terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Funes Mori, Daniel Oliveira e o retrocesso masculino: o império contra-ataca.

Vamos interromper a publicação das aventuras de António Antão (ver este post anterior e esta revelação extraordinária) para dar conta de um relevante problema: o Daniel Oliveira, o apresentar de televisão, depois de frequentar o balneário da seleção nacional e distribuir cumplicidades com Scolari e palmadinhas no rabinho de Cristiano Ronaldo, estimulando as mais perversas fantasias de vingança, nas santas cabeças das nossas mulheres com idades compreendidas entre os 14 e 104 anos, vem agora colonizar a cabeça de Camila, uma mulher doente que pelos vistos não consegue esquecer as pilinhas dos seus companheiros. Tudo isto, note-se, com o intuito de infernizar a vida a todos os homens. Quero desde já esclarecer as caríssimas leitoras: a caracterização de Camila não é minha, escusam de me desejar coisas horríveis até à quinta geração. Foi a nobre e sempre leal Júlia Pinheiro a autora da recensão crítica no seu programa Querida Júlia. Na verdade, temos aqui um ataque soez à inteligência masculina, disso não há dúvida. Oliveira aproveita-se de um momento civilizacional em que estamos no chão, agarrados a uma cerveja e ao comando da televisão, e pretende galgar a prateleira do top vendas em cada centro comercial, guindado pelo ascensional poder de compra da mulher emancipada, farta de aturar as parvoíces do marido/companheiro/namorado, e cansada pelo dobro do trabalho enfrentado, quando havia sido prometida a libertação. Na verdade, não só continua a ter de tratar da casa e dos filhos, como agora ainda tem de ganhar um salário. Revoltadas, as mulheres querem a justa vingança. Oliveira, amedrontado, chega mesmo a dizer coisas como «o universo da mulher fascina-me; as mulheres são muito mais ricas do ponto de vista intelectual; as mulheres têm muito mais para descobrir» e quando se prepara para efetuar um minete coletivo a mais de cento e cinquenta reformadas, teve de ser a própria Júlia Pinheiro a lembrar que estavam ali para vender livros e não para oferecer novas experiências sexuais às tristes e infelizes potenciais leitoras. E agora, perante este desastre da espécie, o que fazer?



Andreia Rodrigues, vendendo lingerie Triumph, e prestando, ao contrário do seu namorado, um serviço inestimável à humanidade.
 

Quem acompanha este blogue sabe como se tem travado aqui uma quixotesca batalha contra a tirania da estupidez. Sabe também como os meus comentadores se têm exasperado perante este combate, movidos por uma preocupação com as minhas energias, e um ceticismo galopante diante da complexidade caótica do mundo. Como o leitor não tem muito tempo, tenho vindo a trabalhar os meus argumentos no sentido de uma maior economia de meios, uma arte difícil, sobretudo em tempos de austeridade. Por isso, eis-nos chegados, com pouco mais de dez frases, ao tema do nosso post: a inconsistência do mercado como artefacto geral de civilização. Nesta época de triunfo da cultura comercial, existe uma traumática dificuldade nos debates em torno do mercado em geral, e do livro em particular. Confunde-se o mercado com meios de pagamento, confunde-se o mercado de produtos acabados com o mercado de fatores de produção, confunde-se o mercado estático e sem fricção espacial, com o mercado definido pelos custos de transporte. Há quem saque do crucifixo e há quem saque da nota de quinhentos euros. Em ambos os casos, falta moderação e elegância, falta sobretudo perspicácia, cultura, agudeza de raciocínio, falta virilidade mental, falta a insinuação da viúva, e a vertigem da adolescente problemática. Este autor que vos fala, tem todas essas coisas no coração e apesar das suas tentativas desesperadas para fazer silêncio e regressar à sua obra (e deus sabe como isto é verdade, até ao sangue e às lágrimas) não pode ignorar o seu dever de esclarecimento junto da multidão sedenta de conhecimento.


