sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Parece que há um assunto em que António Costa, e dizem mesmo que António José Seguro pode chegar a, de modo que Passos Coelho, seguramente, e ao contrário do que muito prudentemente Vitor Gaspar, poderá ainda, se entretanto Miguel Relvas não, isto se por outro lado, o Presidente, Cavaco Silva, eventualmente, não considerar que.


SONETO 16
(tradução de alf mais tradutor automático do google)
 
dedicado ao Tolan - que ainda não decidiu se quer ser famoso ou escrever -
e à alma e antónio machado - leitores fiéis de há muito
e sobretudo à Izzy que aqui fez sugestões que me deixam orgulhoso dos meus leitores.
 


Mas por que não fazes mais poderosa
A guerra contra este tirano sanguinário, o Tempo?
E te fortificas na tua decadência
Com meios mais abençoados que a minha infértil rima?
Agora estás no topo das horas felizes,
E muitos virgens jardins ainda por plantar
Com desejo virtuoso suportariam as tuas vivas flores (*),
Muito mais do que a tua falsa pintura:
Assim devem as linhas da vida que a vida reparam,
Que este, pincél do tempo, ou a minha ponta de estudante
Nem no que dentro vale ou fora é belo
Podem fazer-te viver aos olhos dos homens,
Entregando-te a ti próprio conservas-te parado,
E deverás viver, por tua doce habilidade desenhado.
 
 
But wherefore do not you a mightier way
Make war upon this bloody tyrant, Time?
And fortify yourself in your decay
With means more blessed than my barren rhyme?
Now stand you on the top of happy hours,
And many maiden gardens yet unset
With virtuous wish would bear your living flowers,
Much liker than your painted counterfeit:
So should the lines of life that life repair,
Which this, Time's pencil, or my pupil pen,
Neither in inward worth nor outward fair,
Can make you live yourself in eyes of men.
To give away yourself keeps yourself still,
And you must live, drawn by your own sweet skill.
 

alf mais tradutor automático do Google - 1 : Vasco Graça Moura - 0. O primeiro combate foi vencido de forma clara e fácil em dois rounds, durante  9 minutos e 47 segundos, com um intervalo para resolver uma merdola chatérrima que agora não vem ao caso. Note-se que na edição de Vasco Graça Moura dos 50 Sonetos de Shakespeare (1978) que é, obviamente e sem margem para dúvidas, um excelente trabalho (só me bato com aqueles que admiro) o Soneto 16 é prudentemente omitido, saltando-se do Soneto 15 para o 18, certamente pelas dificuldades de interpretação e adaptação rimática que o Soneto 16 oferece, o que garantiu assim à dupla alf mais Tradutor Automático do Google uma vitória fácil. Tendo sido a opção de Graça Moura manter-se fiel à estrutura rimada do original, o que juntamente com o gosto arcaizante do tradutor eurodeputado confere à sua bela tradução um desgaste temporal mais rápido do que o seu laborioso trabalho mereceria, eu e o Tradutor Automático do Google optámos por tentar manter a cavalgada do verso shakespereano, não seccionando a estrutura gramatical original em benefício do efeito rimático, ainda que estejamos convencidos de que é necessário voltar a introduzir o espartilho da rima na poesia portuguesa (às vezes é preciso rimar, lembrava o Engenheiro Álvaro de Campos) em prol da recuperação de um combate essencial para forjar na bigorna da vergonha e da escassez vocabular, todo o grande poeta que se preza e profundamente se despreza.


Se como refere o excelente e sempre perspicaz António Feijó as tarefas de um tradutor «são fixar o sentido literal de um texto e ponderar praticamente o seu envelhecimento», julgamos que a violência transformadora e adptativa sobre um poeta que fez do rigor e originalidade metafória o seu machado de guerra, em nada beneficia o sentido geral da língua que Shakesperare criou. Além disso, a injecção de vocabulário renascentista (aguzeda, engenho, formosura) que muitas vezes assombra e atrasa a tradução de Graça Moura para português, pesa sobre a consistente velocidade do inglês deste bardo, filho de luveiros e neto de condenados na justiça, e só prejudica a experiência emocional no leitor. Resta informar o público em geral que pode enviar os comentários, sugestões e protestos contra a arbitragem para a caixa aqui em baixo. O próximo round terá como ponto de partida o incandescente  Soneto 129 e oferecerá para cotejo a tradução de Vasco Graça Moura, o que permitirá ao adversário exibir-se a bom nível e uma arbitragem moderada e controlada pelos nossos estimados comentadores. Deus guarde para sempre os engenheiros e programadores informáticos de todo o mundo.


