sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Pessoas do facebook, causas nobres, co-adopção e mangalhos: não há nada que o humor não resolva, a não ser problemas de inteligência e domínio da linguagem escrita.

Era do conhecimento mundial e inter-galáctico o facto de algumas das referências do humor nacional serem pessoas de um gabarito mental, cultural, intelectual e até mesmo coisa e tal, com prova de competência e génio cabalmente dada em todo o mundo, excluindo o estrangeiro - para citar um poeta popular minhoto - mas ninguém estava preparado para a demonstração de inteligência, classe, elegância, sabedoria política e consistência, protagonizada por dois dos mais promissores, que digo eu, dois dos mais seguros valores da comédia, que digo eu, dois dos mais estabelecidos pilares do teatro mundial. A inigualável intervenção foi feita a propósito da mais recente e fundamental polémica, o referendo (referendo) a propósito da liberdade de adopção por casais homossexuais (é isto?) aprovado na Assembleia da República pela nojenta coligação CDS-PSD.

É verdade que existem matérias controversas na sociedade, e divergência de valores relativamente a coisas absolutamente irrelevantes como a utilização das vantagens oferecidas pelos meios de comunicação de massas a certos indivíduos, mais tarde protagonistas de campanhas publicitárias a cargo de instituições financeiras que, como é do domínio público, têm sido de uma competência, justiça económica e previsão de perdas, da mais rígida e inflexível deontologia. Devo dizer que algumas dessas instituições, tanto bancárias, como de comunicação de massas, têm merecido a honrosa colaboração dos nossos jovens humoristas, que a classe média, os professores, as pessoas de cultura (pilares da nossa pátria, sustentáculos do desenvolvimento industrial, científico, e coiso e tal) seguem com humilde e generosa afeição (como em seguida se fará prova) sendo as mesmas respeitáveis, e generosas, instituições colaborantes e mecenas dos nossos promissores talentos. Os jovens atores são por isso, e justamente, financiados pelo regime fiscal da nação (onde se incluem pretos, homossexuais, ciganos, economistas, jornalistas e até sócios do Sporting) sendo as referidas instituições, tanto bancárias, como de comunicação de massas, note-se, totalmente alheias aos problemas por que passa o país, instituições que tão justamente têm sido denunciados pelos nossos jovens humoristas, é bom lembrar, nos intervalos dessas mesmas instituições financeiras despejarem as betoneiras de dinheiro no seio das referidas instituições, tanto bancárias, como de comunicação de massas, isto sim, um abençoado e gloriosamente chavascal badalhoco. Agora, aprovar um referendo popular sobre uma matéria política de interesse coletivo? Consultar as pessoas? Isto é típico do mais retorcido fascismo. Quero dizer, no entanto, que o importante aqui não é a matéria em apreciação, mas sim o estilo e a sabedoria dos nossos coerentes e vigilantes humoristas, monumentos vivos à vitalidade democrática e ao saudável culto da cidadania.


Escolho dois exemplos de esforço, competência e abnegação. Em primeiro lugar, Gonçalo Waddington - um génio da palavra e do mangalho verbal - e concluirei com uma pequena nota sobre Bruno Nogueira - o pernilonga de uma generosidade sem limites que gosta de fazer humor inteligente perante pesos pesados da nossa pátria como Margarida Rebelo Pinto ou jovens inconscientes do Facebook - e toda a gente sabe como são perigosos, poderosos e letais os jovens inconscientes do Facebook. Comecemos por esse surto viral, de uma esfusiante competência linguística, acuidade crítica, humor fino, poderoso, crítico e inteligente, espalhado por todas as pessoas de bem, nas redes sociais, da autoria de Gonçalo Waddington, um texto agraciado com 33 mil 181 likes, com o qual fui confrontado, e em muito má hora, pois desde então, deixei de chamar a mim mesmo pessoa esclarecida que escreve, pois não sou digno de passar os olhos pelo seu Facebook :


