terça-feira, 13 de novembro de 2012

Barafunda

Enquanto os ratos abandonam o navio contentes com 4 milhões de visitas em sete anos, para além do lodaçal de confusa estupidez e hipocrisia que deixam sob a poeira da sua retirada, o Elogio da Derrota, pelo contrário, está neste momento, e muito apropriadamente, a vestir o seu melhor fato e a preparar-se para entrar no medonho túnel do futuro, enfrentando a pata ensaguentada do destino, deixando os seus leitores convictos de que movido pelos valerosos autores que constituíem a mecânica biológica deste Leviathan em crescendo, o Elogio só desistirá de celebrar a rotunda e irrevogável derrota do seu ponto de partida, da sua consciência existencial profunda, da sua convicção de que mais valia nem sequer ter começado (mas uma vez iniciada a épica refrega, agora só depois de mortos) o Elogio da Derrota, dizia eu, só desistirá de fazer barulho no dia em que Maria Cavaco Silva ganhar o campeonato do mundo de dança no varão em fato de borracha ou no dia em que o Senhor Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva assinar um contributo relevante para a ciência económica ou mesmo para os ditos portugueses dignos de memória, que nós não somos elitistas, convém sempre lembrar e nunca deixar esquecer.

Aproveito esta ocasião para prevenir os queridos leitores sobre a operação de assalto cultural aos pobres e indefesos membros dos países de expressão portuguesa que após séculos de fracasso de políticas económicas desenhadas, tanto pela monarquia de direito divino como pela constitucional, em cima das rechonchudas nádegas das freiras enquanto as coisas aconteciam, após séculos de pactos mafiosos entre uma Corte sem instituições parlamentares, sem concursos ou critérios de acesso a cargos públicos, sem discussão legislativa, sem impressão e divulgação da estrutura normativa do reino e conquistas, sem publicação das estratégias de tributação e dos acordos com a Igreja, após séculos de pactos manhosos entre as boçais casas aritrocráticas portuguesas e as inqualificáveis elites de capitães e mafiosos brasílicos, (portugueses recém emigrados) esses mesmos territórios que forneceram a curta distinção com que pudemos coroar historicamente a cabeça durante quinze minutos antes de sobre nós baixar o manto cinzento do esquecimento (Chico Buarque) levam agora com o refugo industrial em série económica da merda que por aqui se vai publicando. Peço desculpa a todos os versados em literatura pitagórica ou epicurista mas não resisto a um excerto exemplar da iniciativa liderada pela Leya no Brasil, publicado pelo jornal Público e com um erro grosseiro no merdoso, e prestável a erros grosseiros, título do livro O Teu Rosto será o Último de João Ricardo Pedro:

«No sábado, às 13h, a ficcionista, dramaturga e encenadora Patrícia Portela (de que sairá na Novíssimos, Para Cima e Não Para Norte) participa num encontro com o poeta e ficcionista espanhol Manuel Vila, cujo tema é Escrever é Misturar, ou Letras Carnavalizadas. Mais ao final do dia, pelas 19h, acontecerá Uma Mesa Portuguesa Com Certeza que juntará os jovens escritores portugueses João Ricardo Pedro (engenheiro e vencedor do Prémio Leya de 2012 pelo romance O Teu Rosto será Sempre o Último, agora publicado na Novíssimos), Nuno Camarneiro (engenheiro físico e investigador, autor de No Meu Peito não Cabem Pássaros, também seleccionado para a nova colecção) e o poeta, contista, encenador e actor Sandro William Junqueira (autor de Um Piano para Cavalos Altos) e a jornalista e escritora Patrícia Reis, que publica na Novíssimos Por Este Mundo Acima. Cada um lerá um curto texto tentando responder à pergunta “o que faz de mim um escritor português.»


O que se passará na cabeça das pessoas para submeterem as crianças faveladas a este espectáculo degradante, o que se passará na cabeça das pessoas, repito, para obrigarem crianças esquálidas e melancólicas e os brasileiros em geral a enfrentar a leitura presencial de textos sobre o que faz destes gajo escritores portugueses? Não bastava às crianças faveladas a polícia militar, a maconha, os morros esventrados, os tiros galgando os socalcos em ressonância automática, a sombra do cacete, as asas negras do desgosto e as patas peludas da miséria? Não, ainda tinham de forçar os meninos do Rio de Janeiro ou São Paulo a levarem com a Patrícia Reis e seus companheiros portugueses nas fuças. Posto isto, chamo a atenção do Capitão Padock para que veja bem o critério sumptuoso dos títulos, sobretudo No Meu Peito não Cabem PássarosPara Cima e Não Para Norte,  cornucópia semânticas, codificação encriptada,que não tive o prazer de criar, embora com muita pena minha mas estou a pensar entitutular a minha primeira obra do seguinte modo: Nos meus cornos não cabe a actual situação do meio literário português ou então Para o caralho e não para a cona da tua mãe.Também é digno de registo o título do encontro Uma Mesa Portuguesa Com Certeza. Com toda a certeza, uma mesa portuguesa, disso ninguém tenha dúvidas. Parafraseando um filme português dos anos cinquenta: é Portugal que não morre - são os Lusíadas.


Vamos todos manter a calma, fechar os olhos e procurar levitar apenas com a energia resultante da combustão que há em toda a compreensão profunda da natureza humana.

