas certeiras do Magister que logo nascerá, sem mais, um flagrante apelo à conversão à moda dos pré-socráticos, sem maiêutica nem interrogações, é logo direito à santidade)

“Muito significativo foi que, duas semanas depois, (algumas linhas antes o Magister tinha previsto que a União Europeia ia dedicar-se à erradicação da violência familiar por todas formas até nas brincadeiras, sugestão que não percebi totalmente, dada a minha lamentável impreparação para identificar estas preciosas e riquíssimas alusões estílisticas) se tenha dado finalmente a consagração do sadomasoquismo como orientação sexual reconhecida pela ONU.”

Mais adiante

“Por enquanto ainda se mantém controversa e, por isso, facultativa a exigência de todos os obesos usarem cartazes ao pescoço dizendo «comer mata» ou «banha é crime»”

Pois é. E depois dizem que a Igreja não produz intelecutais de gabarito. É o não produzes.
Em suma identificam-se os grandes males do nosso tempo que é preciso combater e já!
A escalada galopante do sadomasoquismo - assunto sobre o qual reconheço a minha vergonhosa ignorância mas que, fazendo profissão de fé (amen) nos profícuos conhecimentos do Magister, ameaça os fundamentos da nossa civilização - e o inaceitável e repressivo combate ao direito que todos temos a engordar que nem porcos - que nem de longe nem de perto constitui um problema global e muito menos ameaça a nossa vibrante e imparável saúde pública.

E está este homem desaproveitado a escrever colunas jornalísticas (além das aulas na Universidade Católica, embora isso seja um grave desaproveitamento, dado o facto de por aí circular quem menos precisa destes insubstituíveis avisos) quando devia ser convidado para Magister da nação (inventei agora mesmo este cargo por inspiração directa de Bento CCCX que acaba de aparecer em cima da cabeça do meu gato, soprando ao meu ouvido – o que Portugal precisa não é de sindicatos ou de função pública, é de quem vos ensine os caminhos do senhor. Não tive tempo, é pena, de perguntar qual senhor, mas presumo que fosse o senhor Magister Neves.

É por estas e por outras que o país apresenta estes índices em resultados escolares. Se todas as universidades tivessem o Magister Neves como professor de Ética talvez Portugal voltasse a ocupar o pedestal mais digno do panteão das nações europeias. Juntos voltaríamos a correr pelas pradarias ao som de hossanas, embalados pelos cânticos dos justos, louvando as fontes de água viva que nos conduzem à paz da parvoíce. Cítaras e trombetas anunciariam os pés do mensageiro que trouxesse os perfumes da palavra divina, envoltos no proficiente entendimento do Magister. Senhor como é bom ouvir a tua voz. O teu cajado fortalece o nosso espírito nesta terra onde corre leite e mel e o Magister Neves recompensa os temerosos, censurando com vigor os iníquos, enquanto nos intervalos assina sebentas de finanças públicas em parceria com esse outro inefável Magister da Pátria – o probo Aníbal Cavaco Silva. Os dois juntos devolverão a alegria aos portugueses, indicando o caminho, conduzindo pela mão os filhos de Jacob, guiando às alturas paradisíacas da redenção as nossas mentes ínvias.
A voz do Magister Neves ecoando com estrondo nas consciências dos pecadores, ressoando como o bronze do juízo, acordando o fervor religioso que há, dormente, em todos nós, no momento em que uma forquilha empunhada pelo mafarrico me abrasava a carne fazendo correr lágrimas no meu rosto contrito e arrependido por todo o meu aviltante esforço em evitar gorduras.
Foi então que acordei e logo compareceram na minha consciência torturada as suaves palavras da minha tia Antónia quando, acossados pela chuva, descíamos a encosta da serra, sempre que se anunciava trovoada para os lados da serra do Açor. Sorria sossegando-me e murmurava a espaços, de lábios aflitos mas tocando serena com as mãos o pelo das cabras como que a reconhecer a finitude e a morte que há em tudo, "Nossa Senhora de Fátima salvai-nos e salvai Portugal".

Professor Espadinha…VOCÊ É CONCORRENTE, VENHA JOGAR!!!!

Esta semana o Professor Espadinha, um dos intelectuais mais influentes e profícuos da nossa comunidade, com várias obras de reconhecido mérito entre as quais o serviço do chá das cinco em casa de Karl Popper, publicou no jornal Café Expresso mas sem natas, uma inteligente e sagaz crónica onde defendia a imperiosa necessidade de introduzir a concorrência no ensino público. Na opinião do ilustre pensador apenas desta forma será possível resgatar o ensino público da sua manifesta mediocridade.