Acho que os deputados do PSD deveriam encontrar-se todos em casa de Passos Coelho e dividir-se em dois grupinhos, meninos para um lado e meninas para o outro, distribuir os peluches que haverá lá por casa (pelos ditos grupos) e brincarem aos papás e mamãs. Mas brincar à séria!, com coiso-no-coiso e cena-na-cena, e boca-no-coiso e cena-na-boca, e dedo-na-cena e coiso-na-mão.
"Afinal, não é assim tão diabólico, isto de arrefinfar com malta da mesma equipa!", dirá um. "Realmente, tens razão! Estou confusa." dirá uma laranjoca. E concluirá Passos Coelho, o flósofo: "Camaradas, eis a verdade dos factos: jogar ao tira-mete, ao saca-põe, ao toca-aqui-e-não-digas-que-é-inconstitucional, ao rega-me-com-a-lei-branca, à malha-e-esgalha, ao arrefinfa-com-pau-de-sebo-mas-não-escorregues-antes-de-mim, à barbie-badalhoca, à carlota-cambalhota, e todas essas brincadeiras que antes pensávamos serem fruto do demo, não passam, afinal, disso mesmo: brincadeirinhas.


Gosto da ideia de arrefinfar com malta da mesma equipa e é uma pena não ter sido deixado claro pela prodigiosa inteligência de Gonçalo Waddington, se aqui se refere à equipa política ou à equipa de preferência sexual, não sendo para o efeito inteiramente decisivo, pois julgo que o argumento principal é tentar imaginar a bancada do PSD a protagonizar cenas de sexo selvagem, em princípio entre pessoas do mesmo sexo, e com peluches pelo meio (eu preferiria algemas, sapatos de salto, meias até à coxa) mas reconheço que os peluches não devem ser descriminados no que respeita ao sexo e tenho-me perguntado o que será de TED, o urso, na vida adulta, dado o regime de abstinência a que tem sido submetido pela sociedade de consumo. Note-se a fineza do raciocínio lógico e a erudição histórica, quando se associam as brincadeiras alegadamente sugeridas aos  mefistofélicos deputados do PSD e o facto dos mesmos mefistofélicos, ignorantes, bezerros deputados do PSD padecerem de visões sobre a função sexual, inteiramente associadas a práticas satânicas, quando são só brincadeirinhas, sobretudo quanto metem peluches. No fundo, são só brincadeirinhas. Iluminado por esta ideia, estive durante dez minutos, com um urso na mão, a tentar convencer uma escultural funcionária de uma loja de roupa, a contribuir para uma brincadeirinha que me ocorreu, mas ela não se mostrou muito colaborativa, e, nada contente, ameaçou mesmo chamar a polícia. Das três, uma: 1) ou algo de muito errado se passa com a minha imaginação; 2) ou não se trata apenas de uma brincadeirinha; 3) ou não consegui acompanhar a argumentação do genial ator, e devia ter procurado uma escultural deputada do PSD, a fim de obter a devida companhia para a brincadeira (salvé Marco Paulo).

Isto não é para qualquer um meus amigos, isto só está ao alcance dos predestinados. A diversidade e abrangência da crítica demolidora do jovem ator não tem limites e desfaz inteiramente a repugnante decisão levada a cabo pela Assembleia da República, esse antro de malandragem.

Brincadeirinhas de seres racionais e criativos que, em tempos remotos, descobriram diferentes usos para as suas berlaitas e para as suas podengas, qual cena do 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO, em que o primata descobre que ao bater com o osso provoca destruição. Neste caso, confirma-se que o uso das nossas espadas, (e permitam-me a piada, camaradas, "espada com espada também dá uma bela berlaitada!"), ou das nossas covas-do-amor, no caso das camaradas, (e perdoem-me a comparação bélica, camaradas, mas as vossas pachachas fazem lembrar as covas-de-lobo, armadilhas em forma de cone invertido, que o nosso saudoso Dom Nuno tão bem utilizou em Aljubarrota).

