sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Humanidade de Humano, isto é, coisas que por vezes nos retiram do enquadramento racional pelo qual pautamos toda a nossa existência


Alegadamente esta prosa poética (trau) é do grande camarada Gonçalo M. de Maricas Tavares e estou fodido com esta merda, apenas por minha culpa, minha tão grande culpa e peço à virgem Maria que venha esclarecer o auditório sobre a seguinte questão, a saber, dois pontos, ou seja (:)

Então a Matemática tem possibilidade de acertar muito? Saberá o senhor teu Deus quantas horas de estudo e trabalho são necessárias até se produzir alguma coisa de relevante reconhecidamente conhecida e consagrada no reino da matemática? As possibilidades da Matemática acertar não são melhores, nem piores, são mais difíceis, pelo menos num universo cuja unidade de medida sejam as calorias consumidas em actividade intelectual a dividir pela quantidade de tempo, isto é, na Matemática é mais raro aparecer um gajo com alguma coisa de novo para dizer, devido à estrutural e utilitária natureza desse mesmo saber, havendo mais gado no curral, os bodes são obrigados a trabalhar mais e melhor, isto não excluindo a natureza natural do ponto de partida (ou seja, o povo diz, o jeito) sendo que muito ou pouco são conceitos relativos, quer dizer que a cada um a sua cruz, ou seja, quer dizer que raridade é o contrário de abundância, abundância de bunda, isto é, cus de judas, escambal, ou o caralhinho, ou seja, cena difícil de suportar, como sabemos, Judas enforcou-se por trinta dinheiros, um valor de peso e quantidade indeterminada (dada a natureza entrópica do tempo) cuja solução, análise, incluiria um grupo de competências matemáticas e científicas, a fim de obter uma equivalência de custo em dólares de 2016. Já a escrita (escrita de escrever, de foder, de errar, de bajular) permite errar muito, ou seja, é o reino dos coitadinhos, é o país dos gajos que tendo qualquer coisa de inteligência, não chega a ser o suficiente para enriquecer em paz de espírito e comer as gajas suficientes sem ser necessário andar a visitar todas as capelas.

A ideia de mapa é uma ideia de utilidade social, olha o gajo, julgando que estamos todos a dormir, o gajo perdeu o mapa e é traduzido em trinta línguas, finalista do prémio Femina e professor senhor doutor catedrático na Universidade, então quanto aos gajos que como eu andam aos coices com o Orçamento de Estado a mendigar euros, perderam o quê? Perderam a dignidade, a humanidade, a qualidade de pessoas especializadas em parecer pessoas.

Quanto aos instintos mereceriam outra nota explicativa mas calma camaradas, eu bem sei quanto de mim neste momento arde de ressabiamento - naturalmente mais natural do que o instinto, a raiva, a raiva é muito humana - ou de inveja, ou de inclinação (infantil, adolescente, decadente) agressiva - talvez por infelicidade, talvez por coragem mental, talvez por indigência disciplinar, talvez por defeito de fabrico, talvez por casual bebedeira, talvez por que me apetece, talvez porque faça falta animar a malta, talvez porque sagradas são as armas quando só nelas reside  a esperança, talvez porque é preciso esmagar os orgulhosos, talvez porque seja importante o amor, talvez porque o que importa não é a literatura, mas chamar o gerente e dizer, senhor gerente este galão está frio, talvez porque esteja tudo bem, quando os mestres convocam os seus discípulos para a oração, talvez porque o reino de Deus esteja próximo, talvez porque no fundo, no fundo, para lá de quem me ama, privadamente, intimamente, sei bem que não preciso da literatura, nem dos vomitórios, não quero discípulos, nem festas de conjunto e tenho horror a celebrações, isto é, sou um gajo que gosta de acertar.

2 comentários:

Anónimo disse...

Gosto de m. tavares, mas o que me lixa sempre nele (ou nos que idolatram) são merdices destas:

"(Recordo, por exemplo, uma sessão na escola Escrita Criativa Online, em que o escritor, colocado perante uma disposição de cadeiras em forma de sala de aula, decidiu colocá-las em círculo. “Somos humanos, não somos gado”, soltou.)"

É que isto era o que faziam na catequese; era o que fazia uma prof incrivelmente feia que tive no liceu de uma disciplina que se chamava introdução às tecnologias de informação; isto era o que fazia o mister manel quando nos queria explicar qualquer merdice sobre futebol no clube onde eu joguei quando era puto, não em cadeiras, mas sentados no pelado, como é evidente... E por aí adiante. E porquê? Claro, porque de facto somos humanos. E é no fundo é essa a grande inovação de m. tavares, descobriu que somos humanos...

"Dentro de cem anos, arrisco, Gonçalo M. Tavares será o novo Eça, o novo Saramago, o novo Pessoa."

Mas como? Novo Eça? Novo Saramago? Novo Pessoa? Dentro cem anos ou daqui por cem anos?

Mas o que é isto? Mas que merda é esta?

E o quantos anos faltam para o zé mário branco ser considerado o bob dylan português e ganhar o prémio leya?

????

R. P. disse...

siga na luta para desmascarar o bicho. São precisos mais como tu para que seja mostrada a indigência do Tavares e a sua suposta filosofia de café. É preciso, é mesmo urgente, desmascarar este tipo e as suas obras e a sua suposta filosofia. É que irrita ver um tipo cujo talento para escrever é igual a zero ser ídolatrado pela crítica. O que demonstra bem o estado a que chegou a nossa crítica.