terça-feira, 21 de março de 2017

Voltemos ainda, agora e sempre ao mesmo tema, a saber, trau

O vellhino, oi, joga o manuel Rentes de Carvalho tem sido motivo para reflexões ao nível das mais elementares instâncias, incluindo a excelentíssima senhora, Patrícia Construção do Vazio Reis, o que a todos nos deixa muito consideravelmente, a saber, perplexos. Não comungo da opinião daqueles que, dando o exemplo do sueco, dinarmaquês (ou norueguês) e cito de cor, Knut Hamson, se põem a falar da importância da obra por oposição à pessoa humana, e cito, do escritor. Bastaria por exemplo, pensar no caso único de um parvo como Luís Fernando de Celine Dion, talvez o único a quem se deve permitir ter sido um chapado filho da puta, por ter sido o incrivelmente autor do inacreditavelmente livro Viagem ao Fim da Noite. Mas estes acidentes cósmicos não acontecem, graças a deus, muitas vezes. Em geral, os parvos são apenas parvos, quer enquanto pessoas, quer enquanto escritores, quer enquanto parvos. É o caso de Rentes de Henrique Raposo de Carvalho.

Recentemente, o abominável homem das neves, António Lobotomia Antunes, veio muito eficazmente, palavra de honra, corrigir a péssima imagem deixada a propósito da obra do internacionalmente aclamado José é do caraças Saramago, e nisto, o senhor Antunes resolveu chamar ao cancro, uma puta (imagem a meu ver injustamente exagerada) e de caminho, acenou ao senhor Barata, explicando ainda a genealogia do seu génio (do senhor Antunes claro, do senhor Barata apenas sabemos que é tipógrafo, o resto não interessa) embora o referido senhor Antunes, nos tenha explicado o seu amor à sua obra, ainda por cima, como homem (coitado) martirizado por uma casa carente de elogios, governada por um pai, segundo homem a contar da direita do mais espectacular falhanço ao nível do prémio nobel, e por uma mãe, aparentemente pessoa capaz de exercer as mais violentas pressões ao nível do pagamento de cartas de condução. Ainda referiu, a dado momento, como o augusto autor, em hora felicíssima, optara por se dedicar à escrita, desobedecendo rebelmente à hierática e circunspecta autoridade dos pais, pois se ficara consignado apenas ao magro salário de um chefe de Serviço médico, então, isso sim, andaria agora a vender pensos rápidos nas pastelarias, o que deve ter enchido de comoção literária e remorsos luxuriantes, a seguramente muitíssimo bem paga senhora encarregue de limpar as casas de banho da Sociedade Portuguesa de Autores. Deste modo, o homem vocacionado a escritor, encontrou-se com a sua puta, perdão, o destino: a stand up comedy onde, me parece, teria alcançado fama, fortuna e a felicidade de uma obra à medida dos limites paradigmáticos das suas potenciais capacidades, ou seja, trau.

Muito se poderia dizer a propósito de reprodução social e comédia, a propósito de cartas de condução e literatura, a propósito de sentimentos de protesto e força na coluna para subir a um palanque e estar diante de uma plateia, sem nos rirmos, sem nos mijarmos, sem pedir desculpa por estarmos ali, transformados em forças vivas de uma terapêutica, aplicada aos mais ou menos pulmões destruídos de todos aqueles que, incapazes da referida e descomunal latosa, recusam deixar-se instrumentalizar pela secreta e indomável tendência para nos sagrarmos como agentes da salvação, oremos senhor. Na verdade, também o Rentes de joga o Manuel Carvalho  veio a público defender as suas ideias de escritor aclamado por efeito de livros por mim nunca lidos, nem hipoteticamente lidos, mas folheados, a saber, um neo-pós-realismo, ou para citar António Espectacular Guerreiro, um exercício provinciano e marroquino em hiper-literatura, nomeadamente, a ideia de que os marroquinos estão a roubar o dinheiro a velhinhos, talvez como o senhor Barata, mas em holandês, absorvendo os custos de uma Segurança Social, insuficiente para dar cumprimento a todos os sonhos certa vez sonhados pela República das Letras. Contudo, não lembra do professor doutor joga o Manuel Rentes de Carvalho como também os marroquinos a trabalhar na Holanda talvez ajudem a pagar os almoços dos infinitamente necessários professores de literatura portuguesa em Amesterdão, para não falar da, a saber, tão difundida ideia de que a cultura, perdão, a cultura (sic) joga o Manuel Cultura, é alguma coisa melhor e mais biologicamente necessária ao cultivo do espírito humano do que instalar soalho ao som de Quim Barreiros. Nem só de pão vive o homem, diremos, mas então, se não só de pão vive o homem, mas também de toda a hospitalidade concedida aos marroquinos, vamos lá a ser moderados no tratamento deste delicado assunto que a todos nos martiriza no actual momento.

Acontece isto porque o referido António Rentes jogo o Manuel Antunes de Carvalho insistiu em partilhar connosco as suas ideias para o futuro da Europa (e que belo futuro esse, sem marroquinos, nem transmontanos a quem talvez faltem os dentes), e sempre que os terapeutas da alma decidem partilhar as suas ideias hiper-realistas para o futuro da nossa vida em comum, mostram à saciedade como a literatura é feita, não só de pessoas inteiramente ignorantes das regras do fora-de jogo, como também de todos os bons sentimentos somados à passagem do tempo, somados à tiragem dos jornais, somados à situação específica da nossa ignorância. E isto é particularmente doloroso para todos aqueles que, como nós, não fazem puta de ideia sobre como melhorar o mundo em que vivemos, a não ser, dei-xar-mo (tracinho) nos de merdas e produzir a chamada (vírgula) literatura, incluindo nela a crítica estética (ou seja, a política mastigada) aquilo que nos sai do sangue (e sejam perdoados os nossos, perdão, pecados dada a pouca originalidade) a nós, sim, a nós, os poucos de merdosos, que, a saber, não consideram os sentimentos um material diferenciado da inteligência, e estão apostados em raspar a imaginação com uma espátula, após a necessária aplicação do devido decapante, a ver se caiem sentimentos feridos de inteligência, caso contrário, seremos convocados a conviver em almoços com amigos do elevado calibre de um José Sousa Jorge Tavares Letria de Carvalho, joga o Manuel, Antunes.

Almoços, pois, almoços. O que de modo algum pode ser visto como um caminho aceitável para quem apenas pretende menos espalhafato e mais entretenimento (e contas pagas) a saber, a inteligência sentimental como material plastificado, mas de altíssima qualidade, na medida em que, considerando a nossa particular situação num dado momento, talvez seja legítimo considerar que sempre poderia ser outra a nossa situação num outro diverso dado momento qualquer, e isto, meus amigos, não é relativismo, isto é socialismo democrático, ou seja, isto é o contrário da pessoa humana, no fundo, é ter a dolorosa consciência daquilo a que todos, e lamentavelmente, aspiramos, agora ainda e sempre (com mais ou menos talento) ou seja, sermos aclamados qual santinho imóvel e pacificado a luzir no altar do futuro.

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S. Sebastião a ser curado por Santa Irene, Niccolo Renieri, 1625.

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