Aqui o leitor fica desarmado e sente uma vontade irreprimível de se levantar e aplaudir de pé, onde quer que se encontre, em casa ou na oficina, no estaleiro metalúrgico, com o maçarico, ou na planície alentejana, de foice na mão, no cimo do prédio em construção ou a bordo do cargueiro, é indiferente, pois quem de entre nós se lembraria de relacionar o macaco de Kubrick, agitando o osso da destruição, o poder criativo do sexo, a berlaitada, a teoria da evolução, e uma votação na Assembleia da República? E tudo isto de forma clara, objetiva e estruturada, de forma a que o argumento sobressaia com a clareza de um Shakespeare, que digo eu, Shakespeare está para Wadington tal como uma formiga está para um elefante. Mas preparem-se, preparem-se, pois quando a erudição histórica e a mestria da linguagem se juntam com a indestrutível vitalidade da indignação moral, o poder criativo dos jovens atores (animado por um claríssimo talento para a escrita) desfaz as correntes de aço deste quotidiano austero que nos amarra, e pelas mãos da arte e dos seus mártires adoradores, esvoaça pelo espaço, prometendo aos homens e mulheres injustiçados o dia da libertação. Sim, o referendo será derrotado. Mas enquanto não chega esse dia, demos alimento à nossa inteligência.

Ainda me dói o rim, e aposto que ao leitor também, em virtude dos espasmos causados por essa piada imortal : "espada com espada também dá uma bela berlaitada!". A Revista à Portuguesa, Lá Feria, Fernando Mendes, Marina Mota ponham os vossos olhos nisto, e até mesmo a defunta Ivone Silva, que se levante da tumba, pois Shakespeare não é digno deste génio: estes prodígios não se deviam conspurcar, escondendo sob a capa de um autor bolorento e ultrapassado - que nada lhes dá a ganhar - a verdadeira força criativa da sua pena, pois quem escreve assim não deve temer a cruel foice do tempo. Se não, vejamos. Não sei se notaram (isto não é acessível a todos) mas quando se referem as covas-do-amor associando-as às pachachas das senhoras deputadas (uma coisa só ao alcance dos grandes) está a querer demonstrar-se agora não me lembro o quê, e tenho pena de não estar à altura de Wadington, mas sei muito bem que a ponte analógica entre as covas-do amoras covas-de-lobo, (relembro, armadilhas em forma de cone invertido, que o nosso saudoso Dom Nuno tão bem utilizou em Aljubarrota) está muito justamente a denunciar a ligação entre nacionalismo, marialvismo guerreiro, beatice, genitália feminina, representação parlamentar do PSD, estratégia militar e a discussão pública sobre co-adopção, tudo numa saborosa e biologicamente autêntica caldeira de peixe capaz de desarmar os mais conservadores argumentos. Wadington, incansável, retoma a refrega, animado pelo exemplo de D. Nuno:

Mas, dizia eu, que estas brincadeirinhas, afinal, não nos modificam em nada, camaradas. Continuamos a ser os mesmos canalhas que éramos antes deste encontro pseudo-badalhoco. (Digo pseudo porque, afinal, não me sinto assim tão badalhoco. É pena... Mas o dogma, qual mangalho desgastado pelo exercício, também cai.) O que me leva a pensar o seguinte: Os meus filhos seriam os mesmos anormaizinhos que o são hoje, fosse eu um invertido e fossem eles adoptados. Sim, camarada Poiares Maduro!, serias o mesmo mentiroso de sempre, sendo filho de duas Safos de Lesbos ou de dois Variações. (Quem te dera, camarada!) Nunca saberemos se, ter dois pais ou duas mães, é melhor ou pior para uma criança. Mas, não podemos, à partida, assumir que é mau para os "piquenos".

