quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Anacronismo.

Numa geração marcada pelo cinismo, pela tolice, pelo fastidioso e repetitivo endeusamento de Nuno Markl, Bruno Nogueira ou Ricardo Araújo Pereira, representantes mediáticos da Portugal Telecom, da Caixa Geral de Depósitos e de outras irreverentes e irónicas instituições desalinhadas e sub-versivas, este momento de incompreensível coragem, este vôo em trapézio sobre o ridículo, este sobressalto romântico totalmente ultrapassado, este salto adolescente sobre a tragédia, este desabafo artístico anacrónico, esta pirueta estética de alto risco, esta quase comovente inocência teórica, esta redução da impotência ao absurdo, esta manifestação melancólica contra fantasmas que estão dentro de nós e não nos outros, não obstante a ignorância formal, o escasso domínio da teoria musical, a pobreza técnica, a precipitação discursiva e uma finalização descontrolada - onde a palavra Portugal produz um ruído deprimente e insuportável -, merece pelo menos o nosso respeito e um sentido, ainda que moderado, aplauso.

3 comentários:

alma* disse...

Prefiro esta !!!

silvia disse...

alma :)
thanks, é a melhor balada de sempre :)
ao ouvi-la inpira-me os melhores sentimentos :)))



alf disse...

Bom dia a todos,

no que respeita às sugestões da alma, na relação com o tempo, o artista recorre ao chamado sentido inverso: precisamente por odiar o tempo é que este se transformará no seu maior trunfo. Em todo o caso, é verdade que pode conceber-se este ódio apenas como uma relação meticulosa, apaixonada e muito atribulada.

Sobre a balada, é batota utilizar regressões históricas ou introduzir poetas na competição.