O mercado é um dispositivo de escolha, centrado na otimização da informação e nos limites da racionalidade humana. Do ponto de vista global, agrupam-se as decisões dos consumidores para saber onde investir tempo e recursos. A ação do indivíduo dilui-se num mar de estímulos mas a ordem está garantida pela mecânica do sistema. Mas não se tem explicado que funcionando o mercado a partir da utilização do tempo e dos recursos, não há qualquer possibilidade de adotar tal mecanismo sem um padrão hierárquico, um árbitro, capaz de definir as regras do jogo, de modo a impedir que o tempo e os recursos sejam usados apenas por alguns dos indivíduos, no sentido de travar a ação do próprio mercado e impedir a distribuição do tempo e dos recursos num sentido contrário ao dos interesses desses mesmos indivíduos. Ora, basta ser moderadamente inteligente para perceber que o mercado é uma das maiores falácias da história intelectual da humanidade, e uma utopia tão delirante como outra qualquer, daí o seu sucesso parcial. Onde está o árbitro? Eu sei. Está em Bruxelas, de cuecas na mão, a tentar sobreviver à metódica intifada de que tem sido alvo nos últimos trinta anos.  No entanto, não adianta consumir recursos com lágrimas e gritos de «ai que ninguém nos acode». Utilizemos antes a nossa inteligência e consideremos, com um sorriso nos lábios, o espetáculo do mundo e o justíssimo triunfo do Daniel Oliveira.


No que respeita aos livros, partimos do princípio que o mercado premeia as escolhas dos indivíduos. Porém, uma das mais maravilhosas leis da persistência humana é o sentido da autodestruição que existe em todos os impérios. Ora, as grandes editoras, na sua voragem de controlo sobre o mercado, estão a expor da forma mais cómica possível, a total inexistência de mecanismos de mercado na venda de livros, tornando claríssima a própria mecânica do processo de propaganda e lavagem cerebral, de ditadura cultural, pode mesmo dizer-se, como nem a China de Mao Tsé-Tung ousou alcançar. É nesta ditadura que se baseia todo o modelo de negócio e o próprio lucro dos grupos económicos, cuja escala ameaça e destrói, todos os dias, o que resta de um mercado do livro no nosso país. Atenção, o lucro, se aceitarmos o sistema de mercado (e eu aceito) não tem problema nenhum e é um incentivo interessante na dinamização do sistema. Mas existe um brutal equívoco, já identificado por autores tão contrários como J. M. Keynes ou Frank Knight: não é o amor do dinheiro o fator crítico no funcionamento do mercado mas a qualidade e diversidade do sistema de informação. Por motivos óbvios, é muito difícil fazer passar esta ideia diante de uma multidão de burros e escravos. Estamos a ser esmagados, é um facto, agonizamos nos vãos de escada (e escrevo neste momento, literalmente, de um vão de escada de uma Universidade) sofremos a humilhação diária, somos desprezados por uma civilização sensual e provinciana, mas não importa, somos felizes assim, e temos a alegria dos simples. Detestamos a ideia de Povo, detestamos o nivelamento da cultura e do salário, detestamos quem ergue a bandeira da mudança e depois se acomoda a todas as formas totalitárias de comércio e propaganda. Queremos fazer de cada Bernardina da Casa dos Segredos uma aristocrata londrina, soberana, livre e altiva nas suas escolhas. Queremos fazer de cada Bernardina uma especialista em Shakespeare. Se depois, a Bernardina quiser comprar a porcaria do livro do Daniel Oliveira, isso é com ela. Antes, conhecimento livresco, conhecimento erudito, conhecimento aristocrático. Depois, que venha o chavascal e a feira, o mercado e a candonga. Aos construtores de telemóveis, o conhecimento dos telemóveis, e aos produtores de livros, o conhecimento dos livros. É esta a nossa missão, é esse o nosso dever junto do país que nos viu nascer. E não me desviarei desse objetivo até ao último e derradeiro sopro dos meus pulmões alados. Dizem que é um combate perdido. Pedes-me tarefa bem difícil: a quem apraz narrar os combates perdidos? Estou com Ovídio. Deixo aos leitores a possibilidade de estar com o Daniel Oliveira.


