sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Naturalmente, caro binary solo, depois de todo e qualquer post, bebem-se imperiais e assiste-se ao Sporting Clube de Cascais-Estoril versus Futebol Clube do Porto.

Como a imprensa portuguesa não garante aos cidadãos o devido esclarecimento sobre todas as coisas, somos forçados a sustentar, com a simples força dos nosso braços, o único suplemento literário da nação onde o peso dos cérebros dos colaboradores, todos somados, não é inferior ao peso de uma lata de atum. Se Eça de Queiroz escreveu sozinho um jornal em Évora, garantindo o conto, a sátira e a notícia, o que nos impede de prosseguir esta simpática tarefa, e recuperar uma imprensa literária digna das nossas leitoras e leitores, recriando o folhetim, uma atividade que formou penas tão vibrantes como Dickens e Flaubert? É certo que o ilustre futuro cônsul em Bristol era, na época, olimpicamente financiado pelo proprietário de latifúndios, Eugénio de Almeida. Porém, nós somos financiados pela generosidade das pessoas inteligentes e combateremos a sombra até a conta bancária o permitir. Depois, venha o dilúvio, a mim não me vestirão as calças de merceeiro. Na verdade, servimos o público, nada mais. Poderá haver casamento mais feliz, onde se junta o socialismo democrático e a mais pura aristocracia de espada? Pensemos em conjunto. Estaremos assim tão enobrecidos em espírito que já só consumimos prosa encadernada em lombada de couro? Vamos lá a percutir essas tabletes adquiridas por graciosa oferta durante o Natal e a comentar aqui os textos, pois nada de mais fértil do que uma boa polémica.


A todos os ansiosos, anuncia-se para breve o Capítulo II de O rapaz da periferia (António Antão e o nosso narrador, muito menos omnisciente do que seria desejável, ainda antes de dinamitarem as colunas do templo, isto é, ainda antes de se confundirem no tumulto selvático a que chamam a Universidade, atravessam o longilíneo e delirante salão festivo de uma candidatura política no nosso Portugal democrático, onde desde os laçarotes em papel crepe, passando pelas pirâmides de camarão em bandejas de prata, até aos suspiros apaixonados das secretárias administrativas em vários departamentos municipais,  tudo é motivo para o leitor fazer juras de fidelidade à importância da cultura como alucinogénio). Nada, nada, chiça. Na medida em que estou a braços com um estudo detalhado da obra em seguida ilustrada (tema a que não fugirei, lavrando um outro post alusivo, com pelo menos 12 números) não posso, por isso mesmo, fazer prognósticos, mas em verdade, em verdade vos digo, ainda antes do próximo ano de 2014 estareis a navegar virtualmente na rede plástica da minha massa encefálica.

2 comentários:

silvia disse...

Ahahah, os que lêem devem ser poucos ;) mas nao só aqui como em todo os outros meios ;) quantos lêem na realidade os livros que compram ?!

Muito obrigada, por nos manteres entretidos ;)))
E pelo link ;)

Se neste blogue houvesse um link p/ o Twitter* ;)
Eu passava a linkar cada novo post ;)))


* pedi ao engenheiro binarysolo

condenado disse...

Que venha daí o expoente, que o espumante está a arrefecer no frigorífico.