quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Aguenta: não chora.



Qualquer dúvida urgente da jornalista, comediante, nóbel da paz, representante do Magrebe e enviada especial ao reino dos sete-dias-por-semana-são-para-escrever-um-livro, a doutora Alexandra Lucas Guerreiro Coelho ou mesmo do meretíssimo magistrado, o senhor professor e almirante António Alexandra Lucas Guerreiro, sobre o que possa vir a pedir-se a todo o artista que é artista, e sabe ser artista, é consultar este Verbete da enciclopédia Luso-brasileira. Se ainda assim, permanecerem dúvidas sobre o destino do escritor numa sociedade sem apoios, sem classes, sem auxílio na montagem de móveis do Ikea, sem solução estirpada, estripada, estilhaçada de ambiguidades no que ao uso do vídeo-árbitro diz respeito, e sobretudo, mas não esquecendo, sem tremoços no acompanhamento da imperial, amanhã mesmo, viremos a este mesmo local de paraíso, esclarecer todas as dúvidas restantes, incluindo as dos leitores crentes na literatura especulativa em torno das aparições de Fátima, pois como todos sabemos, em teu ventre, Maria, Sara, Ana, Lúcia, ou seja, Lucília Baptista, perdão, em terra de cegos, quem tem um olho é cronista do Público: eis o que se pretende demonstrar.

Sem pinga de ressentimento ou ideias desagradáveis a uma pessoa que só poderia um dia ousar um fraterno abraço a uma tangente (muito hesitante) a qualquer actividade socio-paneleira, no caso de esse dia, ser o dia em que Rousseau descesse novamente à terra, prometo por minha culpa, por minha tão grande culpa, fazer todo o possível por explicar o dilema económico de um mercado para o trabalho intelectual, sem ultrapassar o intervalo psicadélico de uma geração, ou seja, pretendo não violar os limites tecnológicos de um belíssimo texto intitulado «O que é uma cotovelada», texto esse, digamos, elaborado com o escasso tempo roubado ao bem remuneradíssimo labor da minha tão convidativa vida de visibilidade permanente, em prol das mais diversas actividades ciganó-culturais, nomeadamente, a intoxicação alimentar com chamuças estragadas num café-bar-restaurante, propriedade de imigrantes minhotos, a saber, O areal. E isto, caros concidadãos e irmãos em Cristo, sem passar pela casa da partida, sem seguro de saúde, sem receber dois contos, sem nunca ter ido ao Brasil (deus nos livre de morrer sem lá ir) sem rebentar o sistema nervoso central, e ainda antes de o galo cantar e o sol voltar a ser decapitado pelo rolar irreversível da grande noite que a todos nos deu vida.

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