Falemos agora de lógica. No caso do livro do Daniel Oliveira, A Persistência da Memória, são utilizados 15 minutos de televisão, a um custo sem precedentes, nesta época de crise, para vender um livro que por si só não venderia sequer 100 cópias. Façam a seguinte experiência. Troquem o nome Daniel Oliveira, na capa do livro, pelo de Joaquim Nespereira, e lancem o mesmo livro para as livrarias. Isto significa que a capacidade de a Persistência da Memória atingir, na primeira semana, o top de vendas, está relacionada com o investimento da SIC e RTP (horas e horas de emissão, com um indivíduo que é tão excitante como um guardanapo de papel) e isso tem um custo, e bem alto, normalmente ignorado pelo diretores das empresas de edição. Fala-se das audiências. Bem sei. O mercado do imobiliário também vendia bem, mas um dia as pessoas descobrem que as coisas são uma porcaria, é a lei da física. Como não fazem a mínima ideia do que é um escritor, os diretores de empresas de edição utilizam a visibilidade dos funcionários, sobretudo se forem funcionários de empresas do mesmo grupo, para controlar o risco e garantir curvas de venda. Mas já alguém se dedicou a fazer contas sobre os resultados desta brincadeira? Numa análise de custo benefício, não só as empresas incorrem em custos que não controlam, pois nunca se sabe quando um Daniel Oliveira decide deixar-se comprar por uma estação de televisão concorrente, e lá vai o investimento pelo cano, como os valores torrados em programas que vencem pelo cansaço, com toneladas de esforço publicitário, deitado ao lixo em menos de dez anos, revelam como estes negócios são ruinosos do ponto de vista empresarial. A habitual ideia de que as grandes editoras ganham em custos de contexto, tirando partido da visibilidade dos autores, esquece a velha máxima, muito útil em alguns cenários, mas esquecida em muitos outros: não há almoços grátis. O custo de oportunidade devia guiar uma decisão informada. Mas alguém se dedicou a estudar se outro que não o tolinho do Daniel Oliveira, com o mesmo tempo de exposição no programa da Júlia Pinheiro, não permitiria ganhar o triplo do dinheiro? Nada, nada, era só uma questão.


Para a comunidade, a tragédia é ainda maior. Existe nestas alianças um atropelo brutal da função do mercado como alocador dos recursos, retirando aos especialistas (como eu) a capacidade de produzir livros de qualidade  em menor tempo, e com menos recursos, e obrigando os especialistas de televisão (o Daniel Oliveira) a fazerem noitadas e a estragarem os seus fim-de-semanas com a sua Andreia Rodrigues para se entregarem a uma coisa que manifestamente não sabem: escrever. Isto obriga-nos a recuperar o famigerado debate sobre o que é um livro de qualidade e qual o seu ponto de produção ótimo, do ponto de vista dos custos sociais. Não vou sequer entrar pela pornográfica ignorância profissional do Daniel Oliveira, que na entrevista diz ter descoberto o síndrome da memória, com o seu pomposo nome patológico, num programa da TV Globo. Mas o leitor fica a saber que Oliveira não sabe, ou não quer dizer, nada sobre o conto de Borges, Funes, O Memorioso. Os cínicos dirão que é a lei da mutação cultural e que não é necessário conhecer a história da teoria da relatividade para construir e vender um telemóvel. Certo, um livro é entretenimento e se o público seleciona um dado produtor, essa escolha é soberana. Mas esquecem-se que Borges é concorrente de Oliveira. Ou seja, quem permite ganhar mais dinheiro, se deduzidos os elevadíssimos custos de publicidade e os próprios salários, durante anos e anos, dos profissionais de televisão, até que tenham adquirido a famigerada plataforma do autor? Borges ou Oliveira? Além disso, há a própria informação contida no produto, totalmente negligenciada pela propaganda (que não sabe ler, nem gosta de livros). Um livro de qualidade é um livro cujo valor cultural é duradouro e tal como um automóvel, permite cumprir no tempo, e sem falhas, a sua função. É um livro que submetido a uma análise estatística (e chegará o dia) não se deixa facilmente abandonar a meio, revela maior amplitude de experiência, cultura, e domínio da língua (quer no significante, quer no significado), atinge a sensibilidade de um maior número de pessoas, e com maior diversidade de gostos e níveis escolares, permite a adaptação a outras produções artísticas, estimula a criação, gera emprego cultural, motiva para o trabalho, e como gostam de dizer as pessoas de bem, cria riqueza. Não é preciso virem com a estafada questão dos níveis de leitura e com aquilo que as pessoas desejam. Claro que o mundo mental encerrado dentro de uma caixa craniana tem limites muito precisos, mas precisamente por isso, deixemos que sejam esses limites a distribuir os recursos e não os projetos profissionais de dois ou três burocratas com funções de gestão em grandes empresas de comunicação.