Aqui fica o meu contributo com um singelo link para uma das melhores músicas de todos o tempos

5 comentários:

AM disse...

pela desfaçatez * de imaginar que isto poçça ser do seu interesse:
http://www.ogmabooks.com/treason-by-words.html

* uma palavra que merecia mais tempo de jogo

Anónimo disse...

parece rebentável, a Patrícia

Ex-Vincent Poursan disse...

Alf, caro amigo.

Tenho andado pra te comentar mas sabes como são as coisas, amanhã comento… postas outra vez e eu adio… comento o próximo. Entrementes “time flies” – em português: está um tempo de moscas – postas de novo… e a um gajo vem-lhe á memória uma frase batida… não, não é o hoje é o primeiro dia do resto da minha vida, é a outra ainda mais batida: fodaçe que este gajo é uma picareta postante!!!
Espero que este meu comentário te encontre de perfeita e feliz saúde, anda-me a cair o cabelo, e com ele as memórias do tempo em que as miúdas o despenteavam e lhe chamavam espanador… e outras memórias ainda mais agradáveis com as mesmas miúdas… mas fora isso, tudo bem e comento por atacado.

A este é telegráfico, o cachimbo acabou???… só peca por tarde!!!
Assalto cultural?... um exagero e um saco de metáforas, imagens, alegorias e outras figuras de estilo que te saltam da cabeça como propostas de impostos da do Gaspar, mas tudo bem que os versados em literatura pitagórica ou epicurista normalmente são estóicos. De resto só questiono, com reservas dado a sintaxe não ser o meu forte, se o título “ Para o caralho e não para a cona da tua mãe” não enfermará duma impossibilidade insanável porque coisa e tal… a mãe não tem tal e coiso???!!!

Quero agradecer-te com sinceridade, e fico pela sinceridade, não contes com nenhum cabaz de natal em casa, o teu post sobre o lobo antunes. Não propriamente por qualquer acréscimo de conhecimento sobre o lobo antunes, por quem eu nutro a maior das admirações e a quem, noutro fórum, já uma vez recomendei para prémio nobel da economia pela poupança que permite nos gastos com livros dele, um gajo compra um e estão lá todos, e ainda em outros livros porque aquilo cansa tanto que normalmente é dois anos por livro - o “não entres tão depressa nessa noite fria” deu-me pra 3 anos e já aproveitei o desconto fnac de 20% pra comprar o “não é meia noite quem quer” pelo que, quanto a livros, já tenho o meu saco de arroz, aguento a crise mesmo que dure até o SPC papar o campeonato -. Não propriamente por qualquer acréscimo de conhecimento sobre o lobo Antunes, dizia eu, mas pela excelência da crítica literária que tu produzes. Eu nunca conseguiria tecer aquela teia, construir aquele sistema de vasos comunicantes, flipar aquela sucessão de carambolas, que permitem concluir, com evidência e elegância, que o bater de asas duma borboleta das couves num lameiro de vale da porca fode um guarda-sol na costa da caparica. A critica literária não está ao meu alcance. Arrisco uma metáfora creio que nunca antes utilizada… é muita areia prá minha camioneta.

Ex-V.P. cont. disse...

Gostei do teu penúltimo post. Qualquer pretexto te serve prá farra e copaneira, acho bem. Dá um abraço ao candidato a emigrante, não sei quem é mas isto cai sempre bem, e diz-lhe que mude para não residente quanto a morada fiscal, caso contrário o Gaspar vai-lhe ao cu… perdão, ao bolso;
Continuas loga a seguir á bolina, metafórico e quixotesco, na defesa da nação…ganda alf. Recomendas um livro, o que agradeço mas eu quanto a livros, como acima te informei, já estou servido.
Quanto à tua, impertinente quanto à formulação e manipuladora quanto à imagem aduzida mas aceitável em nome da causalidade das cenas, questão das externalidades associadas às mamas da merkl com reflexo no julgamento político da politica económica alemã nos dois últimos anos, as pessoas que pensam só podem concluir que se a merkl tivesse umas mamas dessas, teria tido maior atenção de pessoas que enfim, gostam de manipular mamas. Como uma coisa leva a outra, ela não teria necessidade de andar a foder metaforicamente os países do sul da europa, que continuariam no alegre regabofe de comer bifes todos os dias e viver acima das posses.
Quanto ao jornal de parede, discordo !!!... só eu sei – onde é que eu já ouvi isto? – o embaraço que experimento quando, derivado ao facto de não me deixarem aliviar nos WCs dos cafés se não consumir nada, me ponho a mijar discretamente nas paredes. Agora com esse tal jornal de parede, além de passar despercebido ainda me instruo… venha o jornal de parede!!!
A Dulce não sei quantas não conheço. Gajos estúpidos sempre houve. Numa coisa concordo contigo, as pessoas que lêem muitos livros percebem mal as coisas e são despistados. Tenho um amigo que está precisamente a trabalhar numa tese em que aborda o excesso de leitura como causa de surdez e défit de orientação.

“calm down… calm down “, diz D. Fabrizio Salina ao padre Pirrone… calm down alf, calm down… digo eu!!!

Ex-V.P. disse...

errata

estava ali a ver uma cena qualquer na tv, era fraca porque o meu brilhante cérebro aproveitou pra fazer um scan ao que fiz hoje, e nos erros encontrados constava ter eu referido como destinatário do "calm down... calm down" de D.Fabrizio Salina ao padre Pirrone quando o destinatário é D. Francisco Ciccio Tumeo.

aqui fica a correcção.

ah... e faça restart prá correcção ser assumida.