(*) Permitam-me só corrigir o grande Stephen Booth, Shakespeare Sonnets (p. 159) que no seu seu afã de literalidade e esconjura do paternalismo crítico - o que muito o enobrece - supõe algo apressadamente que o And no início do verso 6 poderia sugerir no leitor desprevenido a ideia de que este And (E) não introduz um segundo objecto de comparação poética, e por isso, Shakespeare não estaria ainda a abandonar o efeito do stand on do verso 5, onde se celebra o facto de o jovem a quem se dirige o poeta estar no topo das horas felizes. Se é verdade que o leitor pode considerar esta continuação, por ser aparentemente mais fácil estar no meio de um jardim do que no cimo de um tempo de felicidade, parece-me que a questão não se coloca aos meus leitores, não só por serem cultivados, sensíveis e inteligentes (viram isto?) como por razões tanto retóricas como sintácticas: quem já esteve sentado largo tempo no meio de um jardim de flores por desabrochar sabe como pode ser desconfortável essa espera; além do mais, quem não experimentou já a sublime sensação de estabilidade cavalgando o tempo da alegria, do alto de um acontecimento que parece eternizar-se por dias, ou semanas? Logo, nada de confusões: podemos estar em cima das horas felizes mas detestamos estar em cima de jardins repletos de botões fechados, ou muito pior, ainda por plantar, cheios de terra, ervas daninhas, podendo haver lama se os acontecimentos se sucedem num triste e longo Inverno. Claro que do ponto de vista sintáctico, Shakespeare brinca aqui com o acto de estar em cima das horas ou poder estar em cima dos jardins ainda por desabrochar, sem flores, isto é, donzelas, tal como brinca com o pupil pen (salvo seja) que traduzo aqui por ponta de estudante para irritar os mais puristas e puritanos. Note-se ainda a estúpida e comum tradução de pencil por lápis, um objecto não generalizado antes do século XVIII. Em todo o caso, parece-me evidente que a introdução do tema do jardim se conjuga de imediato com a promessa do futuro suporte para os desejos do ouvinte a quem se dirige o soneto, assim o rapaz saiba fugir a esta armadilha mortal, o culto da linguagem como fim.

18 comentários:

orfinho disse...

Ó-lá-lá.

Mas... mas... (ainda estou a estudar se isto tudo resulta da sua capacidade de argumentação ou da sua sapiência)(que podem ser duas faces da mesma moeda mas não necessariamente).

Espero que seja tão talentoso a fazer(ia teclar escrever mas está errado poesia como a traduzi-la ou interpretá-la.

Caso assim seja considero-me desde já ofendido.
E humilhado.

alma* disse...

Ai ! orfinho se lesses a ética... de o aristóteles terias mais juízo lool

Gostei da tradução (não percebo nada de métricas de letras :)
mas o último verso que termina "sweet skill"
escolheria uma expressão mais hábil :) mais doce mais talentosa que o termo habilidade :)

Prefiro um baldio :) a um jardim manicurado :)
gostei muito do soneto é sábio para quem o entender :)


muito obrigada pela dedicatória :)
é um prazer e com satisfação que venho até aqui lê-lo :)

ontem ao ver este filme que alguém deixou no facebook lembrei-me do tolan *:)

alf disse...

A sugestão é pertinente. Nos nove minutos escapou-me o «sweet».

Izzy disse...

Antes de mais, expresso a minha profunda tristeza por nao ter sido incluida na dedicatoria. Eu, que devo ser a unica leitora desta chafarrica que le os posts do Alf na totalidade. Ja estou habituada a estas bofetadas. Sou a unica na familia que leu as 900 (sim novecentas) paginas do livro escrito pelo tio do Canada e nem uma medalha, um trofeu, um pedestal em minha honra ainda foi construido. Adiante.

A traducao tem merito mas, por causa da desfeita acima enunciada, levas na mesma com os meus bitaites.

1 - Nao "CONTRA" mas sim "NA" tua decadencia. No sentido de in your decay = envelhecer

2 - Nao "suportarao" mas sim "suportariam". Com virtuoso desejo suportariam. E porque deixaste cair "virgens"? acho que reforca o duplo sentido. E se o Shake la o pos quem es tu para o tirar?

