terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Querido Daniel: vai uma troca dos prazeres ilimitados dos linchamentos, permitidos ao anonimato, pelos não sujeitos a Concurso Público e (em princípio) regulares pagamentos monetários do Expresso/ SIC Televisão?


Na realidade, como sempre soubemos - dos bufos aos linchadores -, o anonimato sempre permitiu que os constrangimentos sociais e morais desaparecessem e a escória humana se exibisse sem pudor.   



Faltou dizer que a diferença de custo por aluno é de 2,7%. O que estatisticamente é perfeitamente irrelevante.
ngonçalves, agora mesmo e com toda a propriedade num comentário a este post.
 
 
Devemos sempre saudar com júbilo e agradecer com carinho o inolvidável momento em que libertários moralistas, perseguidores dos interesses privados interesseiros e dos ladrões de vária ordem que assaltam os cofres do Estado, lamentam o momento em que os constrangimentos sociais e morais desaparecem e a escória humana se exibe sem pudor. Como representante digno da mais vil escória humana que gosta de se exibir sem pudor, e antes de efectuar o meu trabalho anónimo e clarificar um tremenda confusão divulgada pelo mui honrado e nobre jornal de referência Expresso, quero aqui solidarizar-me quer com o Doutor Mário Soares, quer com o Daniel Oliveira, quer com o cão que vai ser muito justamente abatido (que fique bem claro que não gosto de cães e muito menos de cães feios e perigosos), quer com o Artur Morais (guarda-redes do Benfica - esta nota é para as senhoras do blogue do Tolan) quer com o João Magueijo, quer com o Jesualdo Ferreira e sobretudo com a Pépa Xavier, de quem aguardo um telefonema de agradecimento pela minha brilhante defesa, levada a cabo neste espectacular blogue, sem que nada tenha ainda sucedido, o que demonstra ao menos o triunfo sempre renovado da incompreensão entre as pessoas, grande motor da felicidade, da paz eterna e do amor universal.

 
 

Aproveito o exercício de categorização da espécie humana para comunicar a todos com grande alegria e orgulho que, sim, a verdade existe mesmo. E a mentira também. O Henrique Raposo - que como todos sabem é uma pessoa de gabarito intelectual inalcansável* - resolveu brindar-nos com a sua posição de princípio em relação à escola pública. Como sabem, não sou um defensor da escola, nem da pública, nem da privada, e quero desde já incitar à desautorização dos professores em geral, quer públicos, quer privados, quer sobretudo os público-privados, mas não posso deixar passar em claro uma manifestação tão evidente de preguiça intelectual, e diremos mesmo de burrice, tão aviltantemente grotesca.

 
Quando ameaçam fechar estes colégios (com contratos de associação) aqui em Portugal, as cidades, as vilas, as terras, os pais, os alunos, no fundo, as comunidades servidas pelos ditos colégios levantam-se em peso para os defender. Porquê? Porque são melhores do que as escolas estatais, muito melhores. Com o mesmo tipo de aluno, estes colégios conseguem resultados superiores. Mais: conseguem esses resultados com menos dinheiro. Para o contribuinte, é menos dispendioso suportar a propina do "João" no colégio privado do que suportar o "João" na escola estatal do outro lado da rua.

 
Vou deixar para já este fascinante elogio ao levantamento em peso das cidades, das vilas, das terras, dos pais dos alunos, no fundo, das comunidades, as mesmas comunidades que segundo o mesmo Henrique Raposo vivem acima das suas possibilidades gastando o dinheiro dos contribuintes, contribuindo para a decadência da Europa e dando ouvidos à demagogia sempre que o partido socialista vence as eleições. Por economia de tempo e paciência - o que é a mesma coisa - sigo em direcção ao argumento do «João». Acontece que o «João» está aqui comigo e diz que tu, Henrique, deves ir para o caralho que ta foda, porque segundo o Relatório do Tribunal de Contas (distribuído gratuitamente, ao contrário das merdolas da Sapo e do Expreso que tu citas) com as suas espectaculares 93 páginas de chatice mortal, que tu, claro, ocupado com o curso da história e a salvação da humanidade em geral, não te dás ao trabalho de ler, o custo do «João», que te manda pela segunda vez para o caralho, é um assunto um pouco mais complexo, o que como é lógico não caberia na tua proficiente coluna do Expresso. 
 
 
Não consegui encontrar explicitação clara do número de alunos no sistema público e do número de alunos em contrato de associação utilizados nos cálculos, nem sequer no tópico onde se expõe a obtenção da média e os critérios do cálculo, e muito menos nos Mapas finais onde estranhamente não vêm cálculos totais dos alunos em contrato de associação, mas admito que algures nas 93 páginas isso seja dito porque a Lusa divulga esse número. Deve dizer-se, no entanto, que na informação veiculada pela incompetência organizada da imprensa, não se refere com clareza que a performance dos contratos de associação é realizada tendo em conta um universo de 52.882 alunos, enquanto os valores do ensino público resultam de um universo de 1.238.599 alunos e nem sequer se explica no Relatório se neste segundo número está incluído o primeiro, o que de qualquer modo, e dada a diferença entre os valores, não acrescenta nada de muito diferente ao escandaloso abismo que sempre existiria entre o significado estatístico de uma e de outra das médias de custo, dada a diferença de magnitude das massas de alunos, cuja performance de custo de ensino se pretende medir com técnicas de merceeiro zarolho. Além disso, a notícia da Lusa, mutliplicada com estupidez inigualável em todas as redações, utiliza a média do Ensino Secundário, isto é,  4.648,21 euros de custo por aluno, e não a média total que reúne Ensino Básico e Secundário, que é de 3.890,69 euros, não se percebendo exactamente qual o critério da opção, o que não quer dizer que não exista uma explicação cabal, escondida no minúsculo cerebelo do jornalista que amanhou a coisa: é uma esperança que me anima e uma fé que com toda a certeza salvará a missão inestimável do jornalismo.