 
Funes Mori, futebolista argentino.
Em 2001, foi para Dallas, Estados Unidos, com a sua família. Com o seu irmão gémeo, Ramiro, participou num reality show chamado Sueño MLS. Rogelio Funes Mori venceu o reality e foi integrado no FC Dallas. Depois, viveu uma novela no River Plate e atualmente tenta convencer Jorge Jesus a acreditar nas suas capacidades. A sua vida dava um romance. Ofereço de bom grado a ideia ao Daniel Oliveira, com um grande abraço, e sinceros votos de felicidade. Isto não é nada pessoal, como compreende, mas temos uma missão a cumprir.

10 comentários:

nAnonima disse...

subscrevo.
(e escreves bem comó diabo, tu :)

orfinho disse...

Obrigado. P'la prosa. Estava particularmente saborosa e suculenta.

Alf wiedersehen.

Anónimo disse...

olha lá alf, quantos livros conheces que cabem dentro disto que escreveste:

"Um livro de qualidade é um livro cujo valor cultural é duradouro e tal como um automóvel, permite cumprir no tempo, e sem falhas, a sua função. É um livro que submetido a uma análise estatística (e chegará o dia) não se deixa facilmente abandonar a meio, revela maior amplitude de experiência, cultura, e domínio da língua (quer no significante, quer no significado), atinge a sensibilidade de um maior número de pessoas, e com maior diversidade de gostos e níveis escolares, permite a adaptação a outras produções artísticas, estimula a criação, gera emprego cultural, motiva para o trabalho, e como gostam de dizer as pessoas de bem, cria riqueza."

é porque eu, ignorante mas bem intencionado, que nas pausas do football manager leio, penso e questiono, só encontro um: a bíblia. devem existir mais, mas eu fico-me por este, que é bem representativo daquilo que nós somos enquanto subproduto da sopa judaico-cristã.

partindo do principio que esta minha singela crítica faz algum sentido, a questão: um livro de qualidade é obrigatoriamente um "livro de culto" (livro de culto é uma expressão utilizada à falta de melhor alternativa; livro sagrado, maior que os seus autores, maior que os homens, que a história, etc. e tal)?

e, vamos com calma, agora, sff, a coisa produzida pelo daniel oliveira não está mais próximo da definição "livro de culto", pelo fanatismo que gera, pelo interesse súbito e, porque não, pela capacidade que tem de gerar seguidores, isto é, pessoas que querem fazer a mesma merda, empregos, isto é, anuncios, telenovelas, (não transformam o equador numa novela?) do que uma coisa qualquer bem escrita mas que não consiga obter sucesso merecido?

assim sendo, o que é um livro de qualidade?

condenado disse...