Em boa hora surge este esclarecimento. Antevejo enormes vantagens no alargamento dos conceitos de concorrência e competitividade a outros campos da actividade humana. Image o caro leitor, a título de exemplo, a multiplicação da felicidade conjugal que não seria se, em vez de um homem, existissem dois ou mais homens por casamento. Esta saudável concorrência, regulada pela Comissão de Valores do Mercado Casamenteiro, evitaria vários dos incómodos tradicionais e os homens, antes de deixar a louça suja na cozinha, ou baldar ao tradicional passeio de domingo para ver a bola, pensariam duas vezes não fosse a sua amada esposa dizer

- esta semana dormes tu na sala porque o José apresentou índices de competitividade mais elevados.

E todos viveriam felizes para sempre. Ou quase todos.

O Jesuíta de Coina

O Colégio S. João de Brito teve uma magnífica classificação no ranking internacional da pesca ao exame. Nada mais nada menos do que o 4º lugar. Este inaudito e glorioso resultado convoca todos os homens de bem e todos os poderes públicos, potestades e divindidades, a um empenho denodado na tarefa mais urgente da nação - liberdade de aprender e ensinar.

Vejamos o que diz o douto Forum para a Liberdade de Educação:
“Todas as Escolas — de propriedade do Estado ou de entidades privadas — devem ter autonomia para diversificar os seus projectos educativos e por estes ser totalmente responsabilizadas, assistindo aos pais o direito de optar livremente entre qualquer delas”
Totalmente responsabilizadas. E com diversidade de projectos educativos. Ou seja, missas e matemáticas para um lado e política para o outro, que estas coisas não são para misturar.
Este Forum, constituído por intelectuais de nomeada, com vastos currículos de reconhecido mérito intergaláctico, é constituído por um grupo de

“cidadãos preocupados com a situação da educação e do ensino em Portugal e que partilham o diagnóstico de que as deficiências mais graves resultam primordialmente da ausência de uma efectiva liberdade de aprender e ensinar”.

Justamente. Esta solução parece-me clara como água e acertada como uma maça na cabeça de um guarda do Xerife de Nottingham após uma seta disparada por Robin Hood.
Lembro-me que eu, inocente criança, fui levado pelos meus pais, entre lágrimas e gritos, a uma escola pública. Imaginem a repugnância do meu espírito! Uma escola pública. Com baldas, professores que faltam, gamanços no recreio, ausência de valores, sem espetáculos de natal ou sequer um catálogo infinito de actividades extracurriculares, sem missa inaugural (ó vergonha eterna do saber).
E ali fui mantido contra minha vontade, chorando junto aos gradeamentos a minha servil condição de aluno num país onde os meus pais não podiam escolher. Ou escola pública ou escola pública. Se o Estado se tivesse responsabilizado pela minha educação, com verdadeira liberdade, os meus pais decerto teriam corrido a uma das centenas de escolas privadas que, certamente, logo se multiplicariam como cogumelos do Minho a Timor, perdão, do Minho ao Algarve, abrindo as suas excelsas portas, possibilitando-me uma educação competitiva, global, de excelência.
Sim, não percamos mais tempo, despedimento para todos os funcionários públicos (que há Estado a mais) e cheques-ensino para todos (que há Estado a mais, ou melhor, a menos, quer dizer… que há estado - isto de coisas em comum, colectividades, cheiro a sardinhas, vinho tinto, tabaco, senhores de bigode… que horror, que porcaria).

Ora, já imagino o futuro risonho do meu país. O absentismo reduzido à insigificância de formigas acossadas pela coruja do saber; os indíces de licenciados e doutorados disparando em direcção ao céu, ultrapassando a Grécia, Turquia, República Checa, Alemanha, E.U.A, França, Noruega, Dinamarca, Suécia, (a Suécia, meu deus, a Suécia); filas intermináveis de famílias desfavorecidas da Musgueira, Cova da Moura, Brandoa, Poço do Bispo, Baixa da Banheira, Trafaria, Alhos Vedros, Coina (libertando-se dos aguilhões iníquos das áreas de residência) à porta do Colégio de S. João de Brito com total liberdade de aprender; os magníficos, e altamente qualificados, professores do Colégio em extâse metafísico-democrático-liberal com a liberdade de poder ensinar.

