segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A literatura estará sempre a bordo de um comboio de refugiados

Refugees in Croatia
Refugiados sírios a bordo de um comboio algures na Europa, em busca de uma vida melhor, ou seja, da literatura.


e não entre as páginas do paneleiro (filho de retornados franceses da Argélia de classe média alta) do Michel Houellebecq, pelo simples facto de a literatura se transmitir por incubação de cérebros inteligentes, sensíveis, educados, cultos, corajosos, moralmente rectos e com influência intelectual, e de época para época, por sobre as vastas areias do deserto do tempo, e não segundo a agenda dos burros dos jornalistas culturais e restantes pessoas convencidas de que o seu tempo (com respectivas manias, preconceitos e medos) representa mais do que um grão de areia na já longa vida deste vasto e envelhecido planeta.


Michel Houellebecq.
O paneleiro, ressentido, burro e cínico do Michel Michele Houellebecq

A religião é uma estupidez? É. A literatura é uma estupidez? É. O Islão é a religião mais abrutalhada e perigosa de todos os tempos? Não sei, as religiões são todas abrutalhadas e perigosas, já tivemos a nossa conta com o cristianismo; felizmente, enquanto reinaram os papas e cardeais, não existiam bombas, senão tinha sido o bom e o bonito, felizmente, depois, veio o iluminismo (já em curso no mundo árabe). A literatura de escândalo é o ramos mais burro, estúpido, ignorante e perigoso da vida intelectual? É. Temos medo? Não. Acreditamos nas pessoas? Sim. Gostamos do paneleiro do Michele Houellebecq? Não. Gostamos de mulheres Sírias e Libanesas? Sim. Gostamos de terroristas? Não. Temos medo? Não. Somos irresponsáveis? Talvez. Sob a ameaça de decapitação por uma cimitarra, seríamos capazes de manter este tom espirituoso? Não sei, deus nos ajude, queremos acreditar que sim. Mas isso não importa, o instinto de sobrevivência cancela muitas vezes a razão, o que não invalida a exercício da crítica, e o triunfo da inteligência, da bondade e do raciocínio ético, assim alguém venha tomar o nosso lugar, se por acaso a nossa cabeça rolar sobre as areias do deserto, combatendo com as palavras (até onde for permitido não usar bombas e helicópteros ou drones) todas as formas de obscurantismo civilizacional, não digo violência religiosa, pois toda a guerra é uma guerra religiosa, ou não fosse a nossa religião contemporânea e ocidental-europeia, a mais fanática de todas, ou seja, a tecno-democracia.

Não acreditamos no céu, mas gostamos da vida; não estamos em sofrimento, nem queremos o sofrimento, e muito menos nos verão a propagandear o sacrifício e a austeridade financeira (só advogamos a austeridade literária, o sacrifico estético e a coragem intelectual).

Vivam os povos de todo o mundo! Vivam os religosos moderados e sábios de todo o mundo! Viva a inteligência, a crítica e a razão! Viva o prazer orientado pelo sentido estético. Viva Kant e o iluminismo. Viva Rousseau com seu aríete crítico e coragem intelectual! Viva Voltaire, com sua erudição bibliotecária e bom perfume francês, a arte de bem vestir e a boa comida. Viva a oportunidade de todos virem para a Europa (e lerem Kant, e Rousseau e Voltaire, e usarem perfume francês e provarem da boa comida) e concretizarem o sonho de uma sociedade laica (com respeito jurídico pela religião privada e guerra intelectual pública ao obscurantismo religioso). Vivam as mulheres bonitas e as feias. Vivam os biquínis e os lenços negros das nossas avós, ignorantes e preconceituosas (que é preciso combater) a rezar o terço em capelas obscuras. Viva o sul da Europa (e as suas pulsões fascistas, que é preciso combater). Viva o norte da europa (e as suas pulsões nazis, que é preciso combater). Viva a Europa de Leste (cheia de gajas boas e gajos burros, medrosos e violentos, que é preciso combater). Viva Portugal (cheio de racistas envergonhados, analfabetos endinheirados e políticos medrosos, que é preciso combater).


A cantora libanesa embaixadora da boa vontade da Unicef, Nancy Ajram.

Tenhamos calma. Vai tudo correr bem.

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