Quanto ao Daniel o que mais me deixa escandalizado, não é isso. É que o gajo ou não leu ou finge que não leu. Mas isso não me interessa; falemos antes das mulheres.
As mulheres que vão ao querida júlia, programa que se estica durante horas e horas, não devem de ser as mulheres de que falas. São algumas, não sei quantas, que no tempo devem de diminuir. Por quê? Atente-se no aproveitamento galopante das mulheres nas universidades. E isto apenas pode significar um futuro melhor. Um dos problemas das mulheres, é e sempre foi, a necessidade excessiva de achar um parceiro masculino. Pelo menos eu espero que elas no futuro consigam o reprimir o mais possível, até podem virar todas lésbicas, a mim não me interessa. E isto implicará a extinção das figuras públicas em quem elas gastam o dinheiro todo em chamadas telefónicas; ou então em romances que ao fim do ano vão para o papelão junto da lista telefónica. A mim parece-me ser tudo uma questão de tempo. Cumprimentos.

silvia disse...

Maravilhoso ;))))))))

silvia disse...

Para o anônimo ;)
Sem hesitação proponho que leias a "ilíada"
(anterior à bíblia) .

silvia disse...

Ahahahahah
Como nao vejo TV , nao sabia que havia outro Daniel Oliveira além de o intelectual com espirito livre do eixo do mal ;))))
Felizmente existe o Google ;)

Anónimo disse...

olá sílvia.

a bíblia é o exemplo mais óbvio. claro que existem mais obras mas a lista será sempre muito reduzida.

mas a questão nem é essa. o que eu perguntei depois foi se alf não havia confundido "livro de qualidade" com "livro de culto" (livro de culto é uma expressão que pode ter multiplos significados, aqui utilizada de forma livre) que pode não ser um "livro de qualidade" e se a coisa do daniel oliveira não se aproximava mais disso.

mas há sempre a hipótese de eu não saber o que estou a dizer.

e como o alf não respondeu,
nunca saberemos.

foda-se.

alf disse...

Caro Anónimo:

a hermenêutica não é o meu forte mas entre a qualidade e o culto há a mesma distinção que entre o conhecimento declarativo (raiz quadrada de x) e conhecimento imperativo (ou seja, formas processuais de encontra a raiz quadrada de x) cuja estrutura é sempre algoritmíca. Está tudo num curso de estrutura da computação, dado em 1986 no MIT, e agora disponibilizado gratuitamente em todo o mundo. O culto pressupõe um processo de eternização do texto exterior ao próprio livro (e devo dizer que, nesse sentido, a Bíblia é o mau-livro mais supervalorizado do mundo) enquanto um livro de qualidade só assina contratos com as leis da física e negligencia toda a história da sociologia. Se um livro de qualidade pode gerar culto não era o tema do post, mas, sendo um bom tema, reservo-o para próximas reflexões. Espero ter sido claro na explicação, cumprimentos.

Anónimo disse...

pois é, ó alf, concordo com o teu comentário.

mas é exactamente por concordar contigo, nomeadamente com a ideia de culto como "processo de eternização" (e sublinho mais uma vez que utilizei a expressão "livro de culto" de forma livre e à falta de melhor termo; um livro de culto pode ser muita coisa) que volto a questionar (e também porque estou a fazer uma pausa no football manager).

tu é que falaste em "valor cultural duradouro" e "atingir o a sensibilidade do maior número possível de pessoas", coisas que, aliás, são difíceis de definir.

um livro de qualidade precisa disto para ser considerado "livro de qualidade"?

se precisar, e este é o meu ponto, a tua lista de livros de qualidade é de tal forma diminuta que se arrisca a excluir a própria "qualidade" para incluir apenas obras que vão para lá ao puro âmbito artístico e cultural.