Na saula de aula do Colégio.

- Nelson Chibanga resolva esta equação de segundo grau, por favor.

- Concerteza stôr, deixe-me só consultar este magnífico dicionário criolo-português que o meu pai, ontem à 21h30, depois de chegar da obra, foi comprar a uma das várias livrarias altamente especializadas de Coina, por recomendação da minha prima Vanessa que ainda ontem tirou vinte no exame de matemática do colégio mira-rio depois de uma sessão de cinco horas e meia na prática de exercícios na área das equações diferenciais, à luz do candeeiro a petróleo, sob aquele inigualável e instrutivo reflexo do zinco nas folhas brancas, sessão essa, devo dizer em conformidade com a verdade, superiormente orientada com brio e excelência pela minha tia Marlene Chibanga depois de oito horas a arrumar tabuleiros no centro comercial e mais duas horas divididas entre o autocarro de Loures Shopping e o barco do barreiro onde, com leveza e inigualável precisão, não obstante os balanços da ondulação e a tristeza infinita das manchas de petróleo reflectindo no rio a luz da lua, preparou toda a sessão de estudo. Que isto é apertar connosco, porque desde que recebemos o cheque-ensino, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, e nos deixámos destas coisas das minorias culturais, Deus nos livre das ideias estruturalistas como ensina o Magister César das Neves, o meu irmão Venceslau Chibanga, após uma curta estadia a trabalhar nas obras do Terreiro do Paço, já se doutorou em economia do desenvolvimento e frequentou três MBA na Leonard Stern School of Business da New York University, Maria Santíssima continue a olhar por nós.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Imaginem um circulo a volta deste texto

Gosto deste senhor. Banksy . Ficou famoso por pintar os muros que Israel construiu para se separar da Palestina e de seu povo "perigoso". Pintou imagens de esperança nessa altura. Mas o seu portfolio mostra bem um olhar aguçado para a realidade actual. Ninguém sabe quem ele é. Quase o apanharam quando no museu em Londres trocou um quadro por um igual mas alterado por si introduzindo alguns novos elementos bem originais. Vão ao site e descubram como o grafitti pode ser visto como uma obra de arte e forma de expressão de quem se preocupa com o mundo em que vive. Deixo aqui um dos meus favoritos:



sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Para lado nenhum

Directamente do baú. Joy division.

"When the routine bites hard
And ambitions are low
And the resentment rides high
But emotions wont grow
and were changing our ways,
Taking different roads
Then love, love will tear us apart again"


A fábrica e a auto-estrada - algum esquecimento e muito boa educação

Quando se procuram coisas no baú descobrem-se preciosidades :

“A arte da politica sabese muito tarde, e quando se vem a entender, mal se pode exercitar: aprendesse na adolescencia, e sabese na velhice: em quanto ha vigor, não ha doutrina; quando ha conhecimento, não ha forças; e por isso contão as Historias tão poucos Politicos consumados” in Elogio fúnebre de um Secretário de Estado da Coroa de Portugal em 1736. Ou por vezes corre-se o risco de encher o nariz de pó, dar uma cabeçada na trave do sotão. Pode ser também que tudo se esqueça, « tudo esquece tão cedo », não é, caro Virgílio ?

Parece que recentemente o Sr. Presidente consagrou algumas da suas seráficas palavras à educação. Entre outras magníficas metáforas considerou que ela (a educação, claro) não poder ser uma « fábrica de ensino » onde os pais vão depositar os filhos. Talvez deva antes ser uma gasolineira. Onde podemos abastecer com sucesso rumo à inovação social. Imaginemos então como poderia Portugal ter disparado rumo ao desenvolvimento, direito à vitória sobre os « desafios da globalização », formando, de forma rigorosa, globalizante, com excelência, os milhões de portugueses, ontem analfabetos, para usufruir delícias eternas em vivendas algarvias ; tudo isto se a competente liderança do Sr. Presidente tivesse estado ao serviço de um governo durante para aí, digamos, dez anos.