Não sei se os leitores repararam mas Wadingotn, num golpe de mestre, abandona a influência Pasoliniana (não digo Sade, pois Sade era um repelente aristocrata) utilizando um tom mais introspetivo, comovendo o leitor, ao jeito do gladiador que, após vencer o mal, lambe as suas feridas, e ainda que os dentes possam ainda ranger, sob o efeito da indignação, a certeza de quem está do lado certo da história, permite assumir o canto profundo e cavernoso dos grandes momentos. E então Wadington lembra que mesmo após as mais mirabolantes cambalhotas sexuais, mesmo após termos introduzido todas as partes do nosso corpo em todas as restantes partes do corpo dos outros, nunca se tratará de badalhoquice, pois continuamos a ser os mesmos, e é bonito ver como este bonito pensamento, que em tudo se relaciona com os problemas da co-adopção, fica a ecoar nas nossas mentes: os canalhas deputados do PSD serão sempre os mesmos canalhas, mesmo que se entreguem a relações sexuais uns com os outros. Onde já se viu profundidade de raciocínio como esta, em matéria de decisão política? Aliás, é visionário o nosso ator quanto compara o dogma a um mangalho (e não entro sequer nas delícias da aliteração). Mas ó excelência da ironia, Gonçalo Waddington, o libertário, permite-me apenas destacar um tipo de mangalho que nunca se desgasta, nem quando submetido ao mais recorrente e sistemático exercício: a inteligência das pessoas ditas da cultura. Com efeito, estão sempre prontas a sacrificar os seus mangalhos criativos em defesa das causas nobres, e sempre recorrendo aos mais inteligentes e eficazes poderes da linguagem, essa matéria incandescente dos poetas, que todos amamos e na qual gostamos de nos lambusar, não fosse um isso uma enorme badalhoquice, que é, como todos sabem, um monopólio dos deputados do PSD. Depois, veja-se com que elegância chama mentiroso a Poiares Maduro, sugerindo, com pensamento de lince, a reles condição do constitucionalista (ou lá o que o gajo é, confesso que não sei) pelo facto de não ter beneficiado da convivência com pessoas escolhidas por um critério de preferência sexual. Não julgue o leitor distraído que Wadington entra aqui em contradição, incapaz de manter a consistência lógica de um raciocínio durante mais de trinta segundos. Não, está apenas a passar uma certidão de incompetência a todas as pessoas do PSD que não convivem com a poesia de Safo e a música de António Variações, uma pessoa que vestia manifestamente mal, mas seria muito incorreto entrar por aí.

Por fim, o desarme, a característica dos grandes génios: após insinuações sobre a pachacha das senhoras deputadas (algumas com idade para serem mães de Gonçalo Waddington, um pormenor neste terreno da igualdade e do combate por causas fraturantes) e sobre o mangalho dos senhores deputados, Waddington recorre à linguagem do Batatinha (como sabem, um famoso artista de circo) e sugere, com a humildade que o caracterizou ao longo de todo o texto, que não devemos à partida considerar que ter dois pais ou duas mães, é melhor ou pior para uma criança e qual Séneca do século XXI, remata com um aforismo:

 Seríamos tão mais felizes se fodêssemos mais e melhor.


Haverá leitor capaz de discordar disto? Bem, no meu caso, depende do parceiro, pois julgamos que o desespero masculino não chega a esse ponto. Em todo o caso, há um problema relacionado com rendimentos marginais decrescentes, e tenho algumas dúvidas sobre a exata localização do ponto ótimo entre o mais e o melhor no que respeita a sexo, mas uma coisa é certa: se fodêssemos mais e melhor (e encontrada a eficiência do modelo tendo em conta as variáveis a)felicidade, b) mais e c) melhor) é seguramente uma verdade indesmentível que teríamos com certeza menos paciência para irrelevâncias e artistas medíocres, o que, sem dúvida, não abona a favor da minha pessoa. Não posso terminar sem referenciar, justamente, o outro génio do teatro nacional, Bruno Nogueira, um homem capaz de envergonhar Garrett.

No seu Facebook escreveu:

A ideia de que qualquer membro da bancada PSD pode adoptar uma criança não deixa de ser constrangedora. Isso sim, merece um par de referendos.

Repare-se no fino tratamento do português, na sintética potência das ideias: duas frases como dois chifres perseguindo o nojento toureiro social democrata e democrata cristã, dois murros no sofisma político, numa palavra, um artista. Entretanto, no meio dos mais variados elogios, um aluno de Liceu, chamado Afonso, escreveu a seguinte atoarda: 

achas bem a paneleiragem adoptar crianças?