Recapitulando e dando de barato os valores avançados pelos palermas dos jornalistas: enquanto os 4.648 euros por aluno são obtidos gerindo uma organização que garante o ensino a 1.238.882 alunos, os 4522 euros por aluno dos contratos de associação são o resultado do ensino público prestado por organizações privadas a apenas cerca de 4,3% (52.882 alunos) do número total de criancinhas e adolescentes portugueses que frequentam escolas públicas. Não é preciso ser o prémio nóbel da economia e muito menos o careca ignorante do Vítor Bento para deduzir que num exercício de economia pública, à medida que fossemos transferindo a quantidade de alunos do sistema público para os contratos de associação, os problemas resultantes da economia de escala colocariam a sua cabecinha escamada de fora, fazendo zurzir a sua língua bifurcada (ou pela multiplicação de custos com mais infra-estruturas, se quisessemos manter uma rede de escolas de baixa densidade de alunos por cada unidade, ou pelos custos resultantes do aumento da dimensão das organizações, se optássemos por aumentar o número de alunos por unidade/escola), ou como disse um dia a desdentada Paula Rego, comentando uma pergunta, da Rainha do Egipto Paula Moura Pinheiro, sobre o significado monstruoso da sua pintura: «às vezes as coisas não são fáceis».


*De acordo com um anónimo e leitor atento, «inalcansável» não se escreve «inalcansável» mas sim Inalcançável, pelo que aqui fica reposta a verdade dos factos, a moral pública, a minha culpa e enaltecida uma vez mais a proficiência dos anónimos, enquanto linchadores da ignorância alheia.

6 comentários:

Ó. disse...

Em Vila Real existe um desses colégios privados e é conhecido pelos bons desempenhos dos seus alunos.
Porém, o dito colégio só deixa os melhores alunos fazerem os exames. Os alunos com piores notas têm de ir fazer exames a outras escolas da cidade ;)

Anónimo disse...

"O Henrique Raposo - que como todos sabem é uma pessoa de gabarito intelectual inalcansável"

esta frase fez-me rir duas vezes. dou uma bolacha de água e sal a todos os que adivinharem porque não me ri apenas uma vez. os primeiros 10 premiados ganham também um dicionário de bolso.


ngoncalves disse...

"4522 euros por aluno dos contratos de associação são o resultado do ensino público prestado por organizações privadas a apenas cerca de 4,3% (52.882 alunos) do número total de criancinhas e adolescentes portugueses que frequentam escolas públicas."

Faltou dizer que a diferença de custo por aluno é de 2,7%. O que estatisticamente é perfeitamente irrelevante.

Rabujador de Barrancos disse...

Ó grande representante do povo melmaquiano, atrevo-me a escrever somente para numa altruísta acção de serviço público insultar o aborto enric manhoso. Essa puta obesa, velha e higienicamente(entre outras coisas)deficiente anda no cio e portanto não se deve beber dos chafarizes da terra dele. Espero viver para vir a cagar na tumba dessa poia-porca-psicopata.Quando se ouve/lê a "coisa" compreende-se melhor a invenção da guilhotina e os autos de fé. Muito obrigado pelo tempo de antena.Gentilmente despeço-me.
Abraços fraternos.

alma disse...

Ok , utilizar a analogia para bater em maus como os cães é de uma inteligência subtil e até elegante (à atenção das pêpas):)

Anónimo disse...

é engraçado que o "nível de agressividade aparente" dos cães vai decrescendo. começamos com um feroz e musculado cão de guarda pronto a defender o dono, passamos para um cão com pinta de pensador que, não vendo destituída a sua natural agressividade, está com ar que quem tem dúvidas sobre o porquê de tantas guerras e de tanta violência, em terceiro lugar e encontramos um cão que acabou de perseguir uma bola de ténis ou um gato ou uma criança (calma, estamos a brincar) e se prepara para receber um afago nos pelos que cobrem crânio e quem sabe na barriga, e a posta termina com uma amostra de cão, o sonho de todas as criancinhas bem educadas e devidamente socializadas (e também das selvagens e sádicas, futuros psicopatas, líderes de várias estirpes e políticos representantes de todas as ideologias, incluindo as que defendes os animais, que precisam treinar técnicas de tortura) e pesadelo dos paizinhos que agora tem o dobro da merda para limpar, possível "filho" de trintonas solteiras cujo relógio biológico diz que está na hora de adoptar um gatinho e ter um filho, mas um cãozinho até que nem faz mal nenhum, e pitéu para chineses, coreanos e asiáticos de várias origens e etnias e quem sabe, dentro de poucos anos, para todos os povos do sul da europa.

a minha pergunta é esta, foi de propósito ou saiu de improviso? é que calha bem.

fui.