« E então chegaram Diamantino Durão, Couto dos Santos e Manuela Ferreira Leite e remendaram o que puderam, facilitaram tudo o que foi possível facilitar e começaram a cortar onde poderiam poupar. Não é por acaso que o segundo mandato maioritário de Cavaco Silva tem 3 e não 1 ministro e não é também por acaso que é do início dos anos 90 que datam a definição de uma nova organização curricular e novos programas (tudo de 1991) e, em especial, de um novo regime de avaliação cristalizado no Despacho Normativo 98-A/92 de 20 de Junho que foi a machadada final em qualquer reforma educativa a sério que pretendesse basear-se em qualquer noção de rigor e qualidade das aprendizagens. É o primeiro alvor dos eduqueses ou maus cientistas da educação, os verborreicos e vácuos, gongóricos na retórica, curtinhos na substância, que se distinguem facilmente dos Cientistas da Educação com Maiúsculas » in A Educação do meu Umbigo Gaveta aberta de textos e memórias a pretexto da Educação que vamos tendo

Lembro-me que em 1991 tive a primeira sensação de desistência, numa tarde em que só, caminhando pela estrada de alcatrão que ligava a quinta do Marquês de Pombal a Porto Salvo, junto ao Colégio das Freiras, avistei a construção da nova auto-estrada Lisboa-Cascais. A nova via cortava o vale onde perto passava a ribeira da Lage e perdia-se na linha castanha daquelas terras repletas de trigo que um dia ouvi chamar a Ribeiro Teles os « extraordinariamente importantes barros de Oeiras ». Não sei porque raio alguém chamaria a um conjunto de terras « uma coisa importante » mas não deixei de perceber na voz do já velho arquitecto a mesma destreza com que o meu avô seguia pela horta pesando com as mãos a terra.
Nessa tarde, fiquei alguns minutos a olhar a fina corda de alcatrão desenrolada ao sol como uma víbora preguiçosa. Quando cheguei a casa, nessa tarde, havia bandeiras cor de laranja. Um homenzinho magro, de nome Silva e voz irritantemente rouca, saltava na televisão, com dois dedos erguidos. Ou talvez não saltasse e fosse apenas o movimento absurdo da multidão que, saltando ao seu redor, me enjoava por dentro.

Em minha casa nunca houve grandes convicções partidárias e talvez por isso o entusiasmo eleitoral estivesse sempre misturado com a distância de quem vê, descrente da eficácia da guerra, passar mais um General em triunfo a caminho de Roma.
Havia interesse, mas não alegria. Havia atenção mas não esperança. Havia conhecimento mas não vigor. Havia doutrina mas muito poucas forças para entender porque se erguiam aqueles braços se os barros e o trigo desapareciam como uma vertigem, à medida que as mudanças na constituição travavam a promessa da paz, pão e liberdade que saía estridente dos altifalantes do Sr. Silva, sob uma promessa de chegarmos todos mais depressa a lado nenhum.
À noite pensei sobre o pouco que o país tinha para oferecer às suas crianças da periferia e desejei que, sendo assim, ao menos tu Veloso não podias ter falhado aquele penalty.

Obrigado Sr. Nachtwey

Vi ontem este senhor na televisão. James Nachtwey. Ganha a vida a fotografar a desgraça e o sofrimento dos outros. E fá-lo muito bem. Usando a sua arma - fotografia consegue transportar-nos para realidades que nos são longínquas e tão indiferentes. É a sua sua forma de estar. Que desassossega. É o mundo em que vivemos. Ele não me conhece, mas eu agradeço-lhe. Obrigado Sr. Nachtwey.


Deixo aqui um bocado do documentário que vi. Atentem às palavras do senhor.




Quod erat demonstrandum

Tenho acompanhado este tema ao longe, mas do que tenho lido existe uma imensa opinião do que o ensino privado é muito melhor do que é oferecido pelo Estado (e do qual fiz parte durante 17 anos). Estas opiniões baseiam-se em analises aos exames do 12ºano e que colocam as escolas privadas no topo. Parece-me demasiado redutor este tipo de análise pois não leva em conta o cenário sócio-económico onde se enquadram estas escolas. É claro que uma escola em Lisboa tem mais hipóteses do que uma em Bragança, porque os alunos que as frequentam tem acesso a mais e provêm de meios económicos mais favoráveis. Uma escola numa zona desfavorável não tem as mesmas hipóteses, porque o aluno que a frequente tem que lidar com muito mais do que o simples facto de estudar (trabalhar, violência, desmotivação, falta de perspectivas de futuro, e por ai fora).

