O deslumbre artístico de termos uma crítica especializada na arte de nada dizer
Ao longo das mais de 300 páginas deste romance eles estarão sempre em confronto com o modo como cada um os percepciona, e é esse jogo entre o que se entende por real, construção do real, recusa do real, realidade paralela, emoção, sensação, medo, dor, amor e perda, certeza e dúvida, verdade ou veracidade o motor de uma narrativa onde, mais do que nas duas anteriores, vive da procura de um sentido — literal e literário — para muitos dos mistérios deixados em aberto nos dois primeiros romances desta trilogia. O mistério do que une as personagens que os compõem, do que as leva a um lugar e a uma identidade. Não o desvendar dos mistérios que não é suposto terem resposta porque a vida é apenas uma das possibilidades da vida e sobre isso resta a incerteza, como Tordo a escreve numa multiplicidade de sinónimos reveladora, uma vez mais, do seu trabalho de exploração de linguagem que acompanha o da procura de um novo sentido para a sua escrita desde que se lançou neste trio de romances.
2 comentários:
A julgar pelo excerto, que me tira a vontade de ler o resto, a Isabel Lucas é uma artista com X maiúsculo.
a digo mais, a vida é apenas uma das possibilidades da vida.
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