3 - "outward fair" = beleza exterior, eh mais por ai e nao por "ajustes por fora"...reve la isso.

4 - O penultimo verso eh tramado. Ele quer dizer que ao te entregares mantens-te o mesmo mas nao sei como colocar isso em verso. Que se foda Alf, resolve-te, tu eh que comecaste esta brincadeira.

alf disse...

Cara Izzy

Com toda o apreço aceito humildemente os pertinentes comentários, actualizando a tradução, e adicionando-te com justiça à dedicatória.

silvia disse...

heheheheh
e eu :)

Visto que a Issy é muito competente :)
também não quero ficar ...
alf,
envia o teu mail
acausaenossa@gmail.com

silvia disse...

S.F.F.
podes confirmar com o Tolan que para uma causa nobre

Anónimo disse...

desobedecendo às mais elementares leis da tradução de poesia (que desconheço), sem qualquer tipo de respeito por este blog em geral e pelo alf em particular e, acima de tudo, ignorando tudo o que há para ignorar acerca da obra de shakespeare, cá está, a minha versão, com rimas e tudo.

divirtam-se, porcalhões.

Mas porque não farás da forma mais poderosa
Uma guerra contra esse tirano sanguinário, o Tempo?
E fortificares-te na tua decadência embaraçosa
Com meios mais abençoados que rimas sem desenvolvimento?
Agora levante-te para as horas festivas,
Muitos jardins estão por plantar
Com virtuoso desejo de suportar as tuas flores vivas,
Muito mais do que conseguirias falsamente pintar:
Assim o devem as linhas que reparam a existência,
Que este, pincel do tempo, ou a minha caneta de aluno,
Nem no valor interior, nem a interior excelência,
Podem fazer-te viver aos olhos do ser humano.
Para te dares ficares parado,
E terás de viver, pela tua doce habilidade desenhado

silvia disse...

heheheheh
são só tradutores :)))
alf :)

Este notável tradutor :) é quuem te responderá ao teu mail :)

Anónimo disse...

enganei-me ali no 4ª verso a contar do fim pá! é exterior excelência.

bota aí mais um poema em estrangeiro par a malta brincar!

silvia disse...

tb me enganei, peço desculpa :)

o notável tradutor não era quem eu pensava :)

any way : envia o mail que um notável te responderá

Anónimo disse...

calma, silvia, agora é que vem aí uma versão do camandro. com ainda mais liberdade poética (ou seja, desrespeitando ainda mais tudo o que há para desrespeitar no mundo da literatura (em especial gajo como o alf, que gostam de ler)) aqui vai, a minha segunda versão, tradução poética da boa.

divirtam-se, javardas.

Mas porque não farás mais poderosa
A guerra contra esse tirano sanguinário, o Tempo?
E fortificares-te na tua decadência embaraçosa
Com meios mais abençoados que rimas sem desenvolvimento?
Agora levante-te para as horas festivas,
Muitos jardins estão por plantar
Com virtuoso desejo de suportar as tuas flores vivas,
Muito mais do que conseguirias desonestamente pintar:
Assim o devem as linhas que reparam a existência,
Que este, pincel do tempo, com o qual tento escrever,
Nem no valor interior, nem a exterior excelência,
Podem aos olhos do homem fazer-te viver.
Ofereceres-te manter-te-á parado
E terás de viver, pela tua doce habilidade desenhado

António Machado disse...

não sei agradecer estas merdas
traduzir é introduzir (uma língua na outra)
a rima (és grande pueta) tá quase lá

Tolan disse...

Alf, Alf, Alf... Gostei do poema. E encaro a tua dedicatória como preocupação sincera e encorajamento. Espero não te desiludir.

Anónimo disse...

Facto factual: edição do CdeL apresentado em 2002 inclui o 16 17 e 18.
GB

silvia disse...

GB,
faz o favor de enviar mail

causaenossa@gmail.com
precisamos de um poeta :)

bjs

silvia

Javardas (um termo bonito)heheheheheh

Anónimo disse...

Grato pela via Alf.
Silvia, não tenho email, facto, e não sou poeta, outro.
Continua a sentir o remo como a pena, ou assim como ou assim
GB

Izzy disse...

Agora sim, estah reposta a ordem no Universo. Proceed.