Vergonha das vergonhas, os alunos do liceu a dizerem tolices, onde já se viu? Isto é intolerável, isto merece uma correção, isto é digno de uma resposta em conformidade. Que podia fazer Bruno Nogueira senão responder à altura? Julgam que ignorou esta violenta crítica de consequências devastadoras? Julgam que respondeu de forma irónica, desmontando o insulto gratuito e a falta de educação? Julgam que respondeu de forma cordial, mas fazendo ver a injustiça e a leveza deste tipo redução patética? Não, nada disso, Bruno Nogueira, com a inteligência que o carateriza, apontou direito à cabeça da hidra, anónima e repugnante, e decepou-a:

Bruno Nogueira Oficial Afonso, acho bem pessoas como tu sofrerem de morte súbita, por exemplo.
São gostos.


Com criadores deste calibre, Portugal está salvo, e os badalhocos parlamentares não tardarão a ser confrontados com a justiça, pois é difícil encontrar um meio de comunicação de onde não saia, vigilante e generoso, um potente humorista, sempre abrangente, sempre com soluções, sempre coerente, sempre fundamentado no seu raciocínio político, sempre elegante, sempre profundo. Até admira que exista quem tenha medo do futuro.

 

11 comentários:

Anónimo disse...

Waddington? nem conheço. E os engraçadistas oficiais não me comovem.
Mas francamente, tanta azia é suspeita de ser militante. Se não for, cuidado - parece mesmo muito.

alf disse...

Caro anónimo:

Sou monumento vivo em favor da azia, para além das chorudas comissões de que beneficio na indústria farmacêutica, desempenhando ainda cargos de altíssima relevância em ambos os partidos do arco da confusão. Nas horas vagas permito-me a mim mesmo respeitar todas as pessoas em geral, sobretudo as que não pensam como eu.

Anónimo disse...

mas que merda tão espectacularmente desinteressante, foda-se!

caralho.

os gays são desinteressantes.
os referendos são desinteressantes.
o gonçao washington dc tem pinta de beto e dada a incapacidade desta sub-espécie em produzir e peceber o que quer que seja de parecido com humor, é desinteressante.
o bruno nogueira se tivesse menos 20 centímetros, ou seja, se fossse uma pessoa normal (não tenho nada contra pessoas altas... ok.. tenho um bocadinho) não tinha o "sucesso" que tem e, não por isso, mas por não ter piada, é desinteressante.
este texto, pastoso como pa caralho, é desinteressante.
eu sou desinteressate.

foda-se.

que os gays adoptem quem quiserem, caralho!

Vincent Poursan disse...

Prólogo e Epílogo e Declaração de Interesse
Antes de mais, o “referendo popular sobre uma matéria política de interesse coletivo” não foi aprovado pela nojenta (parece que também dás uma perninha na ironia) coligação CDS-PSD.
E ainda, que acho piada ao Bruno Nogueira (que ouço na TSF) mas não frequento o Gonçalo Waddington (cujo texto li a partir do link do teu texto e me divertiu)
se houve um período em que por razões pessoais não te li aqui, ultimamente tenho-o feito, e quase sempre com gosto que não hoje.

Capítulos I, II, III, IV, V e etc.
Alf, uma ofuscante promessa na penumbra da crítica literária nacional (“mil sóis” prós iniciados no seu convívio), é um homem discreto. É certo que se lhe adivinham solitárias batalhas com conhecidos assassinos onde brande letais metáforas esculpidas com os “mais inteligentes e eficazes poderes da linguagem, essa matéria incandescente dos poetas”, mas sempre envoltas em romântico nevoeiro semântico seja numa eira da Sicília ou numa praia galesa, e travadas no recato de extensos e frondosos bosques de prái milhares de caracteres.
O que se sabe em concreto é a sua contumaz queda pra marrar com comboios que, até hoje, teimam em passar no ramal do lado.