Mas será que existem assim tantas diferenças entre o privado e o público? Via memória inventada, reparei neste post que demonstra bem (matematicamente como deve ser sempre) que as "imensas" diferenças não assim tão visíveis como se apregoam. Para acabar coloco aqui um excelente ponto de vista que arruma definitivamente com a questão (via Zero de Conduta)


1, 2, 3, 4

e de onde retiro esta seguinte citação:

"Ideologia e preconceito contra o sistema público, baseada no aproveitamento demagógico do senso comum. Não tem nenhuma base, nacional ou internacional, que a suporte. É o preconceito de classe travestido de preocupação social. Tudo em nome da liberdade da iniciativa privada que, veja-se, só é verdadeiramente livre se for o Estado a financiá-la. E diz-se esta gente liberal."

QED - Quod erat demonstrandum

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Portugal e os outros

Ainda é cedo para falar, mas a concretizar-se a fusão do BPI com o BCP, o novo banco, que poderá chamar-se Millennium BPI (nome muito português), terá como principais accionistas investidores estrangeiros.

O líder do BPI Fernando Ulrich diz que o BCP deve ficar em mãos nacionais, mas isso não acontecerá se a fusão avançar.

La Caixa controla 25% do BPI. Num cenário do Millenium BPI fica com 8,17%.

Depois dos holandeses da Eureko ainda aparecem os brasileiros do Itaú.

Fazendo um ponto de situação já vamos com mais de 21 por cento do maior banco privado português.

Os accionistas portugues aparecem, finalmente, em quarto lugar. Joe Berardo, através da fundação e Metalgest, fica com 5,34 por cento. Teixeira Duarte ficará com pouco mais de cinco por cento. Ou seja, cerca de 10% em mãos de investidores portugueses.

Será este o futuro do maior banco privado nacional?

O governo já respondeu - pela voz do ministro Teixeira dos Santos - que diz que o governo vai acompanhar a situação e que o mercado deve funcionar.

Vamos ver se no final desta novela, Portugal não ficará, mais uma vez, nas mãos dos estrangeiros.

A crise continua. Infelizmente

Isto foi há 25 anos. De uma actualidade que até assusta. Enfim. Aceitam-se comentários.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Isto tinha que ser dito

O Sporting perdeu este fim semana. Jogou em Belém, no campo da equipa da Cruz de Cristo, contra o Fátima, cujo presidente é padre. Pior de tudo, terça feira vai jogar a Roma. São demasiadas coincidências e vai dai já acendi todas as velas que encontrei.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Os números não enganam



"José Sócrates, na campanha eleitoral de 2005, diz que 7,1% de desemprego são a "marca de uma governação falhada" e de uma "economia mal conduzida". Em Outubro de 2007, com José Sócrates como primeiro-ministro, Portugal tem 8,3% de desempregados e, pela primeira vez em quase 30 anos, a taxa de desemprego é superior à de Espanha."

via Zero de Conduta

Os números não enganam. 2 anos depois estamos piores. Muito piores. O que vamos fazer em relação a isto?

As noticias deixam-me deprimido. É listas de espera de 5 anos. O aumento da pobreza. As desigualdades e quebra dos salários. O aumento do desemprego. Enfim. Alegrem-se os povos. O futebol está de volta no fim de semana.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

1978_como quem agradece continuarem por aqui

Digam que foi mentira, que não sou ninguém,
que atravesso apenas ruas da cidade abandonada
fechada como boca onde não encontro nada:
não encontro respostas para tudo o que pergunto nem
na verdade pergunto coisas por aí além
Eu não vivi ali em tempo algum

Ruy Belo


Provavelmente um dos anos mais trágicos no já longo caminho deste amargo território. Ruy Belo morreu em 1978, fulminado algures entre Queluz e o Oceano Atlântico, enquanto procurava emprego, depois de lhe ter sido recusado um lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Gaudeamus Igitur, viva a Academia). Depois disso que houve para Portugal? Umas quantas medalhas de ouro nos jogos olímpicos, alguns naufrágios marítimos, um primeiro-ministro morto repentinamente num desastre aéreo, um fortuita carga policial na ponte, vários escândalos políticos, inúmeros cinemas encerrados, alguns emigrantes deportados, as lágrimas de um miúdo madeirense num estádio de Lisboa.

Retornemos então a 1978.

George W. Bush concorre à Câmara dos Representantes e é derrotado pelo democrata Kent Hance.
Bernard Hinault vence a 65ª edição da Volta à França em bicicleta.
A Argentina conquista pela primeira vez o título do Campeonato do Mundo de futebol.


Em Portugal eram 13h15 e em Oeiras nasceu André Alexandre da Silva Costa.

Mas disso nada há para dizer.