Na manhã de 17 de janeiro de 2014 granizou em Benfica. Pelo início da tarde asneirou-se em S. Banto. Ao cair da noite alf fuzilou dois humoristas no Elogia da Derrota. E porque é que ele coseu a zagalotes semânticos os dois humoristas? Perguntam agora os leitores que aqui chegaram. Porque eram dois típicos retorcidos fascistas, e ajavardaram (ao que parece em prosa ligeiramente licenciosa no conteúdo, moderadamente afastada da tradição russa no significado, e francamente descentrada da matriz do eixo Shakespeare/Camões na forma) a aprovação dum “referendo popular sobre uma matéria política de interesse coletivo”.
E prá morte ser ainda mais canalha misturou nos zagalotes redondas metáforas de humor (que apreciei na forma). Tomem lá suas bestas, provem lá do vosso veneno! Tomem e vão buscar.

De resto não se registaram incidentes na zona do Castelo do Porto nem o McNamara foi a surfs no “canion” da Nazaré. Foi um dia calmo, até porque as referências à teoria das vantagens comparativas, às leis da hereditariedade, às teorias das estruturas dissipativas e evolução das espécies, ao bosão de Higgs e à técnica do William Carvalho, foram devidamente registadas em posts fracturantes (ah, e também se falou bué na angustia da influência e na centralidade do Shakespeare no cânon ocidental).

Já agora mais um Epílogo
Caralho alf… porque razão perdeste tempo a escrever esta merda.

Sempre atento e venerado leitor dos teus posts, mas lá por isso não tas poupo
V. Poursan

ngoncalves disse...

Não percebi bem o que sucedeu. O governo aprovou o referendo sobre a adopção e isso chateou os tipos que nunca mudaram uma fralda a um bébé nem planeiam as férias em função do calendário da creche ?

O que seria necessário para os contentar, o governo tornar obrigatória a adopção por homossexuais ?

Anónimo disse...

Sr NG: vá adoptar uma criança

ngoncalves disse...

Irei, assim que me explicarem qual é o mal do referendo.

No Declínio e Queda, comparam a adopção de crianças com o divórcio e o direito de voto das mulheres.

Mas está tudo doido ? Ou eu estou demasiado estrangeirado e já me esqueci de como funciona Portugal ?

Haverá um referendo, os defensores da adopção expõem os seus argumentos. Os da oposição fazem o mesmo. O povo bota a cruz onde bem entender.

Qual é o problema se o resultado do referendo for contra a adopção por homossexuais ? Ou se for a favor ?

Acham que o debate não vai ser civilizado ? Experimentem usar argumentos em vez de insultar com caralhadas de muito mau gosto literário quem pensa de forma distinta.

Anónimo disse...

Pois, também não vejo nenhum problema se no referendo para introduzir a pena de morte o sim ganhar.
Afinal, O povo bota a cruz onde bem entender, não é?

Quanto ao "vá adoptar uma criança" era metáfora, não sei se reparou. O que está subentendido é uma caralhada

ngoncalves disse...

É pá.... vamos por pontos.

A pena de morte não tem relação nenhuma com a adopção por homossexuais.

Os referendos fazem parte do processo democrático. Eu também não queria o Paulo Portas no governo, mas ele lá está.

Pessoalmente sou contra a adopção por homossexuais (mas se vasculhar nos posts verá que no passado fui relutantemente a favor). Mudei de opinião porque tive o descaramento de enfrentar os meus próprios argumentos e ouvir opiniões diferentes.

No processo nunca precisei de invocar a genitália humana.

Rantanplan disse...

ok, tudo bem, claro que temos todo o direito de defender a nossa posição.
O que eu não gostei foi do tom galhofeiro/demagógico do comentário sobre um assunto que por acaso é bastante sério.

Mas tem razão, o problema deve ter sido meu, uma breve ausência de sentido de humor

ngoncalves disse...

Pois, e' o problema das conversas online. Faltam as pistas nao verbais, que dao contexto ao discurso.

Eu tambem fui ironico